História Hurt - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens D.O, Kai
Tags Corrida, Drama, Exo, Kaisoo
Exibições 390
Palavras 5.249
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Esporte, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


OLÁ PESSOAL <3

Então gente, eu tentei não demorar dessa vez, por causa da curiosidade de vcs ne hueheueh
Talvez tenham achado o cap meio menor dessa vez, mas é importante, até pq, como notaram, é a historia começando a partir do prologo q vcs leram :3
todos estavam ansiosos por isso não?

Boa leitura ^^

Capítulo 13 - Não consigo


Fanfic / Fanfiction Hurt - Capítulo 13 - Não consigo

Hoje, a lua está brilhando, o espaço vazio dentro das minhas memórias 

Este lunático que me engoliu, por favor, me salve hoje à noite 

Save Me - BTS

 

 

 

 

Enquanto esteve esperando por qualquer notícia naquele hospital tumultuado, muitas coisas torturavam a mente fraca de Jongin naquele momento. 

Ele pensou sobre sua infância, sobre seu primeiro beijo com o Do e quando descobriu que estava apaixonado pelo melhor amigo. Foi algo tão fácil e inesperado que ás vezes sentia como se sempre sentisse algo por ele, só que não sabia. De um dia para o outro, ou de vários dias, ele admirava seu sorriso, seus olhos e sua risada. Tudo junto, de um jeito diferente.  

Ás vezes ainda admirava, mesmo de longe. 

Levou consigo a culpa de não ter se declarado ao pequeno naquele exato momento que teve. Sua única chance. 

Porque seu rancor era tão grande assim? 

Quando passou o dia todo com o mais velho, percebeu que ele se importava consigo. 

No entanto, ele havia recusado seu amor. Assim como recusava-o sempre que queria, porque Do Kyungsoo era assim. Ignorante e egoísta. Não era? Só amava a si mesmo e mais ninguém, só se importava consigo mesmo e mais ninguém. 

E Jongin estava ali, se culpando de novo por ter previsto aquilo e não ter feito nada. 

Mas como iria saber que seu pesadelo se tornaria real? Foi a primeira vez que aconteceu. 

Será que todos os outros que teve com o Do eram um aviso? 

Desejou que o amigo estivesse vivo e bem, mesmo que seja obrigado a viver longe dele depois. 

Foi por isso que os segundos esperando pela resposta do médico pareceu horas. Estava tão preocupado, impaciente e com medo que parecia que o seu mundo estava desmoronando aos poucos, de modo quase torturante. 

- Ele morreu? - insistiu na pergunta. 

- Calma, você esta totalmente pálido de preocupação... 

- Da para me responder logo?  

- Ele não morreu, não se preocupe, ele esta fora desse risco. 

Jongin deixou o ar preso em seus pulmões saírem, chegando a soltar um sorriso leve ao ouvir a notícia. 

- Ele sofreu vários machucados por todo o corpo, partes pequenas do veículo entraram em seus braços e nas suas pernas. Também há uma fratura no pescoço. Ele teve sorte, poderia ter sido muito pior. Ele poderia ter morrido. 

- Mas não morreu. - sorriu. - Eu posso vê-lo? 

- Claro, mas ele esta desacordado agora. Me siga. - disse, adentrando pelo corredor e sendo seguido pelo Kim. - Nós ainda não fizemos um exame completo nele, é capaz de haver algum outro problema. Ficamos mais preocupados com o sangramento e a fratura no pescoço. 

- Como assim outro problema? 

- Ele recebeu várias pancadas, vamos esperar ele acordar. 

O moreno assentiu impaciente e o seguiu por corredores, elevador e várias e várias portas que passava. Obviamente o agente do Do o havia colocado no último andar, nos quartos mais caros.  

Porém, mesmo depois de tudo o que aconteceu, onde estava os agentes e secretários do piloto? Parecia que só Jongin estava ali, preocupado e se importando. Era estranho, mas nada surpreendente. 

- Aqui esta. - o médico parou na frente da porta, sorrindo. - Mande me chamar caso ele acordar. 

- Claro, obrigado. - sorriu de volta, abrindo a porta e entrando. 

