História Histórias de um Homem Livre - Capítulo 4


Escrita por: ~ e ~modified_univer

Postado
Categorias Chris Hemsworth, Justin Bieber
Personagens Personagens Originais
Tags Drama
Exibições 47
Palavras 4.610
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Policial, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Com muita dor no coração, eu e Andressa comunicamos que esse é o ultimo capitulo de HDUHL. De inicio, seria apenas um capitulo. Porém, Andressa aceitou trabalhar comigo. Isso fez com que fossemos grandes amigas e que também, pudêssemos conhecer todas vocês.
Muito obrigada por todo apoio. E espero que gostem do desse ultimo capitulo.

Capítulo 4 - 04. Histórias de um homem livre


Cerca de seis anos atrás. 

A cerveja gelada que Larry segurava fazia com que seus dedos formigassem. Ele estava sentado no sofá e o cheiro da pipoca que acabara de ser estourada por Zara, invadia suas narinas. 

O jogo passava na televisão a sua frente, ele aproveitava cada segundo. Ela sabia que trocaria de canal assim que a mulher na cozinha pedisse para assistir um filme romântico qualquer. 

Ele ouve passos vindos do cômodo ao lado, e leva os olhos até a morena que vinha sorridente em sua direção. Os olhos de Larry se prenderam em Zara. Ele achava incrível como ela conseguia ficar linda apenas com um moletom, um par de meias em seus pés e o cabelo num coque bagunçado. Ele não menosprezava os dias em que ela decidia fazer uma maquiagem ousada e usar um salto alto, mas era inevitável não sorrir ao vê-la apenas com aquele moletom e um lindo sorriso em seu rosto. 

— O que tanto olha? — A voz zen de Zara tira Larry de seus pensamentos. A morena passa por cima de Larry e coloca o pote de pipoca entre eles. 

— Apenas tentando adivinhar qual filme meloso você irá me forçar a assistir hoje. 

— Eu nunca te forço a nada. Você apenas aceita assisti-los porque me ama. — Diz num sussurro e se aproxima de Larry, fazendo com que suas respirações se misturem. 

— Infelizmente, isso é verdade. — Larry dá um selinho rápido em Zara, fazendo-a soltar uma leve risada. 

Dessa vez, a mulher havia escolhi o clássico Diário de uma Paixão. Não era a primeira vez que ela assistia aquele filme ao lado de Larry, mas ela gostava de pensar que mesmo depois de obstáculos, as pessoas podiam sim ficar juntas. 

Zara acreditava que mesmo sabendo das coisas boas sobre o amor, ainda existia o lado sombrio dele também. Um lado que não é tão fácil. Um lado onde duas pessoas se amam a vida inteira, mas nunca passam ela juntos. 

Com isso ela havia aprendido coisas. De alguma forma, isso não impede das pessoas se amarem. Talvez um dia haja uma realidade onde as fantasias de estarem juntos, por ora, sejam quebradas e postas de lado. 

Mas isso não impede alguém de amar. Não deixam de amar por conta da razão ou dúvida. 

Zara aprendeu que, mesmo às vezes o amor não fazendo sentido, as pessoas se permitem amar de qualquer forma. E quando Larry apareceu em sua vida, ela não hesitou em amá-lo. 

— Não irá atender? — Zara pergunta a Larry sem tirar seus olhos da televisão. Larry já sabia quem ligava e não queria atender. 

— É só o Jonny. — Se ajeitou e apertou um pouco a cintura de Zara. — Ele pode esperar. 

Mesmo não querendo atender ou ter os pensamentos em Jonny, o homem não conseguia prestar atenção no filme que se passava. Ele sabia que o melhor amigo iria se envolver em alguma confusão e, mesmo não merecendo, Larry sempre tirava Jonny das roubadas que ele se envolvia. 

— Eu vou ali fora atender, e já volto. — Zara apenas assente e Larry pega o celular, deslizando o dedo pela tela. Já fora da sala de estar, ele coloca o celular na orelha esquerda e suspira antes de falar. — O que quer, Jonny? 

— Decidiu me atender?Já estava na hora. 

