História Hospício - Capítulo 29


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Jiraiya, Kakashi Hatake, Kankuro, Karin, Kiba Inuzuka, Kurenai Yuuhi, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Orochimaru, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Amor, Drama, Drogas, Gaahina, Hinata, Hospicio, Itasaku, Karinaru, Karinsasu, Louco, Loucura, Luta, Mansão, Morte, Naruhina, Naruino, Narukarin, Narusaku, Naruto, Orochisasu, Platônico, Primeira Vez, Sakura, Sasuhina, Sasuino, Sasukarin, Sasuke, Sasumaru, Sasusaku, Sexo, Solidão, Tragedia, Traição, Uchiha, virgem
Exibições 299
Palavras 3.584
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Harem, Hentai, Josei, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Então finalmente chegamos no capítulo que metade das coisas finalmente serão esclarecidas.
Volto a repetir que a ideia do que vocês vão ler agora não veio na minha mente um dias desses, já eu eu planejei este "final" ou esta "situação" muito antes de escrever a fic.
Sei que alguns não vão gostar, acho até que podem ficar irritados kkk, mas eu respeito e vou respeitar sempre a opinião de vocês :3
Só peguem leve nas críticas e.e eu sou chorona (sério, chorei com Toy Store, Wall-e, e todos os filmes que tem uma musiquinha triste)

Boa leitura

Capítulo 29 - Capítulo 29


Fanfic / Fanfiction Hospício - Capítulo 29 - Capítulo 29

HINATA~

-Você inventou a história do menino para me deixar com ciúmes ou para driblar o diretor? –Perguntou com uma leve irritação a mostra.

-O quê? Mas, Sasuke, Gaara está aqui. Olha, ele está bem aqui do meu lado. -Insisti apontando para o ruivo, quase duvidando se ele realmente estava lá do meu lado.

-É melhor parar, está começando a me assustar.

-O que quer dizer com isso?

-Hinata, - falou Gaara, roubando a minha atenção - ele está mentindo. Como os outros, ele só quer te machucar. Não se preocupe, eu não vou deixar que ele te machuque. Peça que ele saia.

-Sasuke não iria me machucar.

-Hinata! Com quem você está falando? –Eu hesitei em e virar, encarando Gaara. Sasuke agarrou os meus ombros e me chacoalhou por duas vezes, obrigando-me a olhá-lo nos olhos. -Ei, olhe para mim. Com quem você está falando? -Eu olhei de relance para o Gaara, apenas para me certificar de que ele continuava ali. -Hinata, olha pra mim, olha para mim! -Eu obedeci, agora muito mais assustada que antes. -Com quem você está falando, em? Quem é Gaara?

-Você está mentindo. -Sussurrei amedrontada, duvidando de mim mesma. -Eu não acredito em você!

-Do que você está falando?

-Eu não sou louca! Gaara está aqui do meu lado! -Sasuke olhou para onde eu sugeria que Gaara estava; seus olhos vasculharam o lugar sem encontrar um foco e então voltaram a me encarar.

-Me fala, por favor, que você não está vendo alguém ali. -Pediu com uma falsa calma. -Isso não tem graça nenhuma. Foi o Itachi, não é? O meu irmão fez isso com você, não é? Droga, droga! Isso não pode estar acontecendo! –Ele me largou abruptamente, foi até a porta e chutou a estrutura amadeirada com um ódio brutal e inédito.

A porta velha e cheia de buracos não aguentou a pancada e foi partida ao meio, caindo como uma árvore sendo cortada por uma motosserra, levantando uma sufocante poeira que demorou a se dissipar pelo interior da mansão. Sasuke suspirou pesado, rindo com ironia e negando amargamente com a cabeça.

 -Só pode ser brincadeira, eu vou matar aquele desgraçado! –Disse tão alto que meu corpo tremulou por si só, temendo o que ele poderia fazer. -Meu Deus, vem comigo, vou te levar para conhecer uma pessoa.

-Mas eu não- Sasuke agarrou minha mãe, puxando-me para ele, o que interrompeu o restante da minha frase que se perdeu na minha goela.

