História Historias Macabras de Horror: Orfanato - Capítulo 8


Escrita por: ~, ~LucydasCoxinha e ~iAzure

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Hmh, Horror, Orfanato, Primeira Temporada, Silenthill, Slenderman, Terror
Exibições 45
Palavras 4.454
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 8 - Capítulo VIII: Inferno


Historias Macabras de Horror: Orfanato

Capítulo VIII: Inferno

 

 

 - Está vendo? - Johnny, que estava bem próximo à porta, entrelaça a sua mão sobre o cadeado, se referindo ao objeto. - Ele vive trancado. Ninguém entra aqui dentro há anos.

 

 - Que pena - rebatia Alice meio sonolenta, tentando se aquecer naquela manhã gelada. - Não tinha um horário melhor não? Logo pelas sete da manhã? Eu estou morta de sono.

 

 

 O Sol retornava o seu ciclo incessante de calor e luminosidade, aquecendo e retirando os rastros da gélida e úmida madrugada.

 O cheiro das folhas em decomposição, as belíssimas folhas amareladas e douradas, deixava aquele local bem mais fresco e vívido. As mesmas folhas forravam o chão, criando um imenso tapete amarelo que contrastava com o vermelho sangue do vestido de Alice.

 Johnny estava vestido com uma camisola azulada, de um azul frágil e suave, manchada da terra escura e rica em húmus com o recente descuido que tivera após tropeçar em um tronco de árvore estirado em meio a mata.

 A cabana: suja, velha e com as tábuas de madeira em processo de decomposição, caindo rente ao chão rico em relva e plantas daninhas. Medonha? Sim, sem dúvida alguma. Era audível sons sem pretexto e sentido em seu interior, desde rangidos vindos das tábuas de madeira até risadas infantis tão baixas, que Johnny e Alice pensavam em ser fruto de suas mentes perturbadas. Uma escuridão mortal se presenciava lá dentro... Apenas algumas frestas de luz tentavam revelar o conteúdo de seu interior e combater o breu consagrado. Pequena? Não, a cabana era imensurável em ambos os sentidos: Altura, comprimento e largura.

 O Sol se esconde atrás das nuvens. O vento percorre as árvores escuras e sem vida, derrubando algumas folhas resistentes e balançando os seus galhos duros. O frio reaparece congelante a partir do percorrer do vento, trazendo calafrios horríveis perante a pele de Alice. 

 

 

 - Precisávamos vir neste horário, Alice - respondia Johnny, se aproximando da garota de vermelho. - Assim ninguém iria nos ver e nos seguir até aqui.

 

 - Entendo... - e a sua boca se abre em forma de bocejo, escancarando o sono que sentia.

 

 - Por que você está com sono? A dama não está acostumada em acordar cedo? - indagava Johnny enquanto ria, deslumbrando os seus dentes claros entre os seus lábios avermelhados.

 

 - Não! - respondia, exclamava, ria a menina. - Na verdade eu não me acostumei com o novo dormitório... As garotas de lá não gostaram de mim - os cabelos balançam e embaçam o seu rosto graças ao forte e congelante vento repentino.

 

 - Que nada! - ele dizia enquanto amaciava o rosto de Alice com os seus dedos. Uma forma bonita de demonstrar o carinho que sentia por ela. - É inveja de sua beleza divina - a sua voz saía doce e atraente, de uma forma agradável para os ouvidos de Alice.

 

 Alice se surpreende com um suspiro. Doses de adrenalina tomam o seu corpo, acelerando o seu coração e tornando a sua respiração ofegante. As suas bochechas se avermelham de vergonha, em contraste com as suas olheiras escuras, e, para tentar escondê-las, abaixa a sua cabeça e deixa os seus cabelos rente a face branca do seu rosto.

 

 - Pare com isso - ela fala baixo, com uma vergonha imensurável tomando as suas veias e a sua carne frágil. - Eu nem sou tão bonita...

 

 - Mentira! - e ele joga um sorriso leve entre risadas, debochando da mentira absurda que Alice disse. - Ei! - ele apoia os seus dedos abaixo do rosto da garota e o ergue, ficando frente a frente, olho a olho. - Você é a menina mais bonita, divertida e alegre que existe nesse orfanato, Alice... - os seus rostos se aproximam mais um pouco. Começam a respirar pela boca completamente estarrecidos e...

