História Hospício - Capítulo 28


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Jiraiya, Kakashi Hatake, Kankuro, Karin, Kiba Inuzuka, Kurenai Yuuhi, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Orochimaru, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Amor, Drama, Drogas, Gaahina, Hinata, Hospicio, Itasaku, Karinaru, Karinsasu, Louco, Loucura, Luta, Mansão, Morte, Naruhina, Naruino, Narukarin, Narusaku, Naruto, Orochisasu, Platônico, Primeira Vez, Sakura, Sasuhina, Sasuino, Sasukarin, Sasuke, Sasumaru, Sasusaku, Sexo, Solidão, Tragedia, Traição, Uchiha, virgem
Exibições 338
Palavras 3.882
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Harem, Hentai, Josei, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Galerinha, não pulem as notas, por favor, é meu momento desabafo :P

Só queria dizer que o capítulo que vem vai explicar praticamente TUDO, na verdade, o próximo somado ao que vier depois dele serão o suficiente para fazer TUDO TER SENTIDO.Tudo que eu escrevi até agora teve um propósito, TODOS os detalhes, vão fazer sentido.
Então, isso significa que estamos chegando ao fim ><' só não sei se isso é bom ou ruim ahaha

BOA LEITURA E OBRIGADA PELOS COMENTÁRIOS FANTÁSTICOS

Capítulo 28 - Capítulo 28


Fanfic / Fanfiction Hospício - Capítulo 28 - Capítulo 28

HINATA~

Depois do incidente na residência dos Uchihas, decidi que já era hora de visitar o asilo. Por alguma razão que desconhecia, os incidentes estranhos que vinham ocorrendo conseguiram me afastar do único lugar que eu realmente me sentia bem. Tanto Sasuke como Gaara eram pessoas que aparentavam se importar com o meu bem-estar, porém, por mais que eles se esforçassem nisso, nada se comparava àquele asilo.

Kurenai estava ocupada dando banho em alguns dos enfermos. Por a maioria ser debilitada, tornava-se impossível eles mesmos tomaram conta de si. Pessoas, na maioria dos casos, bastante forte fisicamente, tendo apenas barreiras psicológicas que os impediam de ser tão comum quanto qualquer outra pessoa saudável. Contudo, eram as suas imperfeições que me deixavam fascinada.

Jujuba estava sentada na maca, coberta dos pés à cabeça. Kurenai disse que ela andava estranha, com ideias bizarras e desejos incomuns. Não lhe pedi muitos detalhes, apenas respeitei os comandos da enfermeira. Por baixo daquele lençol branco, Jujuba parecia assustada. Suas mãos chacoalhavam e subiam algumas vezes, e isso me levou a crer que ela estava se sufocando.

-Você está bem? –Perguntei, medindo o meu tom para não apavorá-la. Jujuba continuou a se remexer por baixo do lençol, como uma criança travessa a fingir ser um fantasminha. Para a semelhança ficar idêntica, faltavam apenas dois buraquinhos na região dos olhos e voialá, um fantasma. Porém, mesmo que houvesse buracos recortados, Jujuba não os utilizaria, afinal, ela era cega.

Desci da maca, enfiando a cabeça para fora da porta, observando o corredor mórbido afundar-me em seu branco apático e frio. A porta do enfermo peculiar mantinha-se intacta, aparentando estar tão bem fechada quanto antes. Voltei a bisbilhotar o quarto, certificando-me de que Kurenai continuava ocupada.

Gaara me dissera mais de uma vez que não havia motivos para eu ter medo desta pessoa, mas era inevitável. O perigo parecia possuir uma atração própria que me puxava cada vez mais forte para aquela ala, e eu acabei cedendo, novamente, para esta atração fatal. Caminhei com cuidado pelo corredor, pisando com a ponta dos dedos para que tudo permanecesse calmo e quieto.

A abertura pequena e bem protegida por grossas grades de ferro continuava no alto da porta de aço, mantendo bem trancado quem quer que estivesse do lado de dentro. Eu engoli a saliva e fechei os punhos, inspirando lentamente o ar até inchar os pulmões o suficiente para me passar a ilusão de que eu estava confiante e nenhuma pouco amedrontada.

Olhei subitamente para trás, com aquela leve impressão de estar sendo seguida, mas tudo permanecia quieto e calmo, com exceção do meu coração afoito. Chegando na porta, eu ergui a cabeça até alcançar a abertura pequena, deixando meus olhos darem uma pesquisada na ala trancada. Permanecia escura e sem odor, como se ninguém nunca tivesse pisado ali.

