História House of Cards — Vkook/Taekook - Capítulo 32


Escrita por: ~ e ~TiaLuiza

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Amor, Bts, Drama, Romance, Taekook, Vkook
Visualizações 348
Palavras 6.612
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


PODEM ME BATER À VONTADE
EU SOU UMA FODIDA MESMO
QUASE UM MÊS SUMIDA
AAAAAAAAAAA EU VOU ME BATER KKKKKKKKKKK
DESCULPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
ME DESCULPEM POR FAVOR!
LINK DO TRAILER NAS NOTAS FINAIS PRA EU ME REDIMIR!
LINK DO GRUPO DA FANFIC TAMBÉM!
EU VOLTEI E JÁ VOLTEI ARRASANDO OS CORAÇÕES!
É TAEKOOK NESSA PORRA, BICHO!
Muito muito muito obrigada pelos 424 favoritos! De verdade! <3
Tem surpresa nova no próximo capítulo!
Enfim, espero que gostem, muito obrigada por tudo, perdoem os erros e até lá embaixo!
BOA LEITURA E NÃO ME MATEM AINDA!

~Luana

Capítulo 32 - Chapter Thirty-One


                – Taehyung!

                – QUE FOI, JUNGKOOK?!

                – Cala a boca – segurei seus ombros firmemente, e reuni toda a coragem que eu tive naquele momento, para desfazer o espaço entre nós, selando meus lábios nos dele.

                O beijo começou calmo, tranquilo, ele logo deu passagem para mim explorar ainda mais sua boca, enquanto as lágrimas cristalinas que nós dois deixávamos unirem-se a chuva denunciavam nossa emoção para com aquele momento. Era o nosso momento. Tão necessitado, tão maravilhoso, tão apaixonado. Melhor do que tudo que eu já cogitei imaginar.

                Além do mais, era especial.

                Era o primeiro, de muitos que ainda estavam por vir.

 

                Lembro-me de quando vi a cena de Jimin e Soo-Yun se beijando. Lembro-me também, de como desejei que o meu momento com Taehyung fosse tão especial e maravilhoso como aquele.

                E realmente, ele foi.

                Definitivamente, uma das melhores sensações do mundo. O gosto doce de seus lábios unidos a sua textura delicada e macia, tornavam aquele beijo, a coisa mais deliciosa a ser provada em toda minha vida. Aqueles movimentos calmos ao mesmo tempo que intensos, conduziam aquele ato com desenvoltura e precisão. Levei minhas mãos ao pescoço de Taehyung, o trazendo para mais perto, na medida que ele iniciava as carícias em meus cabelos molhados pela chuva.

                O contato foi desfeito pela falta de ar eminente de ambos, e permanecemos com nossas testas coladas, sentindo nossas respirações descompassadas se encontrarem. Abrimos os olhos quase que ao mesmo tempo, e começamos a nos encarar curiosos, como se tentássemos adentrar um a alma um do outro, e desvendar todos aqueles sentimentos novos e incríveis.

                Era como se estivéssemos nos descobrindo, até o pedaço mais profundo de nossos interiores. Víamos nossa história, nossos sentimentos sendo postos a prova, víamos nossas angústias, nossos medos, nossos desejos. Víamos nosso amor.

                Recíproco.

                – Jungkookie –Taehyung arfou e me olhou intensamente, mergulhando em meus olhos. – Muito obrigado.

                – Digo o mesmo – sorri largo enquanto o admirava rir sem parar, enquanto passava as mãos pelos cabelos nervosamente. – Taehyung, o que foi? – perguntei rindo junto a ele.

                – Eu... – ele gargalhava alto – Eu... – me olhou, alargando ainda mais aquele sorriso retangular, pelo qual eu era tão apaixonado.

                Sem nem mesmo avisar, o mais velho pulou em cima de mim, me obrigando a segura-lo pela cintura, enquanto o mesmo distribuía inúmeros selinhos molhados pelo meu rosto. Sorri ainda mais ao sentir o maior segurar meu rosto firmemente. Não foram necessárias palavras, apenas mais um beijo apaixonante, naquele cenário um tanto peculiar...

                – Taehyung! – gritei aos risos – Estamos na frente do túmulo de seus pais...!

                – Eu sei – ele riu. – Que maneira melhor de apresentar o genro deles? – arqueou uma sobrancelha e me lançou um olhar malicioso.

                – Você não existe! – tornei a beijá-lo com afinco, mas ele separou nossos lábios e abriu mais um grande sorriso, acompanhado por lágrimas alegres.

                – Existo tanto quanto meu amor por você.

                – Não ouvi, repete – fechei meus olhos e sorri.

                – Eu amo você – beijou minhas pálpebras. – Eu amo seus olhos. Eu amo tudo em você – repetiu minhas palavras e beijou a ponta do meu nariz. – Até seu narigão.

                – Vá se ferrar – rimos. – Eu também amo você.

                – Você nunca escondeu isso – ele debochou da minha transparência com meus sentimentos. Apertei suas coxas em sinal de reprovação e ele somente riu, o joguei para cima tentando recoloca-lo melhor em meus braços, que se mostravam um pouco cansados por segura-lo tanto tempo. – Você sempre pareceu pronto para beijar meus pés a qualquer momento.

                – Cala a boca e vamos beijar outra coisa – sorri largo e tornei a beija-lo novamente.

 

 

                Deixei que minhas lágrimas silenciosas, se dispersassem desesperadamente pela banheira, unindo-se as águas mornas que me banhavam. Fechei meus olhos com força, e contive todos os soluços que tentavam escapar. Chorei, me despedacei em sofrimento, mas não fiz ruído algum. Taehyung não podia ouvir nada.

                Eu não queria que ele ouvisse.

