História House of Cards - Capítulo 19


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Personagens Originais, Suga
Tags Ceo, J-hope, Jimin, Romance, Suga
Exibições 91
Palavras 3.837
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Josei, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Ciao!!
Gente me perdoem pelo drama, é para combinar com meu estado emocional hahaha

Capítulo 19 - Feels like I'm drowning without your love


Aceitei um pastel de Belém e comi com a melhor boca. Paulo se ofereceu para me acompanhar enquanto procurávamos algum navio que não tivesse partido. Estávamos esperando o último capitão que iria para a Itália, infelizmente, em Reggio Calábria.

-Quem te fez isso tem que ter cacique, miúda. – Paulo comentou.

-Cacique? – perguntei confusa.

-É... Dinheiro. Tem que ser rico. – ele se explicou.

-Não, eu entendi essa parte, falamos isso no Brasil. Só que achei que vocês não falavam isso aqui em Portugal. – ri. – no entanto, seria bue fixe que falassem. – brinquei.

-Estás toda sorrisos, hein. – ele riu junto. – lá vem o capitão. Vamos!

Meu coração batia descompassado enquanto Paulo e Sr. Alves discutiam se eu poderia embarcar. Eu só queria ir embora, tomar um banho no meu chuveiro e dormir em minha cama. Queria abraçar meus pais e dar graças a Deus por estar viva.

-Vá Marie! Vocês chegarão esta noite. – Paulo sorriu. – boa sorte!

-Obrigada. – me curvei, um costume de anos. – obrigada do fundo do coração! Entrarei em contato assim que estiver em Gênova.

Encarei o escuro do horizonte, os ventos marítimos me fazendo o bem que sempre fizeram. O céu era bem estrelado, graças à distância da cidade. O capitão Alves me ajudou com um quarto e outra muda de roupa nova. Era pouco depois das duas da manhã quando o navio ancorou no Porto de Reggio Calábria. Dali para frente, eu tinha que me virar sozinha. Talvez o capitão pudesse me emprestar um telefone...

-Capitão... – me apertei contra o moletom grosso. – o senhor poderia me emprestar um telefone? Não vou gastar nem cinco minutos, prometo.

-Claro, claro. – assentiu. – fique a vontade.

Ele me emprestou o próprio celular e eu disquei o número de Edo, rezando para que ele estivesse, no mínimo, esperando uma ligação minha.

-Pronto? Chi sei?* – meu irmão atendeu rapidamente.

-EDO! – quase gritei de alegria ao ouvir a voz dele. Meu coração começou a bater mais forte e minhas mãos tremeram. – Edo, sou eu, Chi!

-Chi?! Maria Chiara? – eu ouvi um barulho e imaginei que ele tivesse derrubado algo. Sorri aliviada. – onde você está? Que diabos aconteceu? Você tá bem?

-Estou no Porto de Reggio Calábria... Será que tem como você vir me buscar?

-Estou indo agora. Ligeiro. Não saia daí por nada! – e desligou.

-Obrigada capitão, meu irmão está vindo. Muito, muito, muito obrigada mesmo.

-Ele vai demorar horas até aqui, querida. Por que não se hospeda em um hotel?

-Eu não tenho dinheiro e documentos. – sorri sem graça. – ele chegará logo.

-Marie, são quase doze horas de viagem de Gênova até aqui.

-Eu sei. – assenti. – mas virá, eventualmente. Vou me sentar e esperar, não se preocupe.

-Insisto que fique em minha cabine de dormir. Eu posso ir para um hotel. – puxei o ar para argumentar, mas o capitão me lançou um olhar atravessado e eu me calei. Talvez eu merecesse um pouco de mordomia, no fim das contas.

Dormi pouquíssimo. A ansiedade aumentava minha adrenalina e meu corpo parecia desesperado por ver o nariz usignuolo e cabelos mel de Edoardo. Quando acordei, só sentia impaciência e fome. Alguns marujos se compadeceram de minha cara machucada e me ofereceram um belo colazione, ou seja, café-da-manhã, com direito a um Caffè d'orzo bem quente e crostata recheada de amarena (uma cereja mais azeda, e deliciosa).

