História Her Eyes - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Laura Prepon, Orange Is the New Black, Taylor Schilling
Personagens Alex Vause, Personagens Originais, Piper Chapman
Tags Alex Vause, Laura Prepon, Laylor, Morello, Nicky, Piper Chapman, Taylor Schilling, Vauseman
Visualizações 234
Palavras 3.482
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Orange, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa noite! Olha quem voltou com aquele pedido de desculpas por conta da demora.

Boa leitura e perdoem os erros. Nos encontramos nas notas finais!

Capítulo 14 - Mudanças


Fanfic / Fanfiction Her Eyes - Capítulo 14 - Mudanças

Alex POV

A noite anterior não poderia ter acontecido de forma diferente. Entre músicas e um clima harmonioso, pude repousar meu corpo ao lado de quem eu venerei durante toda a noite. Nunca terei explicação concreta sobre o que eu sinto ao encontrar a dona daqueles cabelos loiros, bagunçados, ao meu lado na cama. Aos poucos, tudo tomava um rumo todo nosso, com nossas coisas. Resolvi me mudar para um das propriedade que Edward tinha comprado. A casa era muito melhor para morar com Piper, então resolvi me mudar com ela. Hoje podemos começar a trazer um pouco de suas coisas para cá, para que Carl tenha seu espaço no apartamento e organize suas coisas, já que eu já tinha meus móveis todos por lá.

Eu já tinha passado um tempo nessa casa, mas depois que engatei numa relação com Sylvie, decidi que não queria que ela ficasse naquele lugar porque era um ambiente quase sagrado para mim, só para alguém que realmente merecesse. Piper merece isso e muito mais. O lugar ficava perto de onde Nicky e Lorna tem seu espaço.

Levantei mais cedo do que o normal para ir até a gravadora resolver algumas coisas, já que meu pai está organizando os últimos detalhes para mais uma lua de mel ao lado de sua doce Diane. Não acordei Piper, pois seria um pecado interromper um sono tão puro e profundo. Comprei seu café da manhã e deixei na mesa, acompanhado de um bilhete, antes de sair.

“Minha Piper,

tenho que resolver algumas coisas no trabalho. Não demoro o dia todo. Prepare uma roupa confortável para que possamos organizar suas coisas em nossa casa.

A propósito, obrigada pela noite de hoje. Mal posso esperar para desfrutar mais momentos como aquele.

Tenha um bom dia e aproveite o café da manhã.

Al.”

Imaginei o sorriso que ela estamparia no rosto ao encontrar o pequeno agrado e não pude evitar de sorrir também.

Dei graças aos céus pelo trânsito tranquilo, senão chegaria atrasada para a reunião que marquei. O sol ainda estava fraco, mas já dava indícios de um dia caloroso. Por um instante, senti falta de toda a neve e do caos que ficava a cidade em dias de inverno. Eu, particularmente, amava o clima frio e chuvoso, como se uma paz automaticamente se instalasse por todos os cenários.

Alguns minutos depois estacionei o carro na vaga de costume. Entrei na gravadora e cumprimentei todos, assim como todos os dias.

— Bom dia, Vause! Madrugou hoje, nem parece que é a filha do dono — abracei Lorna e ela retribuiu o abraço.

— Bom dia, Lorna. A filha do dono tem uma reunião agora, porque o dono está a caminho da lua de mel com sua adorável Diane.

— Eles merecem, são maravilhoso — concordei. — Como está a Piper?

— Está dormindo e tenho certeza que não acorda tão cedo! — sorri.

— Entendo. Nicole está num sono tão profundo quanto. Tenho certeza que vai acordar com uma ressaca terrível, bem feito. Não sei como aguenta beber tanto.

— Ela não aguenta, Morello — expliquei. — Ela só acha que aguenta.

— Da próxima vez, ela fica sozinha.

— Coloca ordem, isso mesmo.

Lorna assentiu e caminhou em direção a sala de reuniões.

— Não demore, Vause.

— Pode deixar.

Entrei na minha sala e coloquei minha bolsa no sofá mais próximo a minha mesa. Comecei a organizar os papéis e explicativos da reunião para não demorar muito. Ainda estava cedo, os assessores e agentes ainda não tinham chegado, juntamente com os empresários amigos de longa data do meu pai.

Fiquei distraída com os papéis e senti braços ao redor da minha cintura. Estranhei o toque, não tinha nada familiar. Num impulso, girei meu corpo e dei de cara com Amie me olhando com um sorriso malicioso no rosto.

— Amie, que susto, garota. Não faça essas coisas mais.

