História Hopeless - Um caso perdido - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Little Mix
Personagens Jade Thirlwall, Jesy Nelson, Leigh-Anne Pinnock, Perrie Edwards
Tags Hopeless, Jerrie, Little Mix
Exibições 18
Palavras 2.746
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hello, acabei voltando mais cedo.

Capítulo 6 - Segunda-feira, 27 de agosto de 2015 17h25


Meus pulmões estão doendo; meu corpo ficou dormente faz tempo, na estrada.

Deixei de inspirar e expirar ritmicamente e passei a soltar arfadas descontroladamente.

Costuma ser esse o momento em que mais gosto na corrida. Quando todas as células do meu corpo trabalham para me fazer seguir em frente, permitindo que me concentre apenas no próximo passo e nada mais. No próximo passo. Nada mais.

Jamais corri até tão longe. Costumo parar quando sei que completei meus dois quilômetros e meio, o que foi há algumas quadras atrás, mas dessa vez não. Apesar do desespero familiar do meu corpo neste momento, não estou conseguindo fazer a mente se desligar. Continuo correndo na esperança de que isso aconteça, mas hoje está demorando bem mais que o normal. A única coisa que me faz decidir parar é o fato de que vou ter de correr exatamente a mesma distância na volta para casa. Minha água também está acabando.

Paro no início de um jardim e me apoio na caixa de correio, abrindo a tampa da garrafa de água. Enxugo o suor da testa com o dorso do braço e levo a garrafa aos lábios, conseguindo tomar umas quatro gotas antes de ela acabar. Já bebi uma garrafa inteira por causa do calor de Newcastle. Eu me repreendo silenciosamente por ter decidido não ir correr pela manhã. Sou a maior molenga no calor.Temendo ficar desidratada, decido voltar para casa andando, e não correndo. Acho que me forçar e chegar ao ponto da exaustão física não deixaria Karen muito contente. Só por eu correr sozinha já a deixo nervosa.

Começo a andar quando ouço uma voz familiar atrás de mim.

— Oi, você.

Como se meu coração não estivesse acelerado o suficiente, me viro devagar e vejo Perrie me encarando, sorrindo. Seu cabelo está molhado de suor, e é óbvio que ela também estava correndo. Pisco duas vezes, quase acreditando que é uma miragem causada pelo cansaço. O instinto está me dizendo para gritar e sair correndo, mas meu corpo quer se jogar nos braços brilhantes e suados da garota. Meu corpo é um maldito traidor. Por sorte, ainda não me recuperei do trecho que acabei de correr, então ela não vai perceber que minha respiração está inconstante porque a estou vendo de novo.

— Oi — digo ofegante.

Faço meu melhor para continuar olhando para seu rosto, mas não consigo evitar que meus olhos se dirijam para abaixo de seu pescoço. Por isso, passo a observar somente meus próprios pés para evitar o fato de que ela está de shorts de corrida minúsculos. A maneira como as coxas dela ficam maravilhosas à mostra é razão suficiente para eu perdoar todas as coisas negativas que descobri sobre ela. Desde que me lembro, nunca fui o tipo de garota que fica toda encantada por alguém devido à sua aparência. Estou me sentindo superficial. Ridícula. Babaca, até. E um pouco irritada comigo mesma por deixar ela me afetar assim.

— Você corre? — pergunta ela, apoiando o cotovelo na caixa de correio.

Faço que sim com a cabeça.

— Costumo correr de manhã. Não lembrava como era quente à tarde. — Tento olhar de volta para ela, levando a mão até os olhos para protegê-los do sol que brilha em cima de sua cabeça como se fosse uma auréola. Que irônico.

Ela estende o braço, e eu me contorço antes de perceber que está apenas me entregando sua garrafa de água. A maneira como ela está pressionando os lábios,segurando-se para não sorrir, deixa na cara que notou o quanto estou nervosa por estar perto dela.

— Beba isso. — Ela inclina a garrafa pela metade para mim.

 — Você parece exausta.

Normalmente eu não aceitaria água de estranhos. Muito menos de pessoas que sei que são sinônimo de encrenca, mas estou com sede. Com tanta sede. Pego a garrafa de suas mãos e inclino a cabeça para trás, dando três goles enormes. Estou morrendo de vontade de tomar o resto, mas não posso deixá-la sem nada.

