História Hopeless - Capítulo 23


Escrita por: ~

Postado
Categorias The 100
Personagens Bellamy Blake, Clarke Griffin, Costia, Lexa, Octavia Blake, Raven Reyes
Tags Clexa, The 100
Exibições 329
Palavras 8.138
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hei pessoal, tinha um erro no começo da fanfic a data certa seria 28 de outubro arrumei agora kkk.
bom aqui vai um capitulo, não revisei porque ta grandinho... e ta muito bom...
Boa leitura
ta meio bosta a escrita porque tive que fazer no Wordpad acho o nome nao sei kk

Capítulo 23 - Capítulo XXII



treze anos antes

 

Estou suando esta quente debaixo das cobertas, mas nao quero tira-las de cima da cabeça. Sei que se a porta se abrir, não vai fazer diferenã se estou ou não embaixo das cobertas, mas me sinto mais segura assim. Ponho os dedos para fora e levanto a parte da coberta que esta na frente dos meus olhos. olho para a maçaneta como faço todas as  noites.
Não gire. Não gire. Por favor, não gire.
Meu quarto é sempre muito silencioso, e odeio isso. Ás vezes, ouço coisas, acho que é a maçaneta girando, e meu coração começa a bater bem forte e bem rapido. Agora, só de olhar para a maçaneta, meu coração já está batendo bem forte e bem rapido, mas não consigo desviar o olhar. Não quero que ela gire. Não quero que a porta abra, não quero.
Esta tudo tão quieto.
Tão quieto.
A maçaneta não gira.
Meu coração para de bater tão rapido porque a maçaneta nunca gira.
Meus olhos ficam bem pesados, e finalmente os fecho.
Estou tão feliz por essa não ser uma das noites em que a maçaneta gira.
Esta tudo tão quieto.
Tão quieto.
E, de repente, não está mais, pois a maçaneta gira.








Sabado, 27 de outubro de 2012
Algum momento no meio da madrugada

 

- Eliza.
Estou me sentido tão pesada. Tudo está tão pesado. Não gosto dessa sensação. Não tenho nada físico em cima do meu peito, mas isnto uma pressão diferente que nunca senti antes. E uma tristeza. Uma tristeza avassaladora está me consumindo, e não faço ideia do motivo. Meus ombros tremem e ouço soluços vindo de algum lugar do quarto. Quem está chorando?
Sou eu que estou chorando?
- Eliza, acorde.
Sinto seu braço ao meu redor. Ela está pressionando a bochecha na minha e está atrás de mim, apertando firme meu peito. Seguro seu pulso e afasto seu braço de cima de mim. Eu me sento na cama e dou uma olhada ao redor. Lá fora está escuro. Não entendo. Estou chorando.
Ela se senta ao meu lado e me vira para ela, passaando os dedos pelos meus olhos.
- Você está me assustando, linda. - Ela está olhando para mim, preocupada.
Aperto os olhos e tento recuperar o controle, pois não faço ideia do que está acontecendo e não consigo respirar. Consigo me escutar chorando, mas não sou capaz de inspirar por causa disso.
Olho para o relógio na cabeceira, que marca três horas da manhã. As coisas começam a ganhar foco, mas... por que estou chorando?
- Por que está chorando? - pergunta Lexa. Ela me puxa para perto, e eu a deixo fazer isso. eu me sinto segura com ela. Eu me sinto em casa quando estamos abraçadas. Ela me abraça e massageia minhas costas, beijando a minha têmpora de vez em quanto. Fica repetindo o tempo inteiro: - Não se preocupe. - E me abraça pelo que aparece uma eternidade.
Aos poucos, o peso vai saindo do meu peito, a tristeza se dissipa, e, após um tempo, não estou mais chorando.
Porém, estou assustada, pois é a primeira vez que algo assim acontece comigo. Nunca na minha vida senti uma tristeza tão insuportável, então como é que consegui sentir isso de forma tão real num sonho?
- Você está bem? - sussura ela.
Faço que sim apoiada no seu peito.
- O que aconteceu?
Balanço a cabeça.
- Não sei. Acho que tive um pesadelo.
- Quer conversar sobre isso? - Ela acaricia meu cabelo com as mãos.
Nego com um gesto.
- Não. Não quero lembrar.
Ela me abraça por um bom tempo e beija minha testa.
- Não quero deixa-la sozinha, mas preciso ir embora. Não quero criar problemas para você.
Concordo com a cabeça, mas não a solto. Sinto vontade de implorar para ela não me deixar sozinha, mas não quero parecer desesperada e apavorada. As pessoas têm pesadelos o tempo inteiro; não sei por que estou reagindo assim.
- Volte a dormir, Eliza. Está tudo bem, foi só um pesadelo.
Eu me deito novamente e fecho os olhos. Sinto seus lábios tocarem minha testa, e depois ela vai embora.




Sábado, 27 de outubro de 2012
20h20

 