— Fala logo. Estou ocupado. — Larry diz, encostando-se ao balcão da cozinha onde podia ver Zara comer sua pipoca, enquanto apreciava a beleza da mulher. 

Ele era apaixonado por ela. 

— Vou precisar de sua ajuda. Irei cobrar um cara que está me devendo e queria que você fosse comigo. 

— E porque não leva Daniel? Eu já disse que não quero mais me meter com essas paradas. 

— Porque eu preciso de você. Não vai dar em nada, você só vai dirigir o carro. Eu vou cobrar o cara e você vai me trazer de volta. Apenas. 

Larry jogou a cabeça para trás e passou as mãos no seu rosto, suspirando pesadamente. Ele tentava pensar em todos as desculpas e possibilidades que podiam surgir para não ajudar o amigo. Ele não queria se envolver com o trabalho de Jonny. Não mais. Mas nenhuma desculpa era boa o suficiente. 

— Apareço aí em quinze minutos. 

Larry não esperou o amigo agradecer ou se despedir. Apenas finalizou a chamada e andou de volta para a sala de estar. Avisou Zara que logo voltaria e apanhou o casaco na poltrona, dando um rápido beijo em sua mulher, antes de sair pela porta. 

Já fazia alguns minutos que ele esperava no carro, enquanto Jonny cobrava a tal pessoa. O local era um tanto escuro, as ruas do bairro eram vazias e sacos de lixos eram encontrados a cada metro. De longe, Larry podia ouvir uma mulher gritando, mas não ligou, ele não poderia fazer nada. 

Ele batucava levemente os dedos no volante no ritmo de uma música aleatória tocava no rádio. Ele queria ir embora logo e poder voltar a ficar do lado de Zara. 

Virou o corpo para pegar o casaco no banco de trás, mas sua atenção logo foi para o som alto que veio do lado de dentro da casa. Preocupado, desceu do carro e tentou olhar para dentro da casa tentando entender o que estava acontecendo. Logo viu o amigo sair em passos rápidos, com a cabeça baixa. 

— O que aconteceu lá dentro? — Larry perguntou. — Porque você está sujo de sangue? — Larry tentava, a todo custo, arrancar respostas de Jonny. 

— Eu apenas me estressei. O filho da puta não estava com o meu dinheiro. 

— E por isso tinha que matar o cara? Você sabe que pode ser preso por isso, não sabe? — Larry não conseguia acreditar ao nível que seu melhor amigo havia chegado. Um assassino. 

— Eu sei, mas não irei. Vamos embora, eu dirijo. — Jonny entrou no carro e colocou a chave na ignição. — Você não vem? 

Larry não queria entrar no carro. Ele ainda não havia conseguido processar o que o amigo tinha feito. Ele havia matado uma pessoa, e sem querer, ele havia se tornado um cúmplice. Ele não queria entrar naquele carro e não entraria. 

Foi possível ouvir a sirene da polícia se aproximando. Larry levou os olhos para o final da rua, e conseguiu ver duas viaturas se aproximando. Deu um passo para frente com a intenção de entrar em seu carro, mas antes que isso pudesse acontecer, Jonny pisa no acelerador fugindo e levando consigo o carro do melhor amigo. 

Enquanto as viaturas se aproximavam, Larry tentava pensar em algo. Ele não poderia ser preso, ele não poderia ser condenado a anos de cadeia por algo que ele não fez. Ele tinha que voltar para Zara. Ele havia prometido que voltaria. 

— Mãos para cima! — A voz rouca de um policial baixo e gorducho passou pelos tímpanos de Larry, fazendo o mesmo se assustar. 

Suas mãos foram até a parte de trás de sua cabeça. O outro policial se aproximou e abaixou as mesmas, passando as algemas pelos pulsos de Larry, o levando até uma das viaturas. 

— Tudo o que disser pode e será usado contra você. Você tem direito a um advogado. Caso não consiga pagar, o governo irá fornecê-lo algum. 