 

 "Jane, quem entregou a refeição para os meninos ontem à noite?" - uma voz feminina brota da floresta. Passos violentos tocam o chão, quebrando galhos e retirando as folhas do solo.

 

 "Mary. Mary que entregou a refeição ontem pela madrugada."

 

 - Quem são essas pessoas? - Alice dizia se virando em direção às vozes. 

 

 - É Jane e Louise - responde Johnny, após reconhecer o timbre rouco de Jane e a voz doce de Louise. - Vamos embora.

 

 - Mas por quê? - incompreensiva, Alice olha para Johnny sem empolgação. - Nós acabamos de chegar. Podemos entrar na cabana pela janela e...

 

 - Silêncio! - cochicha, pede, interrompe Johnny. - Se Jane nos ver aqui perto, eu nem quero saber do que ela é capaz - com um timbre baixo e inaudível, o garoto falava bem próximo das orelhas da menina. 

 

 - Mas ela está acompanhada por Louise! - Alice diz um pouco alto, tentando sobrepor a ordem de Johnny. - Você disse para mim que Louise é uma ótima pessoa, tenho certeza que ela...

 

 - Me escuta! - Johnny coloca as suas mãos sobre os ombros de Alice, que se cala com o timbre autoritário do garoto. - O problema não é Louise, e sim a Irmã Jane. É extremamente proibido qualquer criança vir para cá. Se Jane nos ver e dizer para Madeleine, eu nem quero ver as prováveis consequências - falava rapidamente, sem ter o devido tempo para respirar. - Agora, vamos sair daqui, Alice? - ela responde apenas assentindo com a cabeça. - Está bem, então. Vamos! - ele entrelaça os seus dedos sobre a mão dela e a puxa em direção ao orfanato. 

 

 Nenhuma alegria aparecia na face de ambos.

 O vestido vermelho como o fogo se hasteava sobre o vento, e o cabelo balançava, fluía. 

 Correram chutando as folhas do chão, as deixando soltas pelo ar.

 Correram apressados sem olhar para trás em nenhum instante, mesmo sabendo do provável perigo que passavam.

 

 

 - Vamos, Clarice. Estão chamando na cantina! - apressada, Mary batia na porta do quarto da noviça enquanto a chamava. 

 

 As crianças saíam de seus dormitórios às pressas, correndo pelos corredores em direção ao refeitório.

 Louise e Tomas apareceram em cada quarto, dizendo sobre um anúncio na cantina, sendo importante a presença de todos no estabelecimento.

 

 Clarice se arrumava. Colocou o seu hábito branco e se dirigiu à porta, a abrindo com um falso sorriso no rosto: - Olá, Mary! - uma entonação de sono aparece em sua voz. - O que aconteceu para que você batesse em minha porta com tanto alarde? - indaga, olhando incompreensiva para o rosto de Mary. 

 

 A Irmã gentil a olha atenciosamente. Cada detalhe daquele rosto lhe deixava mais intrigada. Ela a reconhecia de algum lugar, talvez de épocas passadas, mas não se recordava. Um bloqueio interferia a sua memória, sendo que a própria tinha uma incrível, incomparável. Seria uma questão de tempo para que Mary lembrasse, e isso aconteceria mais cedo ou mais tarde.

 

 - Uma reunião foi proclamada sem aviso prévio, noviça Clarice - simplicidade e compaixão cantarolavam nas palavras de Mary, enquanto que a noviça a observava com feições nulas. - Todos do orfanato foram chamados para um aviso importante.

 

 - O que Madeleine tem...

 

 - Não foi Madeleine que criou esta reunião prévia - Mary interrompe a provável ofensa da noviça -, e sim a Irmã Jane.

 

 - Jane? - interroga surpresa. - Mas o que ela quer com essa reunião?

 

 - Vamos para a cantina que nós descobriremos - Mary estende a sua flácida mão. Clarice a olha com cautela e "abraça" a sua mão sobre a dela, demonstrando algum tipo de afetividade com a Irmã.