Abraço Murphy e Monty no estacionamento da galeria. A exposição acaboum e Lexa e eu vamos voltar para a cada dela. Seu que devia estar nervosa pelo que pode acontecer entre nós, mas não estou nem um pouco. Com ela, tudo parece certo. Bem, tudo menos a frase que fica se repetindo na minha cabeça.
Amo você, Clarke.
Quero perguntar o que foi isso, mas não consigo encontrar o momento adequado. Claro que não dava para mencionar o assunto durante a exposição. Agora parece ser uma boa hora, mas toda vez que abro a boca acabo fechando-a logo em seguida. Acho que tenho mais medo de saber quem ela é e qual sua importância na vida dela do que de criar coragem para falar sobre isso. quanto mais adio. mais tempo tenho antes de ser obrigada a descobrir a verdade.
- Quer parar para comer alguma coisa? - pergunta ela, saindo do estacionamento.
- Quero - digo depressa, aliviada por ela ter interrompido meus pensamentos. - Um cheeseburger parece ótimo. E fritas com queijo. E queto também um milk-shake de chocolate.
Ela ri e segura minha mão.
- Não esta sendo um pouco exigente, princesa?
Solto sua mão e me viro para ela.
- Não me chame assim - exclamo.
Ela olha para mim e é mais do que provavél qye esteja conseguindo ver a raiva no meu rosto, mesmo no escuro.
- Ei - diz ela para me acalmar, segurando minha mão de novo. - Não a acho exigente, Eliza. Foi uma piada.
Balanço minha cabeça.
- Exigente, não. Não me chame de princesa. Odeio essa palavra.
Ela me lança um olhar de soslaio e volta a prestar atenção na rua.
- Tudo bem.
Fico olhando para a janela, tentando tirar a palavra da cabeça. Não sei porque odeio tanto apelidos, só sei que é assim. E sei que minha reação agora foi exagerada, mas ela não pode me chamar disso nunca mais. Também não deve me chamar pelo nome de nenhuma ex namorada. Ela devia me chamar somente de Eliza... É bem mais seguro.
Dirigimos em silêncio, e fico cada vez mais arrependida por ter agido daquela forma. Acho até que devia estar mais chateada por ela ter me chamado do nome de outra garota do que de princesa. É quase como se eu estivesse depositando minha raiva em outra coisa por ter muito medo de mencionar o que realmente está me incomodando. Para ser sincera, tudo que quero hoje é uma noite sem drama algum. Vou ter tempo de sobra para perguntar sobre Clarke algum outra dia.
- Desculpe-me, Lexa.
Ela aperta minha mão e a põe no colo, sem dizer mais nada.
Quando chegamos na entrada da casa dela, saio do carro. Não paramos para comer, mas nem estou a fim de mencionar isso agora. Ela me encontra perto da porta do carona, me abraça e eu retribuo. Ela anda comigo até eu me encostar no carro, e pressiono a cabeça em seu ombro, inspirando seu cheiro. O constrangimento do caminho até aqui ainda está entre nós, então tento relaxar meu corpo encostando no dela para que saiba que não estou mais pensando naquilo. Ela está passando os dedos nos meus braços delicadamente, me deixando toda arrepiada.
- Posso perguntar uma coisa? - diz ela.
- Sempre.
Ela suspira, afasta-se e olha para mim.
- Eu a assustei demais na segunda? No meu carro? Pois, se assustei, peço desculpas. Não sei o que aconteceu comigo. Não sou uma mariquinha, juro.  Não choro desde que O. morreu, e nunca queria ter feito isso na sua frente.
Inclino a cabeça no peito dela e a abraço com mais força.
- Sabe ontem á noite, quando acordei com o pesadelo?
- Sei.
- Foi a segunda vez que chorei desde que tinha 5 anos. A única outra vez foi quando você me contou o que aconteceu com sua irmã. Chorei enquanto estava no banheiro. Foi só uma lágrima, mas já conta. Vai ver que quando estamos juntas nossas emoções ficam um pouco avassaladoras demais e nós duas viramos mariquinhas.
Ela ri e beija o topo da minha cabeça.
- Tenho a impressão de que em breve vou parar de gamar você. - Ela me dá outro beijo rapido e pega minha mão. - Está pronta para o grande tour?
Sigo ela até a casa, mas não consigo parar de pensar que ela acabou de me dizer que em breve vai parar de me gamar. Se parar de me gamar, significa que vai começar a me amar. Ela acabou de confessar que está se apaixonando por mim sem dizer isso com todas as palavras. E o mais chocante nessa confissão é que eu a adorei.
Entramos na casa, que não é nada como eu imaginava. Não parece muito grande de fora, mas tem um vestibulo. Casas normais não tem vestibulos. A direita, uma arcada leva a sala de estar. Todas as paredes estão cobertas de livros e nada mais, e sinto como se eu tivesse morrido e ido para o céu.
- Uau - digo, olhando para as estantes da sala. Os livros estão agrupados em prateleiras do chão ao teto, em cada uma das paredes.
- Pois é - diz ela. - Minha mão ficou furiosa quando inventaram o e-reader.
Eu rio.
- Acho que já estou gostando da sua mãe. Quando vou poder conhece-la?
Ela balança a cabeça.
- Não apresento garotas a minha mãe. - A voz dela está tão inexpressiva quanto suas palavras, e, assim que acaba de falar, ela percebe que acabou me magoando. - Não, não. Não é isso que eu quis dizer. Não estou dizendo que você é como as outras garotas que namorei. Eu me expressei errado.
Tudo bem, mas estamos namorando há um certo tempo e, ainda assim, ela não está convencida de que o que temos é real o bastante para me apresentar a mãe? Será que vai mesmo chegar o dia em que isso entre nós vai ser real o bastante para que me apresente a mãe?
- Clarke a conheceu? - Sei que não devia ter dito isso, mas não consegui mais me segurar. Especialmente agora, quando o escutei falar sobre "outras garotas". Não sou maluca; sei do que ela namorou outras pessoas antes de me conhecer. Só não gosto de ouvi-la falando sobre isso. Muito menos que me chame pelo nome de alguma delas.
- O que? - pergunta ela, abaixando as mãos. Está se afastando de mim. - Por que disso isso? - Ela está ficando palida, e me arrependo imediatamente do que disse.
- Deixe para lá. Não é nada. Não preciso conhecer sua mãe. - Só quero que acabe logo. Sabia que não ia estar muito a fim de conversar sobre isso hoje. Quero voltar ao tuor da casa e esquecer que essa conversa aconteceu.
- Por que disse isso, Eliza? Por que disse esse nome?
Balanço a cabeça.
- Não é nada de mais. Você estava bebada.
