História Hope - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Otabek Altin, Yuri Plisetsky
Tags Otário, Otayuri, Shonen-ai, Yoi, Yuri!! On Ice
Exibições 359
Palavras 7.413
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Pansexualidade, Transsexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá, pessoas!
Último capítulo dessa shortfic. Não vou prolongar aqui, fala tudo lá nas notas finais.
Boa leitura <3

Capítulo 2 - Esperança.


Fanfic / Fanfiction Hope - Capítulo 2 - Esperança.

Otabek se sentou na cama pronto para receber a resposta do seu companheiro.

- Eu acho que eu quero – Yuri sussurrou.

Otabek sentiu sua garganta se apertar e logo abraçou o loiro.

- Você tem certeza?

- Eu acho que preciso ouvir mais sobre isso do médico, mas... acho que sim.

Yuri tremia e Otabek podia sentir isso.

- Nós vamos ir amanhã para o hospital e vamos pensar melhor nisso, ok? Você precisa ter certeza, meu amor.

- Eu pensei muito sério em não querer, mas quando eu começava a imaginar um bebê nosso, com cabelos negros como os seus, chamando a gente de “papai”, eu... eu.... Beka, quero ter um filho seu... eu ainda estou com medo e confuso, mas...

- Eu sei, Yura, eu sei.

Com o rosto apoiado no ombro do loiro, Otabek não conseguiu segurar o aperto na sua garganta e logo sentiu seu rosto ficando molhado com suas lágrimas. Yuri passou a mãos nos cabelos do namorado que chorou baixinho por um bom tempo. Otabek chorou por não aguentar mais guardar para si mesmo sua preocupação, seu nervosismo, sua culpa e seu medo. Ele sabia que deveria se manter forte para Yuri, mas as lágrimas foram inevitáveis. Mas Yuri estava bem, Otabek estava lá e isso que importava; saber que ele estava o apoiando em qualquer decisão dava força para o loiro que estava pronto para ir falar com um médico.

- Olha aqui, Beka.

Yuri colocou as mãos no ombro dele para afastá-lo gentilmente e olhar para o rosto do namorado de olhos vermelhos.

- Por que está chorando, Beka?

- Eu... eu não queria que você tivesse que passar por isso. Todas essas preocupações, decisões, sentimentos ruins; eu só queria que você fosse feliz.

- Ei! Eu sou feliz! Eu sou feliz por causa de você.

Yuri acariciou gentilmente o rosto do companheiro que logo fechou os olhos para sentir melhor o carinho.

- Mas... – começou Otabek.

- Eu estou bem, Beka. Eu só preciso que você esteja aqui.

- Eu vou estar aqui, Yura. Eu sempre estarei aqui.

- Então já é o suficiente.

O loiro abraçou o moreno novamente antes de se afastar para beijar seus lábios macios e com um gosto salgado de suas lágrimas. Otabek passou seus braços pela cintura de Yuri trazendo-o mais para si, enquanto o loiro entrelaçou seus braços no pescoço do companheiro.

- Eu te amo, Beka – Yuri sussurra.

- Eu também te amo, meu amor.

Ao se deitarem, Otabek quis acariciar a barriga de Yuri que estava com seu filho dentro de si, mas hesitou; não queria fazer nada que, de alguma forma, fizesse Yuri hesitar em tomar uma decisão que seria totalmente dele, pensando em o que o moreno iria pensar. Então apenas o abraçou normalmente naquela noite, esperando com o coração nervoso pela decisão do namorado que ainda não tinha certeza de sua difícil escolha.

No dia seguinte, Yuri respirou fundo antes de entrar na pequena sala do médico.

- É bom te ver aqui, senhor Plisetsky! Como se sente?

- Um pouco nervoso – ele sorri suavemente.

Otabek entrelaçou seus dedos com os de Yuri que, por acaso, estavam gelados e tremendo, e apertou sua mão para dar apoio ao namorado que se sentia nervoso, porém, Otabek se sentia do mesmo jeito.

Yuri fez todas as perguntas para o médico sobre como funcionaria a gravidez e conseguiu respostas mais abrangentes do que tinha visto na Internet. O fato de ele ter que parar de tomar hormônios por 9 meses, fez o loiro hesitar por um momento.

- Eu posso tomar um ar lá fora? – Yuri pediu.

- Claro.

Yuri se levantou e foi para o lado de fora do hospital com Otabek logo atrás dele. Suas mãos passaram pelos seus cabelos rapidamente, um pouco desesperado com a quantidade de informações que tinha acabado de receber, até que Otabek segurou seus ombros.

- Yura, calma – o moreno disse calmamente. – Respira fundo. Está tudo bem, amor.

- Não é tão fácil me acalmar, Beka! Tem um bebê dentro de mim!

- É normal você se sentir desesperado, meu amor. Ei! – Otabek segurou o rosto do namorado. – Você não precisa ter pressa, calma, vai dar tudo certo, eu estou aqui, não estou?

Yuri assentiu com a cabeça e fechou os olhos tentando controlar seu nervosismo.

- Eu quero... eu quero um filho... mas eu estou com medo.

Otabek encostou sua testa na do loiro que ainda se mantinha de olhos fechados.

- Ter medo é normal, eu também estou com medo, mas sabe, Yura, sentir medo não quer dizer ser fraco, só significa que você se importa demais, e como eu me importo muito com você, o medo é inevitável, porém, ele não me impede de ser forte pela pessoa que eu amo. Se você não quiser o filho, eu estarei sendo forte ao seu lado; se você quiser ter um filho, eu serei forte pelos dois, mas, amor, você precisa entender que serão longos nove meses, eu não posso dizer que será fácil, mas caso você precise, eu vou lutar com todas as minhas forças para fazer desses meses os melhores possíveis para você e nosso filho. Eu não vou fugir, Yura.

