História Hold On - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens D.O, Sehun
Tags ?2concursoexofanfics?, Dtehospital, Fluffy Meu Bambu, Kyungsoo, Não Tem Nada Aqui Deus, Sehun, Sesoo
Exibições 53
Palavras 9.107
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fluffy, Shonen-Ai, Universo Alternativo

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Ér... Oi, gente! Como estão vocês?

Resolvi arriscar meu pescoço e participar de um concurso, aeee! Só que, né, essa primeira semana não deu muito certo, pelo visto.

Enfim... Eu vou falar um pouquinho nas notas finais, quem quiser ouvir(ler)

Boa leitura e me desculpem os eventuais erros. São quatro da manhã e eu não consigo mais ler nada sem cochilar no caminho.

Capítulo 1 - Décimo quarto do quarto andar


Fanfic / Fanfiction Hold On - Capítulo 1 - Décimo quarto do quarto andar

Os passos estalados do solado duro daqueles sapatos ecoavam pelos corredores amplos de piso liso como se estivessem vazios. A verdade era que caminhar pelos corredores do hospital era o que KyungSoo mais gostava de fazer quando tinha um tempo livre de seus deveres, então, até nos que poucos funcionários circulavam - que de maior frequência eram os seguranças e o pessoal da limpeza - ele estava por lá, rondando.

 

Do KyungSoo era jovem. Com mais de trinta anos, ainda mantinha o ar jovial de seus vinte e pouco, mesmo que as preocupações com o trabalho tivesse lhe deixado um pouco mais sério e, consequentemente, com o ar mais envelhecido. Era cardiologista especializado em cirurgia cardiovascular e havia se formado há pouco tempo, mas era o responsável pela ala de sua especialidade no Hospital de Ilsan.

 

Seus passos continuavam, calmos, enquanto media o tempo da pausa que tinha dado a si mesmo pelo pouco movimento que havia no hospital naquele dia. Dez minutos. Fazia questão de lembrar-se, enquanto cumprimentava mais um funcionário que passava por si, não deixando de lado sua simpatia e educação, mesmo que com o tempo curto que tinha para si mesmo.

 

“Bom dia, Senhora Jung.” cumprimentou a mulher que limpava uma das portas daquele imenso corredor. A moça, que aparentava ter um pouco mais de idade, assentiu de volta. “E como está seu filho? Faz um tempo que não o vejo por aqui.”

 

“Ah... Ele está se recuperando bem!” ela lhe sorriu, ainda concentrada no que estava fazendo. “Pensei que depois daquele acidente, a perna dele não voltaria para o lugar. A Dra. Hong fez um bom trabalho.”

 

“Ela é muito dedicada no que faz, tenho certeza disso.” sorriu, enquanto ela pausava o serviço para lhe dar devida atenção.

 

“Eu só tenho que agradecer ao senhor, Doutor, por ter ajudado meu filho por aqui enquanto eu não podia.” disse a Sra. Jung. “Eu ainda vou lhe pagar de volta pelo favor que me fez.”

 

“Você sabe que não precisa.” afirmou KyungSoo. “Pense que foi um irmão ajudando o outro. Eu não poderia deixar que uma das mais antigas e dedicadas funcionárias deste hospital ficasse em desamparo.” voltou a sorri, delicado. “Ele só foi uma grande vítima de um acidente.”

 

“Mais uma vez, obrigada, Dr. Do.”

 

“Estou aqui para o que precisar.” curvou-se de forma cordial, olhando para o relógio em seguida. “Preciso ir. Tenha um bom trabalho, Sra. Jung!”

 

Naquele momento, os passos já não eram tão calmos. Havia excedido seu tempo e precisava voltar para o trabalho.

 

 

▪ ▫ ▪

 

 

Um pouco ofegante, ele deslisa para dentro de sua sala, fechando a porta logo em seguida. KyungSoo não sabia quanto tempo havia se passado em sua corrida do local onde estava até a sua sala, não havia conseguido contabilizar. Talvez dois ou três minutos de tempo perdido, não tinha diferença naquele momento. O fato era que o médico encontrava-se parcialmente cansado, um pouco suado e com o cenho franzido em completo estranhamento.

 

Sentado em sua mesa, estava seu colega correspondente de turno, folheando alguns papeis separados em fichas. Seria até normal se ele não estivesse na sala no horário do seu turno. Mexeu um pouco nos fios negros de sua cabeça enquanto suspirava, antes de se aproximar da mesa em passos quase preguiçosos.

 

“ChanYeol... O que você está fazendo aqui?” perguntou, observando o rapaz muito mais alto voltar o olhar para si junto de sobrancelhas levemente arqueadas. Park ChanYeol também era cardiologista. Era um homem bem alto e um pouco mais velho que KyungSoo.

 

“Você sabe que não pode ficar tanto tempo distante do seu posto de trabalho. Eu que deveria perguntar onde você estava.” resmungou em resposta, voltando sua atenção para as folhas em sua mão. “Em suas caminhadas de novo?”

 

“Sim.”

 

“E onde você estava?” voltou a perguntar. “No refeitório?”

 

“No depósito.” respondeu, ignorando o olhar similar ao indignado que lhe fora direcionado. “Me distraí e por isso demorei.”

 

“Eu juro que nunca mais vou perguntar de novo...” suspirou, largando os papeis sobre a mesa. “Mas por quê?”

 

“Às vezes eu preciso relaxar um pouco, ChanYeol, só isso.” justificou-se, soltando um novo suspiro. “E você não respondeu a minha pergunta.”

 

“O chefe quer que trabalhemos juntos. De novo.” disse, organizando todas as fichas na vertical, com exceção de uma que ficou na horizontal sobre todas as outras, de cor diferente. “Estão dando muitas entradas aqui ultimamente e ele está querendo contratar apenas um médico para o turno da noite. O Sr. Kwon está com medo de sobrecarregar o médico queridinho dele.”

 

“Não enche, ChanYeol.” devolveu, ouvindo a risada curta do amigo enquanto circulava a mesa. “E eu sou cardiologista acima de tudo. Se ele me sobrecarregar, é porque não quer contratar novos médicos.”

 

“É exatamente por isso que ele me escalou para trabalhar na ala de cardiologia junto contigo.” sorriu, voltando a se aproximar. Pegou a pasta que havia deixado em destaque, de cor azul, jogando em cima da mesa. “Olha esse aí. Acho que você... vai se interessar.”

 

“O que é isso?” indagou-se enquanto se sentava, folheando a ficha, ignorando a primeira página, para verificar alguns exames de anos anteriores, diagnósticos, e um certo histórico de entradas em um outro hospital. “Uma transferência?” voltou a indagar, com o cenho franzido.

 

“Isso mesmo. Ele deu entrada no hospital há trinta minutos.” informou, ajeitando o jaleco. KyungSoo finalmente resolveu dar atenção para a primeira página, onde tinha informações básicas do paciente.

 

 

Nome do Paciente: Oh SeHun

Data de Nascimento: 14/06/1999

Sexo: Masculino

ID: 110890377-44

Cidade Natal: Ilsandong

 

Diagnóstico Inicial: Miocardiopatia dilatada idiopática (11/12/2012);

 

Sintomas relatados: Fadiga e fraqueza; Falta de ar estando em repouso; irresistência a esforços físicos; tonturas e desmaios constantes; palpitações; palidez;

 

Observações/Notas adicionais:

 

Paciente diagnosticado com miocardiopatia dilatada idiopática, fazendo a iniciação de tratamento medicamentoso após os resultados dos exames solicitados. (15/01/2013);

 

Implantado um Cardiodesfibrilador Implantável (CDI) como dispositivo auxiliar ao tratamento. (26/01/2013);

 

A frequência de certos sintomas aumentou. Foram solicitados novos exames. (07/03/2013);

 

Foram identificadas complicações. Os tratamentos iniciais não estão alcançando o resultado esperado. (23/03/2013);

 

Inserido para a fila de transplantes. Solicitado exame de histocompatibilidade. (02/04/2013);

 

 

KyungSoo voltou a folhear a ficha do paciente, revisando os exames que haviam sido feitos e o receituário descrito na segunda folha. Estranhamente incomodado, folheou mais algumas vezes, relendo todo o conteúdo da ficha.

