História Hey, Hands Up! - Capítulo 28


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Categorias Got7
Tags 2jae, Jinson, Markjin, Markjinson, Markson, Yugbam
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Palavras 7.364
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Fluffy, Hentai, Lemon, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Slash, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Agradecemos aos 144 favoritos e a todos que comentam!!! :D

Para mais informações ou se quiserem bater um papo com as autoras,
nos sigam no Twitter: @giseledute | @isidoroka ;)

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O capitulo de hoje perde música!

- Primeira parte:
Into The Void - VIXX
Somebody's Watching Me - Rockwell

- Segunda Parte:
Colors - Day6
Congratulations - Day6

*Link nas Notas finais.
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Boa leitura.

Capítulo 28 - Capítulo 28


Youngjae acordou ainda com os braços em volta de Jaebum. Com delicadeza, saiu do enlace e foi ao banheiro tomar um banho rápido.

Na noite passada havia acontecido a terceira vez deles e mesmo tendo sido espaçadas, o loiro não sentia mais nenhum incômodo ou dor, principalmente pelo fato do parceiro sempre deixá-lo ditar o ritmo. Jaebum poderia manter uma pose de mal, mas no fundo, era um cavalheiro.

O policial saiu do banheiro e notou que o moreno ainda estava dormindo e por isso achou um bom momento para descer e rapidamente pegar as correspondências; quando voltasse, faria um café-da-manhã para os dois. Aquele seria um dia agitado, pois depois do expediente, haveria a formatura de Jinyoung e claro que eles nunca perderiam o evento.

O loiro colocou uma roupa confortável e foi até a portaria do prédio, logo pegando suas correspondências e a do moreno. O porteiro já sabia que eles eram próximos e entregava sem questionar.

Youngjae pegou o elevador assobiando alguma canção e Coco o recepcionou, como se o homem tivesse ficado dias fora. Ah, como ele amava cachorros!

O policial deixou as cartas no balcão e seguiu para o fogão, pensando em fazer uma omelete. Poucos minutos depois, dois pratos juntamente com sucos de laranja estavam dispostos e nesse momento, moreno saiu do banho.

– Você e seus banhos longos… – Youngjae estava sentado em um banco na bancada e o Jaebum revirou os olhos, seguindo o exemplo. – Vou te cobrar a conta de água.

– Só estou me refrescando. – respondeu o outro, se inclinando e dando um beijo na bochecha do parceiro, que fez uma cara de nojo. Os presentes sabiam que a expressão não era verdadeira. – Para ter um rostinho desses eu preciso ser cuidadoso.

– Ah, tá.

Os dois conversaram durante o café-da-manhã sobre diversos assuntos, mas o principal da manhã era Jinyoung. O moreno estava apostando que o melhor amigo iria tropeçar e cair na hora de pegar o diploma e Youngjae apostou que Jackson faria alguma coisa vergonhosa, que fariam todos darem risadas.

– Oh, minhas cartas. – Jaebum finalmente notaram os envelopes com o nome dele no canto do balcão. – Obrigado por pegar.

– Sem problemas.

O loiro estava lavando a louça e o outro informou que iria para o apartamento. Um ‘até logo’ foi dito e o moreno saiu levando suas correspondências e Nora. Youngjae pensou por um momento o quão bom era ter Jaebum por perto e que mesmo cheios de dúvidas, o acordo estava dando certo e ambos estavam satisfeitos e não se sentindo mais solitários.

Ainda tinha um tempo até ele ter que começar a se arrumar para o trabalho, então Youngjae resolveu olhar as redes sociais e algumas notícias antes de ir ao banheiro colocar uma camisa preta e um jeans; a farda eles sempre colocavam na delegacia.

Após Youngjae sair do banheiro, ele escutou um barulho vindo do quarto, um pouco alarmado seguiu até o local e encontrou Jaebum em cima da sua cômoda de madeira, parecendo estar tentando retirar algo da parede.

– Mas que porra você está fazendo, JB?

O moreno nada respondeu, continuando no mesmo lugar.

– Seus filhos da puta, enfiem as ameaças no cu. – Jaebum falava para o que quer que fosse que tivesse na parede e o loiro parecia prestes a ligar para o manicômio. – Desgraçados.

 O moreno puxou com força e o loiro pode alguns pequenos fios. O que era aquilo? Jaebum desceu do local, com alguma coisa pequena na mão.

– Mas o que foi isso?

Shiu, eles podem estar ouvindo. – O mais alto falou e Youngjae estava cada vez mais perdido. – Vamos para o meu apartamento, mas duvido que também não tenha essa merda lá.

Jaebum foi andando com pressa até a cozinha e remexeu nas cartas do parceiro e xingou novamente quando viu um envelope amarelo, sem remetente. O moreno pegou este na mão e arrastou o outro até o apartamento do lado.

Após Youngjae entrar no apartamento do moreno, Jaebum bateu a porta com força. Foda-se se algum vizinho reclamasse, ele estava irado!

– JB, o que houve? Você está maluco?

O mais alto pegou o envelope amarelo que havia tirado da pilha de cartas do loiro e abriu de uma vez, puxando o conteúdo e lá estava tudo. Um inferno! Jaebum esticou o braço e entregou o que pareciam fotografias para o parceiro, que pegou o que lhe era oferecido e olhou.

Youngjae, ao ver o que continha nas imagens, ficou chocado. Um pouco trêmulo, o loiro olhou no recado que estava fixado no meio das fotografias:

 

TODOS SABERÃO.

 

O que aquilo significava? Todos quem? Era engraçado, mas seus amigos, se soubessem, iriam apoiá-lo e ele tinha certeza disso, mas seus colegas de trabalho? Nem tanto. O loiro não deveria ter medo daquilo, não é? Não daquele bando de fotos tiradas por câmeras escondidas pelo seu apartamento. Mas então, por que ele se sentia sujo? Como se fosse errado? Aquelas imagens não destruiriam a carreira dele ou algo do tipo, mas Youngjae estava com vergonha de as olhar; de olhar Jaebum e ele em momentos íntimos. Com um aperto no coração, o policial percebeu que estava com vergonha de si.

