História I - Lendas da Revolução - Capítulo 20


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bruxaria, Humanaxvampiro, Lobos, Romance, Vampiros
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Palavras 2.629
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, FemmeSlash, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 20 - 20


Lyra empurrou Molle com toda a força que ela tinha, fazendo a mulher praticamente voar por alguns metros. Ela passou os braços por baixo de Hayley, puxando ela para o seu colo. O sangue quente nos seus braços parecia queimar, arder como se ácido estivesse escorrendo da ferida em Hayley.

— Ei, não, não, não...

Lyra sentiu como se ela estivesse ali há uma eternidade, sentindo como o corpo de Hayley parecia ficar mais leve antes de desaparecer em pó. Porém, de um jeito diferente de quando Barbra desapareceu ou a sua família. Mais real, muito mais real.

O sangue quente nos seus braços fez ela gemer de dor, Lyra se encolheu, sentindo a dor esmagando o seu corpo lentamente. Enterrou os dedos na terra escura e dura, fria como se estivesse congelada. Seu breve momento de agonia foi ‘interrompido’ bruscamente pelo par de mãos em seu pescoço.

Suas costas bateram com força no chão, ela podia sentir as unhas da reitora se enfiando em sua pele, machucando e fazendo ela sufocar. Lyra deixou as garras crescerem lentamente, perfeitamente afiadas, então as enfiou no rosto da mulher. Cortando, rasgando, fazendo ela sangrar, gotas vermelhas caíram em seu gosto e Lyra sentiu o sabor metálico na sua boca.

Lyra deixou o velho instinto tomar conta do seu corpo, a sensação entrou em seu corpo como uma onda de calor devastador e doloroso que parecia derreter ela por dentro. Era como seu corpo estivesse a explodir, o que não era muito longe do que parecia acontecer.

Ela empurrou Molle com força e pulou sobre ela, já em sua forma de quatro patas, rosnando com os dentes afiados sedentos por sangue e carne. Suas garras se afundaram nos ombros dela, esmagando as clavículas e fazendo ela gritar.

Não era um mundo real, não era uma pessoa real sob as suas patas (mas se ela se entregasse ao lobo, faria o mesmo com a versão real daquela mulher), então Lyra não se controlou. Não tentou fugir ou negar o instinto que ela mantinha guardado no fundo da sua mente durante todo o tempo.

Suas presas se afundaram facilmente na pele sensível do pescoço, arrebentando a jugular e fazendo uma boa quantidade de sangue inundar a sua boca. O líquido quente foi como uma espécie de alívio quando escorregou pela sua garganta. Ela puxou, arrancando pele e carne.

Ela não pretendia parar.

Toda a sua raiva, todo o instinto reprimido, o lobo preso por tantos anos, era tudo impossível de se parar. De se lutar contra. Sua mente estava ‘vazia’ enquanto seu corpo se movia. As garras rasgando o tecido e a pele, as presas arrancando pedaços de pele. Mastigando, engolindo, se alimentando devagar da carne da mulher tão odiada.

Ela lidaria com aquilo depois, quando acordasse.

Quando despertasse, quando voltasse a sua consciente, quando pudesse pensar novamente com clareza. Com toda a culpa sem fim, com a raiva reprimida, onde todo o seu passado pesava sobre ela. Como a esmagava lenta e cruelmente todos os dias, quando parava por um minuto de pensar em coisas aleatórias.

Ela lidaria com o monstro que temia ser uma outra hora.

***

Tyler deixou o copo de café vazio no chão entre os seus pés, cruzou os braços e observou Barbra. A bruxa estava sentada na cadeira ao lado da cama onde ela colocou Hayley, ele estava surpreso. Completa e incrivelmente surpreso porque ninguém apareceu na enfermaria nos últimos quarenta minutos. Considerando que a Universidade estava um pequeno caos porque a Reitora foi simplesmente assassinada e uma das alunas foi atingida por um feitiço quase mortal (e logo todos começariam a questionar o que diabos Lyra estava fazendo no apartamento de Emma), Tyler não fazia ideia porque ninguém veio checar como a loba estava.

Mas entre qualquer um e Annie, ele preferia qualquer um. Porém, Tyler nunca tinha sorte. Ele estava prestes a ir buscar mais um café quando a mulher apareceu na enfermaria, um tanto ofegante (afinal, ela correu para lá depois que perguntou à Violet se a loba sabia onde Hayley estava).

