História Heart and Soul - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Sou Luna
Visualizações 330
Palavras 4.151
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, nenéns! Terça-feira é dia de capítulo, uhuuu. Dessa vez tô postando nos dias certinhos, espero que daqui pra lá não ocorra outros imprevistos que possam atrapalhar. Obrigada a vocês todas que comentam e favoritaram a fic, fico muito feliz de ver isso aqui crescendo. Espero que siga sendo assim! Bora ler?

Capítulo 13 - XIII


Fanfic / Fanfiction Heart and Soul - Capítulo 13 - XIII

                                                                                    ━   CAPÍTULO 13   ━             

                                                                                       ❛  Ruggero Pasquarelli  ❜ 

Nós andamos cerca de vinte minutos até a pracinha perto da casa dos meus avós. Depois de um tempo, soltei a cintura da Cande e ficamos de mãos dadas. De vez em quando, eu me virava para encará-la, só porque não queria perde-la de vista e nunca ia me acostumar com o fato de que uma garota incrível como aquela estava comigo. Quero dizer, eu era um idiota. Eu era meio criança, fazia piadinhas toda hora e ela tinha que aguentar tudo aquilo. Ela ia para o céu.

– No que você está pensando aí, bebê? – ela perguntou, apertando minha mão de leve.

– No quanto eu sou sortudo em ter você – eu disse, sorrindo, e me inclinei para selar nossos lábios.

– Ah, por favor. Vocês dois não vão  ficar de pegação aí não, né? – Karol grita, logo atrás de nós.

Levantei a cabeça, bravo, e encarei-a mortalmente. Afinal, ela tinha cortado todo o meu clima.

– Karol, eu vou te matar – eu disse, com um sorrisinho falso.

Ela dá risada e mostra sua língua.

– E sobre o que você está falando? Acha que eu não vi o Maxi dando em cima de você? – perguntei, apontando para ele ao lado dela.

Agus, que estava ao lado do Maxi, começou a rir.  Maxi e Karol ficaram tão vermelhos quanto um pimentão e Candelária até olhou para trás, rindo também da situação.

– Ai, cala boca, Pasquarelli – disse Karol, rosadinha.

– Hum, ficou vermelhinha – zoei ela, apontando as suas bochechas.  – Ih, acho que vai rolar um romance!

Karol me encarou, brava, e me deu o maior tapa no braço. Até estalou. Doeu pra caramba. Mas eu não me dei por vencido. Se ela estava me batendo de verdade, é porque eu estava a irritando. E não tinha nada melhor que aquilo. Eu amava vê-la bravinha.

– Hum, ela ficou brava por causa do namoradinho. Karol e Maxi, juntos forever – comecei a imitar uma voz de criança irritante.

Ela fez menção de me bater de novo, mas eu soltei a mão da Cande e corri de costas para ela. Quando consegui avistar a pracinha, fiz um gesto para todo mundo me seguir. Karol ainda corria atrás de mim, mas eu era mais rápido.

Realmente, ela só vencia corridas quando trapaceava.

Assim que entrei na pracinha e procurei por um caminho limpo, olhei para trás e a vi bem perto.

Ela parecia muito brava. Comecei a correr mais, mas minhas pernas estavam começando a falhar. Só o que lembro foi de, no segundo seguinte, estar caindo em direção ao chão, bem de cara. Certo, talvez mereci aquilo.

Sorte que havíamos caído na grama, porque eu teria quebrado alguma parte do pescoço. Karol estava em cima das minhas costas e também não se mexia. Eu estava dolorido. Por ter corrido tanto e por ter caído tão brutalmente assim.

– Ai – gemi, rindo.

Ela se mexeu, fazendo com que eu soltasse mais gemidos de dor e então se levantou, espanando as roupas e batendo as mãos. Eu me virei e deitei de costas na grama. A baixinha me encarava lá de cima, ainda muito brava.

– Isso é pra você aprender que não se brinca com uma garota que cuida de crianças, sr. Pasquarelli. Eu fiquei muito rápida depois que passei a cuidar dos seus irmãos.