O Kim fechou a porta atrás de si e voltou-se para encarar Kyungsoo.  

Observou, primeiro de longe, o mais velho desacordado na cama de hospital. Hesitou um pouco antes de se aproximar, seu coração batia forte e havia uma dor aguda em seu peito. Era ruim demais só de imagina-lo em uma situação como aquela, em seus pesadelos já eram horríveis, e agora tudo era real. 

Jongin se aproximou devagar até a cama, ficando ao lado do Do e o fitando por inteiro. Piscou forte os olhos e os esfregou para não chorar de novo, já havia derramado muitas lágrimas ontem pela discussão e também hoje pelo acidente. Seus olhos já estavam vermelhos e inchados o suficiente. 

Mas ver o melhor amigo daquele jeito era o seu pior pesadelo se tornando real, mesmo no meio de tantos de uma vida inteira. 

E mesmo que quisesse pensar que tudo era mais um de seus sonhos, ele repetia em sua mente o tempo todo de como aquilo era real. 

Apenas para cair na realidade. 

- Ah, hyung... - murmurou baixinho, pegando na mão do alvo. - Eu deveria ter te impedido de correr, ter feito qualquer coisa para que você não fosse. Teria dado certo? Acho que você teria dado um jeito de ir, não importa como. Você não perderia a corrida. Eu sei que não. 

Kyungsoo não tinha muitos machucados no rosto, pois o capacete deve ter protegido, mas havia um colar de gesso em volta de seu pescoço pela fratura e em seus braços haviam alguns cortes, alguns profundos na qual recebeu pontos e que provavelmente ficaria cicatrizes mais tarde. O Kim deduziu que suas pernas e talvez até seu tronco também tivesse com esses machucados fundos, já que a batida havia sido realmente feia. 

Fechou forte seus olhos ao pensar naquela cena, como iria esquecer aquilo? Tinha certeza que ainda teria muitos outros pesadelos com a cena do carro derrapando, batendo na parede e o pequeno voando longe junto com o acento. 

Não era algo fácil de esquecer. 

Apertou forte a mão do alvo e suspirou fundo, acalmando seus pensamentos. Olhou para a mão que segurava e entrelaçou seus dedos com os dele, mas desistiu de continuar daquele jeito e soltou um pouco, segurando-a o suficiente para fazer um leve carinho, apenas isso. 

Ficou daquele jeito por um tempo, olhando-o dormindo, até que sentiu sua mão ser levemente apertada. Então olhou para as mãos e depois de volta para o Do, vendo que este começava a acordar aos poucos. 

Ele abriu os olhos devagar, encarou Jongin e depois o lugar em que estava, de um modo confuso e até meio perdido. 

- Que bom que você acordou. - o mais novo suspirou aliviado, o encarando. - Como esta se sentindo? 

- Dolorido. - murmurou com a voz fraca e um pouco rouca. - Muito dolorido. 

- Não tente se mexer, é melhor ficar parado. Eu vou avisar o médico que você acordou. 

Jongin ia saindo, mas Kyungsoo apertou forte sua mão antes do outro solta-la, fazendo-o permanecer no mesmo lugar. 

- Espera... - pediu.  

- O que foi? Esta sentindo alguma coisa? 

- A corrida. - disse. - Quem ganhou a corrida? 

- É sério que esta preocupado com isso? - revirou os olhos. - Eu não sei quem ganhou, seu carro bateu, um helicóptero foi lá para te pegar e levar para o hospital, então eu o segui com o carro. Não fiquei para ver. 

- Não pode se informar sobre isso para mim? 

- Aquele alemão, o loiro, estava em primeiro lugar, acho que ele ganhou. - deu de ombros. - Kyungsoo, você quase morreu hoje. Você poderia estar morto agora, não deveria se preocupar com quem ganhou ou não. Ninguém vai notar sua derrota porque você sofreu um acidente, não se preocupe. 

- Tudo bem. - fechou os olhos por alguns segundos, suspirando. - Você sabe quanto tempo eu vou ter que ficar aqui? Eu... Eu... 

De repente a expressão de Kyungsoo mudou, de um rosto cansado e sem vontade foi para um rosto surpreso e quase apavorado.  

