História Hurt - Capítulo 1


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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones)
Personagens Jaime Lannister, Sansa Stark
Tags Ao3 Br, Game Of Thrones, Jaime Lannister, Jainsa, Sansa Stark, Tudo Culpa Da Paola
Visualizações 60
Palavras 2.201
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olha só quem está postando em GoT de novo? Exatamentchy! <3
Ah, Jaime e Sansa... foi o primeiro par que eu shippei fervorosamente e fiz fic. Foi a minha primeira fic lá no Nyah na minha antiga conta e como eu ainda amo esse par. Foi a partir deles que eu, como Argella Storm na época, consegui começar a deixar a minha marquinha :3
É tão bom estar de volta e escrever sobre eles novamente <3
Sem mais delongas, apresento-lhes Hurt :3
Apreciem a leitura!

Capítulo 1 - 1


Hurt – Nine Inch Nails/Johnny Cash

Tinha nascido no quarto ano do casamento dos seus pais, o terceiro depois do fim da Guerra do Usurpador. Em Winterfell não se falava sobre a Rebelião de Robert abertamente, ele era o rei no fim das contas e não poderiam falar coisas assim sobre ele. A sua Casa havia sofrido perdas: o seu pai havia perdido dois irmãos e o pai na disputa. O seu avô foi cozido na própria armadura, o seu tio Brandon tinha sido enforcado enquanto buscava pela própria espada para libertar o pai e a sua tia Lyanna... o seu nunca falava dela, era um mistério e divagava sobre ela te fugido apaixonada pelo Príncipe Rhaegar. A sua mãe não falava muito sobre tudo, só dizia que o seu pai havia voltado com Jon.

Havia pompa e circunstância na sua criação, a senhora perfeita. Há tempos isso começou a cansar a sua cabeça, mas o sacrifício precisava ser feito.

I hurt myself today to see that I still feel. Constantemente se lembrava de como era o Norte. O branco da neve de verão, os Jardins de Vidro de Winterfell, a Festa da Colheita, os poucos banquetes que o seu pai ofereceu em honra a terceiros. Tudo isso estava distante e tão perto ao mesmo tempo, parecia que havia sido há tanto tempo, mas não havia passado dois anos. À medida que amadurecia, mais endurecia no seu coração as mentiras que estava se acostumando a contar, principalmente aquelas que gostaria nunca mais de dizer.

Parecia generoso que a Rainha Regente tivesse lhe disponibilizado Shae como a sua aia permanente depois que da Batalha da Água Negra, mas era só um modo de manter as duas sob vigilância.

Os ânimos andaram bastante calorosos na Fortaleza Vermelha desde que a comitiva Tyrell chegou, também. Todos queriam paparicá-los pois sem eles não haveria como Porto Real ser salva do saque de Stannis Baratheon. A sua mãe dizia que a armadura de uma mulher era a sua cortesia. Sentia como se isso estivesse se encrostando na sua pele a fazendo se tornar um cavaleiro por conta do aço que a estava contaminando.

Mindinho havia conseguido minar toda e qualquer chance que teria de ir embora ao ser colocada de lado por Joffrey em favor de Margaery Tyrell. Ele disse que daria um jeito para que saísse ilesa da Capital, mas não acreditava mais nas palavras das pessoas de Porto Real depois do acontecido com o seu pai.

As suas costas ainda ardiam desde a última vez que Joffrey mandou a Guarda Real lhe marcar. Shae havia dito que as manchas já estavam esverdeadas, logo desapareceriam. Na sua alma aquilo não sumiria fácil. Era uma prisioneira, uma cativa. A cativa mais importante que eles tinham já que Robb ainda não havia chegou por ela. Queria imaginar que ele a resgataria, mas isso parecia ainda mais distante agora.

Havia recebido o convite das mulheres Tyrell para o que Shae escarnicou como momento adorável entre senhoras westerosi. Ainda estava se acostumando com os modos dela pois para ela as pessoas da Campina tinham um senso de humor peculiar. Não entendia dessas coisas, mas sabia que no fundo ela queria protege-la, podia ver nos olhos dela.

Não se casar mais com Joffrey lhe trouxe alívio, mas saberia na cama de quem poderia ser posta. Era tolice imaginar que não acabaria na cama do próprio Joffrey. Só queria que esse pesadelo que atormentava a sua mente dia e noite finalmente se acabasse.

Everyone I know goes away in the end. Gostava de se sentar à beira do cais, observar os navios e criar histórias para eles. A realidade era sempre frustrante, sombria e chata, não adiantava que existisse se não poderia compactuar com ela.