– Jae? Jae… – Jaebum colocou a mão no braço do parceiro, que se afastou em um ímpeto. – Calma!

– Eu… Eu… Isso é errado!

– Eu sei! Invadiram nossa casa, pois eu tenho certeza que tem aqui também… – O moreno olhou em volta por um momento, antes de continuar. – Mas temos duas opções e-

– Não! Não deveríamos ter feito nada disso. – Youngjae acabou jogando as imagens no chão e quando o outro percebeu o que ele queria dizer, pareceu ficar triste. – Você é nojento! Essa porra é toda a sua culpa!

– Jae, não fala assim… – O loiro percebeu que Jaebum estava com a voz embargada e o que isso o causou era pior do que ele próprio estava sentindo. – Por favor, não faz isso.

– Antes de você aparecer, eu não tinha essas… coisas e agora eu... eu… Se não fosse essa merda toda, não teriam como nos chantagear!

– Jae, não é possível que você está agindo dessa forma! É isso que eles querem! Como você não percebe?

– A partir de agora, nossa relação é estritamente profissional.

– Jae…

– Seremos colegas e chega de investigação.

– Se é assim que você quer…

Youngjae concordou com a cabeça, se virou, mas se lembrou de algo e por isso novamente encarou o moreno.

– Nossos amigos não saberão disso… Perto deles seremos iguais.

– Okay…

Depois dessa, o loiro finalmente saiu do apartamento do parceiro, com a respiração pesada. Jaebum teria acreditado no show que ele dera? Esperava que não, mas a expressão do outro parecia estar magoada.

Youngjae voltou rapidamente para a sua residência e Coco pulava e busca de atenção. O policial se abaixou por um momento e fez carinho no animal, mas logo se adiantou em busca da sua bolsa, pois estava atrasado para o trabalho.

O loiro ainda guardando a caneta, quando escutou Jaebum saindo do apartamento, que sempre fazia uma barulheira ao abrir a porta. Youngjae se adiantou, sem parecer desesperado e conseguiu pegar o elevador com o outro, que encarava o chão, evitando contato visual.

O mais baixo quase riu da ingenuidade do parceiro. Jaebum realmente acreditava que ele pensava aquilo tudo? Nem com lavagem cerebral Youngjae seria capaz de achar o moreno nojento ou sei lá mais o que que havia dito. 

Cuidadosamente, o loiro se aproximou do outro e esticou um pedaço de papel, evitando a câmera do elevador. O moreno notou e puxou bilhete, o lendo disfarçadamente.

 

Será que eles acreditaram?

Nada daquilo era verdade, ok?

Lembre-se: parceiros para a vida.

Ps.: precisamos comprar um detector de escutas e câmeras.

 

– Idiota. – murmurou Jaebum, dando um pequeno sorriso.

Youngjae apertou os lábios para não gargalhar, principalmente ao notar o corpo do moreno relaxar no lugar. Ele não negaria, estava com um pouco de medo do que poderia acontecer, mas não seria aquilo que o impediria a continuar a investigar e os mafiosos poderiam não saber, mas o deram mais ânimo, pois se eles estavam ameaçando, era porquê os policiais estavam perto de algo. O loiro esperava que estivessem bem próximos.

 

***

 

Jinyoung não acreditava que estava terminando aquele tormento. Claro que ele estava sendo exagerado e que no fundo sentira saudades de ser um estudante, mas se formar era sensacional. Seu sonho estava realizado, ele já estava empregado e tinha namorados maravilhosos. Estava tudo dando certo na sua vida e isso era extraordinário.

– Amor, pegou tudo? – questionou Mark, olhando para o outro. – Ah… Jack falou que Namjoon e Jin não poderão vir… Um imprevisto de última hora, sei lá…

– Ah, tudo bem...

O formando estava tão feliz; Mark pedira dispensa dos empregos aquele dia e Jackson havia mantido o escritório fechado, para o ajudar. E, claro, na noite anterior, ele havia recebido um presente maravilhoso. Realmente, a vida de Jinyoung estava ótima.

– Adivinha qual princesa está pronta? – Jackson chegou na sala com Haneul nas costas, soltando altas gargalhadas. – A princesa-voadora!

Appa, appa…. Olha! Eu estou voando! – A menina esticou os braços, imitando asas. – Jackson-oppa me fez voar.

O moreno mais novo observou a cena e sorriu bobamente. Era possível alguém ser tão feliz assim? Ele esperava que a divindade fosse boa o suficiente e mantivesse as coisas daquele jeito, pois Jinyoung não conseguia mais imaginar a vida dele de outra forma.

 

 

Jinyoung logo localizou os pais e quis dar meia volta e sair correndo, mas Mark entrou na sua frente, o empurrando na direção dos professores, que estavam na fileira da frente, olhando em volta e se destacando com a imponência.

– Vai lá, amor. – pediu o bartender, com um sorriso. – Eles estão felizes por você.

– Sim, Puppy. Ninguém vai te criticar hoje.

– Okay… Mas vocês vão vir comigo. – O formando informou, puxando as mãos dos outros dois. Haneul estava de mãos dadas com pai e observando tudo e assim que os três se mexeram, ela fez o mesmo. – Vou apresentá-los para eles.

Os dois sabiam que Jinyoung não iria falar para os pais que eles eram namorados, mas estava tudo bem. O mais novo tinha algumas questões ainda para serem resolvidas e não havia problema nenhum naquilo, pois enfrentariam tudo junto.

A senhora Park usava um vestido preto, na altura do joelho e com um decote canoa e estava muito elegante, juntamente com o senhor Park, que estava com um terno de risca de giz grafite. Jinyoung também estava de terno, porém preto e os namorados quase não conseguiram se controlar quando o viram mais cedo. Céus, ele estava de tirar o fôlego.

– Mãe. Pai.

– Finalmente se formando, filho! – comentou o senhor Park, sério. – Quase seis anos...

