História I Am Beautiful? - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Jeff The Killer
Personagens Personagens Originais
Tags Doenças Mentais, Mistério, Psicopatia, Sangue, Terror, Vitimas
Exibições 28
Palavras 2.445
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sadomasoquismo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Aproveitem! :3

Capítulo 9 - Lembranças me Machucam


Fanfic / Fanfiction I Am Beautiful? - Capítulo 9 - Lembranças me Machucam

1 ano atrás...

Eu caminhava pela rua com um devido peso na consciência. Realmente meu caso já havia passado por jornais, em vários momentos comentados em noticiários da televisão e pela vizinhança tumultuosa que me conhecera a pouco tempo. Sempre achei ridículo ver meus avós assistindo noticias ruins, meu pai lendo um Jornal de Milwaukee Sentinel, e minha mãe comentando sobre os assassinatos da nossa rua cada vez mais frequentes com nossos vizinhos. Divulgar isso para tudo e para todos poderia chamar a atenção desse responsável e débil assassino ou ladrão, pensava. E senti por um momento de que isso estava prestes a acontecer comigo.

Eu me encontrava perturbada, estarrecida psicologicamente pelo reconhecimento das pessoas ao redor, e prestes a comemorar meus dezesseis anos tristemente.

Por que? Bom, essa é a hora perfeita para recordar disso tudo. Das coisas que jogaram na minha cara, das coisas que me falaram, coisas inúteis e sem importância. Estou entre a vida e a morte, não? A insanidade mais uma vez me pregou uma peça.

Havia acabado de passar por um longo tratamento. Meu rosto visivelmente reconstruído, meus cabelos ganhavam mais cor e minha boca, coberta por um pedaço de tecido. Meu tio foi o único que se importou comigo depois do que aconteceu, e também o único que veio me procurar além daquela ambulância após o ocorrido. Ele me acompanhou bastante, dizendo que as coisas ficariam bem, que graças a Cristo tivera sobrevivido. Me comprou roupas, uma nova casa e de presente logo ganhei um emprego.

Tudo estava normal mas acontece que eu ainda não aceitava. Eu não aceitava aquela dor no meu peito, não aceitava acordar todos os dias tendo a certeza de que estava viva, trancar uma escova nos meus cabelos chamuscados de preto e castanho escuro enquanto tive de encarar o meu reflexo... Não suportei viver com a esquerda visão de apenas vultos e um borrão de cores que me agonizavam! Eu não estava acostumada e remédios não facilitavam isso... mesmo tentando e evitando, tudo me faz lembrar, recordar, sentir. Principalmente ao me tocar, ver, assistir a minha desgraça sendo testemunhada retoricamente ao público. Agora será, mais uma vez??

Andava pelas ruas, recebendo olhares furtivos por onde quer que passasse. Meu rosto abaixado naquele inverno denso e minhas mãos albinas cobertas por luvas para que ninguém percebesse o tom da minha pele, para que ninguém me reconhecesse. Em vão, pois todos conheciam a minha marca, e todos memorizavam a minha estreia a vizinhança. Entre tanto, geralmente costumava andar apenas para comprar algo em falta dentro de casa, mas Jordan me forçava para ver o mundo pelo menos para distração ao invés de ficar me lamentando enquanto chorava. Sem saber o quanto estava me prejudicando igualmente, talvez até mais.

Eu via um grupo de garotos gritando e sorrindo enquanto se divertiam atirando bolas de neve um no outro. Posso parecer uma egoísta, ignorante, invejosa... mas a diversão alheia me entristecia, pois eu não tenho diversão e a felicidade é algo esquecido por mim, algo que está nesta tentativa, mas que sempre acabo relembrando ao ver os retratos de minha família. Ao ver meu antigo rosto neles.

Risadas.

Palavras.

Meus olhos arderam ao se encharcar com lágrimas.

Brincadeiras com neve e uma delas atingiu meu sobre tudo escuro

Fazendo eu apressar meus passos quando tentaram me pedir desculpas.

