História Hot Coffee - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Personagens Taeyeon, Tiffany
Tags Girls' Generation, Taeny
Exibições 222
Palavras 7.345
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Orange, Romance e Novela, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


E aíííí! Como vocês estão?

Não demorei de novo (eu acho), olha que beleza! Graças ao feriado da semana passada consegui adiantar bastante coisa. Agradeçam as criancinhas por isso, ou não, cabe a vocês.
O capítulo ficou gigante contra a minha vontade, pois precisei botar logo tudo o que eu queria, e por este motivo acabei não postando no domingo. Desculpa </3

Creio eu que vocês vão gostar do capítulo (ou não, de novo), espero que sim. Aproveitem a leitura e ignorem os erros. O começo deve ter algumas coisas nonsense, mas foi porque eu bebi vinho demais no dia e fiquei com preguiça de arrumar hoje, já o resto foi o meu cérebro gritando por ter sido abusado de tanto escrever. Mas tirando tudo isso, foi feito com carinho. <3

Até as notas finais o/

Capítulo 6 - Chapter Six


 Com o passar da fria noite, uma manhã mais quente havia chegado. Não quente ao ponto das pessoas usarem roupas super curtas para driblarem o calor, mas quente para que pudessem se aquecer somente com uma simples xícara de café e um casaco fino. Não passava das nove da manhã, e pela sacada de um dos apartamentos mais luxuosos de Seul era possível ver o sol fraco, pois ainda havia tendência de chuva, e alguns pássaros voando entre as árvores do pequeno parque logo atrás, procurando abrigo em consequência do possível fenômeno natural que viria.

 

 Dentro de sua bolha de aconchego, Tiffany custava acordar, porém os raios de luz que batiam em seu rosto faziam com que seu sono fosse impedido de se prolongar. Abrindo os olhos, lenta como uma tartaruga, repreendeu-se mentalmente ao ver que esquecera de fechar as cortinas da sala. Queria aproveitar mais daquele cochilo no sofá, que por incrível que pareça, não havia a deixado com dores, afinal o mesmo era bem confortável para que até mesmo dormir por horas ali não fosse um problema.

 

 Levantando levemente seu torso, a morena fechou os olhos e esticou os braços demoradamente, expulsando todo o resquício de sono de seu corpo.

 

 Assim que terminou o que estava fazendo, Tiffany arregalou os olhos ao sentir bufadas pesadas em sua perna direita e quase soltou um grito ao ver um ser consigo deitado de mau jeito. Entretanto, ao lembrar de quem se tratava, fechou a garganta e colocou a mão no peito, sentindo-se aliviada e acalmando o coração que dera um pulo na hora do susto. Por um momento ela esquecera que Taeyeon havia dormido em sua casa, mais especificamente em seu sofá.

 

 A morena então decidiu sair dali sem acordar Taeyeon, a loira parecia estar num sono tão bom que a Hwang até sentia pena de fazer algum movimento brusco. Do jeito que Tiffany havia dormido, ela havia acordado, porém ao contrário dela, Taeyeon estava com o torso jogado para o lado da mais alta e com o colo ainda apoiando os pés desta. Tentando remover um dali, Tiffany o puxou cuidadosamente, sentindo algo meio estranho e... rígido passar por entre alguns de seus dedos. Poderia ser o que ela estava pensando?

 

 Não, não poderia ser.

 

 Banindo aqueles pensamentos inusitados de sua cabeça, decidiu ignorar e tentou puxar o cobertor que estava preso em seu outro pé, revelando um lado do corpo de Taeyeon. A tentativa de se desprender do tecido teria dado certo se o calcanhar da loira não estivesse agarrado no mesmo, impedindo sua liberdade. Tiffany ao tentar fazer uma espécie esquisita de contorcionismo, levantou seu tronco mais para frente e pegou a ponta do cobertor do pé da loira, encostando sem intenção na coxa da mesma e puxando o restante do tecido de cima delas.

 

 Tiffany não costumava ser desastrada, mas quando acontecia era de se esperar coisas estranhas. Contudo, o que estava diante de seus olhos era mais que bizarro. Talvez observando aquela cena em slow motion, pudesse notar o rosar de suas bochechas mais rápido que seu raciocínio. Seus olhos percorreram tão rápido o volume no short de Taeyeon, devido a vergonha que sentia, que sequer percebera que a mais baixa usava somente aquele fino tecido por cima.

 

 Com as bochechas e as orelhas formigando, saiu afobada dali correndo em direção à cozinha, mas não sem antes jogar o cobertor na parte elevada do corpo da Kim adormecida. Sua mente não conseguia "desver" o que havia visto e Tiffany se repreendia toda vez que sua curiosidade novamente a atiçava. Ou ela ignorava o que viu ou acabaria fazendo algo de muito errado pela segunda vez, foi o que pensou. E definitivamente cometer o mesmo erro duas vezes não era feitio da Hwang.

 

  Tentou se concentrar em uma tarefa simples, como procurar algo na geladeira para fazer um café da manhã, e esforçava-se para que imagens do acontecido ali na sala e na dispensa não aparecessem em sua mente de novo, pois ainda não estava pronta para pensar em tais assuntos. Parte de sua culpa ainda não a abandonara, fazendo com que ainda estivesse frágil, assim como a loira, quando tocassem em tal tópico.

 

 Pegou dois ovos e alguns filetes de bacon no refrigerador, com vontade de fazer um tipo de tradicional café da manhã americano – algo que não era tão normal assim para Tiffany, mesmo sendo americana, pois era muito calórico –, e foi até o armário de compras checar se havia pelo menos pó de suco, já que o café acabara há alguns dias e a morena ainda não fora fazer as compras da semana. Ela queria fazer algo diferente, pois Taeyeon estava ali e Tiffany não iria fazer uma refeição comum para uma visita.

