História Homophobia - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Red Velvet
Personagens Irene, Joy, Seulgi, Wendy, Yeri
Tags Menção Joyri, Seulrene
Visualizações 1.097
Palavras 6.887
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Orange, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Adultério, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá de novo.

Seguinte, eu apaguei a one shot pq estava cheio de favoritos que não vieram por causa dessa nova versão da historia. Se for para ter 120 favs, então que seja porque vocês leram essa história de novo e gostaram dela. E sobre ter reescrito, eu não me senti bem com oq eu escrevi, achei que podia fazer algo melhor e espero que vocês possam gostar dessa como gostaram da outra. Obrigada por tudo e me perdoem qualquer coisa ❤

Capítulo 1 - Single Chapter: Irene, eu amo pessoas


Fanfic / Fanfiction Homophobia - Capítulo 1 - Single Chapter: Irene, eu amo pessoas

— Está tendo uma briga ali. — A pequena canadense comentou com suas amigas enquanto comia seu lanche no refeitório. Estavam todas sentadas em uma mesa, almoçando tranquilamente até que um grupo de alunos começou a fazer toda em frente a duas pessoas brigando. — Acho que deveríamos chamar os inspetores antes que a coisa fique feia.

— E eu acho que devemos permanecer quietas aqui e terminar o nosso almoço. — A mais velha das quatro amigas respondeu ríspida, demonstrando que não estava se importando com a briga ali perto.

— Como você consegue ser assim Irene? Estão espancando a garota ali! — Wendy ficou perplexa com a falta de interesse da amiga. Do modo como a loira falava, dava a entender que no que dependesse dela, a surra seria ainda pior.

— E a culpa disso é minha por acaso? Não é nada que ela não mereça. — Respondeu com convicção e cheia de si, sem nem ao menos se importar com os olhares de reprovação das três amigas que estavam almoçando na mesma mesa.

— Joohyunnie, ninguém merece apanhar desse jeito. Eu, que nem conheço a menina, estou sentindo dor por ela. — Yeri, a mais nova entre elas e a que mais estava se desesperando internamente por presenciar tal cena, se manifestou.

— Ah Yeri, você ainda é muito nova para entender essas coisas. Essa garota é… Repugnante! Assim como o restante das pessoas do tipinho dela nesse mundo! — Irene terminou de comer e parou para pensar por alguns segundos. O silêncio da loira fez suas três amigas ficarem com seus olhos arregalados de pânico por conta do que viria a seguir.

— Irene. — Joy que estava sentada ao lado de Yeri, exclamou ríspida e com certa irritação para a loira. — Nem pense em começar a dar esse discurso ridículo de novo.

— É a minha opinião Joy. Lide com isso. — A morena revirou os olhos, reprimindo sua vontade de dar uns bons tabefes em Irene por ser tão ignorante.

Basicamente, Irene era o que as pessoas homossexuais chamavam de homofóbica de carteirinha e ela não tinha vergonha nenhuma de assumir. Ninguém ao certo sabia dizer de onde veio aqueles sentimentos de repulsa e ódio que a loira sentia por homossexuais e afins. Era uma intolerância de primeira e sem limites alguns. Talvez fosse uma questão tradicional familiar ou religiosa. Seja lá o que fosse, lhe fazia ter ódio de pessoas anormais que era como ela costumava se referir.

Wendy que era sua melhor amiga a anos e trouxe Joy e Yeri para formarem um círculo de amizades com Irene, se lamentava por a amiga ter um pensamento tão atrasado e grotesco dessa forma. E ao mesmo tempo, as três se perguntavam como uma garota tão linda, inteligente e, aparentemente simpática e carinhosa, conseguia esconder e camuflar muito bem o preconceito que sentia pelas pessoas.

Não são pessoas, são aberrações! Irene dizia, insinuava, exclamava, afirmava… Era um ciclo que não tinha fim.

Joy e Yeri eram as que mais sentiam pena da amiga e elas gostariam muito de tentar mudar o pensamento de Irene sobre esse assunto, justamente porque elas eram -em completo sigilo e segredo- um casal. Enquanto Irene discursava com ódio sobre homossexuais, deixando suas amigas fartas da mesma coisa todos os dias, Joy e Yeri seguravam suas mãos embaixo da mesa com os dedos entrelaçados e Kang Seulgi era largada no chão do refeitório graças à um faxineiro que mandou todos se afastarem dela. O estado em que Seulgi estava era de assustar qualquer um. Seus lábios roxos, cortados e derramando sangue, o nariz na mesma situação e alguns hematomas espalhados por seu pescoço e bochechas. Sem falar no restante de seu corpo que fora atingido por socos, chutes e outros golpes.

As pessoas em volta começaram a observar aquela cena pavorosa de uma menina se levantando aos tropeços do chão e cuspindo seu próprio sangue, após ter apanhado igual uma condenada. Ao contrário do que pensavam, Seulgi apenas seguiu mancando para fora do refeitório e sem olhar para ninguém. No entanto, quando passou pela mesa onde as três amigas acabavam de almoçar, seu olhar se cruzou com o de Irene.

Irene sentiu uma pontada de dor em seu coração -se é que ela tinha um, como Joy costumava dizer- acompanhada de uma sensação estranha, lhe causando alguns calafrios. Ela não sentiu nojo de Seulgi, nem repulsa ou desgosto. Irene olhou nos olhos da menina machucada, e sentiu puro medo. Aquele era o olhar de alguém que iria se vingar.