                Acontece que depois de nos entendermos no cemitério, fomos até a casa de Sun-Hi, para tomar banho e trocarmos de roupa, já que tínhamos ficado um bom tempo na chuva. Ele dizia que queria me levar para mais algum lugar, mas eu não imaginava nem qual seria dessa vez. Taehyung estava me revelando todos os seus mistérios, explodindo em surpresas.

                E quando eu pisei no banheiro daquela casa e encarei meu grande sorriso pelo espelho, este logo se desfez.

                A ficha finalmente havia caído.

                Todas as informações que eu recebi de Taehyung em tão pouco tempo, pareceram terem sido absorvidas apenas naquele momento, tudo de uma vez só. Não consegui evitar que as lágrimas escorressem naquela quantidade absurda, enquanto eu raciocinava sobre tudo que estava acontecendo, quando no fim, enquanto deitado de maneira deprimente naquela banheira, eu só conseguia deduzir uma coisa.

                O amor da minha vida estava morrendo.

                Abracei meus joelhos fortemente e fechei meus olhos com tamanha força, que meu rosto enrugou-se. Droga, eu precisava ser forte. Eu precisava sustentar Taehyung, quando na verdade, era ele quem me sustentava. Foi ele que me devolveu a vida, que me fez abraçar as oportunidades, foi ele quem me ensinou a viver.

                E era justo ele, quem estava morrendo.

                A vida não é justa.

                Saí do banho totalmente contra minha vontade, me sequei lentamente, vestindo em seguida, uma roupa mais quente devido ao clima relativamente frio. Caminhei devagar até a sala, onde Taehyung parecia finalizar uma chamada com alguém por celular. Assim que me viu, bloqueou o aparelho que tinha em mãos, o largando no sofá, e se dirigiu a mim com um sorriso nos lábios. Este que logo se desfez ao notar minha expressão.

                – Jungkookie... – Tae me olhou triste enquanto se aproximava com cautela.

                – Tae... eu... – funguei tentando segurar as lágrimas. Mas falhei miseravelmente, quando me joguei em seus braços o abraçando forte, deixando seu blusão úmido com meu choro.

                – Está tudo bem – ele riu soprado. – Pode chorar, não tem problema.

                – E-era eu quem devia estar dizendo isso – fechei meus olhos fortemente. – Eu amo você, sabe disso, não é? – ele confirmou com um grunhido – Eu sempre vou estar aqui, pode contar comigo quando precisar, me contar tudo, desabafar. Eu vou ser seu porto seguro, para sempre, ok? – ele riu mais uma vez.

                – Eu sei, Jungkook – ele nos separou e acariciou meu rosto. – Eu estou tão feliz por finalmente poder compartilhar minha vida com você. Eu não preciso te esconder mais nada, nada! – ele sorriu largo e segurou minhas mãos, levando-as até seus lábios, depositando nelas um selar demorado – Eu posso dizer que te amo sem medo.

                Naquele momento, meus olhos se apossaram do brilho de mil estrelas, e fizeram-se parte da galáxia incrível que Kim Taehyung era. Sorri um tanto tímido e encostei minha testa na dele, arrancando risos baixos de ambos, enquanto permanecíamos de olhos fechados, apenas aproveitando aquela sensação calorosa e acolhedora.

                – Então... – eu estava arfando – O que somos agora?

                – O que você quiser que sejamos – ele respondeu simplista. – Sabe, eu não tenho nada a perder – riu fraco.

                – Não fale assim – acariciei seu rosto. – Eu tenho algo muito precioso que eu posso perder a qualquer momento, e isso é angustiante – ele me fitou triste, mas continuei. – Só que eu... eu sou apaixonado por esse algo muito precioso – sorri ao vê-lo corar. – É de longe, a coisa mais importante da minha vida. Eu não poderia pedir nada melhor, então, enquanto eu puder te ter, serei o homem mais feliz do mundo.

                – Jungkook... – sussurrou, mas logo o interrompi em seguida.

                – Eu não vou te julgar pelo seu passado, e não me importa quanto tempo de vida você ainda tem – notei uma lágrima silenciosa rolar pelo seu rosto. – Se você tivesse apenas uma hora, eu faria dela a melhor hora da sua vida – comecei a guia-lo até o sofá. – Se fosse um dia, seria o melhor dia da sua vida – o deitei no móvel, ficando por cima dele. – Se fosse um mês, seria o melhor mês. Se fosse um ano, o melhor ano – deixei um selar demorado em seus lábios, aproveitando mais uma vez daquele gosto enlouquecedor. – Se fossem anos, seriam os melhores também.

                – Só tendo você neles, já seriam os melhores – ele sorriu fraco.

                – Tae, eu não me importo quanto tempo eu tiver que passar ao seu lado numa cama de hospital – engoli em seco. – Eu faria qualquer coisa, porque eu amo você. E o que eu mais quero, é te ver feliz.

                – Se eu soubesse que você seria tão compreensivo assim eu teria te contado tudo muito antes... – mais lágrimas caíram de seus olhos – Me sinto tão patético...

                – Shh, não fale essas coisas – passei o polegar delicadamente sobre cada lágrima. – Eu entendo o porquê de tudo que você fez, e não me sinto nem um pouco bravo – ri soprado. – Só por poder estar junto a você agora, eu passaria por tudo de novo.

                – Não se arrepende de nada? – arqueou uma sobrancelha.

                – Não faria nada diferente, nem em um milhão de oportunidades de mudar o passado.

                – Então eu teria que levar um milhão de socos? – chutei sua perna que estava por baixo de mim.

                – Você nunca esquece disso, não é? – ele riu – Mas sim, teria que levar. E talvez mais alguns, pra parar de ser tão abusado.