– Já o odeio. – afirmou Jackson, se inclinando para Mark, que deu um risadinha.

– Quem são os seus amigos, Jinyoung? – questionou a morena, com um sorriso que não chegava aos olhos. – Oh, uma criança! Muito bonita.

Haneul, que estava no colo do pai, sorriu com o elogio, tentando se esconder envergonhada. Mark riu com o gesto, assim como Jackson e Jinyoung.

Hm… Esses são Mark, Jackson e a pequena Haneul. São meus amigos e eu queria que vocês os conhecessem.

O americano e o chinês não podiam deixar de notar como todo o corpo de Jinyoung se tornava mais tenso na presença dos pais e como até mesmo a maneira dele falar se tornava mais fria. Ele parecia quase outra pessoa na presença da família.

– É um prazer conhecê-los. – Jackson proferiu, curvando-se levemente em sinal de respeito, gesto e que foi prontamente replicado por Mark.

A situação era minimamente tensa, mas todos fingiam não perceber e entraram em uma conversa rápida sobre o tempo, carreira e coisas do tipo por alguns minutos, até Jaebum e Youngjae se aproximarem.

– Querido! – A senhora Park anunciou, abrindo os braços para cumprimentar Jaebum, que aceitou o gesto com sinceridade. Apesar dos pesares ele não tinha quaisquer problemas com a família de Jinyoung e mantinha uma relação saudável com eles para o bem do amigo. – Quanto tempo! Como está na nova delegacia, hn? Não teve nenhum outro problema?

– Não, Senhora Park. Está tudo muito bem, obrigado. Senhor Park, como vai? – Educadamente o moreno se curvou e o homem retribuiu o gesto, antes de dar leves batidinhas nas costas do mais novo. – Este é meu novo parceiro, Choi Youngjae.

O loiro os cumprimentou de maneira cordial e após mais algumas palavras e algumas fotos, todos resolveram seguir para seus respectivos assentos. A família Park, incluindo Jinyoung, ficara na primeira fileira; os outros, se acomodaram a algumas fileiras de distância, porém na mesma direção. Bambam e Yugyeom chegaram levemente atrasados, portanto só se sentaram e aguardaram a cerimônia de formatura que começou poucos minutos depois.

Formaturas eram sempre longas e chatas, todos tinham consciência disso, mas para Haneul que era uma criança, aquilo era ainda mais entediante, porém a menina se esforçava para se comportar em prol de ver o seu querido oppa no palco recebendo o diploma. Todos diziam que era algo importante, então ela ficava feliz de saber que tudo ocorreria bem.

– Haneul, você quer comprar suco comigo? – Bambam perguntou ao notar o quanto a menina estava se sentindo incomodada ali. Mark o agradeceu silenciosamente por isso. Ele queria muito ver Jinyoung receber o diploma, apesar de igualmente achar tudo aquilo muito insuportável.

O loiro acabou sendo seguido por Yugyeom, que agora carregava Haneul em seus ombros; a menina adorava altura que o oppa proporcionava. Os três compraram o suco e se sentaram à sombra de uma árvore para aproveitar o mormaço.

Haneul saboreava o suco de morango com gosto enquanto se divertia ao arrancar algumas folhas do gramado.

Oppa… formaturas são sempre chatas assim?

– Infelizmente sim, princesa. Mas elas também são importantes; é um rito de passagem.

– Rito?

– Sim… – Bambam riu com a inocência dela. – Significa que é algo importante.

A menina fez um som engraçado de quem entendia alguma coisa e então voltou sua atenção para a frente, como se estivesse vendo algo. No mesmo instante, Yugyeom se colocou de pé e pegou a criança no colo de maneira protetora. Bambam não entendeu o gesto, mas havia aprendido a não duvidar ou questionar as ações da divindade.

Bambam notou uma figura feminina se aproximando de maneira imponente. O médio cabelo castanho dançando a favor do vento, conforme ela se aproximava, ele conseguia notar a roupa fina que a mesma trajava. Um vestido vermelho sangue justo, sem decote, que descia esculpindo seu corpo até a altura dos joelhos. Um salto scarpin negro que combinava perfeitamente com as joias e a bolsa que a mulher usava.

Hm… eu posso ajudá-la? – Bambam arriscou, mas mulher não pareceu lhe dar atenção, seus olhos castanhos fixos na menina que a essa altura estava até mesmo um pouco assustada com a nova presença. – Quem…

– Eu não avisei que não era para você se aproximar, Ji Eun? – A voz irada de Jackson fez todos os olhos se voltarem a ele. – O que faz aqui? Como você entrou?

A mulher sorriu com escárnio, e pela divindade, como o chinês a odiava. Ela passou lentamente a mão pelos cabelos antes de se dar ao trabalho de responder.

– Jinyoung não é o único se formando aqui, Jackson. E você sabe muito bem o que eu faço aqui. Já está mais do que na hora dela saber quem sou.

– Ela não tem que saber nada de você! Nada! Tirem Haneul daqui. – O chinês mandou, sem tirar seus olhos da mulher que ainda sorria de maneira vil. – Agora!

Ao notar que os dois não se mexiam, o detetive indicou mais uma vez e só então Yugyeom se moveu, puxando Bambam pelo punho. Haneul ainda chamou por Jackson algumas vezes, mas o detetive não teve forças para olhar. Ele era fraco e tudo aquilo era culpa dele.

– Você não tem direitos de afastar a filha de uma mãe!

– Ah, cala essa boca! Você a abandonou.

– Eu estou arrependida!

– Merda nenhuma! Eu não faço ideia dos seus motivos, mas você não quer se aproximar dela por qualquer motivo bom!

– Você não é ninguém para decidir isso! Eu vim até aqui para falar com Mark e é isso o que eu vou fazer!

– Aqui?! De todos os lugares que você poderia ter escolhido de todos os momentos é justamente esse?! Qual é o seu problema? Você gosta de espalhar o caos, é isso?