– É, eu percebi – reclamei e tossi, devido o tanto de risadas que dei.

Candelária apareceu do nada ao lado da Karol. Encarei-a com um sorriso.

– Oi, amor.

– Pipi, você está bem? – ela se ajoelhou ao meu lado, preocupada.

– Ele está ótimo, Candelária. Vaso ruim não quebra – Karol comentou, de braços cruzados.

Dei uma risada e encostei meu pé em sua perna. Ela continuou me olhando, brava, mas depois me mandou uma piscadela e deu um sorrisinho. Eu sabia que já estava tudo bem. Ela nunca conseguia ficar brava comigo por muito tempo. Apesar de que nós sempre brigávamos quando nos víamos. Já estava ficando clichê.

– Karol, vem cá – chamou Maxi, mais ao fundo.

Agustín me ofereceu a mão e me ajudou a levantar, enquanto minha namorada me observava para saber se eu tinha algum ferimento visível. Minhas costelas doíam e meu peito arfava, mas isso era de correr. Não havia nada errado comigo. Nós nos sentamos num banquinho enquanto Maxi levava Karol para outro banco vazio, bem ao longe.

–  E esses dois juntos? Você acha que dá certo? – Agus perguntou.

– Ah, eles fazem um casal fofo – Candelária fala, sorrindo.

– Sei lá – respondi, confuso demais para pensar numa resposta melhor.

Agustín me encarou, provavelmente lendo meus pensamentos e sabendo melhor o que eu estava sentindo do que eu mesmo sabia – o que é extremamente gay, mas verdade – e ele sorriu, olhando para outra direção. 

Ele sabia que eu não queria que Maxi se envolvesse com nenhuma outra garota ligada a mim, especialmente depois do relacionamento que ele teve com a Valéria. E Agustín havia aprendido a lição, depois de ter ficado com a Clara. Mas talvez Maxi não tivesse aprendido. Eu não achava legal quando meus amigos pegavam garotas que eu já havia ficado. Era muito estranho.

– Achei a Karol legal – Agustín comentou e olhou de volta para mim. – Parece uma boa garota. Normal. Igual a gente quando éramos mais novos. Ela te trata normal. Até parece que vocês se conhecem há anos.

– É, parece mesmo. Eu me senti assim com ela desde o primeiro dia que a gente se conheceu. Ela sempre foi muito legal comigo, mas não sabia nada de mim.

Ele deu risada.

– Jura? Ah, deve ter sido muito engraçado, então.

Eu ia comentar sobre todo o dia no boliche, quando Candelária entrelaçou a mão na minha e pigarreou. Ela não estava feliz sobre aquela conversa. É, provavelmente não devia estar mesmo. Estávamos falando de outra garota. Ela devia ter ficado com ciúmes. Virei para o lado e a beijei novamente. Assim que voltei para a antiga posição, Agustín percebeu que aquele assunto estava acabado, e tratou de mudar.

– Então, quando o Marcos chega?

– Amanhã. Aí ele já vai seguir na turnê com a gente depois do aniversário do Leonardo.

– Ah, sim. Entendi.

E então, nosso papo acabou. De repente. E pensar que poderíamos estar rindo até aquela hora de todas as brincadeiras idiotas que aconteceram no fim de semana que fiquei na casa dos meus pais. Agustín ia rir muito da tempestade de raios. E ia rir muito do fato que Karol não sabia que eu cantava Prófugos. Ia rir do fato que ela havia ganhado de mim no boliche – coisa que nem ele fazia – e ia rir muito da confusão do cabelo de uma das ruggeristas e Leo. É, infelizmente, aquela conversa estava acabada.

Então, ficamos lá. Candelária encostou a cabeça no meu ombro e ficou olhando para o lado. Eu e Agustín ficamos observando Karol e Maxi. Eu tive que conter a risada muitas vezes, porque ele estava bem próximo dela e cada vez que ele se aproximava, ela se afastava. Maxi colocou a mão na coxa dela, mas Karol não opôs aquilo. Se fosse eu, já a teria beijado há muito tempo. Maxi era muito lento.