                – Ai, Jeon. Mas você faria isso com um doente debilitado? Que cruel – rimos. Eu adorava aquele jeito dele de fazer piada com a própria situação.

                Melhor rir para não chorar.

                – Ah, esqueci de te avisar – ele acariciava meus cabelos. – Hobi hyung pegou um dos carros da Soo-Yun emprestados e está vindo para cá com Jin hyung.

                – Por quê? – questionei curioso.

                – Porque eu chamei, e Jin precisava recuperar o carro dele de qualquer forma – riu soprado. – Eu preciso te levar para mais algum lugar também. Hobi hyung vai nos levar, ele sabe o caminho.

                – É? E onde vai ser dessa vez?

                – Você sempre disse que queria conhecer minha casa, onde eu morava – sorriu um pouco triste.

                Iriamos visitar o hospital.

                Engoli em seco e tirei qualquer pensamento que me deixasse nervoso, e apenas continuei com as carícias em Taehyung. O beijei levemente, aproveitando aquela oportunidade de ter meus lábios unidos aos dele mais uma vez, e concluí algo fantástico. Todos os beijos eram maravilhosos, como se todos fossem a primeira vez.

                Era incrível como Taehyung conseguia me deixar cada vez mais apaixonado por ele.

                – Você gostou de fazer isso, né? – perguntou fraco, ainda com os olhos fechados.

                – Eu esperei muito tempo pra fazer isso – segredei num sussurro.       

                – É melhor do que você imaginava?

                – Muito. Mas como sabia que eu imaginava? – arqueei uma sobrancelha.

                – Era um dos meus passatempos preferidos imaginar isso – confessou num riso. – Eu sempre evitei demonstrar meus desejo quanto a você, por conta daqueles medos ridículos – seu rosto se contorceu em dor novamente.

                – Shh, seus traumas não são ridículos – deixei um selar demorado em sua testa. – Eu admiro muito você.

                – Não deveria...

                – Ah, deveria sim. E você também – sorri. – Você é incrivelmente forte, Taehyung. Um exemplo de superação, de pessoa – o abracei meio sem jeito, considerando que eu ainda estava por cima dele. – Eu admiro muito você sim, e com razão.

                – Já disse que te amo hoje? – ele riu fraco.

                 – Já, mas não me canso de ouvir. Depois daquele meu discurso todo elaborado de declaração que você rejeitou, vai ter que me dizer muitos eu te amos para recompensar.

                – Você não vai esquecer disso, não é?

                – Você também não esquece do soco – rimos mais alto, e logo paramos quando notamos um carro estacionado do lado de fora buzinar. – Eles chegaram.

                Nos levantamos sem vontade do sofá, andando até a porta para deixar a casa. Adentramos aquele jardim enorme, e logo percebi que Taehyung estava tremendo um pouco, fiquei preocupado e segurei sua mão suada firmemente.

                – O que foi?

                – Hobi deve ter contado aos meninos sobre... você sabe – ele respirou fundo.              

                Estava com medo de como Seokjin reagiria a tudo.

                Que adorável.

                – Está tudo bem – beijei sua bochecha, e pude ver a cara espantada dos meninos que vinham em nossa direção, mesmo naquele temporal escuro.

                Hoseok logo correu até nós, que permanecíamos na varanda da casa onde nos protegíamos da chuva. Ele logo largou seu guarda-chuva no chão e deu pulos e gritos histéricos, quase escorregando no piso úmido.

                – EU NÃO ACREDITO! – ele berrou – MEU OTP, ELE É REAL! PUTA QUE PARIU! – ele nos abraçou fortemente, quase esmagando nossos ossos – ESTOU TÃO FELIZ POR VOCÊS, MEU DEUS! – me largou por um momento para esmagar Taehyung individualmente – Eu sabia que você conseguiria, TaeTae!

                Hoseok se separou do acastanhado e me encarou sorrindo largo. Era visível o quanto estava feliz pela felicidade de Taehyung, e depois de ouvir toda a história daqueles dois juntos, eu não conseguia não me emocionar com aquele momento.

                – Taehyunguie... – Seokjin suspirou baixo, enquanto fitava o garoto inseguro a sua frente – Minha criança... – ele sorriu em meio a algumas lágrimas, abraçando Taehyung fortemente em seguida – Estou tão orgulhoso de você! – Tae parecia querer falar algo, mas logo foi interrompido pelo mais velho – Não diga nada, e caso estiver inseguro quanto ao resto do pessoal, fique ciente de todos já sabem sobre tudo – sorriu compreensivo ao notar Taehyung deixar escapar algumas lágrimas.

                – E vocês ainda estão aqui... – ele concluiu fracamente.

                – Sim, todos nós – Seokjin segurou a face de Taehyung firmemente. – E vamos continuar aqui. Esqueça todos os abandonos, porque todos nós vamos ficar – ele beijou a testa do garoto. Uma verdadeira mãe. – Não se preocupe quanto a isso, bolinho. Pode contar com a gente pro que der e vier.    

                Sem nenhum aviso prévio, Taehyung se lançou aos braços do maior, chorando livremente tudo aquilo que ele tanto guardou, por tanto tempo. Estava desabafando toda aquela dor em lágrimas, enquanto Seokjin fazia carinhos ternos em seus cabelos.

                – E-eu nem sei como agradecer vocês... – Tae caiu no chão de joelhos, com o rosto enterrado nas mãos – E-eu... eu estou tão feliz...

                Nos entreolhamos pensativos, e em seguida, nós três nos agachamos ao redor de Tae, o enchendo de abraços e carinhos, o que fez o garoto resmungar completamente envergonhado. Rimos juntos enquanto admirávamos aquela noite escura, chuvosa, iluminada por uma lua enorme e brilhante, que não permitia o temporal apagar seu brilho.

