História Haunted: Uma escolha pode mudar tudo - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Draco Malfoy, Gina Weasley, Harry Potter, Hermione Granger, Luna Lovegood, Neville Longbottom, Ronald Weasley
Tags Draco Malfoy, Drama, Dramione, Harry Potter, Hermione Granger, Romance
Exibições 85
Palavras 5.446
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Nudez, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi gente.
Primeiramente eu queria pedir imensas desculpas pelo atraso do capítulo, de verdade.
Mas eu tive uns probleminhas pra concluir ele, enfim, se der tudo certo sai o capítulo onze sai até quinta.
Espero que entendam, é semana de vestibular e tudo mais, então vou estar um pouco ocupada, então vou tentar postar esses dois capítulos agora e atualizar a fic semana que vem.
Por favor não me lancem azarações! Haha.
Mas não se preocupem, a fic vai continuar normalmente.
Beijos, e agradeço pela paciência.

Capítulo 10 - The truth comes with Owls


Fanfic / Fanfiction Haunted: Uma escolha pode mudar tudo - Capítulo 10 - The truth comes with Owls

Sexta-feira, 4 de setembro de 1998

A primeira semana em Hogwarts havia sido inesperadamente comum.

Enquanto andava pelos corredores, uma vez ou outra, Hermione era cumprimentada não só por seus companheiros de casas, mas por muitos outros conhecidos. As aulas haviam transcorrido normalmente, até mesmo as divididas com a Sonserina. Na tarde de quinta-feira, no dia anterior, ela e Gina estavam tendo sua primeira aula de poções do ano, com o professor Horácio, quando a amiga lhe cutucara entre as costelas:

– Ele não para de encarar você. – Dissera-lhe, olhando sobre o ombro a parte mais afastada da sala, onde estavam os alunos da outra casa.

– Gina, eu realmente não quero saber para onde Malfoy está ou não olhando. – Retrucara Hermione, sem ao menos levantar os olhos da poção Força Vital que preparava e que já estava quase adquirindo a cor dourada desejada.

Porém a garota pode sentir seu rosto enrubescer pela sensação do olhar sobre ela.

– Não estava falando do fuinha, e sim da babá dele. – Respondeu Gina, com uma risadinha, voltando à atenção ao seu caldeirão e enchendo-o com ovos de fadas mordentes.

Hermione então espiara por entre os cabelos ruivos da amiga, e pode perceber o olhar do auror desviando quando ela virou-se, ele estava sentando mais ao fundo perto da janela. Malfoy, percebera o olhar de Hermione, mas fingira parecer nem sequer dar-se ao trabalho de notá-la, mexendo sua poção com o menor ânimo possível.

Franzindo a testa, ela havia voltado ao seu caldeirão, decidindo ignorar o fato.

Ela havia recebido seu horário na manhã do primeiro dia, e vira que as aulas da sexta-feira se iniciariam com Estudo dos Trouxas, com a nova professora Srta. Megan Slatery. Estava ansiosa para conhecer a mulher, e começar os trabalhos com os Hauted’s. Já havia espalhado alguns cartazes pela sala comunal da Grifinória e da Corvinal, com a ajuda de Luna, para os interessados se inscreverem, e diferentemente do F.A.L.E que ela organizara no quarto ano, para esse muitas pessoas se candidataram. Hermione estava nervosa, antes com a Armada de Dumbledore, Harry quem era o líder, ela nunca pensara que alguém ouviria o que ela tinha a dizer, havia passado a vida sendo apenas a sabe-tudo, cheia de ideias e opiniões, mas não havia ninguém que se importasse em ouvi-las, mas agora estava tudo diferente: Depois do que houve na guerra, as pessoas passaram a enxergá-la. Agora ela iria ter que expressar as opiniões que estavam guardadas dentro de si para pessoas que, talvez, não a ouviriam antes. E isso a deixara animada, porém com um frio na barriga.

Respirando fundo, ela descia as escadas junto às demais garotas da grifinória, incluindo Gina mais atrás, com amigas que Hermione não conhecia.

Como dizia Rony:

“Gina é popular demais para o seu próprio bem”

Pensando no amigo, lembra-se de que ele ainda não a havia escrito, mas sabia que ele e Harry estavam muito ocupados em seu novo cargo.

Ela chega às portas do salão principal, que estava quase vazio, era manhã de sexta-feira, ainda muito cedo: as suas costas as portas abertas do castelo mostravam os tímidos raios de sol que iam surgindo conforme a aurora da manhã avançava. Repara em Luna, sentada sozinha na mesa da Corvinal, e vai até a amiga, que lhe oferece um exemplar de O Pasquim.

