História Hospício - Capítulo 24


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Jiraiya, Kakashi Hatake, Kankuro, Karin, Kiba Inuzuka, Kurenai Yuuhi, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Orochimaru, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Amor, Drama, Drogas, Gaahina, Hinata, Hospicio, Itasaku, Karinaru, Karinsasu, Louco, Loucura, Luta, Mansão, Morte, Naruhina, Naruino, Narukarin, Narusaku, Naruto, Orochisasu, Platônico, Primeira Vez, Sakura, Sasuhina, Sasuino, Sasukarin, Sasuke, Sasumaru, Sasusaku, Sexo, Solidão, Tragedia, Traição, Uchiha, virgem
Exibições 387
Palavras 3.587
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Harem, Hentai, Josei, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oloco, demorei um pouco mais de um mês para atualizar.
Estava ocupada com um zilhão de coisas que acabei esquecendo-me dela. Mas fiquem tranquila, desde antes de ontem, estou escrevendo esta história. Ontem eu fiquei até 1 da manhã escrevendo no celular, já que meu outro computador estragou e tenho que dividir este com a minha irmã, mas só queria avisá-los que consegui escrever toda a fic, toda mesma. Pelo celular fiz só o esboço, já que acaba rolando muitos erros de gramática por eu ter dedos estabanados. Mas gostaria de dizer que consegui sim escrever até o final.
Vou surpreender vocês.
Então, neste capítulo, venho prometer atualizar esta fic até finalizá-la, depois eu retomo as outras. Odeio começar uma coisa e não terminá-la e estou temendo que isso aconteça, portanto vou me comprometer a terminar esta fic ^^
Eu não sei quantos capítulos faltam, mas acho que não passa de dez, já que o esboço deu 15 FUCK PÁGINAS
Então eu queria desejar uma boa leitura e queria me desculpar pela demora em atualizar :3

Capítulo 24 - Capítulo 24


Fanfic / Fanfiction Hospício - Capítulo 24 - Capítulo 24

HINATA~

Ficamos por um tempo considerável escondidos por trás daquele muro, o suficiente para cansar-me as pernas. Eu tentei sentar na calçada algumas vezes, mas estava tão gelada quanto gelo, queimando minhas coxas sempre que eu ousava tentar pô-las ao chão mais uma vez. Gaara, por outro lado, sentou-se assim que sentiu vontade. Embora trajasse farrapos, eles tinham pano o suficiente para protege-lo da frieza daquela calçada.

Apoiado com as costas no muro, ele brincava de modo tedioso com uma de suas madeixas, enrolando-a na ponta do dedo e puxando-a para bem próxima dos olhos antes de soltá-la. Ele repetira isso por incontáveis vezes, não parecendo incomodado em ficar do lado de fora pelo tempo que eu precisasse.

Eu suspirei, roubando-lhe intencionalmente sua atenção. Seus olhos verdes brilharam em minha direção, onde passearam por todo meu corpo até atingir a região descoberta das minhas coxas. Eu cruzei os braços, esfregando as mãos neles para afastar o sono que ainda insistia em se sobrepujar.

-Está com frio? -Perguntou-me calmo, avaliando minhas mãos trêmulas. Eu encarei o chão, encolhendo meus pés descalços um no outro.

-Não, eu... só estou um pouco cansada. -Disse, buscando em minha entonação a mesma tranquilidade que aquele garoto tinha ao se comunicar comigo.

Notei-o ajeitar-se sobre a calçada, cruzando suas pernas e apoiando as mãos nos joelhos. Por um breve momento, pensei que ele estivesse me convidando para o seu colo, onde tive que sacodir a cabeça por algumas vezes para afastar a ideia. Para piorar a situação, a brisa noturna foi gradativamente diminuindo sua temperatura, a ponto de me fazer bater o queixo.

Gaara suspirou como se a temperatura o agradasse. Ele fechou os olhos e encostou com cuidado a cabeça no muro, inspirando e expirando lentamente o ar a nos rondar, fazendo seu peito subir e descer calmamente sob a camisa.

-Estou. -Falei repentina, observando-o abrir o olho de antemão. Ele franziu o cenho em minha direção, e em seus olhos claros eu vi a dúvida que pairava em seu tom esverdeado e cintilante. -Estou com frio. -Disse por fim. Gaara não me pareceu espantado ou surpreso, ele apenas estendeu os braços largos em minha direção.