Não sei como meu irmão conseguiu chegar em menos de doze horas, mas, quase na hora do almoço – que na Itália é tão tarde quanto no Brasil – Edoardo estava lá. Vi seus cabelos claros e o nariz em muito esforço. Minhas pernas tremeram de emoção e eu corri, literalmente, até ele. Corri como se dependesse daquilo para viver.

-EDO! – o abracei, fazendo com que o impacto fosse ainda maior.

-Ciccia! – ele me apertou com força. – meu Deus, Chi! É você mesmo!

-Claro que sou eu. – mordi os lábios para segurar o choro. – achou que eu sumiria antes de dizer que te amava e que você é o melhor irmão do mundo?

-Isso me entristece, Chi. – ouvi a voz de Rocco e abri os olhos, vendo-o atrás de Edo.

-Rocco! Olivia! – as lágrimas caíram sem permissão, mas eu não me importei.

Meus irmãos se juntaram ao abraço e todos os dias antes desse reencontro, toda a agonia... Caramba, aquilo não era nada. Eu me sentia protegida até o último fio de cabelo, me sentia amada e viva. Ouvi o barulho de choro e me assustei por não ser Rocco, mas sim Edo, quem chorava copiosamente, quase mais do que eu.

-Sei qui ancora... – ele murmurou tanto em italiano quanto em português. – você tá aqui agora. Meu Deus, você tá aqui. – e me abraçou novamente.

Eu sabia que muitas pessoas olhavam nosso reencontro com curiosidade, mas estava tão eufórica por me reunir com meus irmãos que não pedi que fossemos conversar em um local reservado. Edo agradeceu aos outros marinheiros por me permitirem ficar no porto e pagou um café para todos; infelizmente, capitão Alves havia partido com a tripulação às nove da manhã, e meu agradecimento seria à distância.

-Mamãe e papai ficarão tão emocionados quando te verem. – Olivia passou a mão pelos meus cabelos. – o que aconteceu com o seu rosto? O que aconteceu com você?

Aproveitei o conforto do restaurante de massas e contei toda a história, sem resumir um mísero detalhe. Precisava da ajuda deles para descobrir os motivos e quem foi... Além de um telefone para falar com Jimin. Eu queria tanto ouvir a voz dele!

-Iremos para Merzamemi primeiro, depois organizamos o resto. – Edo sentenciou.

Foram quatro horas de viagem, contando com a balsa. Eu achei que papai teria uma apoplexia quando me visse, mas ele começou a chorar e eu, como grande bebezona que me descobri ser, chorei junto. A dor de cabeça por tanto choro me faria dormir cedo. Também precisei explicar tudo o que houve para eles, e depois de tomar um banho dos deuses e me vestir com roupas quentinhas que me pertenciam, eu jantei galinhada, um de meus pratos favoritos. Aquele dia fora um dos mais emocionantes em minha vida.

-Oli, você me empresta o computador? – pedi.

-Claro! Vai falar com Jimin? – perguntou curiosa.

-Espero que ele esteja acordado. – confessei. – p-posso ficar sozinha?

-Tudo bem. – ela se levantou da cama. – vou fazer um chai, quer?

-Por favor! – sorri. – obrigada mana, de verdade.

-Que bobeira Chi, não é nada. – Olivia ficou corada. – pare de ser amável, não combina com seu estilo. – tentando esconder a vermelhidão, ela saiu do quarto.

A chamada no FaceTime pelo computador era agonizante. Jimin não atendia e eu já estava cansada, mas não queria dormir sem dizer a ele que estava sã e salva. Quando ia desistir, Jimin retornou a ligação e meu coração saltou do peito.

-Jimin... – estiquei a mão institivamente para a tela, como se conseguisse tocá-lo.

-M-Ma? – uma luz foi acesa e reconheci nosso quarto. – Maria Chiara?

-Jimin eu... – o choro subiu a garganta e eu me senti irritada. De onde saíra tanta água para eu chorar?! – Jimin, estou em Merzamemi. Consegui chegar em casa hoje.

-Puta que pariu, graças a Deus. – ele suspirou. – eu estava com tanto medo! A polícia não tinha mais pistas e... E acharam q-que você... – Jimin parou de falar, fungando esquisito. Escondi o rosto nas mãos, sabendo que ele estava fazendo o mesmo que eu: chorando.

-Estou aqui, amor. Estou viva e bem. Estou aqui. – fechei um punho contra o coração, como se isso diminuísse a saudade e as emoções.

