História Hurricane - Capítulo 20


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 82
Palavras 1.915
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa tarde, gente *--*

Queria dedicar esse capítulo a Sairenjii, que me deixou um lindo e enorme comentário no último capítulo, seja bem-vinda por aqui ♥

Boa leitura a todos ♥♥

Capítulo 20 - Stay With Me


Eu não soube, naquele dia, o que responder a Nicolas. Não sabia se deveria pedir que ele ficasse ou se deveria deixar que ele partisse. Não sabia dizer o que era melhor para mim ou para ele, mas tenho quase certeza que ambos sabíamos a resposta, apenas não tínhamos naquele instante a coragem necessária de admitir um para o outro.

Dois dias depois, enquanto ele me trazia a matéria em minha casa, ele me disse que ficaria aqui por mais três semanas e depois iria para New York com seu pai. O mais velho estava procurando já uma escola para transferir o filho, enquanto o mesmo apenas se preocupava em fazer o que eu queria: Se manter em silêncio enquanto eu copiava a matéria. E ele ficava ali, quieto enquanto me observava, provavelmente pensando que eu não percebia seu olhar sobre mim.

Eu decidi que ficaria duas semanas em casa, tempo o suficiente para meus braços melhorarem e eu ter forças para voltar a estudar e encarar aqueles que riram de mim.

Antes que eu pareça rude demais por pedir que Nicolas se mantivesse em silêncio enquanto eu copiava a matéria, em minha defesa eu digo que tem uma explicação: Eu não aguento mais ficar longe dele, mas também não aguento mais esse inferno de vida que eu tenho. Não quero voltar a me apegar a ele e então vê-lo partir, sendo que quando ele voltar, se voltar, não estarei mais aqui para ver ele novamente.

Minha relação com minha mãe piorou. Fiz o que Nicolas disse e tentei conversar com ela, mas ela me ignorou e até tentou jogar uma garrafa em mim. Se Nicolas não tivesse chegado bem naquele instante, aquele teria sido meu último dia vivo.

Para alguns, isso é fraqueza, exagero, ou outros sinônimos que sentem fazer sentido, mas para mim seria tudo um grande alívio se simplesmente acabasse.

Outro motivo para eu me manter em silêncio perante Nicolas, é porque minhas conversas com ele se tornaram um tanto quanto depressivas. Basicamente, ele reclamava da vida dele, eu reclamava da minha e assim por diante. Contudo, ele se mantinha confiante de que tudo melhoraria, enquanto eu apenas chegava mais uma vez à conclusão de que a única saída para eu não sofrer mais era a morte. E ele então vinha com seus papos de que eu não podia acabar com a minha vida e que seria egoísta o suficiente para garantir que eu não obtivesse sucesso nesse quesito. E nós discutíamos novamente, com mais palavras agressivas e, no final, nos encarávamos e nos abraçávamos. Era nossa maneira silenciosa de admitir que não queríamos nos perder. Era a minha maneira de pedir que ele ficasse e me doía saber que, para ele, apenas isso não era o suficiente.

Os dias começaram a passar rapidamente e, quando percebi, faltavam apenas cinco dias para Nicolas ir embora. E eu, por mais que tivesse prometido, ainda não havia voltado a estudar. E sim, isso foi uma desculpa para ter Nicolas em minha casa por mais tempo. Porém, quando se está com menos de uma semana para aproveitar quem você ama, em uma greve mútua de silêncio, você se sente ainda mais triste que o normal. Era assim que eu estava.

- Será que se eu tomar esse vidro inteiro de remédios eu morro? – Questionei, segurando o vidrinho na frente de Nicolas.

- Eu cansei! – Exasperou, me assustando. – Quer saber de uma coisa, Alexis? Eu cansei. Cansei de você dizer que quer morrer e que vai se matar. Me poupe de ouvir isso, porque me dói imensamente pensar em te perder. Mas, se você quer mesmo se matar, vamos acabar logo com isso. – Nicolas estava com os olhos cheios de lágrimas. Ele andou até o banheiro e voltou de lá com uma lâmina, o que me assustou bastante.

- O que você vai fazer?