 

 Se vão em silêncio completo. Nada se saia de ambas as gargantas enquanto viravam os compridos corredores até o local que desejavam. De longe ouviam os gritos alegres e infantis, gritos que perpetuavam pelos labirintos do orfanato.

 

 Chegando ao destino, elas encontram uma visão meramente interessante: Encima de um conjunto de mesas estava Jane, Tomas e Louise, sendo que a primeira se encontrava logo à frente, e os outros dois, no fundo, pelo lado direito da Irmã central. Dezenas de crianças estavam ao redor, formando uma incrível platéia impiedosa e inquietante. Gritavam e riam. Reclamavam do raios solares ardentes que penetravam a enorme vidraça, tornando aquele local iluminado e alegre.

 

 - Mary e Clarice chegaram - dizia Johnny, referindo às duas freiras que acabaram de subir o "palco", apontando para o local condizente.

 

 Com aquela alta quantidade de crianças, Johnny, Alice e Will não se destacavam. O trio estava um do lado do outro e também se queixavam do calor abafado do local, tentando se abanar com as vestimentas superiores.

 

 - Por que nos chamaram para cá, em? - reclamava Will, se virando para Johnny em espera de alguma resposta. - Estou muito cansado para ficar em pé. 

 

 - Também desejo saber, Will - responde Alice, olhando de uma forma carinhosa para o menino. - Se nos chamaram, se chamaram todas as crianças, é por que devem ter algo realmente importante para nos dizer. 

 

 - Não se preocupe, Will - consolava Johnny, bagunçando os cabelos louros do garoto, que sorria de ponta a ponta. - Não acredito que seja algo preocupante para todos nós.

 

 - Onde está Madeleine? - Alice pergunta curiosa, procurando atenciosa a freira de olhos violetas. - Ela deveria estar aqui. 

 

 - Verdade, Alice - Johnny copia os mesmos atos de Alice, girando o pescoço de um lado para o outro em busca dos rastros da Irmã Madeleine -, ela já devia ter chegado - ele fala em uma entonação mais alta, tentando sobrepor o incômodo barulho vindos das outras crianças.

 

 Com tantas dúvidas a serem esclarecidas, a Irmã Jane fica medianamente mais próxima da "platéia", provavelmente para esclarecê-las.

 

 - Bom dia para... - Jane tenta enfrentar a barreira de som, mas logo desiste por causa daquela algazarra. - Vocês poderiam pedir silêncio? Estou um pouco rouca - ela diz se virando para os presentes atrás de sua pessoa. 

 

 Louise, Tomas, Mary, Clarice, ambos andam até chegar mais próximos dos órfãos, pedindo, implorando, gritando por silêncio, sendo correspondidos com um gratificante.

 

 - Pode continuar, Jane - diz Tomas, voltando junto com os outros até as suas antigas posições.

 

 - Obrigada - dizia em forma de suspiro, baixo o suficiente para passar de despercebido. Antes de fazer a sua declaração, Jane observa as crianças com desprezo, olhando para cada feição de medo estampado naquelas faces demoníacas. - Bom dia para todos vocês - pausa. A Irmã espera um "bom dia" vindo das crianças, mas recebe um silêncio impetuoso oriundo das mesmas. - Devo fazer este triste comunicado, infelizmente... - uma simples arfada saí entre os seus lábios, enquanto que os presentes no refeitório se contorciam de curiosidade - infelizmen... É... Madeleine nos deixou, meus queridos. Ela foi embora, levou os seus pertences e se foi sem entregar a devida despedida do orfanato.

 

 - Como assim, Jane? - intervém Mary, que estava perplexa como todos os outros presentes. - Está querendo dizer que Madeleine foi embora? Que nos abandonou sem dar um mísero "adeus"? - incrédula, Mary não acreditava nas palavras da freira. 

 

 Murmúrios. As crianças conversavam sem parar, completamente pasmas com o recém comunicado de Jane. 

 

 - Sim, Mary, Madeleine foi embora, como eu acabei de falar - Jane mente de uma forma extraordinária, se virando para a Irmã Mary e a olhando com uma simplicidade impecável. - Se foi sem aviso prévio, demonstrando a irresponsabilidade proveniente dela. Madeleine nos deixou aos prantos, e eu, sendo uma grande devota do Senhor Jesus Cristo, irei socorrê-los desta ignorância.