Antes de prosseguir, eu encarei com cuidado sua boca; ela estava impassível, formando uma linha tênue que não me permitia identificar o que se passava na cabeça daquele menino. Eu me aproximei com cuidado, assistindo ele tomar meus pulsos e me fazer sentar em seu colo, deixando-me de costas para o seu rosto.

Ele me envolveu em um abraço malfeito, como se fosse se desfazer a qualquer momento. Porém, pude senti a diferença térmica ao fazer isso; o vento já não me alcançava na mesma proporção que antes, o que me fez suspirar em alívio. Ficamos ali, um junto ao outro, admirando e apreciando o silêncio noturno. Vez ou outra eu ouvia uma ave solitária entrecortar céu, uma cigarra desesperada sinalar para suas parceiras, um cachorro uivar.

A trilha sonora, por mais diversificada que fosse, conseguiu me deixar confortável, assim como fazer sentir-me segura. Ainda que eu soubesse que era Gaara a oferecer seu colo, algo em mim fazia imaginar que quem o fizera era o meu falecido pai. Assim, em desleixo, apoiei as costas no peito dele que pararam subitamente de se mover por um breve instante.

Seus braços ganharam uma nova força, onde envolveram-me com mais firmeza e carência. Soltei o ar involuntariamente, surpresa à sua mudança.

-Está com medo? -Ele sussurrou em meu cabelo de modo esguio, revelando um certo nervosismo que eu desconhecia.

-Não. -Respondi balançando levemente a cabeça em seu peito. Foi então que o ouvi suspirar, onde seus braços afrouxaram meu corpo, mas não desfizeram o abraço.

Foi então que eu finalmente fechei os olhos, não temendo rever aquela criatura em meus sonhos novamente. Sentia-me tão protegida que sequer cogitei a possibilidade de me ocorrer algum mal naquele instante. Gaara não tinha poderes sobrenaturais para me proteger e, até onde eu sabia, também não tinha motivos para tanto, mas, em seus braços, eu sentia-me invencível.

Sentia que eu era capaz de enfrentar, dizer e fazer qualquer coisa que viesse a minha mente, fosse egoísta, fosse altruísta. Um conforto paterno que só conseguira trazer lembranças de meu falecido pai a mente antes que eu adormecesse em seus braços.

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Uma repentina claridade me obrigou a abrir os olhos, deixando-me perplexa ao ver que já era dia. Desacreditei em minha vista, tendo que esfregar as pestanas para me certificar de que não estava sonhando. Lentamente fui percebendo que meus sentidos não mentiam; Gaara se mantivera sentado por toda noite, protegendo-me do frio com seus braços gentis e calorosos.

 Coloquei-me de pé rapidamente, sentindo minha cabeça zonzear.

 -Está bem? -Falou ele entre um bocejo cansado.

Eu apertei as têmporas, buscando afastar a sensação de estar girando no mesmo lugar. Como tudo permaneceu dando voltas, eu espremi meus olhos e afundei os dedos em minha pele, forçando a unha para a dor ser capaz de afastar aquela tontura, mas não adiantava.

Eu não sabia o motivo de estar assim, mas talvez fosse pela falta de comida e água. Senti uma mão de Gaara envolver meu ombro, e a outra, a minha cabeça.

 -Quer ir para casa? -Perguntou-me com um certo ar de preocupação. Eu assenti algumas vezes, notando ele me envolver em seus braços com sutileza e cautela. -É só respirar fundo. -Estranhando sua calma, obedeci às cegas o seu pedido, notando gradativamente a minha cabeça voltar ao seu antigo lugar. -Viu? É só continuar respirando assim que logo estará bem.

 Com a bochecha apoiada em seu peito, eu inspirei lentamente o ar, fazendo meus pulmões transbordarem o oxigênio matinal. Nele eu fui adquirindo a mesma calma de antes, e a tontura se discerniu como mágica. Bem mais calma, eu me afastei daquele rapaz para olhá-lo. Gaara não sorria ou esboçava sentimento algum, apenas me encarava firmemente.

