História Her name is Alice - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Palavras 2.693
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


"Lisez les instructions et directement, vous serez dirigé dans la bonne direction!"

Bonne lecture <3

Capítulo 22 - ...mas deixar a dor


Fanfic / Fanfiction Her name is Alice - Capítulo 22 - ...mas deixar a dor

            – O que você não me contou, Kai? – Pergunto, mas ele faz o favor de não me responder enquanto encarava Bayard, parecendo querer comer o intestino do garoto naquele momento.

            – Já disse que estou em paz, Pietro. – Bayard caminha rápido até ele. Tão rápido que eu nem tive tempo de impedir o soco desferido no rosto de Kai segundos depois. Logo Pietro segura na gola da camisa do garoto, com o rosto quase explodindo de raiva.

            Certo, eu gostaria muito de entender o que estava acontecendo

            – Você e seu povo não sabem o que é paz! Devo lembrar o massacre, Coringa? Você ainda quer falar sobre paz? – O corpo de Kai é atirado para longe, o que me faz arregalar os olhos, indo até Pietro segurando em seus ombros, obrigando-o a olhar pra mim.

            – Escuta, Bayard! Você precisa se acalmar. Não pode devolver pro mundo a maldade que fizeram com você, certo? Eu posso não saber o que aconteceu, mas sei que Kai está arrependido de ter feito o que fez. – Bayard ri nasalado, negando com a cabeça.

            – Você não entende mesmo, né Alice? Isso não vai se resolvido na conversa. Estamos longe disso. Estamos longe de alcançar a paz enquanto ninguém por aqui sabe escolher seus aliados direito! – Ele rosna a última parte, olhando para Kai com ódio estampado no olhar castanho.

            – Eu não escolhi aquilo, Pietro! – Kai grita, tentando limpar o sangue que escorria de seu nariz. – Não teria escolhido se pudesse decidir, mas é a Nicole que governa as coisas por lá. Eu não tenho poder nenhum dentro do castelo.

            – Você é filho dela! – Eu franzo o cenho, fitando o Coringa por cima do meu ombro. Ele, embora quisesse manter a postura, possuía um olhar inegavelmente assustado. Pietro não parecia ter terminado, e sua raiva parecia aumentar com cada palavra que saía da boca de Kai. – Você mente como ela e cheira a tirania como ela!

            – Eu não sou como ela! – Coringa grita, levantando-se da neve com certa dificuldade, negando com a cabeça. – Não sou como ela, Bayard. Eu não posso dizer que me arrependo porque não foi uma escolha minha, mas posso dizer que sinto muito por você e por todas as perdas do seu povo. – Eu continuava com minhas mãos nos ombros de Pietro, tentando segurá-lo e acalmá-lo, e pude notar sua respiração acalmando-se aos poucos. – Como prova de que não sou um deles, aqui estou eu, ajudando quem deveria ser meu inimigo. Tudo que aconteceu no passado ficou no passado pra mim, Bayard.

            Bayard respira fundo mais algumas vezes e chega a rosnar para Kai, parecendo estar num conflito interno entre aceitar suas desculpas ou matá-lo de vez. Mas ele optou pelo primeiro quando soltou-se de minhas mãos e foi até Coringa, ajudando-o com o sangue em seu rosto e dando tapinhas amigáveis em seu ombro.

            – Aceito sua compaixão, Kai. Mas isso não nos torna amigos, e minha confiança continua no zero. – Coringa assente, sorrindo de lado.

            – Seria um pouco de mais pedir sua confiança depois de tudo que fizeram com você e sua família. Pra mim, por hora, é o suficiente que tenha aceitado minhas sinceras desculpas. – Pietro assente, fitando o próprio corpo. – Tenho roupas que podem servir em você.

            – Eu agradeço.

            Retornamos para o acampamento em um puro e completo silêncio. Kai andava com pressa mais a frente, e Pietro ia logo atrás comigo na forma de lobo. Ele murmurou que era bem vergonhoso andar nu por aí, e disse que era mais forte na forma de animal, então era melhor que ele andasse assim por ali. Não sabíamos que perigo nos aguardava em meio às árvores.

            Ao chegarmos no local, Kai entrega alguns tecidos para ele. Pietro os abocanha e caminha para dentro da floresta novamente, deixando-me sozinha com Kai. Momento perfeito para explicações.

