História Hopeless - Capítulo 29


Escrita por: ~

Postado
Categorias The 100
Personagens Bellamy Blake, Clarke Griffin, Costia, Lexa, Octavia Blake, Raven Reyes
Tags Clexa, The 100
Exibições 169
Palavras 3.826
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi...
não revisei porque sou vida loca.

Capítulo 29 - Capítulo XXVIII


Segunda-feira, 29 de outubro de 2012

17h29

 

Entramos no quarto do hotel como zumbis. Nem me lembro de sair do carro e entrar no quarto. Ao alcançar a cama, Lexa se senta e tira o tênis. Só consegui andar alguns metros, parando na porta do quarto. Minhas mãos estão ao lado do corpo, e minha cabeça esta inclinada. Fico olhando para a janela do outro lado do quarto. As cortinas estão abertas, deixando a mostra apenas a paisagem deprimente de um prédio de tijolos que fica a alguns metros do hotel. Só uma parede inteira feita de tijolos. Sem janelas ou portas. Apenas tijolos.

Olhar pela janela e ver a parede de tijolos é como me sinto em relação á minha vida. Tento enxergar  o futuro, mas não consigo ver nada depois desse momento. Não faço ideia do que esta por vir, com quem vou morar, do que vai ser de Abby, se vou contar para a policia o que acabou de acontecer. Não consigo nem dar um palpite. Há apenas uma parede entre esse momento e o seguinte, não existe sequer uma pista pichada de spray.

Nos últimos 13 anos, minha vida não passou de uma parede de tijolos que dividia os primeiros anos do restante. Uma barreira solida, separando minha vida como Eliza de minha vida como Clarke. Já ouvi falar de pessoas que bloqueiam lembranças dramáticas, mas sempre achei que isso era mais uma escolha. Nos últimos 13 anos, não tinha mesmo a mínima ideia de quem eu era antes. Sabia que era nova quando me tiraram daquela vida, mas mesmo assim era de se esperar que guardasse alguma lembrança. Acho que, no instante em que fui embora com Abby, de alguma maneira tomei uma decisão consciente, mesmo sendo tão nova, de nunca me lembrar daquelas coisas. Depois que Abby começou a me contar historias da minha “adoção”, deve ter sido mais fácil para minha mente aceitar as mentiras indefesas do que se lembrar a verdade terrível.

Sei que na época eu não era capaz de explicar o que meu pai estava fazendo comigo, pois não tinha certeza. Só sabia que odiava aquilo. Quando não se tem certeza do que do que aquilo que você odeia ou porque sequer você odeia alguma coisa, é difícil se ater aos detalhes. Nunca tive muita curiosidade de descobrir quem era meu pai ou porque ele “me colocou para a adoção”. Agora sei que é porque, em algum canto da minha mente, eu ainda guardava ódio e medo daquele homem, então era mais fácil erguer a parede de tijolos e nunca mais olhar para trás.

Continuo sentindo ódio e medo dele, mesmo sabendo que não pode mais encostar em mim. Ainda o odeio e ainda morro de medo dele, e mesmo assim, estou arrasada por ele ter morrido. Eu o odeio por inserir acontecimentos tão terríveis na minha memoria e ainda assim conseguir fazer com que eu sofra sua perda no meio de todas essas coisas ruins. Não quero sofrer a perda. Quero ficar alegre com isso, mas não consigo.

Meu casaco esta sendo removido. Desvio o olhar da parede de tijolos que me provoca do lado de fora da janela, viro a cabeça e vejo Lexa atrás de mim. Ela deixa meu casaco na cadeira e tira minha camisa manchada de sangue. Uma  tristeza intensa me consome ao perceber que tenho os mesmo genes do sangue sem vida que sobre meu rosto e minhas roupas. Lexa vem para minha frente, encosta no botão da minha calça e a desabotoa.

Está de calcinha, e um blusão. Nem percebi que tirou a roupa. Meus olhos se erguem ate seu rosto, que tem pequenas manchas de sangue na bochecha direita, a que estava virada para meu pai no momento de seu ato covarde. Os olhos estão tristes, focados na calça enquanto ela a desce pelas minhas pernas.

- Preciso que você de um passo para fora delas, linda – diz ela baixinho ao chegar aos meus pés.

Eu me seguro nos ombros dela e tiro um pé de dentro da calça, depois o outro. Mantenho as mãos nos ombros e os olhos fixos no sangue espalhado por seu cabelo. Mecanicamente, estendo o braço e passo os dedos por uma mecha de cabelo, em seguida aproximo a mão para analisa-la. Esfrego o sangue entra as pontas dos dedos, mas agora esta grosso. Esta mais grosso do que o sangue deveria ser.

