História Howls on the moonlight - Capítulo 28


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Kris Wu, Lay
Visualizações 435
Palavras 5.644
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Eu disse que voltaria nas férias!!!! Estão preparados? TwT
Ok, primeiramente, desculpem pelo infortúnio da demora e confusão que faço, pois sou dessas.
Segundo, o plano inicial é terminar a historia antes do final das férias, MAS vocês me conhecem e sabem que vou tentar, entretanto nunca consigo dar cem por cento de certeza! kkk
Terceiro, e ultimo, obrigado pela paciência e vamos lá!

Boa leitura floquinhos! ^-^

Betado por: ~Madiie (sua linda, i amo tu <3)

Capítulo 28 - Capítulo 28


O tempo dentro daquele carro parecia ter passado rápido - via as enormes árvores passarem em um borrão enquanto acompanhava animadamente a música que tocava ao rádio, junto com os outros dois.

Conseguia ver ao longe os topos dos prédios, e não conseguia se recordar qual fora à última vez que frequentara algum tipo de centro urbano, já que, infelizmente, os líderes de muitas alcateias optavam por viver mais perto da natureza. Talvez o estresse da cidade junto com o do cargo fosse demais para se aguentar, divagava o castanho enquanto tentava achar respostas para o porquê não poderiam se mudar para lá, sabendo que apenas descartar a mansão não seria uma opção para ChanYeol.

E quando menos esperou, já estava do lado de fora do carro, que acabara de ser estacionado em uma vaga por KyungSoo. O ar ali era diferente, e sentindo isso, respirou fundo, deixando que aquela poluição mostrasse que estavam finalmente um pouco fora dos limites que sempre lhe foram impostos; e os ultrapassar estava sendo incrível.

- Então, onde vamos primeiro? – Não saberia dizer da onde surgiu aquela animação repentina, mas uma euforia simplesmente brotava de seu interior. Estava-se ali para se distrair, iria se distrair e não deixaria nada o atrapalhar. Merecia aquele tempo. Merecia esquecer-se dos problemas apenas por um dia, se ver livre de cargos e deveres que deveria cumprir, de tristezas que deveria chorar e de alfas que tentava a todo custo entender.

Ambos que o acompanhavam também chegaram a notar essa mudança repentina, e foi com uma troca de olhar cúmplice que pegaram os braços do castanho e começaram a andar pelas ruas de modo eufórico.

Nada em específico era observado entre as tantas vitrines. Divertiam-se enquanto riam de algumas roupas em manequins que acham extremamente horríveis, e claro, não conseguiam conter-se em entrar atrás de alguma peça que os interessavam, como faziam no momento.

- Eu acho que você devia provar. – a voz do Do tentava passar confiança ao amigo, que se negava a querer levar algo tão caro. – Não seja idiota, BaekHyun. Se tem o cartão do alfa, nada mais justo do que gastar o dinheiro dele! – E foi com um olhar perdido do outro ômega em sua direção que soube a resposta – Ah não! Você não pegou o principal?! Olha, BaekHyun, não vou te falar mais nada viu. – soltou a peça que segurava e se afastou abanando a mão de modo desacreditado.

- O que?! Você não me disse que eu tinha que fazer isso! – E os passos que tinha iniciado atrás do moreno pela loja foram cessados ao receber um olhar cortante.

- Isso é básico de se ir às compras, garoto. Gastar o dinheiro dos outros! No caso o do seu marido. – Suspirou perante as falas de KyungSoo, não era como se fosse um gênio na arte de gastar, mas admitia que deveria ter pensado nisso como uma vingança particular, e que na próxima não deixaria passar.

E, mesmo com pequenos contratempos, como o que o de olhos grandes tinha acabado de citar, grande parte do passeio os três acabaram por comprar algumas coisas, e após um merecido descanso e já bem alimentados, resolveram pegar uma rua diferente para encerrar o passeio. Tudo teria dado certo para o final daquele dia que deveria ser incrível, se uma loja mais a frente não se destacassem entre tantas outras.

A fachada era delicada com combinações de um azul claro acompanhado de um rosa mais claro ainda. Mesmo a alguns metros, era-se capaz de ver os pequenos manequins, bonecos que imitavam tão perfeitamente a fisionomia de bebês que poderiam enganar qualquer um, e os passos não foram rápidos o suficiente para pararem aquele percurso e evitar a possível e eminente tragédia; e quando era tarde demais, BaekHyun se viu em frente a uma loja de roupas e acessórios infantis.