                Assim como Taehyung, que mesmo com tantas dificuldades, traumas, um passado que o assombrava constantemente e um presente que comprometia seu futuro, não deixava de brilhar e fazer os outros brilharem com ele.

                Droga, eu estava realmente apaixonado.

                Mas eu amava sentir aquilo

                Ainda amo.

 

 

                – Ok então, meu trabalho está feito – Hoseok sorriu orgulhoso, ao nos deixar na porta daquele hospital ENORME e reabrir seu guarda-chuva. – O temporal só está piorando e está ficando tarde, então como eu não tenho certeza se voltarão para Seoul ainda hoje, me despeço aqui – ele nos abraçou. – Fiquem bem, seus lindos.

                – Obrigado por tudo, Hobi hyung – Tae sorriu largo.

                – Não fiz nada mais que minha obrigação, Taehyunguie – ele beijou a testa do mais novo. –Ah, desculpe, Jungkook. Esqueci que ele tinha dono – piscou para Tae, que apenas riu envergonhado.

                – Vai se foder, hyung – rolei os olhos para cima num riso soprado.

                – Não, vocês que vão – lançou-nos uma expressão maliciosa, e antes que pudéssemos obter cincos cores diferentes de constrangimento, o mais velho saiu correndo pela chuva, gritando escandaloso sobre o OTP ter se tornado realidade.

                Ah, Hoseok. Nem sei como te agradecer por tudo até hoje.

                – Tudo bem? – pedi a Taehyung, por puro instinto de me preocupar com ele.

                Ele assentiu em silêncio, me entregando apenas um sorriso reconfortante. Pensei em segurar sua mão, mas apenas respeitei sua decisão de encarar aquilo daquele jeito. Assim que ele abriu aquela porta, senti alguns calafrios percorrerem toda a extensão do meu corpo, apertando meu coração.

                A sensação de que eu visitaria aquele lugar mais vezes do que gostaria.

                Respirei fundo e segui Taehyung, que já estava mais adiantado, batendo um papo com as secretárias simpáticas. Ele entregou um sorriso convidativo, segurou minha mão firmemente e me arrastou para aquele balcão não tão movimentado.

                – Myung, este é o Jungkook – me apresentou gentilmente.

                – Finalmente conheci o ilustre Jeon Jungkook – ela apertou minha mão alegremente. – Taehyung fala muito de você, até demais, meu Deus, ele fala tanto... – rolou os olhos para cima – Quando Taehy está carente, ele consegue ser insuportável! Mas cuide bem do nosso menino – piscou para mim.

                Apenas concordei levemente com a cabeça, afinal, ninguém muda da noite para o dia.

                Além de nervoso, eu ainda era extremamente tímido.

                Após Taehyung trocar mais algumas palavras com a mulher, ele seguiu me arrastando pelos corredores daquele hospital de maneira muito rápida, pegando qualquer atalho que conseguisse para não precisar encontrar muitas pessoas. Ele cumprimentava as que passavam por nós apressado, como se estivesse lutando contra o tempo ou algo do tipo. Não percebi por quantas alas passamos, apenas concluí que foram muitos minutos até chegarmos naquela mini cidade dos pacientes terminais.

                Taehyung parou para respirar um pouco, mostrando em sua própria expressão, o quanto se encontrava cansado. Ele segurou minha mão novamente, dessa vez, com mais delicadeza, e tornou a caminhar com mais calma por aquele novo lugar. Estava muito escuro devido à noite que chegara de vez, e o temporal não ajudava em muita coisa, por isso eu não conseguia decifrar bem como era a aparência do local. Desisti de tentar analisar as estruturas dali, e apenas foquei em seguir Taehyung, que acabava de adentrar um prédio muito grande e moderno. Entramos num dos elevadores dali, e percebi o garoto ao meu lado deslizar até o chão deste, após apertar com dificuldade o botão que indicava que iríamos para o último andar.

                – Você está bem? – perguntei me sentando ao seu lado, até porque, demoraria um pouco para chegarmos no quaro dele.

                – E-estou – ele fechou os olhos suspirando pesadamente. Ergui meu braço para secar com a manga da camisa, as gotas de suor que escorriam pelo rosto quente do mais velho.

                – Tem certeza? – enrolei meus dedos em suas madeixas úmidas.

                – Sim... eu só... – sorriu fraco – O dia foi longo, sabe.

                – Sei – retribuí o sorriso. – Se precisar de ajuda, sabe que estou aqui para qualquer coisa, né? – ele confirmou levemente com a cabeça – Você parece exausto, e aliás, qual foi a daquela corrida no hospital, hein?

                – Eu... eu queria aproveitar aquele surto de coragem enquanto eu o ainda tinha, para trazer você logo aqui – respirou fundo. – Achei que se esperasse mais um pouco, eu não conseguiria fazer isso...

                – Mas conseguiu – beijei sua testa úmida e torci o nariz ao perceber sua temperatura. – Taehyung... – franzi o cenho – Não precisa esconder mais nada de mim, conte o que está havendo.

                – Desculpe, força do hábito – sorriu de leve e descansou a cabeça em meu ombro. – Acontece quando eu exijo demais do meu corpo, todas as emoções que eu passei hoje, as loucuras que eu fiz – riu soprado.

                – Não precisava me apresentar sua casa se já estava tão esgotado – acariciei seus fios castanhos e deixei um selar demorado nos mesmos. – Não queria você acabado assim.

                – Ah, mas você vai me ver muitas vezes assim – senti seus braços passarem por trás de mim. – Desculpe por te deixar preocupado, é o preço que você paga por gostar de mim.