— Bom dia, Vause — disse, sorrindo, dando um beijo no meu rosto, bem próximo aos meus lábios. — Trouxe um café para você.

— Não precisava se preocupar, obrigada.

— Sempre será um prazer ajudar com suas necessidades — sorriu novamente. — Sei o quanto gosta de tomar um café forte e amargo pela manhã.

— Obrigada, mais uma vez — sorri de volta. — Preciso da lista de convocados para a reunião de hoje, por favor. E de quem confirmou. Você pode fazer isso por mim?

— Até mais que isso! Já trago para você.

Quando dizem que nós mulheres não implicamos com pessoas erradas, estão certos. Amie estava se jogando para cima de mim, Piper enlouqueceria só de imaginar uma coisa daquelas. Resolvi não pensar nisso e ir me preparar para a reunião.

Logo Amie voltou com os papéis e nós fomos para a sala de reuniões com tudo pronto.

A reunião tinha dois focos principais: o primeiro era com os musicistas que estão com contrato conosco. Algumas coisas tinham que ser planejadas, como divulgação dos discos e acerto de músicas. E, por fim, teria que combinar com os empresários o local exato de onde poderíamos instalar a gravadora em LA. O projeto de expansão das filiais estava a todo vapor, algo que meu pai decidiu por impulso há quase um ano. Enfim ele veria tudo da forma que planejou e eu estava feliz por fazer parte disso.

Após a reunião com os artistas, os dispensei para poder conversa com os empresários. Não demorei mais do que o necessário e logo me despedi de todos, agradecemos as suas respectivas presenças​ naquela manhã. Peguei minhas coisas e fui até minha sala. Amie estava sentada no sofá, mexendo em alguns papéis em sua bolsa. Assim que entrei, ela sorriu largamente.

Confesso que aquele clima com Amie já estava me irritando profundamente. A mesma já me conhecia e conhecia Piper, não mediria esforços para esboçar meu descontentamento com suas atitudes.

— Alex, eu já estou com todos os contratos em mãos. Lorna, Vick, Thomas, todos precisam ser acertados até semana que vem.

— Tudo bem então. Deixe em minha mesa e segunda eu já organizo tudo.

— Pode deixar — Amie me olhou. — Ei, Alex?

— Sim?

— Quer fazer alguma coisa agora? Almoçar, sei lá…

— Oh, não posso agora. Deixei minha namorada dormindo em casa e hoje temos que resolver algumas coisas da mudança. Sinto muito, Amie — olhei em seus olhos e pude sentir uma raiva interna, coisa que não liguei.

— Sem problemas — sorriu. — Deixe para outro dia. Até mais, senhorita Vause.

Antes que eu pudesse responder, Amie saiu batendo a porta. Sorri, vitoriosa.

Organizei tudo o mais rápido possível e fui para casa. O relógio já marcava 11h30 então eu ainda estava no horário. Ao abrir a porta principal, notei inúmeras caixas no chão: uma bagunça e tanto! Escutei a música alta e a voz da Piper. Observei disfarçadamente e constatei uma imagem um tanto quanto engraçada. Piper estava cozinhando, vestida apenas com uma calcinha e uma blusa extremamente larga e comprida. Seus quadris rebolavam no ritmo da música e suas mãos estavam no ar, seguindo o mesmo. Eu só conseguia sorrir para aquela cena, encantada. Piper poderia ir do sexy ao ingênuo num piscar de olhos e isso sempre me deixou fascinada.

Sorte. Era isso que eu tinha simplesmente por encontrá-la em meio a uma multidão de pessoas perdidas. Não precisaria de mais nada se aquele ser estivesse sempre ali. Sempre me sinto bem despertar com a certeza que aquele sorriso ainda estará no seu rosto por mim. Eu tinha a imensa necessidade de seus toques e abraços diários. Então, sem que ela pudesse perceber, agarrei sua cintura por trás e dei um beijo em seu pescoço.

— Por que você é tão adorável, hein? — outro beijo em seu pescoço. Piper continuou com a dança, me provocando.

— Me responda você.

Então ela girou o corpo, parando a centímetros do meu rosto, possivelmente sentindo as batidas do meu coração. Segurei sua cintura, firme, e ela enlaçou seus braços ao redor do meu pescoço. Um sorriso tímido surgiu em sua feição, destacando a covinha na sua bochecha direita. Sem mais resistências, selei nossos lábios num beijo urgente e cheio de mãos.

— Bom dia, meu amor — ela disse, ainda sorrindo.

— Bom dia, Pipes.

