História Hope. - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Emma Swan
Tags Captainswan, Emma Swan, Killian Jones, Once Upon A Time, Oneshot
Visualizações 49
Palavras 9.027
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Famí­lia, Fantasia, Fluffy
Avisos: Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


A voz do povo é a voz de Deus não é? HAHAHA Depois de muito me pedirem, eu optei por transformar essa one shot em três partes.
E eu espero MUITO que vocês gostem dessa segunda parte, ela basicamente tem 10 histórias diferentes para vocês e não foi nada fácil fazê-la. Mas eu estou feliz com o resultado.
Boa leitura, lovebugs!

Capítulo 2 - Parte II


Fanfic / Fanfiction Hope. - Capítulo 2 - Parte II

Os Rogers eram aventureiros natos, disso ninguém duvidava.

Eram uma família pequena, restrita a James, sua irmã Roni e Hope, sua filha. Além deles, Silver também era um membro bastante ativo nas reuniões de família e estava sempre por perto – nas horas boas e ruins, ele continuava chefe de Rogers afinal de contas.

Roni foi adição tardia no pequeno ciclo, pois, segundo o mais velho, “estava perdida no mundo há anos”. A dupla perdeu contato após a morte dos pais, quando cada um seguiu seu caminho sem olhar para trás – e, anos depois, encontraram-se no bar em que ela trabalhava por acaso, em um dos poucos dias em que conseguia um tempo para si, sem preocupar-se com a criança em casa.

Hoje, a mulher tornou-se proprietária do estabelecimento e ele, bom... Hope já era grande e não precisava mais de supervisão integral.

Roni era uma mulher incrível e que, certamente, chamava atenção de muitos olhares apaixonados. Seus cabelos negros e curtos estavam sempre em seu estado natural, exibindo belos cachos bem cuidados e delineados; o corpo curvilíneo estava sempre coberto por peças jeans, além de despojadas e com estampas.

Outra característica marcante da mulher era a cicatriz na parte superior do lábio, resultado de um ataque canino em sua infância – e, em sua defesa, Roni dizia que estava apenas tentando defender o “pobre gato indefeso” da briga.

Silver, entretanto, era apenas uma extensão dessa família – sem qualquer relação sanguínea. Chefe de James, o homem de cabelos grisalhos conquistou a família com sua simpatia e disposição em ajuda-los sempre que precisavam, especialmente com Hope – afinal, antes de Roni, Rogers poderia recorrer apenas ao bom e velho companheiro. O oficial deveria admitir, Silver era, de longe, o melhor de todos os chefes, pois sempre compreendeu todas as dificuldades que ele passou ao ter que criar sozinho a filha. E, além disso, lidar com a perda de memória que o incomodava constantemente.

E a conexão foi instantânea. Todos eles se davam bem e estavam sempre juntos de alguma maneira, envolvidos em momentos que, mais tarde, Hope se orgulharia de compartilhar com o máximo de pessoas possível.

Foi então que ela resolveu fazer um álbum de fotos para eternizar seus momentos preferidos. Em meio à Era Digital de sua geração, a garota resolveu selecionar suas memórias favoritas e deixa-las em fácil acesso. E, orgulhosa do resultado, andava com “sua arte” para cima e para baixo.

Essa era Hope e, agora, pediremos licença aos Rogers para abrir esse álbum e descobrir as dez aventuras preferidas da garota, as que ela sempre selecionava para contar suas histórias – conhecendo ainda mais essa família e os acompanhando em suas melhores lembranças.

A vida em Seattle pode ter vindo com uma maldição, uma punição, mas havia uma coisa que Hope havia aprendido com o pai e a tia: os momentos ruins sempre tem um lado positivo, mesmo que seja alguma lição à longo prazo.

E mesmo que não soubessem de sua atual condição.

Ainda.

 

Página 1, Hope e as aulas de fotografia

A menina de 13 anos estava sentada no sofá da sala mexendo em seu celular enquanto esperava pelo almoço que o pai fazia na cozinha ao lado. Foi naquele momento que teve a brilhante ideia de eternizar todos os momentos que vivia com sua pequena e preciosa família.

Sendo honesta, ela apenas se interessou pelas polaroids que sua amiga Ashley publicava no Instagram. Mas ela sabia que o pai não iria dá-la uma câmera tão cara quanto aquela, especialmente após ter gastado uma nota preta comprando o celular novo.

Mas ela era criativa, sempre foi – não seria a impossibilidade de obter tal objeto que a impediria de ter suas próprias produções fotográficas. Ela poderia utilizar a boa e velha câmera que eles já possuíam, ela queria apenas aprender a utilizá-la da melhor forma possível.

— Pai! Pai! Pai! – a menina entrou na cozinha, chamando pelo homem e dando alguns pulinhos ao redor dele para chamar sua atenção. Mas ele estava concentrado demais checando o caderno de receitas. – James Rogers!

 O que foi agora, Hope? Eu estou tentando cozinhar aqui. Já é difícil o suficiente com uma mão só, com você me interrompendo fica complicado. – ele repreendeu a filha que apenas revirou os olhos.

 Está difícil porque você quer, eu já ofereci ajuda. – replicou. – Eu só quero te perguntar uma coisa: teria alguma possibilidade de você pagar um curso de fotografia para mim?

 Ham?! De onde você tirou isso agora, filha? – James respondeu, finalmente, olhando para a menina.

 Vi Ashley postando aquelas polaroids de novo e elas são tão lindas! – começou entusiasmada. – Mas dai eu pesquisei os preços da câmera e é acima do que podemos gastar, mas então eu pensei em um curso.

 E qual a ligação disso com as postagens da sua amiga?

 É que ela sempre consegue uns ângulos e efeitos maravilhosos com a câmera! Eu posso não ter a mesma que a dela, mas eu posso aprender a usar a nossa da melhor forma possível. – a jovem explicou. – E, além disso, você prometeu que iríamos viajar no final do ano com a tia Roni, já imaginou quantas fotos bonitas eu posso tirar lá?

James suspirou, colocando o pano em seu ombro e aproximando de sua filha.

 E quanto, exatamente, é esse curso?

 Ainda não sei. – Hope disse com uma breve risada. – Mas no parque sempre tem algumas oficinas no verão, talvez eles tenham algum contato.

O pai não respondeu, apenas a encarou, provavelmente considerando as possibilidades, mas ela não iria desistir de seu pedido tão fácil.

 Permissão para pesquisar preços, Oficial Rogers? – a menina falou, brincando com a profissão do pai como costumava fazer, fingindo existir um radiocomunicador em seu ombro.

E ele riu, como sempre.

 Tudo bem, vá procurar suas opções e depois sentamos para conversar sobre isso. – ele disse, provocando a explosão de alegria da filha que saiu comemorando pela casa. Balançando a cabeça, rindo da atitude da filha, retornou para sua receita, tentando decifrar a letra bagunçada de sua irmã.

Não que James cedesse a todo e qualquer pedido da filha, mas estava sempre disposto a dialogar com a garota, considerar opções e até mesmo negociar quando o “não” era iminente.