A veste preta repleta de neve e meu rosto encharcado de tristeza. Eu até corri para não ter de dizer algo, engolindo ela. Tinha trinta minutos restantes, então precisava me sentar ou permanecer em um local com poucas pessoas, o que era difícil pois haviam duas principais atrações turísticas onde morava. Mitchell foi a minha escolha, foi onde parei para ficar até o horário que meu tio Jordan "receitou". Coberto de neve, e nada de mais além de três pequenas crianças aproveitando isso. Eu não tinha o que fazer... então fiquei admirando elas. Dois garotos e uma garota. Ambos tinham traços parecidos e as árvores perto deles eram borrões marrom de galhos sem folhas. O chão do lado esquerdo; manchas turvas de branco me fazendo deduzir obviamente que se tratava de apenas gelo invernal. Flores... flores... flores... em toda estação Mitchell Park era bonito.

Escutando risadas, e engolindo o próprio choro.Até que não tive como fugir... alguém sentou do meu lado. Era uma menina mais velha parecia. A mesma era sob peso e eu pensei direito antes de me afastar se dela.

"Ok, é só não responder, Keith, só isso. "

— Eles não são uns amorzinhos? —ótima maneira de se começar uma conversa.

Eu não sou mal educada, eu não era, uma má pessoa, então tive de responder, se não ficaria com mais peso na consciência ao deixá-la falando sozinha.

— É... lindos amorzinhos — corei com a minha resposta, a voz abafada por aquela gola de tecido preta.

Comecei a levantar, calmamente, para que não percebesse algo brusco e em seguida a minha falta, mas acabaram por me acertar.

— Nã! Não! — minha voz ecoou como se estivesse devastando cachorros a minha volta que pulavam na roupa —Me desculpe, preciso voltar para casa, tenho diversos afazeres...

— Keith? — a moça de cabelos azuis levantara — Keith, é você mesma?

Foi então que percebi.

— Sa-sa-safira? Se lembra de mim?

— E como não poderia? Fomos colegas, é claro que eu me lembro — como se fosse tão óbvio — Olha só pra você... o que houve? Por que sumiu assim?

Coloquei as mãos na dobra de uma gola preta que me cobria, abaixando-a, e deixando a garota perplexa com minhas feições trituradas e albinas.

— Oh...

— Ocorreu um acidente, com a minha família. Tive de deixar o curso e o colegial, e então desde já me dedicando para novas melhoras, novas oportunidades de emprego e por enquanto... sustentada pelo meu tio. Fui a única que restou, e o Dash...

Comecei a chorar em seus braços.

— Keith, Dash... ele? Oh Keith, eu lamento.

— Tudo, bem. Você não precisa se lamentar, eu já faço isso tanto, tanto... — sorri ao limpar minhas lágrimas —Ah, então vamos nessa. Realmente preciso ir.

— Não, você não precisa ir! Eu ficaria muito feliz se me visitasse...

— Não! Desculpa mas é qu... — Seria tão bom, você poderia ver o Mike outra vez. — Não...

— Você não pode deixa isso corroer você, nós precisamos ser amigas agora, você precisa de apoio, Keith. Isso pode ficar pior.

— Desculpa... me desculpa! Eu...

— Olá! Está tudo bem? — a garotinha pôs a mão em mim, e sem se importar com a minha aparência, logo me deu um abraço — Você parece triste, é uma pena uma garota tão bonita como você estar desse jeito, tão tristinha...

— Ah, eu preciso ir meu amor. Você é que é muito bonita.

— O meu nome é Bell, eu te amo sabia?

— Eu também te amo, Bell, muito, muito — sorri para ela, levantei antes de cócoras e então segui em frente.

É surpreendente o quanto as crianças nos animam e mentem, tentando agir sinceramente.

— Não vá... brinque com a gente.

[ ... ]

— Olha só isso, você está radiante e saudável! Seus cabelos, olha só para os seus cabelos, as raízes estão ganhando cor, muita cor! Estão castanho, isso não é maravilhoso Keith?