– Como estão os preparativos para hoje? – Perguntou ela, enquanto Hermione examinava o jornal, com uma grande foto de um chifre de erumpente, no canto da página, lia-se em letras garrafais “Segredos sobre o Bufador de Chifre Enrugado” e “Entrevista com Rolf Scamander. ’ Com uma foto do recém-formado magizoologista. Ela não pode deixar de divertir-se com a persistência de Luna e seu pai sobre aquele chifre.

– Como é a primeira reunião ainda há muito que fazer, só espero que dê tudo certo. – Respondeu Hermione, então sentou-se ao lado da amiga no banco – Você irá, não é? Estou um pouco nervosa... – Continua, olhando para ela preocupada.

 A diretora Minerva havia avisado a Hermione que a primeira reunião do clube estudantil seria naquele mesmo dia á noite, já que sábado começariam os primeiros treinos de quadribol. Como as garotas haviam passado a semana inteira divulgando o encontro, Gina já se encarregara de alguns detalhes, como a bandeira e os preparativos, para o lugar da primeira reunião ela tinha sugerido a sala precisa , local dos encontros da Armada de Dumbledore, porém a diretora Minerva interviu, disse que o local das reuniões seria uma surpresa a todos, e que os interessados deveriam encontrá-la no corredor do segundo andar. As três amigas, e Neville, haviam se perguntando a semana toda o mistério que Mcgonagall escondia.

– É claro que irei, mal posso esperar, é como a AD novamente, mas sem termos que nos esconder – Respondeu Luna, sorrindo e a observando com um olhar sereno, em compensação quanto mais tocava no assunto mais ansiosa Hermione ficava, e sabia que seu olhar demonstrava apreensão. – Sabe, é muito bom saber que podemos ajudar os alunos a se unirem novamente, mas mais do que isso, espero que esse Clube ajude outras pessoas, as que escolheram de maneira errada, e que agora querem voltar a ter paz. Isso também é importante, você não acha? – Luna pergunta, com as sobrancelhas arqueadas, e um sorriso.

Hermione assente com a cabeça, enquanto a amiga voltava-se ao seu café da manhã, ela inconscientemente dirige seu olhar à mesa da Sonserina, agora começando a encher, mas o lugar em que ele sentava-se sempre estava vazio, assim como o do auror que o acompanhava.

– Algumas pessoas precisam de ajuda, mas demonstram isso de formas diferentes. – Diz Luna, vendo-a olhar para a mesa da Sonserina.

Antes que Hermione pudesse refletir ou responder as palavras da amiga, ouve seu nome sendo chamado na mesa da Grifinória, era Gina, ela então agradece Luna pelo exemplar e vai até a outra mesa, sentado-se ao lado de Neville, que escutava a amiga falar animadamente sobre quadribol, enquanto mexia seu mingau de aveia, parecendo desinteressado.

– É claro que eu vou conseguir montar o time! – Dizia ela, exasperada. – Hermione, você sabe que sou multitarefas, diga a ele!  A amiga lhe diz, muito vermelha, a resposta dela foi uma risada, então a amiga continuou desatando a falar, ignorando o revirar de olhos que Neville dava por cima do copo de suco de abóbora.  Percebendo sua fome, Hermione serve-se do característico peixe defumado de Hogwarts, dá sua primeira garfada, então ouve o piar das corujas: O correio havia chegado. Uma coruja pintada vem em direção a eles, dando um razante sobre Neville, e aterrissando em seu prato, espalhando mingau de aveia sobre as vestes do amigo.

– Ei! – Reclama Neville, limpando-se. Gina então tira uma carta amarrada a coruja, Hermione pôde observar o remetente: Harry Potter.

– É uma carta de Harry! – Diz ela, com a voz estridente, então observa o amigo – Oh, Neville, sinto muito.

Enquanto Hermione ajudava Neville limpar as mangas das vestes com um guardanapo, a amiga lia a carta, muito animada. Ela a observa tristonha, lembrando-se de que para ela nada havia sido entregue, a não ser o Profeta Diário ainda enrolado ao seu lado. Então suspira, e dá de ombros, lembrando-se de que ela e Rony não eram nada além de amigos, e que o garoto não era obrigado a escrevê-la, ela poderia mandar uma carta a ele por Edwyn, sua coruja, mas não saberia por onde começar.