Em seu ciclo de amizades, a menina era considerada mimada, pois sempre relatava que havia conversado com o pai sobre os vários desejos – mas Hope estava longe de ser uma adolescente assim. O simples fato de ter uma amizade tão aberta com o pai assustava suas amigas e, por isso, recebera o tal rótulo, mas a jovem era grata a James por estar sempre colocando-a a par da realidade de suas vidas.

E Hope tentava sempre facilitar as coisas para ele, especialmente no quesito financeiro. Por esse motivo, a menina deu seu melhor para encontrar o curso mais barato e, com toda lábia que herdara dos Rogers, havia conseguido um pela metade do preço.

Três meses depois, lá estava a garota realizando uma de suas tarefas. Seu professor, Michael, era estudante de Artes e a propôs aulas quinzenais, além de estar sempre dando-a deveres de casa. Naquela semana, a garota iria fotografar, pela primeira vez, um ser humano.

E, naquele caso, James Rogers era o modelo.

 Vamos lá pai, faça uma pose sexy! – a menina dizia, posicionando a câmera de frente para seu rosto.

 Hope! – o homem exclamou.

Eles estavam no bar de Roni, ainda fechado, aproveitando o ambiente rústico do estabelecimento. A garota havia exigido que o pai usasse alguma roupa mais “descolada”, mas sabia que ele iria acabar aparecendo no local com sua jaqueta de couro escura.

E ela estava certa.

James sentou-se de frente para o balcão de drinks, pois, segundo Hope, a iluminação e o fundo da imagem ficariam melhores. Ela estava certa de que teria bons resultados no final de sua tarefa – isso se o pai colaborasse.

 Você parece uma pedra, pelo amor de Deus! Relaxa esses ombros, pai. – orientou.

 Hope, eu não sou um modelo!

 Mas deveria. – Roni entrou na conversa. – Qual é, maninho, com essa sua cara ai deveria estampar todas essas revistas famosas e não arriscar o rabo todo dia com bandidos!

 Eu faço o que eu gosto e sei, já disse. – ele retrucou impaciente.

 Vamos fazer assim: escolhe um ponto no bar e fixa seu olhar nele, levanta uma das suas sobrancelhas, joga seu charme para essa coisa e eu busco o melhor ângulo, pode ser? Assim você não precisa ficar olhando para mim ou para a tia Roni.

 E qual o problema de olhar para mim? – a mulher disparou.

 Tia, você estava dançando reggaeton só para distraí-lo. – a menina respondeu fazendo os dois adultos rirem.

E, com aquele acordo, Hope conseguiu fotografar o pai da maneira que havia planejado. Dias depois, em sua aula particular, Michael a elogiaria pelo resultado do trabalho e aprimoraria algumas técnicas. O que o professor não teria conhecimento jamais, seria dos métodos utilizados pelo próprio modelo da garota.

 James? – Roni o chamou após a menina ter guardado a câmera.

 Sim?

 Para onde você olhou? – a mulher quis saber, arrancando um sorriso travesso do homem.

 Para o espelho ali atrás. Eu sou diabolicamente encantador. – ele respondeu apontando para o objeto.

Roni e Hope bufaram do narcisismo do homem, mas logo renderam-se às gargalhadas. Por que elas estavam surpresas? Se não fosse para fazer graça, James sequer aceitava participar...

 

Página 2, A viagem para a praia

Àquela altura Hope já acreditava ser a expert em fotografar e não deixava passar um ponto turístico sem captura-lo em suas lentes. A ideia de uma câmera polaroid estava esquecida, tudo o que ela mais desejava era uma profissional e adereços novos, Michael havia feito um belo trabalho com a garota nos tempos de aula!

(Não que o bolso de James quisesse elogiá-lo...)

Daquela vez, apenas Roni juntou-se à eles nessa jornada até Los Angeles, na Califórnia. E, apesar das horas de voo, Hope estava eufórica o tempo inteiro, afinal, ela e o pai estavam economizando há meses para a tal viagem!

Eles sabiam que não estavam indo a nenhum paraíso no Havaí como sempre sonharam, mas era Los Angeles! E Roni havia os convencido a visitar Venice Beach além de, claro, Santa Mônica, mas o que os Rogers estavam mesmo interessados, era o mar – em qualquer parte daquele estado.

James nunca compreendeu o amor que sentia pelo oceano, alguma coisa em suas ondas, movimento e cor faziam seu coração acalmar... O preenchia, se assim ele pudesse definir. E essa paixão, aparentemente, passara para sua própria filha.

 I hopped off the plane at LAX with a dream and my cardigan... – Hope começou a cantar assim que saíram do aeroporto e avistaram o famoso letreiro em sua entrada.

 Welcome to the land of fame excess whoa! Am I gonna fit in? – Roni continuou a melodia, passando um de seus braços por cima do ombro da sobrinha e, então, as duas seguiram o caminho até o táxi, deixando James para trás.

E elas não pararam de cantar nem mesmo no veículo, e muito por culpa do próprio motorista que se juntou à loucura das duas. Rogers não iria acompanha-las, mas o sorriso não saia de seu rosto, pois saber que Hope estava feliz era sua melhor recompensa.

Logo no primeiro dia, a menina contabilizou 243 fotografias no cartão de memória de sua câmera – e muito pela visita ao parque de diversões de Santa Mônica onde passaram a tarde inteira.

Ao final do dia, o trio parou no píer para assistir ao pôr-do-sol e se encantaram com a beleza do local.

 Uau! – Roni exclamou sem tirar os olhos do horizonte.

 É perfeito. – James respondeu maravilhado.

 Eu disse que LA era o melhor lugar do mundo! – a menina falou animada.

 Tudo bem, espertinha... – a tia replicou rindo. – Bom, eu vou voltar para o hotel, vocês vão ficar?

 Hm, sim. – o moreno retornou antes que a garota pudesse pensar numa resposta. – Eu queria mostrar Hope uma coisa.

E a menina não entendeu nada pois, assim que a tia saiu, o pai continuou em silêncio observando o mar. Impaciente como era, aquela espera estava a matando. Por esse motivo, Hope andava de um lado para o outro, ocupando-se em fazer novas fotografias – inclusive do homem pensativo, apoiado nas madeiras do píer.

 Ok, pai, já está anoitecendo e estou cansada! – resmungou depois de longos e intermináveis dez minutos. – O que ainda estamos fazendo aqui?

Ele apenas riu e, enfim, resolveu interromper sua mudez.

 Certo, eu achei isso na garagem lá de casa. – o homem disse, retirando um objeto da mochila que carregou durante todo o dia.

 O que é isso? – a menina questionou, confusa, mas pegando-o da mão do pai e tentando entender do que se tratava.

 É um sextante. – James explicou brevemente. – Acredito que seja uma peça da minha história que perdi no acidente, mas, por alguma razão, assim que toquei nele, todo um conhecimento me invadiu.

 Como uma lembrança?

 Aye, meu anjo. E lembra que eu lhe prometi que iria compartilhar tudo que me recordasse? – ele perguntou, esperando a menina assentir para que prosseguisse. E assim ela o fez. – Eu gostaria de te ensinar o básico de navegação com isso.

