História I Apologize (Cellke) - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Rafael "CellBit" Lange, TazerCraft
Personagens Mike, Rafael "CellBit" Lange
Tags Cellbit, Cellke, Mike, Yaoi
Exibições 66
Palavras 4.982
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Fluffy, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais uma one shot p vcs :3
Pra essa eu meio que peguei uma one shot minha e refiz algumas coisas, e coloquei Cellke nela

Espero que gostem

Capítulo 1 - Sunset


Fanfic / Fanfiction I Apologize (Cellke) - Capítulo 1 - Sunset

PoV - Mike


O vento forte atinge meu corpo com força, estou pilotando rápido, mal posso ver as coisas passando ao meu redor através do visor do capacete. Vejo apenas os vultos entrando no meu campo de visão e abandonando-o rapidamente. É até algo bonito, dramático eu diria. Imaginar as coisas se juntando a você e te abandonando. É dramático. E drama é bonito, certo? Me perco nos meus pensamentos, e acabo não vendo a mulher atravessando a rua na minha frente. Desvio nos últimos segundos, jogando a moto para um lado e caindo dela, rolando pelo chão. A mulher corre até mim.


— Garoto, não deveria correr tanto. — Ela diz. Tento levantar, mas meu braço dói. — Não se mexe, vou ligar pra uma ambulância.

Droga! Deito minha cabeça no chão e espero até que a ambulância chegar, sentindo uma tontura e meus arranhões arderem. No hospital, meu braço esquerdo foi enfaixado, mas ainda me restou uma dor de cabeça irritante.

— Vamos analisar seu problema para saber qual remédio devemos receitar. — O médico diz, enquanto eu levo umas das mãos até a testa, sentindo o local doer.

— Ok. — Falo, me levantando. — Vou beber um copo de água e já volto.

Nunca tinha quebrado o braço antes daquilo, mal coloquei esse gesso e já o odeio pacas. Na sala de espera, caminho até o bebedouro, coloco o copo desajeitadamente na frente do bebedouro, e acabo esbarrando no botão errado e a água cai em mim. Aperto o botão novamente rápido e acabo me esbarrando no copo, que cai no chão.

— Porra! — Falo, amaldiçoando o gesso mentalmente.

Pelo menos, a sala aparentemente está vazia. Olho em volta. Droga tem um menino me olhando. Ele tem cabelo loiro, pele clara e olhos azuis em um tom assustadoramente claro.

Ele viu o que acabou de acontecer. Fico envergonhado por ter derrubado tudo feito uma criança. Então disfarço olhando para o outro lado, mas ele continua me olhando.

— O que foi? — Pergunto. — Perdeu algo aqui?

— D-desculpa, eu… Só tava tentando ver seu rosto. — Ele diz, desviando o olhar corado. — É que… É difícil para mim sabe…?

— Não, eu não sei!

— Eu tenho glaucoma. — Ele diz. — Além de ter a visão embaçada, enxergo em um pequeno espaço de visão.

Minha consciência pesa instantaneamente. Me sinto mal por um momento, podia ter sido menos grosseiro com ele. Uma mulher mais velha, provavelmente sua mãe, saiu do banheiro da sala de espera.

— Vamos filho. — Ela diz, confirmando minhas especulações.

— Estou indo mãe. — Ela caminha na frente e ele vai alguns passos atrás. Antes de sair do lugar ele me olha. — Tchau…

Ele acena.

Aceno de volta.

Assim que ele sai do hospital, eu me pergunto a razão pelo qual ele estaria me olhando. Paro diante um espelho que vai do chão até o teto, ainda na sala de espera. Olho meu reflexo, meu cabelo preto e curto, cortado em um topete. Meu corpo não tão alto, um pouco forte e desajeitado. O que ele teria visto em mim? Eu me considero… Feio. Não há nada em mim que agradaria alguém tão bonito quanto aquele garoto.