Quando ele, finalmente, se inclinou para beijá-la, ela se afastou dele com um sorrisinho. Eu e Agustín demos risada. Era impossível. Ele já tinha passado as barreiras físicas, estava perto dela, conversando. Como não havia a beijado ainda?

Candelária olhou para onde estávamos olhando e ficou interessada.

– Por que estão rindo?

– O Maxi não conseguiu beijar a Karol – eu respondi, apontando os dois.

– Ah, Ruggero, também não é assim. Eles acabaram de se conhecer. Ela seria muito fácil se o beijasse hoje – disse ela.

Não gostei da palavra que ela usou para descrever a Karol, mas não retruquei. Olhei para ela e lhe mandei um sorriso de canto.

Amore, se eu estivesse naquela situação, ela que teria me beijado.

Candelária deu risada, mas negou com a cabeça.

– Eu duvido.

Dei uma cotovelada no Agustín e ele se levantou, ficando na nossa frente. Candelária me encarou, confusa, mas eu me ajeitei no banco.

– Tudo bem, então. Vou provar. Vamos fingir que você é a Karol e eu sou o Maxi. Eu vou conseguir te conquistar. Você vai ver!

– Ah, não vale! – ela reclama, cruzando os braços.

– Por que não?

– Porque eu te amo.

Agustín soltou um suspiro e olhou para cima. Ele devia estar tão feliz por presenciar dois casais felizes e estar segurando vela que provavelmente já devia estar querendo embora. Olhar pra ele naquela hora me fez rir, mas eu me recompus e voltei a olhar para a Cande.

– Ah, amor. Faz isso por mim, vai. Faça-se de difícil, ok?

Ela revirou os olhos e então assentiu. Candelária se afastou um pouco de mim, para que ficasse com a mesma distância que Karol mantinha do Maxi. Eu sorri para ela.

– Então, Karol – foi muito estranho pronunciar aquele nome olhando para ela; não pareceu certo. – Eu realmente acho você incrível.

– Ah, é mesmo, Maxi? – ela disse, sorrindo docemente.

Bem, Candelária era mesmo uma boa atriz. Karol sorria daquele jeito quando alguém a elogiava. Eu havia percebido aquilo naquele dia, depois de várias pessoas lhe terem dito que ela era boa com crianças. Ela soltava um sorriso fofo, ficava corada e agradecia.

– Eu fiquei fascinado pelo modo que você cuida de crianças. É tão impressionante. E o jeito que você se preocupa com os irmãos do Ruggero, me deixou hipnotizado – Candelária sorriu e se aproximou, fazendo o sorriso fofo de novo. – Você é a garota mais bonita que eu já vi. E, até agora, eu acho que você é perfeita. Pelo menos, perfeita pra mim.

Ela sorriu de canto.

– Eu não sou perfeita, Maxi. Você sabe bem disso.

Ah, aquela fala era algo que Karol com certeza diria.

– Mas eu te acho perfeita – eu então me aproximei dela e coloquei uma mecha dos seus cabelos atrás da orelha. – Ka?

– Sim? – minha namorada disse, já ficando ofegante.

– Eu quero que você seja a minha garota – eu coloquei minha mão em seu rosto e puxei-a suavemente para mim. – Você nem precisa me aceitar. Mas eu só quero que você seja minha. Pelo menos só por hoje.

E então beijei Candelária. Ela não se esquivou, não tentou me afastar e nem nada daquilo. Mas talvez não o tinha feito porque era minha namorada. Com Karol poderia ter sido diferente. Enquanto a beijava, a única em quem eu pensava era na baixinha dos olhos verdes. Aquela foi a primeira vez que aquilo aconteceu. Eu nunca havia pensado em outra garota enquanto estava com Candelária, porque a amava demais. Mas, a partir do momento que disse todas aquelas coisas que eu achava da Karol para ela, algo dentro de mim se rompeu.

Separei nossos lábios e sorri, me afastando um pouco. Meu amigo nos encarava e eu fiz meu toque de sempre com ele. Eu havia provado que era bem mais rápido que Maxi.