 

 Na sala, Taeyeon acordava com fortes dores na coluna devido ao mau jeito que estava no sofá, amaldiçoava-se por ter dormido sentada em tal, pois que dormir nesta posição não era algo frequente e suas costas ainda doíam em consequência da limpeza em seu escritório no dia anterior. O motivo principal de ter acordado fora a sensação morna em sua pele de dez minutos antes ter desaparecido, na qual seu corpo havia acostumado, afinal Tiffany dormira a noite inteira com as pernas nas dela.

 

 A loira levantou cambaleando do móvel e fez seu caminho em direção ao banheiro para fazer algumas de suas higienes matinais. Tendo vista que ela não trouxera sua escova de dente, precisou retornar seus passos até a sala para procurar por Tiffany, na qual não havia achado. Entretanto, ao sentir o cheiro de ovos fritos, chegou à conclusão de que a morena estava na cozinha, indo até lá ainda com cara de sono.

 

— Bom dia... — falou atrás da bancada, fazendo uma careta e fechando os olhos ao sentir a luz do sol que vinha da janela bater em seu rosto.

 

 A morena se virou para a visita recém-acordada e sorriu ao ver o rostinho amassado da Kim e o modo infantil de como ela coçava os braços. Ela era bonita até daquele jeito.

 

— Bom dia, Taeyeon. — respondeu voltando a atenção à comida e girando um dos ovos na frigideira. — Estou fazendo nosso café.

 

 A loira saiu de trás do balcão e chegou mais perto de Tiffany para ver como estava a situação na panela. Claro que a outra mulher havia estranhado a aproximação, por mais que evitasse ainda se lembrava da cena de quando acordou, mas não recuou.

 

— Ovos com bacon? — a Hwang assentiu. — A última vez que comi essa mistura foi há uns 3 anos.

 

— Bom... hoje você vai poder matar a saudade aqui em casa. — disse dando um sorrisinho que logo foi retribuído pela mais baixa.

 

— Não esperava comer tão cedo, mas que ótimo que será logo aqui. — respondeu afastando-se e indo até o banquinho próximo da bancada, porém logo lembrou do motivo de ter ido ali. — Hm... Tiffany, você teria alguma escova de dente pra me emprestar?

 

 O pedido de Taeyeon fez com que Tiffany olhasse outra vez para ela. Contudo, ao invés de direcionar seus olhos para o rosto da pequena, a morena viu outra coisa. Mais especificamente uma protuberância muito mais visível que antes nas partes baixas.

 

 Ao ver aquilo, seu rosto começou a corar e um sentimento de embaraço a percorrer por seu corpo, ela esperava que naquele tempo em que Taeyeon estivesse dormindo o volume de seu short tivesse sumido, porém enganara-se ao ver ali um volume explícito e de certo modo com um formato peculiar.

 

 Mas seria impossível algo ficar tão marcado daquela forma se houvesse algo por baixo, correto?

 

 Foi aí então que Tiffany percebeu a burrada que havia feito. Ela entregou uma calcinha para Taeyeon. Era de se esperar que ela não usasse, porém custava tentar empurrar o négocio para baixo ou algo do tipo? A morena se xingou mentalmente por não ter lembrado naquele momento, só que, pensando bem, o que ela poderia fazer? Ela não possuía cuecas em seu armário e muito menos sairia numa chuva daquelas apenas para comprar uma, já que pelo menos isso seu irmão não esquecia por ali.

 

 Quando tentou disfarçar a encarada ridícula que dera no membro da mais baixa, Taeyeon seguiu o olhar de Tiffany e sentiu um frio na espinha ao ver onde sua vista estava focada. Logo alguns flashes do que havia acontecido na dispensa apareceram em sua mente e uma vontade de sair dali para evitar que o mesmo episódio acontecesse outra vez surgiu. Seus olhos se arregalaram demonstrando vergonha, porém principalmente, medo. Medo de que Tiffany vacilasse com seu pedido de desculpas, de que ela perdesse a consciência de novo e de que a luxúria tomasse conta do corpo de alguma das duas.

 

 Tiffany conseguiu enxergar o receio nas órbitas de Taeyeon, ela não sabia o que fazer ou dizer para que a tensão ali se dissipasse. Olhar aquilo fazia seu coração doer, pois daquele modo descobriu que a loira ainda tinha temor de suas ações mesmo depois de ter mostrado seu lado arrependido. Sentia vontade de bater em si mesma por não ter ao menos disfarçado que tinha percebido algo de diferente. Entretanto, tudo o que ela fora capaz de fazer havia sido virar-se de volta para o fogão e desligar o fogo do mesmo, a tentar ignorar o que havia acabado de ver.

 

 Para a morena não era um problema esquecer o que acabara de acontecer, mas para Taeyeon era. Estava tudo confuso. Ela tinha receio de que Tiffany a atacasse, porém ao ver que a morena recuou, ela sentiu uma pontada de... decepção...? Nem mesmo ela conseguia entender.

 

— Deve ter alguma escova reserva atrás do espelho do banheiro do meu quarto, pode ir lá. — a maior respondeu, ainda com o rosto abaixado para o fogão. Ela precisava reunir coragem para encarar aquele caso outra vez.

 

 

(...)

 

 

 Passou-se alguns minutos desde o quase acidente na cozinha e Tiffany continuava lá, pensando no que dizer para a baixinha que estava de hóspede enquanto a mesma terminava de escovar os dentes com a escova reserva rosa que a morena a emprestara. As duas pensavam no que poderia acontecer depois que Taeyeon saísse do banheiro, e receio definia o que elas sentiam, mas uma hora ou outra elas teriam que encarar este problema.

 

 Poderia parecer pouco caso para quem observasse a situação de longe, só que para elas era muito mais complexo, principalmente para a loira que já havia sofrido diversas vezes por culpa de sua condição. Não era como se um adulto tivesse roubado doce de uma criança, era algo bem mais grave.

 

 Decidida a contornar a tensão, a Hwang foi até a porta do banheiro e esperou Taeyeon sair. Estava determinada a deixar a atmosfera leve, fosse contando com a seriedade ou não.

