História Heavenly Light - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Albert Spencer (Rei George), August Wayne Booth (Pinóquio), Cora (Mills), David Nolan (Príncipe Encantado), Dr. Archie Hopper (Jiminy Cricket), Dr. Whale (Dr. Victor Frankenstein), Emma Swan, Fa Mulan, Henry Mills, Lilith "Lily" Page, Malévola, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Neal Cassidy (Baelfire), Peter Pan, Princesa Aurora, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sr. Gold (Rumplestiltskin), Will Scarlet, Xerife Graham Humbert (Caçador), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Bravedragon, Captaincharming, Emma Swan, Firefairy, Goodwicked, Once Upon A Time, Ouat, Redwicked, Regina Mills, Stardust, Swan Queen, Swanqueen, Wolfiekansas, Wooddragon
Exibições 259
Palavras 8.658
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, FemmeSlash, Magia, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hey! Ansiosos para descobrir onde Emma está? Esse capítulo está recheado de emoções!

Música-título: Bring Me The Horizon - Drown. Ouçam, por favor, é essencial para completar a leitura. Sejam abertos ao que conhecem e desconhecem e lembrem-se que vocês sempre podem me indicar canções também. Se estiverem dispostos, a versão cover dessa música feita pela dupla Seafret é fantástica!


Boa leitura. :)

Capítulo 13 - Drown


Fanfic / Fanfiction Heavenly Light - Capítulo 13 - Drown

 

 

O Jolly Roger. Memória da noite anterior.


A música alta ecoa escuridão afora, trilhando os passos bêbedos e alegres no convés. Killian e David haviam desaparecido da festa, restando as cantorias dos anões e as danças ousadas de Zelena, causando arrepios nas duas jovens, Ruby e Dorothy, igualmente embriagadas. Quase como se a bruxa não tivesse apenas um, mas sim dois lobos ao seu dispor.

Na praia, ouvindo somente o farfalhar das ondas, Emma e Regina observam o céu noturno. A morena sente-se tonta pelo vinho e a loira ri de seus trejeitos tortos. Os risos de ambas rasgam a noite, seus corpos agitam a areia enquanto divertem-se apontando para os pontos brilhantes acima e cogitando como seria a aparência da estrela que ali vagueia. Quando Emma zomba de sua embriaguez, Regina lhe faz cócegas, abrandada pela alegria que dela emana. Puramente adorável.

Regina está de olhos fechados quando seu corpo tomba entorpecido nas almofadas. Carícias em seu rosto a fazem abri-los, encontrando-se com o par verdejante, perto demais, sorrindo-lhe devotamente em absoluto silêncio. Um sussurro chega aos seus ouvidos: “Durma bem, minha Estrela Terrestre”. E a ausência do corpo gelado de Emma é imediatamente sentida, ao passo em que se afasta de volta ao convés. Regina adormece em graças.


What doesn't kill you, makes you wish you were dead
(O que não te mata, te faz querer estar morto)
Got a hole in my soul growing
(Tenho um buraco na minha alma crescendo)
Deeper and deeper and I can't take
Mais e mais e eu não consigo aguentar


 

O Jolly Roger. Desaparecimento.


– Bruxa! – No porão do navio, Dorothy ergue-se alerta, piscando repetidamente, assustada.

– O que...? – Ruby abre um dos olhos, sonolenta, esgotada. Com Zelena adormecida e aconchegada em seu seio esquerdo, resmunga e puxa a loba sobre o direito, bufando. – Está cedo demais. Volte a dormir, ainda não estou pronta para Zelena me desmontar de novo... Se ficar falando Bruxa, Bruxa, Bruxa, ela vai acordar...

– Não, espere! – A jovem se afasta, levantando-se e vestindo-se afobada, ofegante. – Bruxa! Aqui, eu posso sentir, não é Zelena!

Enquanto Dorothy calça as botas, correndo na direção da escada para o convés, Zelena e Ruby ainda acostumam-se com a luz, despertando com a escandalosa confusão da moça. Dorothy dispara-se até a cabine, encontrando Killian e David ainda adormecidos. Não vê Regina ou Emma, faz o caminho de volta, procurando-as.

– Dorothy! – Regina clama, subindo pela prancha do navio. – Emma! Onde ela está?! Diga-me que está no porão com vocês!

– Uma bruxa, eu posso sentir, é uma presença forte demais! Esteve aqui, mas não veio em cavalos, não veio a pé, surgiu dos céus, por isso não pude saber antes!

– Vasculhei a praia, não há sinal dela! – Arregala os olhos. – Você acha... Ela... – Solta todo o ar de seus pulmões, aflita.

– Mas que barulheira é essa e a essa hora da manhã? – Leroy sobe do porão resmungando, espreguiçando-se e afivelando o cinto da calça.

– Emma... – A morena sussurra completamente perdida.

– Malévola. – Zelena surge nas escadas com Ruby, ambas atordoadas. – Quem esteve aqui foi a Bruxa Malévola. É uma das três grandes bruxas da Ordem, além de sua mãe e de Ingrid, Regina. Eu posso senti-la.

– Não... Não... Não! – Amaldiçoa com um rosnado lacrimejante, correndo pela prancha novamente, correndo pelo cais, correndo pela areia, correndo desesperadamente a procura dela. – Emma! Emma! Emma! – Grita suplicante.


One more moment of this silence
(Mais um momento deste silêncio)
The loneliness is haunting me

(A solidão está me assombrando)
And the weight of the world's getting harder to hold up
(E o peso do mundo está ficando mais difícil de suportar)


– Regina? – David e Killian saem mal vestidos e armados de suas espadas da cabine, confusos.

– Emma desapareceu! – Ruby os alerta.

– Isso... Isso é impossível! – Killian replica. – Dorothy saberia!

– A não ser... – A traficante de tesouros caminha incerta pelo convés, fungando profundamente, inflando e contraindo as narinas em busca de pistas. – A não ser que não seja uma bruxa... Há... Há tantos cheiros aqui, cheiros que não são de vocês, tampouco de bruxas! Uma bruxa esteve aqui, mas não em tempo o suficiente para sequestrá-la debaixo de nossos narizes!

– Leroy, reúna os marujos! – Killian ordena. – Quero todos armados e prontos agora! Vamos colocar Stormhold abaixo até encontrá-la!

Enquanto o grupo debate e investiga, Regina atravessa a feira vazia e silenciosa, abarrotada de restos de alimentos e caixas, clamando por ela em intraduzível angústia. Não há rastro ou sinal, não há sombra ou voz ou luz. Mais uma vez Emma fora levada para longe e poderia estar correndo um perigo mortal. Não. Seu coração não suporta imaginar.

Repentinamente algo segura sua bota direita, fazendo-a tropeçar. Depara-se com uma mão pálida e trêmula projetando-se por baixo de um pano de tenda desarmado, estendido como um cobertor sobre algo. Percebe, então: Um corpo.

Seus olhos cravam na criatura ferida quando tira de cima do pobre a tenda pesada. Suas pernas desestruturam-se e ela cai de joelhos diante do simpático e amável comerciante. Walsh. Walsh e uma flecha enterrada profundamente em seu peito, com o sangue escorrendo lentamente, ensopando suas vestes. Regina involuntariamente o traz para seus braços, tocando o rosto sem cor, tentando despertá-lo, manchando-se de seu sangue.

– Walsh... Você está... – Falha sussurrante, incrédula.

O rapaz abre uma mão, frouxamente apertada contra seu tórax, revelando nada mais do que o Cristal-Carmesim:
– Eles... Eles a levaram... – Fracamente delata.