- O que foi, hyung? Esta sentindo algo? - perguntou, estranhando a mudança repentina. 

- Não, eu estou bem... Eu estou... - soltou a mão do moreno de repente, fechando os olhos. - Pode ir chamar o médico. Eu estou bem, Jongin, não se preocupe. 

O Kim estranhou e por achar que o Do realmente havia sentido algo foi que saiu do quarto e chamou o médico de um modo bem rápido, pedindo ajuda para uma das enfermeiras que passavam pelo corredor. 

Minutos depois tanto o médico como Jongin voltaram ao quarto, aproximando-se de Kyungsoo que continuava acordado, mas dessa vez com uma expressão triste. 

- É bom vê-lo vivo, Senhor Do. - o médico falou, sorrindo. - Você teve muito sorte, poderia ter morrido. Estamos felizes por você ter conseguido sobreviver, seu acidente nos lembrou bastante do de Ayrton Senna, o piloto brasileiro, sabe quem é? Só que ele acabou morrendo, infelizmente. 

- É lógico que eu sei quem ele é, quem você pensa que eu sou?  

- Um piloto de sorte. - sorriu. - Ficamos felizes. - repetiu. - Mas enfim, como esta se sentindo agora? Com dores? 

- Sim, muitas dores. - o encarou. - Mas eu sou um cara que não consegue ficar muito tempo parado em um lugar só, ainda mais em uma cama de hospital.  

- Infelizmente preciso lhe dizer que vai ficar alguns dias no hospital, até se recuperar o suficiente.  

- Tudo bem, parece que eu... Vou ter que me acostumar com isso... - suspirou. - Doutor, eu... Você... Ah, eu não... 

Kyungsoo levou a mão ao rosto, tentando o tampar, e Jongin percebeu que seus olhos lacrimejavam, mas ele respirou fundo e as engoliu com muito orgulho, como sempre fazia. 

- O que houve, hyung? 

- Esta sentindo algo estranho? - questionou o médico. 

- Sim. - murmurou baixo, e seu olhar cairia até o chão se não estivesse deitado e com o pescoço mobilizado. - Eu... Eu... - suspirou de novo, como se estivesse tentando se acalmar e reforçar sua coragem. 

- Pode dizer, é melhor dizer. - incentivou o doutor. - Assim podemos te ajudar. 

- Eu não consigo mover as minhas pernas. - disse, ainda com um murmúrio baixo. 

Jongin abriu levemente a boca e sua respiração se prendeu novamente, e sentiu que foi por mais tempo dessa vez. Quando soltou o ar, ele suspirou, encarou as pernas de Kyungsoo cobertas pelo lençol e depois para seu rosto, mas o Do olhava fixo para o teto, de modo sério, sem querer contato visual com ninguém. 

- Você não as sente? - o médico se aproximou e tocou na perna do piloto, apertando-a da coxa até o pé. - Eu estou te tocando, não sente nada? 

- Não, já te falei, não sinto nada. 

- Okay, vamos fazer alguns exames. Não se desespere, Senhor Do. - virou-se para o moreno. - Vou buscar alguns enfermeiros para o levarem, você pode voltar a esperar lá na recepção.  

O Kim assentiu com a cabeça e o doutor se afastou dele, saindo pela porta. 

Jongin voltou a olhar para o amigo, mas ele continuava na mesma posição, sério e olhando fixo para o teto, sem expressão nenhuma. 

- Hyung... - o chamou. - Você vai ficar bem, eu prometo.  

Kyungsoo riu, uma risada seca e forçada. 

- Vai embora, Jongin. - disse apenas isso, ainda sem encara-lo. 

O Kim não foi, em vez disso ele se aproximou e segurou na mão alva, ainda o observando de modo atento e carinhoso, como sempre foi, só que dessa vez estava mais. O pequeno desviou o olhar, o encarando dessa vez, viu o olhar de Jongin sobre si e logo depois o sorriso do mesmo.  

Aquele sorriso.  

- Eu vou ficar do seu lado até que você me mande ir embora.  

- Se eu mando você ir embora, você nunca vai. Isso não adianta.  

- É porque no fundo eu sei que você não quer que eu vá. - sorriu. - Você não esta sozinho, hyung. Eu estou com você. 

