História I am the Target - Capítulo 26


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Categorias Elementary
Personagens Dra. Joan Watson, Sherlock Holmes
Tags Elementary, Joanwatson, Sherlockholmes
Exibições 51
Palavras 3.537
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 26 - E se?


Medo e receio não são termos graficamente semelhantes, mas possuem significados parecidos. O receio se resume a apreensão, o medo pode ser a sensação que proporciona um estado de alerta diante de uma situação, decisão ou evento. Pavor é a ênfase do medo.

Sherlock estava apavorado.

Pavor era um dos poucos sentimentos ruins que não faziam parte da sua vida com frequência e agora ele estava diante do completo pavor. Sherlock ainda tentava entender o que tinha acontecido, detalhe por detalhe, desde o momento em que viu Joan dançando até o momento em que foi forçado a entrar no carro sozinho. Mas lembrava apenas de sentir algo queimando em seu peito ao vê-la sorrindo no meio do salão e dos seus olhos assustados quando Holloway a agarrou. Começo e fim. Havia muitos detalhes no meio que sua mente se recusava a lembrar, tiros, gritos, ordens, homens armados e Holloway.

Estava sentado no sofá agarrando os próprios joelhos pelo o que parecia ser horas, controlando-se para não explodir o Sobrado com todos dentro. Capitão Gregson conversava com seu pai na cozinha, ambos tentavam mantê-lo longe dos detalhes mais preocupantes. Inútil. Sherlock era capaz de repetir cada palavra que eles trocavam e sentir o cheiro da raiva dali mesmo. Ambos estavam com raiva. Talvez pelo furo na segurança dos aliados de Morland, talvez pelo número de feridos ou talvez por Joan, só talvez.

Entretanto a raiva que Sherlock sentia era potencialmente maior, beirando ao ódio descontrolado. Queria Joan ao seu lado, mas àquela altura parecia ser impossível. Queria respostas, mas todos lhe negavam antes mesmo de repetir a pergunta. Queria ter acesso às informações, mas todos fingiam a inexistência de qualquer coisa importante.

Sherlock estava mais do que frustrado, mais do que furioso. Principalmente porque mesmo ouvindo toda a conversa, nenhuma resposta completa surgia.

Agarrou os cabelos com força antes de se levantar e derrubar tudo o que havia em cima da lareira.

― O que pensa que está fazendo Sherlock? ― ouviu Morland perguntar às suas costas.

Virou-se para seu pai e respondeu em tom alto e furioso:

― Descontando minha raiva em algo que não seja o seu rosto! Onde ela está?

― Por que acha que eu sei?

Sherlock se enfureceu ainda mais e caminhou até o pai em passos largos e rápidos, parando poucos centímetros a frente dele.

― Porque você é o responsável por tudo isso. Você colocou a vida dela em risco! ― acusou entre dentes ― E se algo acontecer a ela ou ao meu filho, eu juro que vou acabar com sua vida miserável.

Sua respiração estava forte quando os olhos de Morland se arregalaram em um pavor obvio. A noticia revelada na ameaça claramente o pegara de surpresa, assim como ao Capitão Gregson também.

― Do que está falando Holmes? ― o Capitão questionou assustado ― Joan está grávida?

― Sim ― Sherlock cuspiu acidamente ― E eu quero saber onde ela está!

Gregson e Morland se entreolharam, uma mensagem silenciosa passando por ali.

― Ela está bem ― revelou um homem entrando na sala.

Sherlock lembrava bem dele, era Forllet, o suposto advogado de Joan. Um homem loiro de olhos opacos e mãos calejadas que aparentemente tinha as respostas para todas as suas perguntas.

― E onde ela está? ― insistiu desesperado ― O que aconteceu?

― Você sabia que ela estava grávida? ― questionou Morland ainda atônito.

Forllet respirou fundo antes de responder:

― Não até algumas horas antes da festa. Joan pediu para que eu não contasse a ninguém, ainda tentei impedi-la de ir por precaução, mas ela insistiu porque nada mostrava que algo ruim aconteceria.

― Devia ter me contado! ― Morland rosnou finalmente em fúria ― Eu pago você para cuidar dela!

― E eu cuidei Holmes! ― Forllet rebateu no mesmo tom ― Mandei meus melhores homens para lá assim que encontram a bomba em cima do lustre e nos preparamos para um possível tiroteio, mas tudo o que planejamos durante meses envolvia uma Joan apta para proteger, não para ser protegida. Ou será que não lembra que a prioridade era Sherlock?