— O que aconteceu? — Perguntou e parou ao lado da cama onde Hayley estava. Barbra sabia que em breve alguma enfermeira apareceria para checar Lyra e encontraria a garota e isso daria uma merda enorme — Hayley...

— Um, hm, incidente. Pequeno problema...  — Barbra respondeu.

— Incidente? Incidente? Ela não está respirando.

— Srta. Clark...

— Não comece!

A pequena discussão foi interrompida por um grunhido acompanhado pelo som agoniante de alguém tentando puxar algo para respirar, viraram em direção ao som e viram Lyra sentar bruscamente. Respirando rápido, os olhos começando a perder o brilho azul, voltando ao tom azul-acizentado apagado que ela costumava ter.

Tyler se aproximou dela (tão rápido que Barbra se perguntou se ele realmente era 100% ou se somente estava tão desesperado que precisava estar ao lado dela o mais rápido possível). O homem passou os braços ao redor dela e a puxou para um abraço, ela não se afastou. Na verdade, ela agarrou sua camisa e enfiou o rosto no seu peito, respirando rápido e tentando se acalmar.

Depois de alguns instantes, Lyra se afastou um pouco do abraço dele, esticou o braço e segurou o pulso de Annie. Ela segurava com força, mas não muito. Muito longe de poder marcar, causar hematomas em formato de dedos na sua pele. Apenas firme o suficiente para ela ficar por perto. Então, com uma voz suave, ela falou:

— Ela vai acordar.

— Vai, é? Ela parece bem morta para mim, Saroyan! — Lyra apertou mais seu pulso e repetiu.

— Ela vai acordar.

— Ela está morta.

— Não está.

— Eu sei que você não escuta o coração dela — Lyra ergueu as sobrancelhas, claro que não estava escutando, ela só conseguia ouvir três corações – fora o seu próprio.

— Ela vai acordar — repetiu.

— Negar não traz ninguém de volta, você deveria saber — ela puxou o braço para se livrar da pegada — Mortos nunca voltam.

— Eu sei.

— Parece que não.

— Ela não está morta.

— Não acreditar nisso não vai ajudar, por acaso negar trouxe a sua família de volta?

— Cale a boca, Annie — Tyler falou, as três olharam para ele.

Lyra sentiu uma espécie de conforto quando viu o olhar dele. Já havia visto ele várias vezes. Quando a mãe de um amigo de Leonard comentou algo como “ela não é uma de nós” e Tyler quase expulsou ela e o garoto da casa deles, quando um ou outro professor comentava algo negativo sobre ela somente porque ela não era humana, quando ele defendia ela das crianças cruéis em festas de aniversários.

— É a minha filha...

— A mesma que você abandonou?

— Eu não abandonei ela.

— Não?

— Eu precisava de um tempo.

— Quanto tempo? E você nunca me falou que tinha uma filha.

— Eu não tive a chance.

— Parem, os dois, agora — Lyra colocou as pernas para fora da cama e escorregou para fora. Porém, ela não estava em sua melhor forma e só não caiu de joelhos porque Barbra e Tyler seguraram ela (com um tanto de dificuldade, lobos podem ser incrivelmente pesados) — Me soltem.

— Estou tentando te ajudar, Lyra.

— Eu sei — ela tentou andar para frente — Eu só...

Os dois ajudaram ela a cobrir a curta distância entre as duas camas e ela sentou na beira. Colocou a mão no seu braço. Frio, a pele rígida, como se estivesse morta há muitas horas. Ela somente sabia que daria certo, sentia isso em algum ponto profundo e escuro dentro do seu ser. O frio sob seus dedos machucava, como pequenas agulhas se enfiando na sua pele. Ela se inclinou e murmurou, o tom suave e carinhoso:

— Você me prometeu um beijo, Collins, eu vim te cobrar.

***

Hayley não sabia porque ainda estava tão consciente se estava morta. Ela sabia que estava fundo demais nos sonhos, em um ponto onde se ela morresse, ela não acordaria. Porém, a sensação ali era parecida com à dos sonhos com o lobo, porém, era mais frio e assustava muito mais. Se seu coração estivesse batendo, ela tinha certeza que bateria tão forte que doeria.