            – Olha, eu sei que você deve estar cheia de perguntas... – Ele começa, como se tivesse lido minha mente.

            – Ainda bem que você sabe. – Murmuro, cruzando meus braços. – Por que não me contou? Foi por isso que me disse que odiava Beatrice da ultima vez que conversamos sobre?

            – Eu não podia contar porque você iria me odiar e... Eu quero te ajudar, Alice. Sei que essa jornada é sua, mas eu... Eu quero muito te ajudar.

            – Comece me contando o que tem pra me contar. É um ótimo início.

            – Certo. Eu sou filho de Nicole Rouge. Por isso me chamam de Coringa.

            – Sim! Uma carta de baralho. – Rio nasalado, negando com a cabeça. – Como eu fui tão estúpida? Bem que Ian... – Ele me interrompe.

            – Alice, eu sinto muito não ter te contado antes. Eu só... Tive medo, tá? Medo do que você iria fazer e do que iria achar de mim. – Suspiro, caminhando até ele e aconchegando o seu rosto entre minhas mãos, fitando seus olhos.

            – Nada mudou. Você continua sendo meu parceiro dessa viagem, e a sua ajuda é muito bem vinda. Eu só não queria ter tomado esse choque, ainda mais vindo da boca de outra pessoa. Você podia ter me contado. Nicole é uma grande inimiga pra nós, embora você não goste da Beatrice. – Ele assente, puxando-me pela cintura e me abraçando apertado, parecendo perdido por alguns segundos.

            Na verdade, éramos dois perdidos naquele momento.

*  *  *

            Eu e os dois rapazes passamos mais tempo andando por entre as grandes árvores de caules escuros que erguiam-se como sentinelas por todo o local. Meus pés afundavam na neve, e tínhamos que fazer grande esforço pra andar por ali. E o pior: não achávamos nada. Nenhuma pista, nenhuma alma viva, nada que pudesse nos levar até a segunda parte do amuleto. Não estava sendo tão fácil como a primeira vez.

            Ainda era um tanto estranho pra mim saber que meu parceiro de viagem era filho da nossa inimiga nessa história toda. Coringa realmente não parecia ter as mesmas intenções cruéis que Nicole, e isso era um alívio pra mim. Mas obviamente eu manteria meu pé atrás com toda aquela informação.

            – Espero que não seja muito inconveniente da minha parte perguntar, mas... O que você tá fazendo aqui? – Eu pergunto assim que alcanço Pietro. Ele demora bastante tempo para me responder.

            – Nicole me mandou, dizendo que minha família estava aqui e, por meu tempo de lealdade ao seu jogo desgraçado, eu poderia vê-los e salvá-los. Estou procurando por dois dias, e nada. – Engulo ao seco ao me lembrar do que Juliet havia me dito no dia do baile, que toda a família dele havia sido assassinada pela Rainha Vermelha, mas ele não sabia disso. Meu olhar encaminha-se até Kai, que possuía olhos tristes em cima da figura abatida de Bayard.

            – Eu sinto muito, Bayard... Deve ser... – Ele ergue a mão na minha direção, parando de caminhar enquanto olhava ao redor com o cenho franzido.

            – Ouviram isso? – Fito Kai, a procura de algo. Ele nega com a cabeça.

            – Não... – Coringa responde.

            – Risadas femininas. Não estamos sozinhos. – Cruzo meus braços, tentando me proteger do enorme frio que fazia ali.

            – Isso é bom. Pelo menos teremos a quem perguntar o que fazer. – Murmuro. – Certo?

            – Eu disse que são companhias, Alice. Não disse que são do bem.

            E, como se ouvissem aquela declaração, todo cenário ao nosso redor desmonta-se como uma pilha de doces e somos transportados para algo que parecia um calabouço ou algo do tipo. Era aberto, e com várias portas para diferentes caminhos e corredores. Tudo ao redor era composto por gelo e frio como uma noite no manicômio. Encolhi-me em meus próprios braços ao sentir a brisa gelada passar por mim, e passo a observar melhor o local. Era iluminado por pequenas luzes brancas que estavam penduradas na parede de gelo, e eu continuaria observando tudo se não tomasse um susto com um grito sofrido que vinha da garganta de Pietro.