Otabek observava as lágrimas silenciosas do namorado descendo por seu rosto e logo passou suas mãos em volta dele, deixando que ele encostasse a cabeça no peito do moreno.

- Nós podemos esperar mais um pouco. Você pode conversar com sua psicóloga e pensar melhor sobre isso, nós podemos esperar mais uma semana para você tomar sua decisão.

Yuri passou seus braços pela cintura de Otabek e o apertou forte agradecido pelas palavras do moreno que sempre o fazia se acalmar não importasse a situação. Yuri conseguia sentir o suporte que tinha ali e isso o permitia continuar andando.

- Obrigado... – ele sussurrou.

- Nunca me cansarei de dizer que eu estarei aqui por você, Yura.

Ao entrarem de novo no hospital, Yuri decidiu conversar com sua psicóloga para colocar seus pensamentos e decisões no lugar.

A semana se passou e as sessões acalmaram, consideravelmente, o loiro que já estava pensando com mais calma no assunto. Otabek participou de duas sessões na semana, aliás, ele também seria pai e Yuri precisaria de alguém para dar todo o suporte para ele.

Ao chegar do trabalho na sexta-feira, Otabek encontrou Yuri dormindo no sofá com as duas mãos na barriga enquanto sua camisa estava levantada. O moreno encostou a cabeça na parede apreciando aquela cena, e por um momento conseguiu imaginar a barriga de Yuri crescendo com seu filho em seu interior, porém, logo mandou esse pensamento embora, pois seu namorado não havia decidido se iria mesmo ficar com o bebê e não importava qual seria sua decisão ou o quanto o Otabek queria o filho, o moreno o apoiaria de qualquer modo, aliás, o corpo era de Yuri e a decisão só cabia a ele.

Otabek caminhou lentamente até Yuri e se sentou na beirada do sofá para então acariciar as mãos pálidas do loiro.

- Eu... não vou conseguir, Beka – Yuri disse surpreendendo Otabek que pensava que o namorado estava dormindo.

O coração do moreno falhou por um minuto enquanto o mesmo mordia os lábios sentindo uma dor desconfortável.

- Tudo bem, Yura. Se for isso que você decidiu então tudo bem. Nós podemos falar com o médico para você marcar o abor...

- Não, Beka! – Yuri se senta rapidamente. – Eu não vou conseguir abortar! É isso que eu não vou conseguir.

- V-Você tem certeza? – a voz de Otabek falhou ao perguntar.

- Sim. Eu estou muito mais calmo agora e sinceramente não consigo me ver abortando essa criança. Eu estava aqui deitado passando minhas mãos pela barriga e... e eu só poderia imaginar como seria quando ele começasse a se mexer, e Beka – Yuri sorriu – eu fiquei sorrindo como um completo bobo! Eu quero sentir, Beka, quero sentir isso! Eu sei que vai ser difícil, talvez eu tenha problemas emocionais com o passar dos meses, mas eu tenho você, não tenho? Você não disse que vai me ajudar a passar por isso? É nosso bebê, meu amor, eu quero ele.

Otabek franziu a testa e mordeu seu lábio inferior tentando se manter firme, mas quando Yuri sorriu animadamente para ele, seu coração vacilou fazendo suas lágrimas descerem.

- Ah, Beka...

Yura o abraçou tentando reconforta-lo.

- Era para eu estar te abraçando – o moreno sussurra.

- Por que você está chorando, meu amor?

- Eu estou feliz... eu estou feliz porque você parece estar feliz.

- É claro que eu estou feliz! Nós vamos ter um bebê. Como não ficarmos bem com isso?

- Mas...

- Eu estou bem, de verdade – Yuri sussurrou.

Otabek passou as mãos pela cintura do namorado e o abraçou de volta deitando sua cabeça em seu ombro. Yuri estava bem; naquela tarde, já mais calmo em relação a gravidez, ele pensou bem e toda vez que a imagem de um filho vinha em sua cabeça, o loiro sorria tão alegremente que alguns gritos de empolgação foram inevitáveis. Yuri estava preocupado com o que as pessoas iriam pensar dele durante sua gravidez; ele estava preocupado em ser taxado como mãe e mulher novamente por causa daquele processo, mas Yuri sabia que a gravidez não era algo exclusivo apenas para mulheres, pois homens transgêneros também podia engravidar e isso não fazia deles menos homens do que qualquer um. Dar de frente com a sociedade seria um desafio, mas ele não estava sozinho dessa vez e isso dava uma confiança a mais para Yuri que teve que enfrentar os preconceitos e julgamentos de todos em sua volta praticamente a sua vida toda, mas dessa vez seria diferente; ele não deixaria as pessoas dizerem o que ele podia ou não podia; o que ele era ou o que ele não era; não importava. Yuri estava decidido; Yuri mais do que ninguém sabia tudo sobre ele mesmo, e mais do que isso, a pessoa que ele amava o entendia como nenhuma outra pessoa entendeu. Quem se importava com a sociedade? Por que ele não podia ser feliz sem pensar nela? Os dois estavam felizes, isso já não era o suficiente?

O loiro se encaixou no meio das pernas de Otabek se debruçando em seu peito enquanto o outro se deitava de barriga para cima.

- Vamos ter um filho? – Yuri perguntou com um sorriso sincero no rosto.

- Vamos ter um filho! – Otabek sorriu de volta enquanto o abraçava.

Yuri finalmente havia se decidido passar por tudo aquilo. Se ele estava com medo? É claro! Mas o medo não o fazia fraco.

Os dois foram para o hospital dias depois e com a presença da psicóloga, mais uma longa conversa, Yuri disse sua decisão final: “Eu vou continuar com a gravidez”. Otabek não estava se aguentando de felicidade e todo o peso que ele guardou para si mesmo, saiu em um choro constante e sofrido no banheiro do hospital.

