História Hopeless - Um caso perdido - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Little Mix
Personagens Jade Thirlwall, Jesy Nelson, Leigh-Anne Pinnock, Perrie Edwards
Tags Hopeless, Jerrie, Little Mix
Exibições 22
Palavras 2.651
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Como prometido, mais um <3

Capítulo 4 - Segunda-feira, 27 de agosto de 2015 15h55


No fim das contas, Leigh-Anne foi o que salvou meu dia… e ela é mórmon de verdade. Temos muitas coisas em comum, e mais coisas ainda que não são comuns, o que a torna bem mais interessante. Ela também é adotada, mas é bem próximo da família biológica. Leigh-Anne, foi adotada por uma família branca e sofreu bullying na escola por ser negra e diferente dos irmãos adotivos. Algo que ela diz ter superado com os anos. Seu sonho é se tornar uma grande estrela da Broadway um dia, mas ela diz que não sabe cantar nem atuar, então vai parar de sonhar tão alto e quer estudar administração.

Eu disse que queria me formar em escrita criativa e passar o dia sentada, com calça de yoga, somente escrevendo livros e tomando sorvete. Ela me perguntou que gênero de livro eu queria escrever e eu respondi:

— Não importa, contanto que seja bom, não é?

Acho que esse comentário selou nosso destino. Agora estou a caminho de casa, decidindo se devo contar a Jesy os acontecimentos agridoces do dia ou se devo passar no mercado para comprar café e poder tomá-lo antes da minha corrida diária.

A cafeína fala mais alto, apesar da minha afeição por Jesy ser um pouco maior.

Minha contribuição familiar mínima é fazer as compras da semana. Na nossa casa é tudo sem açúcar, sem carboidrato e sem sabor, graças ao estilo vegano e não convencional de Karen, então realmente gosto de fazer as compras. Pego um pacote com seis refrigerantes e o maior saco de Snickers em miniatura que encontro e os coloco no carrinho. Tem um esconderijo ótimo no meu quarto para meu estoque secreto. A maioria dos adolescentes esconde cigarros e maconha — eu escondo alimentos com açúcar.

Ao chegar na fila, reconheço a garota do caixa. Ela faz aula de inglês no segundo horário, assim como eu. Tenho quase certeza de que o nome dela é Shayna, mas no seu crachá está escrito Shayla . Shayna/Shayla é tudo o que eu queria ser. Alta, voluptuosa e loura. Num dia bom, eu chego a ter 1,60m, e meu cabelo castanho sem graça está precisando de uma aparada — talvez até de algumas mechas. Que dariam um trabalho do cacete para manter considerando a quantidade de cabelo que tenho.

— Você não está na mesma aula de ciências que eu? — pergunta Shayna/Shayla.

— Inglês — corrijo-a.

Ela lança um olhar condescendente para mim.

 — Eu falei sim em inglês — argumenta ela defensivamente.

 — Eu disse: você não está na mesma aula de ciências que eu?

Caraca. Talvez eu não queira ser tão loura assim.

— Não — respondo.

 — Eu disse inglês no sentido de “a gente não está na mesma aula de ciências , a gente está na mesma aula de inglês ”.

Ela olha para mim inexpressivamente por um instante e depois ri.

— Ah. — Pela expressão em seu rosto, ela parece enfim entender. Ela olha para a tela à sua frente e me diz o total. Coloco a mão no bolso de trás e pego o cartão de crédito, querendo ser rápida para evitar o que está prestes a se tornar uma conversa nada interessante.

— Ah, meu Deus — diz ela baixinho. — Veja só quem voltou.

Olho para cima e noto que ela está encarando alguém atrás de mim na fila do outro caixa.

Não, deixe-me corrigir. Ela está salivando por alguém atrás de mim na fila do outro caixa.

— Oi, Perrie — cumprimenta ela sedutoramente, abrindo o maior sorriso.

Será que ela acabou de piscar para uma garota? Isso mesmo. Tenho certeza de que ela acabou de piscar para ela. Para ser sincera, achei que só se fazia isso nos desenhos animados.