 

— Taeyeon? — perguntou receosa, já encostada na porta branca de madeira.

 

 Depois de alguns segundos Taeyeon abriu a mesma e saiu do banheiro, encarando Tiffany desconsertada.

 

— Sim?

 

 A morena fitou os olhos da mulher em sua frente por um tempo até pensar no que dizer e então abaixou a cabeça.

 

— Eu só queria dizer que você não precisa ficar com medo de mim, eu já pedi desculpa antes, não vou voltar atrás com minha palavra. — falou tímida, mas com sinceridade. Taeyeon percebeu a verdade em suas palavras e olhou-a com apreço. — E pode ficar tranquila, eu não vou te atacar.

 

 Sua última fala foi dita na intenção de descontrair, e com sucesso fez com que a mais baixa sorrisse de leve.

 

— Irei confiar em você... e também... não é como se você tivesse visto pela primeira vez, certo? — respondeu entrando na brincadeira. Só que não dando muito certo, pois o clima acabou ficando mais constrangedor.

 

 Kim Taeyeon tem o poder de estragar tudo.

 

 Eu devo ter retardo... não é possível.

 

— Em uma mulher é a primeira vez sim. — a morena tentou amenizar o constrangimento, mas piorou tudo e Taeyeon ficou mais embaraçada que cabelo sem pentear há dias. Tiffany fez um facepalm mental ao perceber o que disse e tentou consertar.  — Q-quer dizer... É-é... Vamos comer logo?

 

 Com o disparate já feito, elas foram novamente até a cozinha.

 

 Por algum tipo de sorte a comida que antes estava na frigideira não foi queimada, e com isso Tiffany não precisou fazer tudo outra vez; o que era um alívio, pois o bacon tinha acabado. Num pequeno intervalo de tempo, ambas comiam em um silêncio desgastante, no qual incomodava mais ainda a loira que possuía mil pensamentos em mente. Ela queria conversar com a Hwang e voltar ao clima confortável que elas tiveram no dia anterior, não gostava daquela atmosfera limitada que havia ao redor delas em consequência do uso de palavras e gestos errados. Entretanto, o maior problema ali era o fato de nenhuma das duas terem algo para falar.

 

 Para Tiffany, o silêncio ao mesmo tempo que se mostrava perturbante, mostrava-se um amigo fiel de suas cogitações. Apenas naquele momento ela pôde parar para pensar em tudo o que ocorreu nas últimas vinte e quatro horas. E assim que sua mente começou a criar especulações sobre o porquê de Taeyeon ter agido de forma tão compreensível, ela não conseguia mais parar. Tudo agora parecia girar ao redor da conversa delas na chuva. O sentimento de culpa se dissipando, o conforto que suas palavras a trouxeram, e o mais importante, a sensação de comodidade em estar próxima, faziam com que a morena prezasse pela companhia de Taeyeon mais do que uma simples vingança.

 

 Ela se sentia estranha por pensar essas coisas, jamais esperava se aproximar da baixinha a destratando, ainda mais depois de tanto tempo botando em sua própria cabeça de que não gostava da mesma. Pelo menos deste pensamento as duas compartilhavam igualmente.

 

 Taeyeon viajava em seu próprio mundo enquanto Tiffany, sentada na parte de trás da bancada, observava a paisagem através do vidro da varanda. Na cabeça da loira, passava flashes do evento ocorrido ali mesmo na cozinha minutos antes de terem se resolvido e a mesma pensava nas coisas que poderia ter falado para contornar o caso. Ela poderia ter explicado que tal “fenômeno” em seu corpo era comum ao acordar, mas ao imaginar-se fazendo isso, logo voltou atrás, pois era claro que a situação poderia ficar mais constrangedora do que se comparado à real. E chegando a tal conclusão, situações embaraçantes já estavam se tornando familiar aos olhos das duas mulheres.

 

 Com a mente divagando em algum assunto sobre Taeyeon, depois de alguns segundos Tiffany prendeu sua atenção em uma pequena flor que passeava pelos ares fora de seu apartamento devido ao vento, esboçando um sorriso ao ver a cor da mesma: vermelho vivo. Imaginou ali sua flor favorita a voar e lembrou do quanto se identificava com tal significado.

 

 Taeyeon, que desde que saíra do modo pensativo estava observando a morena, ficou curiosa para saber o motivo do repentino sorriso que de início foi estranhado. Aquele era o momento perfeito para tentar descontrair mesmo sentindo um pouco de nervosismo.

 

— Por que está sorrindo? — perguntou de modo divertido, mas não muito seguro. — Quero sorrir também.

 

 O transe da morena fora interrompido então.

 

— Hã? Nada... Só vi uma florzinha voando na sacada.

 

 Taeyeon vendo aquilo como uma brecha para cortar o clima chato de antes, pensou rápido em alguma frase idiota.

 

— Florzinha? As meninas superpoderosas estão na cidade e eu não estou sabendo? — brincou segurando o riso e Tiffany a olhou com reprovação.

 

— Sério isso? — arqueou a sobrancelha. Aquela fora uma das piadas mais infames que havia escutado no ano. Decidiu não falar mais nada a respeito e mudar de tópico. — Taeyeon, você gosta de flores?

 

 A mulher pensou um pouco. Aquele assunto era praticamente desconhecido para ela.

 

— Um pouco, mas não entendo nada sobre. Por quê? — a baixinha respondeu enquanto colocava uma garfada de bacon na boca. A morena olhou cética para Taeyeon, ninguém saía de sua casa sem saber pelo menos um terço sobre flores.

 

— Pouco? Não me decepcione, Docinho. — Tiffany soltou um trocadilho, fazendo a outra mulher rir baixinho. Sua risada era engraçada, assemelhava-se com a de uma velhinha. Apenas de imaginar como seria num tom mais alto uma vontade de sorrir surgia. — Vê essa flor? — apontou para o vaso que estava do lado da loira, a tentar puxar assunto. — Ela serve pra espantar mau-olhado de quem fica próximo a ela. Espero que não seja invejosa, caso contrário...