 Você sabia navegar? – Hope disse espantada. – Uau, isso é demais!

Ele apenas riu.

 Eu não sei, meu amor. Só sei que, de alguma forma, eu consigo, pelo menos, me orientar usando isso. E sim, eu testei em Seattle. – ele explicou.

 Como um sextante funciona?

 É um objeto antigo, usando pelos primeiros navegantes.

 Como um GPS? – a menina quis saber.

 Hm, não. – o homem respondeu rindo. – Era usado para se orientar pelas estrelas.

 Oh, não acho que um GPS funcione assim...

E, naquela noite, os dois viram-se, pela primeira vez, conectados às duas imensidões azuis que tanto amavam: o céu e o oceano.

E, ah se James soubesse que aquele objeto pertencia ao grande capitão que um dia fora e que, com aquelas palavras, ele estava apenas sendo, uma vez mais, o bom e velho Killian Jones.

Mas o que ele poderia fazer?

It’s a party in the USA...

 

Página 3, O falso encontro entre James e Roni

Hope gargalhava na sala de estar vendo o pai todo produzido em seu terno italiano preto.

 Para de rir! – o homem repreendeu em tom de voz firme, mas não segurou por muito tempo até ele mesmo se juntar à ela.

 Sabe o que é mais engraçado? Eu nunca te vi arrumado para um encontro e, quando eu vejo, é com a tia Roni. – a menina fala com certa dificuldade, tentando ao máximo conter uma nova onda de riso.

 Isso é para provar para as duas que eu sou sim um bom irmão! – ele se defendeu.

E quando a menina ia responder, os dois ouviram a campainha tocar. O fato, entretanto, apenas fez com que a garota se desmontasse no sofá novamente, afundando o rosto em uma das almofadas para abafar o som de suas risadas.

James, revirando os olhos, se prontificou para atender ao chamado da irmã que, como sempre, era pontual em seus compromissos.

 Uau, Rogers, tudo isso para mim? – a mulher brincou ao passar por ele e entrar na residência.

 Mais uma zoação de qualquer uma das duas e eu desisto dessa ideia! – ele ameaçou assim que retornou à sala ao lado da morena.

Ao ouvir aquilo, Hope endireitou sua postura e comprimiu os lábios, tentando recuperar o controle dos sons emitidos por sua garganta.

Roni o ignorou, como sempre.

 E então, como estou? – a mulher questionou, girando na frente dos dois para que pudessem ver a vestimenta escolhida para a ocasião.

A morena estava em uma rara ocasião sem jeans, optando por um vestido longo, branco, de mangas compridas. Seu tecido era detalhado em listas sobrepostas em tons mais escuros. Contudo, o charme maior da peça estava em seu centro com o detalhe de botões, marcado por um cinto de couro da mesma cor e possibilitando que a mulher deixasse a parte superior completamente aberta, formando um decote generoso.

 Um arraso, tia! – a menina elogiou. – Não esperava menos.

 Eu esperava menos, bem menos. – James resmungou, mas as outras apenas acharam graça.

 Se não for para impactar, querido irmãozinho, eu nem saio de casa. – Roni respondeu dando-o leves tapas no ombro. – E eu adorei o smoking.

 Vocês dois estão incríveis, sortudos serão seus acompanhantes. – Hope brincou mais uma vez, mas apenas recebeu uma almofadada do pai em protesto. – Ei!

A verdade era que James estava fazendo aquilo para ajudar a irmã. Por ser uma mulher liderando um bar, ela estava constante sendo assediada – sutil ou descaradamente. Roni não ligava muito para os chamados apelativos de alguns clientes e jamais dava atenção para nenhum deles... Exceto por um.

Na semana anterior, a mulher resolveu quebrar sua regra número um de afastamento e aceitou sair com o homem em questão, seu nome era Ryan.

O primeiro encontro havia sido agradável, mas Roni percebeu logo de cara que não poderia ir adiante, afinal, por mais simpático e gentil que ele tivesse sido, acabara revelando ser casado e pai de dois garotos.

Entretanto, Ryan parecia um tanto quanto insistente em retornar com as tentativas de transformar a morena em sua “amante fixa”. E, na hora do desespero, Roni acabou inventando que já estava comprometida e que, no dia proposto pelo galanteador, ela já tinha marcado um encontro com seu namorado.

E, quando a irmã o contou isso, James já sabia que seria usado de fachada para espantar o babaca inconveniente e infiel – mas ele não contava com toda produção e dimensão daquela farsa. Mas o que ele poderia esperar de um plano arquitetado pela morena e pela filha?

 Obrigada por me salvar dessa, James. –disse assim que entraram no restaurante. Sabia que Ryan estaria ali, pois ele próprio havia insistido por detalhes do novo relacionamento súbito dela, e ela dava graças aos céus por ter um irmão tão prestativo como Rogers. – De verdade, eu não sei o que faria sem você nessa situação.

 Você sabe que eu sempre vou te ajudar, não é? – ele garantiu, e logo prosseguiu. – Mas não se acostume, eu não vou ficar fingindo ser seu namorado sempre!

 Ah, sério? – Roni fingiu tristeza. – Eu estava começando a gostar da ideia...

Ele revirou os olhos, ignorando o comentário. E, assim que ia mudar o tópico da conversa, enquanto andavam de mãos dadas até a mesa reservada, James avistou um colega da delegacia e guiou a morena até lá para cumprimenta-lo.

Aconteceu que o homem em questão era Ryan Parker, oficial do departamento de polícia de Seattle ao lado de James... E stalker de Roni Rogers.

Aconteceu que ele sabia que a morena era irmã de seu colega de trabalho e ela não sabia onde esconder a cara após ter sido desmascarada.

Aconteceu que James chegou em casa com o punho dolorido pelo soco que dera em Ryan por ter assediado sua irmã; e, com a história contada para a filha no dia seguinte, aconteceu que Hope teve uma crise de soluços de tanto rir.

E ela jamais os deixaria esquecer tal conto.

 

Página 4, A primeira visita à Disney

 Olha a selfie! – Roni gritou para o grupo ao posicionar o celular por cima de sua cabeça, tentando encontrar um ângulo que capturasse todos na imagem.

E então o flash.

Os Rogers estavam visitando a Disney pela primeira vez naquele ano e, para completar a alegria, alguns amigos do serviço de James estavam os acompanhando – incluindo Silver.

Hope parecia ter engolido um pacote de açúcar tamanha agitação. Tudo o que James podia ver era a garota saltitando, ao lado da tia, liderando a caminhada pelo parque. E ela havia convencido todos do grupo a não somente comprar o bottom de “primeira visita”, como também usar orelhas de Mickey.

Sendo honestos, o plano da garota era fazer toda e qualquer coisa que um bom primeiro visitante fazia na terra da Disney.

 Ok, me diz que nós vamos, ao menos, na montanha russa do Indiana Jones. – Bob, um dos colegas de James, falou.

 É claro que sim! – Roni respondeu. – Inclusive, se você tivesse prestado atenção no roteiro que minha sobrinha enviou para todos via e-mail, você saberia que depois da foto em frente ao castelo, nós iríamos exatamente para lá.