- Rasgue seus braços, acabe com sua vida, Alexis. Eu vou deixar você abandonado em cima da sua cama até que sua última gota de sangue pingue. Mas lembre-se, você tem que cortar bem fundo. – Ele chorava e, nesse momento, até eu chorava.

- Não, Nic, para com isso.

- Parar por quê? É o que você quer, não é? – Indagou. – Então, aproveita a oportunidade. Ou, quem sabe, possamos resolver isso juntos. Eu e você nos matamos aqui e agora e todos os nossos problemas vão sumir. Mas sabe o que mais vai sumir? Todas as nossas alegrias e tudo aquilo que passamos juntos. Tudo vai embora com a nossa vida. Tudo.

- Larga essa lâmina, você vai acabar se machucando. – Eu quase implorei, querendo mais que tudo me grudar nele para ele parar com aquilo.

- Não vai doer tanto quanto meu coração dói cada vez que você me diz que quer morrer. Não vai doer tanto quanto pensar na possibilidade de te perder. Não vai doer tanto quanto ir embora quando tudo que eu queria era que você me pedisse para ficar. – As lágrimas escorriam por nossos rostos sem parar. – Vamos acabar com isso.

Nicolas passou a lâmina em toda a extensão entre seu pulso e seu cotovelo. Uma dor me percorreu de ver aquilo e foi ali que eu entendi o que ele sentia ao me ver fazer essas coisas. De fato, era horrível.

- Para, Nic, por favor. – Pedi, sentindo minhas forças irem embora enquanto seu braço sangrava sem parar. – Eu vou te ajudar, espera.

Saí correndo em busca da minha caixa de primeiros socorros. Peguei uma pequena bacia e coloquei a água morna do chuveiro, peguei uma toalha de rosto e uma faixa para enrolar o braço dele, além de fita para grudar. Voltei ao quarto desesperado e o puxei para sentar na cama. Ele não fazia nada além de chorar, a dor me consumia cada vez mais por ver ele daquela maneira.

- Calma, Nic. – Pedi calmamente.

Botei a bacia em minhas pernas e puxei devagar o braço de Nicolas, pegando a toalha e a umedecendo, passando a limpar o braço dele, tirando o excesso de sangue que escorria. Ele encarava um ponto fixo e deixava que eu fizesse o que quisesse ali.

Sequei seu braço e o enfaixei, enchendo-o de beijos em seguida. Guardei as coisas que tinha pego e voltei a sentar do seu lado, o puxando para deitar a cabeça em minhas pernas. Ele era simplesmente tão lindo. Eu apenas queria ficar o acariciando para o resto da minha vida. Mas eu não poderia, porque ele iria embora.

- Meu coração está doendo, Alexis. Muito. Eu não quero isso, não quero... Me perdoa ter gritado com você e ter dito aquelas coisas. Eu fui cruel, Ale, me perdoa. – Ele me encarou e, ao mesmo tempo, esticou o braço que não estava machucado para tocar meu rosto. Levei minha mão até sua cabeça, afagando seus cabelos. – Eu te amo, Ale. Demais.

- E eu te amo, Nic. Muito. – Afirmei, vendo ele sentar e me abraçar.

Me joguei em seus braços, que me envolveram com força. Me senti protegido e amado, me senti bem como eu só me sentia quando estava com ele. Só Nicolas era capaz de me deixar assim, alegre, e agora eu não o teria mais todos os dias ao meu lado. Eu precisaria vê-lo partir e, o pior, saberia que parcela do motivo disso ter acontecido é culpa minha. Eu o amo, o quero comigo. Não queria que as coisas fossem complicadas, mas elas são, e tudo que eu queria era poder dizer a ele que eu quero que ele fique, mas eu não consigo. Eu não tenho coragem.

Eu não posso mais me iludir em algo que não tem futuro. Ele é muito mais forte que eu, aguenta as coisas muito mais que eu. Por que me envolver com alguém de quem eu vou sempre depender para me defender e cuidar de mim? Eu tenho que aprender a fazer tais coisas por mim mesmo, mas, com ele longe, isso vai ser tão difícil.

- Fica comigo, Nic. Fica comigo. Não vai embora. – Falei antes mesmo que pudesse segurar as palavras dentro de mim. – Só fica comigo.