 -Por que tenta me ajudar? -Perguntei sem pensar, deixando meu olhar perdurar em direção ao chão ao sentir que havia dito algo desnecessário.

 -Eu não deveria? -Perguntou persuasivo, afastando-se um pouco. Uma brisa passou entre nossos corpos, fazendo o som de um pequeno sopro. Meus cabelos foram lançados na direção que o ar percorria, fazendo sua extensão escura reproduzir uma grande sombra na calçada. Suspirei por fim, esquivando-me de respondê-lo e tomando caminho para casa.

 Eu não sabia o que ele ou eu deveria fazer. A situação estava um tanto estranha, deixando-me mais confusa do que nunca. Eu havia acabado de conhecer aquele rapaz, mas sentia a segurança nele que apenas meu pai fora capaz de transmitir algum dia; minha mãe retornara, e eu não fazia ideia do motivo; havia sido violentada por alguém que eu desconhecia sua identidade; e, por fim, havia dado o meu primeiro beijo.

 Eram tantas coisas para lidar e digerir que eu me sentia sufocada. Meus passos ficavam mais lentos à cada nova imagem reproduzida em minha mente. Eu precisava voltar para o asilo para poder aliviar toda essa tensão, mas... eu tinha tanto medo de ser surpreendida por aquele enfermo novamente. Eu não sabia sua forma, mas bastava sua voz para me fazer perder o sono. Eu não estava preparada para correr o risco de revê-lo, aliás, não sabia se estava preparada para qualquer coisa naquele dia.

 Parecia que tudo estava correndo rápido demais, como se a vida escolhesse atrocidades aleatórias e as jogasse para cima de mim, zombando e caçoando do meu jeito desengonçado de agarrar os seus desafios. Todos eram de um peso insuportável, onde não via forças em mim para ser capaz de suspendê-los sozinha. Sozinha. Essa palavra..., ela sempre voltava a vagar solitária em meus momentos reflexivos.

Talvez eu apenas precisasse de alguém que me ajudasse a suportar tudo aquilo. Quem sabe assim eu conseguiria seguir em frente e, com um passo de cada vez, encontrar a paz que eu tanto almejava. Suspirei profundamente, captando no ar úmido uma revigorante força que me aqueceu o corpo. Eu tinha que encarar minha mãe, aquilo me daria respostas.

 Chegando na mansão, arreganhei a porta com cuidado, deixando meus olhos se acostumarem à poeira que pairava pelo ar, deixando-o pesado e denso. Jogada no sofá esburacado estava uma mulher. Eu me aproximei, medindo meus passos e tropeçando em um roedor que passara correndo pelo saguão. Foi então que eu a vi: estava adormecida, escondendo o rosto magro em alguns fios da cabeleira azulada.
Seu corpo tinha cicatrizes interessantes que provavelmente carregavam intrigantes histórias que, quem sabe, eu teria participado, se naquele dia tudo tivesse sido diferente. Como em um flashback, minha memória me fez lembrar do dia mais traumático em toda minha vida que, até o momento, eu havia esquecido completamente.

Eu ainda chorava pela perda de meu pai, agarrada e debruçada em Pimpão que nada entendia, mas mesmo assim estava lá, ensopado por lágrimas de uma garotinha que havia acabado de perder o próprio mundo. Das portas metálicas atrás de mim, mamãe entrara, conversando irritada com alguém ao celular. Ela não me dissera nada, apenas agarrou minha mão e me conduziu até a limusine que nos aguardava ligada. Com o celular preso entre a orelha e o ombro, ela apertou o cinto em minha cintura, passando sua mão por ele e se certificando que estava bem preso. Dela eu não recebi nenhuma palavra de consolo, nenhum gesto de carinho e nenhuma olhada que me fizesse sentir-me amada. Presa em sua monotonia, mamãe fechou a porta do carro e, para a minha surpresa, não adentrou o veículo.

 -Mamãe? -Eu chamei com uma voz fraquejada pelo choro, mas ela não parecia me ouvir. Tentei aproximar meu rosto do vidro fechado, mas o cinto me impedia. Porém minhas mãos alcançaram a janela, mas nada puderam fazer. O carro acelerou eu rapidamente vi a imagem de minha mãe sumir. -Mãe! -Eu gritei assustada, apenas aceitando as novas lágrimas que me desciam as bochechas e manchavam minha roupa com cheiro de morango.