– Ah, isso foi muito injusto, Ruggero Pasquarelli – ela resmungou.

– Injusto? Você se fez de difícil! Se não tivesse feito isso, teria me beijado antes de eu começar a falar.

Candelária me deu tapas inofensivos no braço, mas eu me encolhi, dando risada. Agustín também riu. Ele sentou ao meu lado de novo e eu puxei a mulher ao meu lado contrário, colocando o braço sobre seus ombros. Ela encostou a cabeça novamente no meu ombro e entrelaçou sua mão na minha mão livre. Eu beijei o topo de sua cabeça carinhosamente. 

– Você sabe que eu sou muito feliz em ter você, não sabe? – eu disse. – E tudo que eu menos quero é te perder.

– Eu sei, bebê – ela disse e apertou minha mão ainda mais forte.

Relaxei os ombros. Eu ainda me sentia extremamente desconfortável por ter dito tudo aquilo para ela. Eu não queria que a Candelária se enganasse e achasse que eu a trocaria pela Karol. Mas, quando eu disse aquelas coisas, eu realmente queria dizê-las. Não a parte de tornar Karol a minha garota, porque isso era parte da aposta. Mas a parte de que eu a achava incrível com crianças e me fascinava ver o jeito que ela cuidava dos meus irmãos. Aquilo era verdade. E eu me culpava por ter dito algo real numa encenação, para uma garota que não era a baixinha. Candelária também era boa com crianças, meus irmãos a adoravam também. Mas ela não era Karol.

Agustín me deu uma cotovelada e eu olhei em direção aos pombinhos. Eles haviam se levantado. Caminhavam mais próximos agora, mas ainda sem ficarem de mãos dadas. Pelos menos seus braços se tocavam. Karol parecia extremamente envergonhada, mas Maxi sorria. Mesmo não tendo beijado a garota, acho que ele não iria desistir. Parecia mesmo a fim dela.

Quando eles chegaram perto de nós, eu abri a boca para fazer outra piadinha, mas Karol me encarou, brava, com uma sobrancelha arqueada. Ela cruzou os braços e parou bem na minha frente.

– Se você disser alguma coisa ou fizer alguma brincadeira, eu juro que esmago suas bolas, Ruggero.

Agustín começou a rir descontroladamente. Maxi também. Até Candelária deixou escapar um risinho. Eu continuei encarando-a, tentando ficar sério, sem saber se colocava a mão para proteger o grandão ou não.

– Tudo bem, tudo bem. Você acertou o meu ponto fraco – eu disse, colocando as mãos pra cima. – Não vou falar nada.

Levantei e apertei o nariz dela. Ela continuou me encarando, de sobrancelha arqueada e braços cruzados. Larguei seu nariz e tive que conter outra risada.

– KAROL E MAXI, JUNTOS FOREVER! – e então comecei a correr pelo parque, gritando a mesma frase. – KAROL E MAXI, JUNTOS FOREVER!

Karol começou a correr logo atrás de mim. Droga, eu sabia na onde aquilo ia dar.

– RUGGERO PASQUARELLI, EU VOU TE MATAR!


                           ¤   ¤   ¤ 

 

Por incrível que pareça, eu não matei o Ruggero. Eu cheguei bem perto, mas fiquei com dó porque os irmãos dele e as fãs iriam sentir muito a sua falta. Ainda assim, isso não me impediu de me jogar em cima dele e derrubá-lo de novo.

– Ai, ai, ai – ele gemeu, dando risada. – Karol e Maxi…

Comecei a socá-lo nos braços. Foi só então que ele parou de falar essa maldita frase estúpida. Argh.

Maxi havia sido um completo cavalheiro. Quando ele me chamou pra conversar, me perguntou um monte de coisas sobre mim, mas tudo bem óbvio. Eu respondi, mesmo estando muito desconfortável com aquela proximidade. 