– Emma...! – Apavora-se. – Quem?! Quem, pelos céus, quem a levou?! – Brada em desespero enquanto tenta conter o sangramento sem puxar a flecha de seu corpo.

– Eu os vi passando, ela estava tão assustada... – Relata perdido, olhando para cima como se estivesse cego, turvo. Está morrendo. – Exigi que parassem e a flecha veio rápido, oh, tão rápido, menina... – Tosse sangue, tremendo da cabeça aos pés. – Na madrugada eles a levaram. Ela tentou me salvar, tinha tanto medo naqueles olhos curiosos... Arrastaram-na daqui, o Cristal-Carmesim caiu... Isso significa que ela está sem a sua proteção, ela está em perigo... Ela está...

– Walsh, eu imploro! – O desespero quase escorre de suas pálpebras. – Quem levou Emma?!

– Um homem... Um bando... Arqueiros... Um bando de monstros humanos...!

– Eu preciso trazer Zelena, ela pode curá-lo! – Tenciona deixá-lo e levantar-se. O vendedor a segura.

– Não! – Sem força, a impede. – É tarde, muito tarde. Vá atrás dela, da menina, Emma... Ela está com medo... O Cristal, não a deixe sem o Cristal-Carmesim...

– Walsh...? – Seus lábios formam um círculo trêmulo e imperfeito. – Walsh!

Os olhos do rapaz se fecham.
Partira deste mundo.


It comes in waves, I close my eyes
(Isso vem em ondas, eu fecho meus olhos)
Hold my breath and let it bury me
(Seguro meu fôlego e deixo isso me enterrar)
I'm not okay and it's not all right
(Eu não estou bem e não está tudo certo)
Won't you drag the lake and bring me home again?
(Você não vai trilhar o lago e me levar para casa de novo?)


Os passos de Regina de volta ao Jolly Roger são falhos, como se estivesse andando no ar, sem superfície sólida, na escuridão intocável. Os olhos vidrados à frente, derrotados. O cordão com o Cristal-Carmesim balançando em sua mão ensanguentada, enquanto a outra fecha-se com tanta força, como se os ossos estivessem prestes a estilhaçarem-se. 

No convés, onde o debate ainda acontece, todos a olham atônitos assim que seus pés detêm-se ali. David aproxima-se com cautela, temeroso.

– Regina... Regina, de quem é esse sangue? – Sussurra o irmão.

– Walsh... – Treme.

– Walsh, o colecionador de amuletos? – Dorothy expressa pavor e pesar em sua voz.

– Não foi uma bruxa. – Regina rosna, falando consigo mesma como se encarasse seus próprios olhos, sem fitar nenhum dos presentes que a observam. – Foi... Ele... – O rosnado intensifica-se como se sua garganta se rasgasse. – Robin. Robin Hood!

Em um segundo suas palmas e seu corpo incendeiam-se por dentro. Faíscas saltam das mãos, incontroláveis. Zelena corre ao seu encontro, segurando-as, afastando David de seu alcance:
– Acalme-se. Acalme-se, Regina. Respire!

Regina sente que o mundo perecerá em fogo e desesperança, tentando ouvir a voz da bruxa que tenta trazê-la de volta. Sente os braços de Ruby rodearem suas costas, protetores, abraçando-a, mesmo correndo perigo. Estremece e para. Os braços tombam ao lado do corpo, inertes, e Zelena toca seu rosto gentilmente, sussurrando palavras incompreensíveis, como uma prece em um dialeto desconhecido, mas carinhoso.

– Maldito... Maldito! – David impreca, furioso como jamais esteve em sua vida.

– Este é o rapaz de sua terra, não é? – Killian questiona. – O que aceitou a competição, o pretendente de Kathryn Nolan...

– Eu vou matá-lo... – O tom sombrio de Regina mostra-se cada vez mais insano.

– Acalme-se. – Zelena ordena ao ver mais faíscas tentando escapar de suas palmas. – Guarde a fúria para o seqüestrador, Regina. Controle seus poderes.

– Eu vou matá-lo! – Rosna. – Dorothy, pode farejá-lo?

– Deixe comigo! – Liberta-se de uma longa capa azul, a qual Ruby nota os desenhos e deduz ser, como a sua, uma espécie de magia inibidora. – Tomem cavalos e sigam o lobo. Eu prometo que nós a encontraremos. Anton! – Vira-se para seu guarda pessoal, ainda despertando da ressaca da festa da noite anterior, mas atento às suas palavras. – Volte para a loja com Totó e mantenha-a segura. Eu me viro!

– Sim senhora! – Assente, apressando-se para voltar ao porto.

– Capitão, deixe-nos ajudar! – O anão Stealthy suplica, preocupado com a Estrela. – Ao menos a mim e Bashful, sabe que somos guerreiros capazes!

– Como eu sempre digo, meu caro, vocês são os melhores. – Killian sorri. – Mas deixe que eu o faça, não estou disposto a colocá-los em risco. Pode fazer isso?

– Sim, Capitão. – Levemente decepcionado, concorda.

– Dorothy nos guiará. Dopey já preparou os cavalos na praia. Não percam seu passo. – David ordena prático, involuntariamente, jogando uma espada para Killian, uma para Regina, e armando-se da que ganhara do aeronauta. – Não sabemos quem está com Hood e se nos oferecem grave perigo, portanto, fiquem juntos e atentos. Regina, você deveria ir um pouco atrás de nós. Robin pode tê-lo feito para atraí-la para uma armadilha, sabe que ele tanto quer a estrela quanto quer ferir você. Não duvido de uma emboscada. – Seus olhos expressam todos os seus temores.

– Nunca! – Replica, franzindo as sobrancelhas. – Irei com vocês, na frente de vocês, mas jamais atrás de vocês. Eu preciso encontrá-la, David. Deveria estar cuidando dela. Eu preciso.

– Eu sei que precisa, e como sei! – Aproxima-se e a abraça, afundando o rosto em seu ombro como um garotinho assustado. – Mas eu também sei que Robin é um trapaceiro ardiloso. Não quero que você se machuque. Você não estará de fora, apenas fique um pouco atrás de nós.

– Eu... – Respira fundo.

– Apenas até que o vejamos. Faça por mim, por ela, por si mesma, mas faça.

– Está bem. – Toca-lhe o rosto, consternada. – Vamos. Não podemos mais perder tempo, Dave. Por favor.

– Vamos, Dorothy! – Assente. – Eu e Zelena iremos ao seu lado, Killian e Ruby cavalgarão atrás e Regina logo atrás delas. Depressa, nossa Estrela precisa ser resgatada!

Depois de armarem-se e Killian transmitir suas últimas ordens, desce pela prancha ao lado de David, analisando-o silenciosamente, com um sorriso discreto enfeitando-lhe o rosto. Ao contrário do que o camponês estava acostumado, é um sorriso docemente discreto, e não travesso ou malicioso.

– O que foi? – Não se aguenta de curiosidade. – Por que está me olhando desse jeito?

– Quando vi vocês pela primeira vez, pensei realmente que você, mesmo com aquelas roupas abarrotadas e humildes, fosse um príncipe. – Seu sorriso se estende. – E vê-lo ali, no convés, transmitindo suas ordens com brandura e justiça foi... Foi... Caso não venha nunca a ser nessa, tenho certeza, David Mills, que em outras vidas você foi o mais nobre dos príncipes.