É porque não é apenas o sangue do meu pai que esta nos cobrindo.

Começo a passar os dedos na barriga tentando desesperadamente tirar isso de mim, mas acabo espalhando mais. Minha garganta se fecha e eu não consigo gritar. É como sonhos que tive em que uma coisa era tão apavorante que eu perdia toda a minha capacidade de emitir sons. Lexa ergue o olhar, e eu quero gritar, berrar e chorar, mas só consigo arregalar os olhos, balançar a cabeça e continuar limpando as mãos no meu corpo. Ao me ver em pânico, ela se levanta, me ergue e me carrega depressa até o chuveiro. Ela me deixa do lado oposto do boxe, entra comigo e abre a torneira. Depois, fecha a cortina, quando a agua fica quente, vira-se para mim e segura meus pulsos que continuam tentando limpar as machas de vermelhas. Ela me puxa para perto de si e nos vira na direção do jato quente de agua. Quando a agua bate nos meus olhos, solto o ar, inspirando fundo depois.

Lexa estende o braço para lateral da banheira e pega o sabonete, rasgando a embalagem de papel encharcada. Ela se inclina para fora da banheira e volta para dentro segurando uma toalha. Meu corpo inteiro esta tremendo, mesmo com a agua quente. Ela passa sabão e agua na toalha e depois a pressiona na minha bochecha.

- Shh – sussurra ela, encarando meus olhos cheios de pânico. – Vou tirar isso de você, está bem?

Ela começa a limpar meu rosto com delicadeza, e aperto os olhos, fazendo que sim com a cabeça. Fico de olhos fechados, pois não quero ver a toalha manchada de sangue quando ela a afastar do meu rosto. Coloco os braços ao redor do meu corpo e fico o mais imóvel, mas os tremores ainda se espalham pelo meu corpo. Ela leva vários minutos para limpar o sangue do meu rosto, dos meus braços e da minha barriga. Quando termina, põe a mão atrás da minha cabeça e tira meu elástico de cabelo.

- Olhe para mim, Eliza. – Eu obedeço e ela põe os dedos de leve no meu ombro. – Vou tirar seu sutiã agora, está bem? Preciso lavar seu cabelo e não quero que nada o deixe sujo.

Que nada o deixe sujo?

Quando percebo que ela esta se referindo ao que provavelmente esta espalhado no meu cabelo, começo a ficar em pânico outra vez, abaixo as alças do sutiã tirando-o por cima da cabeça.

- Tire logo – digo baixinho e depressa, inclinando a cabeça na direção na água, tentando encharcar meu cabelo passando os dedos nele debaixo d’agua. – Tire logo isso de mim. – Minha voz soa mais em pânico dessa vez.

Ela segura meus pulsos de novo, afasta-os do meu cabelo e os coloca ao redor de sua cintura.

- Vou tirar. Segure-se em mim e tente relaxar. Já vou tirar.

Pressiono a cabeça em seu peito e me seguro com mais firmeza. Consigo sentir o cheiro do shampoo enquanto ela o coloca na mão e leva o liquido até meu cabelo, espalhando-o com as pontas dos dedos. Ela nos aproxima um pouco mais da agua até esta cair na minha cabeça, que está pressionando seu ombro. Lexa massageia e esfrega meu couro cabeludo, enxaguando-o vazias vezes seguidas. Nem pergunto por que ela o enxagua tantas vezes; só permito que enxague quantas vezes precisar.

Quando termina, nos vira para ficarmos debaixo da agua e passar o shampoo no próprio cabelo. Solto sua cintura e me afasto para evitar sentir outras coisas em cima de mim. Baixo o olhar para minha barriga e para minhas mãos, e não vejo resquício alguma do meu pai em mim. Olho de novo para Lexa, que está esfregando o rosto e o pescoço com uma toalha limpa. Fico parada, observando-a limpar os indícios do que aconteceu com a gente há menos de uma hora.

Ao terminar, ela abre os olhos tristes e focaliza-os em mim.

- Eliza, preciso que confira se tirei tudo, OK? Preciso que você me limpe se tiver alguma coisa que eu não tenha visto.

Esta falando comigo com tanta calma; parece que esta tentando evitar que eu me descontrole. É sua voz que me faz perceber que é isso que esta tentando fazer. Ela tem medo de que eu esteja prestes a perder o controle, surtar ou entrar em pânico.

Temo que possa estar certa, então pego a toalha das suas mãos e me obrigo a ser forte e investigar o corpo. Ainda tem um pouco de sangue acima da orelha direta, então pego a toalha e limpo. Afasto-a e olho para a ultima mancha de sangue que sobrou em nós duas, passo-a debaixo da agua e vejo-a desaparecer.