- Você está falando sério? – Ele me encarou e deu um pequeno sorriso quando eu assenti. – Nesse caso, eu fico, meu amor, eu fico.

- Eu te amo tanto. – Sussurrei para ele, como se estivesse o contando um segredo. – Eu não quero te perder.

- Eu também te amo. Você não vai me perder, eu prometo.

Nicolas selou seus lábios nos meus em um carinhoso beijo. E eu só queria eternizar o momento, além de mostrar a ele que, por mais doloroso que fosse, não deveríamos prometer algo que não temos certeza de que poderemos ou não cumprir pois, uma vez mais, me afoguei em uma ilusão e, então, percebi que a vida iria a qualquer momento tirar de mim alguém que eu tanto amava. Por algum motivo, sentia que algo ruim iria acontecer e eu queria, mais que tudo, estar errado.

NICOLAS ANDERSON

Ouvir Alexis me dizer que queria que eu ficasse foi como ver o sol surgir em um dia de chuva. Era simplesmente tudo que eu queria escutar. Ele era tudo o que eu queria.

Eu simplesmente o amava e não queria ficar longe dele. Se possível, queria passar todo o tempo do mundo abraçado a ele, apenas sabendo que nossos corações batiam em sincronia e, quando estávamos juntos, nossos batimentos apenas mostravam a nós que estávamos vivos um pelo outro. Se ele não chegasse em minha vida, eu apenas existiria no mundo e, se eu não chegasse, ele não estaria mais aqui.

- Alexis, nós ainda estamos separados? – Questionei, beijando sua mão que estava entrelaçada na minha.

- Não sei... – Fitou-me, em seguida aproximando-se e me beijando mais uma vez. – Eu não quero ficar separado de você, mas ao mesmo tempo eu não vejo outra solução.

- Como não? Ale, eu já disse que te amo e você disse que sente o mesmo. Não entendo o que nos separa.

- Meu medo... Minha insegurança... Várias coisas. – Senti o apertar de nossa mão se desfazer e logo depois senti a mão dele em meu rosto.

- Eu consigo lidar com seu medo e as suas inseguranças, meu amor. Eu sei lidar com isso sem querer te forçar a mudar. Eu me apaixonei por você da maneira que você é e vai continuar sendo dessa forma. – Pela primeira vez naquele dia, Alexis sorriu para mim. – E eu estou disposto a seguir seu tempo, como sempre fiz.

- E você não cansa de namorar alguém como eu?

- Alguém que é obrigado a carregar o peso do mundo nos ombros sem pedir ajuda para aguentar a barra? Alguém que sempre conviveu com a dor sem alguém para compartilhá-la? Alguém incrível? Alguém com um perfume envolvente, um abraço aconchegante e um beijo viciante?  Alguém que deveria me odiar e na verdade me ama? Como eu poderia me cansar de alguém assim?

Alexis literalmente pulou em mim, me abraçando apertadamente e beijando meu rosto e meu pescoço, dizendo inúmeras vezes que eu era incrível. Quando ele disse que não se perdoaria caso continuássemos separados, apenas pensei em uma coisa:

Com ele eu era capaz de passar até pela mais pesada tempestade, porque ele até podia pensar que era um furacão, mas, para mim, ele era ainda mais incrível que a lua, vivendo na escuridão, esperando para o sol sair da sua frente para enfim poder aparecer e encantar os olhos de todos que o contemplarem.

 


Notas Finais


O que acharam? No fim deu tudo certo, não? *---* Não vou demorar com o próximo

Queria convidar vocês para virem conhecer três histórias minhas que são meio recentes *---*
1. Behind Blue Eyes (drama, romance) > https://spiritfanfics.com/historia/behind-blue-eyes-6318475 < Atualização, a princípio, toda semana
2. Sk8er Boy (comédia, romance) > https://spiritfanfics.com/historia/sk8er-boy-6654283 < Atualização toda sexta-feira
3. You Worth My Sacrifice (terror, suspense, romance) > https://spiritfanfics.com/historia/you-worth-my-sacrifice-6110728 < Atualização toda sexta-feira


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...