— Obrigada — digo, devolvendo a garrafa. Limpo a boca com a mão e olho para a calçada atrás de mim.

 — Bem, tenho mais dois quilômetros e meio de volta, então é melhor eu ir.

— Está mais para quatro quilômetros — diz ela, olhando para minha barriga.

Ela pressiona a boca na garrafa sem limpar a beirada, mantendo os olhos fixos em mim enquanto inclina a cabeça para trás e toma o resto da água. Não consigo deixar de ficar observando seus lábios cobrirem o gargalo da garrafa onde os meus acabaram de encostar. Estamos praticamente nos beijando. Balanço a cabeça.

— Hã? — Não sei se ela falou algo em voz alta ou não. Estou mais concentrada no suor pingando no vale dos seus seios.

— Eu disse que está mais para quatro quilômetros. Você mora na Conroe, que fica a quase quatro quilômetros daqui. São quase oito quilômetros, ida e volta — diz ela, como se estivesse impressionada.

Lanço um olhar curioso para ela. — Sabe em que rua eu moro?

— Sei.

Ela não entra em detalhes. Fico o encarando, em silêncio, esperando alguma explicação. Perrie percebe que não estou satisfeita com o “sei” e suspira.

— Jade Amelia Daves, nascida em 28 de setembro. Conroe Street, 1455. 1,60m. Doadora.

Dou um passo para trás, subitamente vendo meu assassinato próximo se desenrolando pelas mãos da minha linda perseguidora. Será que eu devia parar de proteger minha visão do sol para poder observá-la melhor caso eu consiga fugir? Talvez precise descrevê-la para um desenhista na polícia.

— Sua identidade — explica ela ao ver a mistura de terror e confusão no meu rosto. — Você me mostrou sua identidade mais cedo. No mercado.

Por alguma razão, essa justificativa não diminui minha apreensão.

— Você a olhou por dois segundos.
Ela dá de ombros.

— Tenho boa memória.

— E persegue as pessoas — digo inexpressivamente.

Ela ri.

— Eu persigo? É você que está na frente da minha casa. — E aponta por cima do ombro para a casa atrás dela.

Aquela casa é dela? Qual a probabilidade de isso acontecer? Ela endireita a postura e tamborila os dedos nas letras na frente da caixa de correio. Família Edwards .

Sinto o sangue fluindo para as bochechas, mas isso não importa. Depois de uma corrida no meio da tarde, no calor de Newcastle e com pouca água, tenho certeza de que meu corpo inteiro está vermelho. Tento não olhar novamente para a casa dela, mas curiosidade é meu fraco. É uma casa simples, não muito chamativa. Combina com a vizinhança de classe média. Assim como o carro na entrada da garagem. Será que é o carro dela ? Pela conversa com a fulana de tal do mercado, dá para deduzir que ela é da minha idade, então deve morar com os pais. Mas como é que eu nunca a tinha visto antes? Como é que eu não sabia que morava a menos de 5 quilômetros da única pessoa do planeta que consegue me provocar ondas de calor e frustração?

Limpo a garganta.

— Bem, obrigada pela água. — Não tem nada que eu queira mais no mundo que fugir desse constrangimento. Aceno brevemente e começo a correr.

— Espere aí — grita ela atrás de mim. Não desacelero, então ela passa por mim e se vira, correndo para trás contra o sol.

— Deixe eu encher sua garrafa. — Ela estende o braço e pega a garrafa de minha mão esquerda, encostando sua mão em minha barriga. Congelo mais uma vez.

 — Já volto — diz ela, correndo para dentro de casa.

Estou perplexa. Que ato de bondade mais contraditório. Será que é mais um efeito do transtorno de múltiplas personalidades? É provável que ela seja uma mutante, como o Hulk. Ou como em O médico e o monstro.

Fico um pouco constrangida de esperar, então volto para perto da casa dela, parando às vezes para olhar o caminho que vai dar na minha. Não faço ideia do que fazer. Sinto que qualquer decisão que eu tomar a essa altura vai para o lado da balança que mede as burrices. Será que devo ficar? Será que devo correr? Será que devo me esconder nos arbustos antes que ela volte com algemas e uma faca?