Ji Eun deixou uma gargalhada escapar ao notar o quão rápido Jackson se afetava por suas ações. O loiro tinha razão, ela até gostava de espalhar o caos, mas ele não era ninguém para decidir o que era ou não um bom pretexto para a mulher finalmente querer estar presente na vida de Haneul.

– Você sabe o quão difícil é entrar em contato com Mark? Ele trabalha desesperadamente e este é o único dia de folga que ele tirou.

– Você não poderia ter esperado acabar a formatura?

– Isso não teria acontecido, Jackson, se você tivesse entrado em contato com Mark por mim quando eu o pedi para procurá-lo seis meses atrás! O que é estranho… você já conhecia Mark na época, não é mesmo? Você o conhecia e ainda sim aceitou o caso. Por quê?

– Jackson…

A voz que soou atrás do chinês fez todo o sangue gelar em suas veias. Não, aquilo não podia estar acontecendo! Aquilo tudo estava completamente errado. Jackson não havia planejado as coisas daquela forma; na cabeça do loiro, ele ainda tinha tempo para contar somente quando todos estivessem em casa, após a formatura.

– Mark… Anjo… O que você está fazendo aqui? Jinyoung… Temos que voltar lá…

– Ji Eun… – Mark falou o nome da mulher pausadamente e seu olhar era forte. – Está se formando?

– Oh, querido… Não. Já me formei.

– Anjo, vamos voltar para a cerimônia.

Mark puxou o braço do enlace do outro, o encarando com raiva. Jackson percebeu que pelo menos a última parte, ele havia escutado. Pronto, estava tudo estragado! O loiro sabia que não tinha mais volta e por isso sentiu o ar faltando, antes de conseguir explicar qualquer coisa.

– Mark… Por favor… – O chinês tentou mais uma vez, mas o moreno o olhava com tanto desprezo que ele achou que morreria ali mesmo.

– Ji Eun… O que faz aqui?

– Eu quero conhecer a nossa filha.

– A minha filha. Haneul é minha filha.

– Você sabe muito bem que eu sou a mãe dela, Mark!

– Você foi no máximo uma barriga de aluguel, Ji Eun. Não seja hipócrita. – Mark mantinha a compostura, mas a sua vontade era de gritar com aquela, que um dia ele chamou de namorada. – Você deixou uma criança de quatro meses na minha mão, no susto e foi embora! Você não tem nenhum direito!

– Eu era muito nova…

– Temos a mesma idade, Ji Eun.

– Mark… – Jackson tentou novamente, se sentindo péssimo. – Vamos…

– Cala a boca! – O americano se virou para o loiro, apontando o dedo. – Você sabia o tempo inteiro que ela estava de volta e não me falou nada?! Então, continue calado! Não abra a boca, seu filho da puta!

Mark estava com tanta raiva, ele não sabia o que fazer! Se brigava com Jackson, se discutia com Ji Eun, se corria. Céus, por que aquilo estava acontecendo?

– Mark, eu quero fazer parte da vida de Haneul! Vamos fazer isso do jeito mais simples… – A morena interviu, ela não ligava para a briga de casal ali, tudo o que queria era atingir seu objetivo.

– Não! Não! O que me garante que isso não é apenas um capricho seu e que quando você se cansar, não irá embora outra vez?

– Não é apenas um capricho! Ela também é minha filha, droga! Me deixa tentar!

– Tentar?! TENTAR?! – Mark não pode deixar de gritar. Aquilo não era questão de tentar. Era a vida de uma criança em risco! – E se você não conseguir? Vai desaparecer novamente? Acha que é simples assim? Eu não quero você perto de Haneul outra vez! Suma, como você está acostumada a fazer!

– Eu tentei fazer do jeito fácil. Você vai se arrepender disso. Eu vou ter a minha filha comigo.

Ji Eun deixou os dois homens para trás, enfurecida e decidia a fazer o que estivesse a seu alcance para atingir seu objetivo. Era uma questão de honra agora. Custasse o que for, Haneul seria dela.

– Anjo, me deixa explicar…

– Por quê? Eu achei que você gostasse de Haneul! É assim que você demonstra seu amor? Deixando aquela víbora chegar perto dela? – Mark não queria chorar, mas as lágrimas chegaram em seus olhos. Poderia ser traído por qualquer um, menos por ele. – Eu não consigo entender.

– Não! Não diz isso! Eu amo Haneul e eu amo você! Eu fiz de tudo pra manter ela longe de vocês.

– Fez?! Eu ouvi ela dizendo que você aceitou o caso para nos investigar!

– Não é nada disso… Eu já sabia que era você. Já tínhamos tido o nosso encontro e ela é a mãe de Haneul, achei que talvez pudesse ser diferente, mas larguei o caso assim que descobri como ela era.

– E você não me disse nada?! Você deixou que ela aparecesse assim, sem que eu estivesse preparado! Porra! – Mark gritou outra vez. Ele não costumava fazer aquilo, não gostava de gritar por estar irritado, normalmente ele era tão quieto. Jackson estava se sentindo um lixo, tudo o que ele queria era voltar no tempo e fazer tudo direito. – Você devia ter me falado! Céus, eu confiei em você, Jackson! Eu confiei minha filha, o meu bem mais precioso, a você!

– Mark, eu… errei. Eu sei e eu ia contar, mas… sempre acontecia alguma coisa.

– Você teve seis meses! Não é possível! Eu tô com tanto ódio! Pela divindade eu não consigo nem olhar pra sua cara. Não me toca!

Mark deu vários passos para trás assim que notou a aproximação do chinês. Ele observava o loiro chorar, mas simplesmente não conseguia se sentir comovido. Seu peito doía e ele pode entender, pela primeira vez, como era se sentir com o coração partido. Pela divindade, ele amava Jackson, mas não conseguia entender como o outro pudera fazer aquilo.

– Saia da minha frente!