                – Não tente fazer com que eu me afaste de novo – ri divertido. – Agora que confessou seus sentimentos pra mim e sabemos que nosso amor é recíproco, você nunca mais vai se livrar de mim!

                – Ah, que droga, você vai pegar no meu pé como a Sunny? – ele resmungou fazendo um bico extremamente fofo em seguida.

                – Vou ser pior que a Sunny, aliás, onde ela está?

                – Deve estar no meu quarto me esperando – ele notou meu olhar confuso e explicou. – Eu liguei pra ela enquanto você estava no banho, e avisei que estaríamos vindo para cá.

                Não tive tempo de perguntar mais nada a respeito daquilo pois o elevador havia parado, indicando que havíamos chegado no local requisitado. Ajudei Taehyung a levantar lentamente, e permaneci de apoio para ele caminhar, enquanto me guiava para onde eu precisava ir. Enfim chegamos no fim do corredor e adentramos o último quarto, tendo como vista aquela sala enorme e sofisticada, cheia de móveis confortáveis e dezenas de aparelhos médicos de alta tecnologia.

                Senti meu estômago embrulhar ao ver Sun-Hi, vestida com aquele jaleco e apetrechos médicos pendurados a si. Eu sabia que ela era a responsável por Taehyung, mas principalmente, a doutora responsável pelo seu caso. Naquele momento, eu não via a mãe do garoto que eu amava, a Sunny que conheci e convivi por um bom tempo. Eu só conseguia ver uma profissional que calculava cada passo que dava, enquanto adicionava um líquido diferente numa seringa demasiada grande. Mas minhas expectativas foram todas destruídas, assim que a mais velha fixou seu olhar para nós, abrindo um grande sorriso acolhedor.

                – TaeTae... Jungkookie – vi o brilho em seus olhos ao nos analisar daquele modo. Brilho que logo sumiu, ao perceber pela primeira vez a exaustão do filho. – Acho que meu Taehyung precisa de um bom descanso essa noite, não é? Ah, desculpe, Kook – ela rolou os olhos para cima ao se corrigir, frisando a frase que disse em seguida. – Nosso Taehyung – piscou para mim divertida.

                – Então hoje não vamos voltar para Seoul? – Tae questionou enquanto eu o deitava na cama com cuidado.

                – A princípio nem eu e nem você – sorri de leve. – Está tarde e o temporal só dificulta o trânsito, então acho que vou ficar por aqui pelo menos hoje.

                – Sério? – a alegria em seu olhar era completamente visível.

                – Estou falando sério – acariciei seus cabelos e deixei um selar em seus lábios rapidamente. – Vou passar a noite com você, agora preciso ir lá fora ligar pra minha mãe, já retorno.

                Ele assentiu fracamente, enquanto virava o rosto para não precisar olhar Sun-Hi injetando inúmeras agulhas em seu corpo. Assim que passei pela mais velha, esta me direcionou um sorriso malicioso, denunciando que havia acabado de presenciar a cena amorosa entre mim e Taehyung. Apenas sorri de volta e rolei os olhos para cima soltando uma risada soprada.

                Fechei a porta do quarto com cuidado, retirando meu celular do bolso para discar do número da excelentíssima senhora minha mãe.

                – Jungkook? – a voz dele estava um pouco rouca – Ainda está na festa?

                – Não, eu já saí dela faz um tempo. Estou com Taehyung no hospital.

                – C-com Taehyung no hospital...? Filho, aconteceu algo? – ela parecia mais desperta que antes.

                – No momento não, depois eu te explico tudo melhor – suspirei. – Só quis te ligar para avisar que passarei a noite no hospital, então não me espere em casa hoje. Te ligo depois, pode ser?

                – Claro, obrigada por avisar – notei a mais velha soltar um suspiro aliviado. – Se cuida, ok? Pode ligar a hora que quiser, cuide bem do Taehyung. Tchauzinho – dei risada da despedida usada pela mulher.

                – Tchauzinho, mamãe – revirei os olhos e encerrei a chamada, guardando o celular novamente em meu bolso.

                Estava prestes a retornar ao quarto, quando senti a mão gelada de Sun-Hi tocar-me o ombro.               

                – Sun-Hi? – chamei pela mulher que me encarava curiosa.

                – Então vocês se resolveram, huh? – ela riu fraco – Não sabe como fico feliz por estarem juntos.

                – Não estamos juntos oficialmente, ainda – pisquei meu olho para a maior.

                – Não importa, Taehyung está explodindo de felicidade lá dentro – ela sorriu largo. – Eu fico imensamente alegre em saber que tem mais alguém que vai ficar sempre ao lado dele além de mim.

                – E que o ama tanto quanto você – acrescentei divertido.

                – Eu tenho ciúmes da minha criança então controle o seu amor – me fitou intensamente. – Mas fique sabendo que amei ver os dois trocando mais carinhos que o normal, e shippei fortemente depois daquele selinho! – pulou feito uma fangirl – Eu sinto como se você pudesse amenizar a dor dele, sabe? Ajudar a superar os traumas, a confortar o coração dele, a suprir aquela carência gigante...

                – Estarei disposto a fazer tudo isso – sorri gentilmente. – Eu faria tudo por aquele garoto.

                – É incrível ver o quanto ele se abriu com você, ele nunca tinha feito nada disso senão comigo – seu olhar vagava perdido pelos corredores vazios. – Ele sempre foi muito sociável ao mesmo tempo que fechado, então ver ele finalmente confiando sua vida a mais uma pessoa, é um enorme passo, um grande progresso.

                – Acha que isso pode... ajudar alguma coisa no estado dele? – perguntei de maneira delicada.

                – Não sei quanto a isso mas... da parte psicológica, sim e muito – apertou meus ombros suavemente. – Eu confio minha criança a você, Jungkook. Não me decepcione!

