História Hino ao Amor - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Mari Katsuki, Minako, Takeshi Nishigōri, Victor Nikiforov, Yuko Nishigōri, Yuri Katsuki
Tags Romance, Victuri, Yaoi, Yuri!! On Ice
Exibições 134
Palavras 2.028
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Postando aqui também - e atualizando a conta aos poucos.

Coldblueeyes no Nyah - Makkachin aqui.

Capítulo 1 - Começos e fins


Aos 27 anos de idade Yuuri não se importava mais com resultados. Ou melhor, ele dizia isso a todo mundo, inclusive ao próprio espelho, mas lá no fundo, bem no centro do seu peito, escondido por entre todas as coisas que ele fazia na vida e tudo que movimentava seus dias, Yuuri sabia que aquilo era mentira.

Todos seus últimos vinte anos de vida tinham sido ligados à patinação, e mesmo que ele não tenha conseguido atingir o auge do seu potencial, ou pelo menos do potencial que todos acreditavam que ele tinha, sua vida com a patinação tinha sido feliz. Claro, não perfeita, mas nenhum relacionamento é. Nessa altura do campeonato ele estava mais do que contente com o que havia conseguido.

Não tinha conquistado nenhuma medalha nos campeonatos mundiais, mas tinha conseguido alcançar a final do Grand Prix, mesmo tendo ficado no último lugar. Ele havia se destacado como um saltador que tinha uma fragilidade emocional na interpretação musical, e que mesmo tendo encantado ao público, nunca tinha conseguido fazer uma competição limpa, sem erros.

Ele não terminou sua carreira quando tudo parecia impossível de mudar. Pelo contrário, Yuuri decidiu deixar os Estados Unidos, local onde treinava ao lado dos melhores do mundo e voltou a Hasetsu, Japão. Sua família o recebeu de braços abertos, e ele tentou então encontrar um novo caminho para o amor por seu esporte.

Demorou um tempo, ele teve que admitir, mas Yuuri voltou a patinar, agora treinando dentro da própria cidade, com a ajuda de seus amigos. Ele tinha o objetivo de, quem sabe, ainda ser o campeão japonês, talvez chegar aos lugares próximos do topo do mundo, mas aquilo era apenas um sonho. A realidade era outra coisa, e ele sabia que os seus melhores anos já tinham se ido.

Ele queria poder ter sido como Victor Nikiforov, o mais condecorado patinador russo e mundial, o homem pelo qual o mundo da patinação havia caído em amores.

E Yuuri também.

“Você precisa de mais limpeza na hora de chutar o pé, senão o salto não vai conseguir adquirir força suficiente pra subir!” Yuuko exclamou. Sua melhor amiga e técnica auxiliar do Castelo de Gelo, local de treinamento para Yuuri, estava patinando ao redor dele, gesticulando instruções por sobre a música.

Como durante o dia muitas crianças e iniciantes treinavam no rinque, Yuuri tinha apenas os períodos noturnos para poder fazer seu próprio treinamento. Claro, durante o verão eles tinham menos movimento, mas ainda assim ele mantinha seu mesmo calendário. Treinar profissionalmente e ter uma vida era complicado.

Yuuri assentiu com a cabeça para Yuuko e começou a deslizar pelo gelo outra vez, tentando seguir as instruções dela. Tudo que ela tinha dito já era fato para ele, sem dúvida, mas sempre era bom ter alguém olhando de fora para dizer o que ele precisava mudar e melhorar.

Na segunda tentativa para executar o quádruplo toe-loop Yuuri conseguiu fazer o salto com perfeição. E então ele partiu para o executar mais vezes, sempre tendo em mente a técnica correta. Durante o voo ele testava modos diferentes de colocar seu corpo durante o salto, já pensando na possível pontuação que iria conseguir nas competições.

Tendo apenas um salto quádruplo no seu arsenal fazia impossível para Yuuri poder vencer as maiores competições do mundo, mas ele nem conseguia chegar até elas mesmo, já que no Japão havia outros patinadores melhores que ele, e com mais potencial, porque nessa idade Yuuri não teria muitas chances de continuar.

Não era como se ele fosse Victor, o único homem a conseguir vencer um Campeonato Mundial aos 30 anos, ocasião em que ele se aposentou, um ano atrás. Yuuri juntou o dinheiro para ir assistir a competição, no Cazaquistão, e ainda lembra o quanto o mundo chorou ao ver o maior ídolo da patinação se despedindo de gelo.