 

— Como adivinhou que eu me encaixo com a docinho? — semicerrou os olhos. — Quanto a flor... deve ter sido por isso que você não roubou meu bacon, sei que estava de olho nele desde que o seu acabou.

 

— Simples, eu sei de tudo. — a morena deu uma piscadela para Taeyeon e avançou em seu prato, roubando a última tira de bacon e colocando na boca. — Quem está com inveja agora?

 

— Meu bacon... — a loira inflou as bochechas lamentando pela perda. — Existe alguma flor pra espantar ladras de comida?

 

 Tiffany sorriu com aquela cena fofa.

 

— Eu saberia caso existisse. Mas na sacada tem vários tipos, quer ir lá ver?

 

— Têm flores lá? — perguntou com o cenho franzido.

 

— Você não viu? — Tiffany indagou incrédula, era quase impossível não enxergarem as plantas que ela tinha, principalmente as maiores que ficavam no pallet vertical pregado à parede.

 

— Mal percebi a que ficava na cozinha, como iria perceber as que têm num lugar que nem fui? — rebateu indignada e inflou as bochechas de novo.

 

— Você precisa de óculos! — a Hwang fez um biquinho que Taeyeon lutou para não apertar.

 

— Na verdade eu uso lentes... mas você tem razão, preciso mesmo de um óculos. Acabei esquecendo de tirar essas porcarias pra dormir e meus olhos estão irritados. Me impressiono por eles não terem ficado vermelhos.

 

— Não sabia que tinha problema de vista.

 

— Já faz alguns anos, normal.

 

 As duas mulheres se levantaram dos banquinhos e Taeyeon esperou a morena juntar os pratos e leva-los até a pia para lavar mais tarde. Com um aceno de cabeça e um sorriso, Tiffany chamou a pequena para irem à sacada ver a “coleção” de flores que tal dona do apartamento escondia. O ambiente estava bem mais leve para o alívio de Taeyeon, esta que mal acreditava que uma simples piada – muito mal feita – fez com que elas ficassem confortáveis uma com a outra novamente.

 

 Na pequena varanda, a loira pôde ver melhor tudo que ali se encontrava, havia mais de dez tipos de flores com cores distintas espalhadas pelo pallet vertical de madeira pintada, e obviamente, menos da metade era reconhecida pela mulher mais velha, porém ainda assim seus olhos admiravam a paisagem colorida. Tudo naquela parte do apartamento era diferente, dava um ar mais rústico, a começar pela porcelana que também era de madeira. Mais ao canto havia duas cadeiras, nas quais eram de plástico por prevenção ao mofo e derivados, e na grade, três pequenos vasos de planta onde ficavam guardadas as flores que Tiffany mais gostava.

 

 Maravilhada com o cenário agreste criado especialmente para aquele cantinho, Taeyeon observava tudo ali com olhos brilhando, pois ainda não vira tal parte da casa. A baixinha amava coisas relativas ao campo, afinal crescera até certa parte de sua vida nele, e sempre ficava deslumbrada quando enxergava concepções novas. Até mesmo pensara em adotar algo parecido para sua cafeteria. Já Tiffany, analisava minuciosamente as expressões da loira ao seu lado, acostumada com aquela reação de surpresa e admiração, e ria ao ver que não importava quem estivesse ali, sempre ficariam abismados com a beleza de sua decoração. Não era por mal, mas seu ego se levantava todas as vezes.

 

 — Bonito aqui, não? — perguntou com tom convencido para Taeyeon que quase babava enquanto alternava seu olhar do chão para o pallet.

 

— Isso aqui é maravilhoso! — a coitada da loira não havia percebido o modo como Tiffany havia falado. — Sério, muito bem decorado. Quem quer que tenha feito isso está de parabéns.

 

 A morena abriu um sorriso gigante.

 

— Fui eu. — a mais baixa se virou para ela. — Não foi muito difícil, já estou acostumada a decorar. Inclusive fiz o mesmo com a varanda da casa de meu irmão, só que ficou muito mais bonita que a minha... me arrependo de não ter cobrado alguns wons.

 

— Omo! Sério? Você tem um pé artístico pra essas coisas... E por que não cobrou?

 

— Porque ele é da família, oras! — respondeu como se fosse óbvio.

 

— Ah... eu cobraria se fosse meu irmão. — a morena soltou uma risada baixa ao ouvir o que Taeyeon disse. — Mas e quanto as flores?

 

— O que tem elas?

 

— Quanto cobraria caso pudesse decorar minha casa com elas? — perguntou. A expressão de Tiffany mudou para pensativa.

 

— Hm... Não sei. Acho que depende do tamanho.

 

— Ah, vamos lá... algo pequeno.

 

— Não sairia caro... — Tiffany se virou e caminhou até o pallet, pegando uma flor rosa. — Mas também depende de qual flor você quer. É necessário saber o significado, certo?

 

 Se aproximou de Taeyeon segurando a florzinha pelo caule e a entregou. Sem entender o porquê de a morena ter arrancado a pequena planta, recolheu de sua mão depois de um pouco de insistência.

 

— Esta é a clematite, representa beleza espiritual e criatividade. Beleza espiritual porque dizem que ela pode ajudar a pessoa se tornar forte, astuta, sedutora e maleável, de maneira a se adaptar a quaisquer situações, por mais complicadas que sejam. E, bem... criatividade já é autoexplicativo. — explicou. Taeyeon escutou tudo atentamente e ficou encantada com tamanho conhecimento que a morena tinha somente daquela flor. — Ela é um pouco cara, mas não é um absurdo.

 

— É uma flor muito bonita, principalmente a cor. O significado também é interessante, acho que preciso de uma dessas por perto. — usou um tom brincalhão na última frase e sorriu, sendo acompanhada por Tiffany. — Vejo que você tem muitas flores rosas... — falou apontando para a flor no pallet. — É por causa do significado delas ou porque você tem algum tipo de obsessão por essa cor?