— Eu estou fazendo o almoço — sorriu. Depois que nos conhecemos, ela vinha tentando cozinhar com mais frequência e confesso que estava se saindo bem. — Fui até meu apartamento e já trouxe tudo que estava separado. Carl me ajudou com isso, não se preocupe.

— Eu lembro de ter pedido para me esperar.

— Eu sei. Mas agora é só organizar as coisas, aí você me ajuda.

— Tudo bem, senhorita Chapman. Vou tomar um banho e logo desço.

— Okay, amor — antes de ir, Piper me puxou para um abraço. — Eu te amo.

— Eu também te amo, meu amor.

XXXX

Logo estava de volta a sala. Escolhi a sequência de músicas e fui acabar de esvaziar os espaço da minha casa para que Piper tivesse um lugar seu também. Muitas coisas iriam para outro cômodo, outras coisas para o lixo e até as paredes teriam uma tonalidade diferente. Resumindo: minha casa estava uma bagunça. Já imaginando o trabalho que a organização daria, liguei para Nicky para que ela viesse juntamente com a Lorna.

— Espero que seja algo realmente importante para ter atrapalhado minha soneca, Vause.

— Boa tarde para você também, Nicole!

— Estou com sono. Vai falando.

— Acho que preciso de ajuda aqui. Tenho que organizar minha nova casa. Você poderia vir para cá com a Lorna?

— Vamos tomar um porre depois? — sorri. Claro que Nicky falaria em bebidas.

— Fique a vontade para tal feito.

— Então chegamos em 30 minutos, deixe tudo no esquema.

— Obrigada, Nicky! Até logo.

Desliguei o telefone e fui até a sala de jantar, onde Piper já arrumava tudo para o almoço.

— Hey, Pipes, Nicky vem nos ajudar a organizar as coisas — puxei a cadeira para que ela pudesse sentar.

— Okay, Al. Eu pedi ajuda para o Carl também, ele disse que logo vem, hoje não tem plantão.

— Então tudo bem. Vamos almoçar porque temos muito trabalho pela frente.

— Temos mesmo, Al.

Almoçamos entre amenidades. Não deixava de ressaltar o quanto amava Piper, fazê-la feliz era minha mais nova missão. Não demorou para que NIcky e Lorna chegassem, e Carl chegou alguns minutos depois.

Fizemos uma nova divisão. No andar de baixo: sala de estar, sala de jantar, cozinha, dispensa, banheiro, um pequeno estúdio, uma singela academia e uma espécie de biblioteca porque, segundo a Piper, eu tinha livros demais para deixar no quarto. Piper também disse que usaria o espaço de fora para fazer um jardim, não seria nenhum problema, do outro lado da piscina havia uma boa parte que poderia ser utilizada da forma que ela preferir. Organizamos a sala com nossas coisas, com novas fotos nossas e com nossas respectivas famílias. No andar de cima, nosso quarto tomou o destaque. Liberei um espaço e tanto do closet para que Piper pudesse colocar suas coisas. Deixamos o quarto com nossa cara, sem mudar muita coisa do que tinha. Piper acrescentou uns quadros que ela gostava e completou a decoração do ambiente. Não mudamos nada dos dois quartos de hóspedes, não encontramos necessidade. Sobraram então dois espaços onde decidimos montar nossos escritórios. Eu precisava de um lugar para as coisas do trabalho e Piper logo teria que ter um espaço para organizar suas coisas também, pois começaria a escrever e dirigir peças e, quem sabe, até algo maior. No final, os móveis estavam ordem e só faltava algumas coisas.

Fizemos uma pausa para comer algo, já passava das 22h. Piper seguiu com Lorna até a cozinha para preparar nossa refeição. Como sempre, as duas gostam de inventar na cozinha.  

Enquanto elas estavam no momento chef, Carl, Nicky e eu começamos a olhar algumas fotos que estavam numa caixa perto do sofá.

— Olha essa, Al. Que bundinha linda, Pipes! — Nicky achou uma foto da Piper da banheira. Ela sorria, deitada de bruços.

— Realmente! E ainda é linda! — concordei.

— Qual é! Vocês estão falando da bunda da minha irmã — Carl se pronunciou, fazendo todos rirem. — Não quero saber desses detalhes.

— Não podemos fazer nada se a Chapman tem uma linda bundinha, Carl — Nicky recebeu um empurrão de leve.

— Vocês podem parar de falar da minha bunda, por favor? — Piper se pronunciou, saindo da cozinha com o jantar em mãos. Levantei rapidamente para ajudá-la a colocar as coisas na mesa. — Obrigada, Al.

