História Hopeless - Capítulo 24


Escrita por: ~

Postado
Categorias The 100
Personagens Bellamy Blake, Clarke Griffin, Costia, Lexa, Octavia Blake, Raven Reyes
Tags Clexa, The 100
Exibições 331
Palavras 3.792
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 24 - Capítulo XXIII



O ar ao meu redor fica espesso. Denso demais para ser inspirado. Fico parada, bem na frente dela, incapaz de me mexer. Tudo fica quieto, exceto dentro da minha cabeça. Há tantos pensamentos, perguntas, lembranças e tudo tenta ficar em primeiro plano ao mesmo tempo, e não sei se preciso chorar, gritar, correr ou dormir.
Preciso sair. Sinto como se Lexa, o banheiro e toda essa maldita casa estivessem me sufocando, então preciso sair daqui para ter espaço para que tudo dentro de minha cabeça possa sair. Quero que tudo escape.
Empurro-a para trás, e ela tenta segurar meu braço, mas eu a empurro.
- Eliza, espere - grita ela trás de mim. Continuo correndo até alcançar a escada e desço o mais rapido que posso, dois degraus de casa vez. Escuto-a me seguindo, então acelero, e meu pé vai mais para frente do que eu pretendia. Solto o corrimão e caio para frente, aterrissando na base da escada. - Eliza! - berra ela.
Antes que possa tentar me levantar, ela me alcança e fica de joelhos com os braços ao meu redor. Dou um safanão, querendo que ela me solte para que eu simplesmente possa sair da casa. Mas ela não se mexe.
- Lá fora - digo, ofegante e fraca. - Só preciso ir lá para fora. Por favor, Lexa.
Sinto-a se debatendo interiormente, sem querer me soltar. Relutante, me afasta de seu peito e olha para mim, procurando meus olhos. - Não corre, Eliza. Saia, mas por favor não vá embora. Precisamos conversar.
Concordo com a cabeça, ela me solta e me ajuda a levantar. Quando saio da casa e piso na grama, uno as mãos por trás da cabeça e inspiro fundo o ar frio. Inclino a cabeça para trás e olho para as estrelas, desejando mais que tudo estar lá em cima e não aqui em baixo. Não quero que as lembranças continuem voltando, porque cada lembrança confusa vem junto com uma pergunta mais confusa ainda. Não entendo como a conheço. Não entendo por que escondeu isso de mim. Não compreendo como meu nome pode ter sido Clarke se só me lembro de ser chamada de Eliza. Não sei por que Abby me diria que Eliza é meu nome de nascença se isso não é verdade. Tudo que eu achava que entendia após todos esses anos está se desemaranhando, relevando coisas que nem quero saber. Estão mentindo para mim, e estou morrendo de medo de descobrir o que é que as pessoas estão escondendo.
Fico la fora pelo que parece uma eternidade, tentando compreender isso sozinha sendo que nem faço ideia do que estou tentando compreender. Preciso conversar com Lexa para descobrir o que sabe, mas estou magoada. Não quero ve-la após compreender que, durante todo esse tempo, ela estava guardando esse segredo. Isso faaz com que tudo o que achei que estava acontecendo entre nós não passe de uma ilusão.
Estou exaurida emocionalmente e tive todas as descobertas que aguento em uma só noite. Tudo que quero é ir para casa e me deitar. Preciso dormir antes que comecemos a discutir por que ela não me contou que me conhecia quando criança. Não entendo por que isso era algo que achou que debia esconder de mim.
Eu me viro e vou andando de volta para a casa. Ela está na entrada, me observando e se afasta para eu passar. Vou até a cozinha abro a geladeira. Pego uma garrafa d'agua, abro-a e tomo vários goles. Minha boca está seca, e ela acabou não trazendo para mim a agua que disse que ia buscar.
Deixo a garrafa na bancada e olho para ela.
- Me leve para casa.
Ela não protesta. Lexa, se vira, pega as chaves na mesa do hall e gesticula para que eu a siga. Deixo a água na bancada e a acompanho em silencio até o carro. Depois que entro, ela dá ré e segue para a rua sem dizer nada.
Passamos pelo meu entroncamento, e fica cara que ela não tem a menor intenção de me levar para casa. Olho para ela, que está concentrada na rua.
- Me leve para casa - repito.
Ela olha para mim com uma expressão determinada.
- Precisamos conversar, Eliza. Tem perguntas para fazer, sei que tem.
Tenho, Tenho um milhão de perguntas, mas tinha esperanã de que ela fosse me deixar dormir para que pudesse tentar compreendê-las e responder sozinha quantas conseguisse. Mas está na sua cara que a essa altura ela não se importa com o que prefiro. Relutante, tiro o cinto e me viro no banco, encostando na porta para ficar de frente para ela. Se não quer me dar tempo para assimiliar melhor tudo isso, vou jogar todas as perguntas de uma só vez. Mas vou fazer isso depressa pois quero que me leve para casa.
- Esta bem - concordo por teimosia - Vamos resolver logo isso. Porque passou dois meses mentindo para mim? Por que minha pulseira a deixou tão furiosa a ponto de não conseguir falar comigo por semanas? Ou por que não me disse quem achava que eu realmente era no dia em que nos encontramos no mercado? Porque você sabia, Lexa. Você sabia quem eu era, e, por alguma razão, achou que seria engraçado ficar me iludindo até que eu descobrisse a verdade. Você sequer gosta de mim? Valeu a pena me magoar, mais do que já fui magoada a vida inteira, só por causa desse joguinho que está fazendo? Pois foi isso que aconteceu - digo, tão furiosa que chego a tremer.
Finalmente me rendo ás lagrimas porque essa é só mais uma coisa que está tentando sair de mim e cansei de lutar contra elas. Enxugo-as com o dorso da mão e abaixo o tom de voz.
- Você me magoou, Lexa. Tanto. Prometeu que sempre seria sincera comigo. - Não estou mais erguendo a voz. Na verdade, estou falando tão baixinho que nem sei se ela consegue me escutar.
Ela continua encarando a rua como a babaca que é. Aperto os olhos, cruzo os braços e volto a me sentar direito no banco. Fico olhando pela janela do carona e xingo o carma. Xingo o carma por ter trazido esse caso perdido para minha vida só para que ela a arruinasse.
Quando ela continua dirigindo sem responder a nenhuma pergunta que eu fiz, tudo que sou capaz de fazer e soltar uma pequena risada ridícula.
- Você é mesmo um caso perdido - murmuro.