Ela estreita os olhos para mim, e fica claro que não vou ter como escapar dessa conversa. Suspiro e cedo relutante, limpando a garganta antes de falar.
- Ontem a noite, quando você estava pegando no sono... disse que me amava. Mas me chamou de Clarke, então não era comigo que estava falando de verde. Você tinha bebido e estava meio que adormecida, então não preciso de uma explicação. Não sei nem se realmente quero saber porque disse aquilo.
Ela leva as mãos até o cabelo e geme.
- Eliza. - Ela se aproxima de mim, me abraçando. - Desculpe-me, de verdade. Deve ter sido algum sonho idiota. Eu nem conheço ninguem que se chame assim e, com certeza, nunca tive uma ex-namorada com esse nome, se é isso que estava pensando. Desculpe por isso ter acontecido. Nunca devia ter ido bebada para sua casa. - Ela olha para mim, e, por mais que meus instintos digam que está mentindo, seus olhos parecem totalmente sinceros. - Precisa acreditar em mim. Vou ficar arrasada se você pensar por um segundo sequer que sinto alguma coisa por outra pessoa. Nunca senti isso por ninguém.
Todas as palavras que saem de sua boca estão cheias de sinceridade e honestidade. Considerando que nem lembro por que acordei chorando, é possivel que o que ela falou dormindo tenha sido causado por um sonho aleatorio. E escutar tudo o que acabou de dizer mostra o quanto as coisas estão ficando sérias entre nós.
Olho para ela, tentando preparar alguma especia de resposta para tudo o que confessou. Separo os lábios e epsero as palavras sairem, mas isso não acontece. De repente sou eu que preciso de mais tempo para processar meus pensamentos.
Ela está com as mãos no meu rosto, esperando que eu interrompa o silêncio entre nós. A proximidade de nossas bocas sabota sua paciência. 
- Preciso dar um beijo em você - diz ela como se pedisse desculpas, puxando meu rosto para perto.
Ainda estamos no vestibulo, mas ela me ergue sem esforço algum e me põe na escada que vai dar nos quartos do primeiro andar. Eu me inclino para trás, ela volta a tocar meus labios com os seus e põe as mãos nos degraus de madeira ao lado da minha cabeça.
Devido á nossa posição, ela é obrigada a abaixar o joelho entre minhas coxas. Não é nada de mais, a não ser que se leve em consideração o vestido que estou usando. seria muito fácil ela me ter bem aqui na escada, mas espero que a gente pelo menos chegue ao seu quarto primeiro, antes que ela comece a tentar. Eu me pergunto se ela está esperando mesmo alguma coisa, especialmente depois da mensagem que enviei por acidente. Eu me pergunta se sabe que sou virgem. Será que devia contar? Acho que sim. Mas é provavelm que ja tenha percebido.
- Sou virgem - digo sem pensar, encotada em sua boca. Imediatamente me pergunto o que diabos estou fazendo ao falar isso em voz alta bem agora. Não devia ter permissão de falar nunca mais na vida. Alguém debia me privar da voz, porque é óbvio que não sei controlá-la quando minha defesa sexual está inativa.
Na mesma hora, ela para de me beijar e afasta o rosto lentamente, olhando nos meus olhos.
- Eliza - começa ela, sendo direta. - Estou beijando você porque, as vezes, não consigo não beija-la. Você sabe o quanto sua boca mexe comigo. Não estou esperando nada além disso, ok? Enquanto puder beija-la, as outras coisas podem esperar. - Ela põe meu cabelo atrás das orelhas e olha para mim com sinceridade.
- Só achei que você deveria saber. Acho que devia ter escolhido um momento melhor para contar isso, mas, as vezes, simplesmente falo as coisas sem pensar. É um hábito péssimo e que eu odeio porque costuma surgir nos momentos mais inoportunos e é sempre vergonhoso. Como agora.
Ela ri e balança a cabeça.
- Não, não pare de fazer isso. Adoro quando você fala as coisas sem pensar. E também quando solta tiradas longas, e nervosas e ridiculas. É meio sensual.
Eu coro. Ser chamada de sensual é mesmo... sensual.
- Sabe o que é mais sensual? - pergunta ela, inclinando-se para perto de mim mais um vez.
O jeito brincalhão em sua expressão faaz minha vergonha desaparecer.
- O que?
Ela sorri.
- A gente tentar nao se agarrar enquanto vemos um filme. - Ela se levanta, me ajuda a me levantar e me leva até o quarto la em cima.
Ela abre a porta e entra primeiro. Depois se vira e pede para eu fechar os olhos. Em vez disso, eu os viro.
- Não gosto de surpresas.
- Você também não gosta de presentes e de certos termos comuns que só demonstram carinho. Estou aprendendo. Mas queria lhe mostrar uma coisa legal... não é nenhum presente. Então de um jeito e feche os olhos.
Obedeço, e ela me puxa para dentro do quarto. Já estou adorando esse lugar porque tem o mesmo cheiro dela. Lexa me acompanha por alguns passos  e põe as mãos nos meus ombros.
- Sente-se - diz ela, empurrando-me para baixo. Eu me sento no que parece ser uma cama, mas de repente estou deitada e ela esta levantando meus pés. - Continue de olhos fechados.
Sinto-o colocar meus pés na cama e me encostar num travesseiro. Sua mão segura a bainha do meu vestido, e ela o puxa para baixa, garantndo que vai ficar no lugar.
- Tenho que deixar você coberta. Não pode ficar me mostrando a coxa quando esta deitada assim.
Eu rio, mas continuo de olhos fechados. De repente, ela começa a gatinhar do meu lado, tomando cuidado para não me dar uma joelhada. Sinto-a se acomodar ao meu lado no travesseiro.
- Pronto. Abra os olhos e prepare-se para ficar impressionada. 
Estou com medo. Lentamente, abro os olhos. Hesito em adivinhar o que estou vendo, pois quase acho que é uma televisão. Mas normalmente as televisões não ocupam 2 metros da parede. Essa coisa é gigantesca. Ela aponta o controle remoto, e a tela se acende.
- Uau - digo, impressionada. - Mas que coisa enorme.
- É o que todas dizem.
Dou-lhe uma cotovelada na lateral do corpo, fazendo-a rir.
Ela aponta o controle para a tela.
- Qual seu filme preferido de todos? Tenho Netflix.
Inclino a cabeça em sua direção.
- Net o que?
Ela ri e balança a cabeça, desapontada.
- Sempre esqueço que voce tem deficiências tecnologicas. É parecido com um e-reader, mas com filmes e programas de televisão em vez de livros. Dá para assistir praticamente qualquer coisa, é só apertar os botões.
- Tem comercial?
- Não - diz ela orgulhosa. - Então, o que vai ser?
- Você tem O panaca? Adoro esse filme.
