História I am - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Monsta X
Personagens I'M, Joo Heon, Show Nu
Tags Ação, Acidente, Bailarino, Changnu, Depressão, Doença, Jookyun, Morte, Pianista, Teatro
Visualizações 18
Palavras 2.774
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Capítulo 2


- E um, dois, três eleve. Respira. E um, dois, três, posição inicial. Um, dois, três plié - A voz da senhora Red estava me dando nos nervos, ainda mais com as minhas pernas agindo sem comando nenhum do meu corpo de tanta dor.

Acho que devo estar criando superpoderes, pois apesar da música de fundo para a aula eu escutava os ponteiros do relógio rodarem e minha expectativa só aumentava para as cinco horas finalmente chegarem. A ansiedade substituiu a monotonia dos meus dias e agora eu anseio para vir as aulas de balé. Não para vestir essa calça justa, como calças de treino, e colocar a sapatilha de ponta, rose, que a senhora Red escolheu para mim, mas para ver HyunWoo.

O relógio soa cinco badaladas avisando a hora e todos os alunos da minha turma, jovens da elite da cidade e também alguns profissionais que querem aprender "disciplina", correm para pegar suas bolsas e coisas. Seguro na barra de ferro e aperto minha coxa direita. O espelho bem a frente mostra que estou suado e acabado, mas não vou desistir de vê-lo.

- Meus parabéns Changkyun - A senhora Red me elogiou - Está sendo um ótimo aluno.

- Obrigada - Com o passar dos meses eu parei de tentar confronta-lá. É mais útil para minha sanidade mental - Se a senhora me der licença - Ela assentiu.

Segui até o porta-casaco e peguei meu suéter de tricô verde, pendurei a mochila no ombro enquanto o vestia por cima da minha roupa de aula. Toda vez que sigo até a ala proibida, segundo a Red, meu coração dispara como cavalos de corrida rumo a linha de chegada. Eu sei que ele estará lá, me esperando, para tocar a minha peça favorita e jogar conversa fora com o garoto quebrado por dentro que está sendo restaurado por ele por fora. A porta está entreaberta como sempre e adentro ao ambiente encostando-a para evitar visitas inoportunas.

- I.M - O belo jovem de cabelos negros e pele em um tom escurecido sutilmente me encarava com o sorriso adorável, que fazia seus minúsculos olhos puxados desaparecerem, derretendo meu coração como ninguém antes foi capaz. Só de ouvir sua voz minha mão já soa e minha pele arrepia.

- Ainda não entendo porque me chama assim - Ri bobo com o apelido.

- Quando nos falamos a primeira vez você disse em inglês i am, eu sou. Então nada mais justo do que te apelidar de I.M, já que eu perguntei seu nome e você me respondeu isso - Gargalhei enquanto me aproximava. A cara de pânico dele me fez parar.

- Desculpa - Minha expressão transparecia que eu havia ficado sem graça pela reação dele - Eu imaginei tantos motivos para esse apelido, mas nunca algo tão simplório e gracioso como isso.

- Imaginou é? - Ele segurou um sorriso quebrando o gelo e me ergueu do chão me ajudando a sentar em cima do piano, de frente para ele, que estava sentado no banquinho pronto para começar a tocar novamente. Ele é como uma caixa de música, nunca se cansa de repetir a mesma melodia.

- Sim - Ri com o rosto corado por ter entregado onde meus pensamentos andam ultimamente.

- E quais eram as teorias?

- Não eram bem teorias, eram mais como suposições de algum apelido ruim, ou o seu jeito de dizer como sou idiota - Remexi nas linhas de lã do casaco.

- Por que é tão inseguro? - Engoli em seco - Alguém tão bonito quanto você deveria ser mais confiante.

- Bonito? - Eu ri fraco, mas meu coração acelerou com o comentário - A única pessoa bonita aqui é você.

- Você acha mesmo que um cara que esconde metade do rosto com uma máscara, não é branco o suficiente quanto a sociedade da Coréia quer e não é bonito como os padrões exigem é algo belo para você?