 

 A mais alta riu alto. Talvez fosse por ser a primeira vez que Taeyeon ouvira sua risada de forma clara, mas de uma coisa ela estava certa: aquele foi o melhor som que ela escutou no dia.

 

— Uma mistura dos dois. — confessou. — Aquela ali é cravina rosa e representa laços de afeto. Adoro ela... uma pena não durar muito.

 

— Tudo aqui é muito colorido. Qual sua flor favorita? — indagou Taeyeon, mudando um pouco do assunto.

 

 Tiffany manteve-se calada por alguns segundos, não por não saber o que dizer, mas porque ela escolhera.

 

— Numa próxima oportunidade.

 

— Oi?

 

— Numa próxima oportunidade eu te digo. Agora sem mais perguntas. — respondeu incontestável. A loira fez um biquinho fofo pela resposta. Segundos depois Tiffany começou a olhar para a baixinha com uma expressão estranha que não passou despercebida por ela. — Olha, em cima da sua cabeça! — apontou para um ponto do cabelo de Taeyeon indicando que havia algo ali.

 

— O quê?! Onde?! — perguntou enquanto tateava a cabeça desesperadamente procurando o que a mais alta apontara, porém não encontrava nada. Estava começando a desconfiar de que estava sendo zombada quando Tiffany começou a rir outra vez. Taeyeon semicerrou os olhos analisando a morena. — Não tem nada, não é?

 

 A mulher se aproximou dela e riu depois de puxar uma flor qualquer – que tinha pegado enquanto Taeyeon não tinha visto — de sua orelha e colocar no cabelo.

 

— Sua boba, agora tem. — abriu um sorriso genuíno para a baixinha em sua frente. — Esse é o cravo branco, ele me lembra muito você apesar de algumas características serem contraditórias, e é uma das flores que mais me faz sentir confortável quando venho aqui. Não é à toa que fica na grade dos que mais gosto.

 

— Não acredito que caí na sua brincadeira. — a pequena fez birra. Mas logo pegou a flor que estava em cima de sua cabeça e começou a observa-la. Tinha achado as pétalas bonitas, faziam-na lembrar de sua mãe. — Muito linda. Qual o significado?

 

 Tiffany pareceu estacar ao ouvir a pergunta e engoliu a seco. Ela havia lembrado de um detalhe.

 

— Ahh... não posso dizer! — falou rapidamente e sorriu amarelo para a menor.

 

— Ah não, Tiffany! — protestou.

 

— Só vejo uma aqui na minha frente! — começou a rir com a própria piada que de início não era para ter saído de sua mente.

 

— Yah! Está zoando com minha altura? — Taeyeon aumentou a voz fingindo indignação com o que Tiffany tinha dito, odiava quando zombavam de sua altura, mas com ela soou tão normal quanto escutar Sooyoung a chamando do mesmo jeito.

 

— Não deu pra segurar. — lamentou limpando lágrimas imaginárias dos olhos e olhou para o relógio da sala através do vidro da sacada. — Taeyeon, não é querendo te expulsar, mas... você não tem que voltar pra sua loja?

 

 As duas mulheres pareceram perder o tempo enquanto admiravam as flores e conversavam. Tiffany ficou embasbacada quando viu que já era onze da manhã e precisou alertar a mais baixa. Ela precisava ir em sua cafeteria administrar alguns gastos, já que toda a semana ela havia vigiado de perto Taeyeon trabalhando. Claro que ela havia ficado triste, pois elas estavam conseguindo se entender melhor e passar um tempo juntas era aconchegante, mas o dever chamava as duas e elas não podiam pular isso.

 

— Só às onze, por quê?

 

— Acho que você está atrasada.

 

 

 

 

Taeyeon POV

 

 

 Era sábado. A semana acabou passando mais rápido que o normal para mim, o que foi muito estranho, pois estava mais que acostumada com as manhãs e tardes eternas na cafeteria. Sorte a minha que havia sido calmo. Já havia se passado três dias desde que fui à casa de Tiffany e ainda me parecia surreal lembrar em como conseguimos nos dar bem sem muito esforço. Mesmo depois do pequeno desentendimento através de gestos que tivemos no café da manhã, ela não mudou o jeito de me tratar, o que foi ótimo, já que eu comecei a sentir uma vontade imensa de conhece-la melhor, principalmente depois da nossa conversa sobre flores. Eu descobri um lado amigável e brincalhão de Tiffany que nunca pensei que fosse ver e muito menos pensei que iria me sentir tão confortável com isso. Mal conseguia descrever a sensação discreta que me perseguia de querer estar ao lado dela de novo. Foi bom compartilharmos nossos conhecimentos, gostos e preferências. Entretanto, desde então nós não nos vimos mais, a morena pareceu ter parado com o antigo hábito de ir na minha cafeteria depois de tudo.

 

 Naquele mesmo dia quando voltei para casa depois de fazer a morena prometer a mim que iria me ensinar mais sobre flores, meu sangue ferveu ao me deparar com uma Sooyoung toda esparramada no meu sofá dormindo abraçada com uma de minhas pelúcias favoritas: minhas ervilhas. Lógico que ela levou um esporro, afinal ela sabia que eu odiava quando outras pessoas pegavam minhas ervilhas, ainda mais para dormir com elas. Depois disso eu agradeci pela ajuda e expulsei-a de meu cafofo. E desde esse dia não nos falamos direito, mesmo com ela me ligando. No máximo conversamos sobre a cafeteria e Key, pois nenhuma de nós tocava em algum assunto relacionado a nossas vidas no telefone.