 

 - O que você quer dizer com isso, Irmã? - desta vez, Clarice que intervia, colocando a sua voz suave, mas certeira, em uma entonação mais alta.

 

 - Simples, Clarice - Jane se vira para as crianças e grita em um alto nível de clareza -, eu serei a nova administradora do orfanato.

 

 Espanto. Faces horrorizadas de medo e curiosidade aparecem em cada rosto infantil.

 "O que será de nós?", dizia um.

 "Onde está Madeleine?", dizia outro. 

 "Jane só pode estar brincando com a gente", falava um lá no fundo.

 "Deus tenha misericórdia de nós", implorava uma criança qualquer.

 

 - Você? Você é a nova...

 

 - Sim, Mary, eu sou a nova administradora. E tomando o meu mandato, eu já criei algumas reivindicações 

 

 - Reivindicações? - indaga Mary. - Que tipo de reivindicações?

 

 - Uma das primeiras que eu fiz foi expulsar os voluntários daqui: faxineiros, cozinheiros, pedagogos, todos eles não irão mais praticar os seus devidos serviços neste estabelecimento - um suspiro final se melancoliza pelos lábios de Jane.

 

 - Como? - outro momento perplexo de Mary se sobressai. - Você irá dar aula sozinha para os órfãos? Quem vai cozer os alimentos? Quem fará a faxina no orfanato? - várias perguntas, que também passavam pelas mentes das pessoas do refeitório, foram faladas em contradição às reivindicações de Jane, que estava rindo silenciosamente.

 

 - Já tenho tudo planejado, sua lerda - Jane a ofende com um sorriso no rosto. - Eu e Clarice daremos aula às crianças; você e Louise ficarão encarregadas de fazer as refeições; e o padre Tomas será obrigado a celebrar as missas todos os domingos, tendo algum tipo de responsabilidade com os fiéis - uma autoridade impecável aparece naquelas palavras, sendo correspondidas com um assentimento das pessoas citadas.

 

 - E as faxinas? - interroga Louise. 

 

 - A faxina irá ser praticada pelas crianças, ora essa! - há uma rejeição incrível vinda dos órfãos, que a vaiam sem pudor algum. - Se eles sujam, eles devem limpar, precisam perder essa preguiça vergonhosa.

 

 - Que crueldade - Mary diz baixo, não acreditando naquela barbárie proposta por Jane.

 

 - Ainda tem mais algumas coisas: Liguei para a nossa rede telefônica e pedi para que a cancelarem, pois precisamos economizar até o Natal, se por acaso as crianças desejarem bastante presentes - e uma risada forçada sai da garganta de Jane. - Também será extremamente proibido os passeios na floresta até a segunda ordem, vide que algumas crianças já desapareceram lá e nunca mais foram encontradas - há uma boa compreensão por essa nova regra. Crianças e mais crianças sumiam sem deixar nenhum rastro, podendo essa medida intervir nestes desaparecimentos. - Deixei o melhor para o final: Johnny, Alice, poderiam vir aqui para frente, por favor?

 

 Johnny e Alice se entreolham, virando-se um para o outro.

 

 - Vamos, Alice? - pergunta Johnny, estendendo a sua mão em meio a multidão.

 

 - Mas se ela... - receava a garota, logo sendo interrompida pelo menino.

 

 - Vamos logo, Alice! - ordena Johnny impaciente, agarrando no antebraço da garota. - Depois a gente se ver, Will - diz carinhosamente, puxando Alice em direção ao "palco".

 

 Alice apenas entrega um aceno de despedida para o menino de cabelos loiros, que copia o mesmo afeto com um incrível sorriso no rosto.

 

 Após esquivarem e atravessarem com muito esforço aquele "mar de gente", Alice e Johnny chegam ao seu destino, ficando um do lado do outro.

 

 - Tomas, Louise - Jane se vira para eles com um sorriso de canto -, venham para cá. Vocês sabem o que devem fazer.

 

 Louise e Tomas andam cabisbaixos até os meninos. Um sentimento de culpa tomam a razão, os corpos, os movimentos de ambos graças ao ato que praticaram em instantes. A chantagem de Jane os deixaram inaptos, sem escolha... Não sabiam fazer mais nada do que obedecer aquele demônio de vestimentas de freiras.

