História Hospício - Capítulo 30


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Jiraiya, Kakashi Hatake, Kankuro, Karin, Kiba Inuzuka, Kurenai Yuuhi, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Orochimaru, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Amor, Drama, Drogas, Gaahina, Hinata, Hospicio, Itasaku, Karinaru, Karinsasu, Louco, Loucura, Luta, Mansão, Morte, Naruhina, Naruino, Narukarin, Narusaku, Naruto, Orochisasu, Platônico, Primeira Vez, Sakura, Sasuhina, Sasuino, Sasukarin, Sasuke, Sasumaru, Sasusaku, Sexo, Solidão, Tragedia, Traição, Uchiha, virgem
Exibições 358
Palavras 4.933
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Harem, Hentai, Josei, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Este capítulo deveria se chamar: QUANDO O MUNDO COMEÇOU A FAZER SENTIDO

Capítulo 30 - Capítulo 30


Fanfic / Fanfiction Hospício - Capítulo 30 - Capítulo 30

SASUKE~

O passeio no shopping foi incrível para ela, as novidades em provar aquelas coisas pela primeira vez na vida dela arrancou-lhe muitos sorrisos e risadas. Levei-a para lanchar batata frita, convenci ela de comprar uma roupa e um sapato, obviamente eram simples, mas a beleza dela era tão natural que a roupa conseguira intensificar os traços dela. Ela se divertiu bastante na sala de jogos do shopping, onde encerramos com um filme de animação da Disney.

O restante das minhas economias foi embora naquele passeio, mas valera a pena. Hinata foi obrigada a amadurecer aos dez anos; sua infância lhe fora arrancada, onde ela acabou perdendo uma das melhores fases da vida de uma pessoa. Ela estava encantada com tudo que via e fazia, diferente de mim. Até mesmo no cinema, minha mente permaneceu em órbita, relembrando com detalhes extraordinários tudo o que Tsunade havia me dito sobre ela. Muitas coisas ainda permaneciam ofuscadas, afinal, eu conheci apenas a Hinata de seis anos para cá. Houve história antes disso, história que explicaria o início de toda aquela bola de neve, e a única pessoa que teria as respostas que eu buscava era a mãe de Hinata.

Embora nós tenhamos sido apresentados naquela noite, não dera para entender coisas que eu buscava compreender, afinal, trocamos pouquíssimas palavras, além de que eu não estava a par de toda essa situação. E, pensando em obter mais informações, eu levei Hinata para a minha casa. Por sorte, Itachi ainda não havia retornado, o que contribuiu para que eu levasse a Hinata para o quarto.

Ela estava exausta pelo dia cansativo, assim como eu, o que contribuíra para que ela adormecesse rapidamente. Mikoto e Fugaku não estavam em casa, o que me levou a supor que ambos estavam trabalhando na pizzaria, lugar que eu também deveria estar por sinal. Porém eu não conseguiria me concentrar em nada se não tirasse satisfação com aquela mulher.

Eu hesitei em deixar Hinata sozinha na minha casa. Por algum motivo, sentia uma estranha sensação de que algo ruim aconteceria e eu não conseguiria ajudá-la. Isso prolongou minha saída, onde fiquei por longos minutos observando a serenidade no rosto adormecido daquela garota. Eu precisava saber do passado dela para que eu tivesse uma noção do que fazer e como saber. Enquanto eu fosse um estranho para ela, eu nada conseguiria fazer para ajudá-la. Pretendia sim fazê-la esquecer de Gaara ou qualquer outra figura que ela tenha criado, substituindo todas por mim.

Isso era arriscado. Eu estava, novamente, entrando de cabeça em uma relação sem futuro, mas era difícil demais cogitar deixá-la sozinha. Hinata precisava de mim e, de alguma forma, eu precisava dela, precisava mais do que nunca. Do jeito dela, eu me afastei de tudo que poderia um dia chatear meu pai. O tempo em que eu não transava, bebia ou me drogava era recorde no meu calendário. Ela era boa influência para mim, assim como fora Sakura, e eu não podia simplesmente abandoná-la. Não dava.