– Olha, ele mencionou você Hermione – Diz a amiga, já chegando ao final da carta, Hermione estende a mão para que ela a mostre, mas então Gina continua a leitura, e depois a olha como se Hermione não tivesse permissão para ler, ela entende, já que era algo íntimo, então concorda com a cabeça. Mas mesmo assim acha o gesto estranho, pois o semblante de Gina mudara completamente.

Antes que pudesse perguntar o que era, uma garota de cabelos crespos que parecia ser do quinto ano da Corvinal, se aproxima de Gina e a distraí da leitura, ela se vira e então as duas começam a conversar e então discutir sobre o horário do uso do campo de quadribol.

– Mas o horário das duas horas é da Grifinória! – Resmungava a amiga, se levantando do banco. Neville se mexeu ao seu lado, desconfortável. Hermione pensa então que deve intervir, já que era monitora-chefe, mas então as duas saem apressadas do salão, resmungando algo sobre perguntar a Madame Hooch a tabela de horários.

Com a pressa a amiga havia esquecido a carta aberta em cima da mesa da Grifinória, impulsivamente, Hermione a pega na mão.

– Você sabe que não deveria... – Começa Neville, mas ela já estava lendo.

 

“Querida Gina,

Os dias sem você aqui tem sido muito sem graça, estou vendo que será um longo ano. Como já havia dito, estou de malas prontas para me mudar, eu sei que você me entendeu, depois da nossa última conversa... A mudança para o Largo será na segunda feira, é muito bom que eu e monstro estamos nos dando bem. Fui visitar Teddy ontem à noite, ele cresceu muito! E está com os cabelos muito azuis, pena que não pude ficar por mais tempo porque o trabalho tem me mantido ocupado e tem sido inesperadamente tedioso, há muita papelada e burocracia, eu e Rony não saímos do ministério, mas é claro que encontrarei você no primeiro passeio a Hogsmeade.

Todos nós estamos sentindo muita falta de você e da Hermione (principalmente o Rony), ele não para de falar dela não sei porque ele ainda não a escreveu acho que anda trabalhando demais..

Ele aprontou mais uma: Depois do surto com o “caso Malfoy” nas férias, lembra? Quando ele foi até a casa dela furioso pensando que ela se encontraria com MALFOY...Ás vezes não sei o que ele tem na cabeça, com esses ataques de ciúmes, mas não posso julgá-lo...Agora ele requeriu que a varinha de Draco fosse vigiada, se ele utilizar qualquer feitiço suspeito ou maldição imperdoável, o ministério ficará sabendo e serão mandados aurores á Hogwarts na mesma hora...Acho que estou falando demais, mas quero que saiba que está protegida e realmente me surpreendi com Rony.

Sei que você, Hermione e Luna podem muito bem se cuidar sozinhas, mas tomem cuidado com ele e outros alunos da sonserina.

Mal posso esperar para te ver novamente, meu amor.

Espero que seja muito em breve,

Harry.

P.S: Boa sorte com o quadribol,sei que você vai ser brilhante!

Então era isso que Ronald Weasley escondera dela.

“Ele foi até a casa dela furioso pensando que ela se encontraria com Malfoy” Dissera Harry na carta, então era isso que ele pensava dela? E como ele chegaria a essa conclusão, justo com Malfoy? É claro, seu pai agora era chefe das Execuções das Leis da Magia, e teria acesso ao caso de Malfoy, de que ele voltaria a Hogwarts, o que ela não sabia era como Rony ficara sabendo da viagem a Austrália e da coincidência de ter encontrado ele no voo. Mas como Draco fora acompanhado por aurores, talvez o Sr. Weasley teria que ter autorizado à viagem, e comentando na Toca. O que surpreendeu Hermione fora a conclusão que Rony chegara, tão depressa. Pensara que ela se entregaria a outro, assim, sem mais nem menos, sem considerar o que eles haviam passado juntos, mas o que a deixou mais chateada foi o fato de ele não ter se aberto, não ter contado e admitido o erro. E Gina o acobertara, agora entendia o estranho diálogo que teve com a amiga no banquete de abertura, e que a amiga estava falando de Rony e não de Malfoy, mas entendia que ela não pretendera esconder nada dela, só não queria estragar o possível relacionamento dos dois.

  Hermione abaixa a carta, irritada, e a devolve onde estava. Ainda não sabia se diria que tinha descoberto tudo ou não.

– Você está bem? – Pergunta Neville, ela o olha, as suas vestes ainda mostravam as manchas de mingau de aveia.

