História Heart Of Ice - Capítulo 28


Escrita por: ~ e ~mercieleyk

Postado
Categorias One Direction
Personagens Harry Styles, Josh Devine, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Zayn Malik
Tags Larry, Ziam
Exibições 554
Palavras 4.657
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Se alguém ainda lê, e eu sei que existem essas pessoas e por elas estou postando. Eu pensei em desistir disso aqui, com toda sinceridade, mas por consideração a vcs eu vou termina-la. Assim como as outras, pode demorar, pq a vida adulta tá complicada, mas prometo terminar. E perdão se demora muito, tentarei acelerar.
Obg pelas leitores que permanecem fieis e obg por todas as mensagens e todos os comentários e favoritos.

Capítulo 28 - Capitulo 27


- O que você está fazendo? – Harry perguntou ao ver Louis se jogar no sofá com uma cara que ele conhecia bem. Era a cara de pessoa que ia aprontar.

- Nada – o menor disse fazendo Harry cruzar os braços na frente do peito enquanto o encarava cerrando os olhos em ameaça. Louis riu puxando Harry pela cintura para que o maior sentasse ao seu lado.

Fazia duas semanas desde o encontro dos dois onde haviam entrado em um acordo sobre como seria suas vidas dali em diante. Harry estava bem com a condição de amigos se conhecendo dos dois, e Louis se sentia cada vez mais atraído pelo cacheado. Não só emocionalmente, mas fisicamente sentia cada vez mais necessidade de tocar o maior. Henry estava radiante com toda a situação. Ter Louis sempre por perto ainda o deixava completamente feliz. E saber que seu pai estava feliz, ficava mais contente ainda.

- Não pense que vai me convencer com esse sorrisinho de inocente – Harry afirmou fazendo Louis rir e soltar sua cintura o encarando. Os olhos verdes estavam brilhantes, mas demonstravam um pouco de cansaço, os cabelos longos presos em um coque mal feito e as roupas ainda eram as mesmas que Harry usou para trabalhar. Louis se sentiu humilhado pela beleza do homem a sua frente. Estava vestido com o uniforme do supermercado, seu cabelo mal arrumado e sua barba por fazer o deixava com uma aparência decadente, estava tão cansado que poderia apostar que sua cara era de um cadáver. Fez um bico mal humorado.

- Não estava tentando te convencer de nada. Apenas afirmei que não fiz nada, o que realmente não fiz – disse fazendo Harry rir da frase.

- Então você fez algo? – Louis ergueu a sobrancelha para Harry sorrindo de lado.

- Não, eu disse que não fiz.

- Não, você disse que fez algo, você disse que não fez o não fazer nada – Louis coçou a nuca confuso e encarou os olhos verdes de Harry. Nada daquela frase fazia sentindo.

- Não entendi nada – afirmou fazendo Harry rir e acabou caindo na risada junto do cacheado que se acomodou melhor no sofá apoiando a cabeça no ombro de Louis.

Haviam acabado de colocar Henry na cama, após muitos protestos do menor que queria fica com Louis, pois não o via há dois dias. Os dois dias que Louis não foi por estar ocupado sendo “escravizado” pelo chefe, nas palavras do menor. E mesmo depois de passar o jantar com Louis, e ter a ajuda do outro com a lição de casa, ainda se recusava a largar ele. Harry apenas observava a interação entre eles e ria. Seu filho estava se tornando tão depende de Louis quanto ele um dia foi.

Ao colocar o pequeno na cama, Harry o deixou com Louis esquecendo o celular no quarto do menino. Um erro crucial com Louis em casa.

- Não faz diferença mesmo, não fiz nada de errado e o senhor não deveria estar deitado em mim – Louis disse afastando Harry de seu ombro. O cacheado resmungou, estava confortável naquela posição. Ele encarou Louis que sorriu para ele – tenho que ir, está tarde e amanhã começo mais cedo – disse colocando uma mecha do cabelo de Harry que escapou do coque atrás da orelha do cacheado que sentiu a ponta dos dedos de Louis roçar na sua pele. Um arrepio discreto passou por ele arrancando um sorriso ladino de Louis. – Queria ficar, mas o dever me chama – sussurrou fazendo Harry rir do tom de voz divertido do outro.

