História Hidden - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Seventeen
Personagens Boo Seungkwan, Hansol "Vernon" Chwe
Tags Anjos, Demonios, Hansol, Seungkwan, Seventeen, Verkwan, Vernon
Visualizações 57
Palavras 2.037
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - Um ombro amigo.


Minhas manhãs são sempre iguais, eu faço sempre as mesmas coisas que dão o tempo certo de eu conseguir ir trabalhar sem me atrasar. Mas, essa manhã, em especial, tem algo de estranho, os pássaros não vieram e Soonyoung já saiu, ele até arrumou a sua cama! A mesa na sala está com pães em cima e o suco também está lá, juntamente com café, leite e a manteiga. Olho para o relógio ao lado da televisão da sala e... EU ESTOU ATRASADO!

Termino de me vestir, pego um pão pela metade e coloco uma manteiga bem mal passada. Corro a procura de minhas chaves, felizmente, as encontro rápido, calço meus tênis e saio.

Desço as escadas pulando de dois a três degraus por vez, estou certo que se Soonyoung hyung me visse desse jeito ele diria: "Seungkwan, não corra nas escadas. Chegar atrasado por um dia não demite ninguém."

Me pergunto o porquê nós escolhemos um apartamento tão alto, 16º andar, nunca odiei tanto morar nessa altura como estou odiando agora. Além de ser obrigado a enfrentar as escadas, tenho que voar — com os pés, infelizmente — até a livraria.

Assim que fico alguns quarteirões mais perto da livraria fico mais tranquilo e passo a andar ao invés de correr.

Joohyun noona deixou essa responsabilidade em minhas mãos e eu me atraso. A livraria não é grande, entretanto, há um número considerável de pessoas todos os dias, sendo a única do bairro os moradores costumam vir aqui.

Por incrível que pareça, chego na frente da Library Korea’s Paradise e a porta está aberta! Não sei como descrever o que sinto no momento, se é uma vontade incontrolável de chorar — de felicidade — ou se é uma vontade inexplicável de gritar — também por felicidade.

Dou a última mordida em meu pão e entro. Logo penso em Joohyun, ela estaria bem na minha frente agora mesmo com uma cara sem expressão e apenas com o seu olhar assustador me faria pedir desculpas trilhões de vezes.

Sento em frente atrás do balcão aliviado, de fato, não me importo quem a abriu, o importante são os clientes que conseguiram entrar e foram se perder em realidades paralelas das que vivem. Isso é o mais legal dos livros, na minha opinião, quando você está cansado do mundo em que vive pode ir ler uma boa história e esquecer das preocupações por algumas horas.

Provavelmente deve ter sido Chan que salvou o meu dia, afinal, onde está ele? Levanto um pouco a cabeça e o procuro.

— Está procurando alguém, Seungkwan?

— Hm... — me viro e vejo ele me encarando com aquele sorriso malicioso que eu detesto. — O que está fazendo aqui? — o empurro com as duas mãos, apesar de eu não ter tanta força, o mesmo dá dois passos para trás. Fico surpreso com minha conquista de afastá-lo.

— Quando você vai parar de me tratar assim? — ele se aproxima e eu recuo. — Para um anjo você está sendo tão mal comigo, não vou nem comentar que vocês esqueceu do “hyung”.

Anjos não devem tratar outros anjos de uma forma grosseira, todos sabem disso, mas, para mim, Minghao não é um anjo e jamais será. Antes de poder se chamar de anjo, ele era um demônio e fingiu ser um anjo. Acho profundamente injusto ele ter ganhado a luta contra o Sehun, na verdade, eu acho toda essa palhaçada de luta uma coisa sem total sentido.

Para você poder fingir ser um anjo, você precisa matar um e beber do seu sangue. Logo após isso, você passa a ser um anjo para todos, em outras palavras, todos acreditam que você seja um anjo de verdade.

Caso os Anjos Maiores descubram, eles declaram uma luta com o anjo disfarçado, no qual tem duas opções: ser morto de uma vez ou tentar a sorte e virar um anjo legítimo — assim como eu, por exemplo — respeitando todas as nossas regras, lemas, costumes etc.