Já sabia da nova notícia, a de que sor Jaime Lannister estava entre eles novamente. Com uma mão faltando, a da espada. Diziam que ele havia retornado quebrado, diferente. De um momento para o outro havia deixado de ser o centro das fofocas sobre quando daria ao rei o primeiro bastardo. Pelo que soube por Shae, sor Jaime havia se trancado na Torre da Espada Branca e lá estava permanecendo desde que chegou, recusando toda e qualquer interação com o mundo exterior. Com isso tinha pelo menos algo em comum com alguém daquele lugar.

Poderia se dizer ansiosa por encontrar as mulheres Tyrell no dia seguinte, não sabia o que esperar do encontro. Quais perguntas lhe seriam feitas? Poderia ou deveria mentir? A sua presença era realmente requerida?

Não quis que Shae escovasse os seus cabelos, essa noite preferiu fazer isso sozinha já que assim poderia ocupar as mãos e os pensamentos ao mesmo tempo. A noite estava quente e jurava que conseguia sentir o sal da maresia chegando à sua pele, mas sabia que isso era mais um devaneio para lhe manter afastada do que a realidade poderia lhe proporcionar. Na torre mais alta da Fortaleza de Maegor era onde pertencia no momento.

If I could start again a million miles away, I would keep myself, I would find a way. Gostava de ver os navios no cais com Shae, imaginar as histórias que cada um deles carregava. Mais cedo nesse dia tinha visto um com as velas azuis e um brasão que nunca havia visto. Gostaria de poder dizer que era de algum senhor importante, inteligente e generoso, tão amável que se apaixonaria e suplicaria ao rei para leva-la dali; se o rei não abençoasse a união dos dois, fugiriam pois é isso que os apaixonados fazem. Ou deveriam fazer. Ele a levaria para longe dali, não importava mais se era para casa. Robb não havia ido ao seu resgate ainda, não havia mandado um refém para trocar de lugar. Começava a pensar que talvez devesse mesmo permanecer em Porto Real como penitência por ter matado o seu pai por sua língua e seus sonhos de criança de verão.

A vida não era uma canção, a vida nas canções não se parecia com o que estava vivendo. Se arrependia, mas agora já era tarde demais para pensar em qualquer coisa. Se machucava propositalmente pensando em como a sua vida teria sido diferente se nada tivesse acontecido, se nunca tivesse deixado Winterfell.

Queria não ter deixado Winterfell, o seu lar. Tudo de ruim foi para lá com Robert Baratheon e agora estava debaixo das patas de leões por um capricho seu.

Saiu de perto da janela, bebeu um gole do leite que estava na taça que descansava na mesinha. Sabia do ingrediente secreto de Shae para que pudesse ter uma noite de sono tranquila e não era somente mel. Bebeu o resto porque sabia que leite de papoula nunca seria demais naquele lugar. Se deitou na cama e afofou o travesseiro, se cobriu com o lençol de linho fino e deixou que fosse levada para um mundo que era somente seu e sem afeto a sua realidade distorcida.

Quando acordasse retornaria, sabia disso, mas assim poderia esquecer por algumas horas o quão cansativo estar dentro desse mundo lhe consumia as energias.

[...]

I will let you down, I will make you hurt. Jaime estava quebrado. Se ainda acreditasse em deuses, prontamente aceitaria o fato de que cortarem a sua mão de espada era uma punição por todos os seus crimes e pecados.

O seu pai havia mandado um servo para lhe banhar e fazer a sua barba, um criado para cuidar das suas roupas e refeições e Cersei ordenou que o recém-chegado Qyburn continuasse tomando conta da ferida no sei coto no braço direito apenas por birra a Pycelle. Partia do princípio que achava que ninguém o queria sozinho e ninguém deveria deixa-lo devanear por muito tempo já que homens quebrados fazem loucuras.

Só se sentia vivo quando estava no campo de batalha ou entre as pernas de Cersei. Não podia mais lutar, então estava meio morto a esse ponto.

Cersei o viu quebrado quando chegou, mão o reconheceu por estar sujo e maltrapilho. Ela o evitou, não quis vê-lo, mas quando o fez, apareceu com uma mão de ouro maciço e um sorriso debochado. Um adereço ridículo que só serviria para lembrar aos outros e a si mesmo o quanto era inútil um homem sem a mão de espada.

Inútil.

Tyrion o visitou diariamente durante a semana que ficou na Torre da Mão, sabia que ele queria ter certeza de que a sua cabeça continuava sã. Ele gastava inúmeras horas do dia na sua companhia e tentando retornar para o Pequeno Conselho já que era nisso que ele era bom, a espada dele era a mente e ele precisa se virar para não se quebrar.