 

***

 

A formatura havia chego ao fim e Jinyoung não encontrou os rostos dos namorados quando recebeu seu diploma, o que era estranho, então, assim que teve oportunidade, ele saiu em busca deles. Yugyeom, por sorte, sabia exatamente onde os dois estavam, então não foi difícil encontrá-los, porém a cena nem de longe era o que o advogado esperava ver.

Mark puxava o braço para longe do toque de Jackson e parecia estar gritando, mas Jinyoung ainda estava afastado e não conseguia ouvir, mas não tardou a rumar em direção aos namorados, a beca esvoaçando levemente conforme ele se movia com rapidez.

– Eu não quero saber, Jackson. Já chega, quero que você vá para o inferno!

– Mark, me ouve, por favor!

– Tarde demais! Não encosta em mim!

Em um gesto brusco o moreno empurrou o chinês, que se desequilibrou e caiu de joelhos no chão.

– Mark! Jackson! O que está acontecendo aqui?!

Os dois voltaram sua atenção para o recém-formado e assustado que corria na direção deles, juntamente com Jaebum e Youngjae, estes um pouco mais atrás.

– Não se aproxime de mim ou de Haneul nunca mais! Você entendeu, Jackson? Nunca mais! O que nós tínhamos, acabou! – Doeu dizer aquelas palavras, doeu de uma maneira que Mark jamais seria capaz de explicar e por isso ele nem conseguiu encarar o chinês que chorava silenciosamente ainda sem se levantar, mesmo tendo Jinyoung ao seu lado, tentando erguê-lo. – Me desculpe por perder sua formatura, Jinyoung.

– Mark! Mark, espera!

O formado estava tão confuso. O que diabos estava acontecendo ali? Ele não conseguia entender! Não sabia o que fazer. Se ficava com Jackson, que não conseguia nem se erguer do chão ou se corria atrás de Mark, que nunca antes parecera tão magoado na vida.

– Vai com ele… P-por favor. – A voz de Jackson era pouco mais que um sussurro entrecortado por soluços, o que que partiu o coração de Jinyoung ao meio. – Po-r favor…

– O que aconteceu aqui? Jackson, por que vocês brigaram?

O moreno queria respostas, mas o loiro não parecia ser capaz de dá-las e tudo o que conseguia fazer era soluçar em meio ao choro, que tentava inutilmente conter.

– Jinyoung… Talvez seja melhor tirá-lo daqui. Daqui a pouco as pessoas vão aparecer… Seus pais. – Jaebum alertou, se colocando ao lado do casal. Após alguns segundos o chinês pareceu ter se dado conta de onde ainda estava, e ajudou os dois morenos a erguê-lo do chão e passou a se movimentar para sair do campus.

Bambam e Yugyeom se juntaram ao grupo alguns minutos depois, sem Haneul. Anunciaram que Mark parecia extremamente irritado e levara a menina embora.

– Quem era aquela mulher afinal? – Bambam questionou, entregando um copo d’água a Jinyoung que por sua vez, o entregou a Jackson que, finalmente, mais calmo, o bebeu lentamente tentando organizar sua fala nesse meio tempo.

– O nome dela é Lee Ji Eun… E ela é a mãe de Haneul. – O chinês encarou Jinyoung, que arregalara os olhos e levara a mão aos lábios em puro choque com a notícia. – E ela quer tirar a menina de Mark.

– Até parece que vou permitir isso. – Jinyoung falou, apertando os lábios. – Mas… por que vocês estavam brigando?

– Hum… JB, vamos ali comigo? – Youngjae sorriu sem graça para o parceiro, que entendeu que aquela era uma conversa particular. – Vamos, Bam, Yug.

Jackson, por um momento viu os quatro amigos se afastando. Quando ele contasse para Jinyoung, o perderia também. O chinês não o culparia, mas a dor devastadora que apertava o seu peito, seria maior e o loiro não tinha certeza se aguentaria, mas que escolha tinha? A culpa era toda dele.

– Jinyoung… Antes de qualquer coisa… – O loiro engoliu em seco, reunindo toda a coragem que ainda possuía em seu ser para continuar. – Eu amo você e eu amo Mark e pela divindade eu amo Haneul, não duvide disso, por favor.

Jackson pigarreou algumas vezes afastando o nó que se formava em sua garganta. Não era hora para chorar, ele precisava se controlar agora e salvar essas lágrimas para quando estivesse sozinho.

– Jackson, você está me assustando! Conte de uma vez, amor.

– Eu sabia sobre Ji Eun. Há seis meses atrás ela me procurou para que eu investigasse o paradeiro de Mark e de Haneul.

– O que?!

– E eu aceitei o caso, mas não foi para investigar… Sei que é uma desculpa horrível, mas eu pensei que Haneul pudesse precisar da mãe… – Jackson respirou fundo, sem encarar o namorado. Ainda eram namorados? Não sabia dizer. – Mas você já sabe… Ela não é boa pessoa, então eu falei para a Ji Eun que não tinha encontrado nada, mas… a mulher descobriu tudo. Sobre nós… três e tudo mais. Até da loja, antes de tudo quando eu… Ah, você sabe.

– Pela divindade, Jackson! Por que você não disse nada?!

– Eu fui um idiota! No princípio, achei que tinha enganado ela, mas Ji Eun não é burra… Aí eu fiquei com medo de perder vocês e olha o que aconteceu… – O loiro riu sarcasticamente. – Perdi vocês.

Jinyoung não sabia como reagir, nem o que fazer e pela divindade; ele detestava esses sentimentos. O moreno caminhou de um lado para o outro, tentando raciocinar enquanto ouvia o namorado fungar várias vezes ao controlar as lágrimas. Como o advogado detestava aquele som! Jackson não fora feito para chorar. Era nítido o arrependimento, mas aquilo não seria nem de longe o suficiente para Mark e tinha total consciência disso e a julgar pela maneira com que o chinês se portava, o outro também sabia disso.

– Amor, eu não vou te largar, okay? – Jackson piscou os olhos por um momento e encarou o outro. – Eu vou conversar com Mark quando ele estiver mais calmo…

– Não… Ele vai se irritar com você. – O chinês forçou um sorriso para o outro e com as costas da mão, limpou os olhos com força. – Mark precisa de você… Não tem problema, eu entendo. É tudo culpa minha mesmo, me desculpe por fazer isso com você.

