História House of Cards - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Exibições 74
Palavras 7.902
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Fantasia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


oi :V

Capítulo 7 - Duas opções


Fanfic / Fanfiction House of Cards - Capítulo 7 - Duas opções

Marcela passou mal. Assim que recebeu a notícia da polícia local sobre o acidente, ela desmaiou e agora está em algum desses quartos do hospital sendo medicada. Michel também, logo após ele ter ido me buscar no apartamento, chegou aqui e teve um excesso de pânico e não conseguia parar de chorar, sendo que foi necessário sua internação. Deborah nem mesmo chegou até o hospital, desmaiou ainda no seu apartamento e Jungkook se viu obrigado a chamar uma ambulância e, agora, ela está internada em um hospital do outro lado da cidade. E eu ainda não sei como consigo ficar de pé. 

Victória, SunHi e Yuri estão - respectivamente - em alguma dessas salas cirúrgicas. SunHi está fazendo reconstrução facial, seu maxilar foi destroçado no acidente. Yuri deve o braço esquerdo quebrado em quatro pontos diferentes e o pulso direito deslocado. E Victória está colocando alguns parafusos em seu braço direito, mas a fratura em suas costelas não pode ser solucionada a não ser por meio natural do corpo. O motorista morreu na hora, e não foi por conta do acidente. Alguém atirou na sua cabeça antes que a van perdesse o controle. 
A polícia passou a trabalhar com tentativa de assalto seguido de morte O diretor do hospital autorizou a permanência somente de quem era íntimo delas, por essa razão, somente os pais, Gain, eu, Jin e Taehyung estavam aqui, esperando alguma notícia há mais de doze horas. O dia fora dessas paredes geladas já estava amanhecendo 

- Você quer? - levanto o rosto e vejo Gustavo com algum saco de salgados nas mãos. 

- Não. - sussurro e ele se senta ao meu lado. - Seu pai? 

- Conversando com algum médico. - Gustavo resmunga baixo e com a boca cheia de salgadinhos - Minha mãe ta mais calma.... na verdade, ela ta chapadona de tanto calmante. 

Ele fica em silêncio e eu volto a me concentrar em minhas mãos, que nesses momentos conseguiam ser as coisas mais interessantes do mundo. 

- Minha irmã daqui a pouco, ta no quarto. - Gustavo chama minha atenção novamente. - Acho que a Yuri também... Não consegui entender muito bem, o médico quando viu que eu tava escutando tudo, começou a falar por código com o meu pai.... - ele leva a mão cheia de salgadinho até a boca e olha pra frente. - Eu peguei o salgadinho e vim pra cá. - ele ergue o pacote pra mim - Tem certeza? Ta muito bom. 

- Tenho.... pode comer. - volto a apertar meus dedos e o olho. - Será que eu vou poder ver ela? 

Gustavo para de se mexer com a mão dentro do pacote e me olha: - Não sei.... 

Respiro e fecho os olhos, abaixando a cabeça: - Quando será que ela sai daqui? 

- Não sei também. - Gustavo responde a pergunta que nem era propriamente feita pra ele - Mas o que importa é que ela ta viva, né? 

- Acho que sim. 

- Jimin. - abro os olhos e me volto a ele. - Só não desaba agora, tá?... É que assim, ela vai precisar de você. 

- Vou tentar. - sussurro e o moleque sorri. 

Mas a minha atenção não fica presa nele por muito tempo, ja que a movimentação de enfermeiras entrando no quarto defronte onde estávamos torna a ser intensa. E alguns minutos mais tarde, a persiana que cobria a janela é erguida por uma enfermeira. A garota nos olha e sorri brevemente, até sua silhueta sumir. Eu praticamente me arrasto sobre a cadeira e ergo o corpo até ter plena visão do quarto a minha frente. E minha garganta raspa, minha respiração tropeça e em segundos, estou chorando novamente. 

A cama ficava no centro do quarto, no canto esquerdo - onde havia a porta de entrada - havia um sofá relativamente grande ao lado de uma porta no interior do cômodo, onde provavelmente era o banheiro. Mas o centro do quarto era o que me chamava mais atenção. Victória estava repousada sobre o colchão que aparentemente era confortável, e seu corpo estava coberto por uma manta clara. E desacordada. 

Eu respiro fundo e meu peito dói inconformado. O branco daquele quarto machucava ainda mais a minha vista, mesmo que existisse uma janela entre eu e ela. O barulho das máquinas era audível de onde eu estava e me fazia meu coração vacilar a cada novo breve som. E intermináveis tubos seguiam pelo seu corpo. 

Me faltou o ar, meu eixo novamente girou rápido e eu não conseguia mais enxergar com nitidez. Meu desespero ja tinha sido materializado e agora a única coisa que eu conseguia ouvir era o som insuportável das máquinas ligadas a ela e os breves murmúrios meus pedindo pra que tudo aquilo acabasse. Eu só queria acordar assustado e perceber que tinha sido somente mais um pesadelo. Eu não podia acreditar em tudo aquilo, era doentio aceitar como se fosse algo tão comum. Era a minha vida escapando entre os dedos e não podia fazer nada, além de assistir em silêncio. O bip das máquinas rasgava meu peito a cada novo segundo e sua voz ecoa baixo em minha mente. 

".... Se você soubesse que o mundo acabaria hoje, quem você escolheria pra dar o último abraço: seus pais, seu cachorro ou quem escolheu amar?" 

Levanto o olhar para o quarto, vendo o corpo imóvel e pálido sobre a cama. A porra do meu mundo ta desabando e nem tive a chance de lhe dar o último abraço. Fecho os olhos e a última noite que estávamos juntos antes disso tudo acontecer passa em minha órbita.

"Me promete que jamais vai me deixar esquecer o porquê me apaixonei por você.... Me promete que vai me amar logo cedo, ao acordar, todas as vezes que sentir que eu estou me afastando de você, de nós. Que vai permanecer me olhando assim, como se eu fosse a melhor coisa que você já teve." 