As roupinhas se espalhavam por várias vitrines decoradas com peças delicadas e coloridas, até mesmo era possível visualizar alguns bebês acompanhados de seus pais ali dentro - e como um choque de realidade, tudo o que tinha lutado para ser esquecido durante aquele dia veio à tona. O motivo de estar verdadeiramente ali tinha voltado a sua cabeça, e antes que pudesse ser impedido por qualquer pessoa, já tinha adentrado o local.

Passos apresados o seguiam de perto e por vezes mãos eufóricas o tentaram parar, sendo afastadas de modo estupido, mas era tudo em vão. Estava decidido a encarar aquilo e ver o que tinha perdido, não poderia viver para sempre assim, mas se julgou errado uma vez que percebeu não estar pronto ainda para aquela realidade dolorida. Não estava forte o bastante, e quando uma das atendentes veio em sua direção lhe dirigindo um lindo e grande sorriso perguntando o número ou o sexo das roupas, tinha sido seu fim.

- Eu não sei, ele nunca nasceu de verdade. – Foram essas as palavras que deixaram seus lábios de modo automático, e em um quase sussurro junto com finas lágrimas intrusas, que assustaram não só a jovem garota a sua frente como a todos por perto.

- BaekHyun, por favor, não faz isso. Vamos embora, sim? – E foi guiado para fora, não conseguia impor-se sobre aquilo ou responder as coisas que lhe eram ditas por sua mãe ou KyungSoo, pois a única coisa que vagava em sua mente era que poderia ser como os outros ali dentro daquela loja, mas não era mais.

O caminho tinha sido silencioso. Não havia músicas ou conversas animadas, apenas o som do asfalto sobre as rodas rápidas do carro, e um olhar perdido no banco de trás que com a testa encostada no vidro observava as grandes árvores passando rapidamente e ficando para trás como vultos.

Os olhares angustiados trocados entre os dois á frente se desviavam em alguns momentos daquela conversa muda para mirar o castanho, que não parecia mais a mesma pessoa que passara o dia com eles. Ele não tinha dito mais nada depois daquilo e estavam quase chegando à mansão, e ter que explicar o porquê o passeio não tinha dado certo para um alfa que deveria estar extremamente irritado pela demora não estava nos planos de nenhum dos dois.

Não esperou que abrissem a porta para que saísse quando o carro parou, apenas desceu e se pôs a andar meio cambaleante entre as pedras da entrada de carros, por estar cansado dos esforços durante o dia e dos que sentia no corpo. Não estava cem por cento e admitia que tinha abusado de seu estado físico, este que não se comparava ao seu psicológico - que estava sendo sugado novamente para a desilusão de suas dores, que pareciam ir e vir em picos que não conseguia controlar.

Só queria chegar ao seu quarto e dormir. Não negaria que um abraço de ChanYeol e o acalento de seus braços seriam bem-vindos, e que sentia uma imensa falta dele, principalmente naquele momento que se sentia tão perdido; mas se lembrava que, por algum motivo ele estava distante, talvez cansado de si e de toda a situação. Não o julgaria por isso, depois de tudo, não se acha no direito de intervir nas futuras decisões do maior - ele deveria fazer o que era melhor para a alcateia, mesmo que isso lhe custasse o alfa. E, se para o bem dele, fosse preciso que o deixasse ir, assim BaekHyun estava disposto a fazer.

A porta da frente foi aberta rapidamente e seu objetivo estava quase sendo alcançado quando avistou as escadas, mas teria conseguido se a imagem de um ser desagradável não entrasse em seu caminho.

- Olha se não é o senhorio. Espero que tenha achado o que precisava para ter me feito esperar tanto. – Seu pai lhe olhava de braços cruzados rente ao peito, em seus lábios adornava um sorriso zombeteiro, que, por algum motivo, não estava o incomodando mais.

- Nós nem demoramos tanto assim. – Sua mãe aparecera a suas costas, lhe tocando um dos ombros. Sabia que ela tentava passar o conforto pelo contato depois de tudo e ainda perante a situação; mas BaekHyun não ligava, para falar a verdade, parecia que mais nada importava.