Ela põe o braço em cima do peito, aperta o botão no controle e delisga a televisão. Ela fica em silencio por varios longos segundos e depois suspira energicamente. Se vira para o lado, deixa o controle na mesinha de cabeceira e rola, ficando de frente para mim. - Não quero mais ver televisão.
Ela esta fazendo bico? O que foi que eu disse de errado?
- Tudo bem. Não precisamos ver O panaca. Pode escolher outra coisa, bebezão. - Eu rio.
Ela fica um tempo sem responder e continua me encarando sem expressão. Depois levanta a mão, passando-a por minha barriga e cercando minha cintura. Em seguida, me segura com força e me puxa para ela.
- Sabe - diz ela, estreitando os olhos enquanto eles percorrem meu corpo meticulosamente. Lexa contorna a estampa do meu vestido com o dedo, alisando com delicadeza minha barriga. - Posso lidar com o que esse vestido provaca em mim. - Olha da minha barriga até minha boca. - Posso lidar até com ter de olhar para seus labios o tempo inteiro, mesm oquando não posso beija-los. Consigo lidar com o som da sua risada e com o quanto ela me da vontade de cobrir sua boca com a minha e inspirar tudo.
Sua boca está se proximando da minha, e a maneira como baixou o tom de voz, ficando numa espécie de oitava lirica e divina faz meu coração martelar dentro do peito. Ela leva os labios até minha bochecha e a beija de leve, o halito quente colidindo com a minha pele quando ela fala:
- Sei lidar até com as milhões de vezes em que relembrei nosso primeiro beijo nesse ultimo mes. Como você se sentiu. Como foi escutar você. Como me olhou logo antes de meus lábios encostarem nos seus.
Ela rola em cima de mim e põe os braços acima da minha cabeça, segurando-os com as mãos. Estou prestando atenção em cada palavra que diz, sem querer perder um unico segundo do que quer que esteja fazendo agora. Ela se senta em cima da minha cintura, apoiando-se nos joelhos.
- Mas sabe o com não sei lidar, Eliza? Sabe o que me deixa louca e me da vontade de colocar as mãos e a boca em todos os centimentros do seu corpo? Você ter acabado de dizer que O panaca é seu filme preferidos de todos. Isso? - Ela leva a boca até a minha, e nossos labios se tocam. - Isso sim é incrivelmente sensual, e tenho certeza de que a gente precisa se agarrar agora.
Seu jeito brincalhão me faz rir, e sussuro de forma sedutora contra seus labios.
- Ele odeia essas latas.
Ela geme, me beija e depois se afasta.
- De novo. Por favor. Ouvir você falar frases de filmes é tão mais sensual que beija-la.
Eu rio e falo outra frase.
- Fique longe das latas!
Ela geme no meu ouvido de uma maneira brincalhona.
- Essa é minha garota. Mais uma vez. Outra frase.
- É tudo de que preciso - digo brincando - o cinzeiro, a raquete e o controle remoto e o abajur... e é tudo de que preciso. Não preciso de nenhuma outra coisa, nenhuma.
Agora ela está rindo em voz alta. Raven e eu vimos esse filme inumeras vezes, então ela vai ficar surpresa quando descobrir que sei varias outras frases.
- É tudo de que precisa? - diz ela espirituosamente - tem certeza, Eliza? - A voz dela está calma e sedutora, e, se eu estivesse em pé, com certeza minha calcinha estaria no chão.
Balanço a cabeça, e meu sorriso desaparece.
- E você - sussuro. - Preciso do abajur, do cinzeiro, da raquete, do controle remoto... e de você. É tudo de que preciso.
Ela ri, mas sua risada some assim que olha pra minha boca mais uma vez. Ela a fica observando, mais do que provavelmente planejando o que vai fazer com ela pela proxima hora.
- Preciso beija-la agora. - Sua boca colide com a minha, e, nesse momento, ela é mesmo tudo de que preciso.
Ela esta de quatro, beijando-me com intensidade, mas preciso que fique em cima de mim. MInhas mãos ainda estão acima da cabeça, e minha boca não consegue formar palavras quando esta sendo provocada assim. A unica coisa que consigo fazer é erguer o pé e chutar seu joelho para que ela caia em cima de mim, então é o que faço.
No instante em que sinto seu corpo no meu, solto o ar. Fazendo barulho. Não tinha considerado que, ao levantar a perna, a bainha do meu vestido subiria. Bastante. Isso somando ao tecido aspero da calça jeans fariam qualquer um arfar.
- Puta merda, Eliza - diz ela entre os instante sem ar em que exatasia minha boca com a dela. Já esta sem folego, e não estamos fazendo isso há mais de um minuto. - Nossa, como é incrivel sentir você. Obrigada por usar esse vestido. - Ela está me beijando, murmurando esporadicamente dentro de minha boca. - Eu gosto... - Ela beija minha boca e baixa os labios para meu queixo até chegar no meio do meu pescoço. - Gosto mesmo dele. Do vestido.
Está tao ofegante que mal consigo entender seus sussuros. Ela desce um pouco mais na cama para que seus labios fiquem na altura do meu pescoço. Inclino a cabeça para trás para dar-lhe acesso total, pois agora seus labios são muito bem-vindos em qualquer parte do meu corpo. Ela solta minhas mãos para poder levar a boca mais para perto do meu peito. Uma de suas mãos chega até minha coxa, mas ela sobe com ela devagar, afastando o que restou do meu vestido de cima das minhas pernas. Ao alcançar o topo da minha coxa, sua mão para, e ela aperta forte, como se estivesse obrigando seus proprios dedos a não irem mais além.
Contorço o corpo debaixo dela, esperando que entenda a indireta de que sua mão pode ir aonde quiser. Não quero que duvide do que está fazendo nem que pense que estou relutando em seguir em frente, nem por um segundo. Só quero que faça o que quiser, pois preciso que continue. Preciso que conquiste quantas primeiras vezes puder hoje, pois, de repente, estou me sentindo gananciosa e quero que passemos por todas elas.
Lexa entende minhas indiretas fisicas e aproxima a mão da parte interna da minha coxa. Só a expectativa de ela encostar em mim faz todos os meus musculos abaixo da cintura se contorcerem. Seus labios finalmente descem da base do meu pescoço e chegam ao meu peito. Sinto que seu próximo passo vai ser remover meu vestido de uma vez para poder tocar o que esta embaixo do tecido, mas, para isso, ela precisaria usar a outra mão, e estou gostando muito do lugar onde ela esta agora. Preferiria se ela estivesse alguns centimetros além, mas não quero de jeito algum que ela se afaste.