Apoiei as mãos, sentindo a frieza do aço cru. Era hostil, onde não me deixara menos agonizada. Minha vista mergulhou-se na escuridão densa, ocultando qualquer silhueta. Simplesmente eu não conseguia ver nada, nem um traço, nem uma cor, nem uma curva. Aquela ala estava completamente escura, algo fora do normal. A luz do corredor sequer adentrava aquele lugar.

Foi então que eu ouvi um rangido. Com meu peso apoiado naquela porta, acompanhei a porta ser lentamente aberta, levando o meu corpo para dentro. Meu coração gritou assustado e meus olhos esbugalhados perderam o foco naquele instante; a escuridão estava simplesmente me engolindo.

Do batente da porta, a luz do corredor morria, onde eu, e apenas eu, adentrava a densa escuridão. Ela era fria, como se dentro da ala houvesse uma corrente de ar enviada direto do polo Norte. Com os dedos posicionados no contorno da abertura, eu fechei os olhos e não consegui me mover. Não planejava abrir aquilo, afinal, não pensei que estivesse aberto.

Fiquei naquela posição por um longo tempo, deixando o corpo preparado para um possível susto, mas nada quebrara o silêncio. A ala estava vazia. Ao largar a porta, tentei fechá-la novamente, mas ela sempre voltara a se abrir, como se meu ato tivesse estragado a fechadura. Aquilo fora o bastante para me apavorar. Kurenai, ao descobrir que eu bisbilhotara a ala novamente, certamente me expulsaria.

Fiquei tentando fechar a porta desesperadamente, encostando-a sempre com um pouco mais de força. Por que o enfermo daquele lugar estava solto? Se ele estava trancado de modo tão seguro, o que poderia ter ocorrido para ele simplesmente ser liberto? As perguntas tremularam minhas mãos que lentamente perdiam o controle em uma tremedeira expressiva.

-Você não pode mais me manter preso. –Rugiu alguém ao pé do meu ouvido. A voz ácida me imobilizara instantaneamente, deixando todos os meus músculos rígidos e atrofiados. Algo em mim gritava para que eu girasse a cabeça e finalmente encarasse o sujeito que atormentava o meu eu. –Você não pode mais... me controlar, Hinata.... –Uma baforada gelada arrepiou os pelos da minha nuca.

-Qu-quem é você? –Sussurrei com uma gagueira tanto mental como física.

-Eu sou o seu medo. Você me alimentou, Hinata, e isso me deixou forte e grande. Não pode mais me aprisionar nesta ala nojenta. Não pode mais me aprisionar em lugar nenhum. –Enquanto eu o ouvia, tremendo a ponto de quase cair, recordei-me da vez em que, ao me virar, ele desaparecera, como um vulto em uma fumaça negra. E foi exatamente o que eu fiz.

Virei o corpo em sua direção, mas meus olhos amedrontados simplesmente se fecharam, temendo me mostrar a verdade. Para, senti a respiração daquele ser; ela me acertava o rosto, mostrando com maestria a presença próxima daquele enfermo. Lentamente, eu abri os olhos, e o que eu vi ficaria marcado em minha mente.

Ele não era homem, não era sequer um ser humano. A criatura negra era um monte de fumaça negra aglomerada em uma silhueta que imitava a de um ser humano, mas muito maior e bem deformada. Não existiam olhos ou qualquer outra coisa além da negra e densa fumaça. Parecia um vulto tridimensional com alto poder lesivo.

Não acreditei que aquilo fosse real, pensando que, talvez, o meu lado fantasioso estivesse dando características ilusórios àquele que me causava medo, porém estava nítido que ele era real. Assim como era nítida a sua raiva para comigo.

-Você não é real! –Eu berrei com toda a força que tinha nos pulmões e fechei os olhos, espremendo-os tão forte que temi não conseguir voltar a abri-los.

-Hinata? –Gritou Kurenai de dentro de alguma ala.

-Socorro, Kurenai! –Respondi-lhe alto, ainda imobilizada por todo medo que aquela criatura me trazia. Ouvi os passos se aproximarem e então as mãos quentes daquela enfermeira me tomar as mãos.

-Hinata, o que foi? Por que está gritando? –A pergunta viera apressada de sua boca, e eu abri os olhos para me certificar de que era ela mesma a conversar comigo. Porém, quando finalmente pude voltar a enxergar, vi-a inserida por aquele vulto. Ele a rodeava, mas ela não parecia vê-lo.