- Já ouviu falar na Bela e a Fera? Beleza não é algo superficial HyunWoo, beleza transparece de dentro para fora. A Bela se apaixonou pela Fera pelo que ela era e não por sua beleza. Mas apesar de tudo, para mim você ainda é e sempre será lindo - A bochecha visível dele foi tomada por um tom carmesim e as minhas arderam de vergonha também.

- Mas...

- Não tem, mas - O cortei - Não entendo por que usa essa máscara - Minha expressão deixava agora transparecer a confusão da minha mente.

- Você não iria querer saber.

- Como você sabe?

- Todos que descobriram fugiram de mim - Ele disse cabisbaixo e me lembrei da senhora Red me dizendo que muitos já o machucaram. Saltei do piano ficando entre ele e as teclas. Meus dedos pálidos ergueram seu rosto para que ele me olhasse, só de vê-lo sutilmente abalado emocionalmente meu coração já apertou de forma insuportável.

- Me conte - Pedi com ternura.

- Eu não quero que você vá como todos os outros - Meu coração doeu em pensar que muitos já o abandonaram.

- Eu juro que não vou - Ele suspirou parecendo tomar coragem.

- Minha mãe faleceu quando eu tinha quatro anos, ela era irmã da Margot. Meu pai começou a beber depois disso e digamos que... Ele descontava sua raiva durante o período alcoólico em... Mim - Ele tremeu - Uma vez ele acabou levando alguns amigos de farra dele lá para casa. Eu estava sozinho, como sempre, eu deveria ter seis anos no máximo. Ele me segurou pelo braço e os amigos dele gritavam e ele dizia que quem mandava era ele. Não entendia muito bem, eu estava sonolento e ele tinha me arrancar da cama. Eu lembro que ele pegou uma navalha e me chamou de pestinha - Sua expressão era de horror e lágrimas desciam pelo meu rosto imaginado a cena onde HyunWoo era uma frágil criança que tinha um pai malvado.

- O que ele fez? - Pedi com a voz embargada.

- Ele cortou minha face esquerda com a navalha. Eu chorava. Ardia tanto Changkyun. E ele não parou por aí, ele pegou um sequeiro e começou a me queimar, queimar o corte com o fogo, o que só ardeu mais ainda. Eu me debatia - Ele se remexia a minha frente olhando para o chão e um nó na minha garganta anunciava que eu não seguraria o choro por muito tempo - Eu tentava escapar dele, mas eu era tão pequeno. Eu lembro que depois disso ele me surrou com o cinto dele até que eu desmaia-se de dor - Ele ergueu o rosto para mim e sua face estava úmida de lágrimas assim como a minha.

Abri meus braços para ele esperando que o mesmo levantasse para um abraço, porém ele me puxou para seu colo e escondeu seu rosto na curvatura do meu pescoço enquanto chorava como o menino de seis anos que o pai agrediu choraria.

Esperei até ele se acalmar e parar de chorar. Seu rosto se ergueu e olhou para mim sorrindo sutilmente, me deixando confuso.

- Você ainda está aqui - De forma involuntária minha mão direita seguiu até seu queixo e subiu pelo seu rosto acariciando a parte exposta. Meu rosto corou pela minha ousadia, mas o ignorei.

- Eu jurei que não iria embora e juro que nunca vou.

- Eu preciso terminar.

- Não precisa não - Intervi de forma suave para não parecesse uma repreensão.

- Eu quero que saiba - Ele insistiu - Não há muito que falar. Apenas que a Margot me tirou de lá para poupar a minha vida e desapareceu comigo no mundo. Eu me apeguei ao piano desde então, eu não falei durante alguns meses, eu só respondia o básico nos anos que se seguiram e foi assim que eu consegui me dedicar arduamente a ele. Hoje eu posso dizer que eu superei, dói ainda, mas uma dor suportável.

- Eu quero ver - Toquei a máscara.

- Você não vai gostar de ver - Ele segurou meus dedos fazendo com que uma onda de borboletas agitadas começassem a querer rasgar minha barriga.