Levo as mãos até seu rosto e a obrigo a me beijar com mais forçar, em seguida toco suas costas.
Ela ainda esta de camisa.
Isso não é nada bom.
Ponho a mão na barriga dela e puxo a camisa por cima de sua cabeça, percebo que embaixo de  seu top os bicos rigidos de seus seios. Percebo também que, fazendo isso, ela é obrigada a afastar a mão da minha coxa. Pode ser que eu tenha resmungado um pouco, pois ela sorri e beija o canto da minha boca.
Ficamos nos olhando, e, delicadamente, ela alisa meu rosto com as pontas dos dedos, percorrendo todas as partes. Ela não desvia o olhar em instante algum e mantém os olhos grudados nos meus, mesmo quando abaixa a cabeça para me beijar os cantos dos meus labios. A maneira como me olha me faz sentir... tento procurar um adjetivo para completar esse pensamento, mas não encontro nenhum. Ela simplesmente me faz sentir. É a unica garota que ja se importou se eu estava ou não sentindo alguma coisa, e, só por isso, deixo ela roubar mais um pedacinho do meu coração. Mas não parece o bastante, pois de repente quero dar meu coração inteira para ela.
- Lexa - digo baixinho. Ela sobe a mão pela minha cintura e se aproxima mais.
- Eliza - diz ela, com o mesmo tom de voz.
Sua boca encosta nos meus labios, e ela enfia a lingua no meio deles. Ela é doce e quente, e sei que não faz muito tempo que senti esse gosto, mas estava com saudade. Suas mãos estão nas laterais da minha cabeça, mas ela está tomando cuidado para não encostar em mim com as mãos nem com o corpo. Apenas com a boca.
- Lexa - murmuro, me afastando. Levo a mão até a bochecha dela. - Eu quero. Hoje. Agora.
Sua expressão não muda. Ela fica me encarando como se não tivesse me escutado. Talvez não tenha me escutado, pois com certeza não está concordando com a minha sugestão.
- Eliza... - A voz está cheia de hesitação. - Não precisamos. Quero ter certeza absoluta de que é o que você quer. Esta certo? - Ela começa a acariciar minha bochecha. - Não quero apressa-la.
- Sei disso. Mas estou dizendo que quero fazer isso. Jamais quis com ninguém, mas com você, sim.
Ela está com os olhos fixo nos meus, assimilando cada palavra que eu disse. Ou está em estado de negação ou em choque, e nenhum desses dois casos é bom para mim. Levo as mãos até seu rosto, aproximando em seguida seus labios dos meus.
- Isso não sou eu dizendo sim, Lexa. Sou eu dizendo por favor.
Com isso, ela esmaga os labios nos meus e geme. Escutar esse som vindo la do fundo do peito dela me da mais certeza ainda sobre minha decisão. Preciso dela e preciso agora.
- Vamos mesmo fazer isso? - pergunta ela dentro da minha boca, ainda me beijando empolgada.
- É. Vamos mesmo fazer isso. Nunca tive tanta certeza de algo na vida.
Sua mão sobe pela minha coxa, em seguida ela a desliza entre meu quadril e minha calcinha, e começa a tira-lá.
- Só preciso que me prometa uma coisa primeiro - digo. 
Ela me beija suavemente, afasta a mão da minha calcinha ( droga ) e concorda com a cabeça.
- Qualquer coisa.
Seguro a mão dela e a coloco bem onde estava antes, no meu quadril.
- Quero fazer isso, mas só se me prometer que vamos quebrar o recorde de melhor primeira vez na história das primeiras vezes.
Ela sorri para mim.
- Quando se trata de nós duas, Eliza... não tem como ser diferente.
Ela serpenteia o braço por debaixo das minhas costas e me ergue com ele. Suas mãos chegam nos meus braços, e ela põe os dedos por de baixo das alças finas do meu vestido, afastando-as dos meus ombros. Fecho osolhos com firmeza e pressiono a bochecha na dela, agarrando seu cabelo. Sinto sua respiração no ombro e, depois, seus labios. Ela mal o beija, mas é como se tivesse ligado todas as partes do meu corpo de dentro para fora com esse unico beijo.
- Vou tirar isso - informa ela.
Meus olhos continuam fechados, e não sei se  ela esta me avisando ou pedindo minha permissão para tirar meu vestido, mas balanço a cabeça de todo jeito. Ela levanta o vestido e o puxa por cima da minha cabeça. - Minha pele nua formigando debaixo de seu toque. Ela me encosta com delicadeza no travesseiro, e abro os olhos, encarando-a,admirando sua beleza incrível. Depois de me olhar intensamente por vários segundos, ela fita a mão que esta ao redor da minha cintura.
Sem pressa, observa meu corpo inteiro.
- Puta merda, Eliza - ela passa as mãos ela minha barriga, inclina-se e dá um beijo suave nela. - Você é incrivel.
Nunca fiquei tão exposta na frente de alguém antes, mas a maneira como ela está me admirando só me da mais vontade de ficar tão exposta assim. Ela desliza a mão até meu sutiã e passa o polegar bem embaixo dele, separando meus labios e fazendo meus olhos se fecharem outra vez.
Meu Deus, como eu a desejo. Muito, muito mesmo. Seguro seu rosto e a puxo para perto, predendo minhas pernas ao redor de seu quadril. Ela geme, afasta a mão do meu sutiã para coloca-la na minha cintura outra vez. Lexa desce minha calcinha, me obrigando a desvencilhar as pernas para que possa tira-la de vez. Meu sutiã também é descartado logo depois, e, assim que todas minhas roupas são removidas, ela afasta as pernas de cima da cama e meio que se levanta, inclinando-se por cima de mim. Ainda estou segurando-lhe o rosto, e continuamos nos beijando loucamente enquanto ela tira a calça e voltando para a cama, abaixando-se em cima de mim. Agora estamos sentindo a pela uma da outra pela primeira vez, tão perto que nem o ar passaria entre nós, e, ainda assim, não parece próximo o suficiente. Ela tira os labios dos meus, e começa a descer para o pescoço, e continua descento até chegar em meus seios. E o que sinto é inexplicavel, a sensação é de outro mundo. Enquanto em um seio ela começa a chupar e a fazer circulos com a lingua, o outra ela massageia com a mão. E fica assim um bom tempo até que sua mão, começa a descer pela minha barriga e sua boca volta para meu pescoço. Estremço ao perceber o que Lexa está preste a fazer, e o quero antes era desejo, agora, virou pavor, nausea, medo...
Meu coração está acelerado, e minha respiração se transforma em curtas arfadas. Lagrimas brotam em meus olhos enquanto a mão dela continua descendo até minha intimidade.  E quanto mais perto dela chega, mas eu aperto os olhos. Eu conheço essa sensação, e sei o quão