Olho para trás para ver quem é a tal Perrie que, por alguma razão, conseguiu fazer todo o amor próprio de Shayna/Shayla desaparecer. A garota olha para ela e balança a cabeça como resposta, aparentemente sem ter interesse algum.

— Oi… — Ela estreita os olhos na direção do crachá.

 — Shayla. — Ela se vira de volta para o caixa que a está atendendo.

Ela a está ignorando? Uma das garotas mais bonitas do colégio praticamente se joga em cima dela, e ela age como se aquilo fosse uma coisa chata? Será que é mesmo humana? Talvez ela não se interesse por garotas.

Ela bufa.

— Meu nome é Shayna — diz ela, irritada por ela não saber o nome dela. Eu me viro para Shayna e coloco o cartão na máquina.

— Desculpe — pede ela. — Mas você sabe que no seu crachá está escrito Shayla,não é?

Ela olha para baixo e levanta o crachá para poder ler.

— Hum — murmura ela, estreitando as sobrancelhas como se estivesse concentrada. Mas duvido que seja muito.

— Quando você chegou? — pergunta ela para Perrie, ignorando-me completamente. Acabei de passar meu cartão e tenho quase certeza de que ela devia fazer alguma coisa, mas está ocupada demais planejando como conquistar essa garota para se lembrar da cliente.

— Semana passada — responde ela secamente.

— Então vão deixar você voltar para o colégio? — pergunta ela. De onde estou, consigo escutar ela suspirando.

 — Não importa — responde ela entediada — Não vou voltar.

A última frase faz Shayna/Shayla repensar a conquista na mesma hora. Ela revira os olhos e volta a prestar atenção em mim.

— Que pena que um corpo daquele não vem com cérebro — sussurra ela.

Claro que percebo a ironia contida nessa afirmação. Quando ela finalmente começa a apertar as teclas da máquina para completar a transação, aproveito que está distraída para olhar para trás mais uma vez. Estou curiosa para dar outra olhada na garota que pareceu se irritar com a bonita menina loura. Ela está olhando para a própria bolsa, rindo de algo que o caixa disse a ela. Assim que a vejo, percebo três coisas:
1. Os dentes incrivelmente brancos escondidos por trás de um sorriso sedutor.
2. Os olhos azuis hipnotizantes
3. Tenho quase certeza de que estou sentindo uma onda de calor.
Ou um frio na barriga. Ou talvez esteja com algum vírus no estômago. Essa sensação é tão nova para mim que nem sei direito o que é. Não sei o que ela tem de tão diferente a ponto de causar a primeira reação biológica que tive na vida em relação a outra pessoa. No entanto, acho que jamais havia visto alguém como ela antes. Ela é linda. Não linda do tipo menina fofinha. Nem do tipo garota gostosona. É uma mistura perfeita das duas coisas. Nem tão grande, nem tão magra. Nem tão rústica, nem tão perfeita. Ela está de calça jeans e blusa branca, nada de mais. O cabelo loiro parece não ter sido penteado hoje, mesmo assim, é maravilhoso.Está caindo na frente do seus olhos e ela precisa jogar para o lado para afastá-lo do rosto e ao olhar pra cima nota que a estou encarando. Completamente. Merda. Normalmente eu abaixaria o olhar assim que nossos olhos se encontrassem, mas tem alguma coisa estranha na maneira como ela reagiu ao olhar para mim que não me deixa desviar os olhos. Seu sorriso esvaece imediatamente, e ela inclina a cabeça.

Um olhar de curiosidade surge e lentamente ela balança a cabeça, ou por incredulidade ou por… repugnância? Não dá para saber, mas com certeza não foi uma reação positiva.

Olho ao redor, esperando que não tenha sido por minha causa que ela ficou tão incomodada. Quando me viro novamente, vejo que ainda mantém o olhar fixo. Em mim. Fico transtornada, para dizer o mínimo, então me viro depressa para Shayla. Ou Shayna. Sei lá qual é o maldito nome. Preciso me recuperar. Por alguma razão, durante sessenta segundos, esta garota conseguiu me deixar encantada e, depois, completamente apavorada. A mistura de sensações não faz bem para meu corpo sem cafeína. Seria melhor se tivesse me olhado com a mesma indiferença que usou com Shayna/Shayla do que ter lançado aquele olhar outra vez para mim. Pego a nota fiscal com a fulana de tal e a guardo no bolso.