Meu corpo pesa, de uma forma que não consigo suportar e passo a escorregar em direção ao chão, mas não chego a cair. 

Carlos me mantém em pé: - Eu vou te levar pra casa. 

- Não. - sibilo e passo a tossir fraco - Não quero... 

- Você não pode entrar lá - o homem segura meu rosto e seu olhar desmonta. - Merda, Jimin. 

Ouço um grito desesperado e vejo WonHo praticamente derrubar o médico ao chão ao empurra-lo com força, mas de algum ponto do hospital surge um segurança e o prende 

- Solta ele! - exclamo alto 

Wonho ele me olha e recua, mas eu não faço nada. Pra ser sincero, não tenho forcas nem pra me manter em pé. Ele segue lentamente ate onde estou e seu olhar perdido em cima de mim, como se tivesse vendo alguma assombração. E então, olha pra janela a nossa frente e sua respiração tropeça incontrolável. Ele segue até o vidro e apoia ambas as mãos sobre a superfície.... Eu não tenho noção do quanto de tempo perdi ali, vendo-o entrar em uma crise de pânico. 

- Fique quanto quiser.  

A minha voz sai baixa e até mesmo me surpreendo com o que disse a ele. WonHo respira fundo e olha novamente para a janela. 

- Eu preciso pensar, Carlos. - exclamo e olho para o padrasto de Victória. 

- A última coisa que você precisa é pensar. - o homem rebate - Você não tem condições, Jimin. 

- Se continuar me tratando como um louco, vou passar a agir assim. - minha voz sai rápida e Carlos me solta, demonstrando que havia entendido. - Amanhã, eu volto. 

- Você quem sabe.  

É a única coisa que ele diz e eu volto a olhar WonHo. E era estranho saber que ele estava quebrado daquela forma, do mesmo jeito que eu ou até mais. Respiro fundo e abaixo a cabeça seguindo até a saída do hospital Eu preciso esquecer, mas não consigo. Minha cabeça ta pulsando e isso só me irrita ainda mais. Sigo até a saída do hospital, que por algum milagre, ainda não está infestada por fotógrafos e inspiro fundo, assim que vejo um táxi passar lentamente pela rua. Consigo fazer um sinal pedindo sua parada a tempo e me jogo sobre o banco. 

- Endereço? - acho que o motorista deve ter perguntado isso umas dez vezes seguidas, porque quando eu finalmente ouvi sua voz, ele ja estava praticamente me sacudindo.

Pisco algumas vezes e lhe passo o local. O hospital aos poucos sai do meu campo de vista e consigo respirar um pouco mais fundo, desencadeando um desespero doentio em mim. Em poucos segundos, eu ja estava chorando de forma copiosa e com o corpo praticamente encolhido sobre o banco. O condutor do táxi não me pergunta nada, mas alterna seu olhar entre o trânsito local e o retrovisor, atento a um possível surto mais descompassado meu.  

E essa se tornou a minha rotina nos trinta dias que se seguiram: eu acordava, ia para o hospital e passava o dia inteiro atento ao corpo imóvel sobre a cama. Meu acesso e de qualquer outro familiar ao interior do quarto ainda era negado então, eu me limitava a ficar em pé, defronte a janela por horas a fio. Eu já havia perdido as contas de quantas vezes por dia eu chorava e desisti de contar o meu prejuízo após o segundo surto que tive, ha exatos três dias, onde, por algum excesso de culpa e arrependimento pelo o que ocorreu com Victória, eu quebrei o para-brisas do meu carro. 

- Jimin? - demoro a responder e Izzy me cutuca no ombro. - São 22h30. Você vai ficar aqui, em pé, até que horas? 

Fungo rapidamente e seco o rosto: - Quando ela acorda? 

Izabela me olha e sorri fraco, voltando sua atenção ao quarto. Ela trabalhava naquele hospital na área psiquiátrica e estava ali, praticamente todos os dias.  

- Não sei. - me responde. - Só vão começar a diminuir as doses de medicamentos quando as fraturas estiverem cicatrizadas. 

- E isso leva quanto tempo? - pergunto, cruzando os braços. 

- Menos do que imagina. - Izzy me responde e acabo rindo tensamente - Mas conforme sua resposta sobre os efeitos das drogas, pode demorar até seis meses pra que ela acorde. 

- Seis meses? - minha voz sai estrangulada. 

- Eu estive reparando em você essa semana - a francesa sussurra e me olha - A Vick é uma espécie de heroína pra você. Eu fiquei sabendo o que ocorreu esses dias. 

- PDNim? - indago, sabendo exatamente qual é a resposta - Ele não se sente satisfeito em só me afastar do grupo, tem que ficar me tratando como um louco. 

- Você precisa se cuidar - Izzy sibila - Quebrar o apartamento inteiro não vai fazer com que ela acorde rápido e, nem suas noitadas sem segurança alguma vão ajudar na recuperação dela. 

- Eu só não consigo. - sussurro e encosto a cabeça sobre a janela do quarto. - Não da, Izzy... eu não consigo entrar naquele apartamento e me sentir em paz. O cheiro dela tá impregnado. Ela tá ali....  

- Aí você sai. - Izabella torna a falar. - Bebe pra esquecer, e não esquece.... por isso acaba enlouquecendo. 

- Eu não estou louco, Izabela! - rebato - É que....  

- Faça o seguinte - ela não me deixa terminar - Vem amanhã durante o dia e me procura... Você precisa de alguém pra conversar e eu juro tentar deixar o lado doutora quieto. 

Eu a olho: - Quem sabe.... 

Não lhe digo mais nada e antes de sair do hospital pra seguir a minha rotina, olho mais uma vez para o quarto. Victória estava na mesma posição a duas semanas, onde o barulho daquelas máquinas se tornaram familiares a mim. Eu acho que acabei me acostumando com eles. 