incomodada eu fico ao tocarem minha parte intima.

 

Mas como sei disso? Como sei se nunca fiz isso antes?

 

Meus labios começar a tremer quando ela começa a me penetrar. Tento pensar em alguma  coisa para afastar o medo, então visualizo o céu, as estrelas e o quanto são bonitos, tentando diminuir o pânico. Se eu me lembrar de que o céu sempre é bonito e focar nesse pensamento, posso esquecer  quanto isso é feio. Não quero abrir os olhos, então começo a contar em silêncio dentro da cabeça. Visualizo as estrelas em cima da minha cama, começo com as que ficar mais embaixo e vou subindo.

1,2,3...

Eu conto e conto e conto.

22,23,24...

Prendo a respiração e me concentro mais e mais nas estrelas.

57,58,59...

Quero que ela acabe logo. Só quero que saia de cima de mim.

71,72,7...
- Que droga, Eliza! - Grita Lexa.
Ela está afastando meu braço dos olhos. não quero que me obrigue a olhar, então continuo segurando o braço em cima do rosto com firmeza, para que tudo fique escuro e eu possa continuar contando em silêncio.
De repente, minhas costas estão sendo erguidas, e não estou mais encostada no travesseiro. Meus braços estão moles, e os dela estão me abraçando com firmeza, mas não consigo me mover. Meus braços está fracos demais, e estou soluçando muito. Estou chorando tanto, e Lexa está me movendo, mas não entendo o motivo e, então, abro os olhos. Estou indo para a frente e para trás e para frente e para trás, e, por um segundo, fico em pânico e aperto os olhos. Mas consigo sentir as cobertas ao meu redor e seu braço apertando minhas costas, além de estar tocando meu cabelo e sussurrando em meu ouvido.
- Linda, está tudo bem. - Ela está pressionando os lábios em meu cabelo, balançando-me para a frente e para trás com ela. Volto a abrir os olhos, e as lagrimas embaçam minha visão.
- Desculpe-me, Eliza. Desculpe-me de verdade.
Ela está beijando minha têmpora varias vezes seguidar enquanto me balança, pedindo desculpas. Esta se desculpando por alguma coisa. Alguma coisa pela qual ela quer que eu a perdoe dessa vez.
Ela se afasta e ve que meus olhos estão abertos. Os dela estão vermelhos, mas não vejo nenhuma lagrima. Contudo, Esta tremendo. Ou talvez seja eu que estou tremendo. Acho que na verdade somos nós duas.
Ela esta me olhando nos olhos, procurando alguma coisa. Me procurando. Começo a relaxar nos seus braços, pois quando estão ao meu redor não sinto como se estivesse despencando da face da terra.
- O que aconteceu? - pergunto pra ela. Não entendo de onde isso surgiu.
Ela balança a cabeça, com os olhos cheios de arrependimentos, medo e aflição.
- Não sei. De repente você começou a contar, a chorar, e a tremer, e fiquei tentando faze-la parar, Eliza. Mas você não parava. Estava apavorada. O que foi que eu fiz? Pode me dizer, porque estou muito arrependida. Estou tão, tão arrependida. Que merda eu fiz?
Balanço a cabeça, pois não tenho uma resposta.
Ela faz uma careta e encosta a testa na minha.
- Desculpe-me. Não devia ter deixado as coisas chegarem tão longe. Não sei o que diabos aconteceu, mas você ainda não está pronta, OK?
Ainda não estou pronta?
- Então a gente não... a gente não transou?
Ela me libera de seu abraço, e sinto todo o seu comportamento mudar. A expressão em seus olhos é de frustração e confusão. As sombracelhas se separam, e ela franze o rosto, segurando minhas bochechas.
- Onde você estava, Eliza?
Balanço a cabeça, confusa.
- Bem aqui. Estou ouvindo.
- Não, quero dizer antes. Onde você estava? Comigo não era, pois, não, nada aconteceu. Dava para ver no seu rosto que tinha algo de errado, então não fiz nada. Mas agora precisa pensar bastante para descobrir onde estava dentro dessa sua cabeça, porque você ficou em pânico. Estava histérica, e preciso saber o motivo para garantir que isso nunca mais aconteça.
Lexa beija minha testa e solta minhas costas. Ela se levanta, e veste a calça jeans e a camiseta e pega meu vestido. Ela o sacode, vira do avesso e o desliza pelas mãos. Em seguida, se aproxima de mim e o coloca por cima da minha cabeça. Ergue meus braços e me ajuda a coloca-los dentro do vestido, puxando-o depois para baixa, me cobrindo.
- Vou pegar um pouco d'agua para você. Ja volto.
Ela me beija com relutância, quase como se estivesse com medo de encostar em mim. Após sair do quarto, encosto a cabeça na parede e fecho osolhos.
Não faço ideia do que acabou de acontecer, mas o medo de perde-la por causa disso é justificavel. Acabei de transformar um das coisas mais initimas imaginaveis num desastre. Fiz com que ela se sentisse um nada, como se estivesse feito algo de errado, e agora ela esta se sentindo mal por causa disso. Provavelmente quer que eu va embora, e não a culpo. Não a culpo nem um pouco. Também quero fugir de mim mesma.
Afasto as cobertas e me levanto, abaixando o vestido em seguida. Nem me dou o trabalho de procurar a calcinha e o sutiã. Preciso encontrar o banheiro e me recompor para que ela possa me levar para casa. É a segunda vez nesse fim de semana que caio em prantos sem nem saber o porque - e nas duas vezes ela precisou me resgatar. Não vou fazer isso com ela de novo.
Quando passo pela escada procuro o banheiro, olho para a cozinha por cima do corrimão e a vejo inclinando para a frente com os cotovelos na bancada, o rosto enterrado nas mãos. Está simplesmente parada, perecendo arrasada e chateada. Não consigo mais olha-la, entao abro a primeira porta á minha direita, presumindo que seja o banheiro.
Mas não é.