- Eu já falei que eu nunca vou embora - Ele hesitou alguns instantes, porém soltou meus dedos e deixou que eles puxassem a máscara para o lado, enquanto suas mãos grandes rodeavam a minha cintura comigo ainda em seu colo.

Removi a mesma enquanto sentia meu coração pulsar na garganta de ansiedade. Ele era tão belo, apesar do corte já cicatrizado na bochecha. Meus dedos tocaram a linha superficial e ele fechou os olhos como se sentisse bem com a nova sensação de ter alguém adorando a sua cicatriz.

- Você continua lindo para mim - Ele engoliu em seco e suspirou abrindo os olhos.

- Mais uma vez você não foi embora.

- Não vejo nada de assustador para que eu vá.

- Talvez essa última coisa te leve de mim, mas não suportaria mentir para você por mais tempo.

- O que seria? - Deixei a máscara sobre as teclas do piano e voltei meus dedos para seu rosto quente e convidativo admirando sua beleza agora por completo.

- Eu vou morrer daqui a algum tempo.

- Todos nós vamos - Sorri da forma inocente do comentário dele e toquei a ponta do seu nariz, como faria com uma criança, sorrindo.

- Não I.M eu vou morrer sim, mas não como você imagina. Eu tenho uma doença incurável que a medicina não sabe o que é. É como uma bomba relógio ativada dentro de mim, cada segundo pode ser meu último de vida.

Um balde de água fria, foi isso que eu recebi e meu coração falhou uma batida. Uma angústia varreu meu peito e a sensação de impotência me tomou. Não poderia ser verdade. Dizem que negar é o primeiro sintoma de quem recebe uma notícia ruim, mas ninguém nunca pensou que essa é a única reação que alguém pode ter quando se descobre algo do tipo.

- Na-não - Gaguejei rindo de pânico - Não é possível - Olhei para a janela que mostrava o fim de tarde na linha do horizonte.

- Mas é a verdade.

- Tem que haver uma maneira de curar isso. Podemos procurar tratamentos revolucionários ou alguma coisa que possa... - Parei assim que ele começou a rir. Agora era minha vez de ficar confuso com ele rindo de mim - O que foi?

- Você é a primeira pessoa que descobriu isso e não inventou uma desculpa para desaparecer da minha vida - Ele controlou a risada deixando agora apenas um sorriso que fez meu coração se agitar e meu corpo aquecer. Era incrível o dom que ele tinha de me fazer ficar assim, bobo e tímido perto dele.

- Mas nós podemos realmente fazer isso HyunWoo - Disse baixinho em um tom manhoso.

- Eu sei, e agradeço. Mas não tem como curar algo que nem se sabe o que é - Ele tocou a ponta do meu nariz com o dedo, como havia feito com ele agora pouco, me fazendo sorrir.

- Mas Hyun... - Meus olhos marejaram na expectativa de perdê-lo. Só de imaginar é tão doloroso e cruel que eu volto a pensar na possibilidade de... Eu juro que iria embora com ele se isso acontecesse - Eu não aguentaria te perder - Voltei a chorar e seu polegar coletou a lágrima que rolou na minha face. Apesar da dor um rubor tomou meu rosto com o ato.

- Mas você não vai me perder. Apesar de tudo que te contei você não foi embora. Não sei mais o que faço para afastar você de mim e poupar seu sofrimento.

- Eu não quero me afastar da primeira pessoa que me fez bem - Disse entre os soluços do choro.

- Por que você tem que ser tão bonito até chorando? - Ele fez uma pergunta retórica, mais para si mesmo, como uma confissão - Você diz como se o mundo te odiasse - Ele agora se dirigiu a mim.

- Mas odeia - Afirmei respirando fundo tentando parar o choro - A única pessoa que deveria se afastar de mim é você.

- Por que eu faria isso? Você me faz bem - Sorriu sutilmente.

- Porque eu não sou o tipo de pessoa que você vai querer na sua vida. E quando eu tiver minhas crises? E quando eu estiver insuportável de carente? E quando eu te machucar? Eu quando eu te ofender? E quando...