— Você não sente pena? Ela é um ser humano assim como você. — Wendy perguntou espantando os pensamentos aleatórios da amiga, e tendo consigo a esperança de que Irene usasse o bom senso pelo menos uma única vez na vida. — Irene, veja o estado em que essa menina saiu daqui. Você realmente acha que ela merece isso só por gostar de meninas?

A loira ficou pensativa, e chegou até a morder seu lábio inferior. O que foi aquilo que ela sentiu quando Seulgi olhou em seus olhos? Seu rosto estava tão feio, tão machucado e marcado, que nem ao menos dava para identificar se sua expressão era de horror ou raiva. Talvez fosse as duas coisas, e por bons motivos.

Suspirando pesado e com o orgulho dominando cada parte da sua consciência, Irene respondeu.

— Sim, eu acho. — Wendy, Joy e Yeri se lamentaram internamente por isso. Não era algo para se preocupar ou sentir raiva, mas era digno de pena que uma pessoa não tenha empatia pela outra por um motivo tão banal. — Se ela fosse uma pessoa normal, não passaria por essas coisas. Já disse.

— Se você não tivesse espalhado para a escola inteira que ela é lésbica, ela não passaria por essas coisas. — Joy finalmente retrucou. Quando virou amiga de Irene e descobriu seu desgosto com homossexuais, jurou para si mesma que iria ignorar cada vírgula que saísse de sua boca quando esse assunto em especial fosse a pauta da conversa. Mas todos temos limites, e o de Joy já estava ultrapassado.

— Está dizendo que a culpa de tudo é minha? — A loira esbravejou, mas não foi o suficiente para intimidar sua amiga.

— Sim, estou. Se quiser que eu repita: A. Culpa. É. Toda. Sua. — Com as mãos espalmadas na mesa, Joy encarou Irene nos olhos e ambas frente à frente. Wendy e Yeri já trocavam olhares como um sinal indicando que elas iriam segurar as duas a qualquer momento. — Todo mundo já sabe que você é uma preconceituosa de merda, mas isso não te dava o direito de espalhar por aí a vida pessoal de alguém que nunca te fez nada.

Joy finalmente havia mexido na ferida de Irene. A grande verdade é que depois de pegar Seulgi no flagra beijando uma das líderes de torcida no banheiro, Irene saiu espalhando para todos na escola que ela era lésbica e que isso era abominável, e também fez um discurso horrível sobre homossexuais. Desde então a vida da garota tem sido um inferno, ela passou a ser excluída dos trabalhos em grupo em sua sala, ninguém fazia dupla com ela para nada. Seulgi também foi expulsa do time de vôlei pelas outras jogadoras que diziam abominar seu comportamento e como um bônus, ela passou a ser agredida na escola, fora dela e até mesmo perto de sua casa quando era perseguida por outros alunos. Irene sabia que ela era a causa disso, sabia que cada surra que a garota ganhava na escola foi graças à sua enorme vontade de dizer ao mundo como se sentia ofendida com duas pessoas do mesmo sexo juntas.

Mas claro, ela nunca iria admitir.

— Quer saber, eu perdi minha fome.

Foi sua palavra final antes de sair da mesa onde estava com suas amigas, pisando tão forte no chão como se quisesse quebrar o piso de concreto, e por fim saindo de vez do refeitório.

Chegava a ser preocupante aquele ódio todo que a loira fazia questão de demonstrar, suas amigas não conseguiam entender como ela conseguia ter tempo para se frustrar e odiar homossexuais enquanto tinha uma vida aparentemente perfeita. Irene era a preferida da família, a aluna mais inteligente da classe, a líder de torcida mais bonita e desejada que consequentemente, namorava o capitão do time de basquete. Park Bogum gostava de passar a todos a imagem de namorado perfeito e dos sonhos que as pessoas acreditavam que ele era, e Irene por ser uma pessoa que adorava um bom status, acabava por inflar o ego do namorado e deixar que ele fizesse as pessoas acreditarem nisso.

A ruiva revirou os olhos enquanto observava Irene sumir do seu campo de visão e se decepcionando cada vez mais com a atitude da loira de ser tão ignorante em certas coisas. Joy e Yeri se abraçaram assim que viram que Irene havia dobrado o corredor e ido para a sua sala.

Irene andava inquieta pelos corredores vazios de sua escola, carregando seus livros nas mãos e com seus fones de ouvido. Ela estava tentando em seu orgulho máximo, fingir que não ficou afetada pelas palavras duras e sinceras que Joy disse segundos atrás. Isso lhe fez repensar se ela realmente não se sentia mal por conta das coisas que Seulgi passava diariamente. As duas não eram inimigas, mas também não eram amigas, eram apenas duas desconhecidas que estranhamente sabiam bem uma da outra. Principalmente Seulgi, que em segredo, admirava Irene de longe.

A loira tinha exatamente tudo o que Seulgi deveria evitar e fazer o possível para se manter longe, mas era fato inegável para si mesma que, ela achava Irene bela, extremamente bela. Seulgi poderia passar horas e horas desenhando o rosto de Bae Irene em suas folhas de papel. Ela iria pintar perfeitamente seus cabelos loiros, dar realce aos seus lábios vermelhos e bem formados, usar com perfeição a ponta do lápis na hora de fazer os traços do seu rosto. Por mais que não merecesse nem a metade disso, para Seulgi, Irene era uma obra de arte.