Na mansão, o motorista me deixara sozinha, fechando a porta e se colocando em frente a ela, talvez para não me deixar sair. Eu analisei aquele lugar, sentindo-me uma intrusa. Desde o meu nascimento eu vivia ali, aos luxos dignos de uma família nobre. Papai mexia com algo importante, mas eu nunca entendi muito bem do que se tratava.

Os quadros grandes preenchiam as paredes de madeira; os lustres dourados eram de variados tipos, deixando tudo bem iluminado. As janelas, altas e majestosas, apenas intensificavam as luzes do dia que preenchiam toda a mansão e faziam um clarão aconchegante e quente. Porém, naquele dia, nada ali dentro parecia importante. Nada parecia fazer sentido.

 Eu corri até uma das estátuas de pedra que tinham a imagem semelhante de papai e a abracei, mas sua rigidez áspera e gélida me fizera recuar. A única coisa que eu queria era um abraço. Eu me sentia tão sozinha, só queria algo que me fizesse sentir feliz. Sem pensar em mais nada além disso, abandonei Pimpão no saguão e corri à suíte de meu pai, buscando em seu guarda-roupa as roupas que ele jamais usaria novamente.

Assim que peguei seu roupão, senti seu cheiro e dali pude sentir sua presença.

 Insatisfeita e cobiçando por mais, retirei todas suas vestes daquele armário e vesti uma a uma, deixando sua presença cada vez mais forte em minha volta. As roupas estavam frias, mas algo em meu peito estava quente.

 Ofegante e extremamente cansada, eu caminhei com dificuldade até sua grande cama de casal, envolvendo-me em seu manto e me aprofundando em suas lembranças que rapidamente se tornavam vagas e sem vida. Ali, sozinha, eu chorei por muito tempo, ainda descrente que nunca mais o veria novamente. Nisso, acabei pegando no sono.

 Horas depois eu acordei com o barulho de algo sendo espatifado no andar abaixo. Desci da cama com cuidado, segurando fortemente o manto e fazendo com ele uma capa, usando de parte dele para proporcionar-me um capuz protetivo. Do alto da escada, acompanhei um vaso sendo arremessado contra a parede, estilhaçando seu porcelanato em dezenas de pedaços que se espalharam pelo chão.

 Surpresa e assustada, ouvi um grito ensurdecedor que me deixara estática e imóvel. Era minha mãe. Ela, do outro lado do saguão, pegava tudo ao seu alcance e arremessava contra as paredes e móveis, quebrando tudo que conseguia.

 -Não! -Berrou ela, completamente desesperada e fora de si. -Não, não, não! -Prosseguiu berrando. -Aquele. Desgraçado. Como. Ele. Pôde. -Gritava, pausando para arremessar os novos objetos. Eu me agachei nos degraus, escondendo-me no corrimão e tomando cautela para não a aborrecer mais, porém, eu era desastrada e acabei tropeçando em meus pés, quase rolando escada abaixo.

 Mamãe lançou-me uma olhada sinistra e completamente cruel, fazendo-me chorar de medo instantaneamente. Como se aquilo não a afetasse, ela continuou buscando novos objetos e os quebrando assim que encontrava. Ela derrubou a televisão, tombou o sofá e azunhou os quadros das paredes, sempre gritando com uma entonação aguda e ensurdecedora.

 -Mamãe... -Eu sussurrei entre soluços, erguendo as mãos em sua direção e implorando por colo.

 -Cala a boca! -Ela berrou, apenas fazendo-me chorar mais. -Pega as suas coisas, vamos embora daqui.

 Foi então que eu me calei. Eu não queria ir embora, pois teria que abandonar todas as amizades que eu fiz no asilo. Eu adorava aquele lugar, assim como todos lá dentro se divertiam com a minha presença. Além disso, eu tinha uma vida ali e a vívida lembrança de meu pai que acabara de partir. Eu neguei lentamente com a cabeça, horrorizando-me ao vê-la chutar os destroços do chão.