E se tinha alguém que estava levando aquela viagem tão a sério quanto Hope, esse alguém era Roni. Não que Rogers se surpreendesse, às vezes, as duas faziam uma bela dupla – e, quando acontecia, eram inseparáveis.

 Eu vou dirigindo! – Hope saiu gritando na frente.

 Não vai não! – a mulher retrucou, correndo atrás da sobrinha.

E, assim que deixaram o grupo para trás, os homens trocaram olhares confusos.

 Dirigir o que? – Silver questionou.

 O carrinho da montanha russa que, à propósito, é de mentira. – James respondeu, afinal, de todos ali, ele era o único que sabia o roteiro de viagem de cór. A filha jamais o deixaria sair de casa sem decorar todos os planos.

Mas naquela briga, Roni saiu vitoriosa e conseguiu o assento ao volante.

E embora apenas a tia compartilhasse de suas loucuras, Hope passou a maior parte do tempo ao lado do pai. Os dois andavam sempre de braços dados e, às vezes, o homem ainda a abraçava de lado, questionando-a se ela estava feliz e satisfeita. Aquele era James, sempre preocupado com o bem estar e pensamentos da filha, afinal, por qual outra razão ele estaria gastando uma fortuna numa viagem para a Disney?

Hope. Ela era sempre o motivo de suas ações.

Os dois experimentaram todos os tipos de doces em formato de Mickey possíveis, tiraram fotos de frente para as principais atrações e até mesmo conseguiram assistir à uma parada.

E, surpreendendo a todos ao render-se ao maior dos clichês, James basicamente implorou para que ele e a filha usassem camisetas combinadas.

Com bastante argumentação e insistência, a garota acabou aceitando. Por isso, os dois acabaram se separando do restante do grupo por um instante para visitar uma das lojas que vendiam as famigeradas camisetas.

 Eu gostei dessa “Superdad” e “Superdaughter”! – ele disse.

 Eu prefiro a “King” com a “Princess”. – a menina retrucou, mesmo sabendo que James seria irredutível naquela missão.

 Que tal “Tem essa garota que roubou meu coração e ela me chama de Pai” com—

 Para com essa antes que eu vomite! – Hope o interrompeu, arrancando uma risada sonora do homem.

 E o que você acha dessa aqui? – ele perguntou ao levantar outro modelo para análise da filha.

E foi aquela mesmo que eles decidiram levar – ou melhor, James decidiu.

Era uma peça simples com detalhe apenas na parte traseira: na dele, de coloração preta, o número 01 vinha acompanhado da palavra “Daddy”; a dela, na cor branca, a mesma numeração tinha os dizeres “Daddy’s Girl”.

Na mesma vendinha, Hope encontrou um par de luvas de meio dedo, de couro, com um bom preço e ela não pensou duas vezes antes de comprar – afinal, ela estava procurando por aquele acessório havia meses! Não, ela não era ligada à moda pensando em “montar looks” ou coisa parecida, ela apenas teve a ideia de aproximar-se do pai.

A menina cresceu vendo as dificuldades de James com tarefas relativamente simples, tudo por ele ter apenas uma mão. A prótese o ajudava em alguns casos como, por exemplo, segurar ou equilibrar coisas, mas nem tudo eram rosas... E, recentemente, ao organizar algumas gavetas da casa, ela encontrou seus desenhos de criança e, em todos eles, Rogers era desenhado com uma mão na cor natural e, a outra, de preto pela luva de couro que o homem usava por cima da estrutura de plástico.

Hope, então, pensou em se igualar a ele como podia: a partir daquele dia, ela usaria aquela luva em sua mão esquerda sempre que possível.

Filha e pai teriam mais uma característica em comum, mesmo que simbolicamente. E ela não poderia estar mais feliz com a aquisição.

E James fingiu que não chorou com aquela homenagem, mas, durante o abraço, a garota pode ouvir o homem fungar o nariz discretamente.

Mas ela não comentaria nada.

Por mais que ela tivesse odiado a ideia das camisetas, aquele momento pedia uma recordação e Hope teve que tirar uma foto com ele para postar em seu Instagram.

O momento, capturado por um dos seguranças do parque à pedido dela, fora eternizado de frente para o castelo da Cinderela. Os dois estavam de lado, suficientemente inclinados para que os dizeres das camisetas aparecessem, mas também para que pudessem mostrar luva e prótese num “high-five” na altura do ombro da dupla. E, com os rostos virados para a câmera, os Rogers finalizaram a pose com largos sorrisos no rosto.

A foto foi para a rede social com a seguinte legenda: “A lenda e seu legado” – se fosse para ir à Disney, Hope usaria de todos os clichês. Sem vergonha alguma.

Agradecendo ao homem que gentilmente tirou várias fotos do momento, os dois seguiram seu caminho para reencontrar o grupo. Entretanto, não contavam com uma intervenção musical em sua rota.

Hope sabia que o clássico preferido do pai era Aladdin, então quando os dois passaram de frente a um estande e ouviram “Friend Like Me” tocar, eles não se controlaram e começaram a cantar e dançar no meio do parque.

A dupla não viu mas, naquela hora, um celular registrou o momento. E foi assim que James Rogers entrou para a lista da famosa conta “Hot Dads of Disneyland” do Instagram.

E, ao contrário da legenda amorosa da filha, o perfil desconhecido publicou: “Raríssima exceção por aqui: sem bebês, mas com uma filhota já grande e UAU PAPAI!!! Estamos dispostos a deixa-lo dançar e cantar em nossa casa!”.

 

Página 5, James e o novo smartphone

 Hope, onde fica os contatos? – o homem questionou, concentrado em seu novo celular.

Ela bufou.

 Eu já falei, pai... Está do lado das ligações.

 E a câmera?

 Na parte inferior da tela principal. – a menina, que estava deitada no sofá, respondeu entediada.

James estava há mais de meia hora tentando adaptar-se ao novo eletrônico e não parava de fazer perguntas para a filha.

Ele não era um expert em tecnologia, mas tinha um conhecimento razoável quanto isso – a questão era que a menina, com seus 12 anos, não tinha um pingo de paciência com a leve ignorância do pai.

E ele torcia para que aquela fase com síndrome de superioridade passasse logo. Não que ele não amasse a filha (por Deus, isso estaria fora de cogitação!) mas, às vezes, é normal os pais pararem para pensar “poxa, mas que saudade do meu bebê de colo...”.

— Oh, Hope, olha o que eu descobri! – Rogers disse animado. – Ele tem câmera frontal!

— Pai, esse foi um dos motivos que você comprou ele, esqueceu?

E ela estava certa...

Nada e nem ninguém faria o moreno desistir do aparelho naquele dia, a concentração e disposição para entender o dispositivo era maior que a irritação pelas reclamações da filha. E, por esse motivo, James optou por ir mais cedo à delegacia, talvez os colegas de departamento seriam mais receptivos...

E então ele poderia fazer certo drama com a filha por “abandoná-lo”. Ahá, era perfeito!