-Kurenai! Cuidado, ele... – o assombro me calara. O vulto continuava de pé a minha frente, dividindo o mesmo espaço que Kurenai, apenas um pouco mais disperso. Ela franziu o cenho, expressando sua confusão.

-Do que você está falando, menina? Por que está gritando? Eu estou do seu lado. –Repreendeu-me irritadiça. Eu olhei o rosto negro da criatura, e então encarei Kurenai. Ela realmente, por algum motivo, não o via. Apenas eu.

-Eu preciso ir! –Disse por impulso, livrando-me de suas mãos e correndo pelo corredor até alcançar a rua deserta.

Ofegante, apoiei as mãos no joelho e tentei criar um ritmo respiratório, mas estava afoita demais para conseguir. Olhei para trás, observando a criatura tenebrosa parada na passagem da porta, virada para a minha direção. Ela não se movia e isso apenas me deixou mais assustada.

XXXX

Em casa, não encontrei minha mãe em lugar algum. Imaginei que ela estivesse dormindo em um hotel por achar aquele lugar um chiqueiro, ou que apenas havia saído para respirar algo além daquela poeira que arranhava tanto a garganta quanto os pulmões. Gaara estava sentado no corrimão da escada, descendo-o como um tobogã improvisado.

Ele não parecia ter notado a minha presença. Sempre que completava o circuito, Gaara voltava a subir até o topo, sentava-se de novo no corrimão da escada comprida e deixava que a gravidade o escorregasse para baixo. Assim que seus olhos se encontraram com os meus, vi sua íris verde se intensificar em um profundo tom esverdeado escuro.

-Eu avisei que não tivesse medo. –Disse repentino, arrancando-me uma arfada breve e involuntária.

-Como pode me dizer isso? Eu não estou entendendo mais nada! Como é possível aquilo ser real? –Falei intrusiva e espantada, surpresa por ele parecer estar muito mais a par da situação que eu. Gaara suspirou e se aproximou, mas eu retrocedi um passo que o fizera parar.

-Basta você não ter medo, Hinata. –Respondeu-me tranquilo, como se sua alegação sanasse qualquer dúvida que eu pudesse ter.

-O-o que quer dizer com isso?

-Que enquanto eu estiver aqui, nada de ruim vai acontecer com você. –Falou convicto, e aquela sua propriedade ao que dizia deixou meu coração afoito em chamas. Uma chama dolorosa e sufocante.

-Mas coisas ruins estão acontecendo comigo! –Disse alto, tampando a boca ao notar o qual estrondoso estava o meu tom. Neguei por fim, escondendo o rosto nas mãos e desabando os joelhos fracos no assoalho. –O tempo todo... – sussurrei – desde aquele dia.... Faça parar, por favor. –Por mais que eu soubesse que aquilo ia além dele, eu não conseguia pensar em algo menos surreal e possível.

Gaara não me respondeu nada; depois de um breve instante em silêncio, senti sua mão acomodar-se no alto da minha cabeça e depositar o tão habitual afago. Porém, pela primeira vez na minha vida, aquilo não me deixou menos assustada. A sensação de insegurança e vulnerabilidade era gritante e muito dolorosa.

Minha mãe, Naruto, Itachi, e agora aquilo.... Por que eu era alvo de tantas desgraças se eu nunca fizera mal nem para uma formiga-cupim?

 

SASUKE~

As coisas em casa se tornaram difíceis desde a declaração do meu irmão. Eu já cometi alguns crimes, e até continuo cometendo alguns, mas Itachi havia passado o limite do errado, se é que isso realmente existia. Depois que Hinata foi embora, encontrei uma ambulância estacionada em frente de casa.

Não recordava de ter ouvido alguma espécie de sirene, mas eu estava tão atordoado que não seria difícil acreditar que isso passara despercebido por minha audição abalada. Mikoto estava sendo orientada por dois enfermeiros que seguravam uma bombinha de oxigênio que cobria a boca e o nariz dela. Ela estava passando mal. Não havia como culpá-la por isso.

Fugaku, por outro lado, estava trancado no quarto. Quando me aproximei da porta, pude ouvi-lo chorar, e aquilo doera mais que qualquer outra coisa. Meu irmão já estava imobilizado em uma maca dentro da ambulância, e a primeira coisa que ocorreu quando eu entrei em casa foi uma enxurrada de interrogações sobre o que realmente tinha acontecido, pois ninguém ali dentro abrira a boca.