-O que aconteceu com seu rosto? Onde você esteve?

-É uma história tão longa, Jimin. Queria te contar ao vivo, mas não posso embarcar para Hong Kong sem documentos, e eles estavam em minha bolsa.

-Você disse Merzamemi, certo? Irá para Gênova amanhã?

-Não vou sair daqui tão cedo. – confessei.

-Preciso checar as passagens e ver se tem algum avião indo para a Itália. No mais tardar, estarei ai em dois dias. Espere por mim. – ele se levantou. – vou desligar, tenho muita coisa para organizar. Espere por mim, linda. Eu te amo.

-Também amo você. – sorri sincera. – estarei esperando, Jimin.

Aproveitei o computador para mandar mensagens autoexplicativas para Mimi, Yoongi e Hoseok. Eu queria encontrar todos logo, mas não me sentia segura para ir até Hong Kong.

Quando desci para buscar um copo com água, a família estava conversando baixo, uma garrafa de vinho na mesa e alguns biscoitos. Senti a seriedade do assunto antes mesmo de me aproximar e ouvir que falavam de mim, de Jimin e de Hong Kong.

-... Acho que deve ficar. – Edoardo falou bravo.

-Mas e se ela não quiser? – Olivia se exaltou um pouco. – não depende de nós.

-Ela não tem que palpitar nisso se for lhe fazer mal. – Edo retrucou.

-Edo, você não pode controlar a vida dela! – Rocco foi em minha defesa.

-O que eu não posso palpitar? – perguntei fazendo minha entrada dramática.

-Oh, você está aí. – meu pai se levantou. – nós precisamos conversar.

A última vez que ouvi essa frase foi para dizer que vovô havia morrido. Meu coração deu um salto e um sentimento de enjoo me desesperou minimamente.

-Queremos que você faça um acompanhamento psicológico para tentar diminuir os efeitos do estresse pós-traumático. – mamãe começou. – sabemos que, mesmo que você aparente estar bem, existe uma chance do trauma não ter passado. – concordei com a cabeça. – e outra coisa, querida. – minha cabeça doeu. Ela usou o "querida", ela iria me foder. Mamãe sempre usava o "querida" quando algo me irritaria/magoaria.

-Mãe, espera. – Olivia pediu. – não faz isso. Marie vai ficar triste.

-É uma decisão para o bem dela, Olivia. – meu irmão mais velho resmungou.

-Não vai fazer bem se ela precisar ficar longe de Jimin!

-O quê? – arregalei os olhos. – ficar longe de Jimin?

Fora de cogitação. Não deveriam nem ter pensado naquilo. Que amontoado de baboseira! Será que tinham comido algo estragado e agora passavam mal?

-Calma, nós vamos explicar. – mamãe pediu.

-Nós? Rocco e eu somos contra isso! – Olivia bateu na mesa.

-Pare de fazer escândalo, Olivia. – Edo fez careta. – olhe ciccia, nós pensamos muito sobre essa situação toda e chegamos à conclusão que você não pode voltar a Hong Kong.

-P-por quê? – eu precisava me sentar, urgente.

-Porque lá não é seguro, porque não podemos te proteger daqui. Mesmo que seja um evento aleatório, Jimin nos contou umas coisas e temos motivos para achar que tudo pode voltar a se repetir. – minha mãe segurou minha mão.

-Que coisas? Por quê? – perguntei nervosa.

-Ah, querida, é tão complicado. – ela suspirou. – a polícia chegou à algumas teorias.

-Mãe, por favor. – Rocco tocou seu antebraço, o olhar de cachorro pidão reinando. – não vamos falar disso agora, Chi não se recuperou ainda.

-J-Jimin está vindo, ele deve chegar amanhã ou depois. – murmurei. – vamos conversar com ele junto. E-eu não estou entendendo mais nada.

A verdade é que eu tinha uma leve suspeita, mas preferia ignorar.

O outro dia foi resumido em médicos. Mamãe me levou para a capital e eu fiz vários exames, para ver se não tinha nada fora do lugar; depois eu falei com a psicóloga de meus irmãos em Gênova. Não concordei em voltar para lá, mas ficaria por um tempo... Talvez uns meses. O médico me pôs uma cinta, porque tinha uma luxação na costela, e me passou umas pomadas para ajudarem a cicatrização do rosto.