            Toco no cordão dado por Lapin em meu pescoço e percebo ele se soltar dali e crescer em minha mão, tornando-se uma faca grande. Kai corre em direção ao lugar em que Bayard estava e eu o acompanho, tampando meu nariz ao sentir aquele cheiro forte de putrefação alcançá-los. Coringa acompanha meu ato, entrando no lugar com cuidado, mas parando ao pisar em algo um pouco mais alto. Eu puxo uma lanterna de dentro da minha mochila e aponto para o lugar em que Kai havia pisado, franzindo o cenho ao ver uma pequena garota com alguns traços de Pietro em seu rosto infantil. Ela devia estar entre a casa dos 7 ou 10 anos. Era maldade demais...

            Caminho até Pietro, que chorava compulsivamente em cima da pilha de corpos com cheiro forte. Era triste olhar para aquela cena, e mais triste ainda quando você sabia de toda a história, de toda a procura e de todo sofrimento que Pietro fora obrigado a passar para agora se deparar com toda sua família em decomposição em uma sala escura e fria.

            – Pietro, eu... – Kai começa, mas é impedido por Bayard assim que o mesmo se levanta, empurrando meu parceiro pelos ombros.

            – Você é culpado por isso! Maldita seja sua mãe e todo o povo e soldados daquela vadia! Me fizeram correr atrás do meu próprio rabo como um cachorro perdido. Pra quê? Pra eu me deparar com isso? – Caminho até Pietro e Kai, colocando-me entre os dois para evitar mais brigas e machucados no rosto de Coringa. – Sai da minha frente, Alice. Nicole destruiu o que eu amava, está na hora dela sentir como isso é.

            – Você não vai destruir quem não tem culpa por nada do que está acontecendo. Ele não escolheu ser filho da Nicole, assim como você não escolheu ter sua família morta. Não estamos no luxo de escolher nada, então você pode continuar com essa raiva absurda de quem só está tentando ajudar, ou ajudar também. Nos ajudar a nos livrar de uma vez por todas de toda a crueldade da Nicole. – Bayard ainda possuía a respiração acelerada, e eu sentia que apanharia a qualquer momento. Mas, ao invés disso, ele apenas voltou a chorar, mais sofrido e sentido do que a primeira vez.

            Eu passei meus braços por debaixo dos seus e o puxei para mim, abraçando-o, tentando aliviar sua dor e sua agitação naquele momento. E ali, em meio ao cheiro de podre e lágrimas de Pietro, eu senti que precisava matar Nicole. Não que o País das Maravilhas precisasse dela morta, mas agora era uma questão de honra. Ela não ficaria viva se dependesse da minha escolha.

            – Quem são vocês? – Uma voz firme pergunta, apontando uma luz forte para o rosto de nós três. – O que estão fazendo aqui?

            – Somos enviados da rainha Nicole Rouge. Estamos procurando uma coisa. – Kai se pronuncia, tentando parecer tão firme quanto o soldado a nossa frente.

            – E o que seria?

            – A segunda parte de um amuleto. Por acaso viu algo parecido? – O homem nega com a cabeça, abaixando a espada que segurava em nossa direção.

            – É melhor falarem com a rainha. Ela vai saber o que fazer. Me sigam, por favor.

            Fizemos o que ele mandou. Andamos por muitos corredores e salões até chegar a sala do trono, fria como todo o resto do castelo, senão ainda mais. O lugar estava cheio, e uma mulher de fios azuis claro e pele branca, lotada por sardas e coberta por roupas brancas estava sentada em um grande trono, feito pelo mesmo material que todo o castelo: gelo.

            – Rainha, posso ter um minuto da sua atenção, por favor? – O soldado pediu, curvando-se em frente a mulher. Fizemos o mesmo.

            – Quem são essas pessoas? – Ela pergunta, e eu pude notar que seu olhar estava fixo em Kai.

            – Não sei os nomes, mas disseram que foram enviados por Nicole Rouge. – O sorriso da rainha desaparece aos poucos, e logo ela direciona seu olhar pra Pietro, levantando-se de seu trono e caminhando até ele, tocando-lhe o rosto brevemente.