 

“Mas isso foi há três anos...” comentou, sentindo-se deslocado de repente. Aparentemente havia alguma coisa errada. Viu ChanYeol sorrir ao levantar o olhar.

 

“Isso aí, querido.” devolveu, com o sorriso transbordando em pura ironia. “Ele já fez o transplante. Porém os sintomas recomeçaram.”

 

“E por que diabos não tem nada escrito aqui sobre a droga do procedimento?” questionou, sentindo-se irritado. Quando as coisas aconteciam fora do padrão, Do geralmente ficava impaciente e isso fez com que se levantasse e se afastasse de sua mesa rapidamente, ainda com a ficha em mãos. “Eles deveriam ter informado sobre o sucesso do procedimento e sobre aplicação de medicamento contra a rejeição.”

 

“Eu não sei.” o mais alto deu de ombros. “As informações que eu tenho é que o garoto retornou à filial do Hospital Regional em Goyang para uma nova internação, mas eles não quiseram no fim.”

 

“Mas por quê?”

 

“Afirmaram não haver necessidade.”

 

“Isso é impossível, eu... ah.” suspirou, passando a mãos exasperadamente entre os fios curtos. “Eu não vou questionar isso, eu não vou me estressar, mas isso não faz sentido. Não faz sentido.”

 

“Eu sei... Não faz sentido de não se preocuparem nem de refazer os exames para saber a gravidade do problema e mandá-lo para casa logo em seguida.”

 

Por algum motivo que nem mesmo KyungSoo entendia, voltou a folhear a ficha, relendo-a pela quarta vez. Ele não conseguia entender e nem queria aceitar o fato de terem negado internação ao garoto no maior hospital da cidade principal. O hospital de Ilsan também tinha bastante recursos, mas as coisas aconteciam mais rapidamente em Goyang, ele não podia negar.

 

“Tudo bem... eu vou lá ver o garoto.” murmurou, deixando a ficha sobre a mesa e pegando uma prancheta e uma caneta antes de abandonar sua sala.

 

 

▪ ▫ ▪

 

 

O garoto se encontrava no quarto 410. O décimo quarto do quarto andar, pensou KyungSoo, após receber a informação sobre a localização do paciente. Caminhava de uma forma que não considerava apressada, mas era objetiva. Sem desvios, sem conversações, ele só queria chegar ao quarto o mais rápido possível.

 

Ao chegar a porta de madeira, com os números prateados em relevo, percebeu que não havia ficha com as informações do garoto na porta, ainda. Estalou a língua contra o céu da boca, dando duas batidas contra a madeira a fim de ser educado antes de abri-la.

 

Assim que teve a visão do quarto, pôde ver uma mulher sentada junto a um garoto no leito. Ele era magro, os cabelos negros lhe caíam sobre a testa, quase alcançando os olhos. E era alto também. Já estava com as roupas do hospital e os lençóis já lhe cobriam as pernas - provavelmente com um primeiro atendimento feito pelo ChanYeol. Sabia que não podiam fazer uma internação imediata sem pelo menos uma consulta clínica feita por um especialista, o que fez com que KyungSoo pensasse que aquilo já havia sido feito pelo companheiro de trabalho. Mas iria refazê-lo, com certeza.

 

“Olá.” cumprimentou assim que entrou no quarto, fechando a porta logo em seguida. “Você é o paciente que deu entrada agora pouco, certo?” apontou e o garoto assentiu. “E você deve ser a mãe dele.”

 

“Sim. Meu nome é Cheo HeJin, prazer em conhecê-lo” a mulher retornou o cumprimento com formalidade. “Doutor...”

 

“Do KyungSoo.”

 

“Ah, sim.” ela lhe sorriu. “Outro médico havia atendido meu filho antes, mas você é o responsável, correto?”

 

“Isso mesmo, Sra. Cheo... Eu ficarei responsável pelo seu filho.” sorriu-lhe educado. “Agora, por favor, me diga o motivo de trazê-lo aqui.” pediu, já anotando o nome do paciente - que ele já havia lido na ficha - no topo da prancheta. “O que está acontecendo?”

 

“Ah... Ele tinha um problema grave no coração e chegou a fazer o transplante há um ano, doutor. Tudo ocorria bem, mas ele passou a desmaiar constantemente nas duas últimas semanas. E ele me disse que sentia tonturas há um mês.” relatou a senhora, com as feições preocupadas e as mãos trêmulas. KyungSoo podia ler nos olhos daquela mulher o medo e a aflição de toda dificuldade que, inevitavelmente, iria voltar a passar. Ela certamente era uma mãe jovem, mas provavelmente estava envelhecida pelo excesso de preocupações.

 

“Tudo bem.” soltou, anotando rapidamente os pontos principais ditos pela mulher no papel em sua prancheta. “Eu vou precisar conversar com o seu filho agora, Sra Cheo. Peço que, por favor, permaneça na sala de espera enquanto realizo a consulta clínica. Depois, eu irei até a senhora passar as informações, sim?”

 

“Muito obrigada, doutor.” agradeceu, antes de dar um beijo na testa do filho e sair pela porta.

 

“Um mês?” soltou KyungSoo, dando uma risada incrédula. “Vamos lá, qual é o seu nome?”

 

“Acho... que isso você já sabe, doutor.”

 

“Eu quero ouvir isso de você, garoto.” rebateu, olhando diretamente para o jovem deitado na cama. “Vamos, colabore comigo.”

 

“Oh SeHun.”

 

“Sua idade?”

 

“17.”

 

“Hm.” resmungou, olhando para o relógio e anotando em seguida na prancheta. Os ponteiros marcavam 3:40pm. “Okay, agora que sua mãe não está aqui você não precisa mentir. Quando começou os sintomas?”

 

“Há três meses.” SeHun confessou, olhando diretamente para o armário branco que ficava do lado oposto de onde o médico estava.

 

“E quais foram os sintomas?”

 

“Eu tive uma febre. Consegui me cuidar sozinho e por isso minha mãe não soube.” iniciou, após alguns minutos de silêncio. “Eu não sinto dores no peito, mas sinto muito cansaço, falta de ar, me engasgo com frequência quando estou deitado e... As tonturas começaram há um mês.”

 

“Você já desconfiava sobre o que estava acontecendo e não procurou um médico antes?” Do perguntou tentando disfarçar, sem sucesso, a sua indignação.

 

“Eu não queria preocupar a minha mãe!” o jovem devolveu, abaixando a cabeça logo em seguida. “Eu também tinha alguns remédios guardados que eu pensei que nunca iria precisa usar de novo e...”

 

“Resolveu?” perguntou, um pouco ríspido, perdendo a consciência da ética que deveria ter. O paciente ficou em silêncio. “SeHun, você sabe o que estava fazendo?”

 

“Eu já disse... Eu não queria preocupar a minha mãe.”

 

“Tudo bem.” fechou os olhos, suspirando pesadamente. “Eu não quero que você tenha uma má impressão de mim, SeHun. Acima de qualquer coisa, eu estou aqui pra te ajudar. Mas isso é preocupante.”

 

“Eu sei.” a voz trêmula do jovem chamou a atenção de KyungSoo. O olhar estava direcionado às mãos pálidas e ele contorcia o rosto na tentativa de prender o choro. Era um peso que o garoto carregava, de certa forma. Ter o mesmo problema sendo repetido em um coração diferente... a sua expectativa era viver, muito mais, o médico apostava nisso, mas não era assim que funcionava sempre. “Eu só quero voltar pra casa.”

