História Hunger for perfection - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Anorexia, Bulimia, Drama, Magreza, Paixão, Superação
Visualizações 51
Palavras 2.672
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Essa história demorou um pouco pra ser criada porque eu tinha sérias dúvidas de como começar ou terminar mas, agora que já tenho a base espero conseguir chegar até o final e ficaria feliz se pudessem me ajudar nisto. No final comentem o que acharam.
Boa leitura 💗

Capítulo 1 - Just yes or no


Fanfic / Fanfiction Hunger for perfection - Capítulo 1 - Just yes or no

                               "A curva mais linda em uma mulher, é seu sorriso".

-Bob Marley 

- e como você anda se sentindo? - essa foi a vigésima pergunta feita pelo doutor Erick.

- estou bem, estou bem, já disse! - respondi impaciente, só queria sair daquele consultório o mais rápido possível.

- bom ... por hoje é só. - voltou a olhar-me antes de abrir a boca denunciando falar algo. - se desmaiar de novo, volte. Espero que fique bem ... de verdade. - completou, me liberando logo em seguida para que eu pode-se voltar pra casa.

Era cansativo passar tanto tempo em hospitais, já estava começando a aceita-los como uma segunda casa. Os desmaios inusitados denunciaram que havia algo errado, e infelizmente minha mãe acabou descobrindo coisas um pouco desagradáveis. Era difícil vê-la chorar baixinho todos os dias, sempre com um copo de uísque na mão, enquanto se afundava no sofá, odiava beber na frente dos filhos, porque era o que o meu pai fazia antes de nos deixar e ir morar com uma mulher que tinha idade suficiente para ser sua filha. Resolvi então não falar nada sobre aquilo que jugavam ser uma doença, pôs sabia que só iria piorar as coisas.

- o que ele disse? O que o médico disse? - perguntou minha mãe, curiosa assim que saímos do hospital, já estávamos no carro a caminho de casa.

- eu estou bem. Quantas vezes eu tenho que dizer? - falei demonstrando estresse no tom de voz.

- foi isso o que ele disse? - perguntou de novo, dessa vez atenta a estrada.

- ele disse ... - respirei fundo antes de continuar. - Disse que se eu desmaiar de novo, devo voltar. Só isso. Pensou o que? Que ele iria mandar me internar? - perguntei ironizando, sabia que era realmente aquilo que ela esperava que acontecesse.

O caminho não demorou muito, hoje era sábado às ruas estavam livres, o que era bem incomum nos finais de semana. O tempo estava chuvoso e ameaçava nevar a qualquer instante. Martha tivera que resolver algumas coisas, havia me deixado uma quadra antes de casa, assim que adentrei na sala, troquei meus sapatos por um calçado mais confortável.

- Isaac!! - ele era o filho mais velho da minha mãe, apesar de não termos os mesmos pais minha mãe cuidou de nós dois e crescemos juntos durante toda minha infância. Ele era um bom irmão, e sabia muito bem quando algo estava errado.

- Eae, maninha. - falou risonho. Enquanto descia as escadas secando os cabelos castanhos que cobriam uma parte do seu rosto. Parecia ter acabado de sair do banho. - já voltou? 

- não idiota, ainda estou no hospital. - revirei os olhos, é incrível a capacidade de certas pessoas de fazerem perguntas tão idiotas.

- calma, não precisa ser grossa. - seus olhos negros fitaram os meus olhos azuis, parecia confuso por eu tê-lo chamado. - porquê me chamou? 

- nada. Só pra saber se você ainda estava aqui. Vou dar uma volta, chego depois do jantar. - avisei saindo pela mesma porta na qual acabara de entrar e fechando a mesma por trás de mim logo em seguida.

Caminhei até uma floresta meio deserta, pessoas iam ali para acampar, fazer trilhas, andar a cavalo. Não parecia muito perigosa. Subi até a parte mais alta de um morro a vista era maravilhosa. Dava pra ver todos dali. Inúmeras pessoas, talvez ... dois milhões? Era incrível ver como a cidade ficava pela noite, as luzes eram como uma perfeita sintonia de cores, silêncio. Não se escutava nada além do silêncio, o que parecia uma mera ironia.