Com um beijo em sua testa, eu deixei-a em casa, tratando de colocar um bilhete ao lado do travesseiro com a mensagem de que eu retornaria o quanto antes. Tranquei-a no quarto, mas deixei a janela aberta. Se Itachi resolvesse dar as caras, ele não conseguiria entrar lá, a não ser que ele tentasse invadir quebrando a porta, o que era improvável.

Fui até a mansão de Hinata com o coração na mão. Era tão estranho o fato de eu estar indo até a minha possível sogra descobrir por que diabos ela abandonou a Hinata aos dez anos de idade. Isso a transformava em uma filha da puta desgraçada; com isso na cabeça, os passos foram intensificando meu ódio por ela, até mesmo quando eu alcancei a mansão.

A porta partida ao meio ainda estava na mesma posição que antes: largada ao chão à mercê de roedores e insetos. Eu desviei de sua estrutura, parando ao encontrar um corpo deitado no sofá. Por um instante, eu acreditei que fosse o amiguinho imaginário de Hinata vindo me assombrar, mas foi apenas questão de tempo para que meus músculos atordoados permitissem minha perna voltar a se mover, levando-me até o móvel empoeirado. A mulher estava de olho aberto, encarando o teto tão firmemente que por pouco não pensei que ela estivesse morrido.

Assim que se deu conta de minha presença, um sorriso predador e perigoso invadiu o seu rosto magro, repuxando a pele seca, deixando-a amedrontadora. Porém eu estava irritado demais, puto demais para me controlar. Hinata estava sofrendo, e tudo aquilo começara por culpa daquela mulher, e este pensamento fora o bastante para eu me descontrolar. Sem abrir brecha para que ela se levantasse, agarrei seu tornozelo e a tirei do sofá a base da força. Com um puxão, seu corpo tombou no assoalho. Ela gemeu ao cair, talvez surpresa demais para se lembrar  gritar.

Uma forte indignação transbordou de seu olhar perolado, quase transformando-se em choro, mas ela manteve a feição dura bastante firme.

-O que você quer, garoto? -Cuspiu as palavras, hesitando retirar-se do chão. Com o apoio dos cotovelos, ela tomou uma posição deplorável que apenas aguçou a minha raiva para com aquela vadia.

-Eu quero conversar. -Respondi com um tom raivoso, quase rugindo em fúria. O sorriso dela ficou cínico e debochado, o que atiçou os meus instintos.

-Que se foda. Se não sair daqui, vou chamar a polícia, seu marginalzinho. -Eu gargalhei para sua ameaça tola, me divertindo com seu corpo que se arrepiava à minha frieza.

-Chama, vamos ver até aonde vai a sua coragem. Chama, isso me pouparia o trabalho de ter que ir lá prestar queixa sobre abandono e maus tratos que a sua filha sofreu. Vamos, vadia, chama a porra da polícia! -Meu tom subiu sem que eu pudesse controlá-lo. Minha raiva passara a falar por mim e eu não pretendia mediá-la. A mulher abriu a boca em indignação, procurando o que dizer para a minha repentina visita pretenciosa.

-Quem você pensa que é para me ameaçar, moleque? -Berrou irritadiça, mas eu ignorei. Com um suspiro profundo, eu tentei me manter longe dela, para que eu não inventasse de partir para a agressão.

-Você vai responder algumas perguntas. -Proclamei convicto, notando o sorriso cínico de antes ganhar mais espaço na sua boca.

-Eu tenho cara de professora, por acaso? -Disse irônica, debochando de mim, talvez crente que eu não tivesse coragem de tocá-la. Mas se ela achava isso, estava enganada. Eu e Naruto já nos cansamos de quebrar a cara de gente que merecia, e se essa vadia continuasse a me importunar, eu não responderia pelos meus atos.