 

“E você vai, SeHun.” aproximou-se, pegando nas mãos trêmulas do garoto. Estavam geladas. “Eu vou precisar fazer alguns exames...” comentou, puxando os lençóis e expondo os pés e tornozelos do garoto, apetando a pele com certa força. Estavam inchadas e gélidas, mostrando que a circulação sanguínea já não trabalhava com eficiência. “Isso inclui uma biópsia do seu coração.” voltou a cobrir o paciente com calma, voltando-se para o olhar jovem. “Vou ser sua maior companhia agora. Você me verá com frequência.”

 

“Tudo bem.”

 

“Vamos trabalhar juntos, ok?”

 

KyungSoo ainda examinou um pouco mais o adolescente antes de avisar-lhe que iria passar as informações para a responsável do garoto. Iria solicitar a urgência de alguns exames, apenas para confirmar a sua desconfiança.

 

 

▪ ▫ ▪

 

 

ChanYeol não demorou muito para aparecer em sua sala, fechando a porta assim que viu a expressão extremamente séria no rosto do colega de trabalho. Os sentimentos do homem mais alto também não estavam tão bons e provavelmente fazia a mesma careta sisuda do amigo.

 

“ChanYeol, eu vou abrir autorização de alguns exames que SeHun vai precisar fazer.” comentou, deslisando a cadeira para longe de sua mesa, pegando alguns papéis. “Vou precisar que você agilize isso pra mim, tudo bem?”

 

“Quais exames?”

 

“Todos.” disse rapidamente. “Já questionei a mãe sobre os hábitos de vida de Oh Sehun, e também sobre históricos na família. Eu vou precisar de eletrocardiograma, um eco, radiografia do tórax também e, inclusive, um exame de sangue. Após os resultados, vou querer um teste ergométrico.”

 

“Tudo bem, KyungSoo.” assentiu, vendo o amigo anotar algumas coisas rapidamente no computador. A mente de Park trabalhava furiosamente enquanto permanecia em silêncio pelo máximo de tempo possível e sabia que o amigo iria ficar igualmente confuso se soubesse do conteúdo do papel que segurava firmemente.

 

“A situação dele pode ser um pouco preocupante.” o rapaz voltou a falar, como se estivesse em um monólogo. ChanYeol resolveu apenas escutar atentamente. “O coração dele já não está trabalhando bem visivelmente. O corpo dele está inchando, ele tem muitos desmaios. E... Ele estava tomando remédios por conta própria. Provavelmente o nível de glicose dele está alto por causa desse ato inconsequente.”

 

“KyungSoo...” o mais alto chamou, um tanto hesitante e isso fez com que o outro médico olhasse em sua direção. 

 

“O que foi?”

 

“Olha só o que eu achei...” levantou o papel que estava em mãos, aproximando-se para entregar ao outro.

 

“O que é isso...?” quase gaguejou, rindo incrédulo. “Colocaram ele novamente na fila para transplante?”

 

“Eu não sei porque eles fizeram isso e negaram a internação dele.” deu de ombros, apoiando-se na mesa em seguida. “Isso tudo é muito estranho.”

 

“Ah, meu Deus... Não tire o nome dele da fila, okay?” suspirou, largando o papel em cima da mesa. “Solicite um exame de histocompatibilidade para o banco. Talvez tenhamos sorte.”

 

“E sobre o estado dele? Ele tem sintomas mesmo em repouso.”

 

“Betabloqueadores, a pressão arterial e os batimentos cardíacos dele precisam diminuir. Intravenoso, por favor.” pediu. “E após os exames veremos se será necessário o adicional de outra medicação.” suspirou, coçando a cabeça. “E... me deixe um pouco sozinho. Eu ainda tenho que ir na área de emergência pra ver como as coisas estão por lá.”

 

▪ ▫ ▪

 

KyungSoo geralmente mostrava sempre certa distância e neutralidade com seus pacientes. Sabia confortá-los, gostava de ouvir algumas histórias, mas era muito breve em seu contato com todos eles. Amava seu trabalho e sentia o dever de salvar cada uma das vidas que eram postas em suas mãos, mas tinha a preferência daquele espaço que geralmente impunha entre ele e o paciente. Já havia tido algumas perdas, mas ele sempre fazia o possível por todos eles, até o fim.

 

Porém, pela primeira vez, se tornou alguém quase insuportável aos próprios olhos. Visitava o jovem com uma frequência que ele até achava exagerada, mas só pra saber sobre o estado dele - algo que poderia ser feito pelos enfermeiros da ala. Fora a risca a cada exame que solicitou para o menino, e exigia certa preferência. Às vezes, quando se pegava pensando demais, não conseguia entender porque estava agindo daquela forma justamente com aquele garoto. Mas, de certa forma, havia uma explicação.

 

Eles se viam com muita frequência, mesmo que fossem momentos breves. E o paciente se encontrava sozinho naquele hospital, com parcas visitas da mãe e uma ou duas visitas do pai que, visivelmente, era bastante distante. E alguns desses momentos que tinham juntos, SeHun sentia vontade de conversar. E KyungSoo de ouvir.

 

SeHun era um garoto de 17 anos com o espírito de criança. Desejava como uma criança, pedia como uma criança, era ingênuo como uma criança, sonhava como uma criança e tinha grandes esperanças, como uma criança. Era de se esperar que fosse assim, pois, ele dizia, que já possuía algumas responsabilidades desde pequeno, por adoecer facilmente. Tinha muitos limites e fora obrigado a entender todos eles.

 

Muitas vezes, entre aquelas conversas que duravam mais que o esperado, SeHun ria bastante e, às vezes, chorava também. Porque tinha medo. Ele pensava que nunca mais poderia voltar para casa ou que pudesse fazer a mãe sofrer. Quando falava da mãe, o jovem vivia em um dilema de sentimentos. Por vezes ria, por vezes chorava. Por vezes ria e chorava. Ele tinha pela mãe uma admiração imensurável e um amor incondicional e, por mais que não tivesse dito com aquelas palavras, sentia-se um fardo para ela. Mas uma coisa curiosa é que ele nunca havia falado do pai. E o médico nunca o exigiu aquilo ou ao menos tocou no assunto.

 

KyungSoo, na maioria das vezes, não dizia muita coisa. Ele apenas ouvia, sorria junto quando o jovem estava feliz, respeitava-o quando estava triste. Suas palavras eram quase nulas e, mesmo assim, em meio a um pedido de desculpas, SeHun lhe confessou que só agia daquela forma com ele porque confiava nele. Ficava exposto por questão de confiança. E que não conseguia conversar com outras pessoas porque os enfermeiros que apareciam por ali eram sérios demais e de poucas palavras.

 

“Eu vou escolher alguns mais atenciosos para virem aqui, então.” o médico se permitiu dizer, quando SeHun, naquele dia, pediu para que ficasse mais perto e depois de muita insistência, se viu obrigado a sentar em uma cadeira próximo a cama. O sorriso que o jovem lhe dera, naquela vez, quase lhe deixou desconsertado.

 

Não, KyungSoo geralmente não gostava de uma aproximação além daquela que ele costumava estabelecer entre médico e paciente. Mas o garoto tinha um coração puro, cheio de sentimentos bons, mesmo em tempos tão difíceis. A pose séria e sempre centrada e objetiva de Do foi se desfazendo aos poucos e, inevitavelmente, passou a gostar dos momentos que passava com o garoto. O colega de trabalho até se admirava quando KyungSoo, por distração junto a sua animação, falava sobre algo que SeHun havia lhe contado, algo de sua vida parada e limitada.

 

Os passeios que o médico dava pelos corredores quase não existiam mais. Sempre que havia um tempo livre, nunca pensava muito em ir em direção ao décimo quarto do quarto andar.