Kyungsoo ficou em silêncio, desviou o olhar, encarando de novo o teto e logo depois fechando os olhos. 

Sua única resposta foi apertar forte a mão de Jongin que ainda segurava a sua, porque naquele momento, naqueles poucos segundos no hospital, a última coisa que o alvo queria era ficar sozinho. 

 

~  

 

Jongin deixou Kyungsoo com os médicos e enfermeiros e voltou para a sala de espera. 

Os fotógrafos e os jornalistas ainda estavam na frente do hospital, esperando alguma noticia, e não havia sinal de qualquer agente, secretário, colega ou amigo de Do Kyungsoo. Nada mudou. Só ele estava lá e só ele continuaria lá. 

Ele era realmente o único que gostava do piloto? 

- Jongin... - ouviu uma voz conhecida o chama-lo, e quando virou o rosto viu uma mulher mais velha, bonita para a idade e com roupas caras, correndo até ele com o rosto molhado. 

Ele se levantou e a recebeu de braços abertos quando o abraçou. 

É lógico que ele não era o único. 

Mães sempre amam seus filhos. 

- Olá, Senhora Do. - ele deu um sorriso desanimado, assim que ela parou de abraça-lo. - Não chore, esta tudo bem agora. 

- Como ele esta? O que aconteceu com ele? 

- Ele bateu o carro, na corrida... A Senhora viu? 

- Sim, eu estava assistindo, eu vi quando aconteceu. Peguei um jatinho e vim direto para cá, eu precisava ficar perto dele. Como ele esta? 

- Não corre mais risco de vida, ele esta bem. Só tem uma fratura no pescoço, alguns machucados fundos. Ele esta com vida, é o que importa. 

- Ah, que bom. - suspirou aliviada, levando a mão ao peito e enxugando o rosto, mesmo que seus olhos não parassem de soltar lágrimas. - Eu posso vê-lo? Ele esta acordado? 

- Não, ele foi fazer alguns exames agora. Vamos esperar um pouco. 

- Exames do que? É para ter certeza que ele esta bem? 

- Sim, isso também. - suspirou, desviando um pouco o olhar para conseguir contar a ela. - E também, não sei como dizer isso a você... Vai ter que ficar calma, não se desesperar. 

- O que? Porque? Não enrole, Jongin. Estou velha demais para essas coisas. 

- Ele acordou sem conseguir mover as pernas. - explicou rápido, para não deixa-la ainda mais desesperada. - Foi fazer exames por isso. 

- Quer dizer que... Ele virou paraplégico?  

- Não é certeza, mas eu acho que sim.  

A mulher fechou os olhos e voltou a chorar descontroladamente, então Jongin voltou a abraça-la e tentou consola-la, tentou pensar em algo para dizer, mas na real, o que diria que faria ela ficar melhor?  

Seu único filho ficou paraplégico. Não havia palavras de consolo para isso. Não naquele primeiro momento, não no primeiro choque. 

Quando ela se acalmou, o Kim foi pegar um copo de água com açúcar enquanto ela se sentava em uma das cadeiras da sala de espera. Acabou pegando um copinho de café para si também, e levou até onde estava anteriormente, sentando-se ao lado da Senhora Do. 

- Aqui esta... - ele entregou a água para ela, que enxugava pela milésima vez suas lágrimas.  

- Obrigada. - agradeceu, bebendo um gole. 

Jongin levou o café até a boca e bebeu, fazendo uma careta em seguida. A Senhora percebeu, o encarando de modo curioso. 

- Pensei que não gostasse de café. - disse, lembrando.  

- Eu não gosto. - concordou. - Eu só quero sentir algo amargo agora. Sabe quando você apenas quer sentir algo diferente? Só para amenizar um pouco a dor que você sente no peito. Alguns fumam, outros bebem... Eu ás vezes tomo café. O mais amargo deles.  

- Eu sei como é isso. - encostou-se na cadeira, fitando o chão. - Quando o pai de Kyungsoo morreu eu fiquei completamente perdida e confusa. Eu não sabia o que fazer. Eu comecei a fumar, se lembra? 

- Sim. 