-Na verdade, você tem cara de puta, mas que se foda que cara você tem. Eu só preciso de algumas respostas, se responder todas, prometo não pisar mais aqui.

-Não vou responder porra nenhuma! -Falou apressada, arrancando-me uma bufada involuntária. Eu me agachei, atento às pernas dela que recuaram no chão.

-Olha, podemos fazer isso aqui do jeito fácil ou do jeito difícil. De uma forma ou de outra, você vai me dizer o que eu quero saber, caco contrário eu terei que deformar sua cara um pouco mais. -Ela riu de modo receoso e acuado, finalmente abaixando a crina.

-Eu sei que você está blefando. -Alegou com a voz falhada.

-Quer pagar para ver? -Assim que completei a pergunta, a mulher se levantou e tentou escapar, mas eu agarrei seu pulso antes que ela se afastasse; assim que firmei minha mão, puxei-a com força, arremessando-a um pouco longe. Aquela mulher era leve como uma criança desnutrida e fraca, o que me deu uma vantagem imensa.

-Está maluco? -Berrou ao chão, levando o dedo até o lábio inferior para se certificar de que ele não sangrava. -Se encostas a mão em mim, eu vou gritar!

-Grita, vagabunda, mas grita bem alto. Quero ver quem vai te ouvir nessa casa no meio do nada. Vamos, grite! -Encarei com fervor seus olhos diminuírem a intensa chama de agora há pouco. Ela finalmente compreendia que eu não blefara, e que faria qualquer coisa para conseguir o que eu queria. - O que foi? Não vai gritar? Que curioso, eu pensei ter ouvido a ameaça de que você iria gritar, mas devo ter ouvido errado, eu costumo ouvir coisas quando estou irritado.

-Fala logo de uma vez o que você quer saber. -Falou enraivecida, contrariada e provavelmente irritada por estar dando seu braço a torcer para um adolescente.

-Quem era o pai da Hinata?

-Eu não vou responder nenhuma pergunta relacionada a minha filha. -Insistiu.

-Olha, eu não sou um cara muito paciente, então, se você não quiser engolir os seus dentes, é bom abrir a porra dessa boca. E se ousar mentir para mim, a coisa vai ficar feia para o seu lado. -A ameaça simples fora o bastante para fazê-la tremular de medo. Eu realmente já estava perdendo a paciência para toda aquela demora sem sentido, onde meus punhos fechados ansiavam por aquele rosto que, agora, trazia uma forte sensação de repulsa.

-Você nunca ouviu o sobrenome Hyuuga na vida? Em que mundo você vive, garoto? -Por mais que ela me desse nojo, estava começando a falar, então me poupei de fazer mais pressão psicológica. A mulher suspirou e tentou se sentar no chão, apoiando as costas na parede tablada e apodrecida. -Kuzuki Hyuuga, o pai dela, era podre de rico, tinha empresas espalhadas por todo canto, mas era um puta velho caindo aos pedaços.

-E você se aproveitou disso. -Completei o raciocínio dela, dando-me conta do egoísmo que a dominava.

-É claro que sim! Eu tinha dezesseis e não estava nem perto de ser rica. Quando somos jovens, sonhamos sermos capazes de ter o mundo, mas, à medida que vamos envelhecendo, notamos que o mundo real é um pouco mais complexo que isso. Envelhecendo, notei que, mesmo estudando, o futuro que me resguardava era de muita pobreza e trabalho duro, duas coisas que eu sempre odiei.

'Eu não morava aqui, a minha família era humilde, residenciada em bairro pobre, então, quando eu descobri que aquele velho rico havia se divorciado, eu vim para cá, abandonando a minha família para realizar o meu sonho de ser rica. Foi fácil ficar com aquele velho; ele estava angustiado e carente e eu me aproveitei disso. O afastei de seus parentes, que não eram muitos, para que num futuro próximo eu não corresse o risco de perder o dinheiro dele. Por sorte, ele era filho único e os pais já estavam mortos. A ex. mulher se mudara assim que rompera, deixando-o sozinho, foi como se ela tivesse saído de casa e deixado a porta aberta com um tapetinho de boas-vindas na entrada.'