- Por favor. - Izzy segura meu braço antes que eu desvie meu corpo do seu. - Eu só não quero te deixar assim até ela acordar... Isso não seria bom pra ela. 

Inspiro: - Okay.... Amanhã, eu te procuro. 

Ela sorri e me solta, deixando que eu decide fazer meu caminho de volta para o apartamento, mas sem antes passar em algum bar ou mercado e comprar uma garrafa de qualquer bebida forte o suficiente pra me fazer esquecer, ao menos alguns minutos. 

 

~Versão Izabela~ 

Eu o deixo ir, enquanto meus olhos observam seus passos cansados e as costas levemente arqueadas. Jimin parecia carregar uma tonelada em cima dos ombros. E ele não sabia de tudo... Eu fico imaginando a confusão que ele vai entrar quando ela acordar. 

Uma enfermeira passa por mim e sorri breve, abrindo a porta do quarto em que Victoria está e eu a sigo para o interior do quarto. 

- Seu nome? - pergunto e alcanço a cama, sem conter um sorriso breve ao ver o semblante calmo da italiana a minha frente. - Ela parece bem. 

- Serah. - a menina me responde e faz o mesmo que eu, quase debruçando sobre a cama. - Hoje sim... Ontem, ela estava abatida e o pulso acelerado. Era como se ela estivesse tendo algum sonho ruim. 

Sorrio e olho pra garota: - Provavelmente sim. Ela sonha, Serah... E escuta. 

- Oi? - a enfermeira arregala os olhos. - Como assim? 

- Ela escuta. - acabo rindo. - Os medicamentos usados pra deixar ela assim, em coma, são fortes o suficiente pra manter ela imóvel e sonolenta, mas as suas funções neurológicas estão normais. 

Debruço um pouco mais sobre o colchão e apoio minha mão embaixo da cabeça de Victoria, erguendo-o levemente. 

- Victoria? - sussurro e olho para a garota. - Eu vou precisar que você me ajude a te levantar pra cuidar do seu machucado... conseguiu entender? Preciso que você canalize seu peso na parte de baixo, em suas pernas. Estou sozinha aqui preciso de você. 

A italiana não move um centímetro sequer de seu rosto ou corpo. 

- Ela não tá te ouvindo. - a enfermeira ri em desdém. 

- Agora. - exclamo próximo ao rosto de Victoria e consigo erguer seu corpo sem muito esforço, como se ela pesasse equivalente a uma folha de papel. - Ela me escuta. E te escuta... Ou você acha mesmo que eu conseguiria erguer um corpo de 50kg inconsciente com uma única mão? 

A enfermeira alterna o olhar entre eu e Vick, que agora estava sentada sobre a cama e seu corpo estava ereto graças as minhas mãos apoiadas em suas costas e nuca. 

- Então, porque... - a menina torna a falar – Quando o doutor pediu pra ela apertar a mão dele, ela não o fez? 

- Ela fez. - sibilo – Levanta essa cama.  

A enfermeira faz o que peço e em segundos, a cabeceira da cama se eleva, deixando com que eu consiga apoiar o tronco de Vick sobre o travesseiro. 

- Ela apertou Serah. - concluo e estendo minha mão na sua direção, pegando a caixa de curativos entre seus dedos. - Ela só não o fez de uma forma visível a todos... Mas o Senhor Kwangmin preferiu é... manter sigilo sobre isso. 

- Porque? 

-Porque seria um caos entende? - abro lentamente e da melhor forma que posso a bata que Vick usa. - Feche a janela.. Acho que não seria legal alguém ver ela nua, não é? 

A enfermeira praticamente corre até a janela do quarto e desce a persiana rapidamente e assim que tenho plena certeza de que ninguém irá ver algo a mais, abro o tecido fino que cobre o corpo de Victoria e inspiro lentamente. 

- Quem anda cuidando desses machucados? - pergunto e meu rosto se torce levemente ao ver o estado deplorável de alguns arranhões. - Eu preciso falar com Kwangmin sobre isso, porque não estão cuidando direito dela. 

- Depende do plantão. - Serah me responde e agarra uma gaze embebecida com mercúrio – Mas garanto pra senhora que não é o meu... A gente passa nesse quarto ao menos, cinco vezes todas as noites pra verificar a situação dela. 

Um sorriso breve divide meus lábios e torno a prestar atenção nos cortes, e ergo levemente minha mão com a gaze entre os dedos, limpando aos poucos, cada um dos cortes em seu tronco, busto e barriga. 

- A senhora tem previsão de quando ela acorda? - Serah pergunta e continua a cuidar de cada um dos machucados 

- Não sei. - sibilo e troco a gaze por uma nova e limpa. - Mas hoje, os medicamentos serão diminuídos. 

- Hoje? - a garota para de fazer o que estava concentrada e me olha assustada; - Mas... 

- Hoje... - a interrompo e levanto meu olhar em sua direção. - Por isso eu pedi que interrompessem o trafego de visitas hoje a noite. 

Serah não me pergunta mais nada e se volta ao poucos arranhões e cortes que ainda tinham que ser cuidados – agora nas pernas de Victoria. Eu também resolvi ficar calada e pedir inconscientemente que essa redução das doses medicamentosas fosse aceitas de uma maneira saudável no organismo de Victoria. Ela passou muito tempo recebendo uma dose muito alta de remédios de forma intravenosa e extremamente agressiva e, de repente, seu corpo teria que ser obrigado a se adaptar a quantidades menores. E isso poderia acarretar em uma parada cardiorrespiratória ou convulsões durante toda a noite, pelas próximas semanas. 

- Pronto . - sussurro e puxo, com cuidado, o tecido que cobre o corpo da italiana. - Bom, agora chame o doutor pra ele verificar o que vai ser feito e eu vou pra casa.. Mas o meu celular está ligado, okay? Qualquer alteração no quadro dela, você me liga. 