- É uma pena, Henry odeia saber que você vai embora – comentou Harry despreocupado e Louis o encarou com um sorriso provocador.

- Só o Henry em? – comentou mordendo o lábio inferior e piscando um olho para Harry que corou. Louis trombou o ombro no Harry fazendo cacheado ficar ainda mais acanhado.

- Errr... lógico que é só o Henry! – exclamou exasperado e se levantou do sofá rapidamente se afastando de Louis que riu.

- Calma, estou brincando. – o menor levantou e foi até Harry que havia parado na bancada que separava a sala da cozinha – Mas, quanto a ir embora é serio, tenho que acordar cedo amanha – fez uma careta ao pronuncia aquela frase. Não havia nada que o incomodasse mais que isso na sua nova condição. Além de seu chefe, acordar cedo sempre foi horrível.

- Você deveria tentar um emprego melhor – Harry disse vendo o menor se levantar e buscar com os olhos pela sala o celular e a carteira que ele havia largo em algum lugar por ali. Os olhos azuis de Louis focaram em Harry e um sorriso brotou em seus lábios.

- Eu estava pensando em mudar de emprego mesmo, mas sei lá. Tirando aquele ser asqueroso que pensa ser o dono do mundo, gosto do lugar, das pessoas, de ver gente passando o tempo todo, das pessoas bonitas que posso paquerar... – Louis disse com um sorriso provocador e Harry o encarou sentindo um aperto na boca do estomago.

- Imagino que seja divertido. Já tem alguma em mente então? – perguntou tentando parecer o mais indiferente que conseguiu. Não conseguia acreditar que todo aquele tempo se iludiu em vão novamente. Talvez houvesse interpretado errado, Louis o queria apenas como um amigo e se mantinha próximo por causa de Henry. Sentiu um gosto amargo na boca ao ver os olhos azuis brilharem em contentamento.

- Claro que tenho. Uma pessoa incrível, tem o sorriso mais fantástico que eu já vi, o rosto é tão bonito que aposto que as pessoas se matam de inveja ao ver ela passar... – Harry engoliu em seco tentando não se sentir tão idiota. Obvio que Louis permanecia hetero e querendo as mulheres aos seus pés, o que ele sempre soube que deixava suas chances quase nulas.

- Você não ia embora? – o cacheado cortou a fala de Louis com tom de voz irritado. O menor encarou os olhos verdes vendo que eles estavam desanimados e tristonhos. O menor sorriu de lado ao notar o tom ciumento do outro.  

- Nossa, achei que queria minha companhia – Louis brincou se aproximando de Harry que fechou os olhos tentando conter a irritação que lhe tomava.

- Não quero mais, quero dormir e você está me incomodando – soltou com a voz um pouco mais roca. Harry queria privacidade para poder desabafar seu sentimento de raiva. Se sentia tão burro por pensar que estava tudo caminhando para o certo, que apenas sentia ódio de si mesmo. Louis não conseguiu evitar um sorriso ao perceber o ciúme de Harry. Styles nunca foi bom com referencias, mas não imaginava que fosse tão lerdo.

- O que? Mas eu quero terminar de te contar! – exclamou fingindo está empolgado com a possibilidade de contar a Harry sobre aquela “pessoa”. Harry sentiu mais uma vez o soco no estomago, aquela atitude de Louis deixava claro que ele estava em definitivo jogado na zona de amizade, que toda a sua ilusão de amor correspondido estava morta ali. Sentiu a garganta fechar enquanto suas mãos formigavam de ódio. Não era ódio por Louis, afinal ele nunca lhe prometeu amor, mas de si mesmo. Que viu esperança onde não havia.

- Louis... – iniciou a reprimenda, mas o menor o ignorou.

- Essa pessoa, você precisa ver, é incrivelmente lerda, mas gosto disso nela. Me irrita as vezes, mas é legal rir da lerdeza dela. Ela tem um cheiro muito bom também, quando eu a abraço quero ficar lá. Ela tem um coração enorme, é a pessoa mais humana que já vi. Ela sabe perdoar também e tem uma boca, que nos últimos dias tem sido difícil me conter...