– Jackson, não desista de nós. Do que nós três… Nós quatro temos.

Puppy, eu não estou desistindo… Mas não vai acontecer, me desculpe. – O loiro se inclinou e rapidamente beijou os lábios do outro. – Tudo bem… Mark tem toda razão e… É isso. Mas saiba que eu não vou deixar de protegê-los, tá? Vou começar a investigar essa mulher… Ela deve ter algum segredo, alguma coisa que não deixe Haneul nas mãos dela.

– Não… Jackson…

– Vai atrás dele, Jinyoung. Mark precisa de você.

– Você também precisa de mim, Puppy! – O moreno afirmou, se aproximando do chinês e enlaçando seus braços ao redor da cintura de Jackson que agora estava de pé, com intenção de se afastar. – Eu amo você. Mark também ama você. Ele só está com raiva.

– Ele tem razão de estar.

– Sim, ele tem. Mas a gente se ama e isso deve ajudar de algum jeito, hm?

– Duvido, nem se a divindade estivesse do nosso lado. – brincou o chinês, mas o moreno não sorriu junto. – Não quero vê-lo triste… Seu sorriso me dar energia, Jinyoung. Me promete que não vai ficar triste por causa disso tudo?

– É impossível prometer isso. Um quarto de mim está pensando em ser uma espécie de mártir e desistir…

– Amor, acabou. – A lágrimas voltaram aos olhos do loiro, que tentou engolir fundo para não chorar. – Eu te amo… Eu te amo muito, mas Mark precisa mais de você do que eu.

– Eu vou... mas só hoje. – Jinyoung colou a testa com a do outro, uma lágrima solitária rolava na sua face. – Amanhã eu vou checar para ver como você vai estar…

– Tudo bem. – Os dois ainda estavam bem próximos e sussurravam promessas. – A sua festa… Você também vai perder. Me desculpe, Puppy.

– Não… Nada disso. Eu nem queria ir nisso em primeiro lugar. – O loiro balançou a cabeça afirmativamente e estava pronto para deixar o moreno ir, quando percebeu que Jinyoung não tinha a mesma opinião. – Jackson, você errou, tá? Somos humanos, acontece… Não fique se torturando e se xingando, por favor. Vamos dar um jeito nisso… juntos, como uma família.

Jackson estava pronto para negar, quando sentiu a boca do moreno na sua e após relaxar, a língua veio em seguida. As mãos de Jinyoung ainda estava na sua cintura e o loiro se viu agarrando ao advogado, o puxando com força em um enlace.

O beijo foi intenso e cheio de sentimento e quase fez o chinês chorar outra vez. Jinyoung estava desesperado para provar que tudo se resolveria e que não deixaria de amar seu namorado por aquilo.

– Porra cara, essa merda tá me deixando depressivo. – comentou Youngjae, olhando o casal, de longe. – Eles estão arrasados.

– Eu sei… Eu nem sei quem amparar. – Jaebum pareceu realmente sentindo e suspirou fundo. – Eles são tão bonitos juntos… Eram realmente uma família.

– Mas eu acredito que tudo dará certo. – completou o policial loiro, com as mãos no bolso e observando os amigos se aproximando. – Haneul não pode ficar sem os oppas.

Jinyoung e Jackson se aproximaram do grupo com passos vagarosos e de mãos dadas. O advogado notou que Bambam e Yugyeom pareciam estar discutindo, talvez brigando, um pouco mais distante dos policias. Não! Mais brigas? Que dia péssimo.

– Seu filho da puta! – murmurou o tailandês, apontando um dedo para o tronco do mais alto. – Acha que eu sou algum tipo de naja esperando para dar o bote?

– Só falei que agora Jackson vai estar vulnerável… Seria mais fácil.

– Vai se foder. Quantas vezes eu tenho que falar que não sinto e nem sentirei nada por ele, seu imbecil?!

– Bam, hum… Mas seus sentimentos são importantes… Jackson precisa saber que você se sente assim.

– Que?!

– Se sente como, Bambam? – A voz de Jinyoung soou um pouco rude, atrás do loiro, que se virou assustado. – Algo que queria me dizer?

O loiro quis se virar e assassinar a divindade, mesmo que fosse para o quinto dos infernos! Yugyeom armara aquilo tudo. Bambam olhou por trás de Jinyoung e notou que Jackson conversava com Jaebum e Youngjae e tentava parecer bem, mas todos percebiam que não estava.

Ãh… Não. – respondeu o tailandês, forçando um sorriso. – Eu só quero que tudo se resolva o mais rápido possível…

– Eu também. – afirmou o moreno, se remexendo no lugar. – Eu vou ficar com Mark… Mas não significa que eu não esteja com Jackson, tá?

Hum-hum.

Bambam queria que abrisse um buraco no chão para ele se jogar. Que vergonha! O advogado logo se virou, depois de se despedir rapidamente e foi e direção aos outros, pois Youngjae o daria uma carona até a casa do namorado. Após mais uma despedida com o chinês – que fez a todos se ocuparem de outra coisa para não ficarem encarando o casal –, Jinyoung foi embora, junto com os policiais.

 – Yug, seu arrombado!

– Dá para parar de me xingar?

– Não! Eu te odeio.

– Odeia uma divindade? – Yugyeom sussurrou, com um sorriso. – Bam, eu só quero o seu bem.

– Só o meu, né? Não sei como você não percebe a merda que acabou de fazer. – Bambam aproximou o rosto do outro, ficando na ponta dos pés. – Eles eram uma família.

– Mas…

– Mas nada! Só saiba que eu não vou fazer nada que você quer. – O loiro mantinha a expressão séria e a divindade percebeu que o outro tinha certeza do que falava. – Tchau!