Antes que eu tenha a oportunidade de sair correndo, a porta da casa se escancara, e ela aparece com a garrafa cheia. Dessa vez o sol está atrás de mim, por isso não tenho tanta dificuldade em enxergá-la. O que também não é uma coisa boa, pois tudo o que quero fazer é ficar encarando a garota.

Argh! Odeio muito a luxúria. O-dei-o.

Cada célula sabe que ela não é uma boa pessoa, mas meu corpo parece não dar a mínima para isso. Ela me entrega a garrafa, e, na mesma hora, tomo mais um gole. Já odeio o calor naturalmente, mas, combinado a Perrie Edwards, parece que estou nas profundezas do Inferno.

— Então… mais cedo… no mercado… — diz ela, fazendo uma pausa nervosa.

 — Se a deixei constrangida, peço desculpas.

Meus pulmões estão implorando por ar, mas, de alguma maneira, consigo dar um jeito de responder:

— Você não me deixou constrangida. Você meio que me deixou apavorada.

Perrie estreita os olhos para mim por alguns segundos, me observando. Hoje descobri que não gosto de ser observada… prefiro não ser percebida.

— Também não estava tentando dar em cima de você

 — afirma ela. — Só achei que fosse outra pessoa.

— Está tudo bem. — Forço um sorriso, mas não está tudo bem. Por que de repente estou sendo consumida pelo desapontamento de ela não ter tentado dar em cima de mim? Devia estar contente.

— O que não quer dizer que eu não daria em cima de você —acrescenta ela sorrindo. — Só não estava fazendo isso naquele momento.

Ah, obrigada, meu Deus. O esclarecimento me faz sorrir, apesar de todos os meus esforços em contrário.

— Quer que eu corra com você? — pergunta ela, apontando com a cabeça em direção à calçada atrás de mim.

Sim, por favor.

— Não, está tudo bem.

Ela balança a cabeça.

— Bem, eu estava indo naquela direção de qualquer jeito. Corro duas vezes ao dia e ainda tenho alguns… — Ela para de falar no meio da frase e dá um passo para perto de mim rapidamente. Em seguida, segura meu queixo e inclina minha cabeça para trás.

 — Quem fez isso com você? — A mesma frieza que vi em seus olhos no mercado reaparece.

— Seu olho não estava assim mais cedo.

Afasto meu queixo e rio.

— Foi um acidente. Jamais interrompa o cochilo de uma garota.

Ela não sorri. Em vez disso, se aproxima mais, me observa atentamente e passa o dedão embaixo do meu olho.

— Você contaria para alguém, não é? Se fizessem isso com você?

Quero responder. Quero mesmo. Mas não consigo. Ela está tocando meu rosto. Sua mão macia está na minha bochecha. Não consigo pensar, não consigo falar, não consigo respirar. A intensidade proveniente de toda sua existência suga o ar dos meus pulmões e a força dos meus joelhos. Balanço a cabeça de maneira não muito convincente. Ela franze a testa e afasta a mão.

— Vou correr com você — afirma ela, pondo as mãos nos meus ombros e me virando na direção oposta para me dar um leve empurrão. Ela entra no mesmo ritmo que eu, e passamos a correr em silêncio.

Quero conversar com ela. Quero perguntar sobre o ano que passou na prisão, por que desistiu do colégio, o porquê daquela tatuagem… mas tenho medo das respostas.

Sem falar que estou completamente sem fôlego. Em vez disso, corremos em total silêncio até chegarmos a minha casa.

Ao nos aproximarmos da entrada, começamos a andar. Não faço ideia de como terminar isso. Ninguém jamais corre comigo, então não sei o que manda a etiqueta quando dois corredores se despedem. Eu me viro e dou um breve aceno para ela.

— Então até qualquer hora?

 — Com certeza — diz ela, me encarando.

Sorrio constrangida e me viro. Com certeza?

Fico pensando nisso enquanto cruzo a entrada. O que ela quis dizer com isso? Nem tentou pegar o número do meu telefone, apesar de não saber que não tenho um. Não perguntou se eu queria correr com ela de novo. Mas disse com certeza como se tivesse absoluta certeza, e eu meio que espero que isso seja mesmo verdade.

— Jade, espere. — A maneira como sua voz pronuncia meu nome me faz desejar que a única palavra de todo seu vocabulário fosse Jade. Eu me viro, rezando para que ela não mande mais uma daquelas cantadas bregas. Porque agora eu totalmente cairia.