- CALA BOCA – Harry explodiu não se contendo com aquelas palavras. Louis o encarou e seu sorriso morreu no rosto. O menor percebeu que Harry não estava entendendo a brincadeira. Sentindo uma pontada de culpa Louis se aproximou do cacheado que passa a mão pelo cabelo tentando se conter. Ele não iria chorar, nem demonstrar o quanto aquilo lhe afetou, bom, ao menos era o que pretendia.

- Harry? – Louis chamou e Styles apenas dispensou com um movimento de mão.

- Tá tudo bem, apenas dor de cabeça – resmungou com a voz fraca e embargada, apesar dele ainda não está chorando. Louis soltou uma risadinha se sentando ao lado de Harry que se afastou para o sofá.

- Hey, você não precisa ficar assim – Louis comentou baixinho, a voz mais rouca que o normal fazendo Harry o encarar. Os olhos azuis se focaram nas duas esmeraldas e o maior perdeu o fôlego ao ver o sorriso de canto que Louis lançava para ele. Os lábios finos estavam perto, bem perto, a respiração quente chegava a tocar seu rosto, mesmo que só um pouco. – Eu estava falando de você idiota – o de olhos azuis se arrastou para mais perto do outro colocando ambas as mãos no pescoço de Harry, viu os olhos verdes se arregalarem levemente e seus lábios partirem.

- Você... Você....

- Coerência não é seu forte mesmo – Louis ri enquanto seus dedos enroscam nos fios cacheado na nuca de Harry – Sua sorte é que é muito bonito e um pouco inteligente, pois é bem incoerente – a voz de Tomlinson foi sumindo a medida que sua boca se aproximava da de Harry, o coração de ambos estava desesperados, batendo como se não houvesse amanhã. Louis se sentia nervoso. E se estivesse confundindo as coisas? Nunca havia sentido real atração por homens, achava Harry bonito, não iria negar, mas nos beijos que já havia trocado com o cacheado não sentiu absolutamente nada. Não queria criar ali uma mentira novamente. Pode ser que a vontade que sentiu durante esses dias não passasse de uma curiosidade, e se fosse isso, arrasaria o coração de Harry novamente e por incrível que pareça Louis não queria isso. Havia cansado de ser a causa das lagrimas do cacheado.

Os olhos azuis seguiram para os verdes que estavam focados em seu rosto. Quando encarou os olhos verdes, viu o que mais gostava em Harry: a transparência de sentimentos que aqueles olhos demonstravam. Era um misto de ansiedade, desejo e medo, e Louis queria apagar aquele medo. Os lábios de Harry se partiram e os olhos de Louis escaparam do olhar do cacheado para os lábios do mesmo e de repente os medos de Louis parecia idiotas. Sua boca implorava para tocar a do outro, os lábios avermelhados e cheios pediam por um beijo.

Ao sentir os dedos longos de Harry se fechar no seu pulso, Louis suspirou e fechou os olhos. Não resistiria a esse homem nem em um milhão de anos. Sua boca foi de encontro à de Harry e por um momento o mundo de Louis parou. Aquela foi à boca que beijou por quase quatro anos? Foram aqueles lábios que ele rejeitou? Aquele toque suave e ao mesmo tempo firme? Louis não conseguia acreditar que fora tão burro. Ao mover seus lábios contra os de Harry sentiu a resposta tímida do maior e sorriu em meio ao beijo. Sempre seu garoto inexperiente. Louis sentiu algo explodir dentro de si ao sentir o gosto de chá e menta nos lábios de Harry, sentiu o corpo vibrar ao sentir as mãos do cacheado procurarem onde tocá-lo. Louis queria mais.

Em um movimento inesperado, Louis derrubou Harry no sofá fazendo o cacheado se assustar com o movimente e afastar sua boca da de Louis.

- Mas... O que? – perguntou ao ver Louis se colocar sobre ele, as mãos uma de cada lado de sua cintura.