'Eu finalmente teria tudo o que sempre sonhei, e aos dezesseis anos. Ele gostava do sexo e gostava de mim, eu fazia tudo para agradar aquele velho. Foi então que, um dia, enquanto transávamos, eu tive a brilhante ideia de garantir dinheiro para o resto da minha vida: eu ficaria grávida. Não foi fácil, já que a idade dele não ajudava muito, então, irritada por não conseguir engravidar, eu transei com o jardineiro da mansão e, por obra do destino, fiquei grávida na primeira tentativa. Claro que eu demiti aquele gostoso assim que transamos a primeira vez, inventei uma desculpa qualquer e o velho caiu como um pato.'

'Continuamos transando muito eu e o velho, o que disfarçou tudo perfeitamente bem. Quando Hinata nasceu, o amor entre os dois foi instantâneo, ela até cessou o choro quando o viu. Ele estava encantado por ela, e eu senti orgulho de mim por ser tão esperta. Os anos se passaram, ela foi crescendo, eu fui envelhecendo e nada daquele velho morrer. A saúde dele era de ferro, melhor até mesmo que a minha. Então, sabendo disso, eu fui atrás de descobrir como matar ele sem deixar vestígio algum, onde não faria parecer que fora homicídio. Pesquisando, acabei descobrindo que havia um manicômio clandestino não muito longe da minha casa. O pessoal lá trabalhava bem e eram muito caros em relação aos serviços. Devido ao profissionalismo e inteligência dos organizadores ricos de lá, paguei uma grana alta para que o velho ficasse internado, onde não poderia passar de um ano. E assim foi feito.'

'Droguei ele uma noite e chamei uma falsa ambulância que o levou ao tal Asilo das Boas Almas. Ele sequer suspeitou do pessoal de lá que era tão caduco quanto ele. O período que ele ficou internado lá foi o suficiente para que eu me apoderasse de tudo que ele tinha; passei os carros, as empresas, os imóveis e as joias tudo para o meu nome, claro, eu queria aquilo tudo quando morresse e inventário demora muito. Porém a Hinata começou a visitar o pai dela. Mesmo com nove anos, a menina saía escondida para ir até o pai.'

'Ela gostava de lá, todos os pacientes do asilo apaixonaram-se nela. A menina era linda, graciosa e muito educada, onde fora fácil conquistar até mesmo o dono do manicômio. Eu tentei convencê-la de não ir lá, até cheguei a proibir, pois o pai dela estava morrendo e eu não queria que o choque fosse muito grande. Os remédios que ele tomava na veia o debilitava cada vez mais, às vezes até lhe causava alucinações, mas minha filha o amava demais para suportar deixá-lo sozinho. '

'O tempo continuou passando até que ele veio a óbito. Juro que teria sido o dia mais feliz da minha vida se ele não tivesse estragado tudo. Havia sido fácil convencer aquele velho babão em se casar com comunhão total de bens, onde eu sairia por cima quando nos separássemos ou quando ele morresse. Mas eu fui gananciona, aliás, quem não é? O problema é que eu não fazia ideia que a lei proíbe casamentos regidos por esta comunhão de bem, onde obrigatoriamente, independentemente da vontade dos que estão casando, há a separação universal de bens, e eu descobri isso da pior maneira possível.'

'Assim que ele morreu, eu liguei para o meu advogado e fui ao banco resgatar o seu testamento. Aquele maldito testamento.... Tudo que ele tinha, tudo que eu passei para o meu nome, tudo, sem exceção de nada, foi para a ex. mulher dele e para a filha que ele tinha, que só descobri aquele dia. Foi um choque para mim; eu já tinha planejado tudo o que eu faria com aquele dinheiro, já tinha até dormido com um sódio dele, mas eu perdi tudo para aquela vagabunda.'