Ele sempre tentava me animar, mas sem sucesso, ninguém nunca conseguiria.

— É... — maravilhoso.

— O que foi agora? Ainda não suporta a perda... entendi.

Ele estava me cobrindo na cama, minhas mãos sendo esquentadas por uma deliciosa xícara de chocolate quente. Fiquei imaginando o tanto de moradores de rua que desejariam estar no meu lugar, sem família, ''estrutura'', roupas, cobertores, comida, água ou abrigo. Eu deveria me colocar no lugar deles no instante em que chorei para Jordan e para a foto de Dash, mas tudo o que fiz foi me lamentar outra vez, e sem a mínima vontade de viver aparente.

— Eles deveriam estar aqui comigo agora! Eu deveria estar naquela casa, vivendo tranquilamente a minha vida, estudando na minha escola, brincando com Dash e completando o curso musical que me preenchia e sempre preencheu, afastando minhas tristezas. Agora estou aqui! Com uma inútil e deforme vida e somente você como parentesco e sustentamento, Jordan!

Ele arregala os olhos, e então se aproxima. Me apertando, me abraçando e me consolando novamente.

— Shhh... se acalme princesinha, tudo irá ficar bem. No começo pode parecer ruim, eu perdi uma irmã, um sobrinho, um cunhado e meus pais, será que poderia ficar pior? Não, não poderia. Porque, se você ficar se lamentando desse jeito, as coisas continuarão dando errado, e você nunca irá se superar! Foi uma perda terrível, mas agora estou aqui...

— As lembranças me machucam...

— Eu sei, se acalme.

Minhas lágrimas molham seu sobretudo. Seu abraço era acolhedor, mas eu precisava ficar sozinha e tão bem sabíamos disso. Eu precisava me acalmar... e fingir... que nada acontecera.

Como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

Seis meses após...

— Você não deveria agir assim! Acha que se culpar resolve tudo mas... sua vida só está piorando cada dia mais, Katherine...

Minha cabeça estava baixa, meu chefe a minha frente. Tudo andava desmoronando recentemente, minha existência era um erro que somente aquele doente entenderia, ninguém mais, nem ao menos Deus. A partir do momento em que ficamos frente a frente com a própria morte, a sobrevivência mudará tudo, entenda. A minha vida não é mais a mesma, a cada milésimo mais uma esperança perdida. A cada minuto eu percebo o quanto ela era maravilhosa e que agora se tornara uma verdadeira ruindade.

Ainda procuro por alguém que seja capaz de conseguir entender meu sofrimento, pois quanto mais pessoas tentam resolver esse problema, mais eu acabo me machucando. Me afogando em lágrimas. Creio ser a única sobrevivente, mas esse ''privilégio'' para mim é decepcionante talvez para ambos. Zack e Harry tentam consolar, Jordan e Safira tentam me proteger e me aconselhar. Quanto ao restante, me procuram para entrevistas, depoimentos, são uns...

`` Inúteis ``

Tudo o que queria dizer, pegar as minhas coisas e fugir correndo para um lugar distante. Pensar nisso me afeta pois acabo derrubando uma fila inteira de remédios, olhando para Harry em seguida, como se pedisse desculpas junto a uma expressão insossa ao dar de ombros.

A sobrevivência é deprimente, a chance que nos dão só servem para corroer internamente até os últimos devidos segundos vivenciados, coeternos. Uma dadiva para uns, uma desgraça para outros.

`` Por isso está aqui, Keith? Para encarar nosso passado em frente ao espelho? ``

Não... estou aqui porque me deram uma nova chance.

`` Ah... uma Chance... ``

Dizem que chance é uma ocasião favorável, uma nova oportunidade de viver ou de agir. Dizem que essa palavra é digna de todo um aproveitamento, mas estou aproveitando ao pensar nessa vingança. Não demônio, eu não quero matá-lo. O que quero é honrar minha família de algum... simples modo. Quero conquistar minha atitude, minha vida, minha felicidade e áurea, quero conquistar toda a minha dignidade como se ainda estivessem aqui.