- Posição confortável conhece? – Louis sussurrou, mas Harry não se concentrou nas palavras do homem e si nas ações dele. O cacheado acompanhou com certa descrença quando o corpo de Louis se posicionou sobre o seu e o quão confortável o maior parecia com a situação. Ao voltar o olhar para o rosto de Louis encontrou uma cena que não esperava, Tomlinson o encarava com um sorriso no rosto, não um sorriso de deboche e desprezo, mas um sorriso de admiração. Uma das mãos de Louis foi ao rosto de Harry onde o mesmo deslizou os dedos pela bochecha do cacheado. Não sentia nada alem de uma vontade insana de congelar aquele momento. Uma necessidade de viver aquilo para sempre. Louis se sentiu idiota imediatamente e acabou rindo ao encostar sua testa a de Harry – Talvez eu me torne como você e não sei se isso vai ser bom – o tom de voz de Louis foi tão baixo que o mesmo quase não ouviu o que pronunciou. No instante seguinte Louis já havia atacado a boca de Harry novamente e ele sabia que aquilo se tornaria um vicio.

Seus lábios se moviam em sincronia, suas mãos buscavam mais do outro. Harry arranhava a nuca de Louis arrancando suspiros satisfeitos do menor que se concentrava em sugar o ar do outro com os lábios. Louis se permitiu viajar nos lábios de Harry esquecendo quem era, onde estava e o que já havia feito. Era apenas ele e Harry ali. Sem um passado, sem culpa, sem nada. Com algo novo e bom surgindo. Sentido o cacheado ficar ofegante, Louis desceu seus lábios para o pescoço do mesmo distribuindo beijos e deixando uma mordida que marcava Harry como seu. Exatamente como ele queria.

- Louis... – a voz de Harry saiu ofegante e sofrida quando ele resmungou contra a mordida e o menor não se incomodou apenas voltou aos lábios do cacheado o beijando com fervor.

- Papai? – a voz de Henry soou clara ao ouvido dos adultos que se levantaram do sofá em um salto, Harry ofegava enquanto encarava o ser pequeno que o encarava com os olhos azuis assustados. Louis estava vermelho enquanto fitava o garoto.

- Oi? – Harry disse confuso e olhou de canto para Louis que o encarou também. Estavam ambos com os rostos vermelhos e os lábios inchados, os cabelos em uma completa desordem e as roupas amarrotadas. Não estavam em condições de lhe dar com uma criança.

- O que tava fazendo papai? – o pequeno questionou se aproximando do pai com os braços erguidos. Harry pegou o filho nos braços e olhou para Louis.

- Estávamos... Estávamos... o que...

- Estávamos conversando Henry, conversa de adulto sabe, coisa que não é para criança – disse Louis salvando Harry que riu da careta confusa do filho – E não vamos te explicar, porque você não tem idade, ainda é um garotinho. Quando for um hominho, te conto – Louis piscou um olho para o menino enquanto bagunçava os cabelos já bagunçados.

- Mas eu quero saber! – o pequeno exigiu fazendo Harry rir.

- Escute seu pai Henry, um dia lhe contamos o que aconteceu – Harry disse sem pensar e recebeu um olhar surpreso de Louis. Algo dentro de Louis se acendeu novamente e um sorriso largo surgiu nos lábios dele.

- Exatamente, me escute. Você precisa dormir, ou não ficara bonito como eu. Essa conversa pode esperar uns bons anos – Louis disse tocando os cabelos do garoto novamente e deixando sua mão cair no ombro de Harry.

- Mas... Porque estava em cima do papai? – insistiu Henry fazendo Harry corar ainda mais e Louis rir.

- Eu estava ajudando ele com uma teoria. Você não precisa de mais informações criatura. Volte para a cama. – mandou Louis e o menino suspirou escondendo o rosto no ombro do pai se dando por vencido – Tenho que ir agora. Ainda tenho que trabalhar amanhã – Louis comentou fazendo a atenção de Harry se voltar para ele. O sentimento que os lábios de Louis trouxeram ainda borbulhava dentro dele. E o sorriso que ganhou do outro o fez entrar em erupção novamente.

- Hum... Ok, amanhã você errr vem? – Harry perguntou sem jeito e Louis riu.