Quando o demônio decide trair o seu lado e escolher tentar ser como nós, ele e mais um anjo puro — que se voluntaria — lutam. Se o Escondido, nome que recebem, ganhar, ele ganha o que quer, mas o outro anjo acaba sendo “morto” indo viver como humano com outros humanos.

Eu discordo totalmente disso tudo, Sehun, por exemplo, era um anjo muito bom que acabou sendo castigado por ter tentado proteger o seu lado! É claro que não acho que os demônios também mereçam morrer, talvez presos ou sei lá. Anjos Maiores creem que essa é a melhor forma de justiça.

Enfim, é por isso que não gosto de Minghao. Foi perdoado pois "todos merecem uma segunda chance, Seungkwan" assim como Jeonghan, um dos Anjos Maiores, me disse.

Ele me pega pelo punho e me arrasta, eu tento gritar para ele me largar, mas não quero chamar atenção das pessoas. Minghao me leva para a parte de trás da livraria e me prende na parede. Me pergunto onde Mark e Chan se meteram.

— Sabe de uma coisa, Seungkwan? — ele fala em um tom baixo — Eu nunca deixei de ter meus instintos de demônio. Eu realmente tento me controlar com todos vocês passando por mim...

— Pare com isso! — o interrompo — Você é um anjo agora, não deveria dizer essas coisas.

— Mesmo que eu seja um anjo eu não preciso agir como um. Você deveria pensar assim, quem sabe teria coragem de enfrentá-los, essas cicatrizes em seus punhos dizem muito sobre você.

— Eu não concordo — o desafio olhando bem dentro de seus olhos marrons.

— E a sua mãe? — assim que tais palavras saem de sua boca, sinto como se levasse um soco no estômago — Ela concordaria.

— N-não... fala da minha mãe — digo com a voz embargada.

— Eu teria vergonha se você fosse o meu filho — ele se afasta, deixo as lágrimas caírem involuntariamente. — Ela morreu por sua causa e você vivendo por aí como se não tivesse feito nada, francamente — ele ri pelo nariz e me deixa sozinho.

Eu não sinto raiva, me sinto triste pois tenho que concordar com ele. Minghao está certo, minha mãe deve sentir raiva pois morreu por minha causa e com certeza deve se envergonhar por eu ainda não ter feito nada para poder honrar sua ida.

***

Olhando para o meu Bibimbap não sinto nenhuma vontade de comer, é como se o meu estômago estivesse cheio de ar, como um balão, uma soprada a mais e ele estoura. Para ser sincero, é a primeira vez que não quis sair da Library Korea’s Paradise no horário de almoço, eu deveria ter ficado por lá mesmo. Todo mundo tem dias ruins e esse deve ser o meu.

Não consigo parar de pensar nas coisas que Minghao disse. Uma voz em minha cabeça fica martelando tudo o que jogou na minha cara, essa voz, certamente, deve ser a minha consciência. Toda vez que olho para as grandes marcas em meus punhos sinto um ódio muito grande, se eu pudesse, voltaria no tempo e mesmo com 13 anos de idade os enfrentaria e quem sabe minha mãe estivesse viva, foi tudo culpa minha e eu preciso me acertar com ela o quanto antes.

Enfim dou a primeira mastigada na comida já um pouco fria. Do lado de fora consigo ver Minghao caminhando do outro lado da calçada, o mesmo começa a vir em direção ao local que estou e isso me desespera, vim aqui para poder me livrar dele e agora lá está ele vindo pro mesmo lugar que eu.

— Oi. — olho para frente assustado por ter sido pego desprevenido. Meu olhar desvia de Minghao e encontra os olhos de Hansol. — Posso me juntar a você?

Confirmo com a cabeça, dou uma olhada de leve para ver se encontro Minghao e acabei o perdendo de vista, pelo menos aqui ele não entrou. Volto a olhar para o moreno que agora está sentado de frente para mim.

— Hansol, acho que ontem acabei sendo grosseiro com você algumas... muitas vezes — digo olhando em seus olhos que agora me encaram fixadamente, prestando atenção em cada som — Me desculpe por isso, eu não estava nos meus melhores dias.

— Está tudo bem. — responde sorridente — Você estava esperando alguém? Notei que estava procurando algo do lado de fora.

— Na verdade, estava fugindo de alguém.