Os pensamentos de Larry estavam distantes. Ele não iria voltar para Zara. Talvez ter saído de casa naquela noite não tivesse sido uma escolha madura de sua parte. Agora, ser preso, fazia total sentido para ele. Ele se sentia culpado. Sentia-se culpado por não ser capaz de livrar o amigo dessas burradas antes, e se sentia culpado por deixar a mulher que tanto ama e grávida, para trás. 

Dias atuais. 

Era possível ver a tensão no corpo de Larry. Agatha tentava entender o motivo de tanto medo, afinal, Zara ia visitá-lo, não? Ou pelo menos, deveria. Connor e Justin estavam encostados no capô do carro, esperando que Larry tomasse uma atitude. 

Mas Larry não conseguia se mover, seus pés estavam pregados ao chão e sua respiração estava pesada. Ele sabia que havia possibilidades de Zara estar com outro homem. Ela era linda, e o filho deles precisava de um pai. Talvez ela já tivesse encontrado um. Ela não iria gostar que o pai de seu filho fosse um presidiário. Ele não poderia simplesmente entrar naquela casa e dizer ''Cheguei, querida''. 

Não era tão fácil. 

— Acho melhor levá-los até os seus destinos. 

— Nada disso. — A menina mais baixa que ele, entra em sua frente, o impedindo de continuar a andar. — Nós não chegamos até aqui para você desistir. Você atravessou praticamente o país, deu carona para três jovens loucos e totalmente desconhecidos, nos aguentou por quase três dias! Para você chegar aqui e simplesmente desistir? 

— Eu não posso fazer isso, Agatha. — Naquele momento era possível ver a tristeza no olhar de Larry. Sua voz estava baixa e todos ali, sabiam, que naquele momento, Larry estava fraco. 

— Pode sim, e você vai. — Agatha determinada, enfiou sua mão no bolso de Larry pegando a chave do carro. Jogou para Connor e voltou a olhar para Larry. — Mas antes, vamos dar um jeito em suas vestes. Você ficou sem ver sua mulher por seis anos. Não pode aparecer assim

— Agatha passou seus olhos por todo o corpo de Larry e negou com a cabeça. — Connor dirige. Vamos! 

Agatha pegou na mão de Larry e o levou até o carro. Sem contestar, Larry se sentou ao lado de Agatha. Connor se posicionou no banco do motorista e Justin ao seu lado. Logo partiram em direção a uma loja de roupas mais próxima. Os três jovens estavam determinados a juntar Larry e sua noiva, novamente. E eles não descansariam até que isso, de fato, acontecesse. 

Logo avistaram uma loja de roupas em uma esquina. Era pequena e simples, ideal para os jovens que não tinham um grande orçamento, mas eles não se importariam em gastar tudo o que tinham para ver o homem que os levaram até ali, feliz. Larry sai arrastado do carro e mesmo se recusando a andar, a pequena ruiva o puxava com toda a força que tinha em seu magro corpo, como uma criança birrenta. 

Eles entram na loja e uma mulher de cabelos loiros aparece, sorridente, não escondendo seu fascínio ao olhar para o homem acompanhado de outros jovens. Connor encosta-se no balcão, ergue uma sobrancelha e sorri de canto, recebendo a atenção da mulher que ainda sorria. 

— Sejam bem vindos. Em que posso ajudá-los? — A mulher pergunta e Connor lhe lança um olhar galanteador, acompanhado por um sorriso malicioso. 

— Pode ajudar em muitas coisas, gata. — Ele canta a mulher que tem o rosto coberto por um intenso rubor. Justin bate na nuca do garoto e intercede pela situação. 

— Desculpe pelo nosso amigo cheio de hormônios aqui. — Ele olha feio para Connor que revira os olhos e se afasta do balcão. — Queremos algo apresentável para aquele que está indo encontrar sua noiva. 

— Oh, temos muitas opções. — Ela divaga, sem conseguir esconder o ânimo por finalmente vender algo em um dia difícil e pouco frequente de pessoas em busca de roupas baratas. 

Agatha sorri e continua puxando Larry pela mão. Eles entram na sessão única do lugar e começam a olhar para todas as peças de roupas. A mulher lhes mostra muitas variedades de cores e modelos. Larry que se mantinha em uma carranca, não podia opinar em nada, pois nem um daqueles jovens lhe permitia questionar sobre o que estavam escolhendo. 