Mas então uma questão toma conta de meus pensamentos: Será mesmo que para alguém que está perdendo a visão, as aparências seriam tão importantes?

(...)

Uma semana se passou e aquele garoto ainda toma conta dos meus pensamentos. Nem o nome dele eu sei e também não sei se o encontrarei novamente. No meu trabalho na livraria, todos notam que eu pareço preocupado com algo, mas não sabiam o que era essa tal coisa.

— Cara, você tá muito estranho esses dias. — Diz Tayr, um colega de trabalho meu, enquanto estalava os dedos na frente do meu rosto. — O que tá acontecendo? Tá apaixonado?

— Que isso cara? Não tem nada a ver não…

Olho para a entrada da livraria, e o vejo. A mesma pele clara, os mesmos olhos azuis claros e a mesma aparência tímida. O garoto do hospital. Ele caminha em passos lentos até uma das prateleiras da grande livraria. Seus dedos passeiam pelos livros na prateleira, a fim de escolher um deles. Caminho até ele em passos rápidos e paro ao seu lado.

— Posso ajudar? — Pergunto.

Ele me olha e sorri tímido.

— V-você… — Ele diz tímido. — Achei que não íamos nos encontrar mais.

— Eu também, mas tivemos sorte, né? — Desvio meu olhar para a prateleira. — Eu queria me desculpar por aquele dia, eu fui um pouco rude. É que não reajo bem a esse tipo de situação. na verdade, não reajo bem a situação nenhuma…

— Tudo bem, não tinha como você saber. — Ele fala.

— Então… Aproveitando que a gente se encontrou novamente… — Eu ia perguntá-lo o porque de estar me olhando, já que não conseguiria descobrir sozinho. — Naquele dia no hospital… Eu queria saber por que você estava olhando para mim...

— Qual desses dois você me sugere? — Ele pergunta, segurando dois livros nas mãos.

— O que?

— Os livros. Qual dos dois acha que eu devo comprar? — Ele pergunta, me olhando curioso. — Sabe, você é funcionário, achei que saberia me dizer qual o melhor…

— Ah… Nenhum dos dois… — Eu respondo. — Olha esse, “A Morte em Veneza”. É perfeito, um dos meus favoritos.

— Eu li esse umas cinco vezes… — Ele diz, com um sorriso tímido no canto dos lábios. — Tadzio é um amor de pessoa, não é?

— Gosta dos clássicos? — Pergunto.

— Sim. Lolita, A Morte em Veneza, O Diário de Anne Frank, os antigos são os meus preferidos. — Ele diz. — Mas você ainda não me respondeu qual dos dois devo comprar…

— Leva o “Na Companhia das Estrelas”. — Digo, apontando para um dos dois livros nas mãos dele. — É ótimo.

— Tudo bem.

Ele abraça o livro contra o peito, o que o deixa mais fofo ainda.

— Ainda não sei seu nome. — Falo.

— Sou Rafael Lange. — Ele diz. — Mas pode me chamar de Cellbit, é meu apelido.

— Prazer Cellbit, me chamo Mike. — Digo.

— Bom, eu vou querer esse, Mike. — Ele diz, e caminha em direção do caixa para pagar o livro.

Caminho na frente dele e empurro Tayr do caixa, para que eu o atenda. Ele paga o livro e eu os entrego a ele em uma sacolinha.

— Espero poder te encontrar novamente. — Ele diz, corando.

— Eu estou sempre aqui, quando quiser me encontrar é só aparecer. — Digo, e ele se despede, saindo da livraria.

— Você já conhecia ele? — Tayr pergunta.

— Me encontrei com ele uma semana atrás, no mesmo dia que ganhei isso. — Mostro o meu braço esquerdo engessado.

— Eu sabia… Cara… Você está apaixonado! — Ele diz, me dando um soco fraco no braço e rindo.

— Nada a ver, cala a boca!