Saio do quarto e sigo pelo corredor lentamente, até que minha atenção se volta ao elevador e sem pensar muito, aperto o botão. Acho que não faria mal uma visitinha a SunHi essa hora. Ela, junto a Victória, eram as únicas que ainda estavam sob cuidados médicos dentro do hospital. Yuri havia recebido alta na manhã do dia anterior e provavelmente estava em casa, dormindo no conforto de seu lar junto a Jin, mesmo que ainda houvesse intervenções medicamentosas em seu organismo para mantê-la calma. 

Não demora muito pra que eu chegue ao andar inferior e caminho brevemente, até alcançar a maçaneta de uma das portas e abri-la. SunHi está sentada a cama, com todo o rosto enfaixado, onde pequenas aberturas em sua boca e nariz permitiam que ela respirasse e uma lacuna em seus olhos voltou-se a mim assim que ela entendeu que o barulho da porta era em seu cômodo. 

Seus olhos estão fundos e extremamente vermelhos em decorrência - ainda - da cirurgia facial que ela foi submetida algumas semanas atrás. Ao seu lado, Taehyung está acomodado sobre o colchão e sorri ao me ver. 

- Eu espero não ter te acordado. - exclamo assim que vejo a porta em minhas costas. 

SunHi não me responde. Não por falta de educação ou susto e, sim, por impossibilidade devido ao pontos internos em sua boca. 

- Não! - Taehyung é quem toma a frente naquela situação. - Ela está vendo algumas coisas na Internet referente a tudo isso. 

SunHi bate levemente sobre o braço de V forçando-o a olhá-la e então, ela aponta para uma prancheta em cima do sofá no quarto. Eu sigo até o objeto e o pego, junto a caneta, entregando para a garota que, em segundos, escreve algo sobre o papel e me entrega - "Eu quero ir pra casa" 

Respiro lentamente: - Em breve, SunHi... Só precisa ser desfeito essa bandagem e você será liberada. 

- Desfazer porque? - V ri breve. - Ta tão bonitinha fazendo a múmia.  

E a garota olha para Taehyung e mesmo com aquelas bandagens intermináveis em seu rosto, posso ver o quanto ela queria poder falar pra xingá-lo até a morte. 

- Sabe o que é mais legal disso tudo? - V sibila e o olho, negando sua indagação - É que ela conseguiu ficar mais de cinco minutos sem fazer piadinhas 

SunHi abaixa o rosto e sua mão, contendo o cateter preso em sua veia estremece aos poucos, enquanto ela escreve pausadamente algumas pequenas palavras em coreano e entrega a Taehyung, que ri e ergue o papel na minha direção - "Eu estou há 30 dias sem falar absolutamente nada... Você está extremamente ferrado quando eu tirar essa merda" 

Começo a rir e entrego bilhete a Tae: - Olha, ela está certa! Seus ouvidos vão doer, Taehyung. 

SunHi  o empurra e o garoto praticamente cai da cama. Tá acho que aqui desse lado está tudo normal e na devida paz que os cerca. 

- Eu vou indo, okay? - ela me olha e ergue lentamente o rosto para Taehyung, como se esperasse que ele falasse algo 

- Izzy. - Taehyung me chama. - Ela queria ver a Vick. 

Inspiro e olho para a garota, e aos poucos, os olhos dela transbordam leves, molhando aos poucos a bandagem abaixo de sua visão. 

- Hoje? - pergunto e ela confirma com um breve balançar de seu rosto – SunHi. - me sento sobre a cama e agarro sua mão sem curativos – Eu vou dizer a você que acontecerá a partir de hoje. 

Olho rapidamente pra Taehyung e o vejo atento a tudo, com seu braço cercando os ombros da coreana a minha frente e sua mão apertando levemente o local. 

- A Victória está em coma. - SunHi balança levemente a cabeça como se tivesse compreendido – Desde o acidente, ela já entrou na sala de cirurgia sem consciência e até hoje não acordou.... - eu pauso e respiro fundo, tentando não assustar a garota ainda mais. - Ela vai entrar numa fase complicada agora e a visita está negada a qualquer um. 

- Porque? - Taehyung parece que lê a mente de SunHi, ou é só uma curiosidade mutua mesmo. porque tenho a impressão de que ela iria fazer exatamente a mesma pergunta. 

- Ela vai ter uma serie de convulsões e paradas respiratórias pelos próximos trinta dias. 

Os dois a minha frente se assustam e arregalam os olhos. Tá, acho que fui meio indelicada. 

- Ou não. - tento corrigir o que foi dito. - Ela pode passar os próximos dias de forma tranquila e acordar normalmente... Tudo isso vai depender do seu organismo 

- Que no caso, tá bem fraco. - V sussurra e olha para SunHi - Eu fui hoje a tarde na ala que ela está e.... a Vick parece que definhou em cima da cama. 

- Ela emagreceu bastante – exclamo e minha mão é apertada por SunHi. - Mas assim que ela acordar, tudo será resolvido 

Eu acho 

- O Jimin não sabe disso, né? - Taehyung volta a questionar – Digo, dessas convulsões e possíveis problemas. 

- Não... - sibilo – Ele já está com problemas demais, não é? 

Taehyung concorda e sorri de forma fraca: - Entendi. Sigilo total. 

Concordo e volto a olhar para SunHi: - Qualquer coisa, você me procura okay? 

Ela concorda e escreve algo no papel, me entregando - "Yoongi encontrou um anjo... Obrigada!" 

Mordo a parte interna de minha boca tentando não rir e me levanto, com o papel preso entre os dedos. Debruço meu corpo levemente na direção dela e a beijo no alto de sua cabeça , onde a bandagem era menor e ela poderia sentir o que eu pretendia fazer. Taehyung observa tudo em silêncio e sorri rapidamente assim que eu o cumprimento.

Sigo até a porta do quarto e saio do cômodo em silêncio, pensando no que poderia ocorrer nos próximos dias 

E se.... por algum descuido tudo desse errado e seguisse pelo caminho que a equipe médica está evitando desde o inicio? 
 