 

Mesmo que nunca tivessem tocado no assunto, mesmo que KyungSoo nunca parasse para admitir. SeHun havia conquistado um amigo. Um grande amigo.

 

 

▪ ▫ ▪

 

 

Os resultados dos exames saíram. Tudo o que KyungSoo desconfiava fora confirmado. Houve a rejeição, ela aconteceu e, novamente, ocasionou um problema no coração. A circulação de sangue estava ineficiente e estava causando outros problemas também.

 

O que deixava o médico ainda mais preocupado era que o problema já não estava mais lá, porém havia deixado aquela cicatriz que mostrava claramente, de todas as formas possíveis, que SeHun estava novamente doente, que seu coração estava fraco. E por mais que KyungSoo não admitisse nem para si mesmo, aquilo estava deprimindo-o aos poucos.

 

SeHun poderia conviver com o problema, se as complicações não existissem. Ele teria a vida um pouco limitada, apagaria um pouco de seus sonhos de viver uma vida cem por cento, mas, ele iria conseguir viver por mais tempo, pelo menos. KyungSoo poderia não falar aquilo pra ninguém, mas a última coisa que ele queria era ver aquele garoto passando por riscos grandes de não conseguir progredir. E o médico não se via com muitas opções, afinal. O transplante estava se mostrando necessário a cada novo exame.

 

Caminhou até o quarto do garoto, naquele fim de horário de almoço. Tinha trinta minutos sobrando - porque havia comido rapidamente - e ao invés de dormir ou descansar de alguma forma, KyungSoo decidiu que queria conversar um pouco, fugir daquela responsabilidade toda nem que fosse por aquele pequeno momento.

 

Abriu a porta vagarosamente, e conseguiu observar uma enfermeira aplicando medicamento no jovem que se tornou o seu paciente favorito. Permaneceu na porta, mesmo que já fizesse percebido pelos dois que estavam ali, até que o procedimento acabasse e a funcionária se retirasse logo em seguida.

 

Arqueou as sobrancelhas com certo exagero e, teatralmente, olhou de um lado para o outro no corredor antes de entrar no quarto em um pulo, fechando a porta e permanecendo com as mãos atrás das costas. SeHun sorria, com aquele lado menos sério do médico, que conseguia ser bem engraçado quando queria.

 

“Eu trouxe um agrado pra você.” KyungSoo murmurou em um sorriso, se aproximando calmamente da cama do mais novo.

 

“É? E o que é?” os olhos do garoto de iluminaram.

 

“Tcharam!” exclamou, finalmente jogando as mãos para a frente e mostrando um pote arredondado e alto com diversos pedaços de fruta. O paciente contorceu o rosto.

 

“Salada de fruta, hyung? Pelo amor de Deus!” reclamou, contorcendo o rosto e virando-o para o lado. Estava de dieta, ele sabia. Tinha que manter-se sem exageros, para não correr o risco de engordar - mesmo que fosse magro até demais em seu ponto de vista -, mas achava que o médico estava sendo muito rígido com aquilo. Frutas, legumes e integrais. Frutas, legumes e integrais. Ele já não aguentava mais. “Não tem nem um pouco de leite condensado aí, não?”

 

“Tem fibras!” exclamou, como se fosse algo incrível, apontando para a linhaça que cobria a superfície do recipiente. “E, aliás, do que você está falando? Sua glicose está alta demais pra isso.”

 

“Ah, KyungSoo-hyung, eu não quero.” reclamou, cruzando os braços, agora olhando diretamente para o pote que não soava nada atrativo para si.

 

“Ah, vamos lá, SeHun, hm?” empurrou o pote para o garoto, junto de um garfo de plástico. “Fui eu que fiz, por favor, tenha consideração, hein?” insistiu, sorrindo exageradamente sem mostrar os dentes. O adolescente novamente contorceu o rosto, mas o médico se manteve firme no sorriso, fazendo-o segurar o recipiente cheio de frutas. “Vamos, coma. Está fora do horário estabelecido para você comer, leve isso como um agrado, sim.”

 

Depois de alguns segundos de silêncio e a permanência daquela expressão que SeHun julgou ser assustadora - pois o sorriso de KyungSoo até era bonitinho no começo, mas depois de um tempo ficava completamente esquisito -, o garoto resolveu abrir o pote e comer. 

 

Era mais ou menos tolerável; algumas frutas, como a melancia e o melão, nem sempre estavam doces e então tinha que comer algo insosso junto com uma farinha que ele também julgava ser sem gosto. Mas após o primeiro pedaço de fruta consumido, o médico estava com um sorriso de satisfação nos lábios. Não aquele esquisito, no qual ele esticava os lábios de um jeito assustador, mas era um bem largo, que deixava a boca em um formato bonito e meias luas no lugar dos grandes olhos.

 

“Você acha que eu vou sair daqui logo, hyung?” perguntou depois de um tempo, ainda de boca cheia. Hyung foi algo que o próprio médico determinou depois de um tempo. Geralmente eles deixavam que as crianças internadas ali os tratassem como parte da família e ele via SeHun muito bem como uma criança. Uma mais alta que si, mas ainda o era.

 

“Claro que vai, garoto, estou trabalhando para isso!” sorriu, roubando um pedaço da fruta no pote, o que o outro não reclamou. “Aí você vai poder vir aqui com a sua namorada me visitar algum dia.”

 

“Eu nunca tive uma namorada, hyung.”

 

“Mas você é novo e eventualmente terá uma, com certeza.” disse, pegando o recipiente, agora vazio, das mãos do mais novo. “Aí você vai poder trazê-la para cá para que eu possa aprová-la.” soltou, levantando uma das mãos em um ‘joinha’ na direção de SeHun.

 

“E como você veria isso?”

 

“Oras, vendo se ela te trata bem!”

 

“Você acha que alguém iria gostar de mim assim, hyung?” perguntou, sorrindo triste. KyungSoo não gostava daquele tipo de pensamento vindo do mais novo. Resumidamente, tudo o que tinha a ver com a doença, para SeHun, era como um peso muito grande que as pessoas tinham que carregar se convivessem com ele. Para o médico, eram sinais que a esperança que habitava Oh SeHun esmorecia.

 

“Que tipo de pergunta é essa?” riu, ignorando momentaneamente a tristeza do outro. “Eu gosto de você.”

 

“Mas hyung...”

 

“Sua mãe gosta de você.” continuou. “Você tem amigos também, não é?” perguntou, fazendo com que SeHun assentisse. “Eles também gostam de você. Todos nós gostamos de você. Não importa a forma que esse gostar possui, ele existe e é algo forte. Existem pessoas que gostam de você e se preocupam com você, e isso é porque te querem bem, hm? Te querem feliz.” falou. “Agora erga um sorriso pro hyung.” pediu, erguendo os cantos da boca do mais novo, fazendo-o sorrir de verdade. “Apague essa tristeza que quer crescer aí. Mostre as pessoas que te querem bem, que você está bem, mesmo em dificuldades. Desse jeito esse pensamento de que é um peso para as pessoas que ama, vai desaparecer. Então aguente firme, dongsaeng, que tudo ficará bem. Okay?”

 

“Okay, hyung.”

 

“Por enquanto, terei de ir.” informou, já bagunçando os cabelos negros do mais jovem. “Tenho que jogar esse potinho fora e depois tenho que ir na área de emergência pra ver como está tudo por lá. Eu logo volto aqui pra te fazer mais um pouco de companhia, tudo bem?”

 

“Tá bom.” assentiu.

 

KyungSoo instintivamente deixou um beijo no topo da cabeça do mais novo antes de sair pela porta, com seus passos objetivos e um pouco apressados, mas animados.