Who will fix me now?
(Quem vai me consertar agora?)
Dive in when I'm down
(Mergulhar quando eu estiver lá embaixo)
Save me from myself
(Me salve de mim mesmo)
Don't let me drown
(Não me deixe afogar)


Assim deixa-o estarrecido e corado, cavalgando até Dorothy, que já transfigurava-se em sua fera lupina para debandar à procura de Emma Swan.


Who will make me fight?
(Quem vai me fazer lutar?)
Drag me out alive
(Me trazer com vida)
Save me from myself
(Me salve de mim mesmo)
Don't let me drown
(Não me deixe afogar)


 

Reino Encantado de Stormhold. Encanto Estelar.


Robert Locksley está mais do que satisfeito com sua conquista. Ri sozinho, como se estivesse louco, imaginando o desespero de Regina quando descobrisse que o presente de Kathryn Nolan fora levado. Certamente Robin não está ciente dos sentimentos da morena pela Estrela, porém, se estivesse, não há dúvidas de que estaria ainda mais realizado com seu sequestro silencioso na calada da noite.

No armazém abandonado, no meio de um bosque já fora das vistas do Porto de Stormhold, o mercenário Félix, com sua carranca e seus olhos baixos, perde-se nas horas polindo as flechas e espadas. É um rapaz constantemente mal-humorado e sisudo, mais interessado em armas do que em pessoas. Sobre um emaranhado de feno, Gregory e Tamara trocam beijos avassaladores, ignorando tudo ao seu redor. Enquanto Robin os analisa, percebe que Will e Peter não estão presentes. Estariam guardando a Estrela, aprisionada nos fundos do grande galpão, isolada?

Guia-se curioso para descobrir por qual motivo seus subordinados foram vigiá-la sem suas ordens diretas. Conforme se aproxima, risos sussurrados e palavras entusiasmadas zumbem em seus ouvidos. De repente, a cena o espanta. 

– Will, Pan, que diabos estão fazendo aí? – Aponta ao ver ambos sentados no chão de pernas cruzadas e queixos apoiados nas mãos fechadas, observando atentamente o tagarelar da Estrela Cadente.

– Quieto, Locksley, ela está na melhor parte da história! – Peter abana uma mão para que se cale.

– História? – Boquiaberto e aborrecido, insiste.

– Calado, homem! – Will lhe vira o pescoço, franzindo as sobrancelhas. – Diga-nos, moça, a princesa chegou ou não ao cavaleiro dourado?

– Não seria uma boa história de amor se ela não conseguisse! – Emma sorri abertamente. – A Princesa Abigail bravamente encarou o desafio de obter a água encantada do Lago Nostos, enfrentando com todas as forças de seu coração a feiticeira maligna que lá vivia. Apesar de não saber manejar espadas e de não ter poderes mágicos, sabia que era a única maneira de salvar seu amado cavaleiro Fred e evitar o casamento indesejado com o príncipe James.

– Mas como? – Peter arregalou os olhos. – Como ela pôde combater uma feiticeira poderosa? O amor não vence batalhar, moça!

– Mas é claro que vence! – Replica com um gentil olhar para o pequeno rapaz. – Sendo o amor a maior batalha de todas dentro dela, como poderia não vencer as batalhas exteriores que diante de si surgiriam por amar um homem considerado indigno de sua mão? Abigail só encontrou a coragem e a força suficientes para o desafio pelo simples fato de que o amava além de sua própria vida. Ela enganou a feiticeira, pois não tinha a habilidade de guerrear, mas era esperta e obstinada.

– Fred foi libertado? – Will empolga-se. – Ele matou James para ficar com a princesa?

Robin agora os observa em silêncio. Sua expressão guarda não mais aborrecimento, mas sim curiosidade. O grupo de mercenários já realizou diversos trabalhos ao seu comando e jamais os vira tão desarmados, envolvidos e atentos, como crianças obedientes. Tampouco haviam, nesse tempo, trocado muitas palavras. Emma Swan parece tê-los enfeitiçado.

– Fred não era um cavaleiro de propor duelos vãos. – Emma continua. – Nem mesmo de entregar-se à uma luta já vencida por ele, afinal, tinha o coração de Abigail e nada mais lhe importava.

– Mas James sabia que Fred estava preso na armadura dourada. – Will cruza os braços, inconformado. – Foi uma vilania de sua parte permanecer de acordo com o noivado quando sabia que ela amava outro homem. Ele deveria morrer!

– Espero que não se decepcione em saber que James termina em nossa história mais vivo do que nunca, tornando-se rei. – Balança as longas pernas no ar, encolhendo-se.

– Abigail se casou com ele? – Peter Pan surpreende com uma expressão entristecida, erguendo-se para tirar seu casaco, tomar o casaco de Will e colocar nos ombros da Estrela ao vê-la tremer, aumentando ainda mais o olhar abobalhado de Robin Hood. – Ela não foi feliz?

– Abigail deixou para James uma carta. – Acomodou-se no feno, sorrindo-lhes em cumplicidade terna. – Nela contou como conheceu Fred, como por ele se apaixonou. Toda sua história fez-se em palavras doces e compreensivas. Finalizou seu relato ao contar que ambos haviam fugido do reino para sempre. James chorou sobre a carta, se lhes interessa saber. Entendem porque uma carta foi mais justa e benevolente ao príncipe do que a lâmina de uma espada?

– Abigail e Fred não sujaram as mãos? – Will ergueu uma sobrancelha.

– Abigail, com sua sinceridade e a convicção de seu amor, deu à James uma segunda chance. Mostrou que nada importava a ela além de estar com Fred. Comoveu-o ao contar de como o libertou e dos perigos que correu. Abigail tocou o coração de James. E... Se eu puder lhes contar um segredo inacreditável... – Sussurra, inclinando-se. – Dizem que James tornou-se um rei muito, muito bom.

– Isso foi... – Peter sorri. – Que bela história. Vocês têm livros no céu? Ou você a inventou?

– Decerto existem histórias no céu, mas nele não a conheci e eu não a inventei. – Nega. – Eu vi. Enquanto vagueava no universo escuro, vi com meus próprios olhos isso acontecer em seu mundo, Will e Peter.

– Espere! – Will levanta-se, atônito. – A Princesa Abigail! Ela existiu, Pan, existiu em Stormhold! Sei pai era o rei da nossa terra! Mas... O que nossas histórias contam é que Abigail se casou com James! Que depois de dar a luz o primeiro filho, afogou-se no mar! Mas isso... Isso aconteceu há séculos! – Clama, surpreso.

– Sim, Will. – Emma ri. – Há muitos séculos. Mas eu lhes garanto, minha história é verdadeira. O que quer que tenham lido ou ouvido, não faz jus à ela, à Fred, e nem à James.

– Você vagou por muitos séculos no céu? – Pan não consegue se conter em perguntar.

– Muitos para que eu mesma possa contá-los. – Apesar do tom lamurioso, sorri.

Will e Peter entreolham-se com pesar. Emma saberia o que pretendem? Saberia o mal que planejam lhe causar? A dúvida os atinge em cheio, como se estivessem  entorpecidos pelas histórias e pela graça que ela lhes proporcionou e agora despertassem para uma lamentável e dura realidade.

– Vamos lá, Pan. – Will sorri cabisbaixo para a Estrela e ajuda o rapaz a levantar. – Vamos encontrar algo para alimentá-la, mesmo que ela não precise comer.

Deixam-na sozinha com Robin. O arqueiro percebe, atento, como sua expressão vai de dócil à apavorada. Não é para menos, visto o modo como a sequestrou.


