História Heal Me - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias House
Exibições 185
Palavras 2.092
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Orange, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Essas duas ainda vão me matar de tanto amor.
Algumas pessoas fizeram sugestões que tentei atender da melhor maneira possível. Estou aberta tanto à idéias, quanto às críticas. Apesar da história estar quase acabando, espero poder fazer o que estiver ao meu alcance por vocês.
Boa leitura!

Capítulo 11 - Aceita namorar comigo?


POV Eva

Como declarar-se para alguém da forma correta? Um dirigível com corações gigantes atravessando o céu poderia ser uma maneira bem chamativa de dizer “Allison, estou apaixonada por você”, mas, certamente isso iria assustá-la, afastá-la. Talvez as demonstrações mais simples podem carregar muito mais significado, como o olhar de admiração que eu não conseguia disfarçar, o sorriso e os suspiros enamorados.

— Definitivamente sou uma mulher de sorte. – Disse enquanto roçava meu nariz em seu rosto.

— O que?

— Eu...sou uma mulher de sorte por ter te conhecido. Você enriqueceu a minha vida, trouxe um impacto positivo para ela.

— Eva, por que está me dizendo essas coisas? – Cameron encarava-me com suas íris esmeraldas tão brilhantes quanto uma jóia.

— Para falar a verdade...eu não sei. Senti vontade, apenas.

— Deve haver uma nuvem de sorte pairando sobre Miami então. Eu...nunca imaginei que nada disso pudesse acontecer comigo. Você sabe que até à pouco tempo eu estava casada e não foi um relacionamento, digamos, tranqüilo. Minha vida profissional e amorosa estagnou desde...sempre. Vir para cá foi como uma segunda chance de ser realmente feliz em um ambiente novo, cercada de pessoas novas. O que eu não esperava é que algo tão bom quanto você estava incluído no pacote. Sinto que enfim posso recomeçar.

Aquelas palavras emocionaram-me. Eu ansiava por encher Al de beijos e amá-la até a exaustão, no entanto, temi em parecer uma adolescente com atitudes ridículas. Ative-me apenas em depositar um longo selinho em seus lábios finos e acarinhar seus cabelos, colocando uma mecha teimosa das madeixas loiras atrás de sua orelha.

— Meu bem, sei que o que sentimos uma pela outra é bonito, intenso. Talvez atitudes precipitadas possam nos privar de vivenciar mais desses momentos incríveis que temos, mas... – Respirei fundo – ... o que eu sou para você?

Provavelmente a loira não estava preparada para essa pergunta. Eu arriscava, a abordando daquela maneira, indo contra meus princípios de não atropelar nenhuma etapa do que quer que fosse. Contudo, meu sangue latino, imediatista, falava mais alto por vezes. Era fato que eu a queria, então, por que esconder essa vontade? Por que não tê-la em meus braços e chamá-la de minha?

— Eu não sei. Confesso que demorei um pouco para entender o que sentia por você. É novidade essa coisa de querer a companhia de alguém à todo instante. Nunca fui de apegar-me à nada, menos ainda à alguém. Digo...precisamos mesmo nos rotular? É difícil para mim fazer isso. Não tenho muita experiência em lidar com sentimentos pares aos meus.

— É engraçado. Tenho uma grande confusão dentro de mim também, assim como tenho receio em deixar que as coisas passem em branco e, com isso, você se vá por falta de atitude de minha parte. - Bufei baixo - Ei, espere um minuto.  

Lembrei-me de algo que significava muito e caberia muito bem na ocasião. Levantei, indo até o closet. Retirei de dentro de uma caixinha lilás, onde guardava as poucas jóias que tinha, um anel em ouro fosco com um solitário espelho diamantado. Retornei para a cama, tomando a destra de Cameron, colocando a peça em seu anelar.

— Zambrano, o que significa isso? – Al alternava o olhar entre sua mão e eu.

— Hoje em dia ainda se pede alguém em namoro? – Ri em sinal de nervosismo – Hã...ai, Deus, como é mesmo que se faz isso? – Sussurrei – Bem...Allison Cameron, você aceita namorar comigo? Sabe, tens razão. Não precisaríamos nos rotular, mas...que mal tem em eu querer algo concreto e sério contigo? Quero mais jantares, mais saídas à bares, cinemas, praia, onde for. Quero você comigo, dividindo um sanduíche e a vida. Namoradas fazem isso, não fazem? Eu não posso, nem preciso esconder o que quer que seja mais. Estou apaixonada por você.

Atônita. Essa seria uma ótima palavra para descrever a loira depois de minha declaração. Sua respiração estava pesada e o semblante sério em demasia. Um leve tremor acometeu-me devido à ansiedade e ao medo de ser rejeitada. Cameron já não olhava mais para mim, apenas encarava o anel em seu dedo.