            – Meus pêsames por sua família. Eram pessoas boas, e sua irmã era um anjo. – Pietro desvia o olhar, engolindo a seco. – Infelizmente eu não pude fazer nada quando Nicole chegou com soldados para matá-los. Eles me prenderam em meu quarto e mataram quase todo meu exército. Quando Nicole me pediu para escondê-los, eu achei que fosse por proteção, e não para maltratar alguém da mesma linhagem que eles. Juro que nunca faria algo tão cruel assim. Assim que sai do meu quarto eu mandei mais de meus soldados atrás deles, para que me trouxessem a rainha, mas eles nunca voltaram e já imagino que fim tenham levado. Alguém tem que parar aquela mulher.

            – Vamos nos encarregar disso. – Kai avisa, recebendo um sorriso da rainha.

            – Acho que não me apresentei direito. Me chamo Torvi, sou a rainha do inverno. Embora metade do meu reino tenha sido destruído por Nicole, ainda temos alguma coisa e esperança, principalmente. Então... O que estão procurando?

            – Me chamo Alice Laurier, e esses são Pietro Bayard e Kai Joker. Estamos aqui porque Nicole capturou Beatrice, a Rainha Branca. – Comecei a explicar. – Agora procuramos por partes de um amuleto pra que Nicole a liberte. Fomos encaminhados para cá para encontrar a segunda parte dele. – Torvi assente, observando o céu, que dava pra ser visto através do céu translúcido do lugar.

            – Já anoiteceu, e as florestas costumam ser bem perigosas de noite, então é melhor que comecemos a procura amanhã de manhã. Tenho roupas quentes e quartos extras para vocês se acomodarem esta noite. Pedirei para que minhas cozinheiras preparem algo especial para vocês, pois devem estar mortos de fome. – Pietro é o primeiro a sair ao ser convidado por um dos guardas do castelo. Torvi o segue com o olhar cheio de culpa. – Eu... Não queria que tivesse sido assim. Me sinto péssima ao olhar para ele. Sinto que sou totalmente culpada pela situação da sua família. Será que vocês poderiam ao menos dizer que eu estou aberta para que ele converse comigo, desabafe, algo assim? Eu espero que ele não ache que eu queria que isso acontecesse com as pessoas que ele amava.

            – A informação é nova para ele, mas garanto que daqui a pouco ele vai conseguir absorver tudo. – Kai avisa, e a mulher assente, ainda abalada.

            – É... É normal não estar bem. Enfim, nos vemos no jantar. – Ela sai da sala, parecendo tão triste quanto Pietro. Fito Kai, sorrindo para ele.

            – Ela gostou de você. – Tento quebrar o gelo. Afinal de contas, o clima pesado naquele lugar dava pra ser sentido de longe. Kai riu do meu comentário, apenas negando com a cabeça.

            – E quem te disse isso, Alice? – Ele pergunta ainda rindo assim que começamos a caminhar para os nossos quartos.

            – O jeito que ela olha para você. Ela parecia ter interesse em seu nome quando perguntou quem éramos. – Kai nega com a cabeça mais uma vez, ainda com um sorriso divertido no rosto.

            – Você tem a imaginação muito fértil, Alice. E eu amo você por isso. – Sorrio, voltando a fitar o guarda que nos guiava a nossa frente.

*  *  *

            Finalmente chegamos até o corredor dos quartos. Kai disse que viria me buscar para o jantar assim que ficasse pronto, e eu apenas assenti e entrei no meu quarto temporário. Diferente dos demais lugares da casa, era aquecido e confortável, com paredes cobertas por uma espécie de manta, que deixava tudo com aspecto acolhedor. Respiro fundo, colocando minha mochila em cima da cama e sentando-me na mesma, tirando minhas botas e podendo deixar meus pés cansados soltos um pouco.

            Observo todo o quarto e meus olhos param no grande espelho que ficava no canto, e eu franzo o cenho ao observar que estava com a pele mais branca que o normal no reflexo, e ainda tinha o cabelo raspado, olheiras fundas e estava presa em uma camisa de força encardida. Levanto-me, caminhando para mais perto do espelho e levantando meus braços, vendo que meu reflexo não conseguia fazer isso por estar preso. Engulo a seco, não entendo aquilo direito, me aproximando mais ainda, até estar cara a cara com olhos mortificados e um sorriso que eu não estava dando no momento.

            – Lembre-se que os mortos sabem mais coisas que os vivos, Alice. – E então, logo seu rosto volta a acompanhar o meu, assim como seu corpo e expressões. 



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