                – Não irei – sorri largo ainda não acreditando em tudo que estava acontecendo.

                – Agora vá, ele já deve estar cansado de esperar – piscou para mim levemente e beijou minha testa como ato de despedida. Me virei lentamente para o quarto e entrei pela segunda vez no mesmo.

                Taehyung estava escorado na cama erguida de forma a ser utilizada como suave encosto. Ele tinha as mãos descansando em seu colo, e mantinha o olhar cerrado, como se lutasse para não cair no sono.

                Tão adorável.

                – TaeTae, se você quiser dormir você pode dormir – ri fraco ao me sentar ao seu lado, e em seguida começar a fazer carinhos gostosos em seus cabelos, o que o fez inclinar a cabeça em direção as carícias e fechar os olhos, permitindo que um grande sorriso retangular iluminasse sua face.

                – Eu queria aproveitar melhor sua companhia – disse roucamente devido ao sono. – E eu também tenho algumas perguntas a te fazer...

                – Pode falar.

                – Quando você descobriu que estava apaixonado por mim? – abriu seus olhos e me encarou intensamente.

                – E-eu... – tentei me concentrar o suficiente para responder aquela pergunta – Eu não tenho certeza, talvez eu tenha me apaixonado muito antes do que percebi, mas eu sempre negava o que eu sentia, sabe? Eu não queria ser... você sabe... gay.

                – Você sempre foi muito gay e nem tem como negar – ele riu divertido.

                – Como poderia saber que eu era gay? – o olhei estranho sem conseguir conter o sorriso.

                – Não pense que eu não vi você olhando aquele pornô gay naquele dia – ele riu mais alto. – Só faltava você babar.

                Deus. Do. Meu. Céu.

                Puta. Que. Pariu.

 

                Eu estava concentrado no jogo quando de repente uma nova aba foi aberta no navegador. Um dos problemas de possuir um notebook velho eram os vírus que se encontravam nele. Eu estava pronto para fechar aquela aba, mas mudei de ideia assim que vi o conteúdo dela. Era uma espécie de site pornográfico, onde possuía um vídeo que ainda estava carregando. Olhei para trás e Tae ainda estava dormindo, nem havia se movimentado desde que deixei a cama, achei que não teria problema eu dar uma olhada no conteúdo do site. Voltei minha a atenção para o notebook e quase me engasguei com minha própria saliva quando eu percebi sobre o que ele se tratava. Era um pornô gay. Dois homens estavam se beijando e trocando carícias sobre uma cama. Me senti atraído pela visão que tive. Eu nunca havia visto nada daquele gênero, mas tive uma sensação estranha ao ver aqueles dois homens se tocando. Eles estavam prestes a se despir, mas percebi uma movimentação na cama atrás de mim. Fechei rapidamente o navegador e me virei para o menino, que já havia acordado.

                 – Jungkook, o que você estava fazendo? – ele me perguntou com uma expressão confusa.

               

                Meu maior medo naquele dia, fosse que ele tivesse visto algo. E ELE VIU! ELE NÃO SÓ VIU COMO FINGIU QUE NÃO VIU E AGORA REVELAVA ASSIM DO NADA QUE TINHA VISTO E MEU DEUS JUNGKOOK RESPIRA!

                – Tá de zoação com a minha face, né? – perguntei trêmulo – E você não disse nada, Taehyung?!

                – Eu já estava certo da minha sexualidade nessa época, então eu não vi problema nenhum naquilo. Mas só reforçou mais ainda o fato que você poderia gostar de mim – ele riu convencido.

                – Meu Deus, você é horrível! – dei um tapa leve em seu ombro o que resultou em altas risadas de ambos – Mas quando você se descobriu? Porque eu não lembro de você ter alguma relação antes disso.

                – De fato, eu só tinha contato com os médicos daqui – ele constatou. – E digamos que eu nunca senti atração por mulheres, sabe? E mesmo que eu tivesse aquela amizade com o Hobi hyung, eu não sentia nada além de amor de irmão com ele, e vice-versa – acrescentou pensativo. – Mas você me fez mudar a perspectiva que eu tinha das coisas, entende? E eu só via casais heteros nas ruas e dentro dos limites do hospital, mas ver Jin hyung e Namjoon juntos, me fez imaginar como seria se fosse eu e você – ele suspirou entrelaçando nossas mãos. – E quando imaginei isso, percebi que era exatamente o que eu queria e ainda quero.

                – Achei que não dava pra te amar mais, mas ao ouvir isso, vejo que estava completamente errado – acariciei seu rosto ternamente, aproveitando a risada gostosa que ele me entregara.

                – Você já contou para a sua mãe? – ah, ele tocou na ferida.

                – Pela primeira vez na vida nós temos uma relação muito boa, eu não queria estragar isso, sabe? – suspirei triste – Acredito que meu pai me surraria até não sobrar nada, mas em relação a minha mãe, eu não consigo imaginar uma reação dela. É como se tudo que eu tivesse vivido com os meus pais agora estivesse se esclarecendo...

                – Como assim? – ele questionou confuso.

                – Por exemplo, minha mãe até hoje só gritou comigo e coisas do tipo. Ela nunca levantou a mão para me bater, diferente do meu pai. E vejo que muitas das nossas brigas, tiveram influência dele, então eu vejo como se ela estivesse presa a aquele homem, como se tivesse que obedece-lo independentemente do que acontecesse... eu... acho que... – engoli em seco – Eu acho que eles estão vivendo num relacionamento abusivo...

                – Acha que seu pai possa fazer algo a sua mãe?

                – Não tenho certeza, eu também nunca fui um exemplar de filho... então eu não prestava atenção em coisas como essa. Mas eu nunca vi a relação deles fluir como a de um casal normal, ela sempre me pareceu extremamente submissa a ele...