Perguntaram se deviam chamar a polícia e o que eu sabia, mas respeitei o silêncio dos meus pais sobre o assunto e, assim como eles, eu nada disse. Depois de um calmante, levei minha mãe para o sofá e segurei sua mão trêmula até que ela dormisse. Não demorou muito, já que sua cabeça estava cansada de tantos acontecimentos sugadores de energia.

Itachi, quando eu levantei, não havia retornado para casa. Eu não sabia se ele estava no hospital por ter algum ferimento grave ou se apenas estava irritado demais para retonar. A ideia de vê-lo com remorso e arrependimento não me viera à mente, afinal, ela era Itachi Uchiha. Nunca o presenciei sentindo tal sentimento.

Quando fui para o colégio, vi que Mikoto ainda estava largada no sofá, segurando alguns vidrinhos de remédios. A maioria era placebo, então não fiquei muito preocupado. A sala ainda estava vazia por ser cedo demais; e aquilo não ajudava em nada. Não queria refletir sobre aqueles acontecimentos.

Meu irmão estuprara uma garota. Aquilo não se encaixava a lábia dele. Itachi nunca havia cometido tal atrocidade e acredito que também nunca havia tocado no assunto, nem mesmo quando uma das namoradas dele do colégio o traíra. Não, aquilo não parecia ter sido planejado por ele.

-Rapunzel. –Chamou-me alguém da abertura da porta, tirando-me de meus devaneios. Naruto estava parado lá, segurando uma garrafa de pinga e olhando-me com dificuldade. Seus olhos pareciam pesados e sua cara não estava muito boa. –Quando você vai cortar esse cabelo? Tá parecendo uma mulher. –Resmungou de modo arrastado. Ele estava bêbado, e não era nem sete horas.

-Tá fazendo o que aqui? –Ele riu da pergunta, mesmo que ela não tivesse graça. Naruto entrou capengando na sala, quase caindo no caminho.

-Bebendo. –Respondeu-me o obvio e então bebericou a bebida com a boca no gargalo. –Ontem eu tentei pegar os gabaritos das provas na sala do diretor e... quase fui pego. Aquele tarado entrou lá com uma aluna e eu me escondi em um dos armários. Cara, eles foderam pra valer.

-Virou a noite aqui?

-Eu já tava meio grogue por conta de uma droga que o Shikamaru me deu, então sim, eu virei a porra da noite naquele armário. Consegui arrombar aquela merda só agora de manhã. Tô bebendo para esquecer o que eu ouvi ontem, então, vê se não atrapalha. –Eu larguei uma risada nasal. Antes ele do que eu.

Naruto largou a garrafa no chão e deitou-se de costas na mesa do professor, soltando um longo e largo suspiro ao se acomodar.

-Eu vou dormir. Não me acorde. Se o professor chegar, manda ele se fuder. –Antes de eu respondê-lo, Naruto me deu as costas e deitou-se da forma mais confortável que conseguira encontrar. –É sério, se alguém me acordar eu vou matar.

Eu assenti, por mais que ele não estivesse vendo. Larguei os materiais na lousa e abandonei a sala, suspirando profundamente ao alcançar o corredor. O silêncio e a calmaria daquele lugar fora angustiante. Quando apoiei as costas na parede e cobri minha cabeça com o capuz do blusão, avistei Hinata.

Como de costume, ela ainda trajava as veste que eu lhe entreguei na manhã anterior. O rosto dela estava baixo e sua caminhada monótona estava mais lenta que o habitual. Sem querer esperar que ela se aproximasse, tomei a iniciativa. Assim que a alcancei, ela interrompeu sua caminhada e me encarou no rosto. Os olhos carregavam escuras manchas, entregando sua noite mal dormida sem que houvesse necessidade de eu lhe perguntar.

-Posso imaginar como foi a sua noite. –Ao dizer isso, Hinata abaixou a cabeça e limpou o rosto com a manga da blusa que era um pouco maior que seu braço.

-Não quero falar sobre isso. –Disse séria e indiferente, e isso me deixou um tanto perplexo. Existem limites para indiferenças; o que aconteceu com ela era grave demais para que ela tentasse ignorar. Até mesmo o que ocorrera entre ela e Naruto. Como era possível que alguém suportasse tanta coisa sozinha?