― O quê? Do que está falando? ― Sherlock quis saber.

― Por causa dos negócios do seu pai você foi ameaçado de morte.

― Forllet! ― repreendeu Morland.

― Não há mais motivos para manter segredo Holmes, tudo já desmoronou! ― Forllet argumentou antes de voltar para Sherlock e continuar ― Acreditamos que era um grupo de antigos sócios do seu pai que estava por trás de tudo, tomamos nossas precauções e mesmo assim Morland quase acabou morto, assim como Joan que ficou no meio de um tiroteio. Tudo começou a desandar quando um anônimo ofereceu um bilhão pela cabeça de vocês dois.

Sherlock sentiu a fúria inflar em seu peito, assim como o descontrole.

― Isso é ridículo! ― gritou ― Nunca vi tamanha falta de planejamento e tanto absurdo em uma situação só. Podiam ter falado! Bastava me contar o que estava acontecendo e com certeza eu descobriria tudo antes mesmo de colocarem Watson nisso!

― Era exatamente o que não queríamos ― Morland retrucou ganhando um olha indignado do filho ― Dizer a você seria o mesmo que deixar você cuidar de tudo sozinho, como sempre faz. Não eram ameaças vazias Sherlock, muitas pessoas morreram antes mesmo de eu pedir a ajuda do Forllet. Eu não podia deixar que você se afundasse nisso.

― E afundou Joan no meu lugar? ― Sherlock retorquiu ― Como pôde? Como-

― Não a forcei a nada, só não sabíamos que ficaria tão ruim. Insisti para que ela aceitasse meu dinheiro e o apartamento, deixei tudo ao alcance dela e em troca ofereci ajuda com Holloway. Quando a vida dela começou a ficar em risco Joan começou a ter aulas de defesa-

― Isso não importa! Devia ter imaginado que eu o mataria se algo acontecesse a ela nesse meio tempo.

― Mas não vai nos matar porque ainda somos a maior fonte que tem sobre o que está acontecendo ― Forllet interrompeu em tom sério ― Nós sabemos onde ela está Sherlock, fique calmo.

― Não, não sabemos ― um dos seguranças corrigiu com cautela.

― Lucas, o que está falando?

― Fomos traídos senhor.

Se corações pudessem ser esmagados sem qualquer força externa, Sherlock diria que era o que estava acontecendo com o seu naquele momento. Pelo menos era a dor que sentia. Já estava sendo bem ruim mesmo ouvindo todos dizerem que sabiam onde Joan estava, tornou-se insuportável sabendo que essa pequena certeza não existia mais. Ainda se lembrava da última lembrança que tinha da parceira... ela presa no lugar do qual sempre correra, nos braços de Holloway, os olhos assustados e o sangue descendo por sua barriga.

Nós precisamos de você.

Foram as palavras dela ao revelar a gravidez, a mão dele em seu ventre. A culpa pela reação que teve ainda o consumia de uma forma avassaladora, culpa por ter instantaneamente negado o próprio filho. Sherlock podia ter tido qualquer reação ou nenhuma, mas tivera justamente a única reação que não podia: afastando-se. Revendo essa cena ele percebia que Joan tomara uma decisão ali, que provavelmente criaria a criança sozinha e esqueceria que algum dia um Holmes entrara em sua vida. Seguiria em frente como ele mesmo iria fazer ao viajar para Londres.

Sherlock não podia deixar de pensar o que aconteceria se não tivesse desistido de entrar no avião para dar meia volta e cancelar tudo com o pai, mesmo que isso contrariasse completamente seus princípios. O passado não poderia ser alterado. Mas e se tivesse entrado no avião? E se não estivesse naquele maldito salão na hora da explosão? Todos os seguranças do Forllet e do seu pai estariam a disposição somente de Joan e provavelmente ela estaria fazendo as malas agora para escapar de Holloway. E se Sherlock não tivesse se afastado ao saber do filho? Tudo ainda ocorreria? Ele ainda estaria na festa com ela?

― A culpa é sua.

Virou-se e encontrou Kitty de pé perto da escada com os olhos úmidos e vermelhos, Lin cabisbaixa ao seu lado. Inicialmente pensou que a raiva e a acusação na voz dela era para ele e aceitou sem oposição, sentia-se culpado de qualquer forma. Mas Kitty não olhava para ele e sim para o seu pai.