- Beka? – Yuri entrou no banheiro ouvindo alguém chorando.

Otabek se manteve em silêncio sentado na tampa do vaso sanitário com a cabeça baixa e o braço em frente ao rosto.

- É você que está chorando?

Yuri foi andando olhando por de baixo de cada porta para ver onde o namorado se encontrava e ao ver o sapato do parceiro parou em frente ela.

- Você está bem? – Yuri perguntou preocupado.

- Estou.

Otabek se desmanchava em lágrimas por finalmente poder respirar. A culpa e a preocupação haviam consumido ele durante todo o tempo que tentou se manter forte, tais sentimentos ficaram tão fortes que estava impedindo-o de respirar.

- Por que está chorando?

- Eu... eu não sei...

- Vamos, abra a porta para mim.

- Não, eu disse que eu ia ser forte... não quero que me veja assim.

- Vamos, Beka, eu também posso ser forte por você.

- Yura...

- Vamos, vamos!

Yuri se sentia leve e sorria, pois, sabia que Otabek precisava apenas de um abraço; ele sabia que todas aquelas lágrimas eram sua preocupação se esvaindo. O loiro não era bobo, ele sabia que toda aquela situação estava pesando no consciente de Otabek, pois se fosse o contrário, ele também se sentiria daquele jeito.

Logo depois de alguns minutos, o moreno destrancou a porta e continuou sentado.

- Olha esse seu rosto, Beka – Yuri sorriu enquanto falava. – Você sabe que não precisa ficar se escondendo para chorar, eu vou estar aqui para te ajudar também. Agora saia daí e vem cá.

Com o rosto todo inchado, Otabek se levantou e foi abraçar o pescoço de Yuri que estava o esperando de braços abertos.

- Obrigado – Otabek sussurrou enquanto molhava o ombro do companheiro.

- Eu que agradeço, meu amor.

Logo, Yuri começou a fazer vários exames de sangue necessários para enfim confirmar que seu corpo estava em ordem para uma gravidez saudável.

 

Sentado em um banco no fundo do quintal da casa de Otabek, Yuri via o vapor condensado saindo de sua boca ao expirar calmamente. Ele colocou seu cachecol de estampa de oncinha em frente ao nariz e olhou para o céu que estava ficando, gradativamente, mais escuro naquele final de tarde. O loiro estava completamente agasalhado, mas conseguia sentir sua barriga maior do que um dia já foi. Já estava na 17ª semana de gravidez e iria fazer o ultrassom no dia seguinte para saber o sexo do seu bebê e isso estava deixando Yuri cada vez mais ansioso. Apesar de estar feliz, a falta do hormônio tirado de repente, mais a gestação, estava deixando seu emocional abalado, o que o deixava depressivo de vez em quando, mas como sempre Otabek estava lá para o ajudar.

- O que está fazendo aí fora nesse frio, Yura?! – Otabek disse indignado.

- Eu gosto do inverno – Yuri disse calmamente.

- Você vai ficar doente!

Rapidamente, Otabek entrou dentro da casa e logo voltou com o cobertor grosso deles, para então se sentar do lado de Yuri e cobrir os dois.

- Olha as suas mãos, Yura! O que eu faço com você?!

O moreno esfregou suas mãos nas de Yuri que estavam extremamente frias e respirou fundo tentando não dar outra bronca no namorado.

- Mas aqui está tão gostoso – Yuri disse se aconchegando ao peito de Otabek.

O moreno englobou o loiro na coberta o cobrindo completamente, até mesmo seu rosto.

- Beka!

- Você não pode passar frio, meu amor, vou te cobrir por inteiro.

Yuri encostou seu nariz gelado no pescoço de Otabek que se arrepiou por inteiro. Logo o moreno se cobriu para de baixo da coberta para poder olhar para o companheiro e apertar o seu nariz.

- Teimoso!

- Não sou!

- É sim! Vamos para dentro, eu vou fazer um chá para você.

- Eu quero um doce!

- Você tem que comer coisas saudáveis.

- Mas eu quero um doce! – Yuri falou enquanto fazia beicinho.

Otabek riu com a expressão do namorado e logo se curvou para beijar seus lábios frios.

- Então te comprarei um doce.

Yuri se ajeitou no colo do moreno, entrelaçando suas pernas nas costas do mesmo para então beijá-lo novamente. O corpo de um estava quente, o do outro gelado, mas logo, começou a ficar abafado para os dois embaixo daquele cobertor. A língua de Yuri dançava com a de Otabek em um ritmo perfeito, fazer o frio do lado de fora da casa, não tão frio assim.

 

 

Deitado em uma estreita cama de hospital, Yuri esperava a obstetra enquanto segurava a mão de Otabek.

- Bom dia, senhor Plisetsky, como está se sentindo hoje?

A médica Mila entrou no quarto e logo se sentou em frente a um monitor de ultrassom ao lado de Yuri.

- Me sinto... bem.

- Que hesitação é essa? Está se sentindo bem mesmo? – ela perguntou preocupada enquanto levantava a camisa do loiro gentilmente.

- Só estou um pouco nervoso.

Yuri riu sentindo seu corpo tremer levemente com o nervosismo. Otabek percebendo isso, logo apertou a mão do namorado ao sorrir para o mesmo.

- Ok, vamos lá então – a médica disse.

Yuri se arrepiou ao sentir o gel gelado encostar na pele de sua barriga e logo a médica começou o procedimento ao olhar atentamente para a tela do monitor. O loiro já estava começando a ficar nervoso enquanto pensava que havia algo de errado com seu bebê, mas logo a Mila olhou para ele e sorriu.

- Você quer saber o sexo?

Yuri olhou para Otabek pedindo uma opinião.

- Você que sabe – o moreno falou.

- Eu quero – Yuri disse decidido.

- É uma linda menininha completamente saudável.