-Faça isso por mim, por favor. Por mim, Hinata. Prometo que vai ser a única coisa que vou te pedir hoje. –Pediu fracamente, mas não menos afoito que antes. -Tudo bem? -Eu engoli sua súplica, tentada a recusar. Mas cedi ao seu pedido em uma leve afirmação com a cabeça, ouvindo-o suspirar. - Ótimo, vamos. –Sasuke apertou a minha mão na sua, como se temesse que eu a soltasse. Com passos apressados, ele me conduziu para fora de casa, evitando me olhar no rosto. -Meus pais me levaram para conhecê-la quando eu estava com uns problemas com uma garota. Não se preocupe, ela não é nenhum monstro. Fui contrariado da primeira vez porque não queria conversar sobre meus problemas com ninguém, mas, mesmo contrariado, me senti bem melhor depois de visitá-la.

Eu não estava compreendendo bem o que estava acontecendo, mas deixei-me levar pela força da correnteza, submetendo-me à sua vontade, trajando a submissão como sempre fizera. Enquanto caminhávamos, notei a tremedeira da mão de Sasuke chacoalhar a minha. Parecia assustado, mas não era o único.

Por que ele não podia ver Gaara como eu?

 

SASUKE~

 

-Tsunade, eu preciso da sua ajuda.

O consultório da doutora Tsunade, vulgo peituda, era renomado e muito procurado. Não era apenas por sua arquitetura moderna que aquele lugar era tão requisitado, mas por seu bom atendimento, profissionalismo impecável e resultados rápidos.

Tsunade levava a sério o trabalho que amava de paixão, e por isso se empenhava como ninguém. Além de compreensível, ela sabia escolher bem as palavras que conduziam gentilmente seus pacientes a lhe contar exatamente o que ela queria ouvir. Ela gostava e chamar isso de a arte da mente, não a vendo como um labirinto, mas uma estrada reta cheia de obstáculos que, quando retirados, revelavam as maravilhas da paisagem daquela estrada chamada de mente.

Trouxe Hinata sem que fosse necessário um esforço a mais; ela não se impôs ao meu pedido, onde apenas me seguira cegamente, uma verdadeira garota obediente que colocava os desejos dos outros acima dos dela. Um altruísmo tão incrível que chegava a ser impressionante. Tsunade abotoou os dois últimos botões do jaleco, tratando de colocar um largo sorriso aberto ao me ver.

-Hinata, pode buscar um pouco de água para mim? –Pedi, empenhando-me em parecer tranquilo, mas meu tom rouco não saíra como eu gostaria. A jovem assentiu, deixando eu e a psicóloga sozinhos.

-Sua namorada? –Perguntou sorridente, avaliando o corpo de Hinata em olhadas descaradas que subiam e desciam, passeando pelas curvas de Hinata de modo tão instintivo que me senti incomodado.

-Não, ainda não, mas não vim falar sobre isso. Preciso que você consulte ela, é importante. –Diminuí o tom da minha voz, olhando para Hinata de relance, apenas para me certificar de que ela não nos ouvia.

-Claro, quer que marque a consulta para qual dia?

-Para agora. –Os olhos de Tsunade se alargaram em surpresa.

-Agora? Mas eu estou com a agenda cheia hoje, Sasuke, não tem como encaixá-la.

-Por favor, Tsunade, eu pago à vista. –Enfiei a mão no bolso, caçando o maço de dinheiros que Naruto havia me entregado. Assim que o encontrei, levei-o até Tsunade, sequer pensando no concerto do carro dos meus pais. -Tem dois mil reais aqui. Pode conferir se estiver duvidando. –Ela suspirou, analisando com desgosto as notas que pendiam entre meu polegar e indicador.

-Sasuke... Eu não posso....

-Droga, Tsunade, eu posso pagar mais se preferir, quer quanto? Três? Quatro mil? –Ela cruzou os braços, encarando-me tendenciosa.

-É realmente importante?

-Você não faz ideia do quanto. –E então ela suspirou por mais uma vez, e eu senti em seu ato que ela havia cedido.