É o quarto de Octavia. Começo a fechar a porta, mas desisto. Em vez disso, eu a abro mais, entro e a fecho. Não importa se estou num banheiro, quarto ou closet... só preciso de paz e silêncio. Tempo para me recompor do que diabos está acontecendo comigo. Estou começando a achar que talvez seja mesmo louca. Nunca perdi a noção das coisas de forma tão grave, e isso me apavora. Minhas mãos ainda tremem, então eu uno ambas á frente do corpo e tendo me concentrar em alguma outra coisa para me acalmar.
Dou uma olhada ao redor e acho o quarto um tanto perturbador. A cama não está feita, o que me parece estranho. A cada inteira de Lexa é impecável, mas a cama de Octavia não está arrumada. Há duas calças jeans no meio do chão, e parece que ela acabou de tira-las. Fico observando ao redor, e esse é um quarto tipico de uma adolecente. Maquiagem na comoda, iPod na cabeceira. Parece que ainda mora aqui. Pela aparencia do quarto, não parece de jeito nenhum que ela se foi. Está na cara que ninguem encostou aqui desde que ela morreu. As fotos ainda estão penduradas nas paredes e coladas no espelho. Todas as roupas ainda estão no closet, algumas empilhadas no chão. segundo Lexa, ja faz mais de um ano que ela faleceu, e aposto que ninguém da familia aceitou isso.
É estranho esta aqui dentro, mas assim minha mente não pensa no que está acontecendo. Vou até a cama e olho para as fotos penduradas na parede. A maioria é de Octavia com seus amigos, e, só algumas, Ela aparece com Lexa. É muito parecida com a irmã, a diferença na cor dos olhos, de Octavia é azul-claros e intensos, e cabelo castanho-escuro. O que mais me surpreende é o quanto parece feliz. Parece tão alegre e cheia de vida em todas as fotos que é difil imaginar o que estava realmente se passando por sua cabeça. Não surpreende que Lexa não fizesse ideia do quanto ela se sentia desolada. É mais que provavel que não tenha deixado ninguém saber disso.
Pego uma foto abandonada na mesinha de cabeceira. Ao vira-la para mim, fico boquiaberta. Na foto, ela aparece beijando Bellamy na bochecha, e os dois estão abraçados. A foto me deixa perplexa e preciso me sentar na cama para me recompor. É por isso que Lexa o odeia tanto? É por isso que ela não queria que Bellamy encostasse em mim? Fico me pergutando se ela não culpa Bellamy pelo que O. fez.
Estou segurando a foto, ainda sentada na cama, quando a porta do quarto se abre. Lexa aparece no vão.
- O que está fazendo? - Ela não parece brava comigo por estar ali. No enquanto, parece constrangida, provavelmente por causa do que fiz ela sentir há pouco.
- Estava procurando o banheiro - respondo baixinho - Desculpe. Só precisava de um minuto sozinha.
Ela se encosta no batente e cruza os braços enquanto os olhos percorrem o quarto. Esta assimilando tudo, assim como eu. É como se para ela tudo fosse novo.
- Ninguem entrou aqui? Desde que ela...
- Não - diz ela apressada. - De que adiantaria? Ela se foi.
Balanço a cabeça e deixo a foto de Octavia e Bellamy de volta na cabeceira, virada para baixo assim como a garota a havia deixando.
- Estavam namorando?
Ela dá um passo hesitante para dentro do quarto e se aproxima da cama. Ela se senta ao meu lado e apoia os cotovelos nos joelhos, unindo as mãos na frente do corpo. Lentamente, dá uma olhanda no quarto, sem responder minha pergunta de imediato. Olha para mim, põe o braço ao redor do meu ombro e me puxa para perto. O fato de estar sentada aqui comigo agora, ainda querendo me abraçar, me da vontade de chorar.
- Terminou com ela na vespera de ela ter feito isso - diz ela baixinho.
Tento não soltar uma arfada, mas suas palavras me deixam chocada.
- Acha que foi por cauda dele que ela fez isso? É por isso que o odeia tanto?
Ela balança a cabeça.
- Já o odiava antes de Bellamy terminar com ela. Ele a fez passar por muito merda, Eliza. E não, não acho que foi por causa dele. Talves tenha sido a gota d'agua para ela tomar uma decisão que estava querendo ha muito tempo. O. tinha seus problemas bem antes de Bellamy aparecer. Então, não, não o culpo. Nunca o culpei. - Ela se levanta e segura minha mão. - Vamos. Não quero ficar mais aqui.
Dou uma ultima olhada no quarto e me levanto para segui-la. No enquanto, paro antes de chegar a porta. Ela se vira e me flagra analisando as fotos na comoda dela. Ha uma de Lexa e Octavia num porta-retratos, de quando as duas eram crianças. Pego-a para observar mais de perto. Vê-la tão novinha me faz sorrir por alguma razão. Ver as duas tão novas... é revigorante. É como se houvesse uma inocencia nelas, antes que as realidades feias da vida as atingisse. Estão na frente de uma casa de estrutura branca, e Lexa colocou o braço ao redor do pescoço dela, apertando-a. Ela esta com os braços ao redos da cintura de Lexa, e as duas sorriem para a camera.
Meus olhos vão dos rostos das suas para a casa atrás delas. É uma casa branca com detalhes amarelos, e, se desse para ver o interior, a sala apareceria pintada de dois tons diferentes de verde.
Fechos os olhos no mesm o instante. Como sei disso? Como sei a cor da sala?
Minhas mãos começama tremer e tento inspirar, mas não consigo. Como conheço essa casa? Mas conheço a casa como se conhecesse as crianças da foto. Como sei que tem um balanço verde e branco nos fundos? E a 3 metros do balanço ha um poço seco que precisa ficar coberto porque o gato de Octavia caiu ali uma vez.
- Você está bem? - pergunta Lexa. Ela tenta tirar a foto das minhas mãos, mas eu a agarro e olho para ela. Seu olhar transmite preocupação, e ela dá um passo para mais perto de mim. Dou um passo para trás.