Bambam se virou com rapidez e seguiu para o lado de Jackson, que estava sentando em um banco de cimento, encarando os próprios pés, parecendo perdido. Como Yugyeom tinha coragem de deixar aquilo acontecer? Cadê a bondade que ele tanto falava?

– Ei, Jack. – O tailandês tentou parecer animado, pois não queria deixar o outro ainda mais para baixo. – Você pode me dá uma carona?

– Hã? – Jackson pareceu pensar por um momento e depois tentou sorrir. – Claro, Bam.

O chinês ainda fez menção de chamar Yugyeom, mas Bambam falou que o moreno dava o jeito dele, que não era para se preocupar. Se fosse em um outro dia, Jackson insistiria, mas estava cansado demais para discutir.

O mais novo passou o tempo todo tentando trazer uma conversa animada. Wang sabia o que ele estava fazendo e agradecia por isso, mas simplesmente não havia motivos para rir. Ele só queria se enfiar em um cobertor e chorar.

– Prontinho, Bam. – Jackson sorriu para o amigo. – Entregue, sã e salvo.

– Vamos… Vou te preparar um chá.

– Não… Bam eu estou cansado.

– Por favor. Eu… quero ajudar. – O tailandês esticou a mão e capturou a do outro, sorrindo timidamente. – Mesmo que seja um ombro para chorar… Quero ajudar.

Jackson suspirou fundo e balançou a cabeça vagarosamente, aceitando o convite. Talvez fosse mais saudável ficar ao lado de um amigo do que sozinho, não é? O apartamento dele, que há tempos ele não pisava, só o faria alerta de quão solitário ele estava.

Os dois seguiram em silêncio e logo estavam dentro do apartamento. Jackson notou que havia algo diferente, como se a atmosfera fosse outra. As coisas não eram assim da última vez que ele esteve ali.

A pedido do tailandês, o mais velho seguiu para a sala para se sentar, mas logo viu alguns objetos que não faziam parte da decoração do rapaz. O caderno de desenhos de Yugyeom estava na mesa de centro, o casaco na poltrona de canto e até o cordão do moreno estava jogado no sofá. Jackson sorriu verdadeiramente, antes de se sentar.

– Hum… Bambam. Achei que você me contava tudo. – comentou Jackson, quando o outro voltou para a sala com um bandeja com chá e biscoitos. – Não tem nada que você queira me falar?

– Não? – O tailandês não entendeu o que o amigo estava falando e simplesmente balançou os ombros, se sentando em seguida. – Do que você está falando?

– Oras… Você e Yug estão namorando, não é?

– Jackson, você bateu a cabeça?

– Que? Ah não me diga que vocês são lerdos assim? –  O chinês balançou a cabeça. – Parece que ele esquece bastante coisas por aqui… Isso me parece uma desculpa para sempre voltar.

– Nada disso… Ele não pensa em mim dessa maneira.

– Oh… Mas você pensa nele assim, não é? – Jackson notou que talvez conversar com Bambam estava o fazendo bem. – Bam tem uma crush?

– Acho que é mais que isso…

– Bam, você está apaixonado? Ahhhh, que fofo!

– Não é fofo, Jackson. É deprimente. Não há nada de fofo em gostar de alguém que nunca vai corresponder seus sentimentos.

– Ah, pela div-

– NÃO! – O mais novo gritou tapando os lábios de Jackson com uma das mãos. Tudo o que ele não precisava era Yugyeom fuçando a conversa deles. Talvez aquilo não resolvesse, mas não custava tentar.

– Bam… você é ateu? – O chinês murmurou, a voz abafada pela palma de Bambam.

– Algo do tipo… – Que cena ridícula, o loiro mais novo pensou, retirando a mão que impedia Jackson de falar e suspirando audivelmente. 

– Okay… não vou mencionar, mas Yug se sente da mesma maneira que você. Ele só não sabe disso ainda.

– Aham, tá bom. – Esforçando-se para não revirar os olhos ele se concentrou em sorver um gole da bebida quente. – Eu sei algumas coisas dele, tá? Não vai acontecer… Deixa isso para lá.

– Nem um beijinho rolou?

Nah. Vamos falar de outra coisa… – Bambam suspirou novamente e olhou em volta, percebendo que naquela hora Yugyeom estaria ali com ele.

– Do que você quer falar?

– De nada em particular. – O tailandês bebeu outro gole da bebida, tentando disfarçar a vontade de perguntar o que havia de fato acontecido. Ele não queria forçar Jackson a falar se o outro não quisesse.  – Talvez devêssemos pedir alguma coisa para comer. O que acha de comida chinesa? – O loiro piscou o olho direito na direção do amigo que esboçou um sorriso fraco. Não era nem de longe o que Bambam queria, mas se contentaria com aquilo.

– Chinesa, tudo bem. Mas tailandesa não seria ruim também.

– Pedimos uma de cada pra honrar nossas origens!

Eles se organizaram para pedir a comida e em seguida se revezaram para tomar banho. Jackson acabou usando uma muda de roupas que Yugyeom deixara no apartamento de Bambam. O que era uma sorte, já que nem de longe uma roupa do tailandês caberia nele.

Quase uma hora depois os dois voltaram a se reunir na sala. O aroma da comida preenchendo o ambiente.

– Come, Jackson. Você precisa se alimentar.

– Estou sem fome. – Jackson remexia na comida que estava a sua frente e por acaso ele se lembrou que Mark gostava de comida chinesa. – Ah…

– Você está chorando?! – O tailandês abaixou a cabeça para olhar o outro, que estava com a cabeça praticamente enterrada na barriga. – Ah, Jack…

– É idiota… eu não devia estar chorando, a culpa é toda minha…

– Jack, eu não sei o que aconteceu e tudo bem se você não quiser contar, mas estou aqui para o que precisar e serei obrigado a te forçar a comer. – O chinês acabou rindo no meio das lágrimas. – Você não vai dormir sem comer!

– Tudo bem, eu vou tentar. – Jackson limpou os olhos com um guardanapo de pano que Bambam lhe entregara e começou a colocar uns pequenos pedaços de frango na boca. – Se eu contar… Você não vai me julgar?