Assim que chegou no local, um grupo razoável de pessoas passou a ajuda-lo com algumas configurações e aplicativos. Em questão de segundos, Rogers já tinha um whatsapp, Facebook e o tal Instagram que a filha tanto falava!

— O usuário dela é hoperogers mesmo! – Silver denunciou a conta da menina, fazendo o pai prontamente adicioná-la.

E ele sabia que ela já tinha visto a notificação, ela não largava o aparelho mesmo... Não que ela havia o aceitado ainda, mas provavelmente estava sofrendo com a iminente exposição de “fotos feias” que James postaria.

Ele não tinha nenhuma pretensão de manter nenhum desses aparelhos, exceto pelo de mensagens – esse ele achou útil. Mas a chance de provocar Hope, ainda mais depois de toda impaciência daquela tarde, soou como música para os ouvidos daquele oficial.

Aproveitando que a menina tinha o ensinado a tirar as tais “selfies”, o homem prontificou-se para fotografá-lo com todos os amigos do departamento e, claro, enviá-la pelo whatsapp. Após importuná-la com outras fotos mais (de plantas à lixeira rosa de Tracey), Rogers resolveu utilizar, de fato, o aplicativo de fotos.

A primeira foto do novo celular era uma imagem dos dois fazendo caretas, e era perfeita para o plano de James. Com ajuda de Bob, ele aprendeu a utilizar os ajustes do aplicativo e logo finalizou sua primeira publicação.

James Rogers estava oficialmente no Instagram.

“Princesinha do papai, meu amor & minha vida! @hoperogers #amor #vida #filhota #amormaior [sequência exagerada de emojis]

Naquele dia Hope aprendeu a ter paciência com toda diferença entre ela e seu pai, afinal, ele poderia ser bem pior se estivesse longe dela...

Hope Rogers: #vergonha

Foi tudo o que ela mandou no whatsapp.

— É pecado bloquear o pai? – ela perguntou para o espelho. E sim, ela sabia que era.

 

Página 6, O acampamento

Essa é a história de quando James foi picado e mordido... ao mesmo tempo.

A ideia do acampamento foi toda dele, muito por acreditar que a filha precisava de uma “desintoxicação tecnológica”. A verdade era que ele estava sentindo o peso de ver a filha crescer, encontrava-se incapaz de processar tal informação e, com isso, começava a atribuir culpas randomicamente. E Hope sabia disso, ela não era boba – ora, James Rogers havia a criado, esse seria o último adjetivo para descrevê-la.

— Onde está meu repelente? – Roni questionou saindo da barraca. – Ugh! Esse lugar está cheio de mosquitos!

— Pare de reclamar um segundo, pelo amor de Deus! – o homem replicou, irritado com as constantes reclamações da irmã. – Se iria resmungar o tempo inteiro, por que diabos pediu para vir?

— Eu não ia deixar minha sobrinha com seu Eu-Tarzan!

Ele ignorou, rolando os olhos pelas palavras ditar por Roni. Por que diabos ele deixou que ela viesse?

— Onde está Hope? – perguntou após um tempo, escaneando o local com os olhos sem sucesso na busca.

— Aqui! – a menina respondeu, sua voz distante, vinda por detrás das árvores, anunciava sua aproximação.

— Onde é “aqui”? – James gritou em retorno, preocupado.

— Não sei, pai. Não tem nenhuma placa ou ponto de referência. E adivinha por quê? Estamos no meio do nada! – Hope retrucou sarcástica ao retornar com os braços repletos de galhos. – E eu estava pegando a madeira para a fogueira do jeito que você pediu.

Rogers calou-se novamente. Era difícil para ele ver a filha tão independente e relativamente distante dele, cheia de si e com respostas na ponta da língua. Como ela ousava já ter sete anos? Ora, ontem mesmo a menina estava em seus braços com dificuldades para dizer “papai”!

Ele, então, prontamente pegou a madeiras para aprontar a fogueira, afinal, logo anoiteceria e, além da escuridão, o frio acompanharia pegando-os em cheio – ao menos o local para dormir já estava ajeitado. Os três dividiriam a mesma barraca, muito por que James queria irritar a irmã, negando-a qualquer luxo, dando-a sua própria “desintoxicação”.

Em pouco tempo, o trio estava devidamente agasalhado, de frente ao fogo, comendo marshmallows e rindo das piadas ruins de Rogers.

— Eu já contei da vez que sua tia Roni rasgou a calça na frente do—

— James! – a mulher repreendeu, interrompendo-o quase num rugido. E a menina apenas ria.

— Qual é, irmãzinha, estamos em família. Foi um momento inesquecível! – ele provocou.

— Não, não foi! E cala a boca. – Roni retrucou, semicerrando os olhos, fuziando-o com o olhar.

Os dois dividiam o mesmo tronco de árvore como banco, enquanto a garota estava sozinha em outro, observando-os brigarem como crianças. Contudo, no meio do ping-pong daquela discussão, Hope pode ver quando uma cobra apareceu no meio deles e, então, fez a única coisa que lhe veio à cabeça: gritou.

Logo Roni fez o mesmo, sem sequer saber o motivo. Entretanto, assim que reconheceu a razão do escândalo, entrou em pânico. E aquilo era música para os ouvidos do homem, ah como ele amava as voltas do universo! Ele não iria deixar de provocá-la com o animal, essa era a sua única chance.

E James gargalhava, divertindo-se com a morena esperneando e batendo as mãos.

— Olhe só quem veio dizer oi. – Rogers disse, oferecendo sua prótese ao bicho que rapidamente enrolou-se na estrutura de plástico. – Venha dar um beijinho nela, Roni!

— Tira esse demônio de perto de mim! – a mulher gritava desesperada, tentando se afastar mas sendo impedida pelas pernas falhas.

Hope já estava dentro da barraca, apenas com a cabeça do lado de fora para observá-los.

Mas o homem não iria desisti. Com mais algumas tentativas, James conseguiu aproximar-se da irmã e, como reflexo de proteção, Roni mordeu sua mão livre. E, com o susto, foi a vez do moreno gritar, fazendo com que o animal também se espantasse com o movimento brusco, mordendo a possível ameaça. Rogers foi obrigado a soltar o animal no chão para dar atenção aos seus ferimentos que já começavam a doer. Ambos.

E, vendo que a situação era delicada, Hope foi a menina esperta de sempre e, com a colher de sopa acertou a cabeça da cobra, dividindo-a ao meio.

Tempo depois, o trio já não estava mais “no meio do nada” e sim na sala de emergência do hospital. As duas conseguiram, com muito cuidado, colocar o animal morto dentro de uma vasilha velha para facilitar o reconhecimento do veneno e agilizar a injeção do antídoto, mas logo foram avisados da possibilidade de ser apenas uma serpente não-peçonhenta.

E os dois adultos estavam emburrados feito crianças, fazendo Hope se sentir a pessoa mais responsável do grupo.

Logo um médico apareceu confirmando a ausência de veneno e, quando questionou-os do ocorrido, James prontamente respondeu.

— Fui picado e mordido por duas cobras. Mas, aparentemente, só a bípede era venenosa.