Ele se aproximou de mim algumas vezes, mas eu sempre me afastava. Não fiz nada quando ele colocou a mão na minha coxa, porque eu até estava a fim dele, mas ele se aproximou de mim tão do nada para me beijar que eu me assustei e me afastei. Maxi não tentou me beijar de novo e ficamos conversando sobre coisas aleatórias. Ele me fez rir bastante e acho que ficou ainda mais afim de mim. Era uma coisa boa, não era? Afinal, ele era muito fofo.

– Tá bom, tá bom. Já parei. Parei de verdade! – Ruggero fala, se rendendo. 

Eu não percebi, mas devo tê-lo socado por uns vinte segundos seguidos. Ele devia até estar dolorido. Parei de apertá-lo e me levantei.

– Jura pelas suas ruggeristas? – perguntei, de braços cruzados.

Ele xingou baixinho.

– É, juro pelas minhas ruggeristas.

Relaxei os ombros e até lhe ofereci a mão. Ele não iria mais me zoar. Havia jurado por uma das coisas mais preciosas para ele. Ruggero não arriscaria aquilo.

– Você está judiando de mim – ele disse, assim que se levantou.

Espanamos nossas roupas, juntos. Ajudei a espanar a blusa dele nas costas e ele me avisou que minha bunda estava suja. Soltei uma risada e neguei com a cabeça.

– Não estou fazendo nada. Você que me provoca. Eu só reajo – dei de ombros.

Ele me encarou, incrédulo, como se eu tivesse falado uma besteira enorme, mas eu encarei-o, séria. Ele deu uma risada e assentiu.

– Ok, é verdade – e então passou o braço pelos meus ombros.

Nós caminhamos de volta até onde Maxi, Agustín e Candelária estavam. Como eu esperava, Ruggero tirou o braço dos meus ombros quando estávamos chegando perto da sua namorada. Eu até me afastei um pouco dele para que não desse a impressão de que estávamos praticamente abraçados.

– Meu Deus, ele está vivo! – disse Agus, abraçando Ruggero pelo pescoço.

– É, é, eu tô. Me larga, cara – ele disse, rindo.

Agustín o soltou e Ruggero foi para o lado da Candelária, abraçando-a pela cintura. Antes de se virar, ele me mandou uma piscadela. Nós saímos do parque, caminhando na mesma formação de antes. Ruggero e Candelária, abraçados, ficavam na frente, enquanto eu, Maxi e Agus ficávamos atrás. Dessa vez, Maxi se aproximou e eu não o impedi. Ele passou o braço pelos meus ombros e eu sorri.

– Ihh, Rugge, olha só o amor rolando aqui atrás – disse Agustín.

Ruggero se virou para nos olhar, mas mordeu o lábio inferior, segurando uma risada. Candelária também olhou. Encarei Ruggero, como se o desafiasse a dizer alguma coisa. Ele havia prometido pelas ruggeristas dele. Não havia nada mais sagrado.

– Droga. Não posso falar nada – ele disse, ainda segurando a risada.

– Por que não? – perguntou Candelária, olhando para ele.

– Prometi pelas minhas ruggeristas que não zoaria mais a Ka – ele fala, simples.

Candelária não pareceu muito contente com aquilo e voltou a olhar pra frente. Ruggero olhou para Agustín e lhe mandou uma piscadela. Droga, eu sabia que aquilo era bom demais pra ser verdade.

Eu não prometi nada. Karol e Maxi, juntos forever! – gritou Agus e começou e correr ao nosso redor.

Maxi e eu até paramos de andar. Agustín continuou nos infernizando, repetindo aquela frase ridícula várias vezes. Eu fiquei tão brava que quase o soquei. Só não fiz isso porque não o conhecia direito.

– Posso socá-lo? – Maxi perguntou, olhando pra mim.

Dei uma risada e assenti.

– Só vou parar quando vocês se beijarem – Agus fala, dando risada.

– Ih, cara, então vai demorar! – Ruggero disse, zoando. – O Maxi é uma lesma.