- Eu tenho algumas recaídas ás vezes. Ele foi o grande amor da minha vida, sempre lembro-me dele quando possível. Mesmo eu tendo me casado de novo, ainda há uma consideração. 

- Eu sei que há, vocês eram um grande casal, uma grande família. Quando criança eu gostava do modo como eram unidos, e Kyungsoo realmente gostava dele... Foi uma coisa horrível... Tudo o que aconteceu... 

A Senhora Do encarou Jongin de cabeça baixa, não sabia se ele ainda sentia-se culpado pela morte de seu ex-marido, mesmo não sendo o culpado. Mas ela notou que aquele tipo de conversa o afetava. 

Talvez estivesse sensível tanto quanto ela. 

- E os seus pais? Faz algum tempo que eu não ouço noticias deles. - perguntou, mudando de assunto e voltando a beber sua água. 

- Ah, eles estão bem. - sorriu. - Minha mãe mora na cidade, junto com a namorada dela, eu a vejo mais do que o meu pai. Ele ainda mora na nossa antiga cidade, mas eu ainda tenho contato com ele.  

- Isso é bom. - sorriu de volta. - Sinto falta de conversar com a sua mãe, ela era uma boa amiga. 

- Ela também sente.  

Os dois suspiraram e ficaram alguns segundos em silêncio, ás vezes encaravam os médicos que passavam a espera por respostas, outras encaravam o chão de frustração. 

- Ele vai superar isso. - Jongin falou de repente, voltando a falar sobre o amigo. - Igual vocês superaram a morte do Senhor Do.  

- Eu sei. 

- Ele é forte. - a encarou, sorrindo. - Eu sei que ele vai superar isso, ele não desiste fácil. Ele é a pessoa mais forte e determinada que eu conheço. Vai passar por isso melhor do que todo mundo. Eu confio nele.  

- Sim, meu menino é forte. Nós temos que ficar felizes por ele estar vivo, é o que importa. - sorriu. - Talvez isso ajude ele a mudar um pouco seus comportamentos egocêntricos. 

- Talvez. - concordou. - Talvez isso o ajude a pensar mais nos outros. 

- Eu só me sinto mal porque... Ele vai sentir, vai sentir muito. A mobilização das pernas, não vai ser fácil. Você o conhece, Jongin, é difícil deixa-lo parado em um só lugar por muito tempo. Ele gosta de movimento, sempre gostou. 

- Eu sei, ele era tímido quando era criança, mas mesmo assim era agitado. Estava sempre querendo fazer algo novo.  

- Ás vezes ele corria pela casa com os seus brinquedos, depois vocês dois faziam isso.  

- Eu nunca conseguia acompanha-lo. - deu risada. - Ele era tão rápido. 

- É. - suspirou. - Ele também sempre gostou de velocidade. Nos brinquedos de parque, até no carro. Ele sempre queria ir mais rápido.  

- Faz muito sentido ver o porque ele se tornou um piloto de corrida. Ele virou o que deveria virar mesmo. Eu achava exagero na época, mas ele realmente nasceu para isso.  

- Eu tento tanto orgulho dele, Jongin. O pai dele também teria. Ele se esforçou muito para chegar onde chegou, para vencer, para ser tudo isso que ele virou hoje.   

- Eu sei, eu o acompanhei por todo esse tempo também. Eu vi de perto, como vocês. 

O moreno também tinha orgulho do melhor amigo, torcia por ele em todas as corridas e ficava realmente feliz ao ver que todos os seus esforços valeram a pena, que ele fazia o que gostava, mesmo que correr era a única coisa que ele gostava sem ser dele mesmo. 

O Kim ficava tão feliz por ele, mas ele nunca enxergava isso.  

A única coisa que sempre enxergou desde que ganhou o primeiro lugar era a sua fama e o seu dinheiro aumentando cada vez mais. Como se fosse só o que importava. 

Segurando seu copo vazio de café, se perguntou se a mulher ao seu lado também sentia falta do que ele era antes. Daquele antigo Kyungsoo que sorria mais e era mais gentil com as pessoas, que as ouvia e tentava as entender.  

Aquele que Jongin amava. 

