História Hello - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Ian Somerhalder, Nina Dobrev
Personagens Ian Somerhalder, Nina Dobrev
Tags Drama, Nian, Romance, The Vampire Diaries
Exibições 81
Palavras 3.296
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi gente :)

Tudo bem com vocês?

Vamos ao terceiro capitulo? Espero que gostem.

Boa leitura!

Capítulo 3 - I Knew You Were Trouble


Fanfic / Fanfiction Hello - Capítulo 3 - I Knew You Were Trouble

Once upon time A few mistakes ago I was in your sights You got me alone You found me You found me You found me I guess you didn't care And I guess I liked that And when I fell hard You took a step back Without me, without me, without me ‘Cause I knew you were trouble when you walked in So shame on me now Flew me to places I'd never been Till you put me down, oh I knew you were trouble when you walked in So shame on me now Flew me to places I'd never been Now I'm lying on the cold hard ground Oh, oh, trouble, trouble, trouble Oh, oh, trouble, trouble, trouble


Era uma vez, alguns erros atrás eu estava na sua mira você me pegou sozinha. Você me encontrou. Você me encontrou. Você me encontrou. Acho que você não se importou e acho que gostei disso e quando eu me apaixonei intensamente. Você deu um passo para trás. Sem mim, sem mim, sem mim. Porque eu sabia que você era problema quando você apareceu, tanta vergonha em mim agora levou-me a lugares que eu nunca teria ido. Então você me pôs para baixo, oh. Eu sabia que você era problema quando você apareceu, tanta vergonha em mim agora. Levou-me a lugares que eu nunca teria ido. Agora eu estou deitada no chão frio e duro. Oh, oh, problema, problema, problema. Oh, oh, problema, problema, problema.


(I Knew You Were Trouble - Taylor Swift)




NINA


UM MÊS DEPOIS

 

— Dez minutos, garota!

 

As batidas fortes na madeira da porta me fizeram sobressaltar e fazer um pequeno malabarismo com o teste de gravidez que tinha nas mãos. Nas instruções dizia que deveria esperar cinco minutos e que a credibilidade do teste era de 99,9 por cento.

 

Eu me apaguei nesse 0,01 por cento como um naufrago se agarra em um bote salva vidas.

 

Desde que comecei a menstruar, nunca mesmo, aconteceu um atraso e agora eu tinha de lidar com esse de quase quinze dias. Não podia ser. Deus não podia fazer isso comigo, mas estava ali e estava acontecendo.

 

Positivo.

 

Cobri minha boca com a mão livre e abafei o choro que me fez sentir um nó gigante na garganta. Mas como isso era possível? Eu lembro de ter usado camisinha, eu lembro de eu mesma ter a colocado nele em todas as vezes em que transamos naquela noite. Mas não lembro de as ter conferido depois.

 

Isso era trabalho dele. Certo?

 

Apertei o pequeno objeto com tanta força que senti o plástico entortar e quase partir em dois.

 

O que eu ia fazer?

 

— Nikolina, cinco minutos!

 

Naquele momento eu tive de sair do box daquele banheiro, tive de lavar o rosto e respirar fundo. Tive de guardar tudo e empurrar o desespero ladeira a baixo.

 

Eu precisei virar a Halo.

 

— Grávida?!

 

Abby quase gritou e eu apenas assenti, segurando o choro e tentando me manter calma pra resolver aquilo.

 

Aquilo.

 

— Não me diga que é do...

 

— Nina, isso é você querendo dar um golpe no cara? – Janele murmurou e eu arregalei meus olhos. – Porque parece. – deu de ombros.

 

— Eu sei que parece! Eu sei que isso é horrível, mas eu juro que não é isso, digam que acreditam em mim, por favor? Eu estou desesperada, eu não sei o que fazer...

 

— Não chora! – nem percebi que estava chorando, mas os braços de Janele já estavam ao meu redor e Abby tinha minhas mãos entre as dela. – Antes de tudo você precisa saber o que vai fazer agora.

 

— Eu não sei!

 

— Quanto tempo você está?

 

— Acho que um mês e duas semanas, ainda não dá pra ver, mas meus quadris estão mais largos e meus seios doem tanto... Logo o James vai perceber e...