Era como se tudo tivesse sido desligado em seu interior, e tudo aquilo que devesse sentir tivesse sumido, entrado em um modo de letargia, deixando-o desconectado desse mundo, sem ligações a dor e as lembranças sofridas. Fazendo-o se ver cego em meio à escuridão.

- Eu quero ir embora logo, então, para mim, pareceu uma eternidade. – Ralhava o mais velho, não deixando de mostrar sua insatisfação com tudo mais uma vez.

- Pare de ser tão desagradável e vamos logo embora se está com tanta pressa. – O tom usado pela progenitora era enfurecido, como a muito não era proferido, e esse desagradava - e muito - o alfa, que não conseguiu deixar que isso passe batido.

Os passos pesados se aproximavam rapidamente e conforme a distância diminuía, um braço fora erguido com a intenção de acertar um alvo. Esse só não contava com os passos rápidos e mancos de um BaekHyun, que, pela primeira vez, se colocara na frente de sua mãe recendo em sua face o tapa que era destinado a esta.

O silêncio reinou. O ômega mais novo ficara mudo, conforme o homem mais velho tentava entender o que tinha dado errado e outro ômega furioso corria em sua direção, e este teria o êxito em alcançar seu alvo se uma voz animalesca não tivesse novamente cortado à mudez.

- SAIA DA MINHA CASA, AGORA! – A aura que desprendia do corpo alfa maior era pesada, e o olhar que cintilava em fúria fazia com que o interior de todos se remexesse em alerta.

ChanYeol, que tivera visto o carro chegar, estava se dirigindo para a porta principal, com a intenção de repreender um certo baixinho. E isso teria acontecido e gerado uma pequena discussão se a cena que acabara de presenciar não o tivesse feito perder mais a paciência - que já estava escassa.

- Eu... eu não... – o velho alfa tentava procurar as palavras certas. As desculpas lhe fugiam, e sabia mais do que ninguém que agredir um ômega já marcado, ainda mais na propriedade deste, daria total liberdade para que o Park atacasse. E depois de inúmeras ameaças que recebera, temia por sua integridade.

- Eu disse para sair. Da. Minha. Casa! – Os dentes estavam cerrados e os punhos fechados enquanto ditava de maneira controlada. A vontade de arrancar a cabeça do homem a sua frente era imensa, mas tentava respeitar BaekHyun e sua mãe, que não mereceriam ver algo daquele tipo.

- Como eu disse, não vejo a hora de sair daqui. Vamos. – O homem grisalho tentou recuperar sua pose se dirigindo a esposa, que por falta de opção começou a segui-lo até a saída, mas os passos foram cessados para que este proferisse suas últimas palavras. – Ele nunca foi útil Park, e volto a dizer que o substituí-lo seria uma ótima opção. – E, dando-se por satisfeito, deu as costas.

Aquelas palavras deixaram todos com ódio, e o alfa maior deu indícios de começar a andar em direção à porta, mas fora parado por um pequeno corpo que se pusera a sua frente.

- Chega, ChanYeol. – Os passos pesados se cessaram, mirando o ômega encolhido de modo perdido. - Você sabe que ele tem razão sobre isso. – O maior não conseguia entender como aquelas palavras puderam ter sido proferidas pela voz melodiosa e baixa de BaekHyun, que mesmo de cabeça baixa, se encontrava quase junto ao seu peito já que conseguia sentir a respiração quente se chocar contra sua roupa, e Deus, como queria o abraçar.

Afastou esses pensamentos olhando para o outro ômega presente pedindo com o olhar alguma explicação de toda aquela situação, recebendo com um leve negar de cabeça uma resposta triste. Alguma coisa tinha acontecido novamente.

- Olhe para mim, BaekHyun. – levou uma de suas mãos para o queixo pequeno e gordinho, fazendo-o levantar a cabeça, não vendo resistência no ato. Sentiu seu sangue ferver novamente ao ver a marca dos dedos que adornavam a pele clara, os acariciando com o polegar tentando apagar de algum modo aquela agressão. – Eu amo você. – Deixou um leve selar sobre a testa coberta pelas madeixas de chocolate, aspirando como pôde o cheiro de seu pequeno, antes de, com muito esforço, se afastar e sumir pelos corredores lutando contra a vontade de olhar para trás.