Quando a loira estava chegando ao seu armário no corredor, seus pés pararam de andar de repente e ela ficou estático onde estava. Porque ao lado do seu armário, Seulgi estava encostada com os braços cruzados e o olhar rígido, como se estivesse à sua espera.

Novamente, Irene sentiu medo. Ela não conseguia se lembrar que odiava homossexuais e sentia nojo de seu comportamento enquanto a garota de cabelos castanhos continuasse a lhe encarar daquela forma. As duas estavam perto uma da outra, apenas à alguns passos de distância e mesmo assim suas respirações fracas eram escutadas por estarem aparentemente sozinhas no corredor. Irene mordeu o lábio inferior ao analisar com mais precisão cada estrago feito no rosto da menina. Os olhos estavam inchados e vermelhos, entregando que ela havia chorado e não foi pouco. Seus lábios mal estavam fechados de tão machucados que estavam. Por mais que estivesse um pouco assustada com Seulgi, a loira decidiu manter sua pose de garota corajosa que pouco se importava com a consequência de seus atos.

— O que você quer? — Disparou.

— Se acha tão especial assim para pensar que estou aqui por sua causa? — A resposta de Seulgi fez Irene engolir sua coragem à seco. Um sorriso satisfeito se abriu nos lábios feridos da Kang.

— Se não está, saia daqui porque esse é o meu armário. — A loira respondeu, começando a se irritar com o sorriso debochado da garota. Quando Irene foi tentar abrir seu armário, Seulgi se colocou na frente do mesmo e bloqueou sua passagem. — O que está fazendo? Saia daqui!

Irene se irritou ao máximo depois de tentar empurrar Seulgi da frente do armário e não ter conseguido. Decidiu apelar para agressão e começou a desferir tapas doloridos no peito da menina, até mesmo chutou a sua canela com toda a força que conseguiu. Seulgi sentiu dor, claro que sentiu, mas ela tinha algo em mente e iria enfrentar a pior dor possível para fazer dar certo.

Quando a loira menos esperou, teve seu corpo prensado no armário, com Seulgi segurando os seus ombros com um pouco de força. Foi curioso o fato de ela não estar lhe prendendo totalmente, se Irene quisesse escapar dali conseguiria sem muito esforço porque até então, Seulgi não estava tentando lhe machucar. Ela apenas queria causar um pouquinho de medo.

Aproximando sua boca da orelha da loira, ela disse.

— Sabe Irene, eu deveria te dar uma surra. Te espancar até você desmaiar. O que acha de apanhar igual eu apanho dos cretinos dessa escola todo maldito dia? — Se antes a loira estava cheia de coragem, orgulho e força em si, agora havia tudo ido para o ralo. Todos esses meses vendo Seulgi apanhar dos demais nunca lhe deram a impressão de que a menina fosse alguém para se ter medo. Afinal, ela sempre foi a agredida e nunca a agressora.

— Não, po-por favor não! — Seulgi voltou a encarar os olhos amedrontados de Irene, foi satisfatório vê-la se tremendo daquele jeito. — Por favor, não me machuca!

— Engraçado… Eu me lembro bem de ter implorado para você há meses atrás, não contar para as pessoas o que você viu naquele banheiro. — Seulgi comentou e diminuiu a pressão de seus dedos na pele da loira, que estava tão apavorada que nem se deu conta que poderia ter saído dali. — Você se lembra? Eu até mesmo me ajoelhei aos seus pés. — Irene estava prestes a chorar de tanto medo que estava sentindo. Medo, um sentimento desnecessário para a ocasião, já que Seulgi não pretendia fazer nada além de lhe causar medo. Quer dizer, em partes, porque ainda havia uma última carta na manga. — Eu não vou te bater sua medrosa.

— Não? — A loira perguntou sentindo seu coração bater um pouco mais devagar.

— Não, isso me tornaria igual às pessoas que me batem todos os dias. Eu não sou igual à eles e nem igual à você. — Seulgi soltou os ombros de Irene e se afastou. Ela girou a fechadura de senha do armário de Irene e preparou para abri-lo. Irene olhou confusa para o que ela estava fazendo, ela iria ficar pior ainda quando visse o que tinha ali dentro. — Ao invés disso, vou me vingar te ferrando de outro jeito Bae.

Seulgi abriu o armário de Irene e de lá caíram inúmeras latas de tinta em spray. As latas que caíram no chão ainda não esvaziaram o armário da loira que por acaso, estava lotado delas. A situação era que hoje mesmo, Seulgi pichou completamente o carro novo do diretor da escola e as portas de algumas salas enquanto as câmeras de segurança estavam desligadas. O homem estava procurando o culpado por aquilo igual a um leão caçando sua presa, e ele estava uma verdadeira fera. Não foi difícil para ela saber a combinação de números do armário de Irene, bastou ela espiar de longe uma única vez em que Irene colocava a combinação da senha sem perceber que Seulgi lhe observava.

Uma vingança perfeita.

— Sua… — Irene estava perplexa, não sabia se gritava de desespero ou se tentava agredir Seulgi, se esquecendo que estava morrendo de medo dela segundos atrás. Mas ela não foi rápida o suficiente.