Ela sentia o frio em seu corpo como garras afiadas entrando por baixo da sua pele, ferindo, machucando, era a pior dor que ela já sentiu. Pior do que cada pesadelo. De quando foi degolada, atingida por um carro, esmagada, explodida, incendiada, esmagada... morta de mil jeitos diferentes em sonhos.

Ela não gostava dessa morte. Hayley sempre imaginou que a morte podia ser algo inconsciente, vazio, apenas esperando pela próxima vida. Considerando que ela tinha quase certeza que cada sonho era uma vida diferente (algo no fundo da sua alma sabia disso).

Você me prometeu um beijo, Collins, eu vim te cobrar.

O calor dos dedos no seu braço pareceu se espalhar mais rápido pelo seu corpo quando ela ouviu a voz, sentiu o hálito quente perto do seu ouvido. O ar pareceu queimar os seus pulmões quando ela finalmente puxou o ar e levantou um tanto quanto bruscamente.

— Ei, ei, ei — Lyra passou o braço ao redor da sua cintura — Calma, respira.

Hayley grunhiu, sua cabeça ainda rodando, doendo. Ela se encolheu contra o calor, como se estivesse tentando fugir de qualquer resto de frio que estava dentro. Ela estava tentando preencher os ‘fios’ de frio que ainda estavam nela com o calor firme e confortável que emanava da loba.

Quente, confortável, o perfeito oposto do que ela estava sentindo antes.

— Você ainda me odeia?

— Não, sua idiota.

— Ótimo — a loba virou em direção à Annie, Tyler e Barbra (a primeira parecia chocada e os outros dois estavam com um sorriso pequeno) — Vocês podem, hm, nos deixar sozinhas um pouco?

— Claro — Barbra virou primeiro

— Desde quando vocês.... — Annie começou.

— Cala a boca, Annie, e vem comigo — Tyler segurou o braço da mulher e puxou para seguirem Barba.

— Mas...

— Calada, só vem, elas precisam conversar.

Annie grunhiu e deixou Tyler puxar eles para fora. Hayley continuava apertando Lyra e a loba acariciava suas costas lentamente com uma mão e deixava a outra em seu braço. Hayley podia dizer que estava impressionada sobre o quanto Lyra era realmente confortável.

Ela já havia dormido perto da loba, quando ficou bêbada (ela não mencionou, mas conhecer algumas súcubus ajudava ela a arranjar coisas proibidas, como garrafas de bebida sempre que quisesse e ela realmente precisava naquele dia), mas era diferente. Não que Lyra estivesse diferente, era ela que se sentia diferente.

Seu corpo ainda estava frio, mas dentro dela, havia uma sensação de calor borbulhante. Uma sensação morna que se espalhava pelo seu peito, braços e pernas. Ela podia sentir a trilha que os dedos de Lyra faziam em suas costas, uma ou outra vez, a loba passava os dedos no meio das suas costas. Quando ela passou com um pouco mais de pressão, descendo até quase o cós do jeans antes de subir para perto da nuca, Hayley suspirou.

— Lyra.

— Hm.

— Você poderia parar de passar os dedos por aí?

— Sensível?

— Sim.

— Okay — ela voltou a acariciar como antes — Tudo bem?

— Acho que sim.

— Acha que sim?

— Eu meio que acabei de ressuscitar. Humanos não costumam fazer isso.

— Eu sei.

— Quanto tempo eu fiquei, hm, morta?

— Eu não faço ideia. Eu acordei há cinco minutos. Depois eu pergunto para Barbra.

— Certo... vem aqui.

Hayley segurou sua camisa perto da gola e puxou para dar o beijo que estava devendo. Ela sabia que seria bom, no sonho foi bom, porém, foi um tanto melhor. Afinal, era real. E Lyra não estava sangrando, ferida e suja de sangue e terra. Era mais morno, suave. As mãos de Lyra nas suas costas pressionavam sua pele com força, puxando ela para mais perto.

A garota gemeu baixo quando o instinto de Lyra foi forte demais para que ela não aprofundasse o beijo. Hayley se deixou ir para trás, deitando na maca novamente e puxando Lyra consigo. A loba se apoiou nas mãos, uma de cada lado da cabeça da garota, garantindo que seu peso não poderia machucar Hayley. Parou de beijar ela para beijar sua mandíbula, dando pequenas mordidas (com uma quantidade impressionante de auto-controle) até acabar dando atenção ao seu pescoço.