― Fique fora disso menina ― Forllet alertou.

― Ficar fora disso? ― Kitty se exaltou, aproximando-se e o olhando          ― Vocês dois a colocaram nisso. Morland nunca deveria ter pedido ajuda dela e você devia ter feito o seu trabalho direito.

― Nós fizemos.

― Não, com certeza não fizeram. Ninguém coloca uma bomba em cima de um lustre cinco minutos antes da festa. Vocês simplesmente não fizeram o trabalho direito. E agora? Quem vai contar a Sra. Watson que a filha dela está grávida e desaparecida?

Sherlock sentiu seu corpo esfriar e suas mãos começarem a suar pelo nervosismo. O que diria a Mary Watson? Como contaria duas noticias que deveriam proporcionar reações tão opostas?

― Eu conto a ela ― Lin anunciou com a voz baixa.

― Não ― Sherlock interrompeu sério ― Preciso fazer isso.

***

Arrependeu-se da sua decisão assim que parou em frente à porta dos Watson, a convicção de que deveria fazer aquilo sumindo como água sumia pelo ralo. Suas mãos voltaram a tremer e ele as fechou com força, sabendo que precisava ficar calmo.

A porta se abriu e logo uma mulher sorridente surgiu a sua frente.

― Sherlock! O que o traz aqui?

― Senhora Watson ― saudou em tom sério ― Precisamos conversar. É sobre Joan.

O sorriso de Mary Watson sumiu à medida que assimilava as palavras do consultor e em silêncio lhe deu passagem para a sala de estar. Sherlock começou a preparar a noticia, escolhendo cada palavra com cuidado, tentando ser o mais gentil e cauteloso que já fora em toda sua vida.

― Ele a pegou, não foi? Finalmente conseguiu o que queria.

As palavras o surpreenderam e ele não hesitou em lançar um olhar assustado a ela.

― Como...

― Não é preciso ser um gênio para notar. Seu rosto está horrível ― ela comentou enquanto se sentava no sofá, os olhos marejados ― Ela está bem? Já sabe de algo?

Sherlock engoliu em seco e sentou na poltrona em frente a ela:

― Não temos como ter certeza...

A Sra. Watson deixou uma lagrima cair e rapidamente a enxugou com a respiração falha.

― Ele não a mataria, não é? Quero dizer, Holloway sempre disse que a ama...

― Ele é... obcecado por ela, esse é o problema.

Os olhos de Mary cresceram consideravelmente.

― O que houve? Sabe de algo que aconteceu?

Sherlock engoliu em seco novamente e juntou as mãos com força.

― Joan está grávida.

Viu os olhos de Mary perderam um pouco mais do brilho que ainda restava e suas mãos pararem repentinamente.

― Grávida? ― ela repetiu atordoada, mais lagrimas escapando de seus olhos.

Sherlock nunca se sentira tão mal antes. Sentia-se completamente responsável pela situação e claro, pela sua falta de atenção em relação à gravidez. Deveria ter notado a gestação bem antes, mesmo que não visse Joan com frequência, deveria ter pensado na possibilidade assim que acordou ao lado dela. Deveria ter honrado sua fama como o brilhante detetive Sherlock Holmes e ter encontrado as respostas nos pequenos detalhes que passara a ignorar, entretanto, a verdade era que havia jogado sua fama e sua determinação na lama nos últimos meses.

― É seu? ― ele a ouviu questionar.

Sherlock se limitou a acenar, concordando.

― Eu não... não sabia que... ela não me contou... ― Mary gaguejou fracamente.

― Não foi planejado... nós não... ― ele se apressou em responder, incerto sobre o que dizer ― Não conseguimos tentar algo como um... relacionamento. E quando ela contou... eu não reagi bem.

Engoliu as próprias lágrimas e calou as acusações que gritava para si mesmo mentalmente. Não era um bom momento para isso.

― Joan confia em você, completamente ― Sra. Watson comentou em tom sério ― Como ela mesma já me disse, confiaria a própria vida a você e se necessário a vida de todos no mundo ― sorriu tristemente ― Um pouco dramático, mas muito expressivo. Joan sempre acreditou que você fazia as escolhas certas, que suas duvidas e falhas sempre o levavam ao triunfo.

― Parece que não há triunfo dessa vez ― Sherlock comentou sem olhá-la.

― Eu já ouvi e li muito sobre você Sherlock, mas nunca pensei que desistisse tão fácil.