— Senhorita Bae. — Aquela voz grossa, contida e furiosa, preencheu o corredor e fez cada músculo no corpo de Irene ficar rígido. Ela praticamente congelou onde estava ao escutar a voz do diretor, que estava bem atrás de si e com a pior cara possível. — Queira me acompanhar por favor.






Detenção por três fucking horas!





Wendy prometeu a si mesma que não iria rir da situação, fez um juramento interno e na frente de Irene que não iria debochar ou tirar sarro da forma como a amiga ganhou uma detenção depois da aula. Quando Joy e Yeri soubessem do ocorrido provavelmente passariam os próximos três dias dando risada.

— Imagino que você esteja bem puta com isso. — A ruiva comentou.

— É pouco para o que estou sentindo. Eu queria tanto esganar aquela lésbica nojenta e desgraçada! — Irene resmungava com ódio enquanto enfiava seus materiais dentro da mochila. — Merda, tive que cancelar meu encontro com o Bogum por causa desse castigo.

— Joohyun, por quê você não aproveita o tempo livre e pensa a respeito das suas atitudes? — Wendy comentou enquanto acompanhava a amiga até a biblioteca onde ficaria por três horas. — Eu sei que no fundo você se sente culpada pelo o que fez.

— Não, se antes existia alguma chance de eu me sentir culpada por isso, agora essas chances se dissiparam. — A loira disse. — Por mim Seulgi e o resto dos homossexuais podem ir para o quinto dos infernos!

Wendy suspirou e decidiu não tocar mais naquele assunto, se fosse para Irene aprender uma lição, então seria a vida que se prestaria a esse papel. A canadense só ficava com pena de Joy e Yeri que nunca poderiam agir como um casal normal com medo de que Irene estragasse suas vidas.

E sobre a vida dar uma lição a Irene, a ruiva logo mudou sua concepção quando chegaram na biblioteca. Talvez a grande encarregada disso não seja a vida, e sim uma certa pessoa…

— Bom, ao menos você vai ter companhia. — Wendy cochichou para Irene, que observava Seulgi desenhando algo dentro da biblioteca completamente distraída, tanto que nem notou a sua nova acompanhante.

Irene queria gritar o mais alto que podia.

— Wendy, você-

— Hum, já estou Bae. Amanhã nos vemos. Tchau!

Em cinco segundos Wendy já não estava mais naquele corredor, deixando a loira sozinha e parada em frente a porta. Irene fechou os olhos e contou até dez mentalmente, ao mesmo tempo ela xingava o diretor por isso e amaldiçoava Seulgi pelo mesmo motivo.

— Inferno. — Ela exclamou entrando na biblioteca e fechando a porta atrás de si. Consequentemente, acabou chamando a atenção da menina. — Vou falar de uma vez por todas, então escute bem. — Irene exclamou, chamando a atenção de Seulgi que até então estava totalmente alheia. — Não troque palavras comigo, não chegue perto de mim, não olhe na minha direção e nem ao menos ouse me ter nos seus pensamentos!

Seulgi ficou tonta com a quantidade de Nãos que saíram da boca da loira. Mas ao contrário do que Irene esperava, ela deu de ombros e continuou com o seu desenho sem dar o mínimo para cada palavra que Irene pronunciou. Mas é claro, que ela não iria dar para a loira o gostinho de que ela ficaria em paz nesse castigo, e decidiu que provocar um pouco nunca era demais.

— E se eu não quiser? — Perguntou.

— Está me desafiando Kang?

— E se eu estiver, vai fazer o quê? Pegar uma lâmpada de Led e quebrar na minha cara? — Perguntou apoiando sua bochecha na mão esquerda, arqueando uma sobrancelha e encarando Irene que parecia pensar em uma resposta. — Ah, já sei! Você vai chamar o time de basquete inteiro para me arrebentar amanhã.

— Não perco o meu tempo com você por nada nesse mundo. — Irene até tentou soar superior, mas não conseguiu porque sem perceber, ela mesma se colocou na posição inferior do jogo.

— Mas gastou seu precioso tempo espalhando pra escola inteira que beijei uma menina no banheiro. — Seulgi sorriu ao ver Irene engolir em seco quando teve seu ato exposto.

— O-o que diabos está fazendo aqui afinal? O diretor descobriu que você armou para cima de mim? — Aquela foi a pior tentativa de mudar de assunto que Seulgi já viu em toda a sua vida, mas resolveu seguir a maré.

— Por causa da briga de hoje no refeitório. Apanhar não foi o suficiente, eu precisava ficar no castigo também. — Ela voltou a desenhar despreocupadamente enquanto Irene permanecia parada no mesmo lugar. — E com você.

— Você acha mesmo que eu gostaria de estar aqui com um ser… Abominável igual a você? — Irene questionou.

— Cara, me fala de uma vez por todas, qual é a da porra da tua implicância com homossexuais? — Seulgi largou seus lápis em cima da mesa e se virou para Irene, que riu com desdém da pergunta.

— Vocês são nojentos, repugnantes, ficam pecando por aí e se acham normais. — A loira cuspiu cada palavra, como se não se arrependesse e como se a sua verdade fosse absoluta.