 

▪ ▫ ▪

 

SeHun tinha muitas tonturas. Era o que sempre relatavam para o médico quando vez ou outra os enfermeiros faziam-no caminhar. KyungSoo sabia que o mais novo não podia fazer muito esforço, mas também não sabia o quanto de esforço era exigido pelos enfermeiros ao paciente. Então, ele suspendeu as caminhadas, proposto a se programar para que pudesse levar SeHun para as caminhadas ele mesmo.

 

E por mais que questionasse o adolescente sobre os esforços exigidos, ele sempre falava que não era nada demais. Porém, isso partia muito do ponto de vista e para KyungSoo subir ou descer muitos lances de escada era exercício demais para o garoto.

 

O fato, até então, era que ele nunca tinha visto essas tonturas. O que não esperava que não fosse acontecer.

 

O teste ergométrico era aparentemente simples. SeHun apenas tinha que andar em uma esteira rolante com eletrodos espalhados pelo seu tórax, para medir frequência, o ritmo cardíaco e a pressão arterial. KyungSoo estava lá, acompanhando o eletrocardiograma contínuo, junto com outros três enfermeiros e com os equipamentos de primeiro socorros, que estariam a sua disposição para qualquer coisa.

 

Tudo estava ocorrendo bem, o adolescente estava respondendo bem ao aumento gradual da velocidade e tudo parecia normal, mesmo que tivesse suspendido a medicação para a realização do teste. Mas, de repente, algo de errado aconteceu; antes que chegasse na velocidade máxima programada, a pressão arterial aumentou e o ritmo cardíaco ficou completamente instável antes que SeHun cambaleasse e quase caísse ao lado da esteira.

 

Havia sido um desespero que KyungSoo nunca sentira antes. Estava além de toda adrenalina que geralmente tinha em casos de emergência. KyungSoo sentiu medo. Ele fora o primeiro a perceber que algo de errado estava acontecendo e impediu que SeHun caísse sobre os aparelhos. Retirou os eletrodos o mais rápido que podia sem machucá-lo, antes de guiá-lo até uma cadeira mais próxima.

 

“SeHun? SeHun?” KyungSoo chamava o garoto repetidas vezes enquanto sacudia-o levemente pelos ombros, só se dando conta de que o que fazia era inútil quando uma máscara de oxigênio fora colocada no rosto do paciente. Se afastou por um momento, para diminuir o desespero que lhe acometeu e recuperar a racionalidade. “Está tudo bem agora?”

 

“Desculpa, hyung, eu não consegui.” SeHun murmurou com a voz abafada pela máscara. Sua cabeça ainda estava confusa, e estava com a visão um pouco atrasada e a cabeça leve. Não estava sendo capaz de perceber o que estava acontecendo.

 

“Do que você está falando, ahn? Eu que te exigi esforço além da conta.” KyungSoo soltou em tom culpado. SeHun estava com problemas de oxigenação pela falta da força que o coração tinha para bombear sangue. Ele sempre iria se sentir excessivamente cansado em longos períodos de esforço físico, mesmo que fosse só uma caminhada. “Só vamos voltar para o quarto e você vai descansar, tudo bem?”

 

SeHun apenas assentiu enquanto KyungSoo tentava ignorar o peso que sentia sobre os ombros.

 

 

▪ ▫ ▪

 

 

Quando KyungSoo ficava sozinho, ele se permitia por muita vezes refletir sobre o que estava fazendo no geral. Analisava-se sempre que podia, porque procurava melhorar como pessoa, como profissional. Mas nos últimos tempos a única coisa que conseguia pensar era sobre o paciente jovem e sua relação com ele.

 

Ele nunca havia imaginado, em sua vida, que iria se tornar tão próximo de um paciente como estava. Nunca havia imaginado que havia tanta determinação em si para cuidar de alguém. A ética que havia aprendido ainda estava ali, mas seus pensamentos estavam acima daquilo que era recomendado. Mesmo com certo afastamento, com dedicação saberia cuidar de qualquer pessoa que passasse pelas mãos. Havia encrustado em si uma vontade de fazer tudo que podia por alguém e com SeHun...

 

KyungSoo via-o como muito além do que apenas um paciente. Tinha um sentimento morno, confortável, preocupante. Ele gostava de SeHun, queria conviver mais com ele, queria que ele tivesse mais oportunidades para que um dia se encontrassem e ele, com seus olhos meia-lua e o sorriso infantil, contasse-lhe mil e uma histórias sobre sua vida, sobre o que já tinha vivido. Aquela paixão que SeHun possuía em sonhar demais havia sido compartilhada e o médico não sabia o que fazer com aquele sentimento tão bom além do que já estava fazendo; devolvendo-o com toda aquela força, com todo o estímulo que dava ao mais novo todos os dias.

 

Estava determinado a fazer o possível e o impossível para que todos os desejos, todas as vontades e todas as esperanças, não passassem de efemeridades na vida de SeHun. E principalmente na sua.

 

▪ ▫ ▪

 

Era mais um dia abafado se passando lentamente, um pouco tortuoso, um pouco agoniante, um dia que KyungSoo costumeiramente não suportava. E nada conseguia-o ajudar naquele momento. Nem mesmo a agitação do dia que transcorria como todos os outros na área de emergência.

 

SeHun estava visivelmente desanimado e triste. Desde o dia anterior aquele, o garoto quase não conversava ou puxava assunto, sempre olhando para a janela do quarto que, pela distância que se encontrava a cama e a abertura, quase nada podia se ver dali. Mas ele continuava olhando, sempre, perdido em pensamentos.

 

O médico, mesmo que não perguntasse o que era, já sabia do que se tratava. A mãe de SeHun não aparecia ali havia dias. Mesmo que ela ligasse com frequência, para o telefone pessoal que KyungSoo disponibilizou a ela, a presença da mulher havia diminuído bastante. O adolescente sentia falta, era claro, dos carinhos da mãe e nada poderia substituir aquilo.

 

“Você está tão calado ultimamente... isso me deixa preocupado.” Do resolveu soltar, observando o garoto desviar os olhos para si. “Sua mãe não está vindo muito aqui, né?”

 

“Ela provavelmente está cuidando do meu pai.” murmurou, mexendo nos próprios dedos da mão esquerda. “Ele tem problemas com bebida às vezes e ela tem que ficar cuidando dele também. Ela se divide muito e eu não quero exigir nada a minha mãe. Mas eu sinto a falta dela.” suspirou, sorrindo tristemente. “Hyung, eu quero sair daqui.”

 

“E você vai, SeHun, eu já disse.” afirmou, apertando levemente um dos ombros do garoto. “Aguente firme. Aguente só mais um pouco... e você poderá voltar pra casa.” KyungSoo concluiu antes de depositar um livros sobre as pernas do mais novo.

 

“O que é isso?” perguntou, com certa curiosidade, olhando para o título do livro: “Os Únicos”.

 

“É um livro muito legal que você poderá ler para passar o tempo enquanto eu não estiver presente.” sorriu, acariciando os fios negros do topo da cabeça do adolescente.

 

“E sobre o que é?”

 

“É sobre um garoto chamado Martin, sobre a ilha que ele morava com o pai, sobre uma máquina que ele constrói junto com o pai e sobre a sobrevivência de crianças após o desaparecimento de todos os adultos da Terra.” explicou por cima, tentando dizer o máximo sem soltar maiores detalhes. “É divertido, então se arrisque.”

 

“Muito obrigado, hyung.” sorriu de volta, folheando o livro calmamente, apenas para ver as páginas e sentir o cheiro.

 

“Sabe, você possui duas coisas em comum com o Martin.” KyungSoo falou de repente depois de um momento bastante silencioso. “Determinação e esperança. Ele tem fé, SeHun, e é algo que eu queria que você nunca perdesse.” enlaçou os ombros de SeHun com o braço esquerdo em um meio abraço. “Eu vou fazer de tudo para que você saia daqui o mais rápido possível e completamente saudável, garoto.”