— Oi — diz ela com uma voz melódica, porem, em um tom autoritário, me deixando sem ar no mesmo instante. Não sei se ela está falando comigo ou com a fulana de tal, então seguro as alças das sacolas do mercado, esperando ter tempo de chegar ao carro antes que ela termine de pagar.

— Acho que ela está falando com você — diz ela. Pego a última sacola e a ignoro, andando o mais rápido que consigo em direção à saída.

Ao chegar no carro, suspiro fundo ao abrir a porta de trás para guardar as compras. O que diabos há de errado comigo? Uma garota fala comigo e eu saio correndo? Não fico constrangida perto de outras garotas. Na verdade, costumo ficar bem indiferente. E, no único momento da minha vida em que chego a sentir uma possível atração por alguém, saio correndo. Jesy vai me matar.

Mas aquele olhar. Havia algo tão perturbador na maneira como ela olhou para mim. Aquilo conseguiu me deixar constrangida, envergonhada e lisonjeada ao mesmo tempo. Não estou acostumada a sentir essas coisas de jeito algum, muito menos todas elas de uma só vez.

— Oi.

Fico paralisada. Agora com certeza ela está falando comigo.

Ainda não consigo saber se é frio na barriga ou vírus estomacal, mas, de qualquer maneira, não gosto do jeito como a voz dela penetra no meu estômago até o fundo. Mesmo tensa, me viro lentamente, percebendo, de repente, que minha antiga indiferença ficou quase toda para trás.

Ela está segurando duas sacolas com uma das mãos ao lado do corpo e com a outra está arrumando o cabelo. Já eu queria que o clima estivesse péssimo e chuvoso para que ela não ficasse parada ali naquele momento. Ela fixa os olhos nos meus, e o olhar desdenhoso que lançou para mim no mercado agora virou um sorriso torto que parece um pouco forçado. Quando olho melhor para ela, fica claro que meu desconforto estomacal não está sendo causado por nenhum vírus. Está sendo causado por ela. Por tudo que diz respeito a ela, desde o cabelo louro, aos sérios olhos azuis, o piercing no nariz, os lábios bem desenhados que me fazem querer tocá-los. Tocar? Sério, Jade? Controle-se! Tudo nela faz meus pulmões pararem de funcionar e meu coração acelerar loucamente. Tenho a impressão de que se ela sorrisse para mim como Grayson tenta fazer, minha calcinha estaria no chão em tempo recorde. Assim que paro de observar seu corpo e nossos olhares se encontram, ela afasta a mão do cabelo e passa a sacola para a mão esquerda.

— Meu nome é Perrie — diz ela, estendendo a mão para mim.

Baixo o olhar para sua mão e dou um passo para trás, sem cumprimentá-la. Toda aquela situação é constrangedora demais para que eu confie nessa apresentação inocente. Talvez se ela não tivesse lançado aquele olhar penetrante e intenso para mim no mercado, eu estivesse mais suscetível à sua perfeição física.

— O que você quer? — Tomo cuidado para olhá-la com suspeita em vez de admiração.

Um meio sorriso aparece e ela balança a cabeça, desviando o olhar.

— Hum — diz ela com uma gagueira nervosa que não combina em nada com seu jeito confiante.

Seus olhos percorrem o estacionamento como se estivessem procurando uma maneira de escapar, e ela suspira antes de fixá-los em mim outra vez. Essas diferentes reações me deixam totalmente confusa. Num instante ela parece sentir certa repugnância à minha presença, no outro parece que não vai me deixar em paz. Costumo interpretar muito bem as pessoas, mas, se precisasse chegar a uma conclusão a respeito de Perrie com base nos últimos dois minutos, seria obrigada a dizer que ela sofre de transtorno de múltiplas personalidades. As mudanças bruscas entre impertinência e intensidade são enervantes.

— Talvez isso soe ridículo — diz ela. — Mas você me parece bem familiar. Posso saber seu nome?