— Pode me fazer um favor?

 Qualquer coisa. Faço qualquer coisa que me pedir enquanto estiver nesses shorts

 — Sim?

Ela joga sua garrafa de água para mim. Eu a pego e olho para a garrafa vazia, sentindo-me culpada por não ter me oferecido para enchê-la. Balanço-a no ar e faço que sim com a cabeça, em seguida subo os degraus correndo e entro em casa. Karen está enchendo o lava-louça quando irrompo na cozinha. Assim que a porta da frente se fecha atrás de mim, arfo para poder dar aos meus pulmões o ar pelo qual estavam implorando.

— Meu Deus, Jade. Parece até que vai desmaiar. Sente-se. — Ela pega a garrafa das minhas mãos e me obriga a sentar. Deixo que ela a encha enquanto inspiro pelo nariz e expiro pela boca. Ela se vira, entrega-a para mim, e fecho a tampa. Em seguida, me levanto e corro lá para fora até Perrie.

— Obrigado — diz ela. Fico parada, observando-a pressionar aqueles mesmos lábios carnudos na boca da garrafa.

Estamos praticamente nos beijando de novo. Não consigo distinguir o efeito da minha corrida de quase 8 quilômetros do efeito que Perrie provoca em mim. As duas coisas fazem com que me sinta prestes a desmaiar por falta de oxigênio. Ela fecha a tampa da garrafa, e seus olhos azuis percorrem meu corpo, parando por tempo demais em minha barriga à mostra antes de me olhar nos olhos.

— Você faz atletismo?

Cubro a barriga com o braço esquerdo e ponho as mãos na cintura.

— Não. Mas estou pensando em tentar entrar para a equipe.

— Devia mesmo. Mal consegue respirar e mesmo assim acabou de correr quase oito quilômetros — diz ela. — Você está no último ano?

Ela não faz ideia do esforço que estou precisando fazer para não desabar na calçada e ficar chiando por falta de ar. Jamais corri tanto de uma só vez e estou usando todas as minhas forças para aparentar que isso não foi nada de mais. Pelo jeito está dando certo.

— Já devia saber que estou no último ano, não? Suas habilidades de perseguidora estão deixando a desejar.

Quando o sorriso dela reaparece, fico com vontade de cumprimentar a mim mesma.

— Bem, é meio difícil perseguir você — diz ela. — Não a encontrei nem no Facebook.

Ela acabou de admitir que me procurou no Facebook. Eu a conheci há menos de duas horas, então o fato de ela ter ido direto para casa e me procurado no Facebook me deixa um pouco lisonjeada. Um sorriso involuntário surge no meu rosto, e fico com vontade de esmurrar esse ridículo arremedo de garota que tomou conta do meu ser normalmente indiferente.

— Não estou no Facebook. Não uso internet — explico.

Perrie lança um olhar para mim e abre um sorriso sarcástico, como se não estivesse acreditando em nada disso. Ela afasta o cabelo da testa.

— E seu celular? Não dá para usar internet no celular?

— Não tenho celular. Minha mãe não é fã dessas novas tecnologias. Também não tenho televisão.

— Caraca. — Ela ri. — Está falando sério? O que faz para se divertir?

Sorrio para ela e dou de ombros.

— Eu corro.

Perrie me observa mais uma vez, focando a atenção por um breve instante na minha barriga. Vou repensar essa história de sair de top de ginástica.

— Bem, então por acaso você não saberia o horário em que uma certa pessoa se levanta para correr de manhã, saberia? — Ela me olha, e não consigo ver de jeito nenhum a pessoa que Jesy descreveu para mim. A única coisa que vejo é uma garota flertando com uma menina, o olhar um pouco nervoso e cativante.

— Não sei se você ia gostar de acordar tão cedo — digo. A maneira como ela está me olhando e o calor fazem minha vista se embaçar de repente, então respiro fundo, com o intuito de aparentar qualquer coisa diferente de exaustão e agitação.

Ela inclina a cabeça para perto da minha e estreita os olhos.

— Você não tem ideia do quanto eu quero acordar tão cedo assim. — Ela abre aquele sorriso deslumbrante, e eu desmaio.

 


Notas Finais


wow, Perrie Edwards fazendo as pessoas desmaiarem.
Até o próximo. <3


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