História I - Lendas da Revolução - Capítulo 20


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bruxaria, Humanaxvampiro, Lobos, Romance, Vampiros
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Palavras 2.199
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, FemmeSlash, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 20 - 19


A vida pode ser ‘separada’ por grandes momentos, inícios de fases novas e mudanças impactantes. E Tyler podia listar alguns momentos. Em todos eles, havia alguém envolvido. Alguém que se tornaria importante na vida dele.

Tyler Grant tinha quinze anos, era o novo aluno daquela escola, quando estava atrasado para a aula de matemática e trombou violentamente com uma garota, os livros dos dois voaram e se espalharam pelo corredor. Os dois começaram a catar eles imediatamente, a garota pedindo desculpas várias vezes pela distração dela. Quase um começo clichê.

No mesmo dia, descobriram que tinham algumas aulas juntos e, naturalmente, Annie sentou perto dele. Logo descobriram que tinham uma lista de coisas em comum, como uma certa curiosidade aguçada sobre seres sobrenaturais relacionados à animais (como Lobos, os poucos vampiros que podiam se transformar em gatos ou morcegos, os metamorfos que se transformam em animais). Eles se tornaram amigos rapidamente.

Tyler tinha dezessete quando estava em uma loja de conveniência comprando cerveja e energético e viu a garota tentando alcançar enlatados em uma prateleira alta demais para que ela alcançasse. Então ele a ajudou, pegando a meia dúzia de legumes enlatados que ela queria comprar. Quando saíram da loja, Judy Saroyan deu a ele um número de telefone e uma promessa de um almoço algum dia.

Tyler tinha vinte anos quando pediu Judy para se casar com ele. Annie e o namorado dela (Tyler não gostava muito de Danilo Collins, mas ele não se meteria na vida da amiga se ela realmente queria o sobrenome do homem) estavam lá quando os dois assinaram a meia dúzia de papéis e Tyler passou a se chamar Saroyan. Alguns meses depois, Annie e Danilo se casaram. Quando tinha vinte e um, Tyler viu a amiga pela última vez (pelo menos pelos próximos anos).

Ele tinha vinte e três e meio quando Judy engravidou e tinha vinte e quatro quando Leonard nasceu, foi o dia mais feliz da sua vida. O garoto se parecia com a mãe, porém, tinha o mesmo olhar sempre carinhoso do pai (não que Judy não fosse carinhosa, mas ela costumava aparentar ser profissional demais na maior parte do tempo, quase fria, ela nunca foi boa em demostrar sentimentos). Quando tinha vinte e seis, em uma noite de nevasca, ele recebeu a notícia de que o avião onde Judy estava sofreu uma pane e nenhum passageiro sobreviveu à queda.

Então aprendeu a viver sozinho, a cuidar do filho e trabalhar. A ser o melhor pai que podia ser. Leonard era um bom garoto, ele cresceu rápido, ele aprendia rápido, era tão inteligente quando a mãe. Tinha a mesma curiosidade do pai. Quando ele tinha onze anos, Tyler deixou o garoto ir para um acampamento de verão e ele voltou de lá completamente apaixonado por Lobos, um pouco triste porque moravam em uma das poucas cidades onde 99% dos habitantes são humanos.

Quando Tyler tinha trinta e sete, em uma noite de outono, quando estava em sua poltrona, bebendo vinho e lendo, ele recebeu uma ligação. Era Annie, depois de dezesseis anos em puro silêncio, ela encontrou o número dele e ligou para ele quando era quase meia noite. Ela perguntou se ele ainda morava na grande casa perto de Hauberk, ele não conseguiu negar e nem perguntar o porquê. Então, três dias depois, ela apareceu na sua porta.

Não muito diferente de quando tinha vinte e um, só um tanto mais cansada e com algo diferente no olhar. Luto, tristeza, algo que fez Tyler desejar puxar ela para um abraço. Fez ele desejar pegar um cobertor, enrolar ela nele, dar um chocolate quente e assistir filmes infantis até que ela estivesse com um olhar mais alegre. Era o instinto protetor sem fim que ele tinha.

Ela não estava sozinha, estava com uma garotinha. A menina era pequena, pequena até para a idade que tinha (e ainda menos para ser uma alfa, mas ele só soube disso depois). Meio escondida atrás de Annie, as mãos segurando as costas do seu casaco enquanto ela parecia com medo de que Tyler machucasse ela. Pelo seu olhar, ela estava com medo de qualquer coisa (menos de Annie, Tyler não ainda não sabia, mas era só porque a mulher tirou a garota daquele caos), porém, também estava curiosa. Estava com olheiras, se destacavam na palidez quase doente. O cabelo claro estava bagunçado, ela parecia frágil.