 Cada passo que davam uma pontada horrível em seus peitos denunciavam a compaixão que sentiam por eles dois. As feições de melancolia das crianças e a terrível curiosidade que invadiam as suas mentes deixavam o padre e a freira com uma pena incomparável daquelea inocentes órfãos.

 

 Tomas fica ao lado de Johnny, e Louise, ao de Alice, ambos os segurando com algum nível de força. 

 

 - Johnny - lágrimas escorrem pelo rosto do pároco -, eu te amo! - e um soco extremamente violento acerta a mandíbula do garoto, que logo cai no chão desmaiado.

 

 - JOHNNY! - Alice ganha um murro no centro de sua face, vindo de Tomas, que logo a silencia, a deixando estirada no chão inconciente.

 

 Todos entram em choque. Aquele ato havia trazido um clima de revolta para todos: freiras e crianças horrorizadas, que gritavam e arfavam. Era uma verdadeira algazarra.

 

 - JANE! - um grito horrendo brota da garganta de Mary.

 

 - Não grite, sua vadia imunda - a ira se proclama na ofensa de Jane. - Estes serão as primeiras pessoas a irem para a cabana ou, como estou acostumada, brinquedoteca - vaias e mais vaias se repercutiam pela cantina, deixando Jane irosa. - Se calem! Peguem as vassouras, baldes e comecem a limpar este orfanato, ou vocês irão acompanhar estes dois demônios.

 

 E os corpos inconscientes de Alice e Johnny são levadas à cabana, enquanto que um clima infernal de terror, horror e revolta envolvia todas as crianças, que começavam a lavar e se dirigir a cada cômodo do imensurável orfanato. 

 

 

Algo queimava o seu braço. Talvez um pedaço de ferro quente ou uma brasa escaldante, sendo isso nada importante para dor proveniente daquilo queimando a sua carne. Provavelmente seria uma queimadura de segundo grau, aquela onde se cria uma bolha dolorosa de um líquido incolor. 

 Ele desperta com aquilo. 

 Nada se conseguia enxergar, tudo um breu, tudo estava turvo. Luzes brancas passavam pela sua visão assiduamente, de um lado para o outro. 

 Nada se podia ouvir, apenas risadas falhas e um zumbido estridente dentro de sua cabeça. 

 Cefaleia. Uma horrível cefaleia toma conta de todo o seu crânio, e o seu cérebro pulsava, se expandia e contraía, tocando na barreira daqueles ossos. 

 O cheiro de sua pele queimada, misturada com os odores de algo em putrefação e das paredes com mofo, o enjoavam. Uma ânsia de vômito aparece em seu esôfago. Aquele gosto azedo e amargo toma conta de sua língua, lhe deixando cada vez mais enjoado.

 Ele vomita. Aquele vômito amarelo sai das entranhas de seu estômago, fluía pela sua garganta e se expele de sua boca, jorrando pelo seu lindo rosto, logo o sufocando, o engasgando, o matando lentamente. Não conseguia respirar, cada vez que tentava exalar um pouco de ar para os seus pulmões, mais daquele líquido amarelado adentrava as suas narinas, lhe atordoando aos poucos. 

 Ele se debatia. 

 Percebia que estava deitado, provavelmente em uma maca, estando deitado naqueles colchões desconfortáveis.

 Algo queima o seu outro braço.

 Como aquilo o massacrava.

 Um grito abafado se expressa de sua garganta, o primeiro de muitos.

 Outro grito, agora mais estridente, ecoava por aquele quarto.

 Recebe um tapa forte na cara: - Não grite, desgraça! - dizia alguém de voz rouca. O tapa ardia tão quanto as queimaduras em sua pele. Foi uma agressão que tomara o lado direito de seu rosto, avermelhado como fogo.

 Suava. O suor percorria pelo seu rosto e descia pelos seus cabelos, os molhando.

 Como fedia. Ele cheirava a morte, a vômito, a derme queimada, a suor fétido.

 Percebe uma luz branca. Seria Deus? Ele poderia sair daquele sofrimento? Não, era uma lâmpada, que se encontrava logo acima de sua cabeça.

 Atordoado.