— Vá se trocar e saia para que vejamos. — Agatha diz e joga uma pilha de roupas nos braços de Larry que não tem tempo para questionar, pois sente o empurrão em suas costas pelas mãos pequena da garota. — Ande logo, homem. 

Bufando, ele entra na cabine e coloca as roupas sobre uma cadeira e começa a tirar suas roupas velhas. Ele tira sua calça e logo a sua camisa, revelando no reflexo no espelho a tatuagem que ele tinha em seu peito agora. Havia um nome tatuado em seu peito esquerdo, bem do lado do seu coração. Ele se encorajou a ter sua pele tatuada após grande insistência de seus companheiros de cela, e ele sabia que aquilo estaria para sempre em sua pele, assim como o amor que ele já conseguia sentir pelo seu filho. 

Ele veste a primeira peça de roupa. Uma camisa preta e uma calça em tom caqui, nada agradável para os olhos de quem o visse. Ele abre a porta do vestiário e sai, revelando seu corpo trajado na roupa. Connor arregala os olhos e Justin não perde tempo antes de bater uma foto do homem que rosnou para seu ato, e por incrível que pareça, o loiro não se intimidou. Agatha ria alto da situação em que Larry se encontrava, vestido em uma calça moderna, mas as barras mal chegavam aos tornozelos do homem de porte alto e forte. 

— Com certeza não. — Ela diz, mordendo seu lábio inferior para reprimir sua risada. 

— Jura? — Ironiza enraivecido e volta para o vestiário, choramingando mentalmente por ter ainda tantas roupas para vestir. 

Larry perdeu a conta de quantas roupas havia experimentado e tido que lidar com as crises de riso e os flash's voltados em sua direção sempre que ele vestia algo que não era do seu tamanho ou que o deixava engraçado. Sentia-se incomodado também com os olhares avaliativos de Agatha e da jovem atendente que se divertia ás suas custas. Ele já estava exausto por experimentar tantas roupas e nenhuma lhe servir. Ele garantiu que aquela peça de camisa, calça jeans e um par de sapatos sociais, seria sua última tentativa. 

Ele passa as mãos por seu cabelo e abre novamente a porta da cabine do vestiário, revelando sua presença. A camisa cinza claro de botões e mangas cumpridas se contrastou perfeitamente com a calça jeans de lavagem escura e os sapatos marrons. Agatha quase se engasgou com sua própria saliva quando seus olhos passearam pelo homem, que agora parecia ser outro. Não que ela achasse Larry feio ou algo do tipo, mas vê-lo vestido como um homem de negócios era o que deixava seu misterioso charme ser seu ponto forte e ela sabia que se ele não amasse uma única mulher, todas que o vissem se encantariam. 

— É isso! — Os jovens e a mulher disseram ao mesmo tempo. Larry sentia-se envergonhado por ter aquelas pessoas o olhando, mas ele não iria se permitir corar como uma garotinha. 

— Então podemos ir embora? — Ele pergunta aflito. 

— Iremos levar tudo. — Agatha diz sorrindo e a mulher sorri de volta. — Ele já irá vestido. 

— Certo. — A mulher diz e Agatha a segue até o balcão, para pagar pelas roupas de Larry, mas a sua voz rouca chama sua atenção. 

— Eu irei pagar. — Ele diz simplesmente, sentindo-se ofendido por uma garota e ainda por cima que mal conhece, pagando pelas suas vestimentas. 

— Não, Larry. Isso é um presente de agradecimento por ter nos trazido com você. — Diz de maneira doce, sem perder seu sorriso. — Gaste seu dinheiro com um bonito ramo de flores que há do outro lado da rua. 

Ela não espera sua resposta, apenas segue atrás da mulher que já digitava em seu computador. Agatha paga tudo e recusa até mesmo a ajuda oferecida por Connor e Justin que, derrotados, se afastam da garota e se aproximam de Larry enquanto ele apanhava os trapos de suas antigas roupas no chão. 