— Fugindo? De quem? Alguém está te incomodando?

— Não é exatamente fugindo, usei a palavra errada. — respiro fundo — Você não precisa se preocupar comigo, Hansol, é sério.

— Seungkwan, eu não preciso exatamente ser seu amigo mais próximo pra notar que algo está te incomodando, você está segurando essas lágrimas nos olhos desde que cheguei.

E foi assim que com apenas algumas palavras eu desabei, eu chorei como se ninguém daquele restaurante estivesse me olhando torto — de vergonha alheia, eu diria. Hansol levanta de sua cadeira no mesmo instante, joga alguns wons na mesa e me tira de lá rapidamente.

Quando me dei conta, nós dois estávamos dentro de seu carro indo para algum lugar que eu não fazia ideia qual e, francamente, não gostaria mesmo de saber, desde que fosse um lugar muito longe de toda essa bagunça estava tudo bem.

No meio do caminho eu já não tinha mais lágrimas para poder chorar, então permaneci quieto olhando pela janela tentando adivinhar aonde Hansol está me levando. Eu poderia perguntar, mas depois do papelão que passei não tenho moral nenhuma para nada.

Fomos parar no meio do nada, literalmente, nenhuma alma viva. Qualquer lugar que eu olho eu encontro o nada, nem mesmo uma casa.

— Então, é aqui que você me mata e consegue completar, com sucesso, a sua missão? — brinco.

Ele ri fraco enquanto sai do carro e eu não tenho outro escolha a não ser segui-lo.  Sinto um pouco de receio pois o sol logo se põe e a noite para anjos não é algo recomendado.

Seria ingênuo de minha parte dizer que apesar de não conhecer muito — ou nada — do Hansol, não desconfio dele? Quero dizer, ele teve algumas oportunidades para se livrar de mim, caso fosse um Escondido, claro.

Ele, de repente, pega minha mão e eu gelo por dentro. Meu coração dispara e eu não entendo o que está acontecendo, sinto, inclusive, minhas maçãs do rosto esquentando. Ele me guia até uma parte florestada e depois me faz subir algumas pedras.

— Uau — solto minha mão da dele e vou para mais perto da ponta do abismo para ter uma melhor vista do enorme sol se pondo bem na minha frente — É lindo.

— Cuidado, Seungkwan, se você cair a responsabilidade é minha — ele se senta cansado no meio da grande rocha que estamos. Eu me junto sentando logo ao seu lado — Está melhor?

— Acho que sim — respondo sincero e ele sorri satisfeito — Por que aqui?

— É só um lugar que gosto.

Ele me pergunta o que aconteceu e eu preferi não dizer, ele respeitou e ficou quieto. Nós dois ficamos observando o sol, como dois bobalhões, sem dizer uma única palavra. Eu fui ficando a cada segundo mais cansado, deixei a consciência de lado e apoiei minha cabeça em seu peito, ouvindo sua respiração e as batidas do coração perfeitamente.

Não pude evitar que notei Hansol olhando para minhas cicatrizes hora ou outra, algumas vezes chegou até a abrir a boca, creio que ele estava tentando achar um jeito não inconveniente de perguntar como consegui cortes tão profundos, mas ele desistiu em todas as tentativas, agradeço mentalmente por isso.  

Já estava escuro, o céu alaranjado que estava minutos atrás em nossa frente agora era um grande infinito de estrelas brilhando com a lua bem ao alto. Essa vista da de dez à zero comparada com a da minha cobertura.

Pela primeira vez eu não me senti inseguro fora de casa depois da claridade já ter ido embora, senti como se com o Hansol ali eu não precisaria me preocupar com nada mais. Meio hipócrita da minha parte dizer tais palavras, afinal, ontem mesmo afirmei não precisar de babá e, realmente, eu não preciso, porém concordo que todos nós precisamos de alguém onde jogar o peso quando suas costas não aguentam mais, essa pessoa vai equilibrar a pressão e você se sentirá mais leve, assim como estou agora. Só lamento que esse refúgio não seja Soonyoung, meu melhor amigo, e sim um conhecido de alguns dias.


Notas Finais


O capítulo mais longo até agora, digamos que eu estava inspirada kkkk.


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