 

— E te mandar embora. – Abby disse em um suspiro e eu assenti.

 

— Você vai tirar? – encarei Janele e precisei pensar.

 

Minha mãe costumava me dizer que mesmo com todas as complicações da vida e perdas, ela nunca desistiria de nós. Nem quando soube que estava grávida de mim e meu pai estava desempregado. Ela me dizia que fazer algo assim era o mesmo que se tornar uma assassina, um monstro. Lembro que quando eu tinha doze anos, uma vizinha morreu graças a um aborto mal feito e quando perguntei a minha mãe porquê ela estava chorando ela me respondeu dizendo que não tinha dó nenhuma da mulher, mas sim da criança.

 

E eu nunca esqueceria aquilo, mas eu também não era minha mãe.

 

— Nina, você vai tirar?

 

— Vou. – eu deveria ter sentido algum remorso, algum sinal divino me indicando o aposto, um aperto no peito, mas tudo que eu senti foi a certeza de estar tomando a decisão certa. – Jan, você disse que sua prima fez...

 

— Sim. Numa clínica que fica no subúrbio, ela é ilegal... Como você é imigrante clandestina e lugares legalizados não atendem, fazem é de denunciar pro consulado!

 

— Consegue o endereço de lá pra mim? – sequei as lágrimas das minhas bochechas e ela assentiu. – Obrigado.

 

— Você não vai nem tentar falar com ele?

 

— Abigail, você sabe de quem estamos falando? De quem é o pai?

 

— O cara pode ser gente fina, Nina ! Pode te ajudar! É obrigação dele! Você sabe o quanto de mulher morre fazendo um aborto nesses lugares? – ela estava nervosa.

 

— E o que eu vou dizer? “Cara, lembra de mim? A gente transou e agora eu tô grávida, parabéns papai!”? – gesticulei. – Ele nem vai me ouvir! Ele nem deve lembrar da minha cara! Ele é o Ian Somerhalder, não o João da padaria!

 

— E, então, você nem vai dar uma chance pra essa criança?

 

— Que chance eu posso dar? Eu não posso nem fazer um pré natal sem correr o risco de ser deportada! Olha ao redor! Olha o lugar onde a gente vive! Tem mais viciados nesse prédio que em Louisiana toda! Eu vou perder meu emprego, ninguém paga pra ver uma grávida dançar! Que futuro esse bebê vai ter? O que eu posso dar pra ele?!

 

— O pai desse bebê é rico! – quase gritou e eu respirei fundo. – Milionário! Se ele não acreditar, faz a porra de um DNA e esfrega na cara dele!

 

— Abigail, eu já decidi o que vou fazer e não vou mudar de ideia!

 

Ela soltou minhas mãos e me encarou. Magoada e raivosa. Sacudiu os ombros largos e ficou de pé em seu um metro e setenta, o cabelo loiro escuro estava solto e úmido. Abby virou as costas e saiu do quarto batendo a porta.

 

— Sabe como isso é complicado pra ela... Logo ela volta e se desculpa. – Jan beijou minha testa. – Preciso ir, meu plantão começa em uma hora. Vou ver aquilo pra você. – assenti. – Amo você.

 

— Te amo também.

 


Acordei com a voz de Abigail me chamando e por um breve momento pensei estar atrasada, mas lembrei que era minha folga. Abri os olhos e bocejei, me encolhendo mais sob a coberta e resmungando de volta.

 

Eu nunca tinha sentido tanto sono na vida como nos últimos dias.

 

— Nikolina, acorda! Vou te mostrar uma coisa. – me virei um pouco e a vi sentada nos pés da cama, o notebook preto apoiado nas coxas e digitando sem parar. – Não vou te deixar abortar sem ao menos tentar...

 

— Abby, não... – afundei o rosto no travesseiro gelado.

 

— Vou te mostrar isso. – suspirei e me sentei na cama, passando as mãos no rosto e bocejando sem parar. – Me escuta. Eu pesquisei sobre ele...

 

— Você fez o que?!