Já era noite quando voltamos para Merzamemi. A casa estava iluminada e imaginei que os meninos tinham preparado algo para jantarmos, porque eu estava faminta.

-Rocco? Oli? Edo? – gritei ao abrir a porta. – estou com fo-

A frase ficou presa. Com olheiras, o rosto mais magro do que me lembrava, cabelo bagunçado e uma roupa típica de viagens longa, Park Jimin estava parado no hall de entrada da casa dos meus pais. Minhas pernas falharam e eu me apoiei na maçaneta da porta de madeira, as mãos tremendo de ansiedade por tocá-lo. Murmurei um "Jimin" inaudível e corri até ele, abraçando-o com toda a força que ainda tinha em mim. Sentir seu cheiro, sua pele, seu corpo... Deus, eu estava de volta ao paraíso.

-Meu amor. – ele começou a beijar meu rosto. – meu amor.

Sorri fraco, amando o som da voz dele tão perto, tão real. Sua boca tocou a minha e eu revivi. Não sabia se minha família estava perto, mas não poderia me importar menos. Subi as mãos para a nuca dele, passando os dedos pelo cabelo castanho e macio, relembrando o como era maravilhoso fazer aquilo e ter Jimin perto. O beijo era calmo, apaixonante, cheio de carinho. A saudade e o desespero da semana turbulenta que se passou potencializava cada emoção. Afastei-me contra vontade, precisando de ar.

-Eu senti tanto medo. – Jimin murmurou, escondendo o rosto em meu cabelo. – achei que nunca mais iria te ver, que você tivesse fugido de mim outra vez.

-Mas eu mandei uma mensagem...

-Sim, porém vi as doze ligações de Yoongi antes de lê-la, e por um momento... Quer saber? Vamos falar disto depois, agora eu só preciso ficar pertinho de você.

-Por que você está tão magro? Com olheiras? Você comeu? Dormiu um pouco? Meu irmão te colocou em qual quarto? – toquei seu rosto, passando o polegar pelas suas bochechas e pelas bolsas nos olhos. – faz quanto tempo que chegou?

-Calma Ma, uma pergunta de cada vez. – riu. – Edo cedeu o quarto de seus avós para nós dois. Eu cheguei deve ter duas horas, ele me ofereceu um chai e biscoitos amanteigados.

-Estou faminta. – confessei. – acho que mamãe e papai vão fazer nosso jantar. Vem, vamos para o quarto, preciso te contar milhões de coisas.

Enquanto eu narrava sobre o fatídico sequestro, Jimin estava deitado recebendo uma massagem nas costas de minha autoria. Ele insistiu que quem deveria receber cuidados era eu, mas não aceitei. Gostava de mimá-lo... E havia sentido saudades.

-Mamãe e papai querem que eu fique em Gênova. – desfiz um nódulo em seu pescoço e ele soltou um gemidinho. – eles não me deixaram voltar para Hong Kong.

-Como? – erguendo o torso, Jimin virou a cabeça para o meu lado. – não deixaram?

-Então... Eles não terminaram a conversa porque Oli e Rocco foram ao meu resgate, mas pelo que entendi estou proibida de voltar. Bem, assim como os coreanos, nós italianos temos certo respeito por decisões da família. – suspirei. – tenho medo de ir e chatear meus pais em um nível que destruiria toda a paz aqui em casa.

-E-entendo. – já de barriga para cima, Jimin me encarava de um jeito triste. – acho que precisamos conversar sobre o que a polícia descobriu.

-Tem certeza? Não podemos... Deixar isso para lá? – pedi insegura.

-Precisaremos conversar uma hora ou outra, Ma. Acho que entendo o lado dos seus pais, mas espero que a decisão não seja para sempre, e sim por um tempo.

-Chi, o jantar está pronto. – Rocco bateu na porta, falando em português.

-Estamos indo. – respondi. – tem comida, graças a Deus. Você está com fome?

-Um pouco. – ele sorriu vestindo a camisa. – vamos conversar depois?

-Beeeeem depois. – sorri sapeca. – agora só quero paz.

A paz durou a explicação do que continha no risoto e qual o nome do vinho que meus pais bebiam. Logo o mínimo silêncio reinou, Edoardo jogou a bomba.

-Bem, Jimin, acho que está na hora de explicar para Marie sobre a polícia.