-Eu não vou deixar você sofrer sozinha. –Neste instante, o corpo dela tremulou. Os seus pequenos pés se encolheram, ocultando parte na barra da calça larga e cumprida. –Eu estou preocupado com você. –Hinata ergueu a cabeça de antemão, olhando-me com seus olhos grandes que expressavam uma surpresa que eu não compreendi.

-Preocupado...? –Repetiu atônita. A boca levemente aberta e o rosto quase pálido.

-É claro que estou. –Ela então franziu o cenho, mas seu semblante confuso não se diluíra. –Aliás, você jantou ontem? Tomou café hoje? Você parece que quer se matar. Se você não sabe cuidar de si mesma, eu cuido, ouviu? E enquanto você estiver desse jeito, eu vou continuar cuidando de você. Entendeu? Ache isso bom ou ruim. –Ela não mudou o foco dos seus olhos, apenas se manteve firme, encarando-me. E com o tempo que demandou aquele silêncio, senti um estranho e inédito rubor invadir as maçãs do meu rosto.

Eu já passei por incontáveis ocasiões constrangedoras, desde brochar enquanto uma prostituta me chupava a um papel de Peter Pan na peça do colégio, onde meus pais ficaram gritando “lindo!” do começo ao fim das cenas que eu aparecia, mas dificilmente eu me sentia envergonhado a ponto de sentir o rosto quente e o estômago frio. Por algum motivo, era daquele jeito que eu estava, e eu sabia o que significava. Quando eu motivei-me para me afastar antes que ela notasse, senti os braços de Hinata rondarem meu pescoço.

O seu abraço apenas piorou a situação vergonhosa no meu rosto. A minha confiança havia simplesmente se escondido, deixando apenas uma timidez que eu desconhecia até o momento. Hinata apertou o abraço, como se aquilo fosse o que a motivara a ir para o colégio naquele dia.

-Estou com medo. –Sussurrou com a boca escondida no meu ombro. Seus pezinhos estavam esticados para que a posição não fosse desfeita, e eu me orgulhei da sua atitude. –Eu não quero sentir mais medo.

-Eu vou dar o meu melhor. –Sussurrei de volta. Retribuí o abraço, porém com um pouco mais de força. O que eu estava fazendo, afinal?

Estava me apaixonando de novo. Será que a primeira vez não serviu para me dar uma lição? Eu sequer havia esquecido a Sakura e esta garota surgiu como uma lembrança que não ia embora. Mas eu não queria que ela fosse e, por alguma razão, não a deixaria ir.

Mesmo aos dezessete, mesmo vivendo no limite, eu ainda não compreendia como eu me permitia sentir em algo que sempre tendia a machucar. Aliás, como todas as pessoas deixava que aquele sentimento chegasse de mansinho e se alojasse no canto do seu coração e ficasse lá, sendo alimentado por falsas esperanças e apenas crescendo para que, num futuro não muito longe, fosse destruído, dilacerando todo lugar que chegara a ocupar e tocar.

Mas que se foda tudo isso! Eu queria aquela garota esquisita do meu lado, nem que fosse para ela me machucar futuramente. Nem que fosse para que ela me obrigasse a visitar aquele poço fundo quando ela se cansasse de mim. Valia a pena e isso bastava.

Com isso em mente, eu afastei o rosto dela do meu ombro até que minha boca encontrasse a sua. Hinata não beijava como as outras meninas, mas eu não via isso como algo ruim. Era doce, quente e intenso. Eu guiava seus lábios, sua língua, sua cabeça. Ela se entregava de cabeça, deixando-me encarregado daquilo.

Eu a beijei com fervor, aproveitando-me de sua permissão para matar aquela sede que só poderia ser extinta com a saliva dela. Hinata gemeu em minha boca, tão baixo quanto um piado de uma ave que acabara de nascer.

-Sasuke? –Chamou alguém com uma voz feminina. Eu hesitei em largar Hinata, mas não fora preciso; ela mesma recuou. Por cima de sua cabeça pude avistar Sakura. Seus olhos verdes estavam maiores que o normal, mas não posso afirmar que senti alguma coisa em vê-la daquela forma.

Hinata limpou a boca com a manga da blusa e se afastou, dirigindo-se para a sala. Nesta brecha, Sakura se aproximou com receio.

-Seja breve. –Disse com secura e notei-a tremular em resposta.

-Itachi está na minha casa. –Alegou e eu senti uma ligeira tontura escurecer minha vista.

-Como é que é?