 

— Aqui. – virou o notebook pra mim. – A gente acha de tudo na internet. Ele tem trinta anos... É sagitariano . – fez uma careta. Abby se ligava muito nisso de signos. – Mora num apartamento perto da Zona de Guerra, mas você sabe, você deu loucamente pra ele lá. – abriu uma página da Wikipédia. – Tem dois irmãos: Um homem e uma mulher .Está em viagem pra divulgação de uma série : The Vampire alguma coisa ... Ele tem um cachorro.

 

— Um cachorro bem preguiçoso. – lembrei e ela sorriu um pouco.

 

— A família dele mora num condomínio fechado em Sudbury e ele fica bastante lá, mas isso aqui é o que quero que você veja.

 

Ela clicou em uma das abas do navegador e abriu um site do que parecia ser uma escola. A foto de cabeçalho era de um prédio muito bonito, marrom e de aparência antiga.

Concord Youth Theather.

— Você quer que eu faça teatro?! – franzi o cenho.

 

— Não seja debochada, Nina . – rolou os olhos azuis. – A mãe dele, Edna Marie Capuano , é diretora desse lugar há anos. – arqueei uma sobrancelha. – Você pode falar com ela.

 

— Com a mãe dele?! – apontei pra tela do notebook.

 

— OK, parece estranho, mas ela é mãe... E pelo o que eu li, ela é extremamente coruja com ele! Chega a ser meio doido! Se você falar com ela, se abrir o jogo e contar sua situação, ela pode fazer a ponte entre vocês dois e...

 

— Abby, mesmo que eu fale com ele, eu não vou ter esse bebê.

 

— Mas ele pode querer ter! É dele! Se você não quer, deixa nascer e entrega pra ele, pra mãe dele... Mas não mata! – ela percebeu que já estava quase gritando outra vez e respirou fundo. – Escuta, sei que estou parecendo uma maluca, mas Nina , eu perdi o meu filho... Eu nem pude segurar ele ou ver o rosto dele e não posso só assistir você fazer isso. Esse bebê não tem culpa de nada.

 

— Eu preciso pensar.

 

— Então pense. – puxou um papel que estava entre seus seios e estendeu pra mim. – É o endereço de onde ela trabalha. Pega. – rolei os olhos e peguei o papel. – Vou te deixar dormir. – ela beijou minha testa e saiu depois de apagar a luz.

Eu apertei o papel e suspirei.

As paredes daquele lugar eram pintadas de cores alegres. Todo mundo ali parecia muito alegre. Haviam grupos de adolescentes reunidos e sentados no piso de porcelanato. Crianças menores corriam em um tipo de exercício sobre confiança e adultos os supervisionaram. Continuei parada e de pé, encostada em uma pilastra. Com o coração na mão e o medo triturando meu café da manhã que ameaçava voltar com tudo pelo meu estômago. Jan tinha conseguido uma consulta “clandestina” no hospital onde trabalhava e o médico confirmou a gestação e o tempo, me deu um exame assinado e carimbado junto com fotos de uma ultrassom que eu nem quis olhar. Na boate já existiam comentários sobre meus recentes enjoos e ganho de peso.

 

Eu precisei de quinze dias pra conseguir decidir a procurar.

 

O procedimento de aborto estava marcado para a manhã do dia seguinte.

 

Uma moça gordinha e com um rosto acolhedor parou na minha frente e sorriu simpática. Desencostei o corpo da coluna e apertei a alça da minha bolsa.

 

— Bem, mesmo você não tendo uma hora marcada parece ter sorte! Um compromisso dela foi cancelado e a senhora Capuano terá quarenta minutos livre. – assenti e sorri um pouco. – Dobreva, certo?

 

— Certo. – era engraçado como eles pronunciavam meu sobrenome.

 

— Me acompanhe, por favor?

 

A mulher se virou e começou a andar em direção as grandes portas de madeira. Eu a segui em silêncio, mas olhando ao redor. Vicente ia amar esse lugar, ele gostava tanto de arte e é o que mais existe ali. Os quadros enfileirados nas paredes pintadas de azul são lindos, são de paisagens e uns até abstratos. A iluminação era branca, é limpa assim como o chão e todo o resto. Existia um cheiro gostoso de flores e todas as pessoas que passavam por mim eram simpáticas e sorridentes.