 

 Por culpa daquele cosplay de edifício precisei acordar cedo, logo num final de semana, apenas para ir ao supermercado comprar comida pois não tinha mais. Isso mesmo. Só na noite que ela ficou cuidando do meu Ginger, acabou com mais da metade do estoque do meu armário de compras e literalmente assaltou minha geladeira. Não bastava me dever dinheiro – no qual eu esqueci de cobrar alguns dias atrás –, ainda roubava meus alimentos. Uma vez shikshin, sempre shikshin. Faltava apenas alguns itens na minha listinha para eu finalmente ir embora daquele lugar que enchia mais que balada e eu rezava pra terminar tudo logo. Parecia que passava horas e eu me agoniava cada vez mais com as pessoas que me estranhavam por usar uma camiseta do Chewbacca e com aquele trânsito chato de carrinhos de compras que não andavam. Nunca me entendi por sempre deixar para fazer as compras no final de semana, quando parecia que toda a Seul resolvia passear por ali. Acho que eu devo mesmo gostar de sofrer.

 

 Quando, pela graça de todos os produtores de café, terminei de comprar tudo que deveria, me lembrei de pegar uma sacola de ração do Ginger, que por algum motivo extremamente misterioso também quase havia acabado. Algumas coisas foram feitas para não sabermos como ocorreram. Só então consegui sair daquela lata de sardinha tamanho gigante que chamavam de mercado, estava quase tendo um ataque de asma lá dentro. Segui para casa cansada daquela manhã desgastante.

 

 

 A tarde passou como lesma quando cheguei no meu cafofo, nunca num sábado eu havia ficado com tanto tédio e com nada pra fazer. Eu poderia trazer meu trabalho para casa e cuidar de alguns problemas na administração do dinheiro, mas não, preferi ficar deitada no meu sofá assistindo uma série qualquer apenas pra passar o tempo. Me recusava a trabalhar no final de semana, especialmente neste. Afinal, pra quê olhar números e fazer contas se você pode dormir ou ver televisão? Metade da minha tarde se baseou nisso, até que me cansei de reclamar do aborrecimento que aquele dia me trazia e decidi passear pela vizinhança com o Ginger. Eu estava achando ele meio gordinho, então não foi uma má ideia.

 

 Lá pro finalzinho da tarde, quando já estava anoitecendo, começou uma aglomeração de crianças numa parte da minúscula praça que tinha no bairro, deveria ser algum tipo de evento escolar, e nesse meio tempo percebi que era hora de voltar pra casa, odiava lugares cheios. Eu não planejava ficar muito lá mesmo, então puxei Ginger pela coleira e saímos andando antes que algum garoto me parasse pra ficar passando a mão no meu cachorro. Não era por mal, eu gosto de crianças, mas hoje não era um bom dia para socializar com pessoas estranhas.

 

 Só foi eu botar o pé em casa que escutei meu telefone soar pela sala, aquele toque que já estava me deixando nos nervos de tanto escutar. Quando peguei para ver quem era, me assustei ao ver oito ligações perdidas de Sooyoung e três mensagens da mesma me mandando atendê-la. Agora eu me pergunto: por que ela não escreveu por mensagem? Às vezes acho que meus amigos não têm uma parte do cérebro.

 

 Disquei seu número e liguei. Bastou apenas dois ou três toques até que a girafona me atendesse.

 

— Fala, Tarzan de samambaia! — essa era a Sooyoung me dando oi, cada dia inventando um jeito de me diminuir... literalmente. Revirei os olhos mesmo sabendo que ela não veria.

 

— Já disse pra você parar de me zoar só por causa da minha altura. Quando é que esse dia vai chegar?

 

— Nunca! Você também me zoa internamente que eu sei, não precisa ficar ressentida não ô, lindona. — pude escutar a risada nela no outro lado da linha.

 

— Aigoo... pelo menos eu não falo, você me faz passar vergonha quase sempre. — rebati me defendendo. Ao contrário dela, eu nunca a chamava de girafa ou algo parecido em público.

 

— Okay, okay... — falou e eu estreitei os olhos, quando ela se rendia fácil de uma discussão significava que vinha um pedido depois. Só esperei a bomba. — Então, Taengoo... vai pedindo duas pizzas tamanho família de frango que daqui meia hora tô aí. — ahá! Eu sabia. — Pede dois litros de refri também, este por minha conta.

 

— Espera aí... Você tá dizendo que eu vou ter que pagar as duas pizzas? Há! Sonha, Soo, só sonha. — eu até pagaria se uma não fosse tão caro, imagina duas. Sooyoung parecia até pobre, mas só parecia mesmo. Me recuso a gastar mais dinheiro com essa shikshin. — Você vai pagar pelo menos as pizzas e me dar o dinheiro que me deve, e com juros porque hoje tive que fazer compras fora de época!

 

— Oops, não sei de nada. — falou. — Ah! Já ia me esquecendo, olha onde fui enfiar minha cabeça... chamei o Key também, ele me disse que você ainda não contou nada pra ele. O louco só faltava me esganar quando liguei! Acho que alguém deve umas explicações.

 

 Suspirei ao lembrar do loiro e de ver Sooyoung fugindo do assunto sem disfarçar. Mas tudo bem, quando ela chegasse iria ter que pagar a comida mesmo.

 

— Okay. Em meia hora, certo? Vou pedir. Tchau, Soo.

 

 Desliguei o telefone sem esperar resposta e liguei pra uma pizzaria que fosse barata. Pedi as pizzas – sim, no plural – e bebidas pro atendente que pela voz dava pra perceber a indisposição que ele tinha ao atender clientes e concluí meu pedido. Disseram que não demoraria mais do que uma hora pra comida chegar pois o lugar não estava tão cheio, então tratei de tomar um banho rápido e esperar Sooyoung na sala. Eu tinha certeza que ela iria dormir lá em casa, então peguei dois colchões que sempre guardava pra quando ela e Key vinham e os coloquei na frente do sofá. Era raro as vezes que eles apenas me visitavam sem intenção de passar a noite. E até que não era uma má ideia eles virem, pois quem sabe assim meu tédio que se prolongou quase o dia todo não fosse embora.