~Versão Jimin~ 

Um mês mais tarde 

Eu grito em resposta a uma topada com o degrau da calçada e me sento ao chão, completamente tonto e irritado... Esse povo em volta podia só olhar pra outra coisa mais interessante que eu. Mas eu acho que não tem nada mais interessante do que Park Jimin bêbado. 

Ergo as mãos até a altura do rosto e esfrego a palma em cima dos olhos, tentando voltar a enxergar sem muita dificuldade ou fazer meu mundo parar de rodar mesmo, mas tá dificil.... Serio, eu não sabia que tudo ainda podia girar e girar e girar e girar depois de tanto tempo. 

Bocejo lentamente e olho para todos os cantos que consigo distinguir algum movimento. Acho que tá na hora de ir pra casa, mas onde eu tô mesmo? 

- Eu não acredito que no contrato que assinei tinha clausula pra te resgatar bêbado todas as noites 

Levanto o rosto e demoro a entender quem é que fala comigo naquele tom irritado, até associar a voz a Ogum – pilastra – meu carro. 

- Eu  não to pedindo sua ajuda. - exclamo e tento me levantar, mas desisto. Meu eixo deu um 360. - Tá... Me ajuda. 

Seulgi cruza os braços e me olha: - Agora você que me ajuda? 

- E nem são todas as noites. - eu não a respondo e apoio as mãos sobre a calçada. 

- Jimin – Seulgi se abaixa a minha frente e eu a olho - Somente essa semana, eu te encontrei bebado três vezes em frente ao prédio. E eu desisti de contar depois da décima vez nesse mês 

-Tudo isso? - rebato e bato levemente ambas as mãos em minhas pernas. - Porque tem tanta pedra no chão? 

- Vem. - ela sussurra e se levanta, estendendo sua mão pra mim. - Você precisa de um banho. 

Eu a olho e me demoro por alguns instantes observando seu rosto: - Sabe do que eu preciso? 

Pergunto e agarro sua palma, fazendo com que a garota redobre a força em seu corpo até me manter de pé. 

- O que? - ela pergunta e preciso dizer que a paciência que ela tem comigo nesses momentos é quase que santa 

- Esquecer. 

Sussurro e viro-me na direção do prédio, empurrando a porta de vidro do local e praticamente tropeçando sozinho. 

- Deus, Jimin! - Seulgi praticamente grita e me segura em pé, fazendo com que eu a abrace em segundos. - Você podia ao menos ter me esperado. 

-  Ih, olha lá! - começo a rir e aponto para o porteiro do prédio, que praticamente corre na direção do elevador para liberá-lo o mais rápido que pode. - Parece louco.

- Louco parece você - Seulgi sussurra e olha para o homem. - Obrigada 

- Valeu aí, tio! - exclamo e o cara só me olha assustado.  

Entro no elevador e apoio meu corpo sobre o espelho, ficando tonto em segundos. Levo minha mão até a testa e fecho os olhos com força, tentando não cair ao chão. 

- Porque essa merda tem tanto espelho? - pergunto - Vou conversar com o sindico desse prédio pra ele fazer um elevador para bêbados 

Seulgi começa a rir e me olha, tentando entender que merda estou falando 

- Não tem área de fumantes? - pergunto e a garota confirma - Então, também deveria existir um elevador para pessoas que bebem com frequência. - respiro fundo e olho para os lados, vendo os reflexos se repetirem de forma torturante. - Sem espelhos.... Tô me sentindo cercado 

Olho novamente para todos os lados e minha atenção cai na coreana atenta a mim. 

- É muito Jimin. 

E eu acho que perdi um pouco o medo de levar um tapa da minha mulher quando ela acordar. Porque se ela sonhar que eu olhei pra Seulgi por mais de trinta segundos, ela me mata... Isso é certeza. Tem alguma coisa começando a pesar aqui dentro... Sabe? Um lance estranho, é como se eu tivesse me sentindo incomodado e eu já até sei qual é o incomodo - minhas roupas. 

Eu tô com muito pano cobrindo tudo enquanto essa garota aqui... Essa... 

- Tinha uma calça jeans não? - pergunto sem muito controle dos meus pensamentos. - E uma blusa mais fechada?  

-Porque você sempre fica incomodado com as minhas roupas, Jimin? - Seulgi pergunta e fecha um dos botões de sua camisa, mas ainda tem um decote ali. 

Tusso e fecho os olhos: - Eu me preocupo com sua integridade física. 

- Você não pode me defender dessa forma. - ela rebate aos risos 

- Por isso mesmo. - resmungo – Eu não consigo nem defender a mim, imagina você. Então.... na próxima vez que me resgatar na rua, vá de burca. 

Ela ri com uma intensidade e  me empurra pelo apartamento assim que o elevador se abre. E eu sigo pelo local, como se já o conhecesse mais do que devia. E bem, isso era verdade. 

Acho que perdi a conta de quantas vezes vim parar no apartamento dela nos últimos dias. Era sempre assim, ela me encontrava bêbado na entrada do prédio ou no estacionamento me trazia pro seu apartamento, me deixava tomar banho, me ouvia lamentar todos os erros e desgastes do meu relacionamento com Victória, e eu dormia. Pra acordar  no dia seguinte e seguir pro hospital e o clico recomeçar. 

Eu ficava mais no apartamento dela do que no meu... É que o meu tinha fantasmas demais 

- Você já sabe o caminho para o banheiro. - Seulgi sibila assim que alcanço o quarto de hospedes de seu apartamento. - Precisa de ajuda com algo? 

- Não. - sussurro e empurro a porta, tirando a blusa que uso e jogando-a em qualquer canto. 

Eu acabo me enrolando mais que o normal com a camisa e ouço Seulgi rir baixo ao ver meu estado. 