Todos se despedem da atendente que deseja sorte ao homem e seguem para o outro lado da rua. Empolgada, Agatha corre na frente e cumprimenta uma senhora que cuidava das flores e plantas de sua pequena floricultura. A ruiva começa a olhar cada uma das flores e lê cada um dos significados, procurando encontrar as ideias para um homem arrependido conseguir o perdão de sua família. 

— Queremos lírios brancos, lilás, azuis e vermelhos. — Agatha diz, tomando frente da situação. 

Os homens atrás dela se entreolham, não sabendo o que aquilo significava. Não que eles não fossem românticos, mas não podiam dizer que eram os tipos de caras que davam flores para suas namoradas sabendo o que elas significavam. Para eles, flores eram flores, não importavam quais fossem. 

— Porque todas essas cores? — Connor, sempre curioso, pergunta e a garota troca um olhar cúmplice com a senhora e olha para o moreno perdido. 

— Ela irá saber. — Agatha olha para Larry que olhava com ternura para a menina. 

Ele sabia que não teria palavras para agradecer aos jovens tagarelas que o fizeram por tantas vezes perderem sua paciência nos últimos dias, mas também o fizeram se sentir vivo. Se não fossem aqueles dois garotos e aquela menina, ele não tinha certeza se ainda estaria em Chelsea ao invés de estar dando á volta para fugir e aceitar sua derrota. 

Larry paga pelas flores, e eles saem da floricultura, atravessando a rua e entrando novamente no carro, mas agora Larry voltara ao volante.

O homem conduz o carro até um posto, para uma simples revisão e não demora antes de retornar para a rua da casa de Zara. Os três jovens saltam para fora do carro e observam a vagareza do homem para fazer o mesmo e todo o seu nervosismo havia voltado. 

— Eu não sei se consigo. — Ele diz baixo, olhando para a casa de porta fechadas, mas as duas janelas da frente estavam abertas e tinham cortinas esvoaçantes pelo lado de dentro. 

— Você não pode desistir agora. — Connor diz, olhando para o homem. 

— Você tem que ir, Larry. Bata na porta e espere. — Justin diz. 

O homem olha para os três jovens e abaixa o seu olhar para as flores em suas mãos. 

— O que vocês irão fazer agora? — Ele pergunta, apanhando cada uma das expressões. 

Ele pensara que veria confusão, medo ou incertezas, mas não. O que ele viu nos olhares de seus companheiros de viagem foi determinação e felicidade, talvez por estarem onde desejavam ou simplesmente por vê-lo onde devia estar.

— Ficaremos bem. — Agatha diz. — Agora, vá até aquela porta antes que eu faça isso por você. — O tom imponente da menina não intimida Larry, mas o faz sorri, sentindo o quão trêmulos estavam seus lábios. 

— Me prometam que terão juízo, seja lá para o que forem fazer á partir de agora. — Isso era o que Larry temia. Querendo ou não, ele se importava com aquelas crianças. 

Ele, um homem vivido e machucado, não queria que aqueles jovens tivessem seus sonhos perdidos como os seus foram por mero erro de sua parte. Ele jamais poderia imaginar que aqueles três se tornariam importantes para ele. E mesmo que nada desse certo em sua vida, ele ficaria feliz se um dia ouvisse falar sobre eles e soubesse que eles alcançaram tudo o que há dentro daquelas cabeças malucas. 

— Prometemos, se você prometer ser feliz. — Justin diz sorrindo. 

— Eu vou. — Larry olha por cima dos ombros para a casa novamente e respira fundo. 

Nenhum deles precisou dizer ''obrigado'', pois em seus olhares havia agradecimento suficiente por todos os atos que tiveram nos dias que passaram juntos. Com isso, Larry retira uma coragem que não o pertencia mais e anda até a porta da casa, subindo os curtos degraus e para com os pés em cima do tapete de boas vindas. Ele solta uma mão do ramo de flores e ergue o seu punho fechado para cima. 

Ele bate duas vezes. 