Precisava organizar meus pensamentos, respirar ar puro, sentir o vento gelado bater na minha pele, precisava me sentir viva pela primeira vez nessa semana. Porque as coisas precisam ser tão complicadas? Aposto que inúmeras pessoas se perguntam a mesma coisa diversas vezes, pois é, não existe uma resposta. Pelo menos eu acho que não.

A noite caía e eu observava o pôr do sol esplêndido na minha frente, dava para esquecer por alguns segundos as merdas que aconteciam consecutivamente na minha vida, até poderia dizer que me sentia feliz por estar ali ... poderia. Por um momento me sentia livre e depois logo me lembrava dos diversos problemas que ainda teria de resolver, nos meus pensamentos se instalava uma terrível confusão, uma série de problemas que nem mesmo eu - causadora de todos eles - arranjava algo eficaz o suficiente para fazer com que evaporacem ou não existissem mais, é engraçada a ideia de que quando cometemos algum erro a única coisa que queremos é, voltar no tempo.

O relógio marcava exatamente 23:00 horas quando cheguei em casa, ouvi minha mãe chamar algumas vezes pelo meu nome, perguntava se eu não queria jantar apenas recusei e fui para o meu quarto.

- Kate? - Isaac me chamou em sussurro. 

- caralho, que susto Isaac! - sussurrei, levando a mão ao coração sentindo-o acelerar graças ao susto.

- desculpe ... onde você esteve? Não veio para o jantar. - perguntou, parecia preocupado, mas ele não podia me culpar, eu havia avisado mais cedo que chegaria tarde

- não estive longe, não precisa se preocupar estou aqui agora, e ... sinto em lhe informar mas, não estou com fome. - Respondi indiferente, tentando olhar para os seus olhos, na tentativa de parecer confiante, a quem quero enganar? Estou a ponto de cair a qualquer momento, precisava sentar e respirar fundo, rezar para não cair dura ali mesmo, precisa me acalmar o mais rápido possível.

- Kete ... Olha pra você! Você está morrendo bem na minha frente e eu nao posso fazer nada a respeito! - isaac parecia irritado, algo o incomodava e eu já sabia exatamente o que. Chamava minha atenção como um pai faz com sua filha quando ela sai escondido com as amigas pra uma balada da cidade e chega em casa bêbada capaz de nao conseguir lembrar nem o próprio nome. - Eu me preocupo com você kate, todos nós nos preocupamos, mas ... Não podemos te ajudar se você recusa ajuda. - essas últimas palavras me deram um tremendo choque. ele estava mesmo fazendo isso? Estava mesmo tentando me "ajudar"? Acho que ajuda ainda nao seria o suficiente para mim.

- Isaac ... saía. - Pedi com a cabeça baixa, tentando esconder as lágrimas teimosas que percorriam uma trilha perfeita sobre minhas bochechas. - saía por favor.

Ouvi a porta bater forte, Isaac bufava de raiva, seus passos pelo corredor eram de dar arrepios. Sentei na cama, pondo meus pensamentos em ordem,  era difícil conviver assim com as pessoas todos os dias, levar broncas e puxões de orelha que no final não valiam de nada.

Comecei a pensar como as coisas seriam se tudo tivesse sido diferente. Mas, não posso mudar as coisas que já fiz no passado, agora só resta viver com as consequências. As lágrimas iam caindo uma após a outra com mais facilidade, me permiti chorar e deixar que toda aquela dor se esvaisse aos poucos, os soluços altos foram diminuindo com o passar dos minutos e adormeci em meio ao choro.

- Kate? - Ouvi a voz do doutor Erick soar no corredor, o que ele estaria fazendo aqui a esta hora da manha? 

- sim? - abri a porta do quarto, ainda sonolenta, olhei para o relogio ao lado do meu criado mudo, o mesmo apontava 05:00 da manhã, isso seria alguma brincadeira?

- precisamos conversar ... - realmente parecia ser algo sério, atrás dele estava minha mãe com um sorriso amarelo tentando disfarçar que estava nervosa a ponto de dar um chilique a qualquer instante e Isaac, que se mantinha calmo diante a situação mas estava tão curioso quanto eu, mamãe parecia saber do que se tratava, mas preferiu ficar calada enquanto deixava o doutor Erick tomar a frente do assunto. - Eu ... resolvi que vou internar você. - abri a boca pronta para protestar, dizer poucas e boas e argumentos que venho pensando a tempos, isso é uma piada, não vou deixar que me internem de novo. - é para o seu próprio bem.