- Jimin, eu posso te ajudar. - ela exclama 

-Não! - minha reação foi um pouco exagerada e eu percebi isso com o arquear das sobrancelhas dela. - Eu tô de boa... posso fazer isso sozinho. 

- Okay. - ela rebate – Tome seu banho e daqui a pouco, te trago um café - dito isso, Seulgi sai do quarto e encosta a porta. 

E após intermináveis minutos onde ocorria uma briga terrivelmente ridicula de minhas mãos com a camisa, eu finalmente a arranco de meu corpo e ela segue o mesmo caminho que a blusa de moletom, a calça jeans e todas as peças que podiam me sufocar em poucos minutos. 

Eu demoro uma eternidade no banho quando estou nesse estado e acho que é pra fazer com que qualquer indicio de alcoolismo vire vapor e suma do meu corpo. E apos  todo esse suposto ritual de normalização de meu organismo, eu saio do comodo, com meus dedos exercendo uma força descompassada sobre a toalha enrolada em meu quadril e em poucos minutos, encontro uma roupa minha ali, perguntando-me como, naquele instante , eu já havia largado peças minhas naquele apartamento. Seulgi bate brevemente sobre a porta e a abre, encontrando-me no meio do quarto, com uma calça escura e a toalha repousada sobre me ombro. 

- Melhorou? - Seulgi pergunta e entra no quarto com uma xícara enorme nas mãos 

- Sim. 

E era a verdade ... Parece que sempre que eu tomava banho depois de um porre filho da puta, eu conseguia parar e respirar e colocar meu mundo no eixo certo. 

- Tô pronto pra outra. 

Ela ri e senta sobre a cama, esperando que eu faça o mesmo, e me entrega a xícara. É quase que impossível esconder a careta que surge em meu rosto em seguida, o que faz Seulgi rir brevemente. 

-Tem açúcar nessa casa não? - pergunto - Não sabia que a SM tava pagando tão mal assim 

- Meu salário é muito bom, obrigada pela preocupação... e sim, tem açúcar em casa, mas pro seu café não. - ela ri novamente assim que vê meu semblante se torcer em um falso desapontamento. - Você não está merecendo ter nada muito doce nos últimos dias. 

Rio breve e olho para a cerâmica em minhas mãos: - Desculpe. 

- Seu eu imaginasse que iria ter um vizinho tão louco, não tinha me mudado pra esse prédio.- ela resmunga e começo a rir - Você precisa se cuidar. 

- Eu preciso me acostumar. - acrescento e levanto meu olhar na direção da coreana - Eu me tornei dependente demais dela e agora, ela não tá aqui. 

Respiro e tomo mais um gole pequeno do café amargo e terrivelmente quente entre meus dedos 

- Eu queria poder esquecer tudo ao menos uma vez. - sussurro e sinto os olhos dela vidrados em cima de mim - Eu queria ter a chance de me congelar e só dormir e retornar a mim quando tudo tivesse certo de novo. 

- Mas você não pode Jimin - Seulgi conclui e eu concordo com ela, ainda em silêncio - E essa sua desistência de viver é ruim pra você, pra ela, pra mim. 

E novamente a olho.... aquele lance de ser ruim pra ela, na minha cabeça era novidade. Seulgi percebe a confusão em meu semblante e respira lentamente. 

- Você é meu amigo. - ela exclama baixo e entre uma respiração e outra. - É um dos poucos que eu confio o suficiente pra conversar e ficar próxima e... não quero ter que perder isso, entende? 

- Acho que sim. - sibilo e permaneço olhando-a por alguns minutos.. - Eu preciso descansar. 

Ela sorri e concorda, tirando a xícara de minhas mãos: - Boa noite, Jimin. 

Eu não a respondo de imediato e fico observando-a sair do quarto e encostar levemente a porta após alguns segundos. 

- Boa noite 

Sussurro, enquanto meus dentes decidem brincar entre a pele fina de meu lábio, pensando no que acabará de escutar. Era a primeira vez que Seulgi dizia que eu tinha algum tipo de importância na vida dela, nem que essa tal importância fosse minima, mas ela existia, estava ali e isso meio que me deixou confuso. 

Eu nunca entendi muito bem essa aproximação dela nos últimos anos, antes que eu me casasse com Victória e entendia menos ainda o fato dela se limitar em alguns momentos em cuidar de toda a merda que eu decidirá fazer nas últimas semanas. Mas mesmo sem entender, eu agradecia e me sentia bem. Era como se eu percebesse que alguém, apesar de tudo, ainda estava ali. 

Balanço a cabeça e me deito na cama, tentando não pensar em mais nada, até meu corpo se desligar por completo em poucos minutos. 

 

~Versão WonHo~ 

Uma semana mais tarde 

Sabe a decadência? O fundo do poço? Aquele limbo que a gente atinge só quando tá muito na merda e não tem jeito mais? Então, tô ali. E eu obtive essa certeza no dia que comecei a pagar a enfermeira e a recepcionista do hospital que Victória esta, somente pra poder ter os horários que Jimin estava ali e a minha entrada ser liberada todas as madrugadas. 

É porque assim, eu não estava muito propenso a encontrar aquele cara pelos corredores do hospital e explicar pra ele o que fazia ali. Acho que ele não ia aceitar minhas argumentações, como por exemplo - "Então, cara... É que assim, eu tô meio obcecado pela sua esposa sabe? Mas não é algo doentio não, relaxa... Eu só quero tirar ela de você mesmo e pegar pra mim... entendeu?"

Ele não ia gostar de ouvir isso e eu gosto da minha cara inteira, sem nenhum curativo. 

Atravesso o corredor e encontro a tal Serah atravessando o local e assim que ela me vê, sorri brevemente. 

- Pensei que não vinha hoje. - a garota sussurra e olha para os lados. 

- Eu só me enrolei pra sair do dormitório mesmo. - uso o mesmo tom de voz que ela. - E a Vick? 