TREZE ANOS ANTES
- Preciso fazer xixi - diz ela, rindo.
Estamos agachadas debaixo do pórtico, Esperando que Lexa nos encontre. Gosto de brincar de pique esconde, mas gosto de me esconder. Não quero que saibam que ainda não sei contar, e sempre me pedem para fazer isso. Lexa sempre diz para eu contar até vinte quando vão se esconder, mas não sei fazer isso. Então só fico com os olhos fechados finginfo que estou contando. As duas já estão na escola, e eu só vou entrar ano que vem, então não sei contar tão bem quanto elas.
- Ela está vindo - Avisa O., engatinhando um pouco para trás.
A terra debaixo do pórtico está fria, então tento evitar encostar ali com as mãos como ela está fazendo, mas minhas pernas estao doendo.
- O.! - grita ela. Ela se aproxima do pórtico e segue direto pros degraus. Estamos nos escondendo há um bom tempo, e parece que ela se cansou de nos procurar. Ela se senta nos degraus, que estão quase bem na frente da gente. Quando inclino a cabeça, consigo ver seu rosto. - Cansei de procurar.
Eu me viro e olho para Octavia para ver se está preparada para sair correndo. Ela balança e leva o dedo aos lábios.
- Clarke! - grita ela, ainda sentada nos degraus. - Desisto!
Ela da uma olhada no patio e suspira em silencio. Depois murmura e chuta o cascalho, o que me faz rir. Octavia me dá um murro no braço, me dizendo para ficar quieta.
Lexa começa a rir, e na hora acho que é porque está ouvindo a gente, mas depois percebo que está apenas falando sozinha.
- Octavia e Clarke - Ela ri baixinho. - Vocês duas são um caso perdido!
Escuta-la faz Octavia rir, e ela sair de baixo do pórtico. Vou atrás dela e me levanto no instante em que Lexa se vira e a vê. Ela sorri e olha para nós duas, que estamos com os joelhos cobertos de terra e temos teias de aranha no cabelo. Ela balança a cabeça e repete.
- Um caso perdido.