'Eu fiquei desesperada, já que nem mesmo a casa era minha. Nossa, lembro que quebrei toda a mobília da mansão, tentando amenizar todo o ódio que eu sentia dele. Minha filha viu tudo, estava chorando e resmungando algumas coisas que só me irritaram um pouco mais. Eu roubei tudo que havia de mais valioso nesta maldita casa para fugir e recomeçar a vida. Tentei levar a Hinata comigo, mas aquela menina me dava nos nervos! Chorando, ela disse que não queria ir, e talvez por eu estar muito nervosa e ainda em choque, acabei deixando ela para trás, pegando um avião e me mudando deste lugar.'

-Então por que voltou?

-Quando eu me mudei, estava tão transtornada e desesperada que cavei minha cova quando me viciei em cigarro e cocaína. Era bom, mas era caro. Consegui gastar tudo o que tinha nessas drogas e, quando fiquei falida novamente, me envolvi com um traficante. Mas eu sabia que ele não gostava de mim, onde eu dava minha buceta e ele me dava a droga que ele vendia. Quando ele foi preso, ele me obrigou a continuar traficando para ele, mas eu nunca fui muito boa com vendas e acabei deixando ele endividado. Ele fornecia as drogas para um pessoal barra pesada. Com isso, criei uma dívida de dez mil, tudo por conta da droga.'

'Eu me prostituí, e isso acabou com o meu corpo. Descobri depois que eu não conseguiria juntar aquela grana toda sozinha, então decidi voltar. Eu sabia que Hinata estava aqui e pensei que aquela débil mental teria ido à algum vizinho dizer que ela não havia ido embora comigo. A polícia e o conselho tutelar teriam colocado ela em uma casa. Mas eu cheguei aqui e me deparei com esse lixão que ela mora. Essa menina é retardada.'

'Enfim, eu preciso do dinheiro e não vou embora sem ele, nem que eu troque a Hinata por essa dívida. Se eu não pagar, o meu namorado vai me matar e eu ainda sou nova demais para morrer. A Hinata é uma garota bonita, com peitões que vão deixar aqueles filhos da puta excitados. Eu sei que eles vão aceitar ela na troca, principalmente por eles mexer com venda de mulheres.'

'Então, queridinho, eu te contei tudo. Agora você já pode sair. Fiz minha parte no acordo, agora você faz a sua.'

Eu tive que me escorar na parede para não sucumbir à tantas novas revelações. Talvez nem Hinata soubesse de tudo aquilo, e eu poderia aproveitar de algum modo essas descobertas para ajudá-la.

-E o incêndio no manicômio, foi você quem colocou?

-É claro que não, eu não sujaria minhas mãos com aquele lugar. A morte do Hyuuga repercutiria no mundo todo, e o manicômio, por ser clandestino, não podia correr o risco de aparecer para o público e, por conseguinte, para as autoridades. O tal asilo foi embora, onde uma das próprias enfermeiras incendiara aquele lugar, apagando todos os vestígios.

Então eu havia descoberto o necessário, mas a parte da prostituição ainda não me descia a goela. Eu me descorei da parede,  sentindo um peso incomum se alojar nos meus ombros. Não tinha mais nada para tratar com aquela mulher, pelo menos não agora. De uma coisa eu tinha certeza: ela não levaria Hinata à lugar nenhum, nem que eu usasse o Naruto para fazê-la mudar de ideia. Ele, com aquele jeito inconsequente e endiabrado, conseguia convencer qualquer pessoa a fazer o que ele queria. Há anos tem sido assim e não houve um que não fizera o que ele mandara. Até mesmo eu acabei fazendo, mesmo pensando que não.

Voltei para casa, atentando-me a escuridão que reinava no andar de baixo. Ao chegar no meu quarto, atentei-me à porta que continuava bem trancada, o que me permitira ter um segundo de alívio depois de tanta informação. Expirando lentamente, empurrei a porta, passando a poder enxergar a Hinata que continuava adormecida em minha cama.