                – Converse com ela sobre isso – ele sorriu fraco. – Minha mãe me disse antes de morrer, que eu poderia amar quem eu quiser que não diminuiria o amor que meus pais teriam por mim. Então, acredito que você deve iniciar uma conversa sobre homossexualismo com calma... tente ver a opinião da sua mãe sobre isso. E sobre o relacionamento abusivo, seja muito, mas muito delicado mesmo ao tocar nesse assunto.

                – Pretendo fazer isso – encarei seus olhos totalmente perdido.

                – E faça isso cara a cara, sem mensagens ou chamadas pelo celular. São assuntos a serem discutidos olho no olho – ele gesticulou a frase com as mãos.

                – Ok – suspirei. – Agora acho que alguém precisa dormir, certo? – arqueei uma sobrancelha ao ver o estado completamente exausto do garoto.

                – Só se eu ganhar um beijo de boa noite – ele disse fracamente, já fechando os olhos.

                – Vai ganhar vários – iniciei um beijo calmo, passando minhas mãos pelos seus cabelos o sentindo arrepiar-se. Aproveitei que ele logo deu passagem com a língua, e prosseguimos com aquele ato que desencadeava um misto de sensações deliciosas. Em seguida, depositei vários selares por toda extensão do seu rosto, tentando passar por cada centímetro de sua face bem desenhada. – Agora eu preciso ligar para a minha mãe de novo – rolei os olhos para cima ao lembrar da preocupação da mais velha.

                – Kookie... – bocejou – Pode ficar aqui até eu dormir?

                – Fico, já que nem vai demorar muito mesmo – fiz piada com a situação, mas ele não pareceu ter visto muita graça. – O que foi?

                – É que eu tenho medo, Jungkook – seus lábios tremeram.

                – Medo do que, meu amor? – me aproximei dele, deitando minha cabeça ao lado da do mesmo.

                – De dormir – me fitou intensamente, e sussurrou a frase seguinte. – E não acordar mais...

                – Shh, não diga essas coisas – selei nossos lábios levemente. – Eu estarei aqui quando você acordar.

                – Promete? – me encarou com aquele olhar mais solitário do mundo.

                – Prometo – beijei sua testa e trouxe sua cabeça para mais perto, descansando-a em meu peito. – Pode descansar tranquilo, Tae.

                Senti o garoto assentir de leve, e não tendo se passado muitos minutos, já percebi o quanto sua respiração se encontrava pesada e o corpo totalmente relaxado. Sorri satisfeito, me desvencilhando de Taehyung com delicadeza, para não atrapalhar seu tão necessitado descanso. Fiquei mais algum tempo observando o menino com um sorriso completamente bobo e apaixonado, ouvindo apenas sua respiração baixa ser abafada pelo temporal violento do lado de fora.

                O cobri devidamente para que não passasse frio ou desconforto, e segui para o outro canto do quarto, me distanciando o máximo possível sem perde-lo de vista. Tirei o celular do bolso mais uma vez, iniciando uma chamada com minha progenitora, após me certificar de que o volume do aparelho estava baixo.

                – Mãe? Te acordei? – ela negou com murmúrios – Que bom, desculpa por falar baixo assim, mas eu não quero atrapalhar o descanso do Tae...

                – Vai me contar o que houve agora? – ela parecia apreensiva.

                Respirei fundo, e contei sobre tudo. Claro, ocultando totalmente fatos irrelevantes sobre a vida dele, e também sobre o nosso amor que ainda era algo muito novo, e como o próprio Taehyung dissera, eu devia tratar disso pessoalmente com ela.

                – Jungkook... eu não sei nem o que dizer... ele... ele vai ficar bem, não vai? – eu conseguia perceber sua voz embargada – Ele está bem agora, certo?            

                – Sim, mãe – ri fraco. – Taehyung está dormindo aqui ao lado, ele parece bem exausto mas nada muito preocupante.

                – E você, como está? – ela notou meu murmúrio confuso – Não pense que pode me enganar, eu vejo todo o apego que você tem a esse menino, e a amizade de vocês é muito linda. Então... sei o quanto você provavelmente vai sofrer com tudo isso... – não tive chances de responder, pois a mesma já estava cortando minha fala novamente – Jungkook, você tem a mim, ok? Pode me falar tudo o que estiver sentindo...

                – Ok – suspirei um pouco alto. – Eu me sinto devastado, sabe? Eu sinto como se ele se fosse, levaria consigo uma grande parte de mim, e eu imagino que não seja algo que eu consiga superar. Eu não me vejo num mundo sem ele, ele mudou tantas coisas na minha vida, ele mudou minha forma de ver o mundo, de viver. Ele até nos aproximou, mãe! – sentia meus olhos marejarem, e minha voz embargada denunciou minha emoção à minha progenitora – Ele mudou muitas coisas para mim, e até para a senhora. Não é como se tudo isso pudesse ser ignorado, ele já faz parte de mim. E eu simplesmente não consigo pensar nele desta maneira debilitada, com a doença o consumindo até o último fio de cabelo...

                – Você queria poder estar no lugar dele, certo? – sua voz era doce.

                – S-sim... – afirmei, já sentindo algumas lágrimas quentes deslizarem sobre meu rosto de maneira silenciosa.

                – Eu sei como é – eu poderia imaginar a mais velha sorrindo com ternura. – Mas... se serve como conselho. Sendo bem realista, eu não faço ideia de quanto tempo de vida ele ainda tem, e pelo que você me contou, eu não acredito que seja muito tempo... – suspiramos ambos pesadamente, porque era a triste realidade – Então, aproveite a chance incrível que você teve de conhecer esse ser especial, e faça cada momento valer a pena. Faça não só a vida dele, mas a sua também valer a pena. Aproveite, Jungkook, aproveite todo e qualquer segundo que você tiver ao lado dele pensando que pode ser o último.