- Obviamente, Henry não vive mais sem mim – o menor comentou piscando um olho para Harry que riu um pouco aliviado em saber que o outro ainda iria aparecer no dia seguinte. – Bom, tenho que ir. Tchau pequeno – Louis disse beijando os cabelos de Henry que nem se dignou a se mover, apenas suspirou contra o pescoço do pai entregue ao sono. – Apenas levantou para nos atrapalhar, danadinho – Louis brincou erguendo o olhar para Harry. – Tchau Harry – ele sussurrou se pondo na ponta dos pés e beijando os lábios do outro levemente antes de se afastar em direção a porta. Antes de sair pela porta completamente, Louis voltou a olhar para Harry que não percebeu o olhar do menor sobre ele. Tomlinson deixou um sorriso brotar em seus lábios ao ver o olhar perdido e o sorriso apaixonado de Harry enquanto o maior acariciava os fios de cabelo do filho com carinho.

Ele estava certo em deixar Harry entrar em sua vida. Seria um erro deixar alguém como ele partir. Satisfeito com sua decisão e se sentindo mais leve e satisfeito Louis partiu em direção a seu apartamento.

Não sabia o que aconteceu consigo, mas conseguia afirmar que aquela era a melhor sensação do mundo.

&

Pov. Niall

Quando o vi pela primeira vez eu me apaixonei. Os olhos inocentes e o sorriso banguela me fizeram imediatamente derreter. Com Josh a mesma coisa. A pele branca era marcada por pequenas sardas e o pouco cabelo era ruivo, não havia semelhança entre nós três, mas nenhum de nós se importou. Eu amava aquele menino desde a primeira vez que o vi encolhido nos braços de uma das assistentes sociais do orfanato. Desde o primeiro olhar e o primeiro sorriso direcionado a mim, como se ele fosse meu desde sempre.

Cada pequena evolução dele me fazia à pessoa mais feliz do mundo. A primeira palavrinha, que por mais que eu quisesse não foi papai. Os primeiros passos, mesmo cambaleantes no carpete da sala de estar e que tenham sido curtos em uma distancia de menos de um braço, me fizeram chorar de emoção. O primeiro dia de aula, a primeira vez que escreveu seu nome, sua primeira sentença completa. Tudo que vi ele fazer, cada pequena ação me fazendo amá-lo ainda mais.

Um amor que eu soube que teria um fim quando percebi que ele não estava mais animado a brincar, que preferia dormir o dia todo, sendo que não havia feito nada. O nariz sempre sangrando, a falta de apetite, a febre. Eram sinais. Os sintomas que me avisaram que meu tempo com ele estava acabando.

Quando ouvi da boca do medico que ele estava com câncer, meu mundo ruiu. Meu peito foi aberto sem anestesia naquele instante e eu soube que não estava pronto para lutar e para perder ele. Não consegui olhar para ele durante uma semana, a semana em que ele ficou internado. Mas depois percebi que estava gastando meu tempo com ele, sem ele. Estava perdendo o que me restava e com a ajuda de Josh, encontrei esperança e força para lutar pela vida dele.

E foi o que fizemos até esse momento. O momento em que o vi lutando para respirar no meio de tanto sangue que corria do nariz dele. Mas não era como das outras vezes. Ele estava sem ar. Completamente sem ar, seus olhos avermelhados pelas lagrimas causadas pela falta de oxigênio, ele se debatia enquanto tentava a todo custo desobstruir a passagem de ar para seus pulmões. Eu olhava a cena paralisado enquanto os médicos e enfermeiros se amontoavam a volta dele. Começou com uma pequena dor de cabeça e eu sabia como terminaria, só não queria aceitar.

Senti os braços de Josh passar envolta de mim e ele me puxar para um abraço enquanto eu desviava os olhos da cena. A voz dos médicos se tornando distante. Ele iria morrer. Eu sabia e dessa vez não era um pesadelo. O soluço alto chamou minha atenção e me fez erguer a cabeça assustado encarando os olhos castanhos marejados de Josh, mas o soluço não era dele. Era meu. Eu estava chorando desesperadamente enquanto me apoiava no meu marido. Não, eu não conseguia aceitar. Lutamos até ali para isso? Ele iria simplesmente morrer?