 

Chegava a ser esquisito. Ela parou diante de uma porta branca e se virou depois de dar duas batidinhas na madeira. Uma voz forte e que me fez arrepiar autorizou e a mulher abriu a porta.

 

— Edna, a garota está aqui... Entre querida. Boa sorte! – sorriu outra vez.

 

Agradeci em um murmúrio e entrei na grande sala. O ar condicionado arrepiou ainda mais meu corpo e a porta bateu atrás de mim. A decoração era toda em tons pasteis, as persianas estava abertas e deixavam entrar ali um pouco da luz fraca do sol. Haviam dois sofás brancos em um canto, havia uma grande estante que tomava uma parede toda e estava cheia de livros. E no centro da sala, sentada a mesa grande de madeira e de aparência pesada, estava ela.

 

“Edna Marie Capuano. Diretora”

 

Li a placa prateada e engoli em seco. Edna ergueu os olhos azuis pra mim. Azuis, intensos e cheios de personalidade. Um olhar que até parecia acolhedor, mas me investigava dos pés à cabeça como num juízo final. A pele dela era pálida, o cabelo de um castanho mesclado com quase imperceptíveis fios brancos, suas roupas eram sérias e seus brincos dourados deveriam custar mais do que aquele prédio inteiro.

 

Fiquei um minuto inteiro parada ali, a olhando e sendo julgada. Sem conseguir me mover, sentindo minha bolsa pesar mais do que tudo e meus pés se fundirem com o chão.

 

— Nikolina Dobreva? – assenti. A voz dela era ativa, era alta e autoritária. Não condizia com o olhar que ela me dava. – Pode se sentar, querida.

 

Foram quatro passos até chegar a cadeira marrom com acolchoado vermelho. Eu me sentei e coloquei a bolsa em meu colo. Observei os porta-retratos sobre a mesa e reconheci Ian em dois dele.

 

— Me disseram que você veio até aqui por causa do nosso programa de bolsas pra imigrantes, certo? – assenti uma vez. – Você é muito bonita... – pegou um formulário rosa. – Aqui diz que você dança. Já é uma coisa...

 

— Senhora... Eu menti. – Edna ergueu os olhos pra mim e eu quase cai da cadeira. – A razão de eu estar aqui é outra, um pouco complicada... Mas eu preciso que a senhora me escute...

 

— Estou escutando. – largou o formulário e tirou os óculos de leitura.

 

— Eu... – abri a bolsa e tirei de lá os papeis dos exames e ultrassom. – Há dois meses o seu filho... O Ian , foi até onde eu trabalho e nós dois... Nós...

 

— Você transou com ele? – ela disse isso como se tivesse acostumada a lidar com isso. Eu assenti envergonhada. – E o que você quer?

 

— Eu estou grávida.

 

A frase saiu baixa, mas ela pareceu ouvir. Estendi para ela todos os exames e depois a ultrassom. Edna os pegou e olhou desinteressada, abriu a ultrassom e paginou até o fim. Meu coração estava tão acelerado que parecia querer pular pra fora, minhas mãos estavam suando e a lentidão dela estava me matando. Ela calmamente arrumou os papeis, os colocou na minha frente e suspirou, cansada.

 

— E o que exatamente você veio fazer aqui, me cobrar os parabéns?

 

— Não, eu só queria que a senhora me ajudasse a conversar com ele, tenho noção do quanto isso parece estranho, mas eu faço o teste de DNA se ele quiser, não estou mentindo...

 

— Você não vai conversar com o meu filho, menina. – pisquei algumas vezes e senti meu estomago embrulhar. – Tem ideia de quantas vezes isso já aconteceu? Ou ainda vai acontecer? Uma garota me aparece do nada e diz que está grávida dele? O que você pretende? Tirar dinheiro dele?

 

— Eu não quero isso, eu só...

— Cala a droga da sua boca antes que eu ligue pra polícia e te faça voltar pro seu país de merda, Nikolina! – aquilo me calou e eu me encolhi na cadeira. – Vocês se aproveitam dele e depois acham que podem tirar alguma coisa do meu filho? O pai dessa criança deve ser alguma viciado pra quem você abriu as pernas, mas é mais vantajoso vir atrás do meu filho! O que você faz?! Ele te conheceu onde?