Mas, Irene acabou cometendo um grande erro. Sem perceber, sua resposta acabou dando a brecha que Seulgi precisava para entender o motivo de seu ódio, de seu preconceito. Ela se levantou de onde estava sentada e de braços cruzados, caminhou até Irene.

— Agora eu entendi. Você segue alguma religião? — Ela perguntou.

— Sou católica. Por que isso te interessa?

— Curiosidade apenas, mas não estou surpresa por você ser do jeito que é. — Seulgi tinha um sorriso prepotente nos lábios, coisa que irritava a loira em um nível muito alto. — A igreja estragou a sua cabeça pelo visto. Mas quer saber? Não vou generalizar, porque conheço pessoas da mesma religião que a sua e mesmo assim não são tão babacas como você.

— Não basta ser lésbica, tem que ser idiota também? A igreja me deixa protegida de virar algo como você! — Irene berrou aos quatro ventos, por sorte a escola estava vazia a aquele horário e ninguém poderia escutá-las discutindo o motivo do preconceito. — Se não fosse minha fé em Deus eu seria igual a você, com esse comportamento nojento e gostaria de meninas também.

Seulgi não estava mais se divertindo. Depois do que escutou, nem raiva e ódio ela sentia de Irene mais, ela acabou se juntando a Joy e Yeri e tudo o que restou foi pena. Era uma pena, uma lástima que Irene seguisse com fidelidade as coisas que falavam dentro de uma igreja e não percebesse como os atos daquelas regras ditadas por padres ou pastores, não tinham nada a ver com a famosa frase “ame aos outros como ama a si mesmo”. Sem falar nada, Seulgi voltou a se sentar em seu lugar e continuou seu desenho, deixando uma Irene quase explodindo de raiva para trás.

— FALE ALGUMA COISA! — Irene gritou, sentindo seus olhos se encherem de lágrimas e sem motivo nenhum. Mas é que uma necessidade incontrolável de chorar surgiu do nada. Seulgi suspirou triste, e olhou para Irene novamente.

— Eu amo pessoas Irene, eu me apaixono por personalidades, tratamentos e pelo coração bom que eu acho, que você tem dentro de si. — Ela explicou. — A igreja mais julga do que ama. Lá não é um lugar seguro.

— Você está falando besteiras porque não se conforma que isso não é normal. — A loira enxugou seus olhos, fazendo força para engolir o choro que teimava em sair. — Se você ao menos tivesse uma religião, saberia do que estou falando. O mundo seria um lugar melhor se as coisas fossem dessa maneira.

— Irene. — Seulgi se sentou de frente para a loira, lhe oferecendo seu olhar mais sincero. Irene surpreendeu a si mesma ao perceber como estava se sentindo triste por ver aquele rosto machucado, a marca roxa perto do olho esquerdo e porque na verdade… Sem todas aquelas marcas, Seulgi era linda. — Amor é a única religião de que o mundo precisa. E você também.

— Se está tentando insinuar que não sou amada, te informo desde já que eu tenho namorado. Um garoto. — Era incrível como a loira fez questão de enfatizar que namorava uma pessoa do sexo oposto ao dela, como se para Seulgi, isso fizesse alguma diferença. Até porque ela sabia que Bogum não amava Irene.

— Essa é a sua fonte para dizer que é amada? Ter um namorado? — Questionou. — Francamente, você é tão linda, mas tão tapada.

Irene teria rebatido a ofensa que recebeu, se o elogio que saiu da mesma boca não tivesse lhe chamado sua atenção.

Você é tão linda, mas etcetera, etcetera e etcetera.

— O que disse Kang? — Perguntou baixo, e fazendo Seulgi entender do que ela se referia.

— Eu disse que você é linda. Discorda?

— Você é bipolar ou o quê? Até algumas horas atrás eu jurei que você ia me espancar no corredor, e agora me elogia! — Irene acabou se cansando de ficar em pé e se sentou no chão mesmo, porque o mesmo estava forrado por um tapete macio.

— Eu querer me vingar por você ter sido uma cretina comigo, não anula minhas opiniões sobre você ser linda. — Seulgi explicou e voltou a se concentrar em seu desenho.

A partir dali as duas ficaram em silêncio total, Irene abraçava seus joelhos de cabeça baixa e de vez em quando, Seulgi lhe observava de canto. Até chegado o momento em que ela largou novamente os lápis em cima da mesa e se levantou da cadeira, indo devagar se sentar ao lado da loira que parecia estar muito abatida e cansada. Irene se sentia completamente perdida, nos quarenta minutos em que elas ficaram em silêncio, a loira começou a refletir sobre suas ações de verdade e sobre as coisas que aprendeu em casa. Era estranho como a educação politicamente correta que recebeu em casa, agora parecia mais errada do que nunca.

Seus pais sempre lhe ensinaram que ela deveria ser uma boa menina, quando crescesse ela iria se casar e ter filhos, e cuidar da casa e de seu marido. Não era isso o que ela imaginava para si mesma no futuro, desde que entrou no ensino médio, a sua vontade de fazer enfermagem em uma faculdade era imensa. Irene achava que gostava o suficiente de Bogum para namorar com ele, mas nunca pensou em casamentos e muito menos em filhos. Ela nem ao menos gostava de crianças!