Eu sabia que um dia tudo o que fiz de errado seria cobrado de mim, mas que me matasse no lugar dele. Era apenas uma criança.

- Niall? Nialler? – Josh chamou e percebi que ele fazia isso a um bom tempo. O encarei sem conseguir me concentrar nele. Minha vontade naquele instante era apenas sumir. Queria deixar de existir. Para a dor parar. Uma dor que eu não sabia que conseguia sentir. Mais ela estava lá. Fazendo o ar ficar preso nos meus pulmões, as palavras sumirem, minhas mãos tremerem e meu coração acelerar, sentia meus olhos arderem em lagrimas e todo o meu corpo tremia. Eu me apoiava em Josh enquanto tentava por em palavras o que estava sentindo. Era impossível. Sentia toda a esperança que construí sendo desfeita em pedaços. Eu estava sem chão. E sabia que nada poderia ser feito. – Niall? Amor, eu preciso que você me escute, tudo bem? – Josh chamou quando eu tentei me afastar dele. Eu queria sair dali. Queria sentir minha dor em outro lugar, em outro ambiente. Olhei para Josh e percebi que mais uma vez estava sendo egoísta. Talvez seja por isso que Deus estava me punindo. Por todas as vezes em que fui egoísta e feri alguém. Parei naquele momento para encarar o homem a minha frente. Ele estava destruído, mas se mantinha firme por mim. E por Sebastian. Ele se tornou meu alicerce, meu porto seguro, mas naquele momento ele também precisava de mim. – Ei, eu sei o que está sentindo ta bom? Mas você precisa se acalmar. Vamos manter a calma Amor, por ele. Por mim. Não vai adiantar se desesperar ainda, ainda temos chance – ao ouvir suas palavras eu o abracei novamente enterrando meu rosto em seu pescoço.  Sabia que nem ele acreditava em suas palavras.

Mas manteríamos a fé até o fim.

&

Zayn caminhava pelo hospital tranquilamente indo em direção a saída. Tivera ótimas noticias para Niall, não era uma solução, mas um pouco mais de esperança. Liam o esperava no estacionamento e ele tentava ligar para Adam.

O moreno parou antes de alcançar a porta ouvindo o som de passos apressados atrás dele. Se virou vendo um Adam descabelado vindo em sua direção. Ia sorrir para o amigo, mas viu que a expressão dele não era nada animadora.

- Adam, o que houve? – questionou quando o amigo sequer disse alguma coisa, apenas o pegou pelo pulso o arrastando pelo hospital.

- O menino. Aquele garoto do ex, do seu namorado. Ele ta em estado grave na CTI, a situação ta critica, tipo muito. Ele foi estabilizado, mas eu falei com o medico dele, ele não deu duas semanas para ele. – Adam disse as palavras emboladas enquanto corria em direção a onde o medico responsável por Sebastian estava.

- M-mas... mas como? Ele parecia bem! Eu o vi faz menos de duas semanas Adam! – o moreno exclamou surpreso e ao mesmo tempo desesperado. Aquilo acabava com toda a esperança que o moreno nutriu.

- É câncer Zayn, você sabe como é. A pessoa nunca está bem de verdade. É uma doença silenciosa e cruel. – o outro sussurrou quando pararam diante do quarto em que o pequeno estava. Os olhos castanhos ficaram marejados. Mal se via o rosto do menino tamanha a quantidade de aparelhagem ligada a ele. Viu Niall adormecido na poltrona do lado de fora do quarto com os olhos completamente inchados e o rosto avermelhado, indicando o choro. Josh estava ao lado do marido acordado, mas com o olhar perdido, fitando o horizonte, os olhos vermelhos e marejados, a marca das lagrimas em seu rosto. Voltou seu olhar para o menino e viu a enfermeira conferir algumas coisas e logo sair do quarto. Sentiu uma mão em seu ombro, e se virou esperando encontrar Adam, mas encontrou Liam. A expressão perplexa do homem atrás de si o fez se surpreender. Não esperava vê-lo ali.