Mas não foi só o mundo. Yuuri lembra muito bem de ter tentado ignorar as lágrimas na ocasião, pelo menos até Victor mandar um beijo para a câmera, lágrimas aos olhos, logo antes de sorrir e engolir as emoções.

Desde sempre Yuuri tinha tentado copiar Victor. Quando criança ele patinava com as mesmas músicas, suas roupas de competição eram parecidas com as de Victor, e ele até tentou copiar alguns dos movimentos, mas Yuuri não era tão incrível como ele. Pelo menos ele pode assistir ao homem e competir ao lado dele em algumas ocasiões, antes de sua técnica se deteriorar e Yuuri perder a chance de sair do país a competir.

No final da sessão de treinos, Yuuri já pensando no próximo dia. Os Sábados eram sempre dias movimentados no Castelo de Gelo, mas no Domingo eles estavam fechados, então Yuuri tinha o dia todo para poder trabalhar.

Ele foi o último a deixar o gelo, que já estava gasto depois de um dia todo de lâminas o cortando. Yuuko estava pronta para fechar o rinque, perto da caixa de luz para desligar tudo. Yuuri nem fez muita cerimônia em se trocar, já que ele iria direto para casa e poderia tomar um banho. Ele só tirou os seus skates do pé a colocou na sua bolsa, amarrando os tênis de volta quando tudo estava guardado.

“Você já tem ideia para os seus programas desse ano?” Yuuko perguntou, deixando de prestar atenção em seu telefone para olhar para Yuuri.

Mesmo uma mulher adulta, Yuuko ainda parecia a pequena princesa do rinque, um dos primeiros encantamentos da vida de Yuuri. Seu cabelo castanho e longo já não era tão ondulado como ela costumava deixar, mas seu sorriso era tão doce como quando criança. Nenhuma das suas trigêmeas tinha aquele sorriso.

Yuuri suspirou. “Eu tenho ideias para o programa curto, e claro, todos os saltos que eu vou fazer já estão sendo treinados na ordem de competição. Ainda assim, não decidi os temas, músicas ou sequer uma ideia para seguir. Muitas coisas estão na minha cabeça, mas nada ainda faz completo sentido.”

“Você vai tentar todos os quádruplos na segunda parte dos programas, como você disse?”

Yuuri assentiu com a cabeça para a pergunta de Yuuko. Ela fez uma cara de quase surpresa, animação e receio ao mesmo tempo.

“Eu vou tentar, pelo menos.”

“Mas será que vai valer à pena?”

Yuuri levantou os ombros. “Nos últimos anos eu tenho me centrado em diminuir a dificuldade das minhas rotinas para conseguir executar elas com o melhor grau de execução, e você viu que no Campeonato Japonês eu consegui fazer isso. Nas competições anteriores eu sempre cometi pequenos erros, mas ainda assim foi uma das temporadas mais corretas que eu fiz.”

Yuuko concordou com a cabeça. Contudo, ela mesmo disse o que Yuuri já tinha na ponta da sua língua. “E ainda assim você ficou em quinto lugar, longe do pódio.”

“Pois é. Mesmo acertando as minhas séries completas, não consegui chegar no pódio, e por consequência fiquei fora da temporada internacional no ano passado.”

“Pelo menos você conseguiu vagas em dois GPs na próxima temporada,” Yuuko falou.

E ele tinha que concordar que era o que de melhor ele poderia esperar. Desde que ele voltou ao Japão, Yuuri saiu muito pouco a competir fora do país. Algumas competições pequenas, sem grandes nomes, torneios extra-oficiais, títulos que não contavam nem para o ranking da União Internacional de Patinação. Ainda assim ele não tinha desistido.

De certa forma, o Nacional do ano passado tinha sido o campeonato mais bem sucedido de Yuuri, e que o colocou de volta no topo dos patinadores japoneses. Se ele queria ter uma pequena chance de avançar internacionalmente, essa temporada seria a melhor chance dele, e talvez a última. Só que sem os quádruplos, Yuuri não teria chance alguma de competir contra os grandes.