Sabado, 27 de outubro de 2012
23h20

 

 

 

A lembrança é tão vivida; não entendo por que só agora está surgindo. Como fui capaz de ver sua tatuagem tantas vezes, ouvi-la me chamar de Clarke e falar sobre O. e mesmo assim não lembrar? Estendo a mão, agarro seu braço e levanto a manda da camisa. Sei que esta ali. Sei o que diz. Mas é a primeira vez que olho para ela sabendo seu verdadeiro significado.
- Por que fez a tatuagem? - Ela já me contou, mas agora quero saber o motivo real. Ela desvia o olhar da rua e o direciona para mim.
- Já disse. Quero me lembrar das pessoas que decepcionei na vida.
Fecho os olhos e me endireito no banco, balançando a cabeça. Ela me disse que não é vaga, mas não consigo pensar em uma explicação mais vaga que essa. Como pode ter me desapontado? O fato de achar que me desapontou de alguma maneira quando eu era tão novinha nem faz sentido. E ela se arrepender tanto a ponto de transformar isso numa tatuagem críptica é algo muito além de qualquer suposição que sou capaz de imaginar neste momento. Não sei mais o que dizer ou fazer para ela me levar de volta para a casa. Não respondeu nenhuma pergunta minha e agora voltou com esses joguinhos psicologicos, dizendo apenas coisas em códigos que não são respostas. Só quero ir para casa.
Ela para o carro, e espero que de a volta. Em vez disso, desliga o motor e abre a porta. Olho pela janela e percebo que estamos no aeroporto outra vez. Fico irritada. Não quero ficar aqui observando-a encarar as entrelas novamente enquanto pensa. Quero respostas ou então prefiro ir para casa.
Escancaro a porta do carro e a sigo relutantemente até a grade, esperando que me de alguma explicação rápida se eu fizer o que ela quer pela ultima vez. Ela me ajuda a passar pela grade outra vez, nós duas voltamos para nossos lugares no meio da pista e nos deitamos.
Olho para cima na esperança de ver alguma estrela cadente. Estou mesmo precisando fazer um ou dois desejos agora. Desejaria voltar a dois meses no tempo e não entrar no mercado naquele dia.
- Esta pronta para as respostas? - pergunta Lexa.
Viro a cabeça para ela.
- Só se você estiver planejando ser sincera de verdade dessa vez.
Ela se apoia no braço e se vira para o lado, me olhando. Faz aquela coisa de novo, de ficar me encarando em silencio. Esta mais escuro que da ultima vez que estivemos aqui, então é dificil identificar a expressão em seu rosto. No entanto, dá para ver que está triste. Seus olhos jamais conseguem esconder a tristeza. Ela inclina-se para frente e ergue a mão, levando-a até minha bochecha.
- Preciso beijar você.
Quase caio na gargalhada, mas tenho medo de que, se eu fizer isso, vou dar uma gargalhada insana, o que me deixa apavorada, pois ja acho que estou enlouquecendo. Balanço a cabeça, chocada por ela sequer pensar que a deixaria me dar um beijo agora. Não depois de descobrir que passou os dois ultimos meses mentindo para mim.
- Não - afirmo.
Ela mantém o rosto perto do meu e a mão em minha bochecha. Odeio o fato de que, apesar de toda a minha raiva ter sido causada por suas mentirar, meu corpo ainda reage ao seu toque. É uma batalha interna um tanto estranha quando a pessoa não consegue decidir se quer esmurrar a boca a 10 centimetros de seu rosto ou sentir o gosto dela.
- Preciso beijar você - repete ela, soando desesperada dessa vez - Por favor, Eliza. Tenho medo de que depois do que vou contar... nunca poderei beijar você de novo. - Ela chega mais perto de mim e acaricia minha bochecha com o polegar, sem deviar os olhos dos meus nem por um segundo. - Por favor.
Faço que sim com a cabeça ligeiramente, sem saber por que minha fraqueza está falando mais alto. Ela abaixa a boca até a minha e me beija. Fecho os olhos e me permito senti-la, pois grande parte de mim está com medo de que essa seja a ultima vez em que vou sentir sua boca na minha. Tenho medo de que essa seja a ultima vez qu vou sentir alguma coisa, pois foi só com Lexa que quis sentir algo.