- Mas o que vai ser agora? - questionou a mulher, com a voz fraca. - O que vai ser dele sem poder fazer a única coisa que ele ama? Correr.  

- Eu não sei. - respondeu, sinceramente. 

- Obrigada, Jongin. - ela virou-se para ele, segurando na mão do garoto. - Obrigada por estar ao lado dele por tanto tempo, eu acho que ele estaria ainda mais perdido na vida se não fosse por você. 

- Ele é o meu melhor amigo, ficar ao lado dele é o mínimo que eu possa fazer. 

- Mas você tem a sua vida também. Só que sempre quando eu o vejo, você esta com ele, fazendo coisas por ele. Nunca o vejo fazendo coisas por você.  

- A minha vida é ele. É por isso. - disse. - Se ele tivesse morrido hoje, então eu não teria mais razões para viver também. 

A Senhora o encarou séria, com os olhos marejados, e quando as lágrimas voltaram a cair, ela as limpou e suspirou fundo. 

- Eu fiquei feliz quando soube... Quando vocês dois se beijaram pela primeira vez. Eu sempre achei que você era o único na qual ele se importava quando era adolescente, e, ás vezes, eu acho que você ainda é o único na qual ele se importa.  

- Eu não acho mais que seja assim. 

- Eu acho que é, mesmo com todo aquele jeito dele de afastar as pessoas.  

- Você é a única que ele realmente ama. 

- Você já se declarou para ele? 

Jongin sorriu. 

- Nós não passaremos de amigos. Na verdade, cada dia que passa a gente se afasta cada vez mais. É estranho, porque, quanto mais próximo eu tento ficar dele, mais a gente se afasta. É o que eu sinto, as coisas não são mais como antes. 

- Se você for embora daquela casa, ele vai ficar perdido, ainda mais agora. Você não pode deixa-lo.  

- Eu não vou deixa-lo. - disse firme. - Nem agora, nem nunca. 

Kyungsoo ainda era a coisa mais importante da vida dele, e quase havia o perdido, diante de seus olhos. Havia desistido da segunda chance, de suas esperanças, de ser correspondido.  

O alvo já havia recusado seu amor. Porém, Jongin continuaria ali. Até que o outro o mandasse embora. 

Até o momento que não exista mais nada. 

Nem amor ou amizade, nem vida e nem mundo. 

- Kim Jongin? - a voz do médico entrou de novo em seus ouvidos, então virou-se para ele e levantou-se rapidamente. 

- Já fizeram os exames? Quais os resultados? - perguntou, com pressa. 

- Você é a mãe dele? - questionou o mais velho, observando a mulher se aproximar curiosa e com os olhos vermelhos. 

- Sim, eu posso vê-lo? 

- Venham comigo. 

De novo o médico os levou pelos corredores do hospital, o elevador e por várias e várias portas até chegar no quarto do piloto. 

Quando entraram, finalmente, a mãe sorriu ao ver o único filho bem, e se aproximou quase correndo de sua cama, segurando logo em sua mão. Kyungsoo lhe deu um sorriso desanimado, sem muito ânimo. Dessa vez, levantaram um pouco a cama para ele, deixando-o meio sentado, apenas para que sua principal visão não fosse o teto, para que pudesse olhar para frente. 

- Como esta se sentindo, meu querido? Esta bem? - ela tocou em seu rosto, fazendo um carinho. - Eu fiquei tão preocupada com você.  

- Eu estou bem. - disse. - Não deveria ter vindo, estraguei a sua viagem. 

- Não seja bobo. Eu já fui para a Europa antes, e você é mais importante do que qualquer viagem. Eu estou tão contente de que você esteja vivo e bem. - sorriu. - Não parei de rezar por você no caminho todo, até o hospital.  

- Obrigado, mãe.  

- O que aconteceu para você bater o carro? Isso nunca aconteceu, você dirige tão bem, até na chuva.  

- Eu... Me distraí. - murmurou. 

- Mas você não estava indo bem desde que a partida começou. Eu assisti a maioria das suas corridas até hoje, você não estava indo como sempre vai. Estava bem atrás dos outros, quase em último. Alguma coisa estava te incomodando? 

- Não, mãe. - suspirou. - Por favor, eu não quero falar sobre isso. 