Mila virou o monitor e aumentou o volume do mesmo para Yuri escutar o coração dela. Os corações dos pais babões que olhavam maravilhados para a tela, batiam quase que em sincronia, completamente acelerados de emoção. Sorrindo, Yuri deixou algumas lágrimas descerem por seu rosto timidamente enquanto agradecia a médica.

 

 

- Beka!

Otabek largou a faca que estava descascando batata e saiu correndo até seu quarto onde Yuri gritou seu nome.

- Você está bem? O que aconteceu? – ele perguntou entrando com tudo no quarto.

Yuri colocou o dedo em frente a boca pedindo silêncio para Otabek enquanto estava com a outra mão passando lentamente pela barriga.

- O que foi? – Otabek sussurrou.

- Vem cá – Yuri sussurrou de volta.

Calmamente, o moreno foi até o companheiro e se sentou na frente do mesmo. De repente o rosto de Yuri se iluminou e ele começou a rir.

- Sinta.

Ele pegou a mão do moreno e a colocou um pouco abaixo e lateralmente na sua barriga. Não demorou muito para Otabek sentir um pequeno chute em sua mão.

- Ah! – exclamou o moreno.

Os dois começaram a rir enquanto esperava por outro chute e outro, e assim por quase uma hora. Até que Otabek se curvou para sussurrar para a barriga:

- Oi, bebê. Eu só queria dizer que eu te amo assim como eu amo o papai que está carregando você e quando você nascer nós vamos te amar e cuidar de você melhor do que qualquer pessoa poderia fazer, porque você vai ser muito bem recebido pelas pessoas que te amam, mas antes disso, não judia muito do papai, ok? Eu sei que esses chutes ficarão mais frequentes, mas pensa nele, mas você está liberado para chutá-lo quando ele sair lá fora no frio, pois ele tem que se cuidar, nós dois sabemos disso. Ah! E lembre-se que ele tem que comer coisas saudáveis, não fica pedindo para ele comer chocolates e outras besteiras, eu sei que é gostoso, mas não exagera que faz mal.... Eu te amo – ele sussurra a última frase antes de beijar a barriga do namorado com carinho.

- O que foi isso, Beka? – perguntou Yuri completamente envergonhado enquanto sorria.

- Estou conversando com nosso bebê em particular, com licença – Otabek disse brincando.

- Me perdoa, pode continuar.

Otabek olhou para barriga de Yuri e travou; não sabia mais o que falar.

- Acabou a conversa.

Yuri riu alto antes de passar as mãos na barriga e dizer:

- Querido bebê, eu sou o papai que está te carregando e quero dizer que eu sou supercuidadoso por nós dois, seu outro papai que se preocupa demais, mas isso não é um coisa ruim. Não precisa parar de pedir chocolate, nós dois sabemos que é bom demais para parar de pedir, e bem, eu já estou começando a sentir minha coluna começando a doer, mas não pense que isso é ruim, eu aguento por você. Pode me chutar o quanto quiser, mas tenta não apertar tanto minha bexiga quando eu estiver fora de casa, ok? Está um pouco difícil correr ultimamente. E para finalizar, eu te amo tanto quanto eu amo o outro papai.

- Ei! Como assim “tanto quanto”? Eu cheguei aqui primeiro!

- Eu sei, mas... mas não dá para ganhar, Beka.

- Eu vou embora então! Fica aí com ela!

Otabek se levantou e foi até a porta do quarto, mas logo se virou e parou para olhar para Yuri.

- Estou bem magoado nesse momento, mas vou te perdoar – ele disse com os braços cruzados em frente ao peito.

- Mas, meu amor, não quer dizer que eu não te amo, é só que...

Yuri sorriu e bateu na cama do lado dele. De passos lentos, Otabek foi até ele e se deitou na cama colocando sua cabeça no peito do companheiro.

- Só vou dividir ele porque é você, bebê, senão eu não ia dividir.

- Exatamente – Yuri sussurrou. – Não é porque agora eu amo duas pessoas que eu amo menos, só significa que agora meu amor é maior o suficiente para ser dividido.

Otabek levantou a cabeça para poder olhar nos olhos brilhantes de Yuri que não tirava seu sorriso do rosto.

- Você está lindo, Yura – ele sussurrou.

- Eu estou gordo.

- Está maravilhoso.

- Para, você está me deixando envergonhado.

- Deus grego.

- Para, Beka! – Yuri disse em voz alta enquanto ria.

O moreno passou a mão pelo pescoço de Yuri que logo fixou seus olhos nos do namorado.

- Me beija... – ele sussurrou.

- Nem precisa pedir...

 

 

Na 25ª semana de gestação, o emocional de Yuri não era o dos melhores. O sentimento de depressão era quase que inevitável. Ele não estava arrependido de sua escolha, mas seus sentimentos estavam descontrolados e para piorar, quando ele foi ao hospital naquela manhã e estava esperando para ser chamado, as pessoas olhavam para ele de um modo estranho que era familiar para ele. Uma moça tentou ajudar, mas só piorou a situação ao falar para ele não se importar que ele seria uma ótima mãe; Yuri sabia que ela não tinha falado por maldade, mas... era complicado. O loiro sentia que estavam vendo ele como mulher só por estar grávido e isso o incomodava.

Yuri levantou da cama lentamente, pois sua barriga havia crescido mais do que ele imaginava que cresceria, e foi em direção ao berço branco logo ao lado da sua cama. Havia roupinhas de bebê de todas as cores que ele e Otabek compraram alguns dias antes, cada uma mais delicada que a outra. O loiro pegou um macacão branco e levou para perto do rosto, sentindo uma vontade enorme de chorar novamente.

- Me desculpa por eu me sentir assim, bebê, eu sei que eu deveria estar feliz, mas eu não sei o que está acontecendo. Eu só não queria me sentir assim... me desculpa...