-Tudo bem, vou pedir para a secretária que remarque as consultas de hoje. Acerte os valores com ela. Qual o nome da sua amiga?

-Hinata. –Respondi-lhe mais aliviado.

-Hinata! –Gritou com delicadeza, tomando a atenção dos perolados olhos daquela menina. -Venha, querida, quero te mostrar um dos inquilinos daqui, um gatinho de dois anos que adora companhia. –Observei Hinata trocar o rosto de Tsunade pelo meu, onde seus olhos questionavam se ela realmente deveria ir. Eu assenti e ela então se aproximou. Tsunade conduziu-a até a sua sala, e eu tentei segui-la, mas fui impedido pelo corpo de Tsunade que se empacou na passagem da porta. -Ei, garotão, aonde pensa que vai?

-Vou entrar com ela, ora bolas.

-De forma alguma. Para que ela se sinta à vontade e que para isso dê certo, não pode haver a presença de ninguém além de mim e ela, e você sabe muito bem disso, já que a senhora Uchiha tentou o mesmo quando foi você quem viera para uma consulta. –Eu bufei, afinal, ela estava certa.

-Então olha só, aconteceu algumas coisas barra pesada com ela, coisas que fariam pessoas fracas se suicidarem de tão sérias que foram, então toma cuidado com o que você vai falar para ela. Se você disser alguma merda, eu juro que a coisa vai ficar feia para o seu lado. E eu não estou brincando, Tsunade.

-Sasuke, eu sou uma profissional. Não há por que se apavorar.

-É bom isso ser verdade. –Disse em um tom ameaçador.

-Antes de eu entrar, quero que saiba que estou surpresa com você. Se tornou um rapaz muito bonito, muito diferente daquele menininho assustado que eu conheci.

-Vai por mim, não estou muito diferente de antes em relação a isso.

-Então ela é a sua “segunda Sakura”?

-Será que você pode consultar ela de uma vez?

-Ok, ok, mas vai ser um pouco longo. Está tudo bem para você?

-Tá. Tá tudo bem sim. Só tente mediar essas palavras, ouviu?

-Então vá para a recepção e busque a minha secretária, preciso esclarecer a mudança de planos do dia.

Obedeci ao pedido de Tsunade, onde a secretária gorda e baixinha explicou-me os valores das consultas, que eram calculadas geralmente de acordo com as horas que demandaram cada sessão. Porém, ela me cobrou o valor fixo de quatrocentos reais. Eu sabia que a destinação do dinheiro que eu pegara com o Naruto serviria para ajudar minha família com o concerto do carro, mas eu não podia deixar a Hinata daquela forma.

Sei que a ilusão de ter alguém dividindo a casa com ela para cuidar de seu bem-estar e segurança nascera pela brutalidade desumana do meu irmão, então eu devia isso a ela. Afinal, não havia como nem por que culpá-la. Aquela menina não fazia nada para ninguém, e sei que ela nunca sequer falara com meu irmão.

A sessão durou quase o dia inteiro. Enquanto eu aguardava, tentava imaginar o estado psicológico que minha mãe estava naquele momento. Sei que continuava abalada e isso me obrigava a temer sobre o que ela seria capaz de fazer enquanto estivesse sozinha. Ainda tinha o fato de que Itachi estava na casa da Sakura e aquilo conseguia me deixar inquieto.

Levantei do pufe da sala de espera, enfiando as mãos nos bolsos e andando de um lado para o outro, encafifado e incomodado com o rumo que as coisas estavam tomando. Enquanto o ponteiro do relógio emitia o seu convencido tic tac, eu perdi a noção do tempo. Andei, sentei, me escorei na parede e me deitei no chão por várias e várias vezes, entediado e inconformado com a demora da consulta.

Depois de muito esperar, Tsunade finalmente retornou, mas, para a minha surpresa, ela viera sozinha. Com cautela, ela encostou a porta, virando-se para mim só depois de um longo suspiro que parecia não ter fim. Eu já estava agoniado demais para esperar por mais tempo, então fui de encontro a ela, quase trombando em seu corpo robusto. Meu rosto ansioso dizia o suficiente para ela que suspirou por mais uma vez, expressando o seu cansaço para as horas que se passaram.