- É verdade, é verdade. Me desculpe. - acariciou seus cabelos, sorrindo. 

- Acidentes acontecem. - o médico se intrometeu. - O que importa é que ele saiu com vida.  

- Quantas vezes você vai repetir isso? - questionou o Do. - Eu já entendi que eu poderia ter morrido, não precisa ficar repetindo. É pra me fazer sentir melhor? Não esta ajudando. 

- Fique calmo, querido. - a mulher pediu, virando-se para o médico mas ainda segurando a mão do filho. - E os exames que fez nele? Quais foram os resultados?  

- Então... - ele suspirou fundo, antes de começar a falar. - O paciente acordou sem sensibilidade nas pernas, então fizemos alguns exames para ver exatamente onde foi a sua lesão. O Do Kyungsoo teve uma lesão medular na lombar, o que fez perder o movimento dos seus membros inferiores. A sorte dele foi exatamente por ter sido uma parte baixa da coluna vertebral, o que causou a paraplegia incompleta.  

- Paraplegia incompleta? - perguntou o Kim, curioso. - O que significa? 

- Significa que é uma paraplegia reversível. Ele pode voltar a andar, não vai precisar andar de cadeira de rodas para o resto da vida.  

- Jura? - A Senhora Do sorriu e suspirou, aliviada, segurando forte a mão do filho. - Isso é tão bom, tão bom. 

- Isso é ótimo. - o doutor sorriu. - Mas ele tem que se empenhar, não vai ser fácil. Vai te que fazer fisioterapia acompanhado de médicos, enfermeiros e nutricionistas. Terá que fazer muitos exercícios, todos os dias, e ter força de vontade. Com a junção de tudo isso, poderá voltar a andar quase 100% como antes. 

- QUASE 100%? - questionou Kyungsoo, sério. - Quase? Porque quase? 

- A recuperação é de cada pessoa, depende de seu esforço e do tempo, não há como saber o resultado no final. No entanto, depois dessa lesão, seus reflexos vão ser muito lentos... Você não conseguirá andar a grandes distancias ou até mesmo correr. Suas pernas vão ser mais fracas do que eram, podem doer se colocar muito esforço ou força nelas, você talvez deverá ter que usar uma bengala para se apoiar, coisas desse tipo.  

- E correr? Na corrida? Não vai ser possível?  

- Eu acredito que não, Senhor Do, eu sinto muito. Acredito que tem que ter reflexos rápidos... É como dirigir, se pessoas como nós dirigimos por uma distância longa e por muito tempo, começa a cansar, por causa da concentração e tudo mais. Em uma corrida de F1 o tempo é bem grande e você nunca para, seria esforço demais para as suas pernas, tensão demais. Mesmo que fique sentado o tempo todo, você usa seus pés para pisar no freio e no acelerador. Conseguir ter os mesmos reflexos que tinha antes nos seus pés depois do acidente vai ser um milagre. Eu sinto muito. 

- E quando ele pode começar a fazer a fisioterapia? - questionou a mãe. 

- Assim que receber alta no hospital, já poderá fazer. Não demorará muito, até porque não podemos demorar para começar, quanto mais demorar, mas sua recuperação vai ser lenta. - suspirou. - Eu vou dar privacidade para vocês, me chamem se precisarem de algo. 

Eles assentiram e então o médico saiu.  

A Senhora Do acariciou o filho mais um vez, só que em silêncio, respeitando-o naquele momento. 

Jongin o observou e se aproximou, pelo outro lado da cama, e viu os olhos do amigo fitarem de um modo focado a porta do quarto, ficando por mais tempo aberto do que deveria. Ele mal piscava e suas mãos tremiam, mesmo que conscientemente não movia um músculo sequer.  

Parecia paralisado, de choque, medo, raiva. 

O Kim não conseguia decifrar, parecia que a cada segundo que olhava para ele, pudesse sentir sua tristeza o preenchendo aos poucos, pudesse ver ele caindo, se quebrando.  

Ele não parecia mais forte como sempre era, agora parecia fraco e quebrável. 