Ela concorda com a cabeça e se levanta, mas para de repente e coloca a mão sobre o ombro do amigo:

– Neville, não comente com Gina que eu li a carta, por favor. – Ela pede, olhando nos olhos cheios de dúvida do amigo, que parecia muito confuso. Ela decidira pensar nesse assunto depois que se acalmasse.

– Tudo bem, mas o que aconteceu? – Pergunta ele, mas Hermione o ignora e deixa o salão, no meio do corredor um pensamento vem-lhe a mente: Gina havia tentando conversar com ela sobre Rony, pensando que o garoto havia lhe contado tudo, mas a primeira pessoa em que ela havia pensado havia sido Draco. Será que isso significava alguma coisa?

Ela balança a cabeça, afastando o pensamento, mesmo que ainda não soubesse, o seu subconsciente tinha a resposta, mas ela não queria pensar nisso agora.

Quando alcança as portas do Salão Principal, ela consulta o relógio: A primeira aula de Estudo dos Trouxas começaria em breve, e Malfoy estaria lá.

Com o coração acelerado, ela sobe as escadas.

 

Ela estava lá deitada e ele não podia fazer nada.

Ou poderia?

O que faria?

O seu sangue que um dia ele chamara de sujo jorrava pelo chão de madeira polida.

E ela gritava.

E os seus gritos eram como facadas, era como se sentisse a faca prateada de Bellatriz em sua carne também.

E tudo que ele havia dito a ela naqueles anos todos,

Talvez por influência de seus pais,

Talvez por escolha própria,

Passavam em sua mente,

E a sua mão apertava a varinha,

Mas ele estava apavorado.

O que fariam com ele?

Porque ele tinha que ser tão egoísta?

Então ele ouve um grito ainda maior do que o de Hermione Granger.

Ele fora correndo ao encontro dela, o garoto ruivo.

Ele a salvara.

Ele era o herói.

Draco era o monstro, ela o olha com os olhos cheios de lágrimas

O sonho muda, um avião despenca do céu cinzento,

E ele então corria pelo corredor até ela.

Não sabia porque o impulso de salvá-la.

Por que salvá-la?

 Por que não fazia como antes?

Mas então é ela quem o salva.

Ele a olha nos olhos

“Você sabe que precisa de mim, sabe que posso ajudar você”. Dizia ela.

Será que ela conseguiria mudar o monstro que vivia dentro dele?

Flashes do passado eram o seu sonho agora, tudo muito rápido.

A sua mente era um caos.

 

Então ele abriu os olhos, e encarou o teto.

A sua mente ainda era um caos, o sonho ainda muito vívido em sua memória, o rosto dela ainda presente em sua retina, e o via cada vez que piscava os olhos, então desapareceu.

Olhou ao seu redor, estava meio zonzo, não sabia o porquê. O dormitório estava vazio, consultou o relógio pendurado na parede oposta: Estava atrasado.

Um barulho irritante fazia sua cabeça latejar, mas ele ainda pensava no pesadelo, sabia por que tinha sonhado com tudo aquilo: Fora dormir pensando nela. A lembrança o fez fazer uma careta, simplesmente ficara deitado durante horas, na noite anterior, sem conseguir dormir com falta da sua dose diária de Whisky de Fogo,  seus pensamentos começaram pelo clube estudantil que Mcgonagall criara,e que seria no dia seguinte, mas a sua mente então se voltou a Hermione Granger,  e isso estava acontecendo com frequência, e o não com o nível de desprezo esperado.

Sentou-se na cama, passando a mão pelos cabelos despenteados, decidindo se levantar e esquecer tais pensamentos, já que tudo aquilo deveria ser uma peça que seu subconsciente o havia pregado. O barulho irritante continuava, assim como sua dor de cabeça.

Era como o bico de uma coruja batendo sobre o vidro, mas não poderia vir da janela, já que as janelas da sala comunal e dos dormitórios da Sonserina davam para o lago da escola, os alunos conseguiam ouvir o barulho da água durante a noite, e por vezes, podia-se ver a Lula Gigante passar pela janela, nada que interessasse a Draco naquele momento. Olhou mais atentamente o quarto e então viu a origem do ruído: Uma coruja, empoleirada numa mesa ao canto da sala, bicando um uma jarra de porcelana, com uma carta entre as garras. Vendo que Draco a observava ela voa em sua direção, o garoto assustou-se, se afastando, mas ela pousou na cabeceira de sua cama e ali ficou até ele retirar a carta. Depois partiu, sem cerimônia: Aquela não era uma carta destinada a ser respondida.