Mais uma gargalhada de Hope. Outro tapa de Roni.

E o pobre coitado do doutor contorcia-se para não rir da situação.

 

Página 7, Aula de equitação

Hope detestava as aulas de Matemática, mas não tanto quanto sua professora Dominique Allison. Tudo naquela mulher irritava a jovem Rogers, especialmente a pose de “ser superior” adotada em sala de aula, zombando e menosprezando os alunos. Incluindo ela.

A verdade era que a garota nunca teve muita afinidade com a disciplina, estava sempre sendo aprovada no limite da nota mínima – e isso já era considerada uma vitória. Entretanto, Hope também não se esforçava muito em sala, e justificava isso no ódio que sentia da professora.

E lá estava a garota em mais um horário interminável sobre álgebra – e tudo o que ela mais desejava era o fim da tortura, pular para a parte em que o professor de Biologia entrava e tudo ficava melhor. Mas, como dizia seu pai, “nem tudo são rosas, saiba viver na crise”...

E, por falar em James, Hope estava mais que ansiosa para chegar em casa, afinal, era aniversário do oficial e ela pretendia preparar o bolo de chocolate preferido dele. Não teriam uma festa, mas a menina sabia que ao menos Roni apareceria antes de seu horário de trabalho para dar um abraço no irmão.

E comer o bolo, claro!

Hope sempre foi alucinada com aniversários e considerava um crime não celebrá-los e, por essa razão, a menina usava em sala de aula a luva de couro que comprara na Disney. Bom, se aquele era o Dia de James Rogers, então que ele estivesse com ela em todos os momentos.

Incluindo a aula de Matemática.

Contudo, Dominique parecia não concordar com tal homenagem e, obviamente, repreendeu a garota em alto e bom som.

— Rogers. – a professora chamou.

— Sim, Senhora Allison?

- O que é isso em sua mão? – questionou com desdém, apontando para seu membro esquerdo com o pincel do quadro branco.

— Hm, uma luva. – Hope respondeu como se fosse óbvio, despertando algumas risadas de seus colegas de classe.

— Eu posso ver isso. – Allison replicou com voz firme. – Quero saber porquê se considera no direito de usá-la dentro de sala de aula. Vocês sabem as regras muito bem, não há exceções para acessórios em nosso uniforme, senhorita Rogers.

E oh, claro, o uniforme... A única escola em toda Seattle que ainda exigia que seus alunos usasse tal vestimenta no Ensino Médio. Além disso, Hope estava ciente de que deveria conter seus impulsos sarcásticos e responder corretamente a professora a sua frente, mas ela não colaborava...

— Sei disso, mas é especial para mim. Principalmente no dia de hoje.

— Não me importo. – Dominique disse rudemente. – Sabe, Rogers, considero muitos de meus acessórios e roupas especiais e gostaria muito de usá-los em meu dia a dia, mas sei os limites e regras. – a mulher, então, virou-se para a classe e, dirigindo-se aos outros, prosseguiu. – Que sirva de lição para todos: nós não estamos aqui para desfilar em passarelas ou lançar moda, a preocupação de vocês nessa instituição é com os estudos e não com o vestuário. Diferentemente da colega de vocês.

E aquela foi a gota d’água para a jovem. Dominique Allison já disse muitas coisas sobre ela, especialmente sobre suas notas, mas Hope não aceitaria que a professora a colocasse em posição de garota mimada e fútil. Ela era exatamente o oposto disso!

E também não permitiria tal humilhação em frente ao seus colegas de classe, não mesmo.

— Eu não estou preocupada com acessórios, Senhora Allison. – a menina começou, elevando o tom de voz um pouco para que todas as pessoas a ouvissem. Afinal, se a mulher fizera isso, ela também poderia. – Essa luva é o que me conecta ao meu pai e hoje é aniversário dele. A senhora sabe que ele possui uma prótese no lugar da mão esquerda e é exatamente por isso que eu uso essa luva. Não é a primeira vez que venho com ela para sala de aula e não será a última.

— Esse não é um local de “conexões”, Rogers. Sua luva está diferenciando-a do restante da classe, isso não faz parte do uniforme. Retire-a. – a mulher ordenou.

— Não! Se meu pai estivesse aqui, a senhora pediria que ele retirasse a prótese também? Bom, até onde sei todos aqui tem mão esquerda, como ele ousaria se diferenciar e perder a dele, não é mesmo? – a garota retrucou.

E os colegas de sala emitiram um “ouch” em uníssono, como se acompanhassem alguma luta de UFC pela televisão.

— Seu pai não é membro dessa instituição, não estou aberta a discutir hipóteses. Retire a luva.

— Eu não vou fazer isso. – Hope insistiu.

E então Dominique suspirou, provavelmente contendo um ataque de raiva.

— Espero que pense a respeito disso na detenção hoje. E saia da minha sala, vá conversar com Reed.

Kaycee Reed era diretora do colégio e, naquele momento, Hope sabia que, além da detenção ao final do dia, receberia uma bela de uma suspensão.

E seu pai a mataria.

Entretanto, mostrando a mesma superioridade que Dominique, a menina recolheu seus pertences e saiu da sala em direção à sentença da diretora. Chegando lá, a jovem teve a certeza de que sua professora havia planejado aquele momento há meses, afinal, Reed tinha uma coleção de relatórios sobre “o comportamento irregular” de Rogers.

E, como se não pudesse piorar, Allison tinha feito uma imensa lista de sugestões para restaurar a disciplina da jovem.

Ah, como ela odiava aquela mulher!

Mas Hope deveria admitir, a imaginação de Dominique ia longe: da natação à academia, passando por pintura, aulas de música, equitação e colônias de férias. Felizmente, a diretora Reed era mais sensata que sua funcionária e compreendeu a utilização do acessório, liberando seu uso. Contudo, o desrespeito de suas respostas em sala de aula deveria ser punido.

Naquele dia, Hope saiu do colégio uma hora mais tarde e com uma suspensão de dois dias; uma piora significativa em sua relação com a professora; e um belo de um sermão de seu pai em pleno aniversário dele.

James, ainda, foi chamado na instituição para ser apresentado à enorme lista de Dominique sendo, basicamente, obrigado a escolher alguma daquelas atividades para garanti-las de que a filha não traria mais problemas.

Hope escolheu, então, contra sua vontade, equitação – não que a medida duraria, os dois sabiam disso, mas o fato de poder dar a uma égua o nome de “Dominique” a encantava de certa maneira.

E, com um mês de aulas, a menina deixou o haras para trás com duas certezas: a primeira delas é que gostava dos cavalos, mesmo que sua companheira tivesse, injustamente, recebido o nome da tirana, mas não suportava ficar pulando objetos e andando em círculos; e a segunda era que continuaria utilizando as luvas em sala de aula.

Dominique (o “ser humano”) poderia tirar seus pontos e humilhá-la em sala de aula, poderia até mesmo fazê-la montar em cavalos para “restaurar” qualquer disciplina “perdida”, mas ela jamais a impediria de conectar-se ao seu pai.

Ninguém seria capaz de separar Hope de James. E vice-versa.