“Eu venho treinando o quad toe já faz dois anos, mas não coloquei ele em nenhuma competição. Tecnicamente falando, eu tenho aperfeiçoado ele para meus programas, e vou arriscar colocar ele uma vez no programa curto e duas vezes no longo. Tenho feito treinamento cardíaco para conseguir aguentar os programas mais complicados, e vou usar o livro de regras para conseguir capturar o máximo de pontos que eu puder.”

“Que é o que a gente já tem feito com suas rotinas atuais,” Yuuko falou.

“Sim. Só que apenas o livro de regras não vai ser o bastante. Além de eu precisar competir perfeitamente, ou o mais perto disso, eu tenho que surpreender os juízes. Fazer com que eles queiram ver meu modo de patinar, queiram ver minhas séries. Quero que a cada momento em que eu vá competir haja uma expectativa não porque eu sou o melhor saltador e coloco quatro, cinco quádruplos em meus programas. Eu só quero que as pessoas venham assistir competições para me ver,” Yuuri sentiu seu coração bater mais forte ao dizer aquelas palavras.

Parecia algo que ele iria ler em um livro, uma frase dita por um herói ou coisa assim, mas aquilo era a verdade. Era tudo o que Yuuri pensava. E ainda que ele não teria mais a chance de encontrar Victor numa competição, de estar ao lado dele, Yuuri queria pelo menos honrar todas as horas em que ele passou admirando Victor.

Mas acima de tudo, Yuuri queria ganhar algo para si mesmo, pra ter certeza de que todos os anos dedicados a patinação não foram em vão, e que ele conseguiu alcançar o mais alto com seu talento.

Talvez fosse uma missão impossível, mas se essa era a única chance de Yuuri, ele iria lutar por ela com unhas e dentes.

 

~*~

 

“Makkachin, eu já não sei o que fazer com você.” Victor suspirou, olhando para a cara triste de seu cachorro. O poodle marrom tinha sido seu companheiro desde os primeiros anos de competição, e agora com dezesseis longos anos de vida o cachorro tinha começado a apagar sua luz neste mundo.

Victor não queria ver seu cão morrendo, mas ele sabia que a idade avançada de Makkachin não iria o permitir continuar a vida por muito tempo. Só que se ele perdesse o seu parceiro, como Victor iria continuar a vida? Já fazia tanto tempo que apenas ele e Makka tinham vivido juntos no apartamento, e uma vida toda havia sido compartilhada pelos dois.

Nem mesmo seus pais tinham estado perto de Victor, e agora ele não queria nem imaginar a perda do seu melhor amigo. Porém, ele sabia que o fim estava próximo. O veterinário tinha deixado os dois sozinhos na sala de atendimento, já sabendo que Makkachin não teria muito tempo de vida. Era até difícil de acreditar que as coisas tinham que ser assim. Victor havia chorado poucas vezes em sua vida, nem mesmo quando ele se aposentou mais do que algumas lágrimas caíram, mas agora, enquanto ele colocava uma mão reconfortante no pelo de seu cachorro, o choro queria cair.

Ele conseguia sentir os espasmos em seu peito, a tristeza que se abatia sobre ele. Enquanto os olhos de Makkachin iam se fechando lentamente, Victor queria implorar para que eles continuassem abertos, queria gritar para fazer seu cão acordar e sair correndo pela sala.

Haviam tantas boas memórias deles dois juntos que nem a lembrança delas fazia essa dor ser menor. E foi só ver Makkachin fechando sua pálpebras pela última vez, sua respiração cansada se aquietando, para Victor sentir um soco na boca do estômago.

Ali deitado, seu amigo de longa data chegava ao fim. Victor queria poder fazer o tempo voltar atrás, mas era impossível. Makkachin tinha chegado a seu fim, e Victor não conseguia nem se mover.

O veterinário entrou pela porta da sala, mas ao ver o rosto de Victor ele deu meia volta e saiu. O silêncio de tudo fazia a dor ainda mais pertinente.

Muitas coisas haviam se acabado para Victor. Quando ele revelou sua orientação sexual para os pais eles o expulsaram de casa. Sua carreira tinha terminado quando ele já não tinha mais o que vencer, e quando o seu amor pela própria patinação já tinha findado, e agora que ele tinha apenas Makkachin como memento de uma vida, ele também tinha se ido.

“Eu vou lembrar de você pra sempre, meu amigo.”

Victor já não tinha nada.

 



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