O que tinham sido aquelas palavras soltas ao ar? O menor se perguntava enquanto via as costas largas sumirem. Sentia seu peito doer, mas era só isso, nem ao menos as palavras de seu pai tinham o machucado como deveriam. As coisas estavam sem sentido, e não esperando a ajuda de seu amigo, apenas se pôs a andar. Só queria chegar até seu quarto e tentar não pensar na mensagem escondida que as últimas palavras de ChanYeol continham.

 

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As batidas tímidas na porta do quarto apenas deixavam claro que estava na hora de descer para o jantar. Fazia algum tempo que se privava de colocar-se em frente a todos perante aquela mesa, mas estava na hora de mudar isso, precisava se reerguer. Não queria mais a pena das pessoas, e depois da pequena discussão com seu pai e de ter sentido na pele novamente como era apanhar, apenas enfatizava mais em sua mente que deveria deixar ChanYeol. Ele merecia algo melhor, e faria o maior ver isso.

Antes mesmo que a cabeça de KyungSoo passasse pela porta para lhe dizer algo, a abriu, vendo o amigo se sobressaltar com a ação repentina. Este lhe sorriu pequeno antes de dar indícios de que iria se pronunciar, mas antes que isso acontece o interrompeu.

- Eu já vou descer, vou apenas ficar mais apresentável. – Deu as costas, não se preocupando em fechar novamente a porta, pois sabia que o amigo iria permanecer ali parado de todo modo, apenas para acompanhá-lo.

Penteou os cabelos de modo desleixado, trocando apenas a blusa velha que lhe cobria o corpo, e, de pantufas mesmo, se pôs a andar pelo corredor rumo às escadas. Ensaiava em sua mente como deveria agir depois de tanto tempo na frente de todos, e ia se preparando para os cochichos que sabia que ouviria. Poucos eram os que o viram depois do acontecido, e os olhares surpresos que recebeu ao adentrar o grande espaço já estavam previsto em seus planos.

O silêncio pareceu reinar, uma vez que tivera sido o último a chegar. Seu lugar estava intacto ao lado de ChanYeol, sabia que os olhos curiosos e ao mesmo tempo esperançosos do maior o miravam, mas não conseguiu achar coragem em seu interior para o corresponder, optando por apenas permanecer com os olhos perdidos em direção ao chão.

Teve auxílio do moreno, que permaneceu ao seu lado até que se sentasse confortavelmente para que pudesse se retirar e ir em direção ao seu lugar. Com o afastamento de KyungSoo, sentiu-se perdido. Por um momento quis segurar a mão do alfa estendida sobre a mesa, à procura de algum abrigo. Ela estava tão perto. Mas conteve-se, escolhendo por evitar o contato. Deveria o evitar, só assim ele desistiria de si.

Conforme começou a se servir, os cochichos previstos começaram. Tentava silenciar seus ouvidos para o que era dito, mas era quase impossível, já que eram tantos os que o perturbavam. Balançou a cabeça tentando focar em mastigar o que tinha em sua boca, tinha que suportar, estava na hora de levantar a cabeça.

- Obrigado, BaekHyun. – A comida que estava prestes a engolir desceu rasgando sua garganta, olhou para o lado, vendo os olhos do maior voltados para algum canto, perdidos. Sabia que aquela voz não fora sua imaginação, mas não conseguia entender o que o maior estava agradecendo.

Resolveu ignorar aquilo, mesmo que o incômodo da curiosidade espetasse sua cabeça. Começou a refletir, tentando achar o que tivera feito para que fosse agradecido, e quando não chegou a nenhuma conclusão, não conseguiu se segurar. Quando todos já se retiravam do grande salão, dando por finalizado aquela noite, o ômega criou coragem para se levantar e, em passos incertos, ir atrás do maior no seu caminho para o interior da casa.

- ChanYeol. – Chamou de modo receoso quando percebeu que já estavam sozinhos, e se sentiu estúpido e impulsivo ao ver os olhos surpresos o mirarem, curiosos pela aproximação tão abrupta e inesperada. – Pelo o que, exatamente, estava me agradecendo? – Sua respiração estava irregular, e, mesmo que não quisesse admitir, temia a resposta.

A aproximação iniciada pelo maior não estava entre seus planos, e conforme foi pego de surpresa, percebeu que seus pés se afastavam a cada passo dado em sua direção. O sorriso sincero e pequeno estava adornando os lábios que tanto sentia falta, e se viu sem saída ao ponto de não conseguir mais negar ser tocado pelo outro.