— Vamos nos alimentar logo e voltar para o trabalho — Lorna nos chamou para nos juntarmos a ela na mesa e assim fizemos.

Não demoramos para retornar ao trabalho. Finalizamos tudo de forma completa. As paredes que Carl pintou já tinham secado, então pudemos colocar tudo no lugar. No final, acabamos às 4h. Exaustos, deitamos no chão da sala e respiramos um pouco enquanto dividíamos um vinho.

— Ficou tudo lindo, meninas! Estou muito feliz por vocês — Lorna sorriu em nossa direção.

— Obrigada, Lor. Muito obrigada pela ajuda de todos vocês, queridos — Piper agradeceu e eu assenti, concordando com cada palavra.

— Eu só desejo muitas felicidades para meu casal preferido! — Carl completou. — E, Alex, desejo que você tenha uma irmã gêmea, hétero, perdida por aí, porque olha… — Piper jogou uma almofada no irmão e eles começaram uma guerra, fazendo todos rirem.

— Isso seria, no mínimo, engraçado, Carl! — Respondi.

— Pare de paquerar minha namorada, Carl Chapman! — Piper o repreendeu, vindo pro meu colo e beijando meus lábios.

— Eu não posso negar a verdade, Pipes, sua namorada é linda.

— Eu sei… — Piper me olhou, do mesmo jeito apaixonado de sempre. Com aquele primeiro olhar que me fascinou. Os olhos dela, sem dúvidas, sempre seriam minha perdição preferida. Sendo assim, retribuí o mesmo olhar apaixonado.

— Bom, agora eu tenho que ir. Tenho que estar no hospital daqui a pouco.

— Tudo bem, Carl, eu te levo até a porta.

Levantei e caminhei até a porta. Carl se despediu das meninas e os escutei marcando algo para a próxima semana. Logo em seguida, ele veio em minha direção, com um sorriso lindo no rosto.

— Obrigada por hoje, Carl, de verdade. Se vocês não estivessem aqui, isso aqui estaria uma bagunça ainda.

— Não me agradeça por nada, Alex, na verdade eu que te devo muito — olhei para ele, sem entender. — Eu nunca mais tive a oportunidade de presenciar minha irmã com aquele sorriso sincero no rosto. Aquele sorriso sempre foi o mais importante para mim — fez uma pausa, como se lembrasse de alguma coisa. — Eu serei eternamente grato por você restaurar a felicidade na vida da minha irmã.

— Saiba que aquele sorriso é o que me fortalece todos os dias, Carl, eu é que sou grata por ele existir — Carl sorriu para mim.

— Ele só existe por sua causa, cunhadinha. Sabe, Al, a Piper sempre foi a garotinha moldada por minha mãe. Ela sempre fez tudo que Carol Chapman quis e sonhou. Quando ela resolveu vir para NY estudar o que ela sempre quis, meus pais apoiaram, mas isso fez Carol sair dos planos ideais que ela teve para Piper. É prazeroso ver Piper no caminho que ela sempre quis — fiquei surpresa com aquelas informações que eram desconhecidas para mim. — Então, Alex Vause, obrigada por ser um ser abençoado na vida da minha Pipes.

“Ser abençoado”, não soube se eu realmente era. Eu acreditava que existia algo divino, verdadeiro, que colocasse tudo em ordem, mas de longe me imaginava ser o ser abençoado. Se alguém daquela história teria que ser o ser abençoado, essa pessoa obviamente seria Piper. Ela possuía a beleza moldada por anjos celestiais, com o sorriso límpido e real. Piper não era apenas uma garota bonita: Piper era a pessoa mais radiante e abençoada que eu pude conhecer e eu seria eternamente grata por isso.

— Obrigada pelas palavras, Carl — frisei, com um sorriso no rosto. — Acho que você me enxerga dessa forma porque Piper está ao meu lado; ela me torna abençoada. E só de ter o prazer de conhecê-la, eu realmente me sinto assim.

— Vida longa ao amor de vocês. Contem comigo sempre.

Num abraço, nos despedimos. Voltei o olhar para a sala de estar observando como eu tive sorte. Ali estavam três pessoas que sempre foram importantes para mim, cada qual com seu jeito e cada qual com um período de tempo que só se estendia. Ali, entre aqueles sorrisos ao observarem aquelas fotos da infância de Piper, eu realmente me senti feliz, como se uma chama enorme estivesse acesa no meu peito, me deixando em alerta para os novos sentimento. Eu não era o ser abençoado da história: eu apenas tinha sido abençoada e agraciada com o amor daquelas pessoas presentes em minha vida. E, ali, eu definitivamente pude me sentir feliz.