 Gritou. Mais outro tapa, agora do outro lado de seu rosto, foi acompanhado por um "cala a boca".

 Sons de peças de metais pairavam logo abaixo. Um alicate adentra a carne debaixo de sua unha, que foi prensada por aquelas garras de aço resistente. O alicate virava de um lado para o outro, torcendo a sua unha e a quebrando, fazendo com que uma ponta afiada da mesma adentre a pele recém descoberta. Ele grita e logo recebe um soco em sua cara, o calando. O alicate volta a adentrar a sua carne, prensa o restante da unha que ainda persistia e começa a arrancá-la, puxando a pele que se encontrava em sua parte inferior.

 Como aquilo doía. 

 Gemidos. Gritos. Tapas, inúmeros tapas, incessantes naquele rosto juvenil.

 Aquela unha se arranca com brutalidade, e o sangue jorra por aquele orifício, melando os lençóis que cobriam o colchão.

 Em outro polegar, um bisturi penetra com força na pele, rasgando brutalmente a derme. Com uma pinça, era retirada a carne recém arrancada, criando um pequeno buraco logo abaixo de sua unha. Um pedaço de madeira adentra aquele orifício com força. Parecia que seu dedo iria se achatar. Martelo, prego e pronto, a barbárie estava feita. O prego é colocada acima daquela unha e começa a perfurá-la a partir de cada batida do martelo. Uma, duas, três e o prego a quebra por completo, tendo a sua parte pontiaguda encravada no pedaço de madeira, sendo puxados logo depois, arrancando por completo aquela unha dura e resistente.

 Aquilo se prossegue em todas as outras. Cada uma que era retirada, era um grito abafado prosseguido por um soco violento em seu rosto. Cada parte de sua pele sendo retirada era um gemido estonteante.

 Vomitava novamente, agora sem força alguma. Um vômito levemente amarelo possuía a sua cara de uma forma brutal.

 Os seus olhos marejavam em lágrimas. Chorou aquele menino, que alto consagrava forte e rude. Cada lágrima que brotava de seus canais lacrimais, era uma risada maligna oriunda daquele ser demoníaco. U.a risada que se fluía rouca por aquela garganta. 

 

 "Você merecia mais"

 

 - Me solte... - um suspiro se expele entre oa seus dentes.

 

 Um murro no meio de sua testa fazem os zumbidos aumentarem, tendo como consequência uma dpr eletrizante em sua cabeça. 

 Vultos passeavam pelo seu campo de visão embaçado e escuro. Vultos riam de sua atual situação. Riam de seus dedos sangrentos e dolorosos, do seu rosto amarelado e pálido, e do líquido avermelhado que percorria as suas narinas.

 Um soco em sua barriga foi o golpe final. As dores de seus braços queimados e de seus dedos latejantes se cessaram com aquele agradável sono.

 Como alguém poderia fazer algo assim? Uma criança inocente, alegre e sorridente sofrendo assim é algo extremamente triste e desconcertante. Logo uma criança de treze anos, um adolescente florescimento, passando por traumas barbáries como aquele... Nenhum adulto suportava, imagina uma criança daquela idade! Ele respirava forçadamente pela boca, achava que iria morrer naquele instante, naquele exato momento. Ele iria morrer sem antes usufruir dos lábios delicados de Alice? Por que ele teria que morrer?! Os seus olhos pesam, e ele os fecham. A sua visão escurece; risadas e mais risadas vinham repercutiam por seus tímpanos; o cheiro de desgraça logo se acaba; e o frio horrível que sentia se finaliza.

 Poderia a morte tomar o corpo de nosso querido Johnny? 

 

 

 - E agora, Tomas - perguntava Louise aos prantos. - O que vai com o meu menino? O que vai acontecer com o nosso querido Johnny?

 

 Deitado na cama de casal do quarto de seu quarto, Tomas consolava a freira de sua desgraça e da deterioração de suas emoções. O soco que o padre deu em Johnny não acertou apenas naquele rosto, mas também no coração despedaçado de Louise, que chorava em sofrimento e tristeza.

 

 - Conversei com Jane, e ela disse que o Johnny sairá da cabana amanhã - Tomas acariciava a face branda de Louise, que acabava de apoiar a sua cabeça sobre o peito másculo do padre.