What doesn't destroy you, leaves you broken instead
(O que não te destrói, em vez disso te deixa quebrado)
Got a hole in my soul growing
(Tenho um buraco na minha alma crescendo)
Deeper and deeper and I can't take
(Mais e mais e eu não consigo aguentar)


"– Venha conosco e não lhe faremos mal. – O arqueiro a ameaça com um punhal.

– Não, eu não quero ir... – Encolhe-se caída e encostada no timão do navio. – Eu vou chamá-los, Regina virá...

– Se Regina vier, eu e meus mercenários a mataremos. – Rosna. – E eu enviarei você direto para o céu, para continuar vivendo eternamente sozinha, como as outras estrelas.

– Não... – Uma lágrima lhe escorre. – Deixe-me apenas dizer adeus...

– Se disser adeus a eles, teremos um conflito, garota tola. – Revira os olhos. – Então, terei que matar todos eles de uma vez.

– Mas eu... Eu preciso dizer adeus à ela... – Encolhe-se ainda mais, assustada. – E se eu nunca mais puder vê-la?

– Félix! – Aborrecido, solicita o rapaz já armado de duas espadas. – Entre naquela cabine e traga-me Regina em dois pedaços!

– Não! – O grito sufocado da Estrela o faz parar, ao mesmo tempo em que ela se atira no chão, agarrando sua capa em uma súplica desesperada. – Eu irei com vocês, por favor, não façam..."


One more moment of this silence
(Mais um momento deste silêncio)
The loneliness is haunting me
(A solidão está me assombrando)
And the weight of the world's getting harder to hold up
(E o peso do mundo está ficando mais difícil de suportar)


As ameaças de Robin combinadas à cena de Walsh sendo assassinado fazem-na acuar-se no monte de feno, fechando-se até o pescoço com os casacos de Will e Peter, espremida em si mesma. O arqueiro não tem dúvida alguma de que ela o teme.

– Eu a assustei no navio. E depois na feira, com aquele vendedor atrevido e escandaloso. Não tivemos escolha senão matá-lo. – Profere o óbvio.

– Vá embora... – Desvia de seu olhar, sussurrante.

– E por ter dito que mataria Regina, eu suponho.

– Pare! – Suplica. – Não diga isso de novo! – Tampa os ouvidos, enfiando a cabeça nos joelhos, trêmula. – Eu não posso ouvir isso de novo!

– Eu não sou mau. – Insiste, perguntando-se por que estava tentando se explicar para sua própria prisioneira. – Você era prisioneira dela, mesmo que ela a confundisse com gentilezas.

– Não! – O encara com o rosto vermelho. – Regina não estava me levando para Storybrooke, Regina é minha Estrela Terrestre! Ela é boa, é corajosa, ela nunca me magoaria!

– Sua... O quê? – Um tom sombrio se apossa de seus olhos.

– Minha Estrela Terrestre... – Encolhe-se novamente ao vê-lo se aproximar.

– Regina Mills... Você tem um caso com ela, é o que está dizendo?! – Infla suas narinas, esbravejando.

Emma não tem tempo de responder. Robin rosna como um cão raivoso, chutando o feno em seu caminho, esmurrando uma das colunas de madeira que sustentam o armazém, gritando ofensas incompreensíveis, bufando como um touro, quase arrancando os cabelos, fazendo-a recuar ainda mais para trás, amedrontada.

– Maldita! Maldita seja! – Pisa com força no chão, como se pudesse quebrá-la. – Isso não é justo, maldição! Eu deveria tê-la matado naquele navio!

– Não! Pare! – Lágrimas involuntárias correm no rosto da Estrela. – Pare!

– Primeiro Kathryn, agora você! Maldição! – A ignora, ainda enfurecido.

– Pare... – Sussurra, afundando-se nos casacos.

– Eu sabia que Regina nunca me veria! Não me veria com Kathryn e agora com você ela jamais me verá! Não poderia competir com uma Estrela Cadente! Isso é típico de Regina, envolver-se com uma criatura de outro mundo!

– Você... – Emma arregala os olhos, voltando a encará-lo.

– Sim! Está satisfeita, garota tola?! É exatamente o que está pensando! Eu deveria saber!

– Você é... – Sussurra. – Oh... Você está apaixonado por ela...


It comes in waves, I close my eyes
(Isso vem em ondas, eu fecho meus olhos)
Hold my breath and let it bury me
(Seguro meu fôlego e deixo isso me enterrar)


– Estou?! Sou apaixonado por ela desde que éramos crianças! Maldita seja você e Kathryn e Regina juntas! Eu e Regina nos conhecemos quando pequenos, em nossa cidade! Ela foi meu primeiro amor, mas nunca me viu! Na época usávamos codinomes infantis, portanto, ela nunca soube meu verdadeiro nome, mas eu sempre soube o dela, quem era, como vivia! Mas ela jamais me viu, repito, ela só tinha olhos para seus malditos livros de fantasia e seus dois irmãos patetas! Quando voltei da Capital, com minha família ali já rica e bem posicionada na sociedade, pensei que ela me veria, mas ela já estava encantada por Kahtryn Nolan! Quando nos encontramos na casa dos Nolan, ela sequer se lembrou de mim, pode acreditar nisso! Jurei naquele momento me vingar e assim o farei, agora mais do que nunca! Eu queria magoá-la, queria mostrar que Kathryn escolheria a mim! E você surge dos céus com suas palavras de bondade e toma minha última chance! Maldita, maldita!

– Por que não disse a ela? – Seu olhar triste pousa sobre o rapaz arfante e irritado. – Você escolheu feri-la e prejudicá-la ao invés de tentar conquistá-la, de revelar seus sentimentos! O garoto tolo é você! – Pela primeira vez vê-se tomada por uma emoção protetora e firme. 

– Para ser rejeitado? Nunca! Eu sou Robin Hood! Não poderia passar por tamanha humilhação!

– Você é... – Seus ombros caem. Agora, sente pena. – Você é um homem muito, muito triste, Robin Hood.

– Isso não importa, não mais. – Corrige sua postura, apertando o fecho de sua capa de pele de raposa. – Regina pagará. E agora que sei o que se passa em seu coração, tudo torna-se fácil demais. Quando terminarmos com você, a verei destruída sem sequer tocá-la!

– O que se passa no coração dela? – As sobrancelhas da Estrela formam uma expressão entristecida e ao mesmo tempo curiosa. – Como sabe do que se passa no coração dela...?

– Oh... – O rapaz, surpreso, exibe um largo sorriso. – Você não sabe?

– Eu... – Deglute em seco, perdida.

– Regina não disse se está ou não apaixonada por você... Disse? – Coça o queixo, ardil.

– Não. – Enrubesce.

– Esplendido. – Ri. – Eu nunca ouvi falar de uma Estrela de coração partido!

– Não! – Defende-se. – Ela... Ela me deu seu coração... – Os olhos lacrimejam. – Ela disse, na praia, pare com isso!

– Não se preocupe. – Pisca-lhe debochadamente, deixando-a sozinha e comprimida. – Algo me diz que não demoraremos a descobrir!


I'm not okay and it's not all right
(Eu não estou bem e não está tudo certo)
Won't you drag the lake and bring me home again?

(Você não vai trilhar o lago e me levar para casa de novo?)


 

Reino Encantado de Stormhold. Reencontro.


Lilith Page desperta com uma dor latejante nos ombros e na cabeça. Os olhos se abrem com dificuldade, tentando identificar onde estava. Depara-se com folhas esvoaçantes em uma árvore acima, além de uma fraca brisa do amanhecer. O cheiro peculiar é o que a faz erguer-se sentada sobre a grama, confusa: Um perfume adocicado, memórias de sua infância, além de um delicioso cheiro de peixe frito. Merida está sentada ao seu lado, agarrada aos joelhos, observando o primo ajoelhado diante de uma fogueira improvisada com ninguém menos do que o companheiro de sua mãe, August Booth, que preparava a refeição.