 

 Realmente não demorou mais do que meia hora para a Shikshin chegar na minha casa – como havia falado – batendo na minha porta como se fosse o fim do mundo. Pelo menos nisso ela cumpria palavra, já que quando se falava em dinheiro a espertinha saía correndo.

 

— Taengoooo, que saudades de você... — mal ela entrou e veio me abraçando apertado. Toda aquela “saudade” dela era apenas um disfarce pra eu esquecer do cascalho. Eu até cairia se fosse mais boba, porém foram mais de anos pra não conhecer aquele projeto super desenvolvido de humano. Apenas retribuí e logo cortei contato.

 

— Passa a grana.

 

— Cruzes, que tipo de melhor amiga você é? Acabei de dizer que estava com saudades e você já vem me assaltando? — indagou com uma falsa expressão de ofensa engraçada.

 

— Sou sua melhor amiga que precisa de dinheiro. Posso ser dona de uma cafeteria mas não sou rica, esqueceu? — dei três tapinhas no ombro dela e me sentei no sofá. Sofás ultimamente estão virando meu terceiro melhor amigo. — Você vai pagar a pizza. No cartão. Chega em trinta minutos.

 

— Te odeio. — respondeu se jogando no sofá e me empurrando com o ombro.

 

— Também te amo.

 

 Nossa relação sempre foi assim, uma mandava na outra, isto sem limite algum. Chegava a ser engraçado quando nos ameaçávamos e na maioria das vezes eu conseguia o que queria. Quando Soo pensou em me responder alguma coisa provavelmente absurda o telefone dela tocou. Ela pegou o aparelho e riu.

 

— É o Key. Quer chamada de vídeo. — me mostrou a tela com uma foto do dito cujo dando close na alma, agora entendi porque ela riu quando pegou o celular.

 

— Atende, ué.

 

 Não se passou nem dois segundos e já estávamos na tela com o... ex-loiro?

 

— E aí, meninas. Gostaram do meu visu novo? — cumprimentou Key acenando com a mão de modo afobado. Minha visão imediatamente se focou em seu cabelo e no fundo atrás. Ele estava num restaurante?

 

 Nenhuma de nós respondemos de primeira, Sooyoung e eu estávamos atônitas com a mudança chocante de visual do – novo – moreno. A cor caía muito bem nele, sem contar que realçava os olhinhos castanhos e a sobrancelha falha. Mas a segunda coisa que pensei foi que, se ele estava num restaurante, ele não iria comer a pizza que Sooyoung vai pagar.

 

— Quem é você e cadê o Key? Ele vem? — fui a primeira a responder, claro que sem perder as chances de zombar um pouco dele. Soo estava com uma feição estranha enquanto falei.

 

— Isso aí no fundo é o aquário do restaurante da esquina da minha casa? Key, seu safado, o que você tá fazendo aí? — Sooyoung quase gritou descrente com o homem. Soltei uma risada por ela ter reconhecido qual era o restaurante só de ver um objeto.

 

— Sem gritaria, Soo, cuidado com as rugas! Você já tem muitas, tem que se cuidar pra ter uma pele tão linda como a minha. — ri alto quando ele mandou um beijo pra girafa do meu lado e piscou. Sooyoung lançou um olhar tão mortal que só faltou atravessar a tela pra bater no coitado. — E Taeng... não vou poder ir, fui chamado pra vir nesse restaurante bem antes da Shikshin me convidar, ela de tão apressada não me deixou nem ao menos explicar a situação.

 

— Aposto que deve estar com um daqueles machos dele. — a mais alta resmungou do meu lado.

 

— Como é, querida?

 

— Não escutou, já era.

 

— Pelo menos não estou encalhado que nem você. Parece que não transa desde a volta de Jesus com essa pressa e mau humor todo!

 

— YAH! EU VOU-

 

— Parou com essa briguinha toda! — interrompi, senão seria capaz dos dois começarem uma sessão de xingamentos e Kibum sempre se esquecia até mesmo o que significava as palavras “local público”. — Não tem problema, Key. Outro dia você pode vir, não se apresse que nem essa daqui.

 

 Apontei para Sooyoung que me olhou com uma careta como se eu tivesse falado algo absurdo e Key soltou uma risada baixinha achando graça daquilo tudo.

 

— Amanhã de manhã eu vou aí. E não pense que esqueci de terça, quando você esqueceu de minha existência. Deixei quieto no expediente, mas como domingo a gente não trabalha...

 

— Deixa de ser besta, nunca que eu iria esquecer de você. Venha um pouco antes do almoço, assim nossa Shikshin faz uma comida ótima pra gente.

 

— Por que sobrou logo pra mim? Pede pro boy dele cozinhar. — rebateu a Soo.

 

— Está com ciúmes? Que amor! — Key zombou.

 

— Eu? Com ciúmes de você? Faça-me o fa-

 

— Vou desligar, Key. Boa noite e bom encontro! — interrompi novamente Sooyoung e desliguei a chamada. Quase levei um tapa da mão ossuda da girafa, mas esse era o preço por ter que segurar as pontas quando dois melhores amigos se alfinetam toda hora.

 

— Olha aqui, Kim Taeyeon... você para de me cortar!

 

— Quem corta é faca, eu só aparto briga de vocês.

 

 

(...)

 

 

 

 Ao decorrer da noite, Sooyoung e eu já havíamos comido a pizza e estávamos prontas para deitar. Fiquei embasbacada quando vi ao vivo ela comer quase uma pizza e meia, enquanto eu havia comido apenas uns três ou quatro pedaços. Parecia mais que ela estava se empanturrando para que eu não guardasse pra mais tarde. E em todos esses anos nessa indústria vital hoje foi a primeira vez que vi Soo reclamar de estar com barriga cheia.

 

 Na hora que ela cedeu a pagar a conta pro entregador, foi a segunda vez no dia que fiquei com cara de taxo por não ter acreditado em algo que tinha visto ou ouvido. Mais parecia algum tipo de milagre do que qualquer outra coisa. E então, depois de terminarmos de comer, decidimos procurar algum filme de terror barato pra passar o tempo, pois pelo que eu tinha percebido meu tédio contaminou Sooyoung. Nós precisamos começar a sair mais.