 

Página 8, James Rogers e Sam Heughan

Ele estava viajando à trabalho. Silver exigia que seus oficiais estivessem constantemente atualizados e estudando; por isso, havia dispensado Rogers para que ele pudesse realizar um curso sobre operações especiais de resgate em Nova York.

Saindo na sexta feira e retornando apenas na segunda à noite, Rogers pode aproveitar seu domingo pós curso para sair e conhecer o local. Eram raras as ocasiões que ele saía sem a filha ao lado e ele não poderia mentir que, de certa forma, era bom ter um tempo para si mesmo – mas a saudade de sua menina já dominava o peito.

A verdade era que James não sabia se distanciar de Hope por muito tempo. E, embora soubesse que Roni estava cuidando dela, a preocupação era constante. Contudo, mesmo de longe, ela o convenceu a sair para beber e conhecer a cidade, afinal, ele estava em Nova York!

(E isso, claro, com um pouco de ameaça, já que ela havia afirmado que não iria atender nenhuma de suas ligações ou responder as mensagens. E o mesmo valia para a tia.)

James, então, caminhou por Nova York, observando as atividades noturnas do local, até que resolveu parar em um dos bares. Era horrível beber sozinho, ele admitia, mas ele não tinha escolha naquele momento...

Sentado no balcão com um copo de rum na mão, o homem encarava a televisão que passava algum jogo de basquete, e ele bufou em reprovação. James odiava aquele esporte, preferia o bom e velho futebol de campo, ou hóquei... Ou qualquer outra coisa, sendo honesto.

— Companheiro! Outra dose, por favor! – uma voz masculina familiar disse ao barman.

E, virando para o dono de tal, James percebeu que o homem estava bem ao seu lado. E sim, ele o conhecia. Tratava-se de Sam Heughan, ator escocês e protagonista da série Outlander.

(Em outras palavras, tratava-se de Sam Heughan, responsável por todos os surtos de Hope Rogers.)

— Boa noite. – o homem cumprimentou com um aceno de cabeça ao notar que James o encarava por um período relativamente demorado. Mas ele já estava acostumado, afinal, ele era uma celebridade...

— James Rogers. – o moreno se apresentou, oferecendo a mão direita para que o ator apertasse. E assim ele fez.

— Sam Heughan, prazer em conhece-lo. – respondeu brevemente.

— Ah! – James estalou a língua, era como se ele tivesse descoberto ouro. – Imaginei que fosse você mesmo.

— Fã de Outlander? – o outro questionou, arqueando uma de suas sobrancelhas em confusão. – Não vejo muitos fãs homens me reconhecendo...

— Hm, não sou um fã. – disse rapidamente, mas logo prosseguiu com a explicação. – Quero dizer, eu assisti todos os episódios e etc, é realmente bom, mas fui quase forçado pela minha filha. Aliás, tenho quase certeza de que ela morreria se estivesse aqui no meu lugar. – comentou rindo.

— Oh, claro! – Sam o acompanhou na risada. – Adolescente?

— Aye, você sabe como é...

— Oh, se sei! – ele replicou, parando brevemente para pegar seu copo já reposto pelo funcionário. – Desculpa a pergunta, mas você não é muito novo para já ter uma filha adolescente não?

— Hm, talvez... – Rogers riu novamente. – Se eu tivesse alguma memória de como minha filha nasceu poderia ter uma resposta melhor como “ah, foi um acidente” ou coisa do tipo, mas não tenho. E ela não é tão jovem assim. E sim, eu sei que tipo de cena ela anda vendo na série.

O outro riu, mas rapidamente endireitou a postura para prosseguir com o diálogo.

— Se importa se eu perguntar o porquê? – Heughan questionou e ele parecia, genuinamente, interessando.

E foi então que James e Sam iniciaram uma longa conversa no balcão de um dos bares de Nova York. Rogers o detalhou as poucas informações do acidente que o tirara a mão, esposa e memória, bem como falou sobre a filha. Em troca, o ator contou ao oficial que ainda conseguia usufruir de um pouco de anonimato e, nesses momentos, agradecia por conseguir frequentar bares como as outras pessoas.

Em certo momento, o irmão de Heughan se juntou aos dois e eles passaram horas falando do único esporte que realmente os interessavam: futebol. Contudo, o terceiro participante não permaneceu ao lado deles, pois, aparentemente, havia encontrado alguma mulher para importunar.

Assim que ficaram sozinhos, Sam arriscou questionar mais sobre os momentos “fangirl” de Hope, afinal, pelas histórias que James compartilhou com ele, a garota parecia ser uma figura!

E então James mostrou a foto da garota para o ator – e ele disse ter adorado o sorriso dela, boca caída e tudo mais.

No dia seguinte, a garota acordou com uma nova mensagem do pai: uma foto dele e do ator, um apontando para o outro, e com a mensagem “Quem é esse cara? Ele disse que adorou seu sorriso, devo acabar com ele?”.

E foi ali mesmo que Hope se arrependeu de ter ameaçado não responder o pai e ter perdido a oportunidade de falar com seu ator preferido.

E ainda não aceitava o fato de que seu pai havia o conhecido e ela não.

 

Página 9, Os 15 anos de Hope

Era a primeira vez, em muito tempo, que James planejava uma pequena festa de aniversário para a filha. E ele queria perfeição.

Apesar de Hope conversar com a classe inteira, não se considerava amiga de todos. Por essa razão, o pai resolveu chamar apenas os bons e velhos companheiros da filha: a jovem e efervescente Ashley, o nerd Bradley e a tímida Taylor.

James havia pensado e considerado todas as hipóteses possíveis para aquela celebração – ele não poderia falhar. Sua primeira tentativa era fazer a decoração com itens escoceses, em referência à série que ela não parava de falar a respeito – e ele ainda estava chocado com as cenas explícitas que viu... E que a filha viu! Por Deus, quem liberou a internet dessa garota?

Mas não deu certo.

Algumas tentativas falhas a mais – incluindo o tema náutico, que só estava disponível para comemorações masculinas e ele odiava todos por isso, pois não conseguia compreender a necessidade e objetivo dessas distinções – James, então, conseguiu definir um tema. Inspirando-se na boa e companheira Disney.

Mas Rogers não aceitaria nenhuma decoração infantil (Hope o mataria!), ele iria dar a ela seu próprio conto de fadas.

Roni estava exausta, não somente das preparações ou de distrair a garota para preservar o caráter surpresa da festa, mas pelas ordens e desespero do irmão. Tudo estava em ordem, por que ele se desgastava tanto assim?

— Onde você colocou os balões? – o homem a questionou pelo telefone.

— Eu não posso falar agora, estou ocupada comemorando o aniversário da minha sobrinha no shopping. – a morena respondeu, provavelmente tentando disfarçar pela presença de Hope.

— Só fala onde estão as drogas dos balões, Roni! – Jones irritou-se.

— Não sei do que se trata. – fingiu novamente.

— B-a-l-õ-e-s! – Rogers repetiu feito idiota, despertando a ira da morena.

— Deixa de ser burro! Você cancelou essa ideia tem dias. Olha na merda da caixa de papelão.