Draco perguntou-se como ela chegara até ali, nas masmorras, obviamente o correio já havia chegado durante o café da manhã,ele o havia perdido: faltavam cinco minutos para o inicio da primeira aula, mas o garoto não se importou.

Examinou a carta, e viu o selo ministerial: seu estômago vazio revirou-se.

“Caro Sr. Draco Malfoy.

O ministério o avisa, por meio desta carta, que sua mãe Sra. Narcisa Malfoy, terá o julgamento adiantado, por ter sua saúde mental parcialmente recuperada, agora que é capaz de se expressar claramente.  O julgamento será no dia 15 de Outubro, ás 8h30 da manhã.

O Senhor foi dispensado das aulas nesse dia, pela diretora de Hogwarts Minerva Mcgonagall. A sua mãe, Narcisa Malfoy, terá direito a testemunha (as) de defesa, e cabe ao senhor convocá-la (as), já que não há outro representante disponível.

O senhor tem o prazo de no máximo dez dias para arranjar tais testemunhas para o julgamento.

 

Ass. Chefe do Departamento de Execuções das Leis da Magia, Arthur Weasley.

Ass. Chefe da ala Psiquiátrica do St. Mungus, Medibruxa, Amelie Hayday.

 

Suprema Corte dos Bruxos.’’

 

Ele simplesmente olhou atônito para a carta durante alguns minutos, então a raiva cresceu dentro de si. Ele rasga o pergaminho, e levanta-se, furioso, chutando o baú aos pés da cama: Sente a dor lancinante subir pelos seus dedos, então se senta novamente, apoiando as mãos no baú com a cabeça baixa, ofegante.  Fecha os olhos com força, não iria deixar as lágrimas escaparem.

Mas suas lágrimas não demonstravam fraqueza, eram de fúria, não de medo.

O ministério esperava que ele, Draco Malfoy, conseguisse testemunhas que alegassem a inocência de sua mãe ali, trancando naquele castelo, cercado de pessoas que o odiavam.

Já não bastava tudo que o haviam obrigado a fazer, agora o sujeitavam a isso: Compreendia que não estavam dando a chance de uma testemunha de defesa a sua mãe por bondade, não, eles já sabiam que Draco iria torturar-se por não conseguir ajudar a mãe, sabiam que isso o atormentaria.  O que ele poderia fazer, não sabia, porque não tinha ninguém ao seu lado, ninguém com quem contar. Sua mãe, seu pai. O professor Snape. Sua tia. Todos o haviam deixado de uma forma ou de outra, agora só tinha aqueles que o enxergavam como o monstro que ele aparentava ser. Não queria martirizar-se, é claro, mas saber que era impossibilitado de ajudar alguém que amava, era uma dor que ele não era capaz de suportar, mais uma dor. Respirou fundo.

Olhou o relógio.

A aula já começara, era estudo dos trouxas.

Com mais um ataque de raiva, ele arranca o cobertor, jogando-o no chão, as lágrimas rompendo, agora em pé no meio do quarto. Ele grunhe de fúria, com passos largos, dirigi-se até o banheiro, agradecendo por estar sozinho. Fecha a porta atrás de si. Encarando o espelho.

Ele não iria a aula, não faria o que o ministério o havia mandado, pelo menos não naquele dia.

Vincent poderia vir até ali e arrastá-lo, azará-lo, ele não ligaria. Precisava se acalmar, ninguém poderia vê-lo assim, perdendo o                        controle.Ele tinha que arranjar a testemunha, tinha que proteger sua mãe e livrá-la do aprisionamento. Mas para ampará-la tinha que primeiro ajudar si mesmo.

Não suportando mais ver o reflexo no espelho, ele fecha os olhos.

Um rosto vem a sua mente,

Ele perderia uma aposta.

 

Hermione deixava a sala de Estudo dos Trouxas maravilhada.

A Srta. Megan Slatery realmente seria de grande ajuda aquele ano, e ela constatara isso com apenas sessenta minutos em sua companhia. Com todos os alunos já sentados em suas carteiras, ela havia chegado: pequena, cabelos curtos presos atrás da orelha, com um terno acinzentado e uma calça jeans, típicas roupas trouxas. A aula era dividida com a sonserina, porém Hermione notara a falta de Malfoy, quando olhara na direção de seus companheiros de casa. Balançando a cabeça, ela havia desviado o olhar, pensando que Draco já começara erroneamente, e se perguntou se algo havia acontecido.