Annie contou que se separou de Danilo (mas não mencionou a filha, Tyler só descobriu a existência da garota anos depois), contou que foi visitar um amigo (que Tyler descobriu que era amante dela quando soube de Duncan) e encontrou um caos de sangue. Ela encontrou a garota escondida e precisava de alguém que pudesse proteger ela, que pudesse cuidar dela do jeito que sabia que Tyler podia. Annie confiava no instinto protetor dele. Então, dois meses depois, a garota de nove anos era legalmente a sua filha.

Leonard ficou completamente louco porque era a junção de duas coisas que ele queria: uma irmã e uma amiga Loba (desde que voltou do acampamento de verão, ele queria isso). Por mais que ele soubesse o quanto ela era mais forte que ele, que poderia literalmente estraçalhar ele (se fosse uma época diferente, definitivamente ele seria o lanche dela), ele não resistia ao impulso de querer proteger ela de qualquer coisa que poderia ferir ela.

Naturalmente, Lyra tinha pesadelos. Ela não contava o que era, sobre o que era e nenhum dos dois pressionava. No começo, ela não deixava nenhum dos dois se aproximarem. Lentamente, ela deixou eles se aproximarem. Primeiro Tyler (provavelmente porque ele era maior, mais forte, e ela tinha menos medo de machucar ele do que machucar o garoto), depois Leonard. Na verdade, ela só deixou ele se aproximar em uma noite de inverno, dois anos depois de quando ela chegou. Estava nevando violentamente e os dois estavam sozinhos.

Ela acordou no meio da noite, os olhos brilhando e respirando rápido, os dedos enfiados no colchão (literalmente enfiados, com tanta força que eles estavam enterrados ali, o lençol rasgado pela força). Primeiro, ele ficou com um pouco de medo. Porém, ele ignorou o instinto que mandava ele se afastar e se aproximou dela.

Tyler chegou de manhã e encontrou os dois abraçados na cama, o garoto abraçando ela e Lyra com o rosto enfiado no peito dele. Foi quando Tyler percebeu que, naquele momento, eles finalmente eram realmente irmãos.

Um pouco depois, quando Tyler tinha quarenta anos, em uma tarde de verão, Leonard apareceu no seu escritório, puxando Lyra pela manga do casaco e segurando uma pulseira de prata entre o polegar e o indicador. O garoto tinha exatamente o mesmo instinto. Lyra era mais forte, mais rápida, afinal, ela era uma alfa, podia facilmente escapar, mas ele tinha um ímpeto de proteger que não desapareceria mesmo quando ela já fosse adulta. Tyler se livrou da pulseira e seu coração se quebrou quando Lyra olhou para ele com mais tristeza no olhar do que uma criança deveria ter.

Poucas semanas depois, ele ouviu os gritos no quarto, uma discussão entre os dois. A voz de Lyra estava diferente, o sotaque tão carregado quanto era quando ela saiu de Laos. O tom grave, quase um rosnado. A voz de Leonard estava diferente também, com medo permeando a raiva.

Quando Tyler chegou no quarto, um lobo branco do tamanho de um beta estava no meio do quarto, rosnando. Os olhos brilhando com uma raiva que fez Tyler se arrepiar. No canto do quarto, Leonard estava encolhido, a mão sobre o braço machucado. As marcas de dentes sangravam enquanto ele parecia tentar não parecer com medo ou com dor. Tyler não fazia ideia do que deveria fazer, mas sem realmente pensar, ele passou um braço ao redor do lobo e tentou puxar. Lyra voltou para sua forma humana, parecia tão pequena quanto no dia em que foi deixada com ela.

Ela olhou para os dois por alguns segundos antes de correr para fora, tão rápida que pareceu somente ser um borrão quando disparou para o quarto e bateu a porta atrás dela. Tyler se aproximou do filho, o sangue sujava o chão, a camisa e a calça dele. Levou o garoto para o hospital.

Leonard precisou de quatro pontos, um em cada ferida causada por um canino, os outros cortes se fechariam sozinhos. Enfaixaram seu braço, mandaram ele tomar um antibiótico por alguns dias e disseram que ficaria pequenas cicatrizes. O garoto estava preocupado com as marcas. Não porque seu braço não teria a pele perfeita, mas sim porque isso lembraria Lyra do quanto ela podia ser perigosa.