- Foi tudo embora – sussurro. Nem sei se estou me referindo ao sangue.

Lexa pega a toalha da minha mão e a joga na beirada da banheira. Olho para ela, que esta com os olhos mais vermelhos que antes, mas não sei se esta chorando, pois a agua escorre por seu rosto da mesma maneira que a lagrimas escorreriam. É nesse momento então, após todos os vestígios físicos do meu passado terem sido levados pela agua, que me lembro de Octavia.

Meu coração se parte completamente de novo, dessa vez por Lexa. Um soluço sai de mim, e cubro a boca com a mão, mas os ombros continuam tremendo. Ela me puxa para perto de seu peito e pressiona os lábios no meu cabelo.

- Lexa, sinto muito. Meu Deus, sinto muito mesmo.

Estou chorando e me abraçando a ela, desejando que a falta de esperança pudesse ser levada pela agua assim como o sangue. Ela me abraça tão forte que mal consigo respirar. Mas ela precisa disso. Precisa que eu sinto seu sofrimento agora, da mesma forma preciso que sinta o meu.

Penso em todas as palavras que meu pai me disse hoje e tento chorar para que saiam de mim. Não quero me lembrar do seu rosto. Não quero lembrar da sua voz. Não quero lembrar o quanto eu o odeio e, mais que tudo, do quanto eu o amava. Não existe nada como a culpa que sentimos quando percebemos que nosso próprio coração é capaz de amar  o mal.

Lexa leva a mão ate a parte de trás da minha cabeça e puxa meu rosto de encontro ao ombro. Sua bochecha pressiona o topo da minha cabeça, e agora consigo escutar seu choro. É baixinho, e ela esta se esforçando muito para conte-lo. Lexa esta sofrendo tanto por causa do meu pai fez com Octavia, e não consigo evitar um pequeno sentimento de culpa. Se eu estivesse por perto, ele nunca teria encostado em Octavia e ela nunca teria sofrido. Se eu nunca tivesse entrado naquele carro com Abby, Octavia talvez ainda estivesse viva.

Curvo as mãos atrás dos braços de Lexa e seguro seus ombros. ergo a bochecha e viro a boca na direção do seu ombro, beijando-a suavemente.

- Desculpe-me. Ela nunca teria tocado nela se eu...

Lexa segura meus braços e me afasta com tanta força que meus olhos ficam arregalados, e eu me contorço quando ela fala:

- Nem se atreva a dizer isso. – Ela me solta e, depressa, leva as mãos ate meu rosto, segurando-me com firmeza. – Não quero nunca que peça desculpas pelo que aquele homem fez esta me escutando? Não é culpa sua, Eliza. Prometa que nunca mais vai deixar esse pensamento passar pela cabeça.- Seus olhos estão desesperados e cheios de lagrimas.

Concordo com a cabeça.

- Prometo – digo com sinceridade.

Ela não desvia o olhar e fica investigando meus olhos para tentar descobrir se estou dizendo a verdade. Seu reação dez meu coração acelerar de tão chocada que fiquei ao ver a rapidez com que descartou a possibilidade de que eu pudesse ter qualquer culpa. Queria que descartasse a culpa que acha que tem com a mesma rapidez, mas isso ela não faz.

Não posso tirar a culpa em seu olhar, então jogo os  braços ao redor de seu pescoço e a abraço. Ela retribui meu abraço com mais força, com um desespero sofrido. A verdade sobre Octavia e a realidade do que acabamos de testemunhar atingem nós duas, e ficamos nos abraçando com todas as forças que temos. Ela não esta mais tentando ser forte por mim. O amor que tinha por Octavia e a raiva que esta sentindo por causa do que aconteceu emanam dela com intensidade.

Sei que Octavia precisaria que ela sentindo o sofrimento dela, então nem tento consola-la com palavras. Nós duas choramos por ela agora, pois naquela época O. não tinha ninguém para chorar por ela, beijo sua têmpora, minhas mãos segurando seu pescoço. Cada vez que meus lábios encostam nela, ela me aperta com um pouco mais de força. Sua boca roça pelo meu ombro, e logo estamos nos beijando para tentar nos livrar de todo esse sofrimento que nenhuma de nós merece. Sinto a determinação de seus lábios enquanto beija meu pescoço com mais força e mais velocidade, tentando desesperadamente encontrar alguma forma de escapismo. Ela se afasta e me olha nos olhos, os ombros subindo e descendo a cada vez que respira com dificuldade.