Logo afastou o pensamento, concentrando-se em manter a mente afastada do garoto o quanto pudesse.

Nos primeiros minutos de aula, a Srta. Slatery fez uma pesquisa, pedindo para que levantassem as mãos os sangues-puros, e muitos alunos da sonserina se pronunciaram: Alguns pareciam extremamente entediados e claramente não queriam estar ali. Depois perguntou sobre os mestiços e então chegou à vez dos nascidos-trouxas, e então Hermione levantara a mão. A professora observou todos, muito concentrada, mas em nenhum momento ela perguntou os nomes dos alunos, e a aula prosseguiu. Ela se apresentou, dizendo que havia estudado em uma escola estrangeira, e frequentado uma faculdade trouxa na América, e o mais importante de tudo: Era nascida-trouxa.

Alguns alunos, não só da sonserina, se entreolharam quando ela dissera isso, como se assim ela merecesse menos respeito. O ocorrido deixou Hermione enojada, mas a Sra. Slatery simplesmente continuou, e pediu aos alunos que dissessem nomes de bruxos famosos na história, algumas pessoas levantaram as mãos para falar.

A professora apontou para uma garota de cabelos escuros da Sonserina, e disse:

– Você, sangue-puro, diga-nos um bruxo famoso. – Dissera ela.

A garota franziu a testa pelo fato de a professora não ter perguntando seu nome, e também por tê-la chamado de “sangue-puro” com aquele tom de voz, como se fosse um apelido comum.

– Herpo, o Sujo. Ele viveu na Grécia antiga, dizem que foi quem criou o Basilisco. – Dissera a garota, com a voz aguda.

A professora, com um aceno de varinha, escrevera o nome dele no quadro, com uma traço que lia-se “Criou o Basilisco”.

– Muito útil, ein? – Comentou a professora, com uma risadinha – Ouvi dizer que tiveram problemas com um desse por aqui. Mas vamos, quero bruxos que fizeram coisas boas para este mundo.

Dessa vez foi um garoto da Grifinória que levantou a mão, Hermione o reconhecera: Fora um que dos meninos que ela havia dado uma bronca no dia do banquete, por causar confusão com Malfoy.

– Vamos lá, mestiço, diga-nos! – Exclamou a professora.

Hermione estava um pouco confusa com os métodos da Srta. Slatery.

O garoto ignorou a fala da professora, e disse:

– Tilly Toke, ganhou a Ordem de Merlin Primeira Classe por salvar a vida de turistas trouxas, algo relacionado com algum dragão...Acho. – Ele dizia, e franzia a testa tentando se lembrar. Hermione desconfiou que ele falara de Tilly simplesmente para agradar a professora.

– Tilly! Muito bem, pelo que vejo você a tirou em algum sapo de chocolate. – Brincou a Srta. Slatery, fazendo alguns alunos rirem e o garoto enrubescer.

Alguns outros nomes foram falados e anotados no quadro, para cada nome bruxo importante citado, ela escrevia um nome de algum trouxa famoso. Hermione reconheceu alguns. Leonardo da Vinci, Einsten, Marie Curie, Gandhi, Alexander Fleming... E no final da lista, escreveu Elena Slatery e Louis Slatery. Depois perguntou se alguém conhecia algum nome, e Hermione levantou a mão, explicando cada um deles.

– Leonardo da Vinci foi um pintor, escultor, inventor e cientista, enfim foi um grande nome da história trouxa assim como Albert Einsten, que revolucionou a física, e Marie Curie que foi uma cientista pioneira no ramo da radioatividade e primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel, ganhou dois: de física e um de química. Gandhi foi um promotor da paz, que idealizou e fundou o Estado moderno indiano, sem violência. Alexander Fleming inventou a penicilina, um antibiótico, que salvou a vida de milhares de crianças...

Então a Srta. Slatery a interrompeu:

– Muito bem, cinco pontos para a Grifinória, nascida-trouxa... – Disse ela, piscando para Hermione e sorrindo. – Os últimos nomes, como podem observar são dos meus pais, Elena, uma professora do ensino fundamental, que é a parte inicial do ensino trouxa e Louis, um policial, que é quem cuida da segurança na sociedade trouxa. O que quero dizer com tudo isso? Que há nomes importantes tantos no mundo bruxo quanto no trouxa, que os trouxas fizeram o mundo evoluir, com sua tecnologia, a falta de magia os faz serem imensamente criativos, e inteligentes, e um nascido-trouxa tem o melhor de dois mundos. Não estou dizendo que um é melhor do que outro, digo que para esses nomes importantes, e para os outros desconhecidos, a falta de magia não os impediu de fazerem grandes coisas, o sangue não importou, há grandes bruxos e há sim grandes trouxas. Não só os ganhadores de prêmios ou os que estão atrás dos sapos de chocolate, são grandes bruxos aqueles que respeitam as origens alheias, e são grandes trouxas aqueles que respeitam as diferenças do outro. Um grande bruxo pode ser um aluno, aqui como vocês, uma grande trouxa pode ser uma professora, que trata cada criança com carinho e um policial que daria a vida para proteger alguém que nem ao menos conhece.  Eu não perguntei seus nomes, apenas suas origens, no começo da aula porque queria que sentissem na pele como é ser tratado como se tudo que você é fosse somente aquilo que o seu sangue diz que você é, apenas aquilo, sem um nome ou personalidade. E sei que muitos aqui já foram tratados assim.

Ela então deu um breve olhar a Hermione, que concordara com a cabeça, os olhos marejados.

– É assim que eu quero que comecem esse ano letivo, que ingressem no clube estudantil da Srta. Granger pensando: Você é mais do que o seu sangue, ou o que o seu sobrenome diz que você é. Agora todos levantando as mãos, quero saber os nomes de vocês.  – Concluíra a professora.

A aula da Srta. Megan Slatery a fez esquecer-se de todo o aborrecimento durante o café da manhã, a garota teve uma breve conversa com a nova professora que confirmou presença no evento daquela noite.  Mas logo tudo voltou à tona, quando ia saindo da sala de aula, vira o Auror que acompanhava Draco entrar, Gina a esperava lá fora com as outras companheiras de casa que se despediam dela.

O homem era realmente muito alto, com cabelos castanhos desgrenhados e seu semblante era intimidador, porém parecia calmo, através da barba escura.

– Ele não está aqui. – Dissera Hermione, sem conseguir se conter, enquanto ele passava por ela no corredor que o levaria até a mesa da professora Slatery.

O auror para, e olha para trás para ela:

– O Sr. Malfoy não está fazendo o que o ministério espera dele – Dissera-lhe, agora virando em sua direção – Não pude me apresentar antes, sou Vincent. – Ele concluiu, estendendo-lhe a mão.

Hermione hestira, mas a apertou, era um auror do ministério, afinal. Porém a voz do homem, e o jeito com que ele a olhou a fizeram estremecer. Lembrava-lhe alguém em comum.

– Sou Hermione Granger, é um prazer conhecê-lo. – Respondera ela, cordial, tentando sair da sala o mais rápido possível, olhou para trás: Gina estava encostada na porta esperando por ela, e os observava. Quando seus olhares se encontraram, a garota deu de ombros, com uma feição confusa.

Quando virou novamente o rosto para o auror, ele a olhava com o rosto levemente inclinado, como se a analisa-se.

 – Malfoy falou muito da senhorita, eu percebi que os dois tem uma relação curiosa. – Comentou ele, de maneira debochada.

Hermione piscou algumas vezes, tentando entender o que ele queria dizer com aquilo, era óbvio que ela e Malfoy não tinha relação nenhuma, e o fato de ele ter falado sobre ela só serviu para surpreendê-la ainda mais. Porém a garota sabia que as palavras “sangue-ruim” deveriam ter saído da boca dele junto com seu nome. O auror ainda a observava, esperando sua reação. Antes que ela pudesse responder, ele acrescenta:

– Desculpa se aborreci a senhorita, às vezes não sei quando manter a boca fechada. – Riu-se ele, e Hermione sorriu por educação, ele então estreita os olhos para ela. – Vejo que já parecia aborrecida, talvez por algo que lhe foi revelado? Um segredo?...Uma verdade?

Hermione arregalara os olhos, sem conseguir disfarçar o seu assombro. Como aquele homem saberia do que havia se passado com ela mais cedo?

 –F-foi uma carta que li... Eu... Como o senhor sabe? – Perguntara ela, curiosa, aquele auror havia conseguido deixar ainda mais espantada, já não queria sair dali, e sim ouvir o que ele tinha a lhe dizer. Seria ele algum tipo de adivinho?

– É um dom natural –Respondera ele, com um leve tom de arrogância, então percebera a surpresa da garota. – Estou a aborrecendo ainda mais, me desculpe pelo inconveniente, mas se posso me atrever a ajudar, já que já a atrapalhei , há uma frase que sempre digo: “A verdade é trazida por corujas, por isso por vezes demora a chegar” .