A enfermeira sorri enquanto respira: - Está bem... As doses dos remédios foram reduzidas e acho que ela tá reagindo bem a tudo... Só hoje pela manhã que ela nos deu um susto. 

- Que tipo de susto? - alcanço a janela do quarto e vejo um rapaz acomodando-a sobre os travesseiros. 

- Ela apresentou disritmia. - a mulher para ao meu lado e olha para o interior do quarto. - Mas tudo ficou normalizado em poucos minutos... Acho que era mais um dos seus tantos sonhos. 

- Entendi. - sussurro e olho quase que por reflexo para o monitor cardíaco ao lado da cama. 

- O Jimin não apareceu hoje aqui. - Serah sibila e cumprimenta rapidamente o enfermeiro que sairá do quarto naquele instante. - Acho que ele estava ocupado demais. 

- Ou muito louco. - sussurro e começo a rir brevemente. - Ai Victória, que merda é essa que você faz? 

- Eu ia te perguntar a mesma coisa. - a garota me olha. - O que foi que ela fez pra manter vocês dois assim, tão.... 

- Tá querendo amarrar quem, Serah? - pergunto antes que ela termine sua exclamação. - Porque assim, eu juro que não sei os truques da Victória, mas pode te ensinar alguma coisa 

- Ridículo – ela resmunga e começo a rir, voltando meu olhar novamente ao quarto. 

- Eu não sei o que ela fez. - exclamo com a atenção da garota em mim. - Eu juro que não sei... Só parei pra prestar atenção em algo quando já estava tonto, meio que perdido nela. 

- Vocês já tiveram algo? 

- Não. - respondo e preciso controlar minha cabeça pra que ela não siga até o dia do acidente. - Eu não faço a mínima ideia de como ela é. 

Mas eu fazia... O beijo dela era pior que veneno. Ela tinha o dom de fazer meu mundo parar de girar. Beijar Victória é pagar pra ver e perder... tudo. Eu me distraio relativamente bem ao me lembrar das cores dela e a necessidade de sentir tudo de novo me sufoca, fazendo meu peito subir rápido em conformidade com minha respiração. 

- Como a gente se apaixona sem saber como a pessoa é? - a garota me chama de volta a terra. 

- Idealização, Serah. - minha respiração sai áspera - Idealização... a gente sonha, desenha e redesenha a pessoa e isso é o suficiente pra gente se iludir e esperar. 

- Como você agora? 

- Como eu. 

Ela não fala mais nada e segue pelo corredor, me deixando ali, com o olhar sobre o corpo imóvel sobre a cama, dentro daquele comodo que eu já havia gravado todos os detalhes. Eu era capaz até mesmo de dizer a quantidade exata dos batimentos calmos dela naquele instante. E somente por isso, que consigo identificar que algo está errado e bem, também não precisava ser muito esperto pra perceber que os batimentos dela subiram de 80 pra 120 e de repente, parou. O som continuo proveniente daquele monitor começa a me irritar e vejo uma sequencia de enfermeiras e médicos entrarem agitados no quarto.  

E no meio deles, tem um desfibrilador. 

Minha respiração sai em uma exclamação confusa e pesada enquanto eu vejo aquele bando de homens e mulheres agitados sobre o corpo frágil na cama. E aquela merda não volta a funcionar.... parece que o bipe para de soar por alguns segundos e quando retorna, o som é continuo... não é mais pausado e calmo. é algo perturbador. 

Minhas mão seguem até o cabelo e observo, assustado, tudo o que acontece a minha frente, vendo o corpo medico usar incontáveis vezes aquela porra de aparelho sobre o peito de Victoria. Cada novo choque em seu peito era o meu que doía ao ver o dela se chocar contra o colchão diversas vezes até que finalmente, o som do monitor volta e ecoar irritantemente e o bipe aos poucos passa a tomar conta do quarto. 

O coração dela volta a bater fraco, quase parando e uma mascara é encaixada em seu rosto. E então, ela respira... mas ela respira tão forte e descompassado, como se tivesse sido sufocada e aos poucos, os batimentos tornam a ser o que aparentemente é saudável. 

- Droga. - um cara alto e aparentemente mais velho exclama alto e sai da sala, chamando incontáveis vezes uma mulher, que demora mais tempo que o normal para aparecer. - Os pais dela... Chame agora. 

- O que tá acontecendo? - pergunto assim que Serah sai do quarto 

Eu seguro a garota com tanta força que ela resmunga e alivio o peso de minhas mãos em seus braços 

- É melhor você ir embora, Wonho. - Serah sibila e segue pelo corredor, comigo ao seu lado. - Isso aqui vai virar um inferno em dois minutos

Respiro fundo e tento não desabar ao chão em segundos: - Okay... me mande noticias. 

Ela concorda e espera que eu siga pelo corredor quase que aos tropeços. 

 

 
~Versão Marcela~  

Eu não conseguia mais me manter em pé sem intervenções medicamentosas pra me manter "no eixo". Eu não dormia, eu não comia há semanas a fio e nem mesmo ia trabalhar. Minha vida tinha sido exclusivamente limitava aquele hospital, a decima quarta suíte no segundo andar.  E agora, era 03h00 da manhã e eu estava sentada sob uma cadeira terrivelmente desconfortável, com Carlos abraçado a mim, me mantenho fixada no lugar e um bando de enfermeiros e médicos esperando qualquer reação exagerada minha. 

- Marcela. - o tal Kwangmin chama minha atenção e se senta a minha frente. - Acho que a senhora entendeu o que ocorreu. 

Eu entendi... Uma horas atrás, Victória sofreu um infarto. E agora ela estava bem, mas ainda existia algumas possíveis complicações. O sistema dela pode simplesmente desligar e se isso acontecer, ela nunca mais levanta da cama e passa o restante dos dias em estado vegetativo. 

- Eu preciso que a senhora me diga o que possamos fazer.... - o médico responsável pelo progresso de Victória se senta a minha frente e agarra meus dedos sem muita cerimônia. 