A noite estava quente, mas não chegava a sufocar. Eu levei a carcaça do meu corpo até ela, acomodando-me com cuidado ao seu lado. Por alguma razão, aquele momento fizera-me lembrar que ainda não havíamos transado. Isso perdera a importância depois de tantos acontecimentos marcantes, mas eu necessitava de sexo, e tinha que ser com ela. Embora excitado, deixei que o sono chegasse para afastar o desejo de fazê-la minha ali, naquele quarto, naquela casa. Se eu pretendia transar com ela, deveria ser em um lugar que não a fizesse lembrar nem de Naruto, nem de Itachi.

Eu me odiaria se ela visse alguma semelhança entre nós três, contudo, suspeito que esta comparação já tenha ocorrido na mente dela por mais de uma vez. Passei o braço por cima do corpo dela e a puxei até mim, deixando sua respiração me contagiar com seu ritmo sereno e tranquilo. E, antes que eu percebesse, estava dormindo.

X-X-X

Acordei com a sensação de ressaca, por mais que não tivesse bebido. Hinata ainda continuava a dormir, dando-me apenas a certeza de que há muito tempo ela não dormia em uma cama de verdade. Com um bocejo longo, abandonei o quarto, deparando-me com pessoas que eu não esperava ver. Madara e Karin estavam à mesa, deliciando-se com um café da manhã bem reforçado que meus pais ainda preparavam.

Pães, torrada, bolo e frutas; mesmo morando há anos aqui, nunca vi tamanho capricho. Mikoto movia-se com a cabeça baixa, ocultando seu semblante abatido que se prolongava por culpa do meu irmão que, até o momento, não dera as caras. Fugaku, por outro lado, conseguia disfarçar bem o tormento e decepção em seu coração com um sorriso amarelo que sequer mostrava seus dentes.

Madara demorou um pouco para me ver parado na base da escada, mas seu olhar reprovador por eu estar sem camiseta conseguira me arrancar um sorriso cretino. Aproximei-me sem pretensões, apenas deixando a atmosfera pesada dali me engolir. Sem cumprimentá-los, catei uma fruta e voltei para a escada, mas tive que parar quando ouvi meu tio pigarrear para mim.

-Bom dia, sobrinho. -Forçou-se a dizer tranquilamente. -Por que a pressa?

-Minha garota está me esperando. -Respondi-lhe convencido, notando um sorriso torto brotar no seu rosto egocêntrico. Desta vez, tive a atenção dos olhos da minha prima que parecis surpresa.

-Está namorando? -Falou apressada.

-Karin, -repreendeu o pai – não se intrometa onde não fora chamada. Não lhe eduquei desta maneira. -Com uma revirada de olhos, voltei a me distanciar. Nada ali era o suficiente para me prender por mais tempo. Enquanto me afastava, ouvi meu pai interferir na pagação de sapo do meu tio, e depois uma bateção de boca.

Lembrei-me subitamente que eu ainda tinha dinheiro para o concerto do carro e, portanto, peguei o maço e invadi o quarto dos meus pais. Há meses eu não entrava lá- mas o cheiro nostálgicos dos hidratantes de mamãe continuavam expressivos por lá, deixando-o com uma suavidade aconchegante. Coloquei o dinheiro na cômoda e achei interessante a ideia de colocar um bilhetinho sobre para quê aquele dinheiro serviria.

Por algum motivo, a ideia pareceu-me divertida. Mikoto provavelmente ficaria emocionada ao ver que ao menos um de seus filhos preocupava-se realmente com eles dois. Enfim, catei uma caneta, mas, ao retirar a tampa, a bendita escorregou da minha mão e rolou para debaixo da cama. Ouvi um berro no andar de baixo, mas ignorei. A única coisa que eu queria era voltar para a cama.

