História Hydrogen - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Capitão América, Os Vingadores (The Avengers)
Personagens James Buchanan "Bucky" Barnes, Steve Rogers
Tags Steverogers, Wintersoldier
Visualizações 3
Palavras 1.741
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção, Ficção Científica
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - One


Não foi o bip recorrente que a acordou. Tampouco o cheiro mentolado que possuia o ambiente. O que a acordou fora a sensação do colchão sob seu corpo, era desconfortável e estava começando a formar gotículas de suor em suas costas. Era muito macio e nada próximo à sua realidade.

Em todos esses anos ninguém teve o cuidado de mantê-la em um ambiente limpo e ela nunca havia acordado sem estar algemada. As agulhas em sua pele e os diversos fios e tubos, no entanto eram familiares.

Ela abriu os olhos sendo ofuscada momentaneamente pela claridade e pelo ambiente irritantemente claro. Para quem estava acostumada a ambientes escuros aquilo era uma mudança palpável. Tudo naquele ambiente era claro e sem detalhes, nem mesmo um indicativo de onde ela estava. Pelo menos não era Hydra, pois se havia uma coisa que eles tinham orgulho era em expor o seu símbolo em todo lugar possível. Mas os moveis tinham um estilo diferente, assim como a cama de hospital que ela estava.

A porta se abriu a sobressaltando e uma mulher de branco entrou com um sorriso cauteloso. Um enfermeira.

-Você finalmente acordou, isso é ótimo. - ela disse fechando a porta e se aproximando ao pé da cama e pegando uma prancheta que estava presa ali. Ela olhou para a ocupante da cama com um olhar condescendente e disse - Está tudo bem, não precisa ficar apreensiva. Você está em boas mãos. Você pode me dizer seu nome?

A enfermeira esperou pacientemente até que sua paciente respondeu em o que podia ser passar por um sussurro.

-Evelin. Meu nome é Evelin.

-Ok Evelin. Sobrenome?

-Hensler.

-Certo. - a enfermeira murmurou escrevendo na prancheta e prosseguindo com as perguntas, erguendo seu olhar - Você sabe que dia é hoje?

O dia. Ela não tinha ideia de que dia era. Os últimos anos eram como uma confusão de acontecimentos e tudo era interposto, a deixando mais perdida a cada segundo. Testes, agulhas, procedimentoa... O monitor ao seu lado começou a emitir um bip mais frequente. Os nós dos dedos de Evelin estavam brancos pela força com que ela segurava o lençol entre seus dedos.

-Está tudo bem, você não precisa saber isso. - a enfermeira disse cautelosamente reposicionando a prancheta - Você se importa se eu me aproximar? Eu só preciso fazer uma rápida avaliação do seu estado.

Evelin assentiu minimamente ainda observando a enfermeira com cautela, mas ela cumpriu sua palavra levando pouco tempo e também a tocando o mínimo possível. As agulhas estavam fora de sua pele em seguida.

-Você parece estar bem. Suponho que você gostaria de poder tomar um banho. Você precisa de ajuda? - a enfermeira perguntou segurando uma bolsa não muito grande.

-Não. Eu posso fazer isso. - ela respondeu tirando o lençol de cima de si e escorregando as pernas pela lateral da cama, os pés encontrando o chão frio.

A enfermeira indicou a porta entreaberta que provavelmente seria o banheiro e entrou na frente, Evelin a seguindo. Assim como o quarto, o banheiro era branco, neutro e sem janela. A enfermeira colocou a bolsa sobre a pia do banheiro dizendo que estaria do lado se fora esperando e que ela levasse o tempo que precisasse.

Sobre a pia havia um espelho retangular ao qual Evelin parou diante. Olhando para si mesma naquele momento era quase como olhar para um desconhecido, ou reencontrar alguém que há muito não via.

As suas feições ainda eram as mesmas. O mesmo nariz reto, mesmos lábios proporcionais. A grande diferença estava em seus olhos cinzentos, outrora expressivos e brilhantes que agora estavam vazios. Vazios de expressão, sentimentos e assombrados.

Se olhos realmente eram a janela da alma, a de Evelin estava quebrada. Isso se ela ainda tivesse uma.

Não suportando olhar para si, Evelin dirigiu sua atenção à bolsa que a enfermeira havia deixado sobre a pia. Ela continha uma muda de roupa, incluindo peças íntimas, e sapatos ainda com suas etiquetas porém sem preço. Aparentemente eram todas do seu tamanho e ela não se surpreendeu com isso. Quem quer que tivesse providenciado as roupas sabia mais do que apenas o tamanho do seu sapato, isso ela tinha certeza. E quem quer que fosse tinha planos para ela, caso contrário ela estaria há muito morta.

Se livrando da camisola do hospital, ela abriu o chuveiro porem a água quente caiu seu corpo a fazendo recuar automaticamente para longe do jato. Ela sentiu um leve formigamento nos locais onde a água havia tocado, mas fora isso ela se sentia anestesiada. Todos aqueles banhos frios haviam tornado o calor da água desconfortável em sua pele e desde que a não havia nenhum indicativo de como mudar a temperatura ela teria que se esforçar.

Usando os produtos de higiene pessoal que estavam ao fundo da bolsa aos poucos qualquer resquício de sujeira desvaneceu em direção ao ralo. Evelin nunca havia se sentido tão limpa, fisicamente, em séculos.