Sherlock imediatamente a fitou, pronto para mais uma de suas respostas racionais e mal-criadas, mas assim que encontrou os olhos úmidos e vermelhos da mulher, parou. Precisava lembrar que a sua frente estava uma mãe com uma filha desaparecida e que muito da sensibilidade de Joan estava ali, tentando se manter presa naquelas olhos castanhos.

― Não desisti da sua filha, Mary. Jamais desistiria.

― Não é o que parece.

― Eu vou encontra-la, eu prometo ― Sherlock anunciou em tom firme ― Usarei cada segundo e cada gota da minha energia para isso.

Mary se remexeu no sofá e uniu suas mãos sobre as pernas, dizendo:

― Se há alguém que pode encontra-la... esse alguém não tem que ser você.

― Como? ― ele questionou confuso ― Eu preciso-

― Você precisa salvá-la ― Mary o interrompeu. ― Quero minha filha de volta, mas antes de tudo eu a quero salva. Livre daquele homem para sempre. Descubra o que está acontecendo Sherlock e descubra como acabar com isso.

― Mas e se ela estiver em perigo? Ela estava sangrando...

― Ele não a deixaria morrer... E suponho que toda Nova York esteja à procura dela. Mas só você pode cortar Holloway pela raiz e Joan precisa disso para viver em paz.

Sherlock a encarou, alimentando-se da convicção e da fé que emanavam da voz de Mary Watson. Ela acreditava no sucesso e na capacidade dele e estava na hora dele merecer essa fé.

***

Sua primeira parada foi no ponto de origem. A casa onde o corpo do suposto parceiro de Holloway fora encontrado. Forllet disse que Jeremy Veiga ainda estava vivo e usando outro nome, então Sherlock tinha que descobrir os motivos de Holloway criar todo aquele teatro. Por que revelar tudo aquilo? A faca sob a cama confirmada como arma do crime, os nomes escritos por toda a casa e que só podiam ser vistos sob luz negra, as plantas venenosas sob o piso da cozinha, as palavras aleatórias e sem sentido escritas com limão nos papeis, as digitais espalhadas por toda a casa... qual era o objetivo de tudo isso? Ele queria deixar nítida sua autoria sobre os crimes ou apenas desviar a atenção do verdadeiro culpado?

O que Sherlock estava deixando passar? O que não estava conseguindo ver?

Caminhou rapidamente pela sala, ligando as luzes negras à medida que passava por elas. Quando fechou as cortinas se limitou a virar e olhar ao redor. Tudo estava exatamente do mesmo jeito em que ele e Joan deixaram na última vez que estiveram ali, acrescentando apenas uma fina camada de poeira que começava a se formar. Então olhou para as duas estantes de livros afastadas da parede. Lembrava-se delas perfeitamente.

Estava no alto da escada, pronto para verificar o segundo andar quando se virou e encontrou Joan encarando as duas estantes. Conhecia aquele olhar, era exatamente igual ao seu quando suspeitava de algo não definido.

― Espero que não fique traumatizada com livros ― comentou ainda a observando.

Ela revirou os olhos e o ignorou, mas Sherlock permaneceu ali, vendo-a verificar se havia parede falsa e em seguida arrastar as estantes. Estava prestes a descer para ajuda-la quando Joan desistiu e foi para o corredor.

Aproximou-se das estantes e as observou com cautela. Ele mesmo havia ensinado Joan a notar e confiar nos instintos, naquela informação confusa que ficava rondando e incomodando a mente até ser eliminada. Joan achava que havia algo naquelas estantes ou naquele local, isso era obvio, a confusão e a desistência só a dominaram porque nada foi visto. Mas e se estivesse certa?

Em um passo alcançou o primeiro livro e o folheou, não havia nada dentro, nem mesmo um risco. Fez o mesmo processo com mais alguns e começou a se questionar se aqueles livros ao menos foram lidos. Havia muitos autores, muitos gêneros e até algumas coleções que havia em sua própria estante, o que era no mínimo estranho já que poucos tinham interesse nos mesmos assuntos que eles. Foi então que se deu conta do que estava fazendo e interrompeu o ato.

― Não parece uma casa de um dono de livraria ― observou se aproximando do Detetive Bell.

Como podia ser possível o dono de uma livraria não ter nenhum livro em casa? Devia haver pelo menos caixas com encomendas ou um livro qualquer jogado em um canto, cadernos com anotações de vendas ou compradores. Mas não havia nada e nenhum sinal deles.