Em um rápido movimento, ela leva os lábios para cima dos meus com uma urgência intensa, agarrando meu cabelo e minhas costas trêmulas. Ela  empurra minhas costas na parede do banheiro enquanto desliza as mãos pelas minhas coxas. Ela sobe as mãos para minha cintura e me ergue colocando minhas pernas ao redor da sua cintura. Ela quer que essa dor desaparece e precisa da minha ajuda para isso. Assim como precisei dela ontem.

Coloco os braços ao redor do seu pescoço, puxando-a para mim e deixando-a consumir, passar a mão por todo meu corpo para que passe um tempo sem sentir aquela magoa. Permito isso pois sei que preciso desse tempo tanto quanto ela. Quero esquecer de todo o resto.

Com seu corpo me pressionando na parede do banheiro, ela agarra as laterais do meu rosto, segurando-me, enquanto nossas bocas procuram desesperadamente na outra qualquer consolo para nossa realidade. Estou segurando suas costas enquanto sua boca desce empolgada pelo meu pescoço.

- Me diga que não tem problema – diz ela, ofegando na minha pele. Ela ergue o rosto para o meu, procurando, nervosa, por meus olhos enquanto fala. – Me diga que não tem problema querer fazer amor com você agora... porque, depois de tudo que passamos hoje, parece errado deseja-la como estou fazendo agora.

Agarro seu cabelo e a puxo mais para perto de mim, cobrindo sua boca com a minha, beijando-a com tanta convicção que nem preciso dizer nada. Ela geme, me afasta da parede do banheiro, me leva até a cama, e vou enroscada nela durante todo o caminho. Ela não esta sendo nada delicada ao arrancar o resto de nossas roupas que sobraram nos nossos corpos e ao se apoderar da minha boca na dela, mas, para ser sincera, não sei se meu coração seria capaz de aceitar delicadeza nesse momento.

Ela me deita na cama, abre minhas pernas e se põe no meio delas para que nossas intimidades se toquem. Solto o ar ao sentir sua intimidade na minha, chocada com o prazer intenso  que substitui a dor momentânea. Coloco os braços ao seu redor e me mexo com ela enquanto aperta minha cintura com mais força e cobre minha boca na sua. Fecho os olhos e deixo minha cabeça se afundar mais no colchão enquanto usamos nosso amor para amenizar temporariamente a angustia.

As mãos dela continuam na minha cintura e aperta minha cintura a cada movimento frenético e ritmado. Seguro seus braços e relaxo o corpo, permitindo que me guie da maneira que for para ajuda-la. Sua boca se separa da minha, e ela abre os olhos no mesmo instante em que abro os meus. Os olhos ainda estão lacrimosos, então a solto e levo as mãos até seu rosto, tentando amenizar o sofrimento em suas feições com meu toque. Ela continua olhando para mim, mas vira a cabeça para beijar a palma da minha mão e sai de cima de mim, parando de repente.

Estamos ofegantes, e consigo sentir que ela ainda precisa de mim. Ela mantém os olhos fixos nos meus enquanto passa os braços por baixo das minhas costas e me puxa para perto. Ela nos inverte, esta deitada na cama olhando para mim, enquanto agora eu estou por cima dela. Ela me puxa para perto e me beija. Um beijo delicado dessa vez.

A maneira  como esta me abraçando, de forma protetora agora, beijando meus lábios e queixo – é quase como se fosse uma Lexa diferente daquela que estava comigo a trinta segundos atrás, mas igualmente apaixonada. Num minuto, é alvoroçada e intensa... no outro, carinhosa e lisonjeadora. Estou começando a apreciar e a amar sua imprevisibilidade.

Consigo sentir que quer que eu assuma o controle agora, mas estou nervosa. Nem tenho certeza se sei fazer isso. Ela sente meu constrangimento e leva as mãos a minha cintura, guiando-me devagar, para que nossas intimidades voltem a se tocar, movendo-me de maneira bem sutil em cima dela. Fica me observando atentamente, conferindo se ainda estou aqui com ela.

E estou. Estou totalmente presente nesse momento e não consigo pensar em mais nada.

Ela leva a mão para meu rosto, ainda me guiando com a outra mão na minha cintura.

- Sabe o que sinto por você – diz ela. – sabe o quanto a amo. Sabe que eu faria de tudo para acabar com seu sofrimento não é?

Faço que sim com a cabeça, pois sei, sim. E, ao olhar nos olhos dela agora, ao ver a honestidade intensa que há neles, sei que sentia isso por mim há muito tempo.

- Estou precisando tanto disso, Eliza. Preciso saber que você também me ama.