De onde eu a conheço?

De onde conheço Octavia?
Por que sinto como se tivesse saudade delas? Balanço a cabeça, olhando para a foto, em seguida Lexa, e depois outra vez para foto. E agora para o pulso de Octavia chama minha atenção. Ela esta usando uma pulseira. Uma pulseira identica a minha.
Quero perguntar sobre a pulseira mas não consigo. Tento, mas não emito palavra alguma, então só ergo a foto. Ela balança a cabeça, e o rosto fica serio, como se seu coração estivesse se partimdo.
- Eliza, não - diz ela, implorando.
- Como? - Minha voz saiu falha, e mal da para escuta-la. Olho outra vez para foto em minhas mãos. - Há um balanço. E um poço. E... seu gato. Ficou preso no poço. - Lanço um olhar para ela, e os pensamentos surgem um atrás do outro. - Lexa, conheço aquela sala de estar. É verde, e a cozinha tem um balcão que era alto demais para nós e... sua mãe. O nome dela é Anya. - Faço uma pausa e tento respirar, pois as lembranças não param. Elas não param de surgir, e não e não consigo respirar. - Lexa... o nome de sua mãe é Anya?
Lexa franze o rosto e passa a mão pelo cabelo.
- Eliza... - diz ela, mas não consegue nem olhar para mim. A expressão está dividida e confusa, e ela... ela tem mentido para mim. Esta escondendo alguma coisa e tem medo de me contar seja o que for.
Ela me conhece. Mas afinal como me conhece e por que não me contou?
De repente, me sinto nauseada. Passo correndo por ela e abro a porta do outro lado do corredor, que por acaso é um banheiro, graças a Deus. Tranco a porta, jogo o porta-retratos na bancada e caio direito no chão.
As imagens e lembranças começam a inundar minha mente como se tivessem rompido os diques. Lembranças de Lexa, Octavia, de nós três juntas. Lembraças de nós três brincando, eu jantando na cada delas, eu e Octavia inseparaveis. Eu a amava. Eu era tão nova e tão pequena, e nem sei como os conhecia, mas eu as amava. As duas. A lembrança surge junto com o luto por saber que a Octavia que eu conhecia e amava quando criança se foi. De repente fico triste e depressiva por ela ter morrido, mas não por minha causa. Não por Eliza. Fico triste pela garotinha que fui, e, de alguma forma, o luto pela perda de Octavia esta surgindo em mim.
Como é que eu não sabia? Como não me lembrei dela na primeira vez que a vi?
- Eliza, abra a porta, por favor.
Eu me encosto na parede. É demais. As lembranças, as emoções e o luto... é coisa demais para assimilar de uma só vez.
- Linda, por faovor. Precisamos conversar, e não posso fazer isso daqui de fora. Por favor, abra a porta.
Ela sabia. Sabia desde a primeira vez que me viu no mercado. E quando viu minha pulseira... sabia que eu a tinha ganhado de Octavia. Ela me viu usando, e sabia disso.
Meu lito e minha confusão logo se transformaram em raiva, e me levanto do chão e vou rapidamente até a porta do banheiro, que destranco e escancaro. As mãos dela estão nos dois lado do caixilho, e ela esta olhando fico para mim, mas sinto como se nem sequer soubesse quem ela é. Não sei mais o que é real entre nós  e o que não é. Não sei quais sentimentos são por causa de sua vida comigo agora, nem quais são por causa da vida que tinha com a garotinha que eu era.
Preciso saber. Preciso saber quem eu era. Quem eu era. Engulo o medo e faço a pergunta cuja a resposta temo ja saber.
- Quem é Clarke?
Sua expressão insensível não muda, então pergunto de novo, mas alto dessa vez:
- Quem diabos é Clarke?
Ela mantém o olhar fico no meu, e as mãos firmes no batente, mas não responde. Por alguma razão, não quer que eu saiba. Ela não quer que eu lembre quem eu era. Respiro fundo e tento conter as lagrimas. Estou com muito medo de dizer o que acho, porque não quero saber a resposta.
- Sou eu? - pergunto, com a voz trêmula e cheia de trepidação. - Lexa... eu sou a Clarke?
Ela expira rapidamente ao olhar para o teto, quase como se estivesse se segurando para não chorar. Fecha os olhos e encosta a testa no braço, depois inspira fundo antes de olhar de volta pra mim.
- É.
 


Notas Finais


Então é isso até a proxima!!
me sigam no twitter: @meninadaeliza


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