― No mínimo teria que ter algum livro nessa casa. Obviamente ele não guardava nada do trabalho aqui ― Joan complementou ― A livraria dele era muito grande?

Voltou a olhar as estantes – agora desarrumadas – e em seguida para os livros que havia jogado no chão. Como não percebera a diferença? Elas não estavam ali no primeiro dia. Quando entrou naquela casa pela primeira vez para analisar a cena do crime, não havia nenhum livro ali, muito menos duas estantes cheias deles.

― Idiota! ― xingou enquanto se abaixava para revirar os livros mais uma vez. Com certeza havia algo ali.

Escutou a porta ser aberta, mas não se virou para olhar. Um nome chamou sua atenção, estava gravado com letras brancas em um fundo azul da capa, Max Planck.

― Já encontrou alguma coisa? ― escutou Detetive Bell perguntar ― O Capitão me disse para não deixar você morrer de fome aqui, então eu trouxe comida.

Sherlock mais uma vez o ignorou. Alcançou o livro e o olhou descrente. A Teoria da Radiação de Calor de Max Planck era um livro de 1914 que estava na pequena lista de presentes que ganhara de seu pai, Sherlock conseguira rasgar a ponta da capa enquanto o lia pela segunda vez e tentou dar um jeito nisso com fita adesiva. Também se lembrava de guarda-lo em um lugar quase inacessível.

Mas estava vendo seu péssimo trabalho como restaurador naquele momento.

― Holmes? ― Bell chamou pela segunda vez ― Problemas?

― Esse livro é meu ― Sherlock revelou enquanto folheava o livro até a ultima página e encontrava sua discreta assinatura na borda superior ― Como isso é possível?

― Bem possível, pelo menos é o que eu acho. Holloway entrou na casa da Joan, não foi? Pode ter entrado na sua também.

― Não, você não entendeu ― Sherlock interviu ainda confuso ― Esse livro estava guardado em um cofre que nem a Watson conhece.

Bell franziu o cenho.

― Por que guardou um livro em um cofre?

Sherlock balançou a cabeça descartando a importância disso e pegou o celular, subitamente se lembrando de detalhes que jamais seriam colocados lado a lado em outra situação:

― Eu estava fazendo uma pesquisa, não importa agora. O que importa é que havia algo muito mais valioso naquele cofre.

― O que ele disse a você Joan?

O tom de voz claramente a assustou tanto quanto o uso do primeiro nome saindo dos lábios dele. Claro que Sherlock percebeu, mas não se importou. Ela estava em uma cama de hospital graças a Holloway e Sherlock precisava saber o que tanto a assustou.

― Holloway... ele quis assustar você ― Joan revelou com a voz trêmula ― Com o veneno. Estava nos vigiando... naquela noite.

Sherlock engoliu com dificuldade. Sim, Holloway conseguira assustá-lo. Como ver Joan agonizando depois de beber um simples chá não o assustaria?

― Informarei isso ao Capitão Gregson ― respondeu tentando permanecer indiferente sob o sucesso do assassino ― O que mais?

 ― Ele ficou com raiva porque contei ao Capitão sobre o nosso relacionamento ― a voz dela saiu firme dessa vez, mas ainda rouca ― Disse que não queria ninguém revirando o passado.

A lembrança só o fez discar mais rápido o numero em seu celular.

Revirar o passado.

― Alô? Senhora Hudson?

― Sherlock? O que houve?

― Está na minha casa agora? ― ele apressou, agitado ― Preciso que verifique algo pra mim.

Sim ― ela respondeu suavemente ― Do que precisa?

― Preciso que entre no meu quarto e veja se tem algo embaixo da cama. Uma caixa.

Sob os olhos confusos do Detetive Bell, começou a andar de um lado para o outro impacientemente. Não poderia ser isso, não poderia ser algo tão ridículo do seu passado.

Não tem nada aqui Sherlock.

― Tem certeza?

Sim, além de poeira não há nada.

― Obrigado ― agradeceu, desligando o celular logo em seguida ― Droga!

― Vai me dizer qual é o problema? ― Bell insistiu.

Sherlock suspirou irritado com sua própria ingenuidade. Devia ter revirado a porcaria do passado antes.

― Eu sei quem está ajudando Holloway. 

 


Notas Finais


O que acharam?
Gente estou pensando em uma segunda temporada, muitas coisas. Faço ou não?


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