Brienne não era tão ruim companhia e reconhecia que ela era um bom cavaleiro¹. Teria um bom reconhecimento por parte do seu pai por ter sido mantido vivo mesmo que acorrentado e depois sem uma mão. Sem uma mão a salvou do urso de Locke. Brienne merecia respeito pela jornada que enfrentaram juntos, a estrada até ali não havia sido fácil. Estava agradecido por isso, todo esse descobrimento.

E havia Sansa Stark presa em Porto Real. O seu irmão contou que ela não sabia o que acontecia fora das muralhas do castelo e que não deveria saber nunca. Fez a sua promessa a Catelyn Stark e teria que arranjar um jeito de cumpri-la custando o que custasse. Era um homem sem honra e sabia que devolver essa garota à sua mãe era a chance de fazer algo que não demandasse os seus talentos masculinos em lutas.

A promessa seria devolver as duas garotas Stark para Catelyn, ele era a troca: um homem adulto por duas garotinhas. Sansa Stark não era mais uma garotinha, o correto nesse caso seria um adulto por um adulto. Mesmo assim, pediria com cuidado que Brienne corre atrás da outra garota, uma menina como a pequena não deve ter ido muito longe, no máximo até as Terras Fluviais e não muito mais longe que isso.

Já fazia duas semanas que não recebia visitas. O seu aposento tinha tranca por dento e se isolou para o seu próprio bem, para não ver o nojo e a pena das pessoas ao ver o Regicida quebrado, não daria a eles o riso e chacota. Não mais do que já deveriam estar fazendo.

Olhava pela janela grande do seu aposento privado que a movimentação Tyrell na cidade parecia grande, Addam com certeza já teria conseguido arrastar alguma daquelas mulheres para a cama dele a essa altura. Tinha sido bom rever o amigo, ver que ele estava lutando do seu lado da guerra. Ele tinha se oferecido para lhe ajudar a treinar a mão esquerda, mas sabia que tipo de treinamento Addam preferia e não seria humilhado desse jeito, ele se vangloriaria que tinha derrotado o Regicida maneta. Ilyn Payne não diria nada.

O mormaço e o fedor lhe incomodavam mais que o habitual embora estivesse quase no topo da torre. Era Porto Real e daria tudo para ter sido levado de volta para o Rochedo, para casa.

Se deitou na sua cama e o calor não permitiu que se cobrisse. Com o esforço da sua agora única mão, afrouxou o cordão da camisa de linho e deixou o peitoral exposto. Não era mais o mesmo homem, sabia que não seria mais. O teto e os nomes de cada um dos Senhores Comandantes da Guarda Real nas paredes lhe estressavam mais ainda por causa do padrão: nunca antes houve um cavaleiro aleijado.

Havia algo que era deixado na porta do seu quarto todas as noites: um cálice com leite gelado e mel. Mel demais e leite de papoula, percebeu que era isso quando passou a dormir melhor. O vinho não estava mais lhe ajudando e o vinho o fazia lembrar de Cersei e em como ela o lembrou do que ele era agora.

What have I become, my sweetest friend? Estava meio morto, mas temia estar por completo em pouco tempo. Percebeu os olhares dela e odiava se sentir assim, inferior. Não era inferior e não deveria ser tratado como tal. Não era inferior, mas estava inferior por agora.

Começava a sentir o leite de papoula no seu leite com mel fazer efeito. A visão ficava um pouco turva, sabia que deveria estar sorrindo com mais facilidade, a quantidade não havia sido pouca nessa noite. Se assemelhava a um tolo por tomar leite de papoula e ficar desse jeito absorto.

Odiava admitir, mas a sua última chance de honra jazia na torre mais alta da Fortaleza de Maegor. A sua promessa o fez pensar e pensar nas últimas noites. Era estranho como sempre pensava no que disse a Catelyn, no que prometeu à mulher. Não pegaria mais em armas contra os Stark ou os Tully, devolveria as filhas dela.

A sua respiração cansada só afirmava que estava a ponto de adormecer pesadamente. Uma noite se sono sem acordar sentindo formigamentos em uma mão que nem estava mais lá era reconfortante.

Beneath the stains of time the feelings disappear. No dia seguinte tudo voltaria ao normal, voltaria a sentir o que sentia diariamente na sua mão-fantasma. Tudo sempre voltaria ao que era, mas não à sombra do que já foi um dia.


Notas Finais


Me deixem saber se gostaram <3


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