 

“Você às vezes age da forma que eu queria que meu pai agisse.” confessou o adolescente, correspondendo ao abraço do jeito que podia. “Eu gosto muito disso.”

 

“Me veja como um irmão mais velho que estará sempre aqui pra tudo, SeHun.”

 

O paciente nada disse, mas sorriu como não estava fazendo há um tempo. E KyungSoo nem conseguiu reagir quando foi puxado para baixo, recebendo um abraço quente e feliz, junto de uma risada ao pé do ouvido depois de um ‘obrigado’. KyungSoo nem conseguiu não corresponder com maior intensidade, com sentimentos borbulhando o estômago e transbordando os olhos.

 

E dentre toda aquela confusão de sentimentos tudo o que KyungSoo mais desejava era que tudo desse certo na vida de Oh SeHun.

 

 

▪ ▫ ▪

 

 

“Você não acha que está na hora de ir para casa?” a voz de ChanYeol soou pelo consultório silencioso, assustando KyungSoo por um momento. O mais alto havia falado baixo, mas para o outro foi como se tivesse gritado. “Você está passando tempo demais nesse hospital.”

 

“Ah... Eu já estou indo, ChanYeol.” respondeu, organizando alguns papéis em cima de sua mesa. “Eu só estava pensando em algumas coisas.”

 

“Você estava pensando no SeHun.” rebateu óbvio, cruzando os braços e se escorando no batente da porta. “Não acha que está exagerando?”

 

“Exagerando em exatamente o que?”

 

“Você gosta do SeHun.”

 

“Está falando no sentido romântico, ChanYeol?” indagou, um pouco mais alto, com o tom de voz quase ofendido.

 

“Gostar de modo geral, KyungSoo!” exclamou, suspirando logo em seguida enquanto entrava no consultório do amigo. “Olha... Você sempre foi muito sozinho. Não tem contato com seus pais há anos, não procura um relacionamento, sempre foi muito sério com o trabalho e principalmente... sempre foi muito sóbrio com o tipo de tratamento que dava aos seus pacientes. Você vem até nos dias de folga, mesmo que não bata o ponto, só pra ver esse garoto.” analisou, se aproximando ainda mais do menor. “Não acha que está ultrapassando os próprios limites?”

 

“Eu não quero falar sobre isso.” KyungSoo respondeu depois de algum tempo, desviando sua atenção dos olhos inquisidores do amigo. Ele nem pensava exatamente sobre aquilo mais, estava deixando se levar. Mas ChanYeol tocando naquele assunto...

 

“Que tal relaxar um pouco? Hoje é sexta-feira.” sugeriu, desviando um pouco do assunto, percebendo que estava pressionando demais o amigo. “Vamos dar uma volta em algum lugar legal.”

 

“Acho melhor não.” KyungSoo disse. “Eu não sei se consigo fingir que estou me divertindo enquanto tenho outras coisas enchendo minha cabeça.”

 

“Então você admite que está gostando do SeHun mais do que deveria?” ChanYeol voltou a perguntar.

 

“Ele é uma criança pura que está se sentindo sozinha, ChanYeol. Eu só quero...”

 

“Tá okay.” interrompeu. “Não vamos nos aprofundar nisso. Eu só quero que você vá para a sua casa descansar. Está emagrecendo e visivelmente estressado por tudo isso que está acontecendo. Passe um tempo sozinho sem tentar pensar nessas coisas... Tome um chá, leia um livro, se esqueça um pouco, tudo bem?”

 

“Tudo bem, eu...” suspirou, fechando os olhos. “Obrigado, ChanYeol.” agradeceu e o mais velho apenas assentiu antes de sair pela porta.

 

 

▪ ▫ ▪

 

 

O relógio já marcava oito horas em ponto naquela segunda-feira e Do ainda permanecia no hospital. Havia feito algumas ligações obrigatórias, referente a materiais e transferências para cirurgias que ali não possuía muitos recursos. Não era seu trabalho fazer aquilo, mas sempre lhe pediam pelo seu jeito firme e educado de falar, sempre conseguindo adiantar tudo o que precisasse ser feito em alguns casos.

 

Ele poderia ir embora, seu ponto já estava marcado há algum tempo - cerca de trinta minutos -, mas ele continuava caminhando pelos corredores do quarto andar, dando voltas, enrolando para tentar aplacar a vontade de se comunicar com SeHun.

 

Era segunda-feira. Ele havia evitado maior contato com o mais novo por dois dias. Havia tentado seguir o conselho de ChanYeol e também tentou fazer diversas coisas que o distraíssem, então, durante aqueles dois dias, apenas soube sobre SeHun por relatórios, como deveria ter sido desde o começo. Ir ver periodicamente o estado do paciente, refazer exames se necessário, aguardar relatórios dos enfermeiros e estar a disposição para qualquer chamado de emergência.

 

Foi impossível não pensar sobre aquilo tudo, mas ao mesmo tempo que via toda uma confusão montada por ter se afeiçoado demais pelo adolescente, também não via motivos para se recriminar por isso. Não tinha sentido sentir-se tão culpado pelo sentimento que só fazia crescer em seu peito.

 

Mas ele entendeu a preocupação de ChanYeol. KyungSoo, inevitavelmente, sabia de todos os riscos. Sabia que poderia se esforçar ao máximo e nada ocorrer bem. Ele era um médico que deveria ser cético e acredita nos números, na porcentagem de chance de dar certo ou errado. Só que aquela ingenuidade de SeHun parecia ser contagiosa e fez com que o médico se enchesse de esperanças cegas que ia além da sua vontade como um profissional.

 

Ele era realmente um hyung, no final das contas.

 

Cansado demais em pensar sobre todo aquele assunto, bagunçou os cabelos curtos levemente com as mãos trêmulas, respirando fundo a fim de afastar o sentimento que lhe afligia. Voltou todo o corredor com rapidez, dirigindo-se finalmente ao quarto do adolescente.

 

“SeHun?”

 

“Hyung?” o garoto levantou a cabeça, surpreso, fechando o livro que havia recebido do médico. “Quanto tempo, hyung...” sorriu.

 

“É. Estive... ocupado por esses dias, desculpe.” respondeu, devolvendo um sorriso fraco. Ele não queria falar que esteve evitando contato, porque sabia que não iria fazer sentido para SeHun. “Vamos dar uma volta?” 

 

“Mas já está tarde, hyung...”

 

“Pelo amor de Deus, SeHun, são só oito horas!” reclamou, se aproximando do garoto e tirando o livro de seu colo. “Vamos, vamos dar uma volta e depois eu te devolvo bonitinho para o seu devido lugar.”

 

SeHun não negou. Deixou ser ajudado a levantar da cama e calçou uns chinelos que estavam ali. Ficaram em silêncio por algum tempo enquanto KyungSoo acompanhava os passos mais calmos e lentos do mais novo. O médico estava guiando-o para um lugar que ele ainda não conhecia no hospital.

 

“Por que você ainda está aqui se o seu expediente acabou?” SeHun decidiu perguntar, quando já estavam em frente ao elevador.

 

“Porque eu queria te ver.” KyungSoo afirmou.

 

“Sentiu minha falta?” brincou, rindo em seguida.

 

“Sim.” confirmou, permitindo-se rir também, mas percebeu que o mais novo havia ficado um pouco desconsertado com a firmeza em que confirmara no que era pra ser apenas uma brincadeira

 

Entraram no elevador e o médico apertou o botão para o último andar. SeHun permaneceu silencioso por aquele tempo, permitindo-se ser levado pelo médico pra qualquer lugar que ele quisesse. Assim que saíram do elevador, foram em direção a uma porta logo ao lado; era a saída de emergência. Havia uns dois lances de escadas acima que o garoto não havia entendido, mas fora surpreendido quando KyungSoo agachou-se na sua frente.