- Hyung... - começou a falar. - Eu estou feliz porque mesmo depois disso você vai conseguir se reerguer de novo, vai ser uma grande vitória, assim como muitas que você teve. Muitos vão torcer por você, vão ficar felizes também. Você vai conseguir, eu tenho certeza, se teve sorte até aqui, vai continuar tendo.  

- Você esta feliz por mim? - o encarou. - Você gostaria de ter a minha sorte então? Gostaria de estar aqui no meu lugar? Quer trocar? Do que esta falando? 

- Eu só estou tentando te animar.  

- Me animar? Você é péssimo, você não serve nem para isso. Acha que eu me importo se os outros vão estar felizes com a minha "sorte"? Realmente acha... Sinceramente, Jongin, você tem noção do que a minha vida se transformou agora? Porque vocês continuam dizendo que eu tive sorte? Esta tentando se gabar porque seu pesadelo virou realidade e eu não acreditei nele? 

- Não, não é isso... 

- Eu perdi a coisa que eu mais amo nessa vida inteira. Eu perdi. - suspirou, desviando o olhar. - Então faça algo de útil alguma vez e saia desse quarto... Vá... Vai embora...  

- Querido... Ele só quer te ajudar - sua mãe tocou em seu braço, mas ele fugiu de seu toque, empurrando a mão dela que ainda segurava a sua. 

- Vai embora você também... Eu quero ficar sozinho.  

Jongin suspirou e se afastou sem dizer nada, saindo do quarto logo depois, e a Senhora Do o seguiu, aceitando o pedido do alvo de ficar sozinho. 

Lá fora, eles não falaram nada, nem sobre o estado de Kyungsoo e nem sobre seu comportamento. 

E, lá dentro, assim que a porta foi fechada, o Do colocou suas duas mãos no rosto e começou a chorar. Chorou o mais baixo possível, para que ninguém ouvisse, tampando seu rosto para que os soluços não fossem tão altos. 

Chorou pelo seu acidente, pelo estado em que estavam suas pernas e por tudo. 

Mas chorou principalmente porque havia perdido a coisa mais importante de sua vida.  

Correr. 

Kyungsoo nunca mais poderia praticar o hobbie que tanto amava, nunca mais entraria em um carro de corrida, nunca mais sentiria aquela adrenalina ou até mesmo a felicidade de subir no pódio e levantar o troféu. Tudo isso não seria mais possível. 

O arrepio que sentia em sua pela ao dar as voltas pela pista, a felicidade e tensão que era ao correr na chuva, porque por mais perigoso que sempre era, ele adorava.  

Ele adorava a adrenalina. 

Ele amava a velocidade. Amava a velocidade mais do que qualquer coisa, mais talvez até do que ele próprio.  

Amava se movimentar para lá e para cá, amava nunca gostar de ficar parado. 

Porém, agora, ele não iria mais poder se mover sem a ajuda de alguém. Agora ele era só um deficiente, fadado a ser dependente, fadado a ser esquecido e ignorado. 

E fadado a nunca mais correr. 

- Desculpa, pai... Eu falhei com você... - resmungou baixinho, com os olhos transbordando. - Eu não vou poder ganhar mais nenhum troféu por você. Eu perdi. 

Sentia-se arrancado de si mesmo, esmagado, pisoteado por uma manada de frustração e desespero. Em meio aos destroços de seus próprios sonhos quebrados. Em meio a suas lágrimas, a sua tristeza e a sua dor.  

Era como se tudo o que tivesse conquistado e se esforçado para conseguir tivesse chegado ao fim, mas ele era obrigado a continuar vivendo. 

Onde estava sua sorte? 

Naquele momento, ele preferia a morte.

 

 

 

 

Eu quero respirar, eu não gosto dessa noite 

Eu quero acordar, eu não gosto de estar em meus sonhos 

Eu estou preso dentro da minha própria mente, então estou morrendo 

Não quero ser sozinho 

Só quero ser seu 

Save Me - BTS


Notas Finais


Então é isso ae ~
O que vcs fariam se descobrissem que são incapazes de continuar fazendo a coisa que mais amam? Eu não sei o que eu faria se eu nunca mais pudesse escrever ou ouvir música

Enfim, gostaram do cap? :3
Comentem o que acharam, por favor <3

Até a próxima ^^


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