- Eu não sei. - sussurro e abaixo o rosto, sentindo aos poucos meus olhos lacrimejarem. - Eu preciso pensar. 

E eu realmente precisava.... Os médicos tinham me dado duas opções. A primeira, cortar todos os medicamentos de uma única vez e como consequência disso, Victória poderia ter alguma lesão temporal. A segunda opção era continuar ministrando as doses de remédios periodicamente até seu término e como em decorrência disso, ela sofreria diversos infartos e convulsões, podendo simplesmente, morrer em uma dessas crises. 

Não tem uma opção menos pior. Em qualquer uma delas, minha filha sofreria.  

Eu respiro e solto meus dedos do enlace do homem a minha frente, me aninhando da forma mais confortável que consigo nos braços de Carlos.  

E então, eu me recordo do quão difícil foi lutar contra o mundo pra cuidar dela. Eu fui mãe, fui pai, fui a vida dela por um longo tempo. Eu precisei enfrentar tudo sozinha, com 17 anos e expulsa de casa porque o filho da puta do pai dela não teve hombridade o suficiente pra ficar ao meu lado. Eu nunca pude lhe dar tudo o que queria e isso me dói até hoje, mas eu dei a única coisa que me valia muito: meu mundo, minha vida, o meu amor. Optei por ser feliz só em vê-la brilhar, optei por ela e ela sempre vai ser o melhor de nós duas. 

Cada pedaço dela é um reflexo meu. Um dia entenderia como Victória tem tantos aspectos - tantos físicos como emocionais - iguais a mim. Acho que essa vontade de seguir em frente em meio a tantas turbulências era algo nosso. Mas em momento algum, qualquer problema decorrente em meu caminho foi maior que os dela. 

Eu admirava a capacidade que ela tinha em enfrentar tudo sozinha e mesmo nesse momento, onde tudo parecia não ter um meio termo mais ameno, o corpo dela lutava.  

- Eu preciso ver minha filha. - sussurro antes de me soltar do abraço de Carlos. - Depois eu decido.  

Olho para o médico e ele demora para concordar com meu pedido, mas assim que o faz, pede para um dos enfermeiros me acompanhar ao quarto. Carlos não poderia entrar. E assim segui, com um enfermeiro ao meu lado até até porta referente ao quarto de Victoria e ao entrar no local, meu corpo pesou.

Eu poderia ir ao chão em segundos se o rapaz ao meu lado não apoiasse meu corpo ao seu. Antes que ele me fizesse recomendações e e internasse em algum desses quartos, certifiquei-me de garantir a ele que estava bem e o convenci. Convenci com tanta eficiência que até mesmo meu consciente acreditou e me permitiu alcançar o leito no meio do quarto. E lá estava ela, adormecida, serena e distante o suficiente pra não sentir todo o desespero e abatimento que afligia a todos em sua volta. 

Gustavo havia perdido o campeonato, de última hora decidirá não competir mais até que sua irmã tivesse bem novamente. Ele seguia com os treinamentos, mas nada de compromissos e viagens. Ele ficava em casa, me apoiando e cuidando de cada um dos meus machucados. 

Michel vez ou outra aparecia em meu apartamento, mas não o culpava em relação a seu afastamento repentino. Aquele menino estava quebrado, e não resolveria muito sua complacência em relação a mim. Ele também era um dos que precisavam de abrigo pra todo aquele pavor que cercava nossas vidas nos últimos meses. 

Jimin sumiu... poucas foram as vezes que ele conseguirá olhar pra mim sem entrar em alguma pane mental. E eu também não o culpava. A semelhança existente entre eu e Vick era quase inimaginável e ele provavelmente se perdia em seus medos e desesperos ao me encontrar. Suas crises de pânico só eram de meu conhecimento graças a Gain, que me confidenciava tudo o que ocorrerá durante seus sumiços.  

Deborah era a que mais me procurava e passava horas a fio deitada em meu colo, rindo e relembrando tudo o que viveu ao lado de Victória e ela seria a primeira pessoa a qual eu diria o quanto Vick estava bem. 

Porque ela estava. Apesar dos pesares, ela estava. Serena demais.

A frieza daquele quarto já tinha tomado conta de sua pele e seu coração, que bate cansado. Eu queria poder fazer com que ela acordasse em poucos minutos e lhe dissesse que tudo aquilo não passará de um sonho ruim. Eu queria acordar e perceber que nada daquilo era real. Eu queria poder abraçá-la de novo, e me certificar de que nada está fora do lugar, que o mundo não saiu do eixo.  

Mas eu não posso... Infelizmente, não posso. 

- Meu amor... você é tão pequena. Porque justo com você? - inspiro entre um soluço e outro brevemente - Se eu pudesse trocar de lugar com você.... Só Deus sabe o quanto eu queria poder carregar sua dor. 

O som decorrente do monitor cardíaco passa a acelerar aos poucos, como se ela estivesse reagindo a algo ou alguém. 

- Eu sinto muito, Victória. - sussurro. - Eu sinto muito. 

E então, me debruço levemente e de uma maneira que não encoste em nenhum dos equipamentos, alcançando sua testa e beijo o local, da mesma maneira que costumava fazer quando ela cabia em meu colo e eu precisava deixá-la sozinha. E, ali, naqueles breves segundos entendi o que deveria fazer. Eu daria a ela a chance de tentar de novo e ficaria ao seu lado mesmo que o mundo, quando ela acordasse, fosse totalmente inédito e inexplicável. 


Notas Finais


espero que tenham entendido o pulo de tempo nesse capitulo .-. se tiver ficado confuso, eu explico huheuheu a vick ta em coma tem mais de três meses


agora só ano que vem mesmo

feliz natal, boa virada pra todo mundo. que geral tenha saude, dinheiro e muito sucesso e amor <3

amo vcs <3

ps: em breve, respondo todo mundo </3 to enroladinha aqui, mas nao me esqueci de vcs *--*


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