- O que você está dizendo? - Ele perguntou confuso com a testa franzida.

- Sua tia nunca lhe contou? - Ele negou.

- Não estou aqui porque eu amo balé clássico, ou porque eu quero aprender coisas novas como, por exemplo, a tal disciplina que ela tanto fala. Eu estou aqui porque sofro de depressão e segundo a minha psicóloga tenho grandes chances de desenvolver transtorno de bipolaridade. Eu sou uma ameaça para sociedade HyunWoo.

- Não diga isso...

- Espera - O interrompi - Ela me disse na consulta de ontem que você está me fazendo bem - Sorri olhando para os meus dedos entrelaçados sob o colo - Que meu índice de possibilidade para a bipolaridade caiu e que a depressão está melhor. Antes que pergunte eu falo de você para ela - Olhei para seu rosto que esboçava surpresa.

- Mas por que...

- Por que eu desenvolvi isso? - Ele assentiu. Levantei de seu colo só agora me tocando que estávamos tão próximos. Chacoalhei a cabeça expulsando pensamentos totalmente inoportunos. Afastar-me dele também é uma forma de defesa para a possível reação que terá - Digamos que meus pais queriam me ver casado, com filhos, uma boa esposa. Ai você me diz: Que mal há nisso? - Me virei para ele que continuava estático no banco do piano, me olhando com a curiosidade estampada como um outdoor em seu rosto - Simplesmente eu não queria isso. Por que... - Ri fraco olhando para o chão.

- Por que o quê Changkyun? - Ele soava ansioso.

- Porque eu sou... - Olhei para o rosto dele. Seus olhos estavam sutilmente arregalados - Gay - Quase sussurrei a palavra. Seu rosto suavizou a expressão e um leve sorriso começou a brotar nos lábios dele me deixando mais confuso do que em todo período da nossa conversa.

- Com todo respeito, seus pais são bem idiotas - Ele me pegou de surpresa.

- Aí!...- O repreendi dando um pulinho como uma criança e cruzando os braços.

- O que? - Ele riu da minha infantilidade.

- Eu jurei que você iria rir achando que eu estava brincando, ou que iria rir para depois me mandar embora, mas jamais que ia me dizer isso.

- Desculpa - Ele segurou o riso - Não era minha intenção ofendê-los. Afinal, você só está aqui comigo graças a eles - Corei - E você deveria parar de ter primeiras impressões minhas, eu não sou um monstro - Sorri - Embora pareça.

- Já falei para parar de se desvalorizar - O repreendi e ele ergueu os braços. Ambos nos encaramos por alguns segundos. Para mim ele é ainda mais lindo sem aquela máscara - Eu sou um fodido - Comentei quebrando o silêncio.

- Nós somos - Ele corrigiu - Agora venha aqui - Ele bateu no colo dele e eu queria enfiar minha cara em um buraco. Será que se eu falar dos meus interesses por ele essas atitudes tão próximas, como me chamar para sentar em seu colo, mudariam?

- Eu não te mereço - Sentei virado para o piano. Não iria conseguir encarar seu rosto.

- Faço das suas palavras as minhas.

Os dedos graciosos dele voltaram para as teclas preenchendo meus ouvidos com A Time For Us como ele sempre faz. Relaxei com a melodia após toda tensão em mim finalmente ser dissipada. Ainda doía esconder dele a verdade, mas agora, tendo revelado tudo e sabendo que ele confia em mim o suficiente para me contar sobre seu passado, para ficar sem a máscara na minha frente, muda tudo. É como se nossas armaduras tivessem sido arrancadas. Armaduras de guerreiros, como os medievais, e atrás delas estivessem todas as nossas feridas de batalha. Revela-las é como um sopro de cura e o retorno é uma brisa calma de compaixão e amor. Sinto-me seguro entre os braços dele assim com espero que sinta o mesmo com a minha presença. Ainda dói lembrar que ele irá partir a qualquer instante, mas farei de tudo para que isso não aconteça. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...