 

“Vamos, suba.” o mais velho pediu, abaixado, de costas para si.

 

“Não, hyung! E-eu... eu posso subir sozinho!” rejeitou.

 

“São muitos degraus e eles são altos. É muito esforço pra você.” explicou, não saindo do lugar. “Eu quero te mostrar uma coisa. Então, vamos... suba.”

 

Só depois de alguns segundos SeHun resolveu subir porque percebeu que KyungSoo não sairia dali. O médico permaneceu silencioso. Sem ofegar ou reclamar, subia calmamente as escadas, como se não tivesse nenhum peso extra nas costas.

 

“Você não devia estar aqui, não é?” SeHun de repente perguntou.

 

“Não... Meu expediente acabou já tem um tempo.”

 

“E você nem pode subir aqui em cima, né?” voltou a perguntar.

 

“Na verdade... não. Mas alguns funcionários sobem aqui mesmo assim.” respondeu, soltando SeHun assim que chegaram no último degrau. “Alguns vêm pra fumar. Eu venho para... pensar.”

 

O prédio do hospital era bem alto e ficava em uma rua residencial. Porém, mais a frente a parte comercial da cidade estava presente. Assim que SeHun chegou próximo ao parapeito do terraço, pôde ver todos os pontos luminosos do centro de Ilsan.

 

“O que você está achando do livro?” KyungSoo perguntou, após o momento breve de admiração do mais novo.

 

“É interessante.” respondeu. “Só me assusta um pouco o tamanho da ambição daquelas crianças. De como elas fazem tudo com interesse de ter algo em troca. Enquanto o Martin... O Martin não pensa assim.”

 

“O Martin só quer encontrar o pai.”

 

“Também.” sorriu. “Eu ainda não terminei o livro, mas...”

 

“Aposto que você vai se surpreender.” riu, sentindo o vento um pouco gelado. A noite estava fresca, mas KyungSoo ainda retirou o jaleco e jogou sobre os ombros de SeHun. “O que você acha de nós dois?” perguntou de repente.

 

“Como assim, hyung?” questionou, completamente confuso.

 

“Do nosso relacionamento...” sibilou. “Acha errado eu gostar de você? De querer uma relação acima dessa entre médico e paciente?”

 

“Eu não sei se estou entendendo muito bem o que você quer dizer, mas...” SeHun começou devagar, depois de um tempo. “Você me pediu para te enxergar como um irmão mais velho que estaria aqui por mim para qualquer coisa. E eu vejo você assim. E não acho isso errado.”

 

“Meu amigo está achando estranho, sabe?” riu forçado, desviando o olhar para as luzes ao longe. “Mas, SeHun... Eu nunca tive uma relação tão legal com alguém. Nem com meus pais, pra dizer a verdade. E eu sempre fui muito exato, me guiando sempre em números e vivendo em cima de uma linha de sobriedade que fui ensinado a manter.” confessou, limpando a garganta logo em seguida já que sua voz estava falhando. “Mas você... me encheu de um sentimento bom. E a única coisa que eu quis nisso tudo era te fazer... bem. E que quando saísse daqui, fosse lembrar de mim como um grande amigo.”

 

“E você me faz bem, hyung!” SeHun sorriu, chegando um pouco mais perto de KyungSoo. “Eu nunca me senti tão confortável no outro hospital como estou me sentindo agora. Por mais que eu queira sair daqui, eu não me sinto preso... Eu só fico preocupado com minha mãe.” explicou-se. “Eu te disse uma vez que você age de uma forma que eu queria que meu pai agisse.”

 

“É... você disse.”

 

“Tendo o pensamento mais egoísta do mundo, se eu pudesse escolher...” olhou para o médico, que tinha a atenção completamente voltada para o mais novo. “Seria legal ter um pai como você.”

 

KyungSoo sorriu, não evitando em abraçar o garoto com mais liberdade, apertando-o entre os braços e sendo correspondido da mesma forma.

 

“Eu vou fazer o impossível para que as coisas corram bem, SeHun.” disse, mantendo o abraço. “Até lá, vou te fazer companhia.”

 

“Obrigado por tudo, hyung!” sorriu, olhando nos olhos do mais velho. “De verdade.”

 

A noite não durou tanto para os dois, já que KyungSoo era médico e não excluía suas responsabilidades. SeHun precisava descansar acima de tudo. E mesmo depois de deixar o garoto na cama do décimo quarto do quarto andar, ainda conversaram, coisas bobas que o mais novo gostava de falar e que Do gostava de ouvir.

 

Suspirou, sentindo-se mais leve e mais feliz assim que saiu do quarto de SeHun, após dois dias ocupados em martírio que, no final, era realmente desnecessário.

 

Mal fechara a porta, seu celular vibrou em no bolso. Fez questão de pegar rapidamente. Eram mensagens de ChanYeol.

 

“Encontramos um doador.”

 

“50%.”

 

 

▪ ▫ ▪

 

 

KyungSoo não conseguira dormir a noite. Após ter recebido a mensagem, ele nem mesmo conseguiu evitar de entrar no quarto novamente e contar a SeHun, pedindo a ChanYeol que comunicasse à mãe do paciente para que ela pudesse ter o conhecimento dos procedimentos que fariam - mesmo que ela já soubesse no final das contas - e falar com seu filho antes da operação.

 

Tudo o que eles teriam que fazer agora seria o crossmatch, que era um teste para saber se ele possuía anticorpos contra o doador e evitar uma rejeição hiperaguda. Se o teste desse negativo, finalmente poderiam fazer a operação. E era o que KyungSoo mais esperava naquele momento.

 

Estava andando de um lado para o outro dentro de seu consultório, deixando que SeHun tivesse seu momento a sós com a mãe. Havia pedido ajuda de ChanYeol para que pudesse pedir urgência no teste e tivesse o resultado o mais rápido possível. O fato de que o transplante poderia ser feito, só fizera com que o médico ficasse ainda mais angustiado. Estava criando esperanças de algo que poderia dar errado.

 

Achava que estava pedindo demais do amigo, mesmo que ambos se auxiliassem durante todo o expediente. Porém, ChanYeol naquele momento estava servindo-lhe não só como apoio profissional, mas também emocional. Já perdera as contas de quantas vezes o mais velho vira conversar consigo por estar demonstrando uma ansiedade maior que o normal. KyungSoo sabia que não poderia ficar daquele jeito. Ele tinha que estar preparado para operar SeHun.

 

“Resultado!” ChanYeol praticamente gritou, entrando pelo consultório um pouco apressado. KyungSoo ficou em alerta, quase que paralisado, mostrando todo seu nervosismo naquele momento. “Negativo.”

 

“Isso!” comemorou, sentindo o alívio tomar conta. “Ligue para a central agora e dê a autorização. Dentro de quatro horas vamos fazer o transplante.”

 

 

▪ ▫ ▪

 

 

Era o tempo que eles possuíam: quatro horas era o tempo máximo que o órgão doado tinha que chegar ao receptor. Naquele momento, uma corrida contra o tempo se iniciava.

 

Tudo o que KyungSoo fez foi correr até o quarto de SeHun para lhe passar a notícia de que tudo estava ocorrendo para que pudesse fazer a operação. Iria acontecer. O médico explicou todo o procedimento para a progenitora do garoto e, mesmo que ela já soubesse, ela estava completamente nervosa e ChanYeol fizera questão de intervir a fim de acalmá-la.

 

“Tudo vai ficar bem.” KyungSoo avisou a Sra. Cheo, apertando o ombro dela levemente. “Eu vou estar lá e tudo vai ficar bem, só confia em mim.” Era tudo o que poderia dizer naquele momento.

 

Não demorou muito e logo estavam preparando SeHun para a sala de cirurgia. O jovem também estava ansioso e o médico sorria enquanto conversava com ele sobre banalidades. Era a calma que ele precisava passar para SeHun que, por completa confiança, foi se acalmando aos poucos.