Dizendo isso, ela desligou.

E James encontrou, dentro da caixa dita por Roni, uma imensidade de arranjos florais em arames – oh, ele realmente tinha alterado os planos. Sendo honesto, ele achava balões muito “festa de criança” e, por esse motivo, mudou tudo.

Mas ele havia se esquecido. Meu Deus, e se ele esqueceu algo mais?

Não tinha muito o que fazer, aliás, não haveriam muitos convidados... James não alugou nenhum salão, pois a sala de sua casa era suficiente, a comida ele mesmo preparou e os doces estavam por conta de Silver e uma conhecida. E a decoração teve ajuda de Roni.

Flores, muitas flores – e não balões, seu idiota! – em arranjos da mesa e dos móveis, nas grades da escada, em arcos nas portas e pétalas espalhadas ao lado de algumas velas. Os poucos enfeites eram desenhos de coroas prateadas, inclusive no bolo.

Pelo amor incompreensível de ambos pelo oceano (e a estranha ligação que sentiam), poderiam se considerar navegantes – ou piratas –, mas Hope sempre seria sua princesa. Não somente pelo olhar paterno em exaltá-la incondicionalmente, mas pela personalidade da menina. E ele não se referia àqueles contos clichês de realezas indefesas, James pensava em grandes líderes, guerreiras e, assim como tais, repletas de elegância e sabedoria.

A menina não era somente um encaixe perfeito dessa visão de Rogers sobre a definição do que era realmente uma princesa (desculpa Disney, eu ainda te amo...), mas ela era sua própria força.

Hope era sua líder. Suas necessidades e desejos eram o que moviam as ações dele e, embora tudo pareça um cenário de subordinação, ele nunca esteve tão feliz em render-se.

E o sorriso da menina ao encontrar todos seus entes queridos na sala de sua casa, para festejar com ela, era o suficiente. Contudo, a menina ainda fez questão de observar e agradecer por toda a decoração era, como ela dizia, “como entrar no Jardim Secreto”. E ela amava a sensação.

Estava tudo perfeito como James havia planejado por semanas, exceto por um detalhe...

— Vá buscar a vela, Roni! – o homem disse animado ao aproximar-se com o bolo.

— Q-Que vela? – a mulher replicou com a expressão pálida.

E James congelou onde estava, encarando-a como se quisesse derrete-la pelo pensamento.

— A que você ficou de comprar no shopping. – ele respondeu entredentes.

— Hm... Oops?

O primeiro impulso de Rogers foi jogar todo o bolo na cara da irmã, criando mais uma cena de caça entre cão e gato como de costume, mas conteve-se. Muito por Hope e por saber que ela estava se divertindo.

Isso era o mais importante.

Acabou que, em seus 15 anos, a menina não teve nenhuma vela para assoprar e fazer o pedido, apenas as duas em estilo fogos de artifício que o próprio James havia comprado – em casos de emergência. E ele agradecia por ter se preocupado tanto, pois, se seguisse os conselhos da irmã, provavelmente teria esquecido a própria filha em algum lugar.

— “Deixa de ser burro”, não é? – ele brincou, levando um dedo cheio de chantili ao nariz de Roni enquanto os dois cortavam o bolo. A morena riu mas não retrucou, ela sabia que merecia.

Além disso, por Hope, eles poderiam parar de se alfinetar por um dia.

 

10. A busca por Emma Swan

— Você acha que esse Henry vai querer nos ouvir?

— Eu não faço ideia. – o homem respondeu, soltando uma risada nervosa, mas sem tirar os olhos da estrada. – Espero que sim.

Ela assentiu, mas esperou algum tempo antes de continuar. Não havia pressa, afinal, a volta até Seattle seria longa.

— Pai? – chamou.

— Sim?

— Se você esqueceu dessa mulher e ela pode ser a minha mãe, você—Você acha que pode ser pai do Henry também?

Ele engasgou, quase pisado no freio involuntariamente.

— De onde você tirou isso, Hope?

— Hm, só estou tentando ligar os fatos...

— Certo, primeiro: Emma não é a sua mãe. Segundo: não.

A menina revirou os olhos.

— Primeiro: você não sabe disso. Segundo: o mesmo que o primeiro. – retrucou, imitando o moreno. – O que vamos fazer quando chegar lá, afinal?

James suspirou profundamente, fixando o olhar mais tempo que o necessário no caminhão à sua frente, mas a filha sabia que ele estava considerando as opções. Era o que ele sempre fazia...

— Temos que encontrar esse cara e mostra-lo a câmera. Pode não ser ele nas fotos com Swan.

— “Swan”, huh? – a jovem provocou, fazendo-o rir. – Espero que se ela for a minha mãe você não fica a chamando por esse nome.

— E por que não?

— Porque ela é uma Rogers, oras! – a resposta veio como se fosse óbvia. E a garota até que tinha um ponto, ele admitia.

Eles não disseram mais nada durante a viagem, não que fosse significante. Tudo que Hope podia pensar era que estava, pela primeira vez em sua vida, perto de encontrar alguma resposta do paradeiro de sua mãe – mesmo que fosse uma negativa. Era a primeira vez que ela sequer tinha a chance.

Ela considerava loucura tudo aquilo, de certa forma, mas o olhar brilhante do pai ao encarar a fotografia da loira na câmera fotográfica pode explica-la mais que qualquer resposta pronta. Se aquele homem não amasse Emma Swan, ele o fizera em algum momento... E aquele era um cenário novo para a menina, ver o pai apaixonado não era algo que ela havia presenciado antes, mas deveria admitir que aquilo a fazia sentir bem.

E se Emma Swan fosse a sua mãe? E se ela não tivesse morrido? Será que ela gostaria de conhecer a filha depois de tanto tempo? Será que ela receberia seu pai com braços abertos?

E, fechando os olhos, Hope fez o que o pai havia a ensinado desde pequena. Eles nunca foram religiosos, mas James acreditava que Deus existia e que reservava sua magia no grande universo – e tinha as estrelas como suas mensageiras.

Naquela noite, o céu estrelado estava um espetáculo à parte – fazendo-a, claro, registrar o momento com sua câmera de celular. Mas logo pensou em algo mais proveitoso para se fazer e, segundos depois, iniciou sua prece.

“Meu Pai, esteja onde estiver, por favor nos ajude... Sei que parece besteira, mas nos guie até a verdade, por mim e por meu pai. Ele está sozinho há anos e eu preciso ter alguma resposta sobre minha mãe. Se for de Sua vontade, por favor, nos reúna em breve – vivos ou mortos. Sei que somos abençoados pela família e pelos bens que temos, que o Senhor nos deu, mas... Consegue compreender que precisamos disso? Por favor, não nos deixe desamparados. Ajude-nos a encontrar Emma Swan.”


Notas Finais


E então, o que acharam? O feedback de vocês será muito importante para a parte III que eu já confirmei no Twitter. Como fiz dessa vez, vou compartilhar as ideias e spoilers por lá @/littlelindy_, se quiserem estarei por lá!

Muito obrigada por todo amor e carinho, vocês são os melhores!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...