Sozinho, Yuri chorou molhando o macacão em sua mão, se sentindo tão mal consigo mesmo que teve que voltar para a cama e se deitar novamente. Já fazia um bom tempo que Yuri estava naquele estado, o que estava deixando Otabek preocupado a cada dia que ele saía para trabalhar e deixava seu companheiro em casa.

Voltando para a casa naquela noite, o moreno parou no supermercado para comprar alguns doces para o namorado, com intuito de animá-lo um pouco. Ao sair da loja, percebeu que havia começado a chuviscar, então foi andando rapidamente até o estacionamento. Antes de entrar no carro, Otabek ouviu alguns miados distante; olhou para os lados tentando procurar da onde vinha aquele barulho e logo avistou uma caixa de papelão há alguns metros de distância dele. Otabek deixou as sacolas no carro e tirou seu terno para andar até a caixa onde se encontrava um gato em pé com três filhotes miando ao seu redor. O moreno olhou para os lados novamente e colocou seu terno em cima da caixa para protege-los da chuva que aumentava; pegou-os e foi em direção ao seu carro para ir para a casa.

- Estou em casa, Yura – Otabek disse ao passar pela porta com a caixa e a sacola.

Sem resposta. Ele sabia que Yuri estava no quarto deitado.

- Tenho um presente para você – ele disse ao tirar os sapatos e ir em direção ao companheiro.

Yuri estava deitado de lado com um travesseiro em meio as pernas enquanto olhava para o nada.

- Ah, Yura...

Otabek deixou a caixa no chão assim como a sacola e foi se sentar na cama ao seu lado.

- Como está se sentindo? – ele perguntou.

- Não sei, Beka... não sei dizer.

Yuri não sorria há alguns dias e sua voz estava mais apagada do que das outras vezes que se sentiu depressivo.

- Eu tenho um presente para te alegrar – Otabek disse ao acariciar a bochecha do namorado.

- Que presente? – Yuri perguntou desanimado.

No mesmo tempo, o loiro ouviu miados ecoando pelo quarto e logo se sentou na cama com a ajuda de Otabek.

- Isso é um gato?! – ele perguntou surpreso.

Otabek sorriu ao ver o rosto de Yuri iluminar pela primeira vez naquela semana. Ele se levantou e foi pegar a caixa para colocá-la em cima da cama. Yuri soltou um pequeno grito de empolgação ao ver os filhotes se apoiando na beirada do papelão enquanto o gato maior se mantinha deitado como se estivesse cansado.

- Eles estavam no estacionamento do supermercado abandonados, estava começando a chover e eu não pude deixá-los lá, pensei que você ia gostar.

- Eu amei! – Yuuri disse tirando os filhotes da caixa.

- Nós podemos ser os pais dele também – Otabek disse sorrindo.

- Sim! Ela vai chegar e já terá irmãozinhos – Yuri disse animado ao pegar um dos filhotes na mão. – Precisamos dar leite para eles, acho que estão com fome.

- Sim, provavelmente. Vou pegar uma tigela – Otabek avisou antes de sair do quarto.

Yuri colocou os filhotes na cama onde ficaram andando de um lado para o outro. Logo pegou o gato maior que parecia cansado para colocá-lo em seu colo.

- Você cuidou bem deles, garoto, tudo vai ficar bem agora. Obrigado por seu esforço.

Ao receber o carinho de Yuri em seus pelos, o gato acabou por dormir em seu colo antes mesmo de Otabek voltar.

- Ele deve ter protegido com todas as forças os filhotes – Yuri disse quando o moreno apareceu no quarto

- Um pai sempre protege seus filhos com todas as forças.

- Você não sabe se ele é o pai mesmo.

- E quem disse que para ser pai precisa ter alguma ligação sanguínea, senhor Plisetsky? Pai é quem cuida!

- Meu deus, olha o que eu acabei de falar! – Yuri disse indignado.

- Normal, as vezes falamos coisas que saem automáticas de nós. Provavelmente é o que aconteceu com a mulher lá no hospital.

- Sim... eu sei... eu não culpei ela, só me senti um pouco mal.

- E você tem todo direito de se sentir mal, meu amor, mas quando você se sentir assim não guarde seus sentimentos para você, fala comigo, ok? Eu estou aqui para te ajudar.

- Obrigado, Beka... – Yuri sussurrou.

Os filhotes eram crescidos o suficiente para conseguirem beber o leite sozinhos, e logo depois de um tempo, os três começaram a subir pela perna de Yuri. Otabek ia tirar eles, mas Yuri o impediu.

- Deixa. Quero ver o que eles vão fazer – disse Yuri.

Com dificuldade para subir na barriga de Yuri, Otabek deu uma pequena ajuda aos gatos e os colocou em cima. Surpreendentemente, os filhotes pararam de andar e se deitaram na barriga de Yuri antes mesmo de caírem no sono. O moreno tirou o celular do bolso e tirou uma foto daquele momento lindo, onde que pela primeira vez na semana, Yuri sorriu tão maravilhosamente como qualquer outro dia.