Vira-se lentamente para o outro lado, como se estivesse prestes a romper uma linha excessivamente tênue. É ela. O perfume é dela.

– Mãe... – Sussurra, comprimindo os olhos.

Agacha-se para encará-la, tocando suavemente seus fios desordenados:
– Lilith. Você cresceu...


Who will fix me now?
(Quem vai me consertar agora?)
Dive in when I'm down
(Mergulhar quando eu estiver lá embaixo)
Save me from myself
(Me salve de mim mesmo)
Don't let me drown
(Não me deixe afogar)


A jovem atira-se nos braços da feiticeira impulsivamente, surpreendendo-a. Malévola suspira e fecha os olhos, apertando-a. Somente August percebe o esforço absurdo que faz para não brilhar com a intensidade do Sol diante de todos ali, tamanha sua alegria em rever a filha.

– Mãe, a Estrela! – A liberta do abraço, encarando-a como uma menina perdida. – Levaram a Estrela, eu estava tentando salvá-la. Eu falhei...

– Não, você não falhou. – Sorri amavelmente. – Nós iremos encontrá-la. Pedi que August preparasse algo para comerem, uma vez que não sei o que enfrentaremos.

– Serão como insetos para a senhora! – Neal, nervoso, sorriu. – Nosso primo fez isso, Robin está com eles. Nós... Nós só queremos levá-lo para casa... – Há súplica em sua voz.

– Há mais seres em busca da Estrela Cadente do que imaginam, meu jovem. Posso prometer que faremos o possível para não machucá-lo, apenas desejamos manter a Estrela a salvo. Mas não posso prometer que outros já não o tenham encontrado e a tomado à força deles.

– Ele machucou Regina? Vocês estiveram no navio... – Merida comprime os lábios, preocupada.

– Aparentemente não. – August sorri. – O navio estava intacto. No entanto, para não terem despertado até mesmo os tripulantes que dormiam no convés, a Estrela deveria estar facilmente ao seu alcance. O que me faz crer, minha Senhora Malévola, que ela não era uma prisioneira.

– Estamos de acordo com esse pensamento, meu querido. – A bruxa assente. – Mesmo assim, não podemos contar que as pessoas daquele navio a salvarão. Precisamos encontrá-la imediatamente. Comam e se preparem. Logo mais estaremos voando. E minha pequena Lilith... – Respira profundamente, erguendo-se e segurando seu rosto pelo queixo com extrema delicadeza. – Prometo à você que falaremos sobre o que desejar quando isso acabar.

Malévola os deixa alimentando-se, sorrindo ao se afastar e ouvir as dicas culinárias entusiasmadas de August para Neal. Lilith encara os olhos perdidos de Merida e segura gentilmente uma de suas mãos sobre os joelhos.

– Eu sinto muito pelo que seu irmão fez. – Confessa.

– Não sinta. Eu deveria saber. Deveria tê-lo enfrentado e impedido. Minha covardia nos custou essa confusão. – Comprime os olhos, bufando.

– A culpa não foi sua, não diga isso. – Franze as sobrancelhas, contrariada com seu tom de derrota. – No primeiro dia, quando vocês contrataram meus serviços, eu soube estar diante de dois irmãos que em nada se pareciam. Robin é mimado, tapeador e egocêntrico. Você é autêntica, benévola e espirituosa. Pode não ter encontrado ainda a coragem para enfrentá-lo, mas tem coragem o bastante para não deixar de ser incrível como é para ser quem ele quer.

– Eu preciso enfrentá-lo. Preciso conseguir. – Firma-se, sorrindo-lhe fracamente. – Eu vou.

– Sei que irá. – Devolve-lhe o sorriso.

– Então... Esta é sua mãe? – Aponta para Malévola, que observava o céu, distante.

– Sim. – Cora.

– Ela é tão bonita! Você tem a quem puxar! – O comentário escapa involuntariamente, fazendo-as silenciarem-se por um instante, para logo gargalharem ruborizadas.

– Ela nos ajudará. Chegaremos até seu irmão mais rápido do que imagina e salvaremos a Estrela. – Garante.

– Mas... Eu não compreendo. Sua mãe não é uma bruxa? As bruxas não caçam Estrelas Cadentes? Quero dizer, apesar de você não fazê-lo... – Desconsertada, expõe suas curiosidades.

– Acredite, a última coisa que minha mãe faria seria caçá-las. Há algo que não mencionei sobre ela antes...

– Que é...?

– Bem... – Sorri culpada. – Minha mãe, a Grande Bruxa Malévola, também é uma Estrela Cadente, Merida.


Who will make me fight?
(Quem vai me fazer lutar?)
Drag me out alive
(Me trazer com vida)
Save me from myself
(Me salve de mim mesmo)
Don't let me drown
(Não me deixe afogar)


 

Reino Encantado de Stormhold. Valente.


Regina nada vê diante de seus olhos além das estradas e matas altas, perdida nos batimentos incontroláveis de seu coração. Sente um pesar compadecido pela morte de Walsh, uma ira explosiva por Robin e um temor doloroso só de pensar que Emma estava nas mãos do aristocrata e de seus comparsas.

Mas essas sensações estão, embora em níveis diferentes, presentes em cada um deles. O que os difere são os sentimentos mais intensos do que nunca dentro de Regina, combinados a uma sensação insuportável de culpa. Deveria tê-la protegido, deveria ter se mantido sã para cuidar-lhe. Acima de tudo, deveria ter dito a ela a verdade ao invés de manter-se distante. Porque mesmo com todos os momentos que vinham compartilhando desde a confissão de Emma, a Estrela ainda estava na escuridão no que diz respeito às inconfissões dela.

– Parem! – De repente Zelena puxa as rédeas do cavalo ao ver Dorothy frear bruscamente as patas sobre a terra.

A jovem se contorce das orelhas à longa cauda, voltando a forma humana quando a bruxa lhe joga a capa nos ombros. Percorreram a estrada perdidos no tempo, sob o Sol, afoitos e aflitos.

– Neste bosque.... O raptor está ali. – Aponta para um cerco repleto de árvores de densa folhagem. – Deixem os cavalos aqui. Nós os pegaremos de surpresa.

– Ruby... – David se aproxima coçando a nuca, suspirando. – Talvez seja melhor que fique aqui e espere por nós.

– Como é que é?! – A caçula arregala os olhos, incrédula.

– Durante esses dias que passamos no Jolly Roger, aprendi muito com Killian. E Regina tem sua magia e sempre lutou bem. Mas você está no início de suas lições com Zelena e... Eu não quero que se machuque.

– Você está se ouvindo? – Rosna. – Não pode me deixar fora disso! Fui tão conquistada por Emma quanto vocês, não posso ficar aqui enquanto ela pode estar correndo perigo! Regina, diga a ele!

– Ruby... – A morena respira fundo, tentando não magoá-la. – Não podemos arriscar sua segurança.

– Regina! – Espanta-se novamente.

– Ruby. – Zelena se aproxima e toca-lhe suavemente o rosto expressivamente aborrecido e rígido. – Sei o que está pensando e o que está sentindo. E sei de seus instintos. Mas desta vez preciso concordar com seus irmãos. Acredite em mim, já vi o que um jovem lobo desperto e indisciplinado pode fazer ao perder o controle de suas ações. Não temo que você nos fira, nunca. Temo que fira alguém e venha a se arrepender. Você entende?