-Porra Edoardo! – Rocco rolou os olhos.

-Infelizmente ele tem razão, Rocco. – Jimin encolheu os ombros. – eles começaram a investigação resgatando sua bolsa da rua e ouvindo tudo o que Yoongi tinha a dizer, depois vieram me entrevistar, porque eu era um suspeito potencial, como sempre. Quando contei sobre Liu Le... Você já deve imaginar. Estão revirando a vida dela, e me atualizaram com 80% de certeza que ela é a culpada. Faz todo sentido que você tenha sido "deportada" de Hong Kong e parado em Bangkok, onde o turismo sexual é imenso e o marido dela tem muitas conexões. – ele brincou com a comida e me encarou. – se estivermos certos, Liu Le tinha planos para você trabalhar em um prostíbulo ilegal.

-Cacete dos infernos. – eu sabia que meus pais brigariam pelo palavrão, mas minha cabeça doía demais para que eu usasse palavras educadas.

-Agora entendeu, ciccia? Não queremos correr riscos.

A pior parte é que eu entendia. Eu entendia e até concordava... Mas, e Jimin? E meus amigos? E minha vida? Como eu simplesmente ficaria em Gênova até tudo se resolver? Isto é, se as coisas caminhassem para um rumo satisfatório. Eu duvidava muito que prenderiam uma milionária esposa de um magnata tailandês. Se esse homem tinha conexões com cafetões e nunca fora preso, imagine ser responsável por sequestrar uma estrangeira?! Minha estadia na Itália era por, no máximo, dois meses. Eu tinha que voltar a Hong Kong, afinal, minha vida toda estava lá. Não poderia correr de Liu Le para sempre.

Tentei explicar aquilo para minha família, mas só consegui um olhar atravessado de mamãe e um bico de Edoardo.

-Amanhã terminaremos o assunto. – papai mediou. – aposto que Jimin e Chi estão desesperados para ficarem sozinhos e estamos atrapalhando tudo.

Sorri para meu pai, grata por ter ido a meu resgate como Oli e Rocco faziam.

Mas eu e Jimin não tínhamos ânimo para fazer nada. O rumo que as coisas tomaram e as loucuras de Liu Le haviam conseguido o melhor de mim. Quando voltamos para o quarto, eu só queria dormir e acordar em outra época.

-Eu posso tentar vir de 15 em 15 dias. – Jimin comentou. – apesar de querer levar você comigo, temo que as coisas possam piorar. Devemos esperar a polícia tomar uma decisão.

-Você acha que ela seria presa? – perguntei.

-Acho. – assentiu. – mesmo que não seja, a vida dela vai acabar.

-E ela vai querer se vingar de mim com ainda mais vontade. Talvez eu deva ficar aqui para sempre... – olhei pela janela, ouvindo o barulho do mar.

-Você faz seu tratamento em Gênova e eu venho te ver; quando ele acabar, nós voltamos a conversar sobre isso. – Jimin me puxou para um abraço. – sobrevivemos o escândalo do namoro e seu sequestro, Ma, vamos sobreviver essa fase estranha também.

-Tudo bem. – sorri. – eu sei que sim.

Mas eu não tinha tanta certeza, na verdade.

●●●

Gênova estava entrando no verão, portanto a quantidade de turistas era imensa. Edoardo estava ajudando um amigo com o restaurante beira-mar dele e eu me ofereci para contribuir também, tanto na cozinha quanto com os clientes. A psicóloga me disse para ocupar a cabeça com outras coisas, porque me desesperar pelo assunto não mudaria nada, que nós tínhamos que dar um passo de cada vez.

-Chi, vou precisar de duas águas para a mesa 15. – Domenico me pediu.

-Pode deixar. – sorri. Ele estava muito corrido com o movimento, e por ser o dono, tinha que checar tudo quase toda hora. – com gás?

-Só uma. E copos com limão. – estalou os dedos, como se lembrasse de algo.

Eu arrumei a bandeja e serpenteei pelo mar de pessoas, procurando pela mesa 15. Quase derrubei os copos quando vi quem estavam ocupando o local: Harry e Mimi.

-Mimi! – gritei de emoção. - Harry!

-Marie! – ela gritou em resposta, se levantando e me abraçando. – Deus, que saudade!

-Por que não me contou que estava vindo? – fiz careta. – eu teria pedido uma folga.