 

 

A gravidez teve seus altos e baixos, mas apesar de algumas semanas depressivas para Yuri, a gestação lhe trouxe um sentimento de aceitação com seu próprio corpo ao passar dos meses, uma aceitação muito maior do que ele já havia passado na vida. A sensação de se sentir incompleto e desconfortável por não ter feito sua cirurgia de redesignação sexual foi cada vez desaparecendo. Tudo começou quando sua psicóloga indicou palestras sobre transgêneros para Yuri; lá haviam mais pessoas como ele, assim como pessoas diferentes dele, cada uma com seu próprio pensamento, com sua própria sexualidade, com seu próprio gênero. As pessoas compartilhavam sua história de vida e como se aceitaram para começarem a passar por sua transição; a maioria das histórias eram tristes e difíceis, a maioria dos depoimentos eram cheios de lutas da parte dos transgêneros que tiveram que viver em uma sociedade transfóbica que machuca, e as vezes, literalmente. Houve uma palestra sobre a diferença entre sexualidade e identidade de gênero, onde algumas pessoas sempre confundem os dois; essa palestra fez Yuri pensar sobre si mesmo, aliás, mesmo ele estando com Otabek, fazendo dele gay, Yuri não sabia realmente qual era sua sexualidade, pois ao longo da sua vida, ele não havia se interessado por ninguém além do moreno. Quando Yuri pensava no amor, não havia uma preferência por um gênero específico em sua mente, ele só pensava no sentimento; se houvesse amor, quem se importaria com o restante? Nas palestras também houveram depoimentos sobre o pensamento de cada transgênero sobre a cirurgia de redesignação sexual; alguns precisavam dela para se sentir bem consigo mesmo por completo, assim como alguns aceitavam seu corpo como ele era, sem precisar da cirurgia, tudo dependia de cada pessoa, e assim, Yuri foi cada vez se descobrindo. Por fim, aceitação de Yuri com seu corpo ficou mais forte, pois o pensamento de “o órgão sexual não define o gênero de cada um” ficou frequente em sua mente, pois independente da cirurgia ou não, a questão principal era a felicidade. Você está feliz? Como você se sente consigo mesmo? Está se sentindo bem com seu próprio corpo? Sim? Então, o que mais importa? O importante era ser feliz, e no momento, Yuri estava, porém...

Na 30ª semana de gestação, Yuri estava saindo do banho depois de uma tarde com dores estranhas na barriga, mas achou que era normal já que o nono mês estava chegando, porém, ao terminar de colocar suas roupas, uma dor insuportável lhe invadiu fazendo-o se curvar segurando a barriga com as mãos.

- Beka! – Yuri gritou.

Era final de semana e Otabek estava na sala assistindo TV, na mesma hora, ele percebeu que o grito de Yuri não era o mesmo de sempre. Foi correndo até o banheiro a tempo de ver o namorado com uma expressão desesperada com sangue escorrendo pelas pernas.

- Beka... – Yuri tremia sem conseguir ficar em pé.

- Ok, ok, vamos para o hospital.

Otabek começou a ficar desesperado, mas foi segurar o loiro que logo se apoiou nele para se deixar a levar para o carro.

- Nossa bebê... Beka... – Yuri já chorava imaginando o pior. – É muito cedo!

O loiro sentia dores constantes na região da sua barriga que tirava deles gritos abafados dentro do carro.

- Beka... eu vou perder nosso bebê... – Yuri dizia entre os gemidos.

- Calma, Yura, ninguém vai perder ninguém. Se acalma estamos chegando.

Otabek apertava o volante para controlar sua mão trêmula e dirigia o mais rápido para o hospital, porém, o trânsito impediu de ele prosseguir.

- Droga! – ele bateu no volante.

Yuri tentava respirar fundo enquanto sentia suas contrações ficarem mais frequentes ao mesmo tempo que o sangue continuava a escorrer por suas pernas.

- Yura, calma. Olha para mim.

Otabek pegou o rosto do companheiro com as mãos e respirou calmamente para o outro tentar imitá-lo.

- Vai ficar tudo bem, eu sei que está doendo, mas aguenta firme, ok? Não pensa em nenhuma tragédia, você vai ficar bem, o bebê vai ficar bem... – Otabek dizia rapidamente enquanto fixava seus olhos no do companheiro, esperando que o trânsito voltasse a colaborar.

Yuri assentiu com a cabeça de olhos arregalados em desespero sentindo outra onda de dor lhe atingir.

Quando os dois chegaram no hospital, Otabek saiu desesperado do carro gritando por ajuda. Rapidamente enfermeiros vieram ao seu encontro com uma cadeira de rodas levando rapidamente Yuri para dentro. O moreno seguiu o companheiro que já não conseguia abafar seus gritos de dor. Ele estava tentando não pensar no pior, mas estava com medo; estava com medo pelas duas pessoas que ele amava e por um momento pôde imaginar o medo que Yuri estava sentindo, e simplesmente respirou fundo para poder continuar a dar apoio ao seu namorado.

- Você não pode entrar, senhor – a enfermeira parou Otabek.

- Ele tem que entrar! – Yuri gritou antes de se contorcer de dor. – Eu não vou conseguir sem ele! Ele precisa estar aqui!

Yuri já estava colocado em uma cama de hospital grande com alguns enfermeiros colocando fios em seu peito e pegando o ultrassom.

- A placenta dele rompeu. Cadê a médica?! – alguém perguntou nervoso. – Vamos precisar fazer uma cesárea.

- Não! É muito cedo! Ainda falta dois meses – Yuri gritava.

- Querido, nós precisamos fazer o parto se não vai ser perigoso para vocês dois – uma residente falou calmamente para ele.

- E-Eu não quero perder meu bebê!

- Vamos fazer todo o possível para salvar os dois.

- Salva o bebê! Qualquer coisa, salva ele! Ele é prioridade!

Otabek fechou os olhos sentindo seu peito doer.

- Beka, você vai entender, não é? – Yuri olhava desesperado para o namorado.

- Yura... – Otabek deixou suas lágrimas descerem e assentiu com a cabeça antes de ir até ele e segurar sua mão.

Otabek não queria perder ninguém; ele não sabia o que fazer, queria falar para Yuri que eles podiam tentar de novo e que ele deveria se colocar em primeiro lugar, mas sabia que se o loiro perdesse o bebê sem ter lutado com todas suas forças por ele, sua vida não seria mais a mesma. Otabek estava desesperado demais em imaginar sua vida sem Yuri para ser capaz de fazer qualquer coisa.