Lyra se trancou por dias, abrindo a porta por dois minutos depois que Tyler deixava um prato de comida na frente do seu quarto. Um dia, depois de três semanas, ela finalmente deixou Tyler entrar. Ele falou que Leonard não estava com medo, nem ele, que estavam preocupados. Eles tinham medo que ela fugisse, que decidisse ir para a floresta e nunca mais voltar. Então ela falou que lobos nunca abandonam aqueles com quem se importam, foi naquele dia em que ela o chamou de pai pela primeira vez.

Em uma manhã de verão quando tinha quarenta e três, ele descobriu que não, não estava tudo bem e que Lyra sabia bem demais fingir que ela estava bem. Estavam na garagem, limpando o lugar depois de quase dez anos que Tyler não mexia nas estantes para limpar. Lyra estava em cima do banco pegando uma caixa pesada quando a manga da camisa escorregou o suficiente para ele ver a faixa que estava ao redor do seu antebraço.

Com quinze anos, Lyra era comportada. Ela não se metia em brigas, ela era calma e calada. Ela tinha um pouco do ar arrogante, egoísta e besta que só se fortaleceu quando foi para a Universidade (e Tyler sabia que era uma máscara), mas isso não fazia ela ser uma má garota. Ela convivia com humanos, ela era, definitivamente, a loba mais humana que Tyler já conheceu. Ela raramente usava da força extra que tinha, da velocidade extra ou de qualquer ‘habilidade’ que tinha. Naquela idade, ela podia contar nos dedos quantas vezes ousou usar um pouco de qualquer um dos poderes de Alfa.

A única coisa lupina que ela costumava usar era os dentes. E os dentes que machucaram seu braço eram os delas. Depois de algumas tentativas, Tyler conseguiu a verdade:  não, ela não estava bem. E ela sentia que se machucasse a si, nunca machucaria outra pessoa.

Com um aperto no peito, Tyler mandou ela para um colégio interno depois que conversaram. Leonard não queria, ele queria mandar Lyra perto dele o tempo inteiro, mas a própria loba aceitou. A própria loba disse que talvez aquilo fosse o melhor que podiam fazer por ela.

Depois de quatro meses no colégio, uma da manhã de um sábado, Tyler recebeu a ligação. Viver entre outros lobos, entre vampiros, meio-demônios, seres sobrenaturais em geral, não ajudou Lyra a se controlar. Não ajudou ela a melhorar. Na verdade, depois de uma provocação particularmente cruel de meia dúzia de betas, ela perdeu o controle.

Perdeu completamente o controle. De um jeito que era raro, tão raro que a maioria das pessoas achava que não era nada mais do que uma lenda. Foram poucos minutos, mas lá estava ela: na forma bípedes de um lobo. A forma que deu origem à lenda dos lobisomens. Sobre duas pernas, os olhos vermelhos (não o azul brilhante) como sangue, todos os dentes afiados, grandes demais para que ela fechasse a boca, pelo menos dois metros de altura. Os pelos curtos deixando a pele visível, a pele meio humana esticada demais sobre os músculos poderosos.

Ela rosnou, era exatamente o monstro que todos morriam de medo. Os betas se ajoelharam, a cabeça abaixada e a nuca a mostra de um jeito que mostrava o quanto eram submissos a um lobo mais poderoso. Ela podia quebrar o pescoço de cada um dos lobos com uma mão, com um movimento leve do pulso. Ela podia matar todos os lobos daquele colégio se pudesse.

Antes que pensasse em voltar a sua forma humana, três vampiros já estavam atacando. Pulando sobre ela, enfiando suas presas cheias de veneno na carne firme. Tyler não foi chamado porque Lyra perdeu o controle, ele foi chamado porque ela estava no hospital. Presa na cama de hospital com um tubo enfiado no braço que estava limpando seu sangue de todo o veneno dos vampiros.

Quando ela acordou, dias depois, Tyler prometeu que estava tudo bem. E ele não deixou ela estudar fora até que ela decidiu ir para a Universidade. Na noite antes dela ir embora, Leonard foi para o seu quarto e escalou sua cama. Na manhã em que Tyler levaria a garota para a Universidade, ele encontrou os dois juntos, o garoto com as costas grudadas na parede, a cabeça deitada no peito da loba.

Tudo deu certo durante um anos e meio e então, em pouco tempo: ela foi punida por semanas na Unidade H, apanhou de um vampiro e agora estava em um sono amaldiçoado.

Tyler tinha quarenta e nove anos e precisava que Lyra acordasse.



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