- Ele está morrendo? – Liam perguntou com a voz um pouco mais rouca que o normal. Zayn o encarou sentindo os olhos marejarem.

- Sim, tem alguns dias de vida – respondeu fungando. Se surpreendia com o quanto sentia por aquela criança. Não havia ligação entre eles, mas Zayn sentia a vida presa naquele quarto. O moreno viu os olhos do homem a sua frente se voltarem para o casal sentado ali e depois para o menino novamente.

- Existe algo que possamos fazer? – questionou Liam com a voz fraca. Odiava se importar com aquilo, mas ao ver o estado de Niall e Josh, além do estado do próprio menino, se sentia um monstro. Se colocou por um momento no lugar de Niall e quase se encolheu ao perceber que não poderia imaginar o quanto o loiro estava sentindo, seria uma dor dilacerante. Olhou para Zayn que apenas negou com a cabeça e fungou finalmente deixando suas lagrimas rolarem, Liam o puxou para mais perto o abraçando. Adam olhou para o casal e suspirou chamando a atenção de Liam.

- Existe uma chance mínima, muito pequena mesmo. O medico responsável por ele disse que tentar retirar o tumor e a parte afetada pela doença pode prolongar a vida dele para que ele consiga esperar pelo transplante. Porem, nenhum medico daqui toparia, seria quase um “assassinato”. Não há garantias. Teria que achar um cirurgião em outro hospital e também não é algo que o plano de saúde dele vá cobrir... – o futuro medico explicava e Zayn o encarou como se ele fosse louco.

-Se achasse o cirurgião e alguém bancasse os gastos, ele teria mais chances que tem atualmente? – Liam perguntou e Zayn se afastou dele rapidamente.

- Você é louco? Liam, não existe garantia nenhuma. Isso pode matá-lo – Zayn exclamou achando a idéia absurda.

- Ele já está praticamente morto – a voz fraca e quase sem vida de Niall se fez presente fazendo os três se voltarem para ele. – Então garoto, ele teria mais chances ou não? – perguntou firme. Seus olhos encontraram os olhos de Liam e ali eles finalmente se enxergaram, como há anos não acontecia.

- Sim, bom ele iria viver mais que alguns dias pelo menos. Daria tempo de encontrar um doador, ele está na fila há algum tempo deve ter chances. – respondeu dando de ombros se sentindo acuado. Zayn estava indignado. Todos ali estavam dispostos a jogá-lo em uma sala de cirurgia de onde ele poderia sair morto.

- Vocês estão se ouvindo? Vão matá-lo! – o moreno exclamou novamente e Niall desviou os olhos de Liam para Zayn. O loiro sorriu pesaroso para o moreno.

- Ele está morrendo Zayn, nesse momento. E dentro de dez ou quinze dias, se tivermos sorte, ele estará morto. Estão me oferecendo a chance de ter mais alguns meses com ele e quem sabe conseguir com que ele se cure. Eu não me perdoaria se não tentasse o possível para salva-lo. – o loiro parecia tão desolado enquanto olhara pelo vidro da parede que mostrava seu filho que aquilo desarmou Zayn. Liam sentia o desamparo de Niall e queria fazer algo para ajudá-lo.

- Onde está o medico dele? E o Josh? – Liam questionou e Niall apontou para o marido que estava sentado ainda. Com os olhos vidrados no nada, como se estivesse em estado catatônico.

- O medico está na recepção resolvendo uma papelada. Ele disse que voltaria mais tarde para vê-lo – o loiro respondeu e Liam assentiu passando os braços entorno da cintura de Zayn o abraçando. Aquilo estava lhe dando força naquele momento.

- Ótimo – ele disse firme. E encarou o menino mais uma vez antes de se decidir – Garoto, podem iniciar a busca pelo melhor cirurgião nessa área, a melhor equipe de especialista no assunto e o melhor hospital. Se Niall e Josh quiserem arriscar, eu banco o que for necessário. – quando o empresário terminou a sentença, todos os pares de olhos se voltaram para ele.

Niall sentiu a chama da esperança surgir. E Zayn viu a humanidade de Liam aflorar. 


Notas Finais


Desculpa qualquer erro =/


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