Os dedos longos tocaram o cabelo em uma carícia sutil, quase imperceptível, demonstrando o medo de provocar algum tipo de reação negativa no menor. Seu coração se apertou em saudade ao sentir a quentura do corpo a sua frente, que ficara longe por tempo de mais, queria envolvê-lo entre os braços para poder enterrar o rosto no peito largo e aspirar o cheiro de casa que sabia que ChanYeol possuía. E teria conseguido se controlar, segurando essa vontade se, antes que pudesse enxergar a situação e se afastar, os mesmos lábios - que sentia falta - não tivessem selado sua testa, fazendo com que sua pele se arrepiasse com o singelo contato, gritando por mais daquela proximidade.

- Estou lhe agradecendo por tentar. – E, mais rápido do que chegou, aquele calor se afastava, lhe dando as costas novamente, fazendo com que o frio invadisse seu interior.

O maior deu o primeiro passo para ir pelo corredor, deixando um BaekHyun abalado e perdido em tantos sentimentos que não conseguia distinguir. Seus olhos ardiam e a sensação de abandono o estava sufocando.

Não queria que ele fosse. Queria que ele insistisse como antes e ficasse mesmo sendo negado como o menor sabia que faria se este voltasse a lhe perseguir com suas palavras doces e toques gentis; mas lá estava o alfa, se afastando como sempre tinha pedido, e como tinha pensado que deveria ser, mas não conseguia aceitar aquilo, não podia.

Seus pés se moveram sozinhos e, reunindo toda a vontade reprimida, envolveu a cintura a sua frente, apertando o rosto contra as costas largas e esmagando a parte da frente da roupa do maior com os dedos, sentindo como se esse pudesse fugir de si a qualquer momento. As lágrimas mancharam, sem permissão, o tecido contra sua bochecha e, antes que viesse alguma reação do ser que envolvia afastou-se, correndo como conseguia - aos solavancos -, torcendo para não ser seguido, pois aquele tinha sido seu adeus; sua despedida muda. Estava disposto a tocar aquele plano em frente, o deixaria ir.

 

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Nenhuma palavra fora trocada depois do acontecido no corredor. Ambos não se olhavam direito e, muito menos, permaneciam no mesmo local por muito tempo. Dois tolos a espera que algum tomasse a iniciativa primeiro, um e outro temerosos por serem negados e medrosos por não conseguirem prever qual seria o passo seguinte do outro.

ChanYeol sentia que iria enlouquecer a qualquer momento. Evitar o ômega estava o matando, uma vez que sabia que também era evitado. Estava ciente que uma aproximação como a última não voltaria a acontecer, não por conta de BaekHyun, mas se via perdido em um dilema que tinha imposto a algum tempo atrás a si mesmo. Não sabia se suas ações estavam servindo para alguma coisa, ou se apenas o distanciavam mais do mais novo. Não poderia ser o que daria o braço a torcer, não de novo - tinha sofrido também e queria que o castanho percebesse e desse valor a isso.

Fazia já uma semana que estavam nesse jogo enlouquecedor, e aquele dia teria sido exatamente igual aos outros, se o maior não tivesse acordado com um certo incômodo em seu interior - e se o quarto de hóspedes que o abrigava a tempo demais não estivesse parecendo mais abafado do que o comum.

Os lençóis úmidos de suor grudavam em seu corpo, dificultando que levantasse da cama. Posicionou-se em frente à janela, abrindo-a de modo brusco para sentir o ar gélido da manhã entrar, mas nem aquilo estava funcionando para amenizar aquela combustão que acontecia em seu interior.

Embora quisesse negar, sabia o que era aquilo. E se odiava mais ainda por seu cio estar sendo tão inoportuno em aparecer em um momento nada conveniente em sua relação. Seus sentidos estavam começando a se aguçar, tanto que conseguia ouvir as vozes no andar de baixo da casa.

Fechou os olhos, apoiando ambas as mãos nos lados da janela, aspirando o ar que entrava e tentando manter a calma, mas aquilo tinha sido um erro já que, mesmo fraco, o cheiro doce de certo baixinho chegava a si. E, com os olhos ainda fechados, conseguia visualizar a pele clara exposta contra a luz fraca daquela manhã, sendo acariciada pelos lençóis brancos que escorriam, demonstrando como aqueles pijamas largos deixavam seu corpo à mostra; e na ponta de seus dedos, uma coceira começava a aparecer, ansiando poder tocar aquele corpo.