Encarei-o, brava, e ele voltou a olhar para frente. Agus deu risada e repetiu a frase pela última vez, até que eu o encarei mortalmente também e ele resolveu ficar quieto. O resto do caminho para casa foi bem tranquilo e, assim que chegamos na frente da casa dos avós do Ruggero, os meninos tiveram que se despedir.

Por incrível que pareça, Agustín me deu um abraço na hora de ir embora. Eu achei que ele ia pegar raiva de mim por eu ter desejado mata-lo alguns minutos antes, mas ele parecia ter gostado de mim, por alguma razão muito estranha. Maxi também me abraçou, por mais tempo, e me deu um beijo na bochecha. Eu fiquei extremamente corada e ele também beijou minha mão antes de ir embora.

Ruggero sorriu, me olhando depois que ele foi embora. Candelária também sorria. Ai, não era tão fofo assim.

– O que foi? – perguntei, ainda corada, olhando os dois.

Eles riram e negaram com a cabeça.

Nós entramos em casa. Candelária, pelo visto, dormiria lá. Eu não sabia onde, mas suspeitava que não ia ser no quarto com Ruggero. Antonella, que estava nos esperando na sala, deixou bem claro que ela ia dormir no quarto com ela. 

Minha patroa explicou que haviam quatro quartos. Os avós do Ruggero estavam dormindo em um deles. Bruno, Geovana, Mariela e Leo dormiam no outro. Antonella e Candelária dormiriam no outro quarto de hóspedes e eu e Ruggero dormiríamos no quarto dele. Eu encarei-o completamente abismada, mas Antonella não parecia achar aquilo estranho. Continuei boquiaberta enquanto subíamos as escadas.

Peguei meu pijama na minha mala, que estava no quarto que Bruno, Geovana e as crianças iriam dormir, e Ruggero me levou ao seu quarto. Antes, é lógico, ele se despediu da namorada, como se nunca mais fosse ver ela.

– Eu te amo. Boa noite e bons sonhos – ele disse, beijando-a na testa.

Eu me encostei na parede e respirei fundo, olhando para o outro lado.

– Eu também te amo. Boa noite, meu amor – ela respondeu.

Eles se beijaram e tudo mais. Eu fiquei de costas, de braços cruzados, com um braço encostado na parede e esperando que aquela despedida acabasse. Quando Ruggero me cutucou no ombro, eu olhei para trás. Candelária já havia ido embora. Ele sorria para mim.

– Vem, você vai conhecer o meu cafofo agora – ele disse.

Eu dei risada. Ruggero me puxou pelo braço e me levou ao seu quarto. Era bem temático, na verdade. Ele parecia gostar muito do rei do pop, já que tinham vários cds e discos espalhados em todo canto que eu via. Eu fiquei observando tudo e me sentei no colchão ao chão. Ele pulou o colchão e se sentou em sua cama.

Ele olhava, pra mim, sorrindo, esperando alguma coisa.

– Gostou? – perguntou, animado.

– Você é um grande fã do Michael Jackson – comentei.

Ruggero deu risada e assentiu.

Eu virei para o lado e peguei meu pijama. Assim que virei para encará-lo de novo para avisar que ia me trocar no banheiro, ele já estava sem camiseta. Jogou-a longe e já estava desabotoando a calça quando eu pigarreei. Minha cara devia estar parecendo um pimentão.

– Ei, você esqueceu que tem uma dama no quarto?

– Dama no quarto? Eu só vejo você – ele falou, sorrindo.

Encarei-o, indignada, e pulei em cima dele na cama.

– Seu peste! – reclamei, rindo, e batendo nele.

Ruggero segurou meus braços, de modo que eu não conseguia mais bater nele. Ele dava risada enquanto eu ainda me rebelava e tentava desvencilha-lo de mim. Resolvi parar de tentar e fiquei quieta, parada, em cima dele. Ele continuou sorrindo, ainda se sentindo o máximo. Eu queria morder o nariz dele, mas decidi não fazê-lo.

– Acho melhor você me soltar – eu disse, tentando balançar meus braços para deixá-los livres.

– Por quê? – ele perguntou.

Ruggero havia parado de sorrir e agora me encarava. Eu encarei-o também. Os olhos dele passaram para os meus lábios e eu corei.