— E se tudo isso não passar de um sonho e não der certo? – Foi o que ela proferiu depois de alguns segundos em silêncio absoluto.

— E se der certo? Nunca saberemos se não tentarmos. Eu quero e sei que você também quer. Isso por si só não basta para pelo menos nos esforçarmos?

Finalmente nossos olhares voltaram a se encontrar e pude ver um sorriso se abrindo em seu rosto.

— Aceito, mas se partir o meu coração, eu juro que atacarei diretamente na sua aorta.

Arregalei os olhos com a afirmativa do pedido de namoro tão peculiar. Não contive-me e desatei em gargalhadas, fazendo-a rir junto comigo.

— Sinto lhe informar que isso não foi nada romântico. Só que isso... – Encostei meus lábios nos dela - ...é bem mais que romântico.

Iniciei um beijo terno, calmo, apaixonado, onde nossas línguas exploravam as bocas em puro deleite ao contato. Podíamos sentir as vibrações emanadas de nossos corpos que caíram deitados sobre o colchão. Encaixei-me entre suas pernas, segurando firme em sua cintura. Interrompi o ato, receando em não conseguir controlar-me.

— Você é tão linda! – Ela acarinhava minha bochecha com o polegar.

— Esse não é um pedido de casamento, portanto, não é um anel de noivado. – Eu olhava para o seu dedo – Mas...ele significa muito para mim. Foi da minha abuela, que passou para a minha madre e, por conseguinte, para mim. Pode não ter lá um grande valor financeiro, mas tem demasiado valor sentimental. Quero que cuide dele até que seja substituído por um outro que ficará em definitivo na mão esquerda.

— Tem certeza de que sou a pessoa certa, capaz de levar consigo algo tão estimado?

— Se não for você, acredito que não será mais ninguém.

Definitivamente aquele era um momento mágico jamais vivido por nenhuma de nós duas.  A plenitude podia ser sentida e vista através dos gestos carinhosos uma para com a outra. Permanecemos imóveis, de olhos fechados e sorrindo. Eu só queria parar o tempo naquele instante, eternizar cada acontecimento com Al, cada detalhe vivido ao seu lado.

— Eva, eu preciso te contar uma coisa.

— Pois conte, meu bem. – Apoiei o peso do meu corpo sobre meu cotovelo direito, erguendo minha cabeça à fim de olhá-la e prestar atenção ao que dizia.

— Dr. Proctor conversou com o Dr. Simons sobre uma possível transferência minha para a Traumatologia.

— O que? Isso é sério? – Indaguei surpresa.

— Sim, bem sério.

— E o que disse?

— Pedi um tempo até decidir o que fazer.

— Não me parece muito contente com essa possibilidade... Algum problema?

— Sim. Não sei se é o melhor caminho a seguir. Sabe que, se eu aceitar, trabalharemos juntas, diretamente, não sabe?

— Sei. Al, fale. O que tanto te aflige?

— Por experiência própria, trabalhar lado à lado de uma pessoa no qual mantemos um relacionamento aquém do profissional pode resultar em situações dramáticas e só tende a dar errado.

Afastei-me um pouco dela, deitando ao seu lado, mirando o teto. Eu não sabia exatamente como conduzir aquela conversa. Senti certo desapontamento em contrapartida à razão que ela detinha em partes. Muitos casais só funcionam bem estando longe um do outro na maior parte do tempo. Amigos próximos enfrentaram uma separação justamente porque resolveram morar juntos. Isso não quer dizer que acontece com todo mundo, mas está passível de ocorrer com qualquer um.

— Allison, não temos como prever certas coisas. Perdemos tempo demais começando e não terminando, planejando, tentando enxergar lá na frente e esquecendo que existe vida antes disso. Talvez devíamos somente deixar acontecer. Se der certo, ótimo. Se não, partimos para outras alternativas. Descomplicar, ao invés de encher a cabeça com algo que nem ao menos é concreto.

— Acha que devo aceitar? Só não quero que isso nos atrapalhe em nada. Eu gosto tanto de você para te perder por causa de um cargo qualquer.

— Prefere manter-se onde está, dispensando a possibilidade de crescimento profissional?

— Claro que sim. Estou bem trabalhando com o Dr. Simons. Não almejava mudanças.

— Eu não posso dizer o que tem que fazer. Posso somente dizer para seguir o seu coração. E sobre nós...Nosso destino já está traçado há tempos. O que tiver que ser, será. Pré-ocupação acarreta uma série de doenças, Dra. Cameron... – Tentei desfocar o assunto do clima que começava a pesar.