-Bom, você provavelmente não vai gostar muito do que eu vou lhe dizer, mas... algo em seus olhos me diz que ela é importante. –O tom melancólico me pegara desprevenido, arrepiando os pelos da minha nuca e aumentando a pressão do ar da mesma forma quando eu mergulhava fundo no mar. Ofeguei brevemente.

-Caralho, você está me assustando. Ela tem alguma coisa grave? –Perguntei apressado, não querendo que aquela demora se prolongasse por mais tempo.

-Que tal você se sentar? -Seu pedido deixava implícito que a notícia bambearia minhas pernas, mas cedi e obedeci para não dar corda àquela enrolação. A sala de espera estava vazia; Hinata ainda estava sentada no consultório da doutora, então o momento a sós com ela conseguira ter uma ar íntimo.

Com uma forçada paciência, sentei-me em uma das poltronas vagas, observando-a hesitar em me imitar. Aquilo só estava conseguindo me deixar mais nervoso, parecia que ela iria me dizer que a Hinata tinha algo incurável ou com uma grande dificuldade de cura, como uma metástase.

-Sasuke, -disse calma, juntando as mãos e as encarando brevemente -a Hinata sofre de esquizofrenia. -A notícia ficou entalada em minha garganta, fazendo-me tossir. -Eu sei que parece absurdo, que ela parece saudável e normal, mas... ela passou por coisas demais, mesmo sendo muito nova. É uma pena que uma menina tão bondosa e singela sofra de tal doença.

-Espera.... E-eu não.... Ér.... E-está difícil de.... Isso não é possível... -Falei confuso, sentindo as têmporas gelarem em agonia.

-Não deu para descobrir muito em apenas uma sessão, mas ela me contou muita coisa quando se sentiu segura e confiante o suficiente para abrir o que ela guarda naquele coraçãozinho bastante ferido. A jovem perdeu o pai há muitos anos, mais ou menos há seis anos, e ele era a pessoa que ela mais amava. Tinham uma ligação muito bonita e verdadeira, porém ele foi internado pela idade em um asilo, também chamado de Asilo das Boas Almas.

Alguma coisa naquele nome era nostálgico, mas eu não pude desvendar em minha mente embaralhada e confusa o que era.

-Certo. Enquanto conversávamos, pesquisei sobre este asilo. Na verdade, ele era um manicômio clandestino que funcionara por bastante tempo. Foi destruído por uma mulher que a polícia nunca encontrara, mas não acho que isso seja importante. Enfim. Hinata vivia lá para acompanhar seu pai em seus tratamentos, e assim conheceu alguns enfermos, que até os apelidou, utilizando nomes retirados de sua imaginação da época. Porém, em um dia, o pai dela faleceu e a mãe de Hinata decidiu ir embora. Ou seja, dois grandes choques em um mesmo dia. A amizade que ela tinha com os enfermos, o seu pai querido e a casa que vivia, tudo isso estava sendo arrancado dela, uma garotinha de apenas dez anos. Pode imaginar o tamanho desse choque?

Eu neguei com a cabeça, completamente vidrado e espantado com o que eu ouvia e desconhecia.

-A mãe dela foi embora e a abandonou, não deixando ninguém para tomar conta da menina. Sozinha, com todas aquelas desgraças vindo de uma só vez, o cérebro dela não aceitou tudo aquilo e acabou fantasiando algumas coisas. O manicômio, por algum motivo, não tivera nenhum dos seus pacientes queimados pelo fogo, pois fugiram a tempo, o que só deu um pouco menos de trabalho a polícia e bombeiros. Hinata continuou visitando o hospício, como se nele as coisas continuassem as mesmas, como se ele fosse o seu porto seguro. Ela me contou de algumas figuras que vivem com ela, claro, todas não passa de grandes fantasias que ela inventou para não viver sozinha. Kurenai, a antiga enfermeira, é a presença materna que ela criou. Geralmente é rígida e protetora como uma mãe comum. Tem também o Gaara, um garoto de mesma idade que ela conheceu recentemente.