 

 No final das contas acabamos vendo um romance gótico, porque de terror não tinha nada. Era até uma boa escolha para assistir quando não tivesse nada pra fazer, já que nem pra dar susto aquilo servia. Metade do filme se baseou em críticas não-construtivas e comentários idiotas como “aquele bicho parece a Po do Teletubbies” ou “quanto sangue! Dava pra doar isso tudo pro banco ao invés de gastar com filme” vindos de mim e Soo. Me perguntei diversas vezes se nós realmente prestamos atenção nas cenas e só então no final percebi que apenas conversamos o tempo todo.

 

  Quando já estava preparada para dormir e apropriadamente embrulhada no meu lençol no colchão próximo à tevê, vi Sooyoung fazendo cosplay de estátua deitada no sofá e olhando pro teto como se tivesse algo interessante por ali. Logicamente eu achei esquisito vê-la daquele jeito, mas logo entendi que ela só estava pensando. O começo da semana havia sido cansativo – tanto física quanto psicologicamente – e com muitos acontecimentos fora do comum, imaginava como deveria ter sido pra minha melhor amiga que se brincar trabalhava duas vezes mais do que eu e Key.

 

 E mais uma vez me peguei pensando em Tiffany, em como nos “aproximamos” após um simples pedido de desculpas, em como nos demos bem em somente um dia e em como ela parou com seus antigos hábitos. Chegava a ser estranho não me sentir observada por quem quer que fosse enquanto atendia meus clientes no café, pois eu sempre tive tal sentimento apesar de nunca ter descoberto quem era. Numa época cheguei a pensar que estava paranoica, e a pessoa que mais me ajudou ali foi Key, como sempre. Havia se tornado algo familiar e me lembrar da ideia de que Tiffany não iria mais me ver me parecia uma espécie de pesadelo. Eu só queria saber o porquê de estar me sentindo assim.

 

 Eu nunca soube o real motivo dela sempre ir na minha cafeteria, mas sempre que ela mostrava a cara, significava que viria um furacão em forma de barraco. Muitas vezes precisei separar brigas entre ela e alguns clientes que iam frequentemente pra lá e, por incrível que pareça, minha reputação nunca ficou baixa por culpa dela, o que certamente era outro milagre.

 

— Conversei com nosso futuro fornecedor ontem de noite. Ele disse que vai nos visitar na segunda-feira com a mercadoria. — lembrou Sooyoung cortando meus pensamentos ao dizer. Virei-me pro lado por ser um assunto peculiar e encarei minha amiga sentada no canto do sofá.

 

— Já acertou tudo com ele? Que rápido... Às vezes sinto que você cuida mais da cafeteria nesse ponto do que eu. — falei sentando no colchão com o lençol por cima dos ombros. Era verdade que muitas vezes Sooyoung tratava dos negócios melhor que eu mesma, algumas pessoas poderiam facilmente me confundir com uma simples gerente ou garçonete do que acharem que eu sou dona do meu negócio, mas sempre tentei manter tudo equilibrado, deixando eu e ela no mesmo nível de controle. Porém a triste realidade era outra, já que apenas os funcionários sabiam quem mandava de verdade ali.

 

 Mas parando para pensar bem, ela aparentava ser mais bem de vida se comparado a mim, então era óbvio que iriam achar que sou algum tipo de subordinada.

 

— Rainha é rainha, né querida. — revirei os olhos. — Mas sério, acho que é uma boa oportunidade fazer negócio com esse cara. O café é da América do Sul, mas é comprado pelo fornecedor na América do Norte, totalmente diferente do nosso que vem da Indonésia.

 

— Hmm... — cocei o queixo pensando no que dizer. — Acho que café melhor que o da Indonésia, só o do Vietnã aqui na Ásia ou o do Brasil na América do Sul. Ele falou de qual país é a safra?

 

 Soo coçou a cabeça e eu entendi aquilo como um “não sei”.

 

— Acho que Brasil...? — disse hesitantemente e sorriu amarelo.

 

— Você não perguntou? — ela assentiu e eu senti minha cabeça latejar por um breve momento. Pura ilusão achar que Sooyoung fazia as coisas perfeitinho. — Acho que você é a primeira pessoa na história que não pergunta as informações mais importantes. Impressionante! — respondi elevando um pouco o tom da voz e carregando um pouco de ironia na última palavra, porém logo tratei de me recompor, era noite e esporro dava rugas. — Segunda-feira eu mesma converso com ele, não precisa ir. Sabe ao menos o nome dele?

 

 Do jeito que ela é, capaz de não saber nem isso.

 

— Então, eu não lembro... só sei que é um nome estrangeiro bem curtinho...— falou com a menor preocupação do mundo e ajeitou o cobertor entre as pernas. Como alguém conseguia ser assim? Se eu não conhecesse Sooyoung há tanto tempo já teria a estrangulado sem piedade por ser tão irresponsável, contudo, ao passar dos anos aprendi que me estressar com aquele ser era perder tempo precioso.

 

— Sinceramente... desisto de você. Boa noite, Soo. — virei-me pro lado e deitei cobrindo meu corpo inteiro com o lençol.

 

Tudo o que eu precisava naquele momento era de uma ótima noite de sono antes de ter que aturar Key e Sooyoung logo numa manhã de domingo.


Notas Finais


Só tenho duas perguntas: O que estão achando do progresso de TaeNy? Espero que tenham gostado da conversinha de flores, vai ser importante na história.
E quem vocês acham que é o futuro fornecedor da Tae? Aceito teorias, viu?
Ah, não posso deixar de mencionar que vai ter menção sobre o Brasil na fic sim, já que nosso país é o maior produtor de café do mundo, então é isso.

Até o próximo cap. Chu~


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