-O seu irmão chegou ferido ontem à noite, descalço e com a roupa suja de sangue, dizendo que alguns caras bateram nele até que entregasse o celular e os tênis. Ele parecia confuso, eu não entendi muito bem. Papai o acolheu, deu algumas roupas e a minha cama para que ele possa se recuperar.

-O seu pai? –Perguntei irônico e levemente enciumado. Cruzei os braços em negação, descrente no que ela dizia. –Então do Itachi ele gosta?

-Sasuke, não diga isso. –Pediu-me mansa. –Se papai tivesse tentado te conhecer, sei que ele teria mudado a opinião formada que tinha sobre você.

-Não vamos discutir sobre isso. E não se preocupe, hoje à tarde eu vou buscar aquele idiota.

-Mas eu quero discutir sobre isso. –Eu franzi o cenho, encarando a convicção e firmeza que as frases dela carregavam. E lá estava eu, cedendo aos pedidos dela como sempre fizera. Eu suspirei virando a cabeça a ponto de ver Hinata abandonar a sala extremamente pálida. Fui até ela imediatamente; ao segurar sua mão, ela por pouco não gritou de susto.

-Hinata?

-Des-desculpe, e-eu não pen-pensei que o Na-na-naruto ... –Tentou explicar, gaguejando fortemente. Claro, eu havia esquecido totalmente. Hinata estava mais assustada que o normal, e aquilo provavelmente ia além do que Itachi fizera com ela. Abracei-a, impedindo que ela continuasse a tentar se explicar.

-Respira. –Pedi, ouvindo-a obedecer. –Vem, vou te levar para lavar o rosto.

Segurei a mão de Hinata e a levei até o banheiro masculino, observando o semblante angustiado de Sakura se intensificar. Eu sorri ao vê-la naquele estado, por mais que parecesse errado. Enquanto caminhávamos, avistei Jiraiya que havia acabado de chegar. Ao nos ver, seu cenho se franziu em surpresa.

-Aonde estão indo? –Perguntou intrusivo.

-Pra minha cama. –Respondi-lhe, caprichando um sorriso descarado e cretino no canto dos lábios. O diretor sequer tentou disfarçar o seu espanto, e aquilo me divertiu. Aquele idiota me irritava até mesmo quando suspirava, nada como irritá-lo como ele adorava fazer comigo.

 

XXXXXXX

 

Depois da aula, onde o professor Orochimaru não ousou encostar no Naruto que roncou o período todo, levei Hinata para casa, tentado a perguntar se ela prestaria queixa na polícia contra o meu irmão. Confesso que meu coração estava dividido naquela questão, pois não seria aquele desgraçado que sofreria caso ele fosse preso, mas sim meus pais.

Assim que alcançamos a casa da Hinata, vulgo mansão mal-assombrada, ela hesitou em abrir a porta, como se temesse o que quer que fosse encontrar ali dentro. Eu mantive parado ali, aguardando-a entrara para ter certeza que mais nenhum incidente ocorreria com ela, até que ela finalmente abriu a porta. O ranger foi alto, da qual a fez tremular.

-Hinata, - falei, ao vê-la ir. Ela se virou, olhando-me com insegurança. –Posso entrar? –Ela demorou um pouco, mas confirmou com a cabeça. Eu não pretendia violentá-la ou me aproveitar de seu momento difícil, mas eu senti que ela devia a mim a explicação sobre o garoto mencionado aquele dia.

Sua confissão ainda estava entalada na minha goela, deixando tudo com um gosto amargo, quase intragável. O lugar nostálgico ainda estava do mesmo jeito: caindo aos pedaços. Meus olhos demoraram a se acostumarem à falta de luz e muita poeira que subia e se misturava no ar.

-Eu não pretendo demorar. –Expliquei.

-Tudo bem.

-Lembra quando você disse que morava com alguém? –Perguntei de supetão, observando-a afirmar. –Então, eu fiquei um pouco... –busquei sem pressa a palavra no ar – curioso em relação a esse garoto. Eu quero conhecer ele, se não se importar.

-Tá. –Respondeu-me tranquilo, deixando-me mais curioso. –Gaara! –Chamou ela, adentrando a mansão. Eu aguardei próximo da porta, levemente irritado. Depois de algum tempo, ela retornou, simulando segurar algo em sua mão. Eu a encarei com o cenho franzido, buscando compreendê-la. –Sasuke, este aqui é o Gaara. Gaara, este é o Sasuke.

Meu coração falhou. Não havia ninguém ao lado dela.


Notas Finais


Eita, e esse final?


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