 

— Eu danço... Numa boate.

 

— Era só o que me faltava! – ela riu sem humor nenhum. – Uma prostituta aparecer no meu trabalho dizendo que está grávida do meu filho! Você nem deve saber quem é o pai, não é? Eu conheço o seu tipo... Que sai do país de terceiro mundo e aproveita pra dar um golpe em alguma americano otário, mas não com o meu filho! – fez que não com o dedo. – O Ian nunca, nunca, se prestaria a transar sem proteção com uma mulher igual a você... – me olhou de forma enojada e negou com o rosto.

 

— Senhora, eu não sou uma prostituta... Eu estou dizendo a verdade, os exames estão com as datas de concepção e se a senhora mostrar pra ele, o seu filho pode confirmar. – minha voz já estava chorosa, o nó na minha garganta me fazia arfar. – Eu só não quero ter de... De tirar esse bebê, ele não tem culpa...


— Eu quero que você e essa criança vão para o inferno, menina. – Edna ficou de pé e ela parecia tão maior que eu, tão imponente e forte. – Agora eu quero que você vá embora, quero que você tenha um pouco de vergonha na cara e não se atreva a procurar o meu filho! Estou sendo benevolente em não te fazer ser deportada, mas eu juro que se você se aproximar dele ou sequer tentar falar com ele, vou fazer dessa sua vida de merda um inferno. – ela caminhou até mim, seus saltos ecoando no piso e sua respiração alta, segurou meu braço com força e com um puxão me fez ficar de pé, me fazendo tropeçar até a porta e a abrindo. – Suma daqui!

 

Edna me empurrou pra fora e eu cai de joelho antes de ouvir a porta bater. Fiquei de pé às pressas e praticamente corri até sair daquele lugar. Corri tentando controlar as lágrimas que queimavam meus olhos e o sentimento de desespero que crescia no meu peito.

Eu me perdi.

Caminhei por horas sem saber por onde, com a voz dela dentro da minha cabeça repetindo todas aquelas coisas e me acusando de ser algo que eu nunca fui. Aquelas palavras me quebraram de uma forma que talvez eu nunca pudesse consertar. De repente todas as pessoas pareciam olhar pra mim da mesma forma que ela olhou: como se olha pra um verme. E eu chorei um oceano inteiro, eu chorei em silêncio, no meu lugar, abaixo dela e abaixo de qualquer outra pessoa.

 

Abaixo dele.

 

A garoa virou chuva, o céu escureceu e algo frio nasceu dentro do meu peito. Mais de cem vezes eu desejei que aquele feto dentro de mim não existe, desejei nunca ter deixado aquele homem tocar e mim, nunca ter procurado aquela mulher. Eu os odiei com todas as minhas poucas forças e odiei aquilo que crescia dentro de mim porque era um pedaço dele, era dele.

 

— Olha por onde anda, maluca!

 

O impacto no meu corpo me fez cambalear um pouco pro lado e erguer os olhos pra me desculpar, mas o que eu vi me fez querer gritar com todas as minhas forças. Em um outdoor, se destacando, eu vi a imagem dele , o cabelo estava mais claro e sem barba nenhuma. Parecia tão jovem, tão inofensivo, tão limpo.

 

Extremamente bonito.

 

E eu cogitei bater na porta dele e jogar pro alto todas aas coisas que ficaram entaladas na minha traqueia, mas aquela mulher disse que me denunciaria pra polícia e eu teria de voltar pra Bulgária , pra onde eu sabia que não era mais bem vinda.

 

Um fio gelado desceu pela minha espinha, meu estomago se remexeu como se uma bomba tivesse explodido dentro dele ele e eu corri até a grande lata de lixo perto do hidrante, vomitando o meu café da manhã, atraindo a atenção de quem passava e os fazendo desviar o caminho pra não se aproximar do meu corpo.

 

Enquanto aquela coisa asquerosa subia pela minha bile e era despejada dentro da lixeira eu encarei o rosto dele mais uma vez e o enjoo ficou ainda pior.


Notas Finais


Comentem :)

Até o próximo!


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