 Fico tão desapontada no instante em que a cantada escapa de seus lábios. Ela é esse tipo de garota, sabe. O tipo incrivelmente linda que pode ficar com qualquer pessoa onde e quando quiser, e sabe muito bem disso. O tipo que só precisa abrir um sorriso torto ou usar um simples olhar para que meninos e meninas caiam aos seus pés. O tipo que passa as noites de sábado partindo corações nas baladas. Estou extremamente desapontada. Reviro os olhos e estendo o braço para trás, puxando a maçaneta do carro.

— Tenho namorado — minto. Eu me viro, abro a porta e entro. Estendo o braço para fechá-la, mas não consigo. Ergo o olhar e vejo a mão dela segurando a porta, mantendo-a aberta. Há um desespero firme em seus olhos que faz os pelos dos meus braços se arrepiarem.

Ela olha para mim, e eu fico arrepiada? Quem sou eu, afinal?

— Seu nome. É tudo o que quero.

 Fico em dúvida se talvez ela não esteja me cantando, vai vê interpretei errado. Porém, saber meu nome não vai ajudá-la em suas investigações. É mais que provável que eu seja a única garota de 17 anos sem acesso à internet. Ainda segurando a maçaneta, lanço meu olhar fulminante de advertência.

— Você se importa? — digo secamente, indicando a mão que está me impedindo de fechar a porta. Meu olhar percorre a mão dela até a tatuagem em letra cursiva no antebraço.

Hopeless.

Não consigo deixar de rir por dentro. Está na cara que hoje o carma está no modo retaliação. Finalmente conheço a única pessoa que acho atraente e ela é uma garota, que abandonou o colégio e traz caso perdido tatuado no braço. Fico irritada. Puxo a porta mais uma vez, mas ela não se mexe.

— Seu nome. Por favor.

A expressão de desespero em seus olhos ao dizer, por favor, causa uma reação surpreendentemente complacente em mim, algo bastante inesperado.

— jade — revelo de repente, sentindo uma compaixão repentina pelo sofrimento que com certeza existe por trás daqueles olhos azuis. A facilidade com que cedo ao pedido por causa de um olhar me deixa desapontada comigo mesma. Solto a porta e ligo o carro.

— Jade— repete ela para si mesma. E fica pensando nisso por um segundo, balançando a cabeça como se eu tivesse respondido errado.

 — Tem certeza? — Ela inclina a cabeça na minha direção.

Se eu tenho certeza? Ela pensa que sou Shayna/Shayla e que não sei meu próprio nome, é? Reviro os olhos e mudo de posição no banco, pegando minha identidade no bolso. Estendo-a diante de seu rosto.

— É claro que sei meu próprio nome. Começo a puxar a identidade de volta, mas ela solta a porta e agarra o documento da minha mão, levando-o para perto de si para analisá-lo.

Ela fica observando por alguns instantes, vira-o do outro lado e o devolve.

— Desculpe-me. — Ela dá um passo para trás, se distanciando do carro.

 — Foi engano meu.

Agora ela está inexpressiva e séria, e fica me observando guardar a identidade no bolso. Encaro-a por um instante, esperando por algo mais, mas ela só move a mandíbula para a frente e para trás enquanto coloco o cinto de segurança.

Ela vai desistir de me convidar para sair assim tão fácil? Sério? Coloco os dedos na maçaneta da porta, esperando que ela a segure outra vez e venha com mais uma de suas cantadas ridículas. Mas nada acontece. Ela se afasta mais ainda enquanto fecho a porta, e alguma coisa estranha começa a me consumir. Se ela realmente não me seguiu até aqui para me convidar para sair, então o que diabos foi isso?

Ela passa a mão pelo cabelo e murmura algo para si mesma, mas não consigo escutar o quê, por causa da janela fechada. Engato a ré e fico olhando para ela enquanto saio da vaga. A garota continua imóvel, me encarando o tempo inteiro. Quando começo a ir na direção oposta, ajusto o retrovisor para lhe dar uma última olhada antes de passar pela saída. Vejo-a se virar e ir embora, esmurrando o capô de um carro.

Tomou a decisão certa, Jade. Ela é esquentadinha.

 

 


Notas Finais


uh, Perrie toda nervosinha.
Até amanhã, babys.


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