— No que tanto pensa? — Seulgi perguntou e aguardou pelo surto, ou pela ofensa, ou pelo escândalo que achou que a loira faria por estar sentada ao seu lado. Nada disso aconteceu.

— Em tudo. — A loira desabafou, suspirando cansada de tanto rever as coisas erradas na sua vida. — Nunca pensei que um dia veria as coisas por esse lado… Homossexualidade, isso sempre me pareceu tão anormal, não consigo entender.

Em Seulgi começava a nascer uma luz no fim do túnel, e a esperança de que Irene pudesse estar largando aquele preconceito e ódio todo que no final das contas, afetava somente a ela mesma.

— Anormais são pessoas que não amam. Eu não sou anormal, porque eu amo muitas pessoas. — A castanha respondeu com um pouco de entusiasmo, e quase jurou que um sorriso tímido estava querendo brotar nos lábios bem formados e atraentes da loira.

— A igreja é realmente dessa forma como você diz? — Irene perguntou, agora olhando Seulgi nos olhos.

— Quando você decidir ser você mesma lá dentro, não será mais aceita ou bem-vinda. — A loira prestava atenção em cada palavra que Seulgi dizia, não somente nas palavras, mas sim nas suas expressões faciais que ficavam extremamente fofas quando ela estava concentrada explicando algo. — E eu acho que Deus me ama como sou, não seria legal para ele saber que estou tentando ser alguém diferente só para agradar outras pessoas. Entende?

— Bo-bom, se olhar por esse lado… Acho que você tem razão. — Irene respondeu tímida e sentindo suas bochechas esquentarem um pouco devido a vergonha de estar indo contra ao seu orgulho. — Hum, e sobre o meu namorado… Acho que você também tinha razão.

— Aigoo, confesso ter blefado um pouco naquela hora, mas… Por que acha isso? — Seulgi perguntou sem jeito e coçando a cabeça, só que Irene não se preocupou muito e continuou inexpressiva.

— Nós nunca falamos sobre nosso relacionamento nesse ponto. Ele nunca me fez declarações ou essas coisas clichês de namorado apaixonado, na verdade quando começamos a namorar, não me lembro de termos falado sobre gostar um do outro. — Ela declarou e deixou a castanha surpresa. Fazia cerca de cinco meses desde que Irene e Bogum começaram a namorar, e pela forma como eles se mostravam para a escola inteira, dava a entender que iriam envelhecer juntos.

— Bom, você não gostar dele é compreensível porque sempre achei seu namorado um mala. — A loira riu da revelação de Seulgi. — Mas ele não gostar de você… Não sabe o que está perdendo.

— O-o que está dizendo? — Irene corou ao escutar a última frase da Kang. E para o seu desespero, seu coração começou a palpitar.

— Irene, seu namorado nunca admirou nada em você? Isso é um absurdo, ele só sabe te esbanjar por aí como se você fosse um troféu maldito. — Seulgi respondeu, sem medo ou hesitação, queria ser o mais clara e sincera possível com a loira. — Você não acha que merece algo melhor do que isso?

Quando Irene virou seu rosto, se assustou ao perceber como elas estavam próximas. Os narizes encostados um no outro e o olhar intenso de Seulgi lhe prendendo naquela posição. Seus olhos alternavam em olhar para a garota ou para os seus lábios machucados que, agora vendo eles tão de perto, não pareciam mais feios ou machucados demais.

— E-eu não gosto de meninas. Por favor, não faça isso. — Irene se levantou rapidamente do chão e ficou de pé. Quando ela tentou fugir para outro lugar, Seulgi segurou seu braço e a trouxe para perto novamente.

— Como pode saber se não gosta, se você nunca experimentou?

Um sussurro, algumas palavras e um olhar profundo. Bastou apenas esses três itens para Irene desistir de mover mais um passo para longe de Seulgi. Como sempre, ela acabou sendo tomada pelo sentimento da dúvida, a garota estava lhe dando a oportunidade de acabar com todas as suas dúvidas sobre beijar alguém do mesmo sexo que você. Porque a teoria fazia todo o sentido, como ela poderia saber se gostava ou não, se nunca experimentou?

Seulgi devagar soltou seus pulsos e desceu suas mãos pelos seus braços até chegar em suas costas, empurrando Irene na sua direção até que ambas estivessem bem próximas. A respiração quente de Seulgi batia no rosto da loira, lhe deixando cada vez mais nervosa por dentro e com mais vontade ainda de tirar a sua dúvida.

— É só um beijo Irene. Se você não gostar, eu prometo que te deixo em paz. — Seulgi disse baixinho.

— Você promete?

— Prometo. — Irene respirou fundo e fechou seus olhos tentando conter o nervosismo que estava sentindo. Era só uma experiência, se ela não gostasse, não teria mais que se preocupar com Seulgi outra vez.

— Tu-tudo bem então. — A loira disse e discretamente pousou suas mãos nos ombros da mais alta. — Me beije.

De olhos fechados, Irene esperou pelo beijo que Seulgi lhe prometeu. Demorou somente dois segundos para sentir os lábios quentes e machucados tocarem delicadamente os seus. E para a loira, estranhamente parecia ter demorado uma grande eternidade. Foi somente quando os lábios de ambas começaram a se mexer e entrando em uma sincronia gostosa de sentir, que Irene entendeu que a ansiedade que ela estava sentindo em beijar Seulgi, lhe fez acreditar na tal “demora” para o beijo acontecer.