Abriu os olhos de modo abrupto, gritando o nome de seu braço direito de modo urgente. Logo, tudo aquilo se tornaria demais, e se controlar seria praticamente impossível - e chegar a BaekHyun como queria estaria fora de cogitação. Não faria isso com o castanho, não depois de tudo e também pela situação que passavam, seria errado demais.

- O QUÊ? O QUE ACONTECEU?! – JongIn adentrou o quarto, gritando com a respiração descompassada por conta da corrida que demonstrava ter sido feita. Não sabia o que estava acontecendo, e, para ser chamado aos berros, não poderia ser boa coisa.

- Pegue todos e saia, principalmente o BaekHyun, tire-o daqui o mais rápido possível. Você tem meia hora. – Essas foram às ordens proferidas, e nem ao menos precisava de alguma explicação mais detalhada, pois aquela ordem conhecia bem. O cio do alfa estava para começar, e ter pessoas por perto nunca era uma boa escolha.

- Certo. Meia hora! – Disse de modo apressado, se pondo a correr pelos corredores, avisando a todos.

Aquilo era rotina, todos saiam e iam para casa, deixando a mansão vazia e bem trancada. Voltavam apenas depois de quatro dias sabendo, que três era o máximo que aquele período poderia durar. E, como tudo já era bem conhecido, todos se puseram para trabalhar o mais rápido possível antes que a bomba que o alfa tentava conter estourasse.

 

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Mantinha os olhos atentos para as palavras que lia do livro que tinha em mãos, era um dos seus preferidos e, mesmo sendo a quarta vez que o lia, não conseguia se cansar. Estava sentado de modo confortável sobre seus travesseiros e lençóis, a brisa gélida da janela levemente aberta era controlada pela coberta que tampava suas pernas.  Tudo estava perfeito, e o silêncio do quarto fazia que uma paz a muito privada o invadisse. Tudo deveria continuar assim, se algumas vozes alteradas não lhe tirassem do mundo da fantasia.

De início resolveu ignorar, achando que possivelmente poderia ser algo relacionado às empregadas e tentou voltar a se concentrar na leitura. E teria conseguido se a porta sendo aperta de supetão não tivesse o assustado, fazendo com que pulasse e quase jogasse o livro em suas mãos para longe.

KyungSoo tinha os olhos arregalados e respirava com dificuldade. Por um momento temeu, sentindo o medo lhe invadir. Aquela cena era semelhante a que presenciara no dia mais triste de sua vida, e, mais que tudo, queria entender o que estava acontecendo.

- BaekHyun, vamos! – O moreno se aproximou de si na cama, afastando as cobertas de suas pernas, deixando claro que deveria se levantar, e foi em direção ao guarda-roupa, começando a pegar alguma de suas peças as colocando sobre a cama. - Temos que te tirar da casa agora. - Este falava afobado, não parando um momento sequer o que fazia.

- KyungSoo, o que foi? – Olhava assustado para o amigo, vendo que ele não lhe dava atenção, e nem o respondia, fazendo com que ficasse mais alarmado. - Você está me assustando, me diga logo o que está acontecendo! – Falou alterado, levantando-se e andando até este, fazendo com que parasse de mexer em suas coisas para o olhar.

- O alfa entrou no cio, BaekHyun. – Pronunciou rapidamente, tirando as mãos do amigo de cima de si para continuar com o que fazia. – Ele logo vai perder o controle e, quando isso acontecer, temos ordens de que você esteja bem longe daqui. - pegou a mala que se encontrava sobre o móvel, colocando tudo o que tinha separado do amigo dentro, este ficaria em sua casa, como já tinha conversado com JongIn, então ele precisaria de suas coisas pelo menos.

- Mas, ele não precisa de mim? – A confusão nas feições do castanho era evidentes, esse não conseguia entender qual era o problema ou o desespero de todos. - Meu dever é ajudá-lo, Soo. – Ditou, por fim, fazendo com que o amigo finalmente parasse seus movimentos, mirando-o e respirando fundo.