Larry sabia que se passara apenas alguns segundos, mas ele bate novamente, se desesperando pelo que poderia sair por aquela porta. Ele não queria, mas em sua mente se passava a possibilidade de haver um homem abrindo a porta da casa de sua Zara e dizer que ela não se encontrava, pois estava no trabalho. 

Ele se odiava por se torturar com esse pensamento, mas não podia evitar, ele sabia que em seis anos muitas coisas podiam acontecer. 
Deus queira que não. Ele pensa. 

E ouvem-se passos do lado de dentro, fazendo seu coração bater ainda mais forte. A porta é aberta, não completamente, mas o suficiente para ele ter a visão mais linda de toda a sua vida. Zara estava com um sorriso, que aos poucos se desfez, pois assim como Larry estava surpreso por vê-la, ela não esperava vê-lo em sua porta, após tanto tempo. 

E lá estava ela. 

Seus cabelos estavam ainda mais longos do que ele podia lembrar-se e mais claros também. Sua pele sempre livre de imperfeições parecia brilhar contra a fraca iluminação do sol. Seus olhos amendoados continuavam grandes e brilhantes. Os mesmos olhos que conquistaram Larry desde a primeira vez que os seus se focaram neles. No momento em que ele viu seu rosto coberto por mechas grossas de cabelo, cobrindo parte de seu rosto enquanto ela trabalhava na lanchonete, após sair da Universidade, ele se viu louco por ela. De algum modo, ele já sabia que todas as manhãs seguintes só seriam boas quando ele á visse, sorrindo para os clientes e corando quando sentia alguém olhá-la com admiração. Ele não era o único á achá-la bonita, mas ele queria ser o único para ela. 

Ele lembra-se bem de como foi chamá-la para sair com ele pela primeira vez. Ele ficou indo por dois meses na lanchonete, pedindo sempre a mesma coisa e desejando ser atendido apenas por ela, pois ele gostava de receber o sorriso doce vindo em sua direção. Em uma noite, ele á levara para casa e ouviu sobre seus problemas com o pai alcoólatra. Ali, ele soube que queria ser um porto seguro para ela e á queria segura, em seus braços e longe de todo e qualquer problema. Quando eles saíram, ele precisou ser um cavalheiro para não agir como um medieval e privar o mundo de olhar para a sua mulher. 

E quando o primeiro beijo aconteceu. Ah, foi o melhor sabor que ele já sentira em sua vida. Não levou tempo para que eles namorassem e logo estivessem morando juntos. Larry sentia-se feliz em ter Zara sempre ao seu lado, acordando pela manhã e se espreguiçando, manhosa, na cama. Ele queria sempre ter aquela cena quando acordasse e queria tê-la ao seu lado em toda e qualquer situação, por isso não tardou para que o pedido de casamento fosse feito. O pedido que melhorou ainda mais a sua vida ao lado de sua bela morena. 

— Larry... — Ela sussurra completamente incrédula. Seus olhos fecham-se e abrem-se diversas vezes, apenas para se certificar que não estava tendo mais um sonho. 

— Zara... — O homem também sussurra, se deliciando com o som da voz da mulher ao pronunciar o seu nome. O nome que sempre parecia bonito, apenas por ser pronunciado por ela. 

— O que... O que faz aqui? — Ela segurava com tanta força na maçaneta da porta que podia sentir sua pele arder. 

— Eu vim conversar. Na verdade, eu vim lhe pedir perdão. — Ele diz e estende as flores em sua direção, mas ela recua um passo para trás. 

Tudo estava confuso e ela ainda estava visivelmente magoada pela sua partida. Mas, ele não podia se amedrontar pelo seu olhar inexpressivo ou por seus lábios pressionados. Ele tinha que ficar e esperar pelo sim ou pelo não, seja lá o que fosse, seria a resposta que ele mereceria ouvir. 

Zara empurra a porta para frente e isso começa a quebrar Larry, pedaço por pedaço. Essa era uma dor que ele temia ter que sentir, mas se arriscou ao bater nessa mesma porta que quase se fecha em seu rosto. Quase. Ela passa para o outro lado e a abre novamente, dando espaço para que o homem entre, e o mesmo não conseguia se mover, pois estava embasbacado demais com a situação. 