Aquilo era novo para ela, algo que ela nunca experimentou antes e em todos os sentidos possíveis, não só pelo fato de ser outra menina ali. Seulgi beijava seus lábios com toda a delicadeza do mundo, como se fosse Irene quem estivesse com alguns cortes doloridos ali e não ela. Irene não sabia se iria admitir mais tarde ou não, mas achou delicioso o gosto ferroso de sangue do beijo que estava trocando com a Kang.

Elas nem ao menos perceberam que pediram passagem com a língua ao mesmo tempo, somente quando ambas as línguas se tocaram deliciosamente, deixando aquele beijo mais quente e intenso do que nunca. Seulgi abraçou a cintura de Irene com vontade, mantendo o seu corpo colado no dela e a loira por sua vez, abriu seus braços e abraçou o pescoço de Seulgi, levando suas mãos aos seus cabelos sedosos.

Os lábios dela estão machucadosEsse pensamento fez com que a Bae começasse a distribuir selinhos molhados em pausas pequenas nos lábios da menina, ela até mesmo deu uma chupadinha cuidadosa na parte machucada. Seulgi quase se derreteu em seus braços quando percebeu que Irene, de algum modo, estava tentando aliviar os machucados dela.

O beijo infelizmente precisou ser interrompido pela falta de ar que ambas precisaram para ter fôlego. Mas, elas não se soltaram ou se afastaram. Irene continuou abraçada a Seulgi e se permitiu sorrir ao ver os lábios vermelhinhos dela estarem inchados, mas não por causa de uma surra e sim por causa dela mesma.

— Seulgi… — A loira sussurrou agora olhando a Kang em seus olhos.

— Você me disse meu nome. — Seulgi sorriu ao pensar em como seu nome ficou mais bonito depois que Irene o pronunciou. — Fala de novo.

— Seulgi. — Irene beijou seus lábios outra vez. — Seulgi. — Deu outro beijo, mas agora em sua bochecha. — Seulgi. — O último beijo foi na ponta de seu nariz. — Você beija tão bem, Seulgi.

— O que acha de fazermos algo a mais no restante dessa detenção chata?

Por um momento, Irene hesitou porque notou com facilidade o sentido por trás daquela pergunta. Seulgi estava com uma segunda intenção, e por mais maliciosa que fosse, não dava a impressão de que toda aquela conversa só aconteceu para que chegassem até aqui.

E por mais que fosse, Irene continuava curiosa.

— E se não der tempo de acabarmos isso aqui? — Irene perguntou.

— Podemos terminar na minha casa. — Seulgi sorriu de forma travessa, o que fez a loira sorrir também. — Vem aqui.

As duas se afastaram para andarem até a mesa, onde Seulgi ajudou Irene a se sentar e abrir as pernas para recebê-la. As mãos da mais alta foram diretamente na camiseta de botões da loira, abrindo um por um até ela estar aberta por completo. Seulgi quase desmaiou quando viu que Irene não estava usando absolutamente nada por baixo. Mas não deixou de sorrir até porque, a vista era maravilhosamente bela.

— Sua última chance de me convencer Seulgi. — Irene disse, com um olhar malicioso. Ela ganhou mais um beijo e depois se arrepiou ao sentir as mãos de Seulgi acariciarem sua pele.

— Veja só como você é linda. — Seulgi se inclinou e beijou o colo dos seus seios. Um beijo quente e molhado que fez os mamilos rosados da loira ficarem duros na mesma hora. — Seu namorado é um idiota mesmo.

Por Irene estar de saia, Seulgi viu como uma vantagem para fazê-la cruzar as pernas em sua cintura, agarrando suas coxas bem definidas e grossas. Ela continuou a distribuir beijos pelos seios redondos e proporcionais da loira, causando inúmeros arrepios e distorcendo todos os seus sentidos. Irene acabou levando uma de suas mãos até os cabelos de Seulgi, onde afagou eles com carinho enquanto sentia a língua da garota provar sua pele leitosa. Depois ela chupou um dos mamilos da loira, fazendo a mesma gemer abafado de um jeito manhoso, mas adorando aquela sensação gostosa da boca quente de Seulgi em seu corpo. Sua mão esquerda massageava o outro seio que se encaixava perfeitamente na sua palma.

— Po-por que você acha isso? — Mesmo estando em êxtase e de olhos fechados, ela tornou a perguntar. E para Seulgi não seria um problema responder.

— Porque ele não te aprecia. — Seulgi puxou as mangas da camisa de Irene até tirar a peça por completo, deixando ela seminua e com seus seios e abdômen expostos. — Não há rachaduras nas suas perfeições, não existem defeitos na sua beleza. A única coisa que ameaçava estragar sua personalidade impecável, era o seu preconceito.

Irene se sentia tocada pelas palavras carinhosas e profundas de Seulgi, ao mesmo tempo em que ela lhe falava o que estava de errado, ela também admirava cada ponto seu. E a loira começava a entender que, o seu preconceito com homossexuais sempre seria aquela mancha escura na sua perfeição. Seulgi acima de tudo, sempre nutriu uma paixão secreta por Irene, sem nunca imaginar se isso um dia poderia ser recíproco pelo fato da loira praticar homofobia em peso no passado. Mas é como diz o ditado, as pessoas mudam da mesma forma que as estações. Você nunca ficará preso no inverno congelante, se a primavera lhe promete lindas flores para colorir seus dias.