– Se existe uma maneira de aprender é na prática, Zelena. – Insiste. – Não posso ficar aqui sentada esperando que um de vocês seja ferido!

– Isso já me aconteceu, Ruby. – Dorothy pousa uma mão segura em seu ombro. – Quando ainda era uma loba inexperiente, quando não estava preparada. Não sabemos quantos aliados esse rapaz tem, nem a extensão de seu armamento, talvez até magia.

– Não duvido que possa se controlar quando um deles estiver em perigo. – Zelena lhe sorri amavelmente. – Mas se eu estiver... Não poderá se conter. É inevitável desde que a conexão se estabeleceu.

A jovem respira fundo, afastando-se. Vira-se de costas, torce os dedos uns nos outros, impreca baixo, perdida.

– Se não voltarem logo... – Volta a encará-los com os olhos brilhantes de apreensão.

– Pode correr até lá e transformar aquele bosque em uma casa de carnes. – David a abraça. – Estamos de acordo?

– Vão. – Por fim, cede.

Dorothy beija uma de suas mãos, voltando à frente do bando. Os irmãos dispensam despedidas e Killian, apenas como garantia, lhe entrega uma de suas duas espadas. Zelena reforça o laço da capa vermelha, beijando carinhosamente sua testa em uma garantia muda de que voltariam intactos.


'Cause you know that I can't do this on my own...
(Porque você sabe que eu não consigo fazer isso sozinho...)


Os cinco, armados e decididos, adentram o bosque fechado, deixando-a com certo pesar. David e Regina não duvidam da capacidade da irmã caçula, mas fariam o impossível para protegê-la. Dos presentes, são eles os únicos a terem consciência do quão astuto Robin pode ser.

No armazém abandonado, com a luz do Sol do início da tarde invadindo as aberturas superiores, iluminando o centro, Robin Hood está mais impaciente e descrente do que nunca com seus subordinados.

– A possibilidade de não feri-la? – Brada para Will. – Você enlouqueceu? Sabe o ouro que ganharemos com ela?

– Estou dispensando esse ouro. E Peter também. E como Félix está nisso como seu companheiro leal, concordou em abdicar conosco. Tamara e Gregory não viram o que vimos, não sabem o que sabemos, mas concordaram em fazê-lo se eu dispusesse meu pagamento dos próximos três trabalhos para ambos.

– Vocês estão se rebelando, é isso? – Mira cada um dos mercenários, desgostoso.

– Por que está tão irritado? – Tamara revira os olhos, abraçada de lado com Gregory, ainda calado. – Pelo que sabemos, dinheiro não lhe é problema. William e Pan estão encantados com a moça, você nunca se encantou por uma moça? – Dá de ombros. – Ou fere o seu pouco orgulho que a libertemos depois de cumprir sua tarefa com a tal Kathryn?

– É por me encantar por uma moça que estou nessa maldita confusão! – Replica. – E pelo mesmo motivo não posso deixar a Estrela ir.

– Para que esse estardalhaço? – Félix finalmente fala, atraindo a surpresa de todos os outros, que podiam contar nos dedos quantas vezes manifestara-se. – É por ela que está encantado? E ela não o corresponde?

– Não me julgue um tolo como Peter e Will.

– E você não ouse maldizer o meu mestre Peter Pan. – O rapaz levanta-se com sua espada, ameaçando-o.

– Está tudo bem, meu amigo. – Peter o faz recolher-se. – Você está em desvantagem aqui, Locksley. – Adverte. – Não desejamos um confronto.

– Então, é uma rebelião, raios! Vocês foram e ainda serão pagos para obedecer-me.

– Já chega. – Gregory ergue-se do monte de feno, olhando ao redor, alarmado.

– Não se atreva a me dar ordens seu...! – Robin o encara.

– Cale-se! – Insiste, interrompendo-o. – Ouçam!

Silenciam-se e atentam-se. Há sons no bosque. Há sons do lado de fora da clareira o galpão vazio e ecoante.

– Armas! – Robin corre para trás do grupo, flexionando uma flecha em seu arco.

A porta do galpão, de repente, estilhaça-se em dezenas de nacos e milhares de farpas, destruída. O vulto cinzento salta entre os destroços, um lobo uivante e vigilante, rosnando ao fincar as patas no chão. Will, Peter, Félix, Gregory e Tamara, como parte do trato de sempre, colocam-se como um escudo diante de Robin, com suas armas estendidas para o animal.


'Cause you know that I can't do this on my own
(Porque você sabe que eu não consigo fazer isso sozinho)


– Emma! – David correu no encalce de Dorothy, com Zelena ao seu lado.

– Você...! – Robin esmaga a madeira do arco nas mãos como se pudesse quebrá-lo.

– Locksley! – O rapaz empunha a espada, franzindo as sobrancelhas para o aristocrata furioso.

– Emma! Nós estamos aqui! – Killian entra aos gritos, clamando pela Estrela.

Regina surge em passos lentos, direcionando seus olhos imediatamente para o arqueiro. Ignora seus protetores armados, como se estivesse sozinha ali com ele, detestando-o com uma ira que jamais soube ser capaz de conter dentro de si. A espada que David lhe dera parece ferver entre seus dedos, parecendo-lhe escorrer derretido o aço da espiga.

– Seu... – Rosna sussurrante, rangendo os dentes.

– Magnífico! – Robin gargalha. – Estamos todos reunidos aqui!

– Onde ela está?! – Uma faísca involuntária estoura em suas palmas.

– Vejam só, ela tinha razão! – Seu riso estende-se, enlouquecido. – Você gosta mesmo dela, não é? Lamento que não possa ficar para testemunhar seu reencontro! – Afasta-se a passos largos para trás. – Destruam-nos!

A ordem é obedecida de imediato. Robin foge para os fundos do armazém e seus comparsas avançam contra o bando. Will, analisando o porte de David, sabendo-o robusto e forte, ataca-o primeiro e passam a travar uma luta feroz. O camponês defende-se do mercenário, mas seus ataques são limitados. Will é um espadachim experiente, mesmo perdendo em questão de força e resistência física.

Peter Pan, surpreendentemente, ergue suas mãos na direção de Zelena, que não precisa de mais sinais para adivinhar que trata-se de um bruxo. Ambos sentem a magia que percorre ao seu redor, quase conseguem enxergá-la nos olhos um do outro. A bruxa não intimida-se em investir contra o pequeno rapaz com sua magia danosa e movida muito mais pelo instinto protetor do que pela batalha em si, porém, sua desvantagem é o companheiro de Pan, Félix, defendê-lo dos ataques com sua espada, como se a lâmina estivesse impregnada de um feitiço de proteção.

É exatamente nessa brecha entre Félix e Pan que Regina corre na direção da fuga de Robin Locksley.

Killian sente os olhos aflitos de David em si enquanto tenta manter-se firme, combatendo sozinho o bolo de carne imenso que é Gregory. Embora mais fraco, era mais rápido, desviando-se de seus brutos golpes com astúcia, mas ciente de que não poderá somente esquivar-se, que precisará atacá-lo mais cedo ou mais tarde.

Gregory e Tamara são peritos em estratégia, não em batalha, mas Dorothy Gale não tem essa informação ao tentar derrotá-la como um lobo, avançando com as presas afiadas contra ela. No primeiro salto de unhas e dentes, Tamara esquiva-se. E novamente no segundo. É no terceiro ataque que, ao invés de fugir, agacha-se exatamente onde sabia que a loba atingiria o chão, tirando das vestes um punhado de pó cintilante e soprando-o em seus olhos. Com um grunhido sôfrego, rola pela terra e choca-se na estrutura de madeira da parede, uivando e clamando ao mesmo tempo, sem sequer saber o que ocorrera, enquanto Tamara sorri de seus feitos. Dorothy sente-se oscilar entre a forma humana e a forma lupina, sem controle de seu corpo, de sua mente e de sua magia.