 Ela, em silêncio, correu até o cofre escondido atrás do quadro favorito de meu pai, onde estava pintado uma moça com olhos interessantes que pareciam seguir quem a olhava, independentemente do modo em como se reparava no quadro. De lá, mamãe pegou algumas das joias que papai lhe dera ao longo de sua vida. Guardou todas na bolsa e correu em minha direção, agarrando meu braço e me puxando para fora. Eu forcei meinhas pernas pelo chão e tentei me desvencilhar, mas ela estava insistente.

 -Para de resistir! -Berrou ela.

 -Não, mamãe, eu não quero ir! -Gritei aos prantos, tentando fazê-la me soltar.

-Mas você vai!

-Mas- eu me interrompi quando a sentir me largar. Mamãe me olhou amargamente e me empurrou, fazendo-me cair de costas no assoalho gelado.

 -Então fica aí sozinha! -Berrou antes de sair pela porta e fecha-la em um solavanco, fazendo um alto estrondo por toda a mansão.

Desde aquele dia, desde aquele momento, eu me senti sozinha; desolada. No dia em que perdi meu pai, perdi também a minha mãe, onde pensei que jamais a veria de novo. Encarando-a largada no sofá, senti uma lágrima quente escorrer por minha bochecha e descer até meu queixo. Eu funguei baixo, escondendo meu rosto nas mãos e me sentando ao chão antes que eu caísse sob toda aquela pressão que tomava o ar.

Por tantos anos eu senti a falta do único sentimento capaz de fazer uma pessoa se sentir feliz e triste ao mesmo tempo: o amor. Chorando em silêncio, ouvi algo no sofá se remexer, mas eu não tinha forças para espiar que feição ela poderia ter. Sentia-me horrível por minha mente ser cruelmente capaz de me fazer reviver toda aquela dor que eu sentira naquele dia horrível. O pior dia da minha vida. Eu pensei que havia esquecido dele, de seus detalhes, da dor aguda que passeou por meu rosto e se alojou por trás dos meus olhos, mas eu, agora, conseguia sentir exatamente o mesmo que senti naquele dia.

 -Hinata... -Sussurrou ela, e sua voz nostálgica apenas me fizera chorar um pouco mais. Eu me levantei, ainda mantendo meus olhos turvos escondidos em minhas mãos trêmulas, e corri para debaixo da escada, sentindo Gaara me parar com um abraço rápido. Eu tentei me desvencilhar de seu gesto, mas eu não conseguia, sentia-me debilitada e frágil.

 -Está tudo bem. -Sussurrou em um sopro, abraçando-me carinhosamente. Eu neguei com a cabeça, afundando meu rosto em seu peito e soluçando aos prantos, completamente afoita, eufórica e desolada.

 -E-e-e-Tentei falar, mas as palavras se embaralharam em minha boca, deixando tudo o que eu dizia bastante confuso. Aquilo refletira perfeitamente bem o que se passava em minha mente.

 -Shh, calma. -Pediu ele, afagando-me de modo terno e gentil.

Gaara lançou-me um sorriso motivador, olhando fundo em meus olhos. Nos entreolhamos por um breve momento antes de ele se afastar, ocultando-se nas frágeis sombras dispostas pela baixa claridade a preencher o interior da mansão.

Em silêncio, eu traguei o ar que me rondava, sentindo uma sensação incômoda e sufocante e áspera me arranhar a garganta e atiçar meu estômago vazio ao ver a aparência daquela mulher largada com desleixo no sofá, como se aquilo fosse sua confortável cova. Minha mãe não parecia a mesma; o tempo não lhe fora favorável, não perdoando nem mesmo seu corpo que, em minha memória, era tão belo quanto o de uma boneca. Com os olhos estreitados para mim, ela procurou algo na saia sem bolsos; as mãos tremulavam rápidas à cada gesto, passando-me a impressão de que ela não conseguia controla-las muito bem.

 -Tem cigarros? -Meu coração, por um nano segundo, parou de bater.

De todas as palavras que imaginei ouvir dela ao me encontrar, aquelas sequer estavam na longa e extensa lista. Eu engoli a saliva com dificuldade, sentindo nela o amargo sabor da decepção. Eu neguei com a cabeça, notando-a repudiar-me com os olhos que reviraram.