Ela se ajeita até ficar de joelhos, segurando meu rosto com uma das mãos e apoiando a outra no concreto ao lado da minha cabeça. Ergo a mão e a passo em seu cabelo, puxando-a para minha boca com urgencia. Sentir-lhe o gosto e o hálito se misturando com o meu momentaneamente me faz não pensar em nada do que aconteceu essa noite. Nesse momento, estou concentrada nela, no meu coração e em como este esta acelerando e se partindo ao mesmo tempo. Quando penso que o que sinto por ela é não justificavel nem verdadeiro, sinto dor. Sinto dor em toda parte. Na cabeça, na barriga, no peito, no coração, na alma. Antes, achava que o beijo dela era capaz de me curar. Agora parece que seu beija está criando angustia terminal dentro de mim.
Ela sente que estou ficando frustrada conforme os soluços começam a sair da minha garganta. Ela leva os labios até miha bochecha e depois até minha orelha.
- Desculpe-me - diz ela, me abraçando - Desculpe-me, de verdade. Não queria que soubesse.
Fecho os olhos e a afasto de mim, depois me sento e respiro fundo. Enxugo as lagrimas com o dorso da mão e puxo as pernas para cima, abraçando-as com força. Enterro o rosto nos joelhos para não ter de olhar para ela mais um vez.
- Só quero que fale logo, Lexa. Perguntei tudo que queria no caminha para cá. Preciso que responda agora para que eu possa voltar para casa logo. - Minha voz soa frustrada e saturada.
Sua mão toca a parte de trás da minha cabeça, e ela fica passando os dedos ali enquando pensa numa resposta. Em seguida, limpa a garganta.
- Não tinha certeza de que era mesmo Clarke na primeira vez que a vi. Estava tão acostumada a vê-la no rosto de todas as desconhecidas da nossa ideda que há alguns anos tinha desistido de tentar encontra-la. Mas, quando a vi no mercado e olhei nos seus olhos, tive a sensação de que era mesmo ela. Quando me mostrou a identidade e percebi que estava errada, fiquei me sentindo ridicula. Como se esse tivesse sido o alerta final de que precisava para finalmente deixar a lembrança para trás.
Ela para de falar, passa a mão devagar pelo meu cabelo e a apoia nas minhas costas, onde faz pequenos circulos com o dedo. Tenho vontade de afastar a mão, mas quero ainda mais que fique onde está.
- Fomos vizinhas de você e seu pai por um ano. Você, eu e a O... nós éramos melhores amigas. Mas é tão dificil se lembrar dos rostos de tanto tempo atrás. Achei que você fosse Clarke, mas também pensei que se fosse mesmo ela, eu não duvidaria. Achava que, se a visse novamente algum dia, teria certeza de que era ela.
"Quando sai do mercado naquele dia, fui logo pesquisar na internet o nome que me deu. Não consegui descobrir nada a seu respeito, nem mesmo no Facebook. Passei uma hora inteira procurando e fiquei tão frustrada que fui correr para me acalmar. Quando dei a volta na esquina e a vi na frente da minha casa, não consegui respirar. Estava la parada, exausta da corrida e... Meu deus, Eliza. Estava tão linda. Ainda não sabia se era Clarke ou não, mas naquele momento isso nem passou pela minha cabeça. Não me importava com quem você era; simplesmente precisava conhecê-la melhor.
"Depois de passar mais tempo com você naquela semana, não pude deixar de aparecer na sua casa naquela sexta á noite. Não fui com intenção de investigar seu passado nem com esperança de que algo acontecesse entre nós. Fui a sua casa porque queria que conhecesse quem realmente sou, não quem as pessoas pensam que sou. Depois de passar mais tempo com você naquela noite, não consegui pensar em mais nada, só no que fazer para passarmos mais tempo juntas. Nunca tinha conhecido ninguem que me entendia como você. Ainda me perguntava se era possivel... se era possivel que fosse ela. Fiquei mais curiosa ainda depois que me contou que era adotada, mas, de novo, achei que podia ser coincidência.
"Mas quando vi a pulseira..."
Ela para de falar e afasta a mão das minhas costas. Ela desliza o dedo por debaixo do meu queixo, afastando meu rosto dos joelhos e me fazendo olhar em seus olhos.
- Fiquei magoada, Eliza. Não queria que você fosse ela. Queria que disesse que ganhou a pulseira de uma amiga, que a encontrou ou que comprou. Depois de tantos anos a procurando em todos os rostos que via por ai, finalmente tinha encontrado você... e fiquei arradasa. Não queria que fosse Clarke. Sò queria que você fosse você.
Balanço a cabeça, ainda tão confusa quanto antes.
- Mas porque não me contou? Por que seria tão dificil admitir que a gente se conhecia? Não entendo por que tem mentindo sobre isso.