Zelena a vê e age depressa. Tamara tenciona finalmente atacar a loba com um punhal, mas a bruxa a atinge com uma rajada negra de magia, fazendo-a ir ao chão e gritar com a dor que consome seus sentidos.

– Não se esqueça com quem está lutando, bruxa! – Peter adverte, erguendo ambas as mãos para agredi-la.

A ruiva consegue escapar do ataque ao correr até Dorothy, tentando ampará-la de algum modo. Atenta à Peter, ajoelhada sobre a jovem loba ferida, o ataca com toda a sua força. O corpo do menino é atirado à metros de distância, destruindo a divisória frágil de madeira velha do galpão, despedaçando-a completamente.

– Mestre... – Félix arregala os olhos ao vê-lo desacordado, com um fundo ferimento no ombro esquerdo. – Mestre!

Quando Félix aproxima-se do corpo inconsciente de Pan, Zelena vê sua oportunidade para entender o que está havendo com Dorothy, que ainda resmunga como humana e como lobo, como se estivesse prestes a desaparecer. Em sua distração, não percebe que deixara Félix furioso e que o mercenário desembainhava duas longas espadas para correr em sua direção.

– Morra, bruxa!  

Zelena sabe e pode defender-se. Pode levantar-se e atacá-lo, dar-lhe o mesmo estado de Peter Pan e Tamara. Mas um som, um som ensurdecedor e violento, ecoa em seus ouvidos. Obriga-se a olhar enquanto Félix se aproxima, presa àquele uivo desesperado. Os batimentos incontroláveis de seu coração sabem, embora sua mente desacredite. Não compreendia como havia chegado tão depressa, mas sabia que ela a sentira.

Ruby.


'Cause you know that I can't do this on my own...
(Porque você sabe que eu não consigo fazer isso sozinho...)


O tempo lhe permite somente vislumbrar rapidamente a figura que surge diante do galpão. Sim, Ruby, mas não como a conhecia. Há caninos longos despontando da boca, unhas compridas despontando dos dedos. Olhos dourados. O peito sobre e desce com sua respiração ofegante. Em uma fração de segundo, como se dotada de uma velocidade inalcançável, atira-se sobre Félix. Zelena não pode impedir, não está certa de que deveria.

Os dentes pontiagudos de Ruby agarram a garganta do mercenário e, sem chance de defesa, Félix agoniza ao sentir a pele e a carne rasgando-se, o sangue espirrando no rosto dela e no seu, a dor sufocante corroendo sua consciência, drenando suas forças.

O descontrole da transformação e o instinto irrefreável de salvá-la termina no que temiam: Ruby o matou.

Semi-transformada a jovem tomba para o lado, desvencilhando-se do cadáver, respirando engasgadamente, sem fôlego. Zelena pousa uma mão em seu rosto, angustiada, enquanto a outra permanece sobre o peito agitado de Dorothy.

Gregory e Will derrubam Killian e David quase simultaneamente, porém, não os atacam. Correm para os fundos em busca de Robin e Regina.

– Ruby! – David arregala os olhos, arfando.

– Vão! – Zelena ordena. – Não os deixem chegar até ela!

A bruxa permanece em socorro de Ruby e Dorothy enquanto ambos os seguem, recuperando o ar perdido, enfraquecidos com o confronto duradouro. Mas ela está certa: Will e Gregory não podem alcançá-la.

Regina, por sua vez, corre em disparada, seguindo as pegadas do sequestrador. Robin havia saído por uma porta traseira, levando Emma consigo, atravessando o bosque. Está tentando fugir e ela o sabe, sabe o quão covarde pode ser, sabe que seria incapaz de enfrentá-la e que usaria a Estrela para rendê-la, atingi-la. Emma estaria bem? Ferida? Amedrontada?

Quando finalmente vê-se fora do bosque, lá está seu alvo. Robin Hood. Diante de si, Emma Swan, sentada na grama do campo aberto, ausente de árvores e pedras, com uma flor nas mãos. Robin com uma flecha posicionada em seu arco na direção dela e Emma ali, sorrindo para a flor, inconsciente do perigo que corre.

Os olhos de Regina queimam ao vê-los. Maldito Robert Locksley.

– Emma... – Sussurra. Em alívio ou temor, não saberia dizer.

– Regina! – Seu sorriso estende-se docemente ao vê-la. Não se move, não tenciona correr até ela. Limita-se a sorrir o mais aberto possível, transbordando sua alegria.

– É incrível... – O arqueiro ri. – Veja como ela brilha!

– Você está bem, minha Estrela? – A pergunta soa como uma súplica, enquanto permanece estática com os pés no chão e a espada em punho.

– Sim! Não se passou nem um dia e eu senti tanto a sua falta! – Ri de forma tão adorável que a morena engole em seco, consternada.

Passos aproximando-se não são capazes de fazê-la virar-se em defesa. Está presa ao sorriso de Emma e ao arco de Robin. Will e Gregory surgem do bosque e Killian não demora a surgir com David, os quatro ofegantes espantando-se com o que veem.

– Que loucura é essa, Locksley?

– Will, ela é a Regina! É sobre ela que lhes contei! – Sorri para o rapaz.

– Sim, eu sei, moça... – O rapaz relaxa os ombros, como se a inocência dela lhe ferisse por pensar que fora um dos responsáveis por sua captura, um dos responsáveis pela flecha apontada em suas costas.  

– Não se aproximem! – Robin exige. – Ela morrerá se derem um único passo!  

– Eu vou estripá-lo como a um porco, canalha! – Killian tenciona mover-se e os braços de David o agarram pelas costas, impedindo-o. – Solte-me, eu o matarei!

– Killian... – Sussurra. – Pare. Não podemos desobedecê-lo. Fique calmo...

– Como ele ousa levantar armas contra uma criatura como Emma?! Seu cão covarde, eu o rasgarei em míseros pedaços enquanto ainda respira e assiste!

– Killian! – O vira em seu aperto, fitando-o. – Ela está bem. Espere. Só... Espere... – A voz branda o faz parar de debater-se e baixa o rosto, corado por suas palavras violentas.

– Oh, David, você também arranjou um namorado? – Robin debocha. – Finalmente, não é? Pensei que Storybrooke passaria por mais três gerações de rapazes e moças e você continuaria servindo bebidas na estalagem imunda do seu pai!

– Não fale do meu pai! – Rosna. – Somos homens de honra, ao contrário de você, que se atreve a ameaçar inocentes e ferir todos ao seu redor! Onde está Merida?! Onde está Neal?!  

– Onde merecem estar, presos, muito longe daqui!

– Emma... – Regina sussurra novamente ao vê-la encolher-se diante da voz de Robin. – O que ele fez a você?

– Não é o que fiz! – Rebate. – É o que farei!

– Não! – Implora, largando sua espada e abrindo os braços. – Solte-a. Eu suplico, não a machuque.

– Vivemos para ver Regina implorar! – Bate os pés no chão como se a aplaudisse. – Pois muito bem, Regina. Você virá comigo e o palerma do seu irmão pode levá-la com ele.

– Nunca! – David esbraveja.

– Feito! – A gêmea o contraria.

– Despeça-se da sua Estrela e venha comigo agora mesmo. – Ordena. – Will, Gregory, para cá!