— Oh, continue fazendo o que você está fazendo no meu pescoço — Lyra riu baixinho e afastou o rosto — Ei!

— Vamos mais devagar.

— Estamos indo muito bem assim.

— Sem pressa — beijou sua testa — Vamos com calma.

— Mas...

— Eu não vou transar com você na enfermaria.

— Lyra...

— Isso não é sobre você ser virgem ou não.

— É sobre o que?

— Meu Deus, Collins, você realmente sabe de porra nenhuma sobre lobos — ela riu baixo — Temos um pequeno ritual, okay? Lobos não simplesmente transam com seus Companheiros, não na primeira vez. Depois podemos transar em qualquer lugar, quando os... okay. Enfim, existe um ritual e a enfermaria não é um lugar ideal para isso.

— Vocês precisam de um ritual?

— Claro, somos tradicionais. E só porque eu vivo há mais tempo com humanos do que eu vivi entre lobos, eu continuo sendo da espécie.

— Okay, okay — suspirou — Por acaso seus rituais envolvem sangue como os dos vampiros?

— Alguns, você tem muita coisa para aprender sobre lobos, ainda mais agora... quer dizer, você aceita, não é? Ser a minha Companheira.

— Eu preciso aceitar formalmente? Achei que dava para entender isso a partir do momento em que eu entrei na sua mente para te salvar.

— Você tem que dizer sim, coisa de lobo. Então...?

­— Sim, Lyra.

— Finalmente — Lyra abraçou ela pela cintura e enfiou o rosto no seu pescoço, não beijando ou provocando, só respirando fundo.

— Okay... — tirou as mãos das suas costas e enlaçou seu pescoço — Mas podemos nos beijar, não?

— Claro que podemos.

A loba a segurou e puxou ela para que deitassem de lado, uma de frente a outra. Os braços ao seu redor, mantendo ela perto de si, Hayley já estava quase na temperatura normal de um humano, mas não reclamaria do quanto o calor de Lyra a envolvia (ela sabia, na teoria, o quanto Lyra era mais quente – mas tinha as sensações diferentes e por isso podia ficar com pouca roupa – como se ela estivesse sempre com febre).

Lyra apertou ela um pouco mais, ela sabia que podia apertar Hayley mais do que podia apertar qualquer outro humano. Mas do que ela podia apertar Tyler e Leonard, do que Emma. Não tanto quanto qualquer um dos seres sobrenaturais resistentes que ela conhecia, ainda assim, era muito perto do quanto ela queria apertar Hayley em seus braços.

— Vamos precisar conversar muito, não é? Sobre os meus pesadelos.

— Um pouco, se você quiser.

— Eu não costumo conversar sobre eles.

— Você sempre tem eles?

— Uhum, por isso precisar dormir pouco é uma das melhores coisas de ser um lobo.

— Bem,

— É que foi um pesadelo novo.

— Certo, mas você parecia um cachorrinho quando dormiu com cafuné.

— Me respeite, Collins! Eu sou um lobo respeitável.

— Mas parece um cachorrinho — Hayley enfiou os dedos no cabelo claro e passou as unhas delicadamente pela pele perto da sua nuca, fazendo Lyra emitir um som do fundo da garganta — Achei que só gatos ronronavam.

— Eu não estou ronronando.

— Sim, você está ronronando — ela subiu um pouco mais os dedos — Que nem um gatinho.

— Me respeite, eu já falei.

— Estou te chamando de fofa!

— Uhum.

Lyra se arrastou um pouco para baixo e enfiou o rosto no peito de Hayley, o ouvido logo sobre seu coração. Mesmo que pudesse ouvir as batidas à uma certa distância (Não só por ter naturalmente uma ótima audição, mas também porque seu instinto sempre fazia ela tentar ‘monitorar’ a garota), ela queria a sensação tão perto assim.

Hayley começou a acariciar suas costas, ela sabia que teriam que conversar, resolver certas coisas. Contar certas coisas. Porém, ela se deixou relaxar dentro do abraço e tentou não pensar no frio doloroso onde ela achou que ficaria presa pela eternidade.



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