Não demorou para a médica chegar e confirmar a cesárea. Logo Yuri foi vestido adequadamente para partir em direção a sala de cirurgia, com Otabek atrás vestindo-se para acompanha-lo.

Yuri já não gritava mais de dor por causa dos remédios, mas estava acordado enquanto chorava.

- Beka... e se o bebê morrer? O que eu vou fazer se eu perder nosso filho? – Yuri sussurrava quase inaudível, mas não para Otabek.

Perto da sua cabeça, Otabek sussurrou enquanto segurava a mão de Yuri.

- Vai ficar tudo bem, Yura. Você precisa se acalmar e não pensar no pior. Os médicos vão fazer o melhor deles para nós não perdermos ninguém. Eu logo vou te levar para a casa junto com nosso bebê e vamos apresenta-lo para os gatinhos que provavelmente vão amá-lo assim como nós vamos amá-lo, Yura, assim como eu te amo, nós vamos ver ela crescer e quando um rapaz ou uma garota quiser destruir o coração dela, eu vou estar lá para protege-la e você vai me impedir de expulsar da nossa casa todo mundo que eu achar suspeito perto da nossa filha.

Yuri sorriu enquanto chorava ao imaginar aquela cena e por um momento, seu nervosismo melhorou.

- Não esqueça que eu te amo – Yuri sussurrou.

- Eu não vou esquecer, Yura, você vai me lembrar disso todos os dias pelo resto das nossas vidas.

Yuri apertou os lábios e olhou para cima.

- Está pronto, senhor Plisetsky? – a médica perguntou tirando sua máscara ao chegar perto dos dois.

- Salva ela, ok? – Yuri perguntou calmamente.

- Darei o meu melhor pelos dois.

O tempo todo Otabek segurou a mão de Yuri tentando controlar o tremor dos dois.

Após mais ou menos 40 minutos de nervosismo por parte dos pais naquela sala, o bebê nasceu, porém, não chorou.

- Vamos cuidar da sua, menina, senhor Plisetsky, não fique preocupado.

- Eu não estou ouvindo o choro dela! – Yuri gritou.

- Calma, Yuri, vamos esperar.

Otabek olhava o que Yuri não podia observar; alguns médicos trabalhavam em um bebê prematuro que parecia tão frágil que parecia que iria quebrar a qualquer momento. O que ele não estava prestando atenção era como os médicos trabalhavam desesperados em Yuri.

- O que está acontecendo, Beka? – Yuri perguntou desesperado.

- Eles estão tentando salvar nossa filha, Yura. Vai dar tudo certo, meu amor.

Otabek beijou a testa do namorado que ficava mais nervoso com o passar do tempo, até que um choro agudo irrompeu pela sala. Yuri sorriu aliviado e disse:

- Ela chorou, Beka... ela está viva... tenho certeza... que ela será tão linda quanto vo...

Os olhos de Yuri se fecharam e Otabek ouviu um som constante vindo do monitor cardíaco que mostrava os batimentos do namorado desaparecendo.

- Yura!

Otabek só soube gritar o nome da pessoa que amava, logo sendo afastado por enfermeiros enquanto via os médicos tentando ressuscitar Yuri, que mesmo sem podido ver a filha, sorriu pela última vez naquela sala, esperançoso que agora tudo ficaria bem.

 

 

 

 

Dois anos depois   

 

Otabek acordou ouvindo alguém pulando no berço ao seu lado e logo olhou para o relógio que marcava quase três da manhã. Ele passou as mãos no cabelo e bocejou antes de se levantar e parar em frente ao berço.

- Você viu que horas são, garota? Por que está tão agitada, posso saber?

- “Papa”

A garota de cabelos negros e olhos tão verdes quanto uma esmeralda estendia os braços em direção a Otabek enquanto sorria. O moreno pegou ela nos braços levando-a para sala de estar. Se sentou e colocou a menina em pé no seu colo ajudando a se sustentar pelos braços.

- Você sabe que não pode ficar acordada essa hora e ainda por cima pulando no berço. Quantas vezes vou ter que falar isso para você?

A menina sorriu para Otabek e deu um leve beijo em seu nariz.

- Não tente me ganhar com beijos, você sabe que devia estar dormindo.

A garota tentava pular; as vezes se desequilibrando ao pisar em falso nas coxas do seu pai, mas ainda era sustentada pelo mesmo e quando ela se acalmou, Otabek a fitou sorrindo.

- Você é igualzinha seu pai – ele sussurrou.

- “Papa”

- É, seu papai, o outro papai. Seus cabelos podem ser negros como os meus, mas você é totalmente igual a ele; não para quieta, com esses olhos lindos e um sorriso... encantador. Ele disse que provavelmente você seria linda como eu, mas você é linda como ele.

- “Lida”

- Isso! Linda!

Otabek abraçou a filha tomando cuidado para não a apertar demais.

Para alguém de dois anos, a garota ainda era pequena e estava em uma dieta para atingir o peso ideal para sua idade. Depois de ficar quase quatro meses no hospital se recuperando por ter nascida prematuramente e de todas as cirurgias que foi submetida ainda pequena, a filha de Otabek finalmente pôde ir para a casa em segurança. No dia em que o moreno a colocou no berço pela primeira vez enquanto estava adormecia, o mesmo caiu no chão e chorou por horas. Foram meses de desespero e o alívio por tudo ter terminado bem era demais para caber no peito daquele homem que dormiu no chão do lado do berço.

Logo que a garota se acalmou, a mesma se aconchegou nos braços do pai que fez carinho em seus cabelos negros durante vários minutos e logo os dois foram para o quarto. A menina não estava com sono, mas sua agitação havia cessado.

Quando Otabek foi coloca-la no berço, ela tentou o segurar enquanto o chamava alto. O moreno colocou o dedo em frente aos lábios e pediu silêncio.