— Se eu estivesse no lugar dele… — Seulgi comentou, chamando a atenção de Irene. Elas se encaravam agora, com os rostos bem próximos e bochechas coradas. — Eu amaria tudo em você, até suas imperfeições seriam lindas para mim.

Irene segurou o rosto de Seulgi em suas mãos, sentindo uma imensa vontade de se entregar para ela de uma vez por todas. Era quase inacreditável que as duas estavam naquela situação, poderia ser qualquer um, menos elas. Elas se beijaram delicadamente, mas com urgência, os lábios de Irene eram irresistíveis e se pudesse, Seulgi viveria apenas para beijá-los.

— Você tem essa oportunidade. Vá em frente.

Seulgi se afastou um pouco, somente para segurar nas laterais da calcinha de Irene por baixo de sua saia, a loira levantou um pouco seu quadril para facilitar na retirada daquela peça que agora, ambas achavam inútil. Com as pernas entrelaçadas na cintura da Kang novamente, Irene abraçou o seu pescoço e fechou os olhos ao sentir os dois dedos de Seulgi fazendo pressão para entrarem em sua intimidade molhada.

— Céus, você está derretendo… — Seulgi sussurrou no seu ouvido e continuou fazendo pressão com cuidado para não machucá-la, não sabia o quão sensível Irene poderia ser. Quando ela conseguiu penetrar seus dedos, soltou um gemido baixo ao perceber como a loira estava excitada e molhada. — I-irene.

— Ohhh, Seulgi.

Irene abraçou o pescoço de Seulgi com força para ter apoio, enquanto sentia aqueles movimentos que os dedos dela faziam dentro de si com maestria. Seulgi usou seu polegar para massagear o clitóris pulsando da loira, apenas para que ela sentisse mais prazer e desejo urgente de ter um orgasmo. Seulgi beijava e mordia de leve seu pescoço, matando sua vontade de provar tudo o que tinha direito em Bae Irene. Ela beijava-lhe a pele como se fosse feita de açúcar e pudesse derreter a qualquer momento com seus beijos quentes e molhados.

Inesperadamente, Irene começou a mexer seus quadris para obter mais daquele contato delicioso e Seulgi percebendo seu desespero, passou a mover seus dedos com mais força dentro de sua intimidade encharcada, botando mais pressão nos seus movimentos.

— Se-seulgi, eu vou-

Irene estava prestes a atingir seu ápice, ela iria se desfazer nos dedos de Seulgi a qualquer momento. Mas ainda não era o momento certo.

Seulgi rapidamente tirou seus dedos de dentro da loira e sem dar tempo de ela protestar, se ajoelhou na sua frente e abriu suas pernas, deixando elas apoiadas em seus ombros. Irene quase gritou de tanto prazer quando Seulgi colocou sua boca ali no lugar que ela mais desejava. A garota estava indo a loucura, a preocupação inicial de que elas poderiam ser pegas por algum funcionário de limpeza já nem existia mais, o que importava para Irene era a língua de Seulgi lambendo sua virilha com vontade e lhe deixando cada vez mais perto do orgasmo que tanto desejava.

Irene não iria aguentar por mais tempo, sem ao menos poder avisar, gozou na boca que lhe chupava deliciosamente, gemendo em puro êxtase e sem ao menos se conter. Seulgi ao perceber o que estava acontecendo, se apressou para engolir tudo, ela queria cada gota de Irene no seu paladar, queria absolutamente tudo o que viesse dela.

— Me-meu Deus… — Irene exclamou, tentando respirar com calma. — Estou quente.

— Você é muito quente mesmo. — Seulgi brincou ao se levantar do chão e abraçar a cintura da loira novamente, e acabou ganhando um tapinha de reprovação.

— Boba, estou falando sério. Nunca senti tanto calor antes. — Irene puxou Seulgi pela gola de sua blusa para poder deitar sua cabeça em seu ombro, apenas para descansar um pouco e voltar ao normal. — Seulgi?

— Sim?

— Eu adoraria tomar um banho refrescante agora. — Irene disse, soltando um risinho divertido.

— Se importa de usar minhas roupas?

— A intenção é justamente essa.

Irene respondeu sorrindo, se sentindo feliz por ter se livrado daquele peso que carregava consigo mesma. Aquela coisa feia que em breve, poderia afastar suas amigas de si e principalmente Joy e Yeri que sentiam medo de desabafar sobre a verdade e serem rejeitadas por alguém que elas amavam tanto.

Mas isso não seria mais problema, não enquanto Seulgi estivesse ali para ajudá-la a lidar com essas coisas e aceitar bem, respeitar também. Talvez, Irene também sentisse uma espécie de amor negativo por Seulgi que ela nunca quis assumir por achar ser uma aberração sem limites, mas agora ele ficou totalmente positivo e ela já não tinha mais medo de pensar na possibilidade.

Talvez, ela não fosse realmente lésbica. Talvez ela amasse apenas Seulgi e só sentisse certas coisas por ela. 

Porque assim como Seulgi, Irene estava amando uma pessoa.

E o fato dessa pessoa ser uma garota, é apenas uma coincidência.






Notas Finais


Boa noite!


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