– Não receberá mais os nossos serviços, Locksley. – Gregory, em uma carranca, sacode a cabeça em negação. – Tamara e Pan estão feridos, Félix está morto pelos seus atos imprudentes. Você está sozinho a partir de agora!

Regina ignora os protestos de David e a discussão entre Hood e os mercenários. Aproxima-se de Emma e toma seu rosto entre as mãos, olhando-a com um pesar e uma serenidade que parecem esmagar seu coração.

– Você vai embora? – Emma a segura pela gola do fraque bordô. Seus olhos marejam. – Vai embora por minha causa?

– Não. – Consegue sorrir. – Não, minha Estrela. Vou embora para protegê-la. Mas eu voltarei. Pode esperar por mim e ir com David e Killian?

– Mas... – Sussurra entrecortadamente. – Não quero mais sentir sua falta como senti hoje... Como poderei brilhar se você for? – Uma lágrima lhe escorre. – E se eu nunca mais for capaz de sorrir? Você é... Minha Estrela Terrestre...

– Não diga isso. – Pede. – Você sempre sorrirá se depender de nós. E eu prometo que voltarei. Confie em mim... – Tira de seu bolso a joia do Porto, o Cristal Carmesim. – Confie e cuide deles até eu voltar. Todos nos desesperamos quando não a encontramos, todos nós. Eu lhe dei meu coração, lembra-se?

A Estrela silencia-se. O brilho ao seu redor escurece, se esvai. Ergue-se suavemente e beija-lhe o rosto, cabisbaixa. Regina sorri novamente, a última vez. Também a beija, mas na testa, por longos segundos, acariciando seus fios dourados.

– Vamos.

– Regina! – David clama.

A jovem aproxima-se de Robin, que não demora a amarrar-lhe as mãos na coluna e pressionar um punhal tirado do cinto em sua garganta. Começa a caminhar para trás, sem dar as costas aos outros, rindo de sua vitória. Emma não se vira para vê-la, encarando o chão, respirando com dificuldade.

– Mills... – Killian entristecidamente a encara e tenta em vão fazê-la mudar de ideia e fugir do arqueiro. E pensa que ela pode usar seus poderes de algum modo, atingi-lo, salvar-se, mas Regina é incapaz de pensar, mantendo seus olhos aflitos na figura encolhida que é Estrela sobre a grama.


'Cause you know that I can't do this on my own!
(Porque você sabe que eu não consigo fazer isso sozinho!)


De repente, um grito atrai todos os olhares. Emma. Seu corpo se contorce no chão e as mãos apertam desesperadamente as vestes, o peito, como se estivesse ardendo em uma dor inalcançável.

– Emma! – David liberta o aeronauta e ambos correm para ampará-la.

Killian a segura em seus braços. Os olhos estão comprimidos, os lábios tremem, está inteiramente trêmula, gritando baixo, como se a voz estivesse presa em sua garganta. Gregory volta ao bosque para saber de Tamara e Will aproxima-se cauteloso dos dois, temendo pela condição da Estrela, tão confuso quanto eles.

– Emma?! – Regina, ainda desajeitadamente andando de costas com Robin, alerta-se, perdida, como se os gritos dela golpeassem-na violentamente. – Emma!


Who will fix me now?
(Quem vai me consertar agora?)


– Emma, Emma... – David toca seu rosto, incapaz de fazer algo para aplacar as sensações que a atingem.

– Venha logo, Regina! – Robin a arrasta, ignorando-os.

– Não! – Grita. – Emma! O que está acontecendo com ela, Killian?!

– Eu não sei! – O moreno tenta tomar sua mão, mas o aperto de Emma sobre o próprio peito é forte demais, como se estivesse tentando abrir um buraco no tecido e na pele.

– Regina... – Emma murmura fracamente, abrindo os olhos.

– Killian... – David estremece ao ver as irises verdejantes perdendo a cor. – Killian, o que é isso? Por que isso está acontecendo?!

– Obedeça-me, maldição! – Robin puxa suas mãos amarradas bruscamente, fazendo-a cair sobre a terra, tentando rastejar-se até a Estrela ofegante.

– Emma! – O desespero rasga sua garganta ao vê-la contorcer-se novamente, sem voz.

O arqueiro, aborrecido com sua insolência, vira o punhal ao contrário, descendo a espiga na direção de sua prisioneira a fim de golpeá-la e neutralizá-la. Quando está perto demais de atingir seus objetivos, embora Regina dificulte debatendo-se, tentando livrar-se, mesmo sob ameaça.

Robin, porém, é impedido ao ouvir o ecoar de seu nome nos ouvidos. Uma voz que não poderia jamais ignorar e que reconheceria em qualquer lugar. Sua irmã mais nova, Merida.


Who will fix me now?
(Quem vai me consertar agora?)


O Sol da tarde enegrece tapado por uma sombra gigantesca que o faz tremelicar nas próprias pernas. Um dragão, não, um dragão imenso e majestoso, descendo em sua direção. O pavor o captura e seu corpo perde as forças, soltando-a. Regina desajeitadamente corre de volta à Emma, caindo de joelhos diante dela e dos rapazes assustados.

Surpreendentemente, o grito e o movimento brusco cessam. Emma controla sua respiração e seus braços caem ao lado do corpo, a cabeça tomba nas coxas de Killian. Conforme os olhos abrem e fecham, o verde vívido volta a iluminar a alma de Regina e alivia o aeronauta e o camponês.

– Emma... – Regina sequer percebe as lágrimas que escorrem em seu rosto.

– R... – Ela sussurra, encontrando seu olhar. Fraca, estende uma mão e a pousa em seu rosto. A pele gelada contra as lágrimas quentes. A morena pressiona a face em sua palma, soltando uma lufada de ar, como se estivesse se afogando e finalmente chegasse a superfície para tomar fôlego. – Regina...

– Você está... – Beija-lhe a palma, recuperando-se do susto. – Você está bem.

– E você está aqui... – O sorriso brilhante que surge em seus lábios faz David e Killian colocarem uma das mãos no ombro um do outro, afagando, cabisbaixos e mais aliviados do que nunca. O que quer que tenha acontecido findou-se.

No dorso dragão, Robin vê Lilith, Neal e um homem que desconhece. Mas o que finalmente o faz abandonar seu punhal e afastar-se de seu arco e flechas, próximos aos pés na terra, é a figura pequena de cabeleira ruiva que salta da criatura enfurecida cujas narinas exalam sopros fumegantes. Merida flexiona uma flecha em seu arco com tamanha facilidade, como se fizessem parte de seu braço, apontando-lhe, encarando-o firme e destemidamente, como nunca antes.

– Já chega, Robin. – A voz soa magoada e feroz. – Isso acaba agora.


Who will fix me now?
(Quem vai me consertar agora?)
Dive in when I'm down
(Mergulhar quando eu estiver lá embaixo)
Save me from myself
(Me salve de mim mesmo)
Don't let me drown
(Não me deixe afogar)

 

 

 


Notas Finais


Calmaria, caros leitores, calmaria. Espero que tenham apreciado. :)

Sei que vocês desejam ver Cora chegar até Regina e David. Eu garanto que não estamos distantes, mas a ideia da perseguição e do desencontro é minha parte favorita. O que acham que ela fará quando descobrir que sua filha se apaixonou pela Estrela Cadente?

E, apenas para recordar caso tenham se esquecido, o que Emma sentiu não foi semelhante a um momento entre ela e Regina no Jolly Roger, no Capítulo 9, "A Matter of Feeling". :)

Beijos e até o próximo!


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