`` Como gosto de pensar... que estão aqui... ``

Ainda consigo ver Dash correndo pela grama verde no verão, consigo ouvir suas risadas ao fitar seu lindo rosto. A fraternidade agora nunca mais existirá, graças ao passado que preferiu abominar nossa alegria. Vejo mamãe colorindo aquelas paredes, papai chegando em casa após um cansativo dia de trabalho, e sem falar... das histórias que Seymour contava. Eles eram tão divertidos, pena que nunca admiti com tanta clareza essa verdade. Que minha família era maravilhosa e que tivera a perdido sem antes aproveitar sua vivencia.

Chega disso, nunca irei conseguir superar. É um fato perturbante. Um peso árduo ao meu presente.

— Gostaria de saber o como está se saindo em sua nova casa. Está vivendo bem, sozinha? Espero que sim... — Zack tira suas próprias conclusões ao dialogar sozinho, enquanto que, divagando eu organizava caixas de comprimidos e outros medicamentos.

Ervas medicinais, shampoo e cremes corporais que arregalava-me os olhos. Uma farmácia bastante colorida e sortida em variedades médicas.

— Estou... fazendo o máximo para conseguir me acostumar. E não, não estou sozinha, definitivamente.

[ ... ]

Carros de Polícia.

Ruas e mais ruas como atalho.

As árvores floridas, o vento acariciando meu rosto... empurrando meus cabelos.

As flores da primavera, voando... exalando seu perfume por Wisconsin.

E eu, não aproveitava isso, para mim não havia nada de bom o que aproveitar, as perdas não me ensinaram nada, ironicamente.

Seguindo para a casa após o meu horário., sentia que algo de errado estava acontecendo pelas ruas de Wauwatosa. Sirenes, pessoas correndo e em meio a multidões inativas a quem quer que fosse o principal motivo de fuga, o ultimo habitante surpreendeu-me por sua parada indiscreta ao encarar meu rosto. O seu... costurado como um boneco de vodu, deixando a feição de Katherine Leigh perplexa ao vê-lo, suas marcas eram tão apavorantes quanto a... daquele assassino.

E ao correr, em minha direção, algo tocara minhas vestes de um modo abrupto. Ele carregava uma faca.

" Uma faca Katherine... "

Rapidamente fugi assim como todos os outros, sem olhar para trás uma única vez logo percebi estar perto de casa, correndo desesperada por aquelas incontáveis ruas e esquinas.

Estas ruas... estas ruas... cada vez mais perigosas. Todos os dias ao sair de casa sensações estranhas são motivo para voltar e se esconder trancando portas e janelas, desamparada. Tudo é motivo para, alguma iminência futura ao perturbar-me assim como o restante de estadunidenses que por aqui moram, fazer isso. O número de assassinatos está aumentando, e sem saber quem o responsável sempre agradeço por ser uma encorajada fraca e traumatizada por aparentes ocorridos.

Ah, a minha casa que só vasta de lembranças. Um cômodo espaçoso chamado sala, e ao lado um corredor estreito repleto de portas que nem a menos sei o que escondem. Caixas, caixas, caixas. Fotos... brinquedos... teias e móveis usados e queimados. Meu rosto por todos os lados. Paredes de concreto descascadas... marcas diferentemente pintadas das mesmas, a sombra de móveis anteriormente colocados e retirados pouco a pouco... incomodam ao confundir minha turva visão com seus borrões indescritíveis.

E ao trancar todas as portas e janelas, sinto algo em mim escorrer. São manchas de sangue.

As manchas daquela faca.

. . .

A mão pálida ao segurar essa média mancha de tinta, que se mistura com os delicados pingos de chuva ao encarar pela segunda vez... seu costurado e sofrível... rosto. Levantam-me, salvando mais uma vez a minha vida.

— Gostaria de morrer. Deixe-me morrer.

Mas meu desejo não será realizado.



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