Concluindo, ele sorrira de maneira sugestiva, então se despedira e afastara-se indo até a mesa da Srta. Slatery, deixando Hermione parada ali, estática, com um ponto de interrogação sobre a cabeça e refletindo sobre as palavras do auror.

 

 Ela e Gina agora caminhavam pelo corredor juntas. A amiga rindo do estranho diálogo que Hermione tivera com o auror e comentando animadamente sobre a aula. Hermione não contara sobre o incidente com a carta, não gostava de mentir, mas o assunto seria melhor resolvido entre ela e Rony, queria poupar a amiga.

– Me senti muito especial quando a Prof.ª Slatery disse “Você é mais do que o seu sangue, ou o seu sobrenome”, sabe, com todo aquele negócio sobre traidores do sangue... Sem contar aquele clichê de “Mais uma Weasley” – Comentava a amiga, as duas dirigiam-se as escadas, teriam um horário vago e então Hermione seguiria sozinha para Aritmância. – Você deve ter se identificado com ela, não? – Continuou Gina, olhando-a, com os olhos castanho-claros idênticos aos de sua mãe.  Passando por uma janela com vitrais, puderam ter um vislumbre do dia lá fora, que já amanhecera, um imenso céu azul, com os raios de sol perpassando as árvores.

Ela demora um tempo para responder à amiga, ainda pensando na conversa que tivera com Vincent.

– Sim, me identifiquei muito. – Respondeu Hermione, assentindo com a cabeça – Ela vai ser de grande ajuda, foi ótimo alguns alunos terem ouvido o discurso dela.

Gina observava a janela, então parou de repente:

– Acho que vou procurar madame Hooch, sobre aquele assunto de horários do quadribol, está um dia lindo, para que desperdiçar? – Dizia ela, dando meia volta. – Quer me acompanhar? Pergunta a amiga, indicando o caminho oposto com a cabeça.

– Não tudo bem, vou procurar algo para fazer. Responde Hermione, que não queria passar à tarde com algo tão tedioso como treinos de quadribol.

–Ah, é claro, você sempre troca a gente pela biblioteca! – Diz Gina, as duas começam a rir, então a amiga se despede e continua seu caminho, na direção oposta.

Neville havia dito que iria passar o tempo livre que tinha nas estufas, como se fosse novidade, e Luna deveria estar em alguma aula. Hermione resolveu então ir até a sala comunal, pegar alguns livros, talvez revisar os preparativos para a noite.  Virou no corredor a esquerda, e subiu as escadas, acostumada a elas que sempre mudavam de lugar.

 Enquanto subia os degraus, pensou que uma das pessoas que mais deveriam ter ouvido o discurso da professora Slatery não havia comparecido a aula. Suspirando, ela lembra-se das palavras de Luna:

“Algumas pessoas precisam de ajuda, mas demonstram de maneiras diferentes”.

Se ela achava que ele precisava de ajuda? Achava.

Mas demonstrava de um jeito muito peculiar.

“Você é mais do que o seu sangue, ou o que o seu sobrenome diz que você ”

  Hermione tinha certeza que Draco Malfoy precisava urgentemente saber disso.

Seus pensamentos voltam-se as palavras de Vincent:

“A verdade é trazida por corujas, por isso que por vezes demora a chegar”.

O que o auror queria dizer com aquilo? Estaria ele sondando algum outro assunto, relacionado a Malfoy?

Então ela sente um solavanco que a faz despertar-se de seus pensamentos, as escadas estavam mudando, como sempre.

Mas dessa vez foi diferente, elas pareciam estar se voltando para o corredor abaixo, a garota se segura firme para não cair. Com outro estrondo, a escada se conecta a um corredor de pedra.

Ela conhecia aquele corredor. Era o que levava as masmorras.

Será que as escadas tinham levado em consideração o que estava em sua mente?

Ele estaria na sala comunal da Sonserina?

Ela demora-se a deixar os degraus da escada, olhando em dúvida para a passagem de pedra lá em baixo.

Aquele era o corredor que a levaria a Draco.

 

 


Notas Finais


Então é isso, espero que tenham gostado da leitura.
Comente ai se quiser! (Eu me divirto muuuito lendo as reações de vocês)
Ah e uma nota importante: Eu não entendo muito bem a geografia de Hogwarts, então se estiver errado, por exemplo, ela pegar o caminho da esquerda e subir as escadas e tudo mais, levem em consideração isso.

Qualquer errinho me avisem!

Beijos de lumos! Obrigada por ler!
@TrioDourado


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