-Não minta para a sua mãe. -Minha cabeça zonzou em sua última palavra, mas me mantive firme de pé, pronta para desabar a qualquer instante.

 -Então, foi por isso que...  -O restante da pergunta se perdeu em minha boca, arrastando-se goela a dentro. Eu não queria ser maldosa com a única pessoa que eu mantinha laço sanguíneo, além de que o propósito de sua partida ainda me era oculto, assim como o de sua volta, ainda que a suspeita do motivo fosse tão óbvia que eu me recusava a aceitar.

 -Não, menina tola, eu vim por causa de dinheiro, e só vou sair daqui quando eu conseguir isso. -Eu tentei franzir o cenho para mostrar a minha surpresa, mas minha face endurecida não conseguia manter alguma expressão que não fosse uma fria indiferença, por mais doloroso que fosse vê-la dizer tais coisas para a filha que ela não via há seis anos. -Perdi tudo que eu tinha, se eu não conseguir cinco mil, estou fudida. Então começa abrindo o jogo e fala logo onde tem dinheiro nesse lugar.

Engoli suas palavras amargas, repudiando-me com sua frieza. Olhei ao meu redor, buscando naquela casa algo que a fizesse pensar que minha situação financeira estava tão melhor que a dela, porém, por mais que eu vasculhasse, nada achava. Gaara estava escondido em uma sombra no encontro de duas paredes, mas pude ver perfeitamente bem suas írises cintilarem em minha direção.

Eu sabia que ele pedia para que eu tivesse calma, para que eu respirasse fundo e não me deixasse abalar por tão pouco. Mas eu não conseguia ser tão forte. Meu passo estava me corroendo de dentro para fora, causando-me uma dor muito mais forte do que eu podia suportar. Mamãe sentou-se com dificuldade no sofá e eu me obriguei a encarar o chão para que seus ferimentos e tatuagens não corrompessem a bela imagem que ficara guardada por anos em minha mente.

Eu não queria odiá-la, independentemente de tudo que ela fizera comigo, afinal, ela era minha mãe. Algo dentro de mim me fazia ter esperança de que podíamos viver como os Uchihas, uma família que coloca o amor acima de qualquer coisa. Limpei as bochechas com frágeis punhos, sentindo uma leve ardência toma-las. Tentei respirar fundo, mas os pulmões cansados pelo choro só conseguiam entrecortar o ar que esbarrava nas cavidades fechadas da minha narina.

-Garota, escuta aqui, -falou irritadiça, fazendo os pelos do meu corpo se eriçarem -eu não vim aqui bancar o papel de mamãezinha para uma menina carente. Acho que você já está grandinha demais para se virar. Então, se você quer se livrar de mim, arranja esses cinco mil e prometo não dar as caras de novo.  -Eu levantei a cabeça de antemão, visualizando aqueles olhos que há anos eu não encarava tão de perto.

Estavam cansados e pareciam carregar dores insuportáveis. Por mais que a voz estivesse hostil, algo nela me dizia que ela precisava de ajuda, que estava passando por problemas e que estava tão sozinha quanto eu. Porém, eu nada disse, aliás, mesmo que passasse dias e dias planejando o que dizer para ela, eu não conseguiria.

Doía muita sua frieza e doía muito mais o motivo que a trouxera de volta. Eu recordo-me perfeitamente bem agora que ela levara uma quantidade de joias o suficiente para viver bem por muitos anos, então, o que acontecera neste período de tempo de seis anos que obrigara ela a buscar mais dinheiro justamente com alguém que ela deixou desamparada.

Olhei de relance para traz, planejando mais uma falha fuga do inevitável. Eu não tinha para onde ir, e não tinha para quem recorrer. Como sempre, o mundo jogava em meus ombros a afirmação de que eu estava sozinha e de que era eu quem deveria enfrentar os desafios lançados pelo destino.

-Eu vou consegui o seu dinheiro. -Afirmei de modo falho, sentindo a vista ficar turva em lágrimas sofridas. Eu firmei os punhos, tentando me convencer disso.

-E vai mesmo. -Afirmou convicta com a boca retorcida, como se sentisse nojo do que via.


Notas Finais


Podem me dizer o que acharam? O que esperam? Como foi este capítulo para vocês? :3 matem minha curiosidade <3


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