- Não é não! - retruquei indignada. - eu já fui internada sete vezes, e sabe no que isso ajudou? Em nada! Não vou deixar que façam isso de novo, porquê a única que sempre sofre com isso sou eu.- Respondi, me sentindo um pouco egoísta mas esperava que resolvessem arranjar outra solução, infelizmente o doutor Erick parecia determinado em seguir tal ideia, o que me deixava mais nervosa, minha mãe iria apoia-lo sem dúvidas, se o que ele diz para ela era o certo, eu já havia perdido este debate.

"Deixe-me falar com ela, sozinha", foi o que ouvi minha mãe falar. Isaac e o doutor desceram até a sala na esperança de que minha mãe conseguisse me convencer. senti meus olhos arderem, andei lentamente até a varanda observando a rua quase deserta. O vento frio entrou em contato com a minha pele me acordando de um vago sonho que eu tivera acordada.

- Filha ... - ouvi minha mãe sussurrar, estava chorosa e triste, sabia que não seria fácil me fazer mudar de ideia, assim como ela eu era muito persistente. Mas ela teria de tentar, eu teria de tentar se quisesse assim me manter viva.

- mãe ... - sussurrei da mesma forma. Era difícil encarar o seu rosto e olhar fundo nos seus olhos, qualquer coisa que eu falasse seria como se estivesse a dizer para mim mesma. Teria que ser honesta comigo antes de tudo.

- Eu entendo se você não quiser ir. - parecia estar à procura das palavras certas. - Mas, eu peço apenas uma coisa ... faça isto por mim e por você. Não seja injusta consigo mesma, não engane a si mesma. Acredite ou não eu ... nós estamos tentando salvar você, estamos tentando te mostrar que a vida não é apenas espinhos como também não se baseia em um mar de rosas. Mas, que acima de tudo não precisa ser desse jeito, nunca precisou ser tão complicado. - ela segurava minha mão como forma de me reconfortar. - Pense com cuidado, pense nas coisas que irá perder se não se der uma chance, é isso que eu peço a você só mais uma chance de enxergar a vida como ela realmente é. Pense nas coisas que poderá fazer com uma vida inteira pela frente. E se a sua resposta for não ... Pense na dor que eu irei sentir em ter que enterrar minha própria filha, em ver minha filha morrer em meus braços, em não poder ajudar a pessoa que eu mais amo no mundo. - ela chorava freneticamente e tentava pronunciar diversas palavras em meio aos soluços. Meu peito doía ao ver minha mãe assim, e minha cabeça dava indícios de que poderia explodir a qualquer momento só para parar e pensar em todas as hipóteses do que poderia acontecer. 

Eu estava disposta a dar-me mais uma chance, não só por mim mas, por todos aqueles que estavam sempre comigo e demonstravam me amar acima de qualquer defeito ou erro meu. Mas, também estava com medo, o que viria depois? O que eu faria depois? Provavelmente teria tendo de pensar no que fazer, mas, e se voltasse as recaídas? As coisas não seriam fáceis de novo como estão sendo agora. - se é que as coisas estão indo bem esses tempos - teria de imaginar as coisas através de todas as hipóteses porque nessa situação era difícil pensar em qualquer coisa. Aparentemente era simples, poderia dizer sim se quisesse continuar viva e fazer coisas que garotas da minha idade normalmente estão dispostas a fazer. Ou não se quisesse ter uma morte lenta e dolorosa, dolorosa não para mim mas sim para as pessoas importantes que me rodeavam dia após dia.

- mãe ... - à essa altura, era quase impossível segurar o choro. - Por você, ok? - ela me abraçou forte, estava sorridente, feliz. Sussurrou algo em meu ouvido antes de me soltar completamente.

- Por nós filha ... por nós.