                – Eu ainda estou tentando me acostumar com a Jeon Haneul filósofa – rimos fraco.

                – Vai se foder.

                – Vou, só não digo com quem.

                – JUNGKOOK?!

                – Boa noite! – sorri largo e desliguei o telefone bem na cara de pau mesmo.

                E depois me amaldiçoei mentalmente por pensar coisas tão sujas perto daquele anjinho que dormia tão serenamente na cama a minha frente.

 

 

                – Você vai voltar para Seoul? – perguntou coçando seus olhos ainda cansado.

                – Vou, preciso aproveitar que o tempo está melhor, e está quase na hora do almoço – acrescentei. – Você vai ficar?

                – Preciso. Sunny disse que tem alguns exames que eu preciso me submeter, e como eu não preciso mais mentir e nem fingir nada para vocês, eu posso fazer o que tenho que fazer tranquilamente – sorriu fraco. – Então... nos vemos amanhã? – questionou com os olhos brilhando em expectativa.     

                – A princípio não – afaguei seus cabelos com carinho. – Eu tenho aula o dia inteiro, então não vou conseguir ter tempo nenhum para fazer nada além de estudar. Mas quarta-feira eu posso te levar para jantar, o que acha? – sorri convidativo, esperando uma resposta positiva.

                – Claro que eu aceitaria – ele uniu as mãos em seu peito. – Mas você estaria me convidando para um jantar romântico, senhor Jeon? – piscou os olhos repetidas vezes, umedecendo os lábios com a língua logo em seguida.

                Você nunca controlava aquela maldita língua, Taehyung.

                – Você pare de me testar – ataquei seus lábios com mais vontade que das outras vezes, sentindo o garoto arranhar a parte nua de meu pescoço. – Já quer me deixar marcas, Tae? – resmunguei durante o beijo, que ele insistia em continuar.

                – Sua vez de calar a boca, Jeon – me puxou para mais perto, fazendo me deitar sobre ele na cama e quase me enrolar nos fios que estavam ligados ao seu corpo. – Eu amo você – murmurou num fio de voz, já se entregando ao beijo novamente.

                – Totalmente recíproco – sorri com nossos lábios pressionados, e desfiz o contato assim que ele deixou o pescoço livre para eu depositar vários selares demorados no local.

                Após mais alguns minutos repletos de selinhos, beijos e carícias, Taehyung me liberou para voltar para Seoul, afirmando que estaria tão lindo na quarta-feira que seria impossível eu não me apaixonar novamente por ele. Que fofo, querendo me impressionar! Mal sabia ele que a cada minuto que se passava, eu me surpreendia mais com o mesmo e me apaixonava dezenas de vezes em questão de minutos.

                Porque, como eu digo desde aquela época, eu sempre amei amar Taehyung.

 

 

                Voltei para Seoul com um sorriso bobo no rosto que nunca me abandonava. Caminhei pelas ruas daquela cidade quase que saltitando, mesmo que eu estivesse prestes a iniciar um diálogo de extrema importância assim que eu me encontrasse com a minha mãe. Sem contar que eu estava fugindo dos meninos, para não precisar revelar nada a eles e deixar que ficassem muito, mas muito curiosos.

                Por conta disso, meu celular tinha milhares de mensagens desesperadas para saber de algo, e eu ignorava todas. Eles iriam querer me matar? Iriam. Mas essa vontade sempre passa, então, eu me divertiria com a angústia deles enquanto pudesse.

                Eu juro que sou uma boa pessoa!

                Mas como nada é perfeito na minha vida, eu finalmente cheguei em casa. Fui alegremente abrir a porta de entrada, e me deparei com um carro diferente no local, o que foi o primeiro ponto esquisito. O segundo é que quando eu entrei na casa, haviam alguns objetos quebrados no chão, além da tensão pairando no ar, trazendo à casa uma movimentação estranha demais. Foi quando ao fechar a porta, me deparei com uma pessoa no fim do corredor, que segurava uma vassoura com as mãos trêmulas.

                – M-mãe? – chamei pela mulher que se encontrava estática a minha frente. Ela tinha inúmeros hematomas distribuídos pelo seu corpo, cortes no rosto, lábios e olhos inchados, e ainda resquícios de sangue seco por toda a pele que estava à mostra – MÃE! O que houve com a senhora?! – senti minhas pernas vacilarem à medida que ela vinha para a luz, onde mais e mais ferimentos surgiam.          

                A casa estava de cabeça para baixo, e ela parecia ter apanhado durante uma semana inteira.

                A mais velha apenas me olhou com os olhos marejados, e deixou que a última frase que saíra de sua boca em seguida naquele fio fraco de voz, conseguisse desfazer boa parte da alegria que eu estava sentindo, dando lugar a um ódio enorme que não sei explicar como surgiu em meu ser.

                – Seu pai voltou.


Notas Finais


Trailer da fanfic - https://www.youtube.com/watch?v=XJ8MRab683M
Grupo da fanfic no wpp - https://chat.whatsapp.com/EPqEZxKNMR7784Au9AuJtM

OLHA A TRETA, BICHO!
Espero que tenham gostado, volto a agradecer por tudo, e gostaria de fazer uma pergunta. Vocês não se importariam de eu divulgar fanfics nas notas finais, não é? Desculpa, mas eu preciso!
Enfim, volto mais rápido dessa vez!
ATÉ A PRÓXIMA E VEJO VOCÊS NOS COMENTÁRIOS!

BEIJÃO DA TIA!

~Luana


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