– Porque senão eu vou…

– Você não vai fazer nada, Karol – disse, apertando mais meus braços.

– É, não vou mesmo – exclamei, com a voz fraca.

Eu ainda não havia percebido o quanto a pele dele era macia e quente. Ele era cheiroso.

Eu voltei a encará-lo, mas ele ainda olhava meus lábios. Comecei a arfar. Estávamos definitivamente próximos demais. Aquilo era para ser um incômodo para mim, mas eu não me sentia incomodada. Eu me sentia bem. Ninguém estava nos olhando, ninguém sabia o que estávamos fazendo. A porta estava fechada. Candelária estava num quarto com Antonella e Maxi estava no hotel em que está hospedado. Aqueles pensamentos me encheram a cabeça, mas não faziam sentido algum. Olhei para os lábios do Ruggero.

A respiração dele também estava ficando mais acelerada. Meu coração estava tão alto nos meus ouvidos, será que ele conseguia ouvir? Eu olhei em seus olhos apenas para constatar que ele ainda encarava meus lábios. Voltei a olhar para os lábios dele, então. Pareciam mais próximos. Não reparei quando percebi que também havia aproximado os meus. Agora estávamos tão perto que nossos narizes encostavam. Eu pude sentir o hálito dele no meu rosto. Ruggero afrouxou o aperto em meus braços.

Naquele exato momento, quando meus lábios estavam quase roçando nos dele, a porta se abriu do nada. Nós nos separamos instantaneamente e eu me afastei imediatamente dele. Minhas bochechas queimavam e eu queria sumir. Não conseguia acreditar no que havia acabado de acontecer. Aquilo não estava certo, estava muito errado.

– Oh, meu Deus – disse Antonella, mas eu não consegui encará-la. – Vim trazer outro travesseiro para você, Karol. Desculpa ter atrapalhado vocês. Eu devia ter batido.

– Tudo bem, mãe – disse, com a voz um pouco rouca.

Olhei de soslaio para ele. Ruggero estava tão corado quanto eu, talvez até mais. Afinal, ele estava sem camiseta. Olhei para cima e Antonella me encarava, – não com uma expressão severa – mas com um certo orgulho, como se soubesse que aquilo ia acontecer mais cedo ou mais tarde. Engoli em seco.

– Obrigada, Antonella – agradeci, a ardência em minhas bochechas ainda estava forte.

Ela jogou o travesseiro no colchão ao chão e assentiu, fechando a porta e me mandando uma piscadela. Eu me levantei da cama do Ruggero e peguei meu pijama. Antes de sair pela porta e ir ao banheiro me trocar, ele chamou meu nome. Olhei para trás, ainda completamente envergonhada por ter me deixado levar.

– Hum? – murmurei.

– Vamos fingir… – ele pausou. – Que isso nunca aconteceu, está bem?

Eu assenti, corando ainda mais.

– Quero dizer, eu amo minha namorada e... – ele pausou de novo, procurando as palavras certas. – Isso foi um erro. Ia acabar me dando vários problemas.

Então afirmei mais uma vez com a cabeça.

– Claro, não vou falar nada.

Ele assentiu e soltou um sorriso fraco.

– Obrigado.

Eu assenti de novo e lhe dei um sorriso falso. Abri a porta, fechando-a logo atrás de mim. Finalmente pude soltar todo o ar que estava segurando por todo o tempo.

A única coisa que se repetia na minha mente era: o que eu quase fiz?


Notas Finais


Senhor, saiu um quase primeiro beijo!!! Antonella, eu te amo, mas tem outros momentos pra você aparecer, mulher!
O que vocês acharam do capítulo e da muita melação Ruggelaria? Bem eca né? Mas o Ruggerito demonstrou reparar em todos os detalhes da Karolzinha, e pelo que pareceu seus pensamentos estavam voltados mais para ela.
Maxi super interessado na Ka, gente! Será que vai dar rolo isso?

Me digam o que esperam do próximo capítulo.

Até sexta e um beijo!


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