– Claro que não, Jackson.

E então o chinês contou. Mais algumas lágrimas rolaram enquanto ele explicava tudo que tinha acontecido, mas Bambam se manteve em silêncio e quando o relato acabou, abraçou o chinês, dizendo que tudo ficaria bem.

Divindade, você sabia desde o início, não é? Isso é ridículo! Yug, você vai se arrepender disso…

– Jack… Eu tenho certeza que Mark vai voltar atrás. Ele só ficou nervoso por causa de Haneul.

– Eu sei que você está tentando me consolar… Mas eu conheço ele. Isso não vai acontecer.

– Eu vou te ajudar!

– Bam, não vai adiantar… 

– Você não fez por mal, Jack… Ele vai entender uma hora.

– Não, Bam… Eu traí a confiança dele, coloquei Haneul em risco! Eu não me perdoaria se fosse ele.

Não havia muito o que dizer. Jackson estava correto, por mais que a intenção dele fosse das melhores a atitude, o caminho que ele escolheu era perigoso demais. O mais novo voltou a abraçar o amigo, o deixando suspirar pesadamente. Jackson tentava não chorar mais, não se sentia no direito de derramar mais nenhuma lágrima por conta daquilo, mas pela divindade, como era difícil. Seu coração estava quebrado em zilhões de pedaços e nenhuma dor física se equiparava a dor que sentia agora.

Yugyeom… você poderia ter impedido Mark! Poderia ter deixado Jackson se explicar, Céus! Como você é estúpido! Uma bela merda de divindade você é! Está satisfeito agora? Deu certo seu planinho? Mark e Jinyoung agora serão felizes para sempre? Seu imbecil! ” Os pensamentos de Bambam eram raivosos e ele queria mesmo que a divindade o escutasse; ele estava irado! Jackson estava magoado, Mark, Jinyoung e até mesmo Haneul! E tudo porque culpa do trabalho ridículo que o outro estava desempenhando.

O celular vibrou no bolso do jeans e Bambam se moveu para pega-lo. Jackson não pareceu se incomodar com o ato e continuou com a cabeça apoiada no ombro do amigo. Ele precisava daquilo, precisava não se sentir sozinho.

 

Yug

 

Você pode me fazer o favor de parar de me xingar?

Minha cabeça já está doendo!

Eu sei o que estou fazendo, okay?!

Humanos nem sempre compreendem os planos!

Seu plano é uma merda!

Você poderia ter impedido

toda essa confusão.

Que merda, Yug!

Eles são uma família!

Se meu plano falhou tanto assim,

então por que você está abraçando com

Jackson?

 

Sai da minha mente.

Você que está me chamando!

Faça o favor de parar e aproveite

o momento.

 

Seu pai te fez com defeito.

NÃO É POSSÍVEL!

Só vire a cabeça e o beije.

Vai se foder!

Você é ridículo

e não enxerga nada!!!

Você o destruiu!

Então o conserte.

 

Okay, vai ser assim?

Foda-se.

 

[As mensagens de Yug foram bloqueadas]

 

Bambam jogou o celular longe e este acabou batendo no canto do sofá e lá ficando. Ele estava irado com Yugyeom. Como a divindade poderia ser tão cega em relação a tudo?

– Está tudo bem, Bam?

– Yug é um idiota e o quero longe da minha vida.

Wow, o que aconteceu? – Jackson levantou o rosto e encarou o outro. Bambam por um momento percebeu o como eles estavam próximos e suspirou imaginando a divindade feliz com aquilo. – Hum… Ele está me ligando?

O tailandês puxou o aparelho da mão do mais velho e o atendeu, com raiva.

– Beija ele!

– Vai se foder! Você é um merda! – Bambam socou o assento do sofá e em seguida chutou a mesinha de centro, fazendo algumas coisas se mexerem do lugar. – Eu não quero suas coisas aqui. Venha buscar quando eu não estiver!

– Bambam…

– Não, fique calado. E pare de me ligar!

O loiro mais novo desligou o celular e o entregou para o chinês, que estava de boca aberta, sem entender nada do que tinha acontecido.

– Bam… Yug te fez alguma coisa? Tipo… te ofendeu de alguma forma? Porque se a resposta for sim, eu acabo com ele!

– Não… Só está sendo um idiota.

– Parecia mais do que isso… Você tem certeza?

– Sim, sim… – Bambam deu uma leve batidinha no próprio ombro, pedindo para o outro voltar a se apoiar nele. – O que quer fazer agora? Um filme?

– Eu achei que você dormia cedo.

– Hum... Verdade. – O tailandês olhou para o relógio da parede e percebeu que eram vinte e duas horas. – Eu mudei… Então, um filme para distrair?

Jackson, por fim, aceitou, pois realmente precisava de uma distração. Mas ele nem prestou muito atenção no conteúdo, sua mente toda hora voava para longe. O chinês estava sofrendo, mas torcia para que os namorados, principalmente Mark, superasse logo aquilo tudo. Não por egoísmo do detetive, mas sim porque Wang não os queriam sofrendo.

Divindade, proteja minha família. Eu não faço mais parte dela, mas eles precisam de proteção. Peço que a pequena Haneul não sinta muito a minha falta. Por favor, interceda por eles.” O chinês rezou várias vezes, mesmo não sendo muito crente. Mas quem sabe alguém não estava escutando? “Por favor… divindade…

Jackson repetiu a oração até adormecer no sofá de Bambam. 


Notas Finais


Into The Void - VIXX: https://www.youtube.com/watch?v=SjGkqakGwPo
Somebody's Watching Me - Rockwell: https://www.youtube.com/watch?v=X16qktlZCOE
Colors - Day6: https://www.youtube.com/watch?v=eiaVMkX4Acs
Congratulations - Day6: https://www.youtube.com/watch?v=t-eRC0AbLAY

Ps.: Não nos matem.

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Por favor, deixem comentários com as suas opiniões; amamos lê-los.
Até amanhã ;*


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