— Entre, Larry. — Ela diz com a voz entre cortada e agora com lágrimas nos olhos. — Corey logo chega da escola. 

Larry limpa sua garganta e dá o primeiro passo para dentro da casa. Ao passar por Zara, ele olha ao redor e vê que havia uma comodidade absoluta e em todo lugar havia o toque especial de sua amada, o que tornava o ambiente o melhor lugar que ele poderia estar. Ele olha para a morena, agora se posicionando em sua frente e não tem tempo para analisar, pois a mesma se joga contra se corpo, entrelaçando seus braços em seu pescoço e chorando como desejou chorar quando ele voltasse para casa. 

Do lado de fora da casa os três jovens se olham sorridentes, vendo que havia dado certo o que eles tanto torceram. Mas, logo se entristeceram, pois sabiam que aquela era a hora de dizerem adeus e seguirem os caminhos que tinham que seguir. Eles sabiam que esse momento chegaria, mas não sabiam que se importariam tanto, já que eles não eram amigos e não sabiam nada sobre o outro, mas a vida era o que era. Eles foram quatro desconhecidos que se uniram por alguma peça do destino e agora era o momento de partirem. 

Eles se olham por longos minutos e cada um vai para um lado, em silêncio, pois nenhum deles queria ouvir que aquele era o fim. Justin que registrou uma última foto de Larry sendo recebido por sua mulher, vira-se par ao lado esquerdo e começa a seguir. Agatha, aperta as alças de sua mochila e vira-se para o lado direito. E Connor, ele continua parado no mesmo lugar, pensando o que ele faria agora. 

Três jovens misteriosos, com sonhos e segredos. Eles jamais esqueceriam a viagem que fizeram, por mais curta que tenha sido. Muita coisa fora deixada para trás, mas eles não se arrependiam, pois se voltassem no tempo, eles não teriam se conhecido. 

Connor saiu de casa cedo, cansado de ver a pobreza de alma de sua família após a partida de seu irmão para a Aeronáutica. Precisou aprender a se virar sozinho. Ele caiu no Brooklyn e começou com trabalhos pequenos, desejando um dia voltar para casa como um homem formado, mas a vida não pegou leve com ele. O mesmo sonhador se dedicou ao seu lar de latarias para juntar moeda por moeda, para voltar para casa e reencontrar o irmão que não vê a anos. Ele não sabia como seria recebido, mas como sempre, nada estragaria o seu bom humor. 

Justin também tinha sua história difícil. O seu pai recém chegado em sua vida, ordenara que ele se portasse como um homem e assumisse seus negócios, mas o jovem não se via como um engravatado e não me submeteria á tal papel. Seu pai, ou o seu progenitor como gosta de chamá-lo, dissera que se ele saísse pela porta de seu escritório, não precisaria mais voltar para sua casa e nem mesmo contar com o seu dinheiro. O loiro pouco se importou, saiu pela porta e passou em sua casa apenas para se despedir de sua mãe e pegar sua câmera. Vagar pelo mundo sem cobranças sempre fora seu sonho de menino, e ele achava que já estava na hora de torná-lo realidade. 

Já Agatha? Ah, essa sempre seria um enigma. Com pais superprotetores ela teve que lidar com regras desde cedo e isso para ela era uma completa dor de cabeça. Com seu jeito sempre travesso, ela sempre se metia em enrascadas e recentemente descobrira que seria mandada para um colégio interno em outro país, o que a fez agir como lhe surgiu em sua mente. Abandonou tudo para trás quando pegou sua mochila e fugiu de casa, deixando muitas coisas para trás, mas tendo a certeza que novas coisas viriam. E ela estava pronta, sejam elas boas ou ruins. 

E cada um deles, mesmo sendo diferentes um do outro, podiam não saber, mas fizeram parte de algo grande. 

O mesmo homem que um dia escreveu na parede de sua cela em letras garrafais a palavra ''liberdade'', agora tinha o que tanto almejou. E aqueles três jovens fizeram parte das histórias de um homem livre.


Notas Finais


Espero que tenham gostado de HDUHL tanto quanto eu e Andressa <3

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