— Qual o nome dele?

— Cellbit…

— Cellbit e Mike, Cellbit e Mike… — Ele cantarola feito uma criança na quinta série. — O shipp de vocês é Cellke? Já posso começar a shippar?

— Não tem shipp porque eu não estou apaixonado! — Falo.— Agora volta pro seu trabalho e me deixa!

— Tá bom cara, calma! — Ele diz, levantando as mãos em sinal de redenção.

(...)

Um mês depois eu pude tirar o gesso do meu braço, foi um alívio já que aquele troço esquentava e ficava coçando, dava vontade de arrancar o braço para não ter que usar aquilo. Tudo bem, às vezes eu exagero.

O condomínio onde eu moro fica ao lado de um bairro de classe alta, e eu gosto de ir lá caminhar de vez em quando, já que é bem calmo e tem um espaço grande e bem verde, o ar é muito mais respirável do que no meu bairro, onde tem uma árvore por quarteirão.


Já é fim de tarde e o sol está se pondo, o que deixa a rua com uma coloração alaranjada. No meio da minha caminhada vejo alguém familiar. Cellbit. E quatro caras em volta dele. Os quatro bem maiores e mais fortes parecem provocar ele. Quando um dos caras empurra Cellbit no chão, corro até eles com raiva.

— Deixa ele idiota! — Me esbarro no garoto e vou até o loiro, ajudando-o a se levantar.

— Quem é você? O namorado dele? — Ele pergunta, e os outros riem.

— Não idiota! — Falo.

— Não chama o Coelho de idiota, bichinha! — Um dos amigos do maior fala.

— Por que? Você é o namorado dele? — Provoco.

Ele parte para cima de mim para tentar me bater, mas acerto um soco no rosto dele e ele cai.

— Isso não vai ficar assim, babaca! — Ele fala, levantando-se do chão.

— Deixa esses viados ai, Caneda. — Coelho diz, e o outro obedece. — Eles vão ter o que merecem!

Eles vão embora e eu me viro para Cellbit, que está quase chorando. Ele me abraça e eu retribuo o abraço.

— Obrigado… Se você não estivesse chegado eu não sei o que teria acontecido.

— Tudo bem, eu não vou deixar que nada aconteça com você. — Digo, beijando a testa dele. — Você mora aqui perto?

— Moro…


— Vou até sua casa com você. — Digo.

— Não precisa.

— Vamos, eu insisto. — Ele cede, e começamos a caminhar na direção que ele mora. — Eles já vêm fazendo isso com você a muito tempo?

— Sim, ficam me chamando de cego e me empurrando. — Ele diz, cabisbaixo. — Mas eu não ligo, eles nunca chegaram a me bater.

— Mesmo assim, você tem que falar com a polícia que está sofrendo agressões. — Falo, tentando encorajar ele.

— Não! Não quero envolver a polícia nisso. — Ele fala. — Esses caras conhecem muitos outros, se algo acontecer com eles alguém pode querer se vingar e fazer algo pior comigo ou com a minha mãe.

— Tudo bem, mas promete que vai tomar cuidado? — Pergunto. — Não ande sozinho na rua em lugares vazios, eles podem se esconder e pegar você de surpresa.

— Pode deixar… Vou seguir os conselhos do meu guarda-costas. — Ele diz rindo.

— Tô falando sério bobo…

Ele para na minha frente.

— Eu também… — Ele sorri. — Bom, essa aqui é a minha casa. — Ele aponta para a casa no qual estávamos na frente. — É hora de dizer adeus…

— Adeus então. — Digo.

Ele se inclina até mim e me abraça, um abraço forte e apertado, sinto seu rosto encaixar-se no meu ombro. Retribuo o abraço. Então nos separamos do abraço e ele corre até a porta, onde antes mesmo de colocar a chave, se abre. A mesma mulher do hospital e mãe dele aparece na porta, ele passa por ela e ela