Feliz e abençoada.

XXXX

Não sei por quanto tempo ficamos acordadas durante aquele dia, após Carl ir embora. Entre conversas regadas de vinho, adormecemos na sala, uma ao lado a outra. Piper dormia profundamente ao lado de Lorna e Nicky não estava presente mais. Levantei e caminhei até o banheiro para lavar o rosto e escovar os dentes. Ao me olhar no espelho, constatei uma figura de cabelos bagunçados e cara amassada e sorri com as lembranças da noite que passara.

Depois de uma rápida higiene matinal, caminhei até o lado de fora da casa e encontrei Nicky sentada na beira da piscina. Ao notar minha presença, ela sorriu.

Nicky sempre foi a melhor amiga imbatível. Era para ela que eu ligava quando estava feliz, quando estava triste e com raiva. Era ela que me ajudava a lidar com as situações difíceis que a vida nos dá, mas Nicky sempre tinha um ensinamento de vida, algo que me deixava mais leve. Era só ela que tinha o poder de me manter forte e ela se apoiava da mesma forma em mim.

— Sabe, Vause, eu não quero admitir isso — fez uma pausa. — Mas eu estou profundamente feliz por você ter encontrado a Piper.

— Obrigada, Nicky. Você sempre será minha melhor amiga e fiel companheira.

— Era esse o nosso lema na adolescência, Vause.

— Exatamente, Nicole!

— Saudade daquele tempo e ao mesmo tempo não. Nós continuamos nos divertindo, mas era tudo tão mais fácil…

Assenti. Nossos olhares vagaram em direção ao movimento das folhas no chão. De certa forma, nada tinha mudado no espírito de diversão que nos unia. Ainda éramos as mesmas trapalhadas de sempre.

— Lembra daquela vez que fomos matar aula e você caiu do muro? — Nicky gargalhou.

— Como esquecer isso, Vause? Quebrei dois dentes e um braço naquele dia, foi emoção demais para esquecer.

Nossas risadas se misturavam e mais lembranças foram chegando em nossas mentes. Mais uma vez, perdi a noção do tempo enquanto conversava com minha antiga amiga, tendo cada vez mais certeza que aquilo que tínhamos​ jamais se apagaria.

— Só temos coisas boas para contar para nossos filhos, Nicky.

— Sem dúvidas! Até podemos fazer uma coleção de livros: “As aventuras das amigas loucas e lésbicas”

— Loucas e lésbicas. Acho que nos chamavam assim também — sorrimos juntas.

— Nos chamavam de muitas coisas — concordei. — Pelo menos você, chamavam de louca, lésbica e gostosa. Eu só era louca e lésbica mesmo — não pude conter mais um gargalhada.

— Ah, qual é! Seu cabelo parecia com o do Hagrid de Harry Potter. Claro que achavam que você era louca.

— Odeio Harry Potter, Alex.

— Eu sei, eu também.

— Por essas e outras que somos amigas, Vause.

— Por essas e outras.

Nicky não admitiria seu amor por mim assim tão fácil. Dizer que "por essas e outras" eram amigas, simbolizava o seu “eu te amo”. E, por mim, já estava de bom tamanho.

— Bom, vamos acordar aquelas duas. O  dia está ótimo para ficar na piscina — concordei e caminhamos em direção a casa.

— Já acabaram o momento família de vocês? — Lorna caminhou até Nicky e selou seus lábios. Piper estava no cantinho, rindo do comentário da amiga. — Nós observamos tudo.

— Tudo mesmo, meninas — Piper concordou, caminhando em minha direção. — Bom dia, Al.

— Vocês são terríveis! — Abracei Piper e lhe roubei um beijo. — Bom dia, meu amor.

— Sim, já acabamos nosso momento e vamos esquecer isso. O dia está ótimo para ficar na piscina.

Ninguém discordou da proposta. Aquele seria mais um dia de conversas sinceras e carinho certeiro.

 

 

 

 


Notas Finais


Capítulo leve para não matar ninguém do coração (por ora). Quero agradecer aos comentários de incentivo de vocês e me desculpar por essa ausência toda. A vida nem sempre é tão simples e os bloqueios são inevitáveis. Também quero agradecer a galera que tá chegando agora, sejam bem-vindos ao meu pequeno espaço de alívio rs.

Sem mas, espero que estejam curtindo a história.

Até logo! 🤓❤


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