 

 Estava de noite, quente e abafado.

 Todos estavam tristes e preocupados com o "sumiço" de Alice e Johnny. Aquela agressão física havia colocado um clima de horror e melancolia em todo o orfanato.

 Os órfãos estavam com medo. Todos estavam inseguros com a nova administração do orfanato. Trabalharam como escravos, limpando, varrendo, secando cada cômodo, ficando mortos de cansaço e com uma fadiga imensurável.

 

 - Amanhã? - ela o olha preocupada no fundo de seus olhos. - Pelo menos ele comeu alguma coisa Tomas? - lágrimas e mais lágrimas escorriam pelo seu rosto. Lágrimas de um amor maternal afetuoso e verdadeiro.

 

 Ele engole à seco. Queria chorar também, mas precisava ser firme e forte... Tomas devia trazer um sentimento de segurança para Louise, e não de sofrimento e desgraça.

 

 - Não... A fome faz parte do castigo - ele não queria lhe dizer isso. Havia pensado inúmeras vezes antes de dizer aquilo, refletido sobre as prováveis consequências que aquelas palavras poderiam pesar na consciência de Louise. 

 

 Desespero. Louise se choca com aquilo. "Por que Jane é tão má com as crianças? O que aqueles adoráveis órfãos fizeram de mal com ela, meu Deus" - implorava. 

 

 - Mas que crueldade! Que horror! - mais lágrimas incessantes apareciam em seu rosto. - Tomas, nós presisamos tirar o Johnny de lá. Ele não vai aguentar ficar o dia inteiro sem comer...

 

 A paciência de Tomas se esgotava. Estava ficando atordoado e magoado por ter socado Johnny e Alice, e Louise não lhe ajudava esquecer daquele ato pela manhã, graças a essas suas lamentações irritantes e melancólicas. 

 

 - Chega, Louise! - um grito interrompe o choro da freira, que se cala constrangida. - Se você continuar eu me sentirei culpado de ter batido em Johnny... Chorar não adiantará de nada.

 

 Ela reflete. Realmente, ele havia razão. Aquelas lágrimas não tiraria Johnny de lá, apenas a afundaria em mágoa e desespero. Ela precisava se reerguer e agir rápido.

 

 - Me desculpe, meu amor - Louise acaricia o rosto de Tomas, o consolando da tristeza que ele omitia fortemente. - É que eu estou preocupada com o Johnny.

 

 - Eu também estou, Louise, mas chorar desta forma não adiantará em nada - ele diz franco, colocando algum nível de exatidão e firmeza em sua fala. - Eu o considero como um filho...

 

 A freira não escuta as últimas palavras proclamadas pelo pároco. A sua mente pairava sobre a último vocábulo dito: filho. Pensava, refletia, raciocinava, procurava as palavras certas para falar com Tomas.

 

 - O que foi? O que houve? Você se calou assim e não disse mais nada - dizia ele preocupado com o silêncio feito pela freira. 

 

 Ele havia percebido que ela havia se calado. Reparou que sua mente vagava em pensamento, pairava por suas palavras ditas. "Estaria preocupada? Passando mal talvez?", refletia sem ter uma resposta coerente.

 

 Louise respira fundo, fecha os olhos e diz cautelosamente: - É que... hoje à tarde eu fiquei enjoada e...

 

 O coração de Tomas palpita em pulsações frenéticas e sem compasso. "Louise não era de ficar enjoada. Se isso lhe ocorreu é por que algo realmente sério aconteceu com ela", pensava preocupado.

 

 - É o quê, Louise - diz desesperado -, diga logo! Me diga!

 

 Ela o olha triste. Não sabia se aquela notícia poderia espantá-lo ou alegrá-lo, nem ela sabia como dizê-la para ele. - Acho que estou grávida, Tomas - sorrisos de surpresa brotam em ambos os rostos. - Acredito que eu esteja esperando um filho seu.

 

 Atrás da porta, que estava entreaberta, se encontrava Clarice, que se espanta após ouvir aquela recém descoberta.

 

 Continua...


Notas Finais


Erros de ortografia? Opiniões? Críticas? Podem dizê-las logo abaixo que eu lerei com prazer.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...