- Já está tarde, meu amor, não grite.

A menina fez uma cara de choro e Otabek a pegou novamente, para então leva-la junto com ele para sua cama. O moreno deitou de barriga para cima e colocou sua filha em seu peito que logo se aconchegou e colocou o polegar na boca. Suas mãos acariciavam os cabelos dela que não demorou muito para dormir tranquilamente. Otabek ficou olhando para o teto com o sorriso no rosto, pois mesmo que fosse três da manhã, não havia nada como ser acordado pela sua filha... não, havia algo melhor...

- Está tudo bem? – o loiro ao seu lado perguntou.

Otabek ficou alguns minutos olhando para a pessoa que ele amava, podendo enxergar seu rosto tão lindo na fraca luz que vinha do abajur. Yuri coçou os olhos cansado e bocejou antes de se sentar na cama ao lado de Otabek.

- Ela está agitada esses dias – Yuri sussurrou.

- Sim, mais do que o normal.

- Você não precisava ter levantado, Beka.

- Tudo bem, eu não me importo. Você já fica com ela o dia inteiro, provavelmente está cansado.

- Mas você vai trabalhar amanhã.

- Amanhã é sábado, Yura – Otabek sussurrou enquanto ria da confusão do namorado.

- Nossa, ela está me fazendo até perder a noção do tempo.

- Vou passar o final de semana todo com ela por você.

Yuri olhou para Otabek e fez beicinho.

- E quando você vai ficar comigo?

- Eu fico com você a hora que quiser, meu amor – ele sussurrou sorrindo.

O loiro se curvou para beijar os lábios de Otabek antes de sussurrar perto de sua boca:

- Eu te amo.

- Eu também te amo...

Otabek abriu o braço esquerdo para Yuri repousar sua cabeça em seu peito e logo acariciou seus cabelos dourado.

Na primavera de dois anos atrás, Yuri sorriu pela última vez naquela sala de cirurgia antes de morrer por questão de minutos... até que seu coração voltou a bater, assim como o da sua filha que esperava por estar no colo do seu pai. Yuri nunca mais poderia ter filhos depois das complicações que aconteceram em sua cesárea, mas não importava, pois, sua filha havia sobrevivido e isso bastava para ele.

Depois de dois anos, o loiro não tinha feito sua cirurgia de redesignação sexual, pois ao passar do tempo, sua aceitação consigo mesmo que começou na gravidez foi ficando cada vez mais forte em sua vida; Yuri não precisava da cirurgia para ser feliz, ele estava bem com seu corpo e todas suas particularidades.

Quando sua filha e Yuri estavam no hospital, Otabek nunca desistiu de acreditar por todos os dias enquanto esperava as pessoas que ele amava acordarem. Mesmo ouvindo da médica que ele deveria se preparar para o pior, o moreno se manteve firme e mesmo quando semanas se passaram e Yuri não havia acordado, suas mãos estavam segurando a dele até o momento que ele pôde ver aqueles olhos verdes novamente.

Yuri esperou por sua filha. Otabek esperou pelos dois. O que eles tinham em comum? A esperança. A esperança sempre manteve firme as pessoas que nunca desistem de acreditar que tudo dará certo. Independentemente da situação, “acreditar” nos torna forte para continuar caminhando todos os dias da nossa vida. Não importa o quanto está doendo no momento, essa dor sempre irá embora; mesmo que demore um pouco, se manter firme é importante. O medo, a preocupação e o nervosismo, até mesmo a vontade de desistir sempre irá nos perseguir, porque somos humanos, mas esses sentimentos não nos tornam mais fracos, pois até para desistir é preciso de força. Cada pessoa demorará seu devido tempo para atingir sua verdadeira felicidade. Yuri atingiu a dele, assim como Otabek. Às vezes, apenas precisamos de alguém para nos ajudar a seguir nosso caminho que no começo parece impossível de se percorrer. A vida passa trazendo diversos tipos de experiências; das mais dolorosas para as mais alegres, mas se nós acreditarmos, tudo dará certo no final, nós só precisamos ter um pouco de... esperança.

Ainda acordado depois que Yuri dormiu, Otabek acariciou os cabelos da filha que havia adormecido com o polegar na boca. Podia ter passado dois anos, mas ele ainda não conseguia acalmar seu coração ao olhar para filha e Yuri que dormiam juntos com ele todas as noites.

- Boa noite, Yuri – Otabek sussurrou ao beijar o topo da cabeça do namorado. – Boa noite, Hope – sussurrou para a filha. – Eu amo vocês...

Naquele pequeno quarto, aquela família dormiu tranquilamente enquanto do lado de fora de suas vidas, algumas pessoas persistiam em dizer em como tudo aquilo era absurdo, mas como algo tão recheado de amor e felicidade podia ser absurdo? Aliás, quem se importa se houver amor? Naquela família, o que mais tinha era amor, e uma pequena esperança que agora dormia. Uma pequena esperança que apesar de ter sido difícil de se manter... sobreviveu; para então provar que apesar de tudo, tudo ficaria bem.


Notas Finais


Bom... acabou! HSUAHSAU
Eu espero do fundo do meu coração que vocês tenham gostado. Eu sei que esse tema é muito interessante e que merecia uma fanfic maior, porém, preciso dar prioridade para meus projetos em andamento. Vou deixar anotado essa ideia para projetos futuros e aprofundar mais no tema. Eu amei escrever essa shortfic, pois me fez aprender bastante coisa com as pesquisas e espero que eu tenha conseguido passar o básico sobre o tema.
Ah! Se não tivesse um sustinho básico, não seria fanfic minha, né amore SHAUSHAUHU Meu dinossauro está atacado ultimamente HSAUSHU
Espero que tenham gostado <3
Obrigada por lerem <3
A caixa de comentários está aberta para todo mundo <3
Beijinhos ;*


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