Tudo a respeito dela, desde a voz até a expressão em seu rosto, é tomado pela aflição. Eu faria qualquer coisa que pudesse para tirar isso de dentro dela. Entrelaço nossos dedos e cubro nossos corações com as nossas mãos, reunindo coragem para mostrar o tamanho incrível do meu amor que sinto por ela. Fico olhando-a bem nos olhos enquanto começo a me mover em cima dela, fazendo com que minha intimidade deslize por cima da dela.

Ela geme profundamente, fecha os olhos e inclina a cabeça para trás, afundando a cabeça no travesseiro.

- Abra os olhos – sussurro. – Quero que fique olhando para mim.

Ela levanta a cabeça a cabeça e me observa com os olhos semicerrados. Continuo a assumir o controle devagar, querendo mais que tudo que ela escute, sinta e veja o quanto é importante para mim. Estar no controle é uma sensação completamente diferente, mas não deixa de ser boa. A maneira como esta me observando me faz sentir que ela precisa de mim de tal forma que nunca senti antes com ninguém. De certa maneira, me faz sentir necessária. Como se só minha existência fosse necessária para sua sobrevivência.

- Não desvie o olhar de novo. – digo, movimentando-me um pouco mais rápido, sua cabeça se vira sutilmente por causa da intensidade da sensação e deixo um gemido escapar, mas ela mantem os olhos aflitos bem fixos nos meus. Não estou mais precisando da sua orientação, e meu corpo se transforma num reflexo ritmado do dela. – Sabe a primeira vez que me beijou? – pergunto. – Aquele instante em que seus lábios encontram nos meus? Você roubou um pedaço do meu coração naquela noite. – Mantenho o ritmo enquanto ela me observa ardentemente. – Na primeira vez que disse que me gamava porque ainda não estava pronta para dizer que me amava? – pressiono minha mão com mais força no peito dela e me aproximo, querendo que sinta todas as partes do meu corpo. – Aquelas palavras roubaram mais um pedaço do meu coração.

Ela abre a mão que esta tocando meu peito até a palma estar toda encostada na minha pele. Faço o mesmo com ela.

- Na noite em que descobri que era Clarke? Disse que queria ficar sozinha no meu quarto e, quando acordei e vi que estava lá comigo na cama, tive vontade de chorar, Lexa. Queria chorar porque precisava tanto de você ali. Foi naquele momento que percebi que estava apaixonada por você. estava apaixonada pela maneira como você me amava. Quando pôs os braços ao meu redor e me abraçou, soube que, independentemente do que acontecesse com minha vida, meu lar era você. Você roubou a maior parte do meu coração naquela noite.

Abaixo a boca até a dela e beijo-a delicadamente. Ela fecha os olhos e começa a afundar a cabeça novamente no travesseiro.

- Fique com eles abertos – sussurro, afastando-me dos lábios dela.

Ela abre os olhos, olhando-me com uma intensidade que bate direito no centro do meu ser.

- Quero que fique de olhos abertos... porque preciso que veja eu lhe entregar a ultima parte do meu coração.

Ela exala fundo, e é quase como se eu pudesse literalmente  ver a dor escapar dela. Solto suas mãos e  coloca as minhas ao lado da cabeça dela, para que eu pudesse aumentar a velocidade do movimento. A expressão de seus olhos muda imediatamente de um desespero intenso para um desejo ardente.  Ela põe as mãos na minha cintura, e começa a se movimentar junto comigo, e nos olhamos. Aos poucos, viramos uma só ao expressarmos em silencio com nossos corpos, mãos e olhos o que palavras são incapazes de demonstrar.

Continuamos numa cadencia sintonizada até o ultimo instante quando sinto nossos tremores dizendo que estamos por vir juntas, ela joga a cabeça para trás quando por fim chega a seu ápice e também não demoro a chegar.

Quando seu coração começa a se acalmar, ela consegue me olhar nos olhos de novo,  ficamos nos olhando por alguns instantes até que sua mão vem em direção a minha nuca e me puxa para um beijo com uma paixão implacável. Ela se inclina para frente trocando nossas posições novamente, agora eu estou deitada no colchão e ela por cima de mim, passando a assumir o controle outra vez e me beijando, completamente entregue ao momento.

Passamos o resto da noite alternando nossas expressões de amor sem dizer uma única palavra. Quando enfim ficamos exaustas, abraçadas, começo a pegar no sono, sendo dominada por uma onda de incredulidade. Acabamos de nos entregar completamente uma a outra, de coração e alma. Jamais achei que seria capaz de confiar em uma mulher a ponto de compartilhar meu coração, muito menos de entrega-la por completo.

 


Notas Finais


é nois.


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