 Resolvi levantar no final da tarde e respirei fundo antes de criar coragem para arrumar minha mala - de novo - precisava apenas do básico, roupa, utensílios, acessórios e coisas para higiene pessoal. Fui informada de que o local na qual eu estaria dentre algumas horas não era nada mais nada menos do que uma casa, como uma casa de recuperação. Uma parte de mim se encontrava feliz por conhecer pessoas que possuíam problemas assim como os meus - ou piores - Mas, outra parte estava intrigada em ter que conviver com pessoas como eu, irônico não?

Desci as escadas com uma mala que chegava em minha cintura, nem pesada nem leve, apenas com o necessário e com peso suficiente para que eu conseguisse levar sozinha. Aproveitei a presença do Dr. Erick, que nos levou sem nenhuma exitação. 2 horas, o tempo que levamos para chegar ao destino final. Já era noite, e por isso não consegui observar com tanta clareza o lugar que iria passar exatamente algumas semanas.

Azul, era a cor mais predominante nas paredes, - pelo menos pelo lado de fora  - a porta era de madeira, assim como as janelas também aparentavam ser. Um jardim de todas as espécies de flores se encontrava na parte direita da casa e com toda certeza tiraria um tempo para observa-lo melhor, afinal tempo era oque eu teria de sobra. Havia algumas árvores frutíferas aos arredores, o que dava um aroma agradável ao lugar.

O Senhor Erick tomou a frente e abriu a porta para nós, o lugar era completamente silêncioso, não parecia ter ninguém ali, ouvia nossas respirações como o mais alto e claro sussurro. Balançava a cabeça de um lado a outro procurando por alguém. Nada. Não havia ninguém além de nós. Andei em passos sútis até a sala, o som do contato do meu sapato na qual havia colocado antes de sair de casa, com o chão de pura madeira ecoava pelos cômodos da casa. Na sala havia uma TV não muito grande nem das mais modernas, um sofá recoberto por algo que parecia ser crochê e algumas poltronas próximas umas as outras, havia jarros de flores espalhados por cada lado, o cheiro doce das Rosas invadiram minhas narinas fazendo-me abrir os pulmões inalando aquele perfume que me embreagava devagar.

Virei-me e dei de cara com um rapaz,  apenas alguns centímetros mais alto do que eu, seus olhos verdes fixaram o olhar sobre meus olhos azuis e sorri envergonhada com a cabeça baixa, voltando para ao lado das pessoas se me acompanharam até aqui.

- Boa noite Dr. Erick, à que devo a honra? - perguntou o rapaz com cortesia.

- Não precisa ser tao formal meu jovem. - o senhor lhe respondeu com um singelo sorriso. - apenas vim acompanhar a jovem até aqui. Esperava ser recebido por sua mãe.

- Infelizmente ela não está presente mas, poderei ajudar a garota até que ela retorne. - ele olhou para mim com um pequeno sorriso no rosto, estava tentando ser o mais amigável possível.

- Kate, você está em boas mãos, agora teremos de ir embora. - avisou o Dr. Erick, providenciei de que minha mãe estaria bem neste tempo que ficaria fora, despedir-me dela com um beijo em sua face seguido de um abraço  que demorou apenas poucos e duradouros minutos.

O rapaz me acompanhou até o meu quarto, que ficava na parte de cima, subi as escadas e dei de cara com um longo corredor, entre 5 a 7 portas de cada lado.

"Terceira porta, a esquerda" ouvi ele falar e assim o fiz de acordo com a informação recebida. O lugar como um todo era realmente aconchegante, e por mais que nao tive tempo de conhecê-lo por completo estava disposta a olhar cada detalhe da casa o quanto antes.

Tomei um banho antes de pôr meu pijama - baseado em uma calça velha e uma camisa longa - deitei na cama fitando o teto. Estava começando uma nova era da minha vida, que poderia ser difícil ou normal como todas as outras. Respirei fundo e fechei os olhos, teria tempo de pensar nisto mais tarde.



Notas Finais


Continuo em breve, o capítulo foi pequeno, apenas para que entendessem um pouco, sinto se encontrarem algum erro ortográfico, as vezes mesmo que revise deixo um ou outro passar despercebido.
Sobre a história, coisas à parte. Se precisarem de ajuda ou algo do tipo estarei sempre disponível, não exitem em pedir ajuda, as vezes é difícil mas é preciso 💗


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