-Ah amiga, era para ser surpresa. – sorriu. – foi ideia do Harry.

-Que gracinha. – o abracei também. – vão ficar muito tempo? Daqui a pouco acaba o horário de pico e eu consigo uns minutinhos para conversarmos melhor. – olhei meu relógio. – enquanto isso, eu vou terminar de atender, mas fiquem à vontade.

Dizer que não fiquei decepcionada por Jimin não estar ali seria uma mentira. Quem dera ele pudesse me visitar também... Mas, infelizmente, Jimin tinha duas vezes mais trabalho do que eu. Além disto, havia o caso da polícia e ele precisava ter certeza que nada vazaria para a mídia, porque as coisas poderiam piorar centenas de vezes se acontecesse. Nós tentávamos conversar durante as horas vagas, porém o fuso horário era horrível.

Eu contava os dias para vê-lo, uma saudade completamente diferente de todas que senti. A psicóloga havia dito que eu estava muito dependente dele, portanto precisava reencontrar meu espaço. Era estranho porque ela estava certa, mas, ao mesmo tempo, eu não queria "me reencontrar". A antiga Maria Chiara não era tão feliz, tão realizada.

-Domenico, o casal da mesa 15 veio de Hong Kong... São meus amigos. – falei quando voltei para a cozinha. – você ficaria muito chateado se eu-

-Quisesse ficar com eles quando o movimento diminuir? – Domenico sorriu, afinando a voz e tentando me imitar. – claro que não, mas só quando o movimento diminuir.

-Obrigadão! – beijei sua bochecha.

Não levou muito para eu estar sentada de frente ao casal, tomando uma soda italiana.

-E agora me coloquem a par das novidades. – sorri satisfeita.

-Vamos pelas más notícias, primeiro? – Mimi olhou Harry. – acho melhor, né?

-Más notícias? – franzi o cenho.

-O processo contra Liu Le... Ele precisa ser anexado a um contra Bei Hu, porque ela também contribuiu para todo o ocorrido. Com isso, é bem provável que chegue ao público e que tanto Bei Hu quanto Liu Le tomem medidas drásticas para se defenderem. Vocês vão precisar ser fortes. – Mimi segurou minha mão. – levando em conta que o marido de Liu Le é ricaço e muito influente na Ásia...

-Mi, você não está ajudando. – Harry a cutucou. – o que queremos dizer é, se vocês conseguirem provas de que a culpa do sequestro é dela, não tem como ela se safar, entende? E o marido não se aventuraria a tentar defendê-la.

-Precisamos que você volte para Hong Kong e ajude nas investigações da polícia. – Mimi pediu. – Jimin não vai conseguir sozinho.

-Não posso voltar, Mi. Estou em tratamento... E não me sinto segura ainda.

-Mas e Jimin? – ela arregalou os olhos.

E eu?

Comecei a me sentir mal por não querer voltar. A questão era que enquanto não tivéssemos um posicionamento sobre o processo de Liu Le e meu sequestro, eu estaria correndo perigo. E tinha a psicóloga, minha família... Não dava para fazer isto ainda.

-Mimi, não posso. – suspirei. – me dê uns dois meses. Eu preciso desse espaço.

Ela largou minha mão e fez bico, ofendida. Harry mudou o tópico para as boas notícias e fiquei satisfeita ao ouvir que Hoseok e Yoongi estavam cuidando de Jimin, que a empresa conseguia pagar suas contas e que meu sogro havia ficado muito preocupado com o meu sumiço. Não esperava nada da mãe de Jimin, mas foi ruim saber que ela não ligava.

Jimin: Queria ter feito parte da surpresa de Mimi. Sinto muito não conseguir ir!

Marie: Não se preocupe, você vem depois... Né?

Jimin: Acho que não... Tem a investigação e o processo de Liu Le, como você não está aqui eu sou o responsável por conseguir que ela seja punida por sua demissão, etc.

Marie: Entendi.

Mas, no fundo, eu não queria entender. Momentos como aquele só me lembravam do quanto eu o amava e como as coisas eram mais fáceis com ele do lado. Sozinha, parecia que eu estava me afogando em um mar de caos.


Notas Finais


* = Na Itália, eles costumam atender com "Pronto?". "Chi sei?" significa "Quem é?".
Beijos!


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