Com certeza a intimidade do relacionamento interfere no desenvolvimento profissional, entretanto pode estimular o crescimento pessoal. Acredito que a fonte de problemas está no conflito de papéis e não no trabalho em si. Trabalhar com Cameron pode ser muito salutar, já que propiciará uma compreensão mais profunda dos desafios apresentados profissionalmente para nós duas. Poderemos partilhar ativamente nossos conhecimentos técnicos. O importante é que, no ambiente de trabalho, cada uma se responsabilize por fazer as suas tarefas com qualidade, pontualidade, independentemente do nosso relacionamento afetivo. Saber separar as coisas será essencial. Essa era a minha opinião, mas eu não iria influenciar minha “namorada” em sua decisão. Deixaria ao encargo de sua vontade própria.

POV Allison

Estávamos no início, apenas nos primeiros passos de um relacionamento. Uma semana de namoro tinha ainda pouca história para contar. Mesmo assim, os sentimentos que preenchem o meu coração são muitos, a felicidade que tem invadido minha vida é indescritível e a melhor forma de explicar o que sinto por ela, é ficando ao seu lado.

Nesses sete dias pudemos compartilhar momentos indescritíveis, uma passagem marcante e uma experiência maravilhosa. Com Zambrano tenho vivido situações únicas de cumplicidade que faziam com que eu me sentisse cada vez mais segura de que poderíamos permanecer juntas por muito tempo.

Sim, à cada dia que passava, notava-me mais e mais apaixonada pela latina, mais completa e com uma maior vontade de conhecer melhor sua personalidade. Ela mostrava-se perfeita, dedicada, romântica, e eu, desmanchava-me de amores.

A pressão sobre minha decisão acerca da transferência de setor estava ficando cada vez maior, chegando ao ponto de eu ter que “esconder-me” do Dr. Simons e do Dr. Proctor por vezes, no intuito de não tocar nesse assunto. Só que uma coisa era certa: eu não poderia, nem conseguiria fugir por muito tempo. Na verdade, a escolha já tinha sido feita pelo meu coração. Eu só estava enganando-me, adiando algo inevitável. 

Propus uma reunião entre nós, onde explicitei minhas expectativas, meus anseios e minhas exigências. É...eu tinha algumas aspirações, intentos dos quais não abriria mão ao prontificar-me à tratar dos pacientes da Traumatologia.

Acordamos nos pontos levantados e demos por encerrada a novela “transferência da Dra. Cameron de setor”. Eu não havia comentado nada com Eva, deixando a surpresa para se caso essa nova fase profissional fosse realmente concretizada.

No dia seguinte, seguimos a rotina normal: saímos mais cedo de casa para podermos tomar café em um bistrô próximo ao hospital, namoramos um pouquinho dentro do carro em uma das ruas paralelas à entrada do pronto socorro, e fomos trabalhar. No entanto, ao invés de nos despedirmos na garagem, caminhei junto à Zambrano até o prédio do Trauma 2.

— Ora, vai cabular ao serviço hoje, mocinha? – Eva brincou.

— Não. É que estou adiantada ao meu compromisso matutino alguns minutos, então resolvi acompanhar certa morena até seu setor. Algum problema?

— Oh, não, de maneira alguma. Acredito que ela terá imenso prazer em ter tão bela companhia pelos corredores. – Rimos.

Eu já havia pedido sigilo ao Dr. Proctor quanto à minha transferência, portanto estava tranqüila pela ignorância de Eva com relação à aquele ser meu primeiro dia na Traumatologia.

Chegando ao andar, assim que saímos do elevador, encontramos toda a equipe reunida na recepção. Assim que notaram nossa presença, Tuck veio até à mim com um bolo confeitado em mãos.

— Isso é um agrado de boas vindas! Idéia do Dr. Mattew, mas que muito me agradou porque sei que vai dividir conosco. – O enfermeiro entregou-me a bandeja.

— Brody! – DeLeo e Warren repreenderam-no quase em uníssono.

— Esperamos que possa se sentir à vontade aqui conosco para formarmos um time de primeira categoria. – Era Proctor quem aproximava-se dessa vez.

— Espera, o que está acontecendo aqui? – Eva questionava, alheia e desconfiada.

— Dra. Zambrano, você está diante da mais nova chefe do setor de Imunologia e Microbiologia do Trauma 2. – Chris estendia a destra apontando para mim.

— Mas esse setor não existe. – Ela ainda estava sem entender o que se passava ali.

— Para ter esse achado conosco fui obrigado a inventar. – Sorri para Proctor em agradecimento pelo elogio.

Foi então que minha namorada abriu um sorriso largo e sincero. Pude sentir a satisfação em suas feições. Suspirei aliviada, prevendo um longo e feliz caminho ao seu lado tanto profissional quanto amorosamente.



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