-Esse nome....

-Hinata me disse algumas coisas que ocorreram com ela, mas não sei se ela gostaria que eu lhe dissesse. Enfim, com esses novos acontecimentos horríveis, ela passou a sentir uma necessidade de ser protegida por alguém, com uma imagem e áurea paterna para isso. Antes, quando o medo dela era pequeno, essa presença já existia, mas depois de tantas desgraças, a mente de Hinata não viu escolha senão criar um garoto que cuidaria dela. A idade parecida e a aparência chamativa se deu ao fato dos hormônios dela estarem se aflorando, como os de qualquer adolescente normal.

-Eu não... consigo acreditar que ela... meu Deus...

-Hinata também me contou sobre um vulto sem rosto que lhe faz muito medo. Ele, de fato, representa o medo que ela sente. A mente dela criou aquela forma assombrosa que representa de forma aglomerada todos os medos e inseguranças que ela está sentindo. Antes ele estava trancafiado pela enfermeira que, como mãe, tentava evitar a todo custo que ela se entregasse aos seus próprios medos, mas, à medida que mais desgraças vinham acontecendo, ela acabou se entregando a ele. Tadinha, de um tempo para cá, ele veio crescendo, se tornando mais forte e não se limitando mais a apenas aquela ala do manicômio. Com isso, Gaara serviu para protegê-la, para dar a ela segurança. Ele faz bem para ela, por mais que não exista.

‘Olha, querido, a sua amiga precisa ser internada para um tratamento especializado. É sério o que ela tem. Agradeça a Deus por ela não ter se tornado uma psicopata ou algo pior. Aquela garota é forte e a mente dela também, o assédio na escola, a condição precária, a saúda frágil e o estupro... Ela enfrentou tudo isso sozinha. Se não fosse a mente dela a criar imagens e pessoas para que ela continuasse no bom caminho, como uma saída, aquela menina estaria perdida para sempre. Os enfermos... Jujuba, por exemplo, que aparentemente representa o seu lado frágil e debilitado, Cailou, que representa seu lado agressivo, onde ela mesmo afirmara que ele passava muito tempo sozinho na solitária, trancafiado.... Eu estou tão em choque tanto quanto você. Ela precisava desabafar, e fico feliz em saber que ela se abriu para mim.’

-Ela não é esquizofrênica. -Falei em desespero, totalmente extasiado.

-Sasuke, existem graus de esquizofrenia. O dela, embora avançado, é totalmente lógico. Doenças como esta geralmente surgem com acontecimentos drásticos, um momento tão intenso que só pode ser suportado se amenizado. O cérebro dela agiu rápido, muito sabiamente. Ela não surtou no dia em que perdera tudo que lhe era importante, apenas achou um jeito de ainda ter algum motivo para seguir em frente, entende?

-Como você quer que eu entenda isso? -Berrei, notando com amargor que o que ela me dizia parecia ser verdade.

-Vou pedir para que ela venha. Seria bom se você conversasse com ela, mas tente não a assustar, ela já sofreu demais. Leve ela para comer alguma coisa, para comprar uma roupa bonita. Faça-a tomar um banho e ter uma boa noite de sono. Há muitos anos ela não tem tudo isso, quem sabe a mente dela ainda tenha alguma esperança.

Eu assenti lentamente, embora contrariado. Achar que Hinata era louca nunca passara por minha cabeça, nem mesmo com todas aquelas revelações que Tsunade me trouxera. Então, para se esquivar de tanto sofrimento, ela encontrou um jeito, jeito este que a manteve viva até hoje. Sim, eu devia ter percebido.

Ela mora naquele lugar velho que, aos meus olhos, é inabitável; divide a casa com insetos e roedores; rouba comida para sobreviver e, acima de tudo isso, ainda aguenta sozinha atrocidades como as que Naruto e Itachi lhe causaram. Ela não era louca, ela era forte, muito mais forte que qualquer outra pessoa que eu conhecia. Uma menina naquela idade, onde sofria por problemas reias e sérios, não deveria aguentar tanta coisa sem ninguém para se apoiar.