Após se secar, evitando qualquer relance de si no espelho, ela vestiu as roupas que estavam separadas sendo que as mesmas serviram sem maiores problemas. O estilo das roupas eram diferentes ao que ela estava acostumada ainda que não houvesse nada de extraordinário sobre elas porém o tecido confortável de encontro à sua pele era uma sensação bem vinda.

A enfermeira esperava pacientemente quando Evelin saiu do banheiro trazendo consigo a bolsa que ela havia lhe dado.

-Aqui, você precisa assinar isto antes que eu lhe dê alta. - a enfermeira estendeu uma prancheta em direção à Evelin sem sequer titubear.

Evelin depositou a bolsa em uma cadeira próxima, mantendo certa distância da enfermeira e a olhando com cautela antes de aceitar o que a mulher lhe estendia.

Evelin Hensler. 26 anos. Alemã. B ... Todos os dados delas estavam ali, assim como informações sobre seu estado de saúde. Mas o que chamou a atenção foi a data. 2014. Não podia estar certa. Isso significaria que ela tinha 92 anos! Ela ergueu os olhos que estampavam confusão para a enfermeira que perguntou:

-Alguma pergunta?

-A data.

-Está logo no topo da página.

-Eu sei, mas... - ela começou a dizer porém sua voz morreu lentamente ao ponderar a respeito. Ela lidaria com isso. - Eu não tenho como pagar por isso. - Evelin disse notando o valor escrito à folha.

-A conta já está paga, por seu amigo. Ele está esperando no corredor. - Evelin franziu o cenho em direção à enfermeira que permanecia imperturbável - Ele não se identificou, mas assumo que ele seja seu amigo. Ele a trouxe aqui e também tinha seus documentos.

Amigo. Ela não tinha nenhum amigo. Não mais. Todos estavam mortos.

-Vou pedi-lo para entrar. - a enfermeira disse pegando a prancheta das mãos de Evelin que havia inconscientemente assinado o documento e piscou diversas vezes para recobrar o foco.

Ela esperou, sozinha, antecipando o momento em que tudo aquilo se desfizesse e homens armados da Hydra entrassem e a levassem de volta à sua cela. Ou então as pessoas que estavam atacando a base viessem acabar com ela. Ou prendê-la por ter matado aquelas pessoas. Não, não pessoas. Aqueles monstros.

Mas eles não vieram.

O homem que veio até ela não estava armado e muito menos carregava uma arma. Mas sua compleição deixava claro que ele não precisava de arma para ser perigoso. E ele era um soldado. Ela poderia reconhecer um à metros de distância pela forma como se portavam. Seus instintos gritavam para que ela saísse dali, mas a única saída era passando por ele e ela não sabia se seria capaz de fazê - lo.

O estranho a fitou com seus impossíveis olhos azuis seriamente, entrando no ambiente com uma pasta bege sob seu braço. A mandíbula tensionada dava um ar grave à aquele rosto perfeito. Ele ergueu sua mão e Evelin se encolheu minimamente esperando por algum ato ofensivo, e naquele momento algo pareceu se suavizar na expressão do desconhecido. Ela estava assustada.

-Você fala meu idioma? - ele perguntou em inglês, a pegando de surpresa. Ela entendia. Faziam anos desde a última vez, mas ela conseguia entender sem problemas o idioma.

-Sim, eu falo. - ela disse hesitante e com um sotaque forte. - Quem é você?

-Um amigo. Eu quero ajudar você. - ele disse com sinceridade, a mão indo lentamente até a pasta e a estendendo à frente de seu corpo - Acho que isso pertence à você.

Ela olhou com curiosidade a pasta. Era grande o suficiente para conter várias folhas. Ela se aproximou lentamente, sem tirar os olhos do homem e pegou a pasta, recuando rapidamente em seguida. Quando ele não deu sinal de que se moveria, Evelin arriscou dar atenção à pasta.

Cada dia de sua vida. Cada momento estava escrito naquelas páginas levemente amareladas pelo tempo. Cada teste. Cada procedimento. Todos os resultados. Algumas fotos anexadas a mostravam em diversos estágios. Evelin fechou aquela pasta com força, reprimindo as memórias dolorosas.

-Como você conseguiu isso? - ela perguntou com o mandíbula retesada, sentindo o gosto amargo em sua boca.

-Estava naquela sala onde você... - o olhar que ele a lançou completou sua sentença. A sala onde ela havia matado aquelas pessoas.

Evelin desviou os olhos para o chão, o peso de suas ações sobre si. Ela era uma assassina. Que bom que seu pai não estava vivo para ver o que ela havia se tornado ou ele morreria de desgosto.

-Por que? - o homem recobrou a atenção de Evelin que o fitou sem entender - Por que você não me matou como fez com eles? Por que me poupar?

-Eu... - como ela poderia matá - lo se acabara de o conhecer? E como...? É claro. O homem como o escudo. - Eu não sei. Eu apenas senti que era o certo a se fazer.

-Bem, eu fico grato por isso. - ele exibiu um sorriso perfeitamente alinhado e branco. - Você deve ter muitas perguntas. Por que não vem comigo? Nós comemos alguma coisa e eu vejo o que posso lhe esclarecer.

Respostas e comida. Duas coisas que ela não lembrava a última vez que tivera um contato decente. E que escolha ela tinha? Ela não tinha um propósito, nem aonde ir. O mundo poderia muito bem estar totalmente diferente daquele que ela conhecia fora daquelas paredes, especialmente se tivessem se passado tantos anos. A melhor opção (e única) seria estar em companhia de um completo estranho que sabia tudo a seu respeito, contido naquela pasta, e que prometera algumas respostas.

Evelin assentiu, concordando com a oferta.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...