- Ele disse que não quer te machucar e nem te forçar a nada na situação que vocês estão, então temos que ser rápidos, não temos muito tempo. – Terminou de fechar a mala a sua frente, pondo-se rumo à porta, mas cessou seus passos quando percebeu que não estava sendo seguido. - BaekHyun? – Chamou, vendo o olhar antes perdido em pensamentos o mirar, e percebeu que, daquele quarto, somente as roupas do outro sairiam.

- Eu não vou. - Falou decidido, e, pelo olhar de KyungSoo, sabia que esse tinha entendido. Via também que o outro temia por si. - Ele precisa de mim, não posso deixá-lo sozinho. Nesse tempo todo ele me ajudou e cuidou de mim, é minha vez de retribuir. - Respirou fundo, vendo o amigo retroceder os passos dados, voltando para o interior do quarto e parando a sua frente. – Eu vou ficar. Diga a todos que saiam, pois eu vou ajudar o meu alfa no cio dele. – Sorriu pequeno para o outro, vendo-o deixar a mala, que segurava em mãos, novamente sobre a cama e se permitiu sentar ao lado desta também, enfatizando sua fala. Viu que KyungSoo pretendia retrucá-lo, mas com apenas um olhar o repreendeu fazendo-o suspirar e concordar com a cabeça.

- Só não se arrependa depois. – E, com aquele breve aviso recheado de preocupação, observou o ômega se retirar e fechar a porta logo em seguida, deixando-o sozinho.

Não ia negar que em seu interior um temor o preenchia. Estava com medo. Nunca tinha visto ou passado um cio de um alfa, mas conhecia e ouvira inúmeras histórias e nenhuma de fato era agradável. Mas estava decidido, o maior precisava de si e sabia o quão doloroso seria se este ficasse sozinho, e não permitiria que isso acontecesse. Estava disposto a se sacrificar por ele, iria aguentar tudo, mesmo que não soubesse o que lhe esperava.

Devia isso a ChanYeol, era seu dever e era algo que, em seu íntimo, não podia negar que ansiava conhecer e fazer. Não se encontrava perfeitamente bem nos últimos dias que passaram se evitando, mas se o maior precisa de si iria estar o melhor possível para ele. E foi pensando nisso que mirou suas roupas, cheirando seu corpo logo em seguida. Levantou de modo rápido, dirigindo-se ao banheiro, se desfazendo das roupas que vestia apressadamente, pois, de acordo com o que o amigo tinha dito, não havia muito tempo.

Então deixou que a água quente o envolvesse, não tardando a passar de modo rápido o sabonete líquido que sabia que o maior adorava o cheiro. Lavou os cabelos que estavam levemente oleosos e, mesmo sentindo as bochechas queimarem, começou a se depilar aonde achava que precisava. Quando se deu por satisfeito, não se preocupou em se secar após fechar o registro e apenas se envolveu em um roupão que costumava usar, fechando o laço para que tampasse sua nudez. Não precisava de roupas para o que estava prestes a fazer.

Seu coração começou a bater rápido em nervosismo. Virou-se em direção ao espelho uma última vez, tentando passar confiança para si próprio enquanto mirava os cabelos levemente molhados por terem sido secos de modo desleixado e a pele rosada, pela água quente.

Respirou fundo antes de decidir andar de modo incerto para fora do banheiro, passando pela porta do quarto o mais rápido que suas pernas, agora bambas, permitiam. Temia que seus medos criassem a hipótese de desistir e, por isso, andava enquanto seu corpo tremia com o misto de sensações que passavam pelo seu interior. As palmas de suas mãos começaram a suar conforme virava o corredor e via que se aproximava do quarto que o maior dormia nos últimos tempos, e, quando finalmente se encontrava em frente à madeira daquela porta, travou, sentindo a coragem para abri-la se esvair.

Um conflito interno começou a ocorrer em sua mente. Pensamentos de que ainda dava tempo de desistir daquela loucura e ir embora pulsavam em sua cabeça.  Sua respiração estava desregulada, juntamente as batidas frenéticas de seu coração, e pode sentir suas bochechas adquirindo o tom róseo tanto de nervosismo quanto de vergonha. Estava começando a entrar em pânico por não saber o que fazer diante aquela situação provida de escolhas impulsivas, e quase deu as costas perante a aquele temor que o tomava, mas apenas se manteve parado, pois a porta a sua frente se abriu em um estrondo, impossibilitando que qualquer outro pensamento de fuga ocupasse sua mente. E, soube ali, que não tinha mais volta.