Ao me agachar, avistei a caneta largada no centro mórbido debaixo da cama. Praguejei algumas vezes antes de me enfiar ali embaixo. Foi então que, antes de conseguir sair, a porta foi arreganhada em um solavanco e duas pessoas invadiram o quarto, trancando a porta assim que entraram. Eu franzi o cenho tentando imaginar quem e por quê, mas meus pensamentos se calaram ao ouvir a conversa.

-Tá machucando, pai! -Retrucou alguém, mas não demorou para que eu reconhecesse a voz sendo a da Karin. A cama rangeu em cima de mim, o que me fez prender a respiração para não ser descoberto.

-É para machucar mesmo! Quantas vezes terei que falar para você manter essa maldita boca fechada!? -Madara parecia alterado, como se tivesse passado a manhã bebendo e tivesse pego sua filha fazendo algo de errado.

-Eu falei sem pensar! -Respondeu-lhe com um tom assustado. E então algo estalou pelo quarto, onde eu associei o ruído a um tapa.

-Sabe por que eu não vou te dar uma surra? -Perguntou em um tom mais baixo e raivoso. -Porque eles vão te ouvir. Deita direito, vou te castigar por ter me desobedecido.

-Não, pai, eu não quero! -Insistiu minha prima, amedrontada. Pude ouvir o som de pernas e braços se chocando, como se ele a forçasse tomar alguma posição; talvez planejava lhe bater ou algo parecido.

-Eu não estou pedindo. Deite-se direito! -Ordenou irritado, reproduzindo mais alguns sons que me prenderam totalmente a atenção. -Se gritar, vou te bater. Agora geme para o papai. -O pedido foi repentino, talvez o mais esquisito que já ouvi na vida. Tentei não me mover, e todo o meu assombro para a situação me ajudou muito com isso. -Vai, querida, geme para o papai, bem gostoso. -E ali eu esqueci de como se respirava.

-Es-espera, papai... -Pediu ela, desta vez mais dócil e suave.

-Isso, meu amor. -A cama se arrastou conforme o movimento dos dois se intensificava. O rangido das molas e dos pés da cama a se mover no chão preencheram a minha mente com um zumbido infernal, obrigando-me a imaginar a cena que se ocorria acima. Por pouco eu não falei alguma coisa que expressasse a minha indubitável surpresa.

De todos os motivos por eu achar que Karin nunca havia arrumado um namorado, aquele sequer se encontrava na lista. Imobilizado ao chão com a boca tampada com a mão, tendei digerir o fato de meu tio manter relações sexuais com a minha prima. Isso era tão repugnante quanto o modo em que Naruto tratava as mulheres que ele ficava. Então não era a toa que o Madara era tão proibitivo e protetivo com ela, afinal.

Karin era uma garota bonita e educada, sabia falar exatamente o que você queria ouvir e isso era estimulante, onde só escapou da minha cama por ser minha prima. A cama rangia, dando uma trilha sonora às estocadas violentas que arrancavam arfadas e gemidos de Karin. Meu estômago se embrulhava à medida que o sexo deles preenchiam o quarto.

-Vai, sua vadia, abre essas pernas! -Tentei mudar o foco da minha mente, mas acabei substituindo os gemidos de Karin pelos da Hinata, deixando tudo muito pior. Imaginá-la sendo pega de jeito pelo meu tio complicou ainda mais a minha situação. -Pronto. -Ouvi-lo dizer, rolando pela cama até os pés alcançarem o chão. -Agora vai ao banheiro e dê um jeito nessa cara. Quero que desça apresentável e se despeça de todos educadamente. Se descer com essa cara de choro, eu juro, meu amor, que assim que chegarmos em casa, vou te machucar de verdade.

Assim que Madara saiu do quarto, eu me retirei de baixo da cama, sentindo as contrações de ânsia de vômito dominar o pé da minha barriga. Karin subia a saia, mas pausou ao se dar conta que eu estava ali. Com os olhos alargados pela surpresa, Karin não disse nada, apenas seguiu me fitando como se implorasse que eu fosse fruto da sua imaginação.