Quando ela surgiu na passagem da porta, eu não consegui olhá-la diretamente no rosto. Estava envergonhado, surpreso, confuso; meu coração acelerado voava até a garganta e quase saltava da boca.

-Sasuke...? –Perguntou-me timidamente, ousando a usar sua voz suave e doce para tremular o meu corpo rígido. Eu tinha que manter a calma, organizar meus pensamentos e encontrar o melhor modo possível para fazer que aquilo se transformasse em apenas uma fase da vida dela. Ouvi o pigarreio repreensivo de Tsunado, o que me motivou a agarrar a mão de Hinata e tirá-la dali sem que eu conseguisse lhe dizer alguma coisa.

A mão dela deslizou no suor da minha, o que apenas me obrigou a segurá-la com mais firmeza e insistência. Caminhando pela calçada, tropecei no meu cadarço que estava desamarrado e por pouco não a levei junto comigo ao chão. Gemi de dor para o impacto. Ao tentar me levantar, não encontrei forças nos meus braços e mãos, e por isso fiquei sentado, encarando meus pés.

Respirei profundamente, digerindo todas aquelas novas informações que desciam em formato de pedras pontiagudas pela minha garganta. Afinal, por que eu estava assim? Ela era a única que estava sofrendo de verdade! Eu não tinha o direito de tomar as dores de alguém que eu só estava conhecendo só agora. Éramos o quê, afinal? Amigos? Colegas? Namorados?

Hinata se agachou ao meu lado e, repentinamente, depositou sua pequena, frágil e delicada mão no alto da minha cabeça. Por toda a minha vida, eu nunca fui afagado por ninguém, nem mesmo por minha mãe. Pego despreparado, o meu rosto formigou em um latejo quase insuportável. Olhei de soslaio para o rosto dela.

A simplicidade em um sorriso tímido me arrebatou drasticamente. Embora tivesse mil e um motivos para jogar tudo para o alto e se mutilar, ela continuava forte ali, sendo uma garota mais bondosa que qualquer outra que eu cheguei a conhecer. Se ela era tão forte, por que eu estava fraquejando?

-Me abraça. –Eu pedi mais baixo do que gostaria. Hinata sequer hesitou; seus braços envolveram calorosamente o meu pescoço, afundando meu ombro no meio dos seus seios. –Você está assustada?

-Um pouco.... –Ela apoiou gentilmente parte da bochecha na minha cabeça, dividindo o seu calor corporal que me sufocava em sua intensidade.

-Como foi a consulta? –Perguntei no mesmo tom que antes, tomando cuidado para não contribuir para que ela se afastasse de mim. O sol terminava de se por no horizonte, deixando a rua cada vez mais escura. Os postes eram gradativamente acesos, não deixando a luz morrer sobre nós.

-Tsunade é gentil. Ela me ouviu e deu opiniões sensatas e maduras, mesmo não me conhecendo. Eu... sei que ela sentiu pena de mim e... se sentiu assustada com algumas coisas.... Fiz errado em contar tudo para ela? –Eu suspirei, apoiando minha mão sobre o seu braço, insistindo com uma leve pressão que ela não me largasse.

-E o que ela disse para você?

-Que se eu confiar em você..., eu nunca mais sentirei medo. Isso é verdade, Sasuke? –Eu suspirei pesado. Era óbvio que Tsunade não lhe diria o que descobrira de Hinata, por isso pedira para que fosse eu quem conversasse a respeito. Mas ela não merecia saber da minha boca, afinal, ela não acreditaria em mim.

É muito difícil de acreditar que o que vemos com nossos próprios olhos não existe. Eu mesmo não conseguiria. Por que duvidaria de minha visão se ela nunca me deixou na mão?

-Já visitou um shopping?


Notas Finais


Não me matem, PLEASE

O próximo capítulo vai esclarecer praticamente todo mistério que restou na fic :3
Em relação ao passado da Hinata, com um diálogo bem barra pesada entre a mãe dela e Sasuke, sério, vai ser tenso .-. e de brinde, vou mostrar o motivo de o Naruto ser o que é :3


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