 

“A gente vai se ver daqui a pouco.” KyungSoo comentou sorrindo. “E você ainda vai ter que me aturar bastante.” 

 

 

▪ ▫ ▪

 

 

Sair da sala de cirurgia foi como um peso tirado das costas para KyungSoo. Foram as quatro horas mais longas que já tivera na vida, ele tinha certeza, mas agradecia a todos os seres que ele conhecia por tudo ter dado certo. Agora era só começar o tratamento com imunossupressores e torcer para que nenhuma rejeição ocorresse. E mesmo que certo cansaço lhe abatesse, o médico permaneceu no hospital, aguardando o tempo que SeHun pudesse acordar, para vê-lo bem, mesmo que um pouco abatido.

 

SeHun acordou bem, mesmo que um pouco desnorteado. Um coração recém transplantado trabalhava mais rápido. Então, mesmo que SeHun estivesse em repouso, seu ritmo cardíaco era de 130bpm. Aquilo poderia perturbá-lo um pouco no início, mas logo passava, era normal.

 

A mãe do jovem estava ao seu lado quando acordou e, como pedido, KyungSoo fora chamado para que pudesse ver como o garoto estava.

 

“Eu sei que incomoda um pouco essa sensação leve de cansaço, mas seu coração novo trabalha com um pouco de pressa no começo.” Do explicou, acariciando levemente os cabelos de SeHun. “Logo ele se acostuma com o novo expediente, certo?”

 

“Obrigado, hyung!” SeHun agradeceu com um leve sorriso na face.

 

“Não foi nada garoto, eu apenas fiz o meu trabalho como médico, hn?” devolveu o sorriso antes de se voltar para a mulher que ainda permanecia ao lado do filho. “Sra. Cheo, tudo ocorreu bem. Vamos continuar examinando-o nos próximos quinze dias, aplicando tratamento para que o sistema imunológico dele não resolva atacar o novo coração, okay? Depois disso o seu filho vai pra casa.”

 

KyungSoo sorria enquanto recebia inúmeros agradecimentos da mãe de SeHun, empolgada por tudo ter dado certo naquele segundo transplante e falando sem parar do seu filho que, naquela altura já sentia-se constrangido. Mas KyungSoo gostava de ouvir.

 

E ao final, seu alívio e conforto era grande. Ele havia conseguido e nada poderia lhe tirar a felicidade naquele momento.

 

 

▪ ▫ ▪

 

 

“Hey! Agora você conseguiu se livrar de mim, hein?” KyungSoo perguntou, com um sorriso nos lábios.

 

Aquele dia era um dia diferente. KyungSoo não estava com seu típico jaleco e nem SeHun com aquela roupa incômoda de hospital. Confortavelmente vestido com uma calça de moletom, uma camisa folgada e tênis, sorria de volta para o médico que brincava consigo. Era o dia de sua alta, finalmente.

 

“Fazer o quê, não é? Eu já não via a hora!” devolveu, vendo o rosto do mais velho se contorcer em desagrado.

 

“A sua sorte é que você foi recentemente operado, se não iria levar uns cascudos para aprender a me respeitar!” reclamou, fazendo com que SeHun risse solto.

 

“Você me adora, não teria coragem de dar um tapinha em mim.” esnobou, e o médico lhe olhou afetado.

 

“Olha só garoto... Não seja desrespeitoso com seu hyung, hn?” pediu, ainda no tom de brincadeira, enlaçando a cintura do mais novo logo em seguida. “Vê se você vem me visitar algumas vezes. Lembra de mim, garoto.”

 

“É claro que eu vou, hyung!”

 

“Se você não quiser vir aqui por ser um baita de um preguiçoso ou por morar do outro lado da cidade, sua mãe tem meu número pessoal.” disse, apontando para a mulher que esperava no táxi.  “Pode me mandar mensagem o quanto quiser.”

 

“Acho que vou começar por hoje a noite.” comentou SeHun. “Acredito que eu vá sentir falta das nossas conversas.” murmurou, sendo sincero.

 

“Você nem precisa pensar duas vezes. Estou a disposição, okay?” sorriu, levando a mão que estava na cintura aos cabelos do adolescente. “Agora vamos às recomendações!”

 

“Ah, pelo amor de Deus, hyung!” SeHun reclamou, mas o médico não mudou de ideia.

 

“Sobre o que você está falando, garoto? Eu sou seu médico ainda, se esqueceu?” alertou ao garoto, com o ar meio sério, fazendo o outro assentir em concordância. “Durma dentro do horário que eu te estabeleci, continue o tratamento com os imunossupressores até o período que pedi, okay?”

 

“Okay, hyung... Okay.” concordou, revirando os olhos.

 

“E tem mais!” KyungSoo apontou. “Permanecer com a dieta que eu pedi. O mínimo de gordura possível, está me ouvindo bem?”

 

“Ah, meu Deus... Sim, hyung, estou.”

 

“E por último...” o mais velho voltou a falar e, antes que SeHun voltasse a reclamar, continuou. “Não se esqueça de vir aqui quando começar a namorar. Eu quero conhecer a garota que vai domar o coração desse meninão, aí!”

 

“Ah, KyungSoo, você está pior do que a minha mãe!” choramingou enquanto KyungSoo ria. “Você fez isso pra me irritar, né?” perguntou, rindo em seguida com a confirmação do mais velho.

 

“Então... Até qualquer dia, SeHun?”

 

“Até qualquer dia, hyung.” sorriu, abraçando o agora melhor amigo de lado, fazendo com que o rosto dele encaixasse em seu pescoço, já que era mais algo do que o mais velho. “E, novamente, obrigado por tudo... De verdade.” agradeceu após se afastarem.

 

“Não foi nada, SeHun. Eu faria tudo de novo só para ver você bem e feliz, como estou vendo agora.” disse KyungSoo. “E como prêmio, eu ganhei um grande amigo.”

 

Despedir-se pareceu um pouco difícil naquele momento para KyungSoo. E por mais que soubesse que nenhum contato seria cortado, ele não conseguia evitar a saudade que já batia devagar pelo paciente jovem.

 

Oh SeHun tornou-se um grande amigo de Do KyungSoo. E para o médico, mesmo que o garoto eventualmente nunca mais pisasse naquele hospital, ele nunca deixaria de ser o paciente do décimo quarto do quarto andar.

 

O adolescente sorriu, voltando a abraçar o mais velho. O abraço durou bem mais daquela vez.


Notas Finais


Eu espero que essa fanfic tenha sido no mínimo aceitável para vocês, porque eu realmente não gostei. >:

Quero dizer, não era isso que eu queria fazer no começo.Pensei em algo diferente que ainda continuaria mais um pouco, essa história. Mas eu não consegui por diversos motivos entre eles foi a semana de provas da faculdade, que anulou meu tempo para escrever em três dias. Só que a pressão acaba comigo, eu não gosto de ficar sem tempo, enfim.

Eu achei que a história ficou muito morna, fria, quase congelada. Minha escrita é muito direta então só foco mesmo nos fatos (até porque e uma OS né), mas não saiu nada daquilo que eu queria, então, eu vou ver o que posso fazer depois, porque quero terminar a história do jeito que eu quero. Mas eu não estou aguentando mais, minha mente entrou em quase pânico (eu neste exato momento estou tentando escrever, mas eu estou tão cansada que estou trocando tudo e tento que rescrever).

Enfim, peço desculpas por qualquer coisa. Ainda não terminei de revisar porque eu não consigo nem enxergar direito agora.

Em resumo, a faculdade me consumiu, outros compromissos também; Enfim a fanfic não ficou do jeito que eu queria, estou decepcionada comigo mesma, porém irei terminar que eu quero depois.

Um beijo no cangote, pessoal! E... boa alguma coisa para vocês!


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