O olhar amarelo que beirava o vermelho se encontrava intenso e, agora, fissurado em si, fazendo com que seu corpo tremesse em um arrepio que lhe tomou a espinha. O tronco alto se encontrava nu e suado, levantando e abaixando conforme a respiração desregulada ditava. A postura alta se mantinha ameaçadora, fazendo com que seus pés recuassem por um momento.

Não conseguia desviar o olhar do homem que se assemelhava a um animal a sua frente. Mantinha ambas as mãos presas ao tecido do roupão que o cobria, tentando descontar ali todo o seu nervosismo. E retraiu mais seus movimentos quando, de modo animalesco, viu o maior farejar fortemente algo no ar, deixando-o mais apavorado com o olhar mais do que pesado que o mirava fissurado. Passos lentos começaram a serem dados em sua direção, como se um predador estivesse prestes a atacar sua presa.

O movimento fora rápido e preciso, tendo o corpo jogado contra a parede sem delicadeza nenhuma, fazendo com que resmungasse de dor quando sua cabeça bateu com força contra o concreto duro. Era tudo muito ágil e não sabia dizer quando o calor do corpo maior se grudou ao seu, o rosto deste estava encaixado entre seu pescoço, fazendo com que sentisse leves cócegas ao ter seu cheiro aspirado fortemente. O grunhido solto em seu ouvido o deixou em alerta, estava assustado com as ações dele, aquele não parecia o ChanYeol que conhecia, e tentava se manter calmo, repassando em sua mente que deveria fazer aquilo - precisava fazer aquilo.

Tentava se focar no porque estava ali, mas se desprendeu de seus pensamentos quando se sobressaltou ao ter o quadril agarrado pelas mãos grandes brutalmente, sendo prensado contra o do maior, que o agarrou de forma firme, levantando-o do chão e fazendo com que suas pernas se vissem obrigadas a o envolver para ter algum apoio. Foi espremido contra a parede. As mãos fortes o apertaram fazendo com que a pressão o fizesse fechar os olhos em dor, sua pele ardia de um jeito que sabia que teria inúmeros roxos até o final daquilo. A força que prensava seu corpo entre o maior e a parede machucava suas costas, já que se via sendo esmagado e, quando beijos e mordidas começaram a serem distribuídos por sua pele descoberta, gemidos sofridos deixaram sua boca. De fato, o maior estava o machucando com aquela brutalidade toda.

- De-devagar, amor, está me machucando assim. - Falou baixo, tentando controlar os gemidos de desconforto que saiam sem sua permissão e, em meio aos movimentos grosseiros do maior, levantou como pôde os braços, levando-os em direção ao pescoço desse, fazendo em sua nuca uma leve carícia. - Eu não vou fugir, mas vá com calma, Chan. - Suas palavras pareciam surtir efeito aos poucos, conforme os lábios não mais lhe feriam a pele com beijos e mordidas, ficando apenas por acariciar o local. Os apertos dos dedos longos diminuíam contra sua pele, deslizando de maneira sutil pelo roupão que ainda o cobria.

- Seu cheiro é maravilhoso. - A voz estava mais grossa, como se saísse do fundo da garganta, misturado com alguma outra coisa. E isso, de algum modo, fez com que o menor voltasse a ficar apreensivo. - Você não tem porque ter medo. – Sua respiração era irregular, e conforme o rosto do alfa se distanciava de seu pescoço para mirá-lo nos olhos, sentia os dedos espertos descendo pela lateral de seu corpo até conseguirem alcançar a pele por baixo daquele pano; apenas para deslizarem novamente por suas coxas fazendo com que se arrepiasse com o toque. - Se está aqui, é porque sabia qual iriam ser às consequências. Agora aguente elas. – deu um leve pulo quando teve as nádegas agarradas firmemente, sem nada para impedir o contato entre as palmas quentes e seu corpo.

O olhar que recebia tão de perto era hipnotizante e, ao mesmo tempo em que o deixava temeroso, passavam algum tipo de segurança desconhecida, e, quando teve o corpo içado e o alfa começou a andar rumo ao quarto, soube que não teria mais saída.


Notas Finais


Não me matem por parar assim! kkkk
Mas creio que não preciso dizer o que temos no próximo TwT
Estou escrevendo ele, então calma que não sou o flesh!
Bjinhoooos de luz meus amores! ^3^


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