Ela me olha por um instante enquanto procura uma resposta adequada e afasta o cabelo dos meus olhos.
- O que se lembra da sua adoção?
Balanço a cabeça.
- Pouca coisa. Sei que fiquei com uma familia de acolhimento temporario depois que meu pai me entregou. Sei que Abby me adotou e que nos mudamos para cá de outro estado quando tinha 5 anos. Fora isso e algumas lembranças aleatorias, não sei de mais nada.
Ela fica com postura igual a minha e põe as maos nos meus ombros com firmeza, como se estivesse ficado frustrada.
- Tudo isso foi Abby que lhe contou. Quero saber o que você se lembra. O que você se lembra, Eliza?
Dessa vez, balanço a cabeça devagar.
- De nada. As lembranças mais antigas que tenho são com Abby. A unica coisa que me lembro antes de Abby é de ganhar a pulseira, mas isso é só porque ainda a tenho e a lembrança ficou grudada em minha cabeça. Nem sei quem foi que me deu.
Lexa segura meu rosto e leva os labios até minha testa. Ela mantem os labios ali, segurando-me em sua boca como se estvesse com medo de se afastar por não querer falar mais nada. Ela não quer ter de contar o que quer que saiba.
- Diga logo - sussuro - Diga o que é que preferia não ter de me contar.
Ela afasta a boca e pressiona a testa na minha. Os olhos estão fechados, e ela esta segurando meu rosto com firmeza. Parece tão triste, o que me faz querer abraça-la apesar de eu estão tão frustrada com ela. Ponho os braços ao redor e a abraço. Ela retribui o abraço e me põe no colo. Coloco as pernas ao redor da sua cintura, e nossas testas continuam unidas. Ela está me segurando, mas dessa vez parece que esta fazendo isso porque a Terra lhe saiu do eixo e eu sou seu centro.
- Conta logo, Lexa.
Ela passa as mãos na minha lombar e abre os olhos, afastando a testa da minha para poder me olhar enquanto fala.
- No dia em que O. lhe deu a pulseira, você estava chorando. Eu me lembro de todos os detalhes como se tivesse sido ontem. Você estava no jardim, de costas para sua casa. O. e eu ficamos sentandas com você por um bom tempo, mas você não parava de chorar. Ela voltou para nossa casa depois delhe dar a pulseira, mas não consegui fazer isso. Eu me sentia mal em deixa-la sozinha, porque pensei que podia estar com raiva do seu pai de novo. Estava sempre chorando por causa dele, o que me fazia odia-lo. Não me lembro de nada sobre ele, só que eu o odiava por fazer você se sentir daquele jeito. Eu só tinha 6 anos, então nunca sabia o que dizer quando você chorava. Acho que naquele dia eu disse algo como: "não se preocupe..."
- Ele não vai viver para sempre - digo, terminando a frase. - Eu me lembro daquele dia. De O. me dando a pulseira e de você dizendo que ele nao viveria para sempre. São dessas duas coisas que sempre me lembrei. Só não sabia que era você.
- É, foi o que disse para você - Ela leva as mãos até minha bochecha e continua falando. - E depois fiz algo de que me arrependo diariamente.
Balanço a cabeça.
- Lexa, você não fez nada. Só foi embora.
- Exatamente - diz ela. - Voltei para o jardim da minha casa apesar de saber que devia ter ficado ao seu lado na grama. Fiquei parada no jardim, observando você chorar apoiada nos próprios braços, quando devia estar chorando nos meus. Tudo o que fiz foi ficar parada... observando o carro estacionar. Vi abaixarem a janela do carona, e escutei alguém chamar seu nome. Vi você olhar para o carro e enxugar os olhos. Você se levantou, limpou o short e foi até o carro. Vi quando entrou e sabia que, o que quer que estivesse acontecendo, não devia simplesmente ficar parada. Mas tudo que fiz foi observar quando eu debia ter ficado do seu lado. Nunca teria acontecido se eu tivesse fica do seu lado.
O medo e o arrependimento em sua voz fazem meu coração disparar no peito. De alguma maneira, encontro forças para falar, apesar do medo que me consome.
- Não teria acontecido oque?
Ela beija minha testa de novo, e seus polegares alisam delicadamente as maçãs do meu rosto. Lexa olha para mim como se estivesse com medo de me magoar.
- Eles levaram você. Quem quer que estivesse naquele carro levou você do seu pai, de mim, de O. Está desaparecida há 13 anos, Clarke.
 


Notas Finais


Então é isso até a próxima, me sigam no tt: @meninadaeliza


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