-Eu vou vomitar. -Anunciei, tampando a boca e sentido o vômito ameaçando subir. Karin ficou atônita, deixando a saia abaixada, sem conseguir mover as mãos. Ao ver a genitália dela pela primeira vez exposta, não aguentei e regurgitei tudo que eu havia comido na noite anterior. As batatas misturada ao meu suco gástrico encharcaram o chão, e aquilo bastou para tirá-la do transe.

-Sasuke, meu Deus, o-o que estava fazendo aqui? -Perguntou a canhada e desesperada. Ela terminou de se vestir, correndo até a porta e a trancando novamente.

-Como isso é possível? Meu Deus, que nojo. -E antes que eu pudesse impedir, mais vômito viera, deixando um sabor intragável na língua. -Isso é errado. -Capenguei até o banheiro, sujando meus pés no próprio vômito. Com aflição e pressa, enfiei a boca na pia e a lavei com a água corrente, buscando naquilo lavar também a cena de agora há pouco da minha cabeça.

-Você não entende. -Choramingou ela da porta. -Não é errado, nós nos amamos.

-Se amam?! -Eu falei um pouco alto, alterando-me sombriamente. Limpei a boca manchada pela água e encarei com amargor a minha prima. -Vocês são pai e filha, faça-me o favor! É óbvio que se amam, só que você é inteligente demais para confundir, então o há de errado contigo, Karin? Por que confundir as coisas? Já pensou em mim transando com a minha mãe? Olha que ideia mais absurda! -Ela olhou trêmula para trás, como se quisesse certificar que continuávamos sozinhos.

-Para de me julgar! -Disse um pouco alto, mas convicta, o que me levou a crer que o que eu dizia não lhe serviria de nada. -Você não pode fazer comparações, você e a sua mãe não passaram pelas mesmas situações que eu e papai. Você sabe que minha mãe morreu quando eu tinha quinze ano, e sabe também que eu parecia com ela e que meu pai a amava.

-Cala a boca!

-Depois do velório, papai encheu a cara e chorou muito, martirizando-se pelo falecimento da mulher que ele mais amava na vida. Eu, quando vi aquela cena, me senti uma inútil, já que nem conseguir confortá-lo eu conseguia. Foi então que eu bebi com ele e ficamos conversando, relembrando de bons momentos.... Até que fomos entrando em um clímax diferente, envolvente. Eu sei que você não vai entender, mas foi bom, Sasuke. Eu era virgem nesse dia.

-Cala a boca! -Insisti, notando a ânsia voltar a se concentrar. Karin olhou para trás por mais uma vez e, depois disso, veio até mim. Eu retrocedi até que minhas costas encontrassem os azulejos do banheiro. Estavam frios e isso pirou minha situação.

-Não pode contar para ninguém. -Falou rígida em um sussurro baixo. -Por favor, Sasuke.

-Vo-você pirou de vez? -Disse abismado, quase a empurrando para longe. Karin continuou a se aproximar, até tomar minhas bochechas com a palma das mãos.

-Por favor, Sasuke. Ninguém iria compreender nós dois. Eu quero ficar com ele, eu amo muito ele. Papai cuida de mim e me trata como uma mulher. -Eu engoli em seco sua alegação, recordando-me do modo agressivo em que ele a tratava, mas optei por me manter calado. Se ela gostava de ser a buceta particular para o pai dela e gostava dessa posição, eu não iria interferir. Já tinha assuntos e coisas demasiadas importantes que eu tinha que tratar o quanto antes.

Eu revirei os olhos, mas assenti abruptamente, notando o resquício de um sorriso bobo dominar o canto da sua boca. Karin veio um pouco mais, tocando levemente os lábios nos meus. Ao se afastar, ela pegou uma mecha negra da minha cabeleira e a colocou atrás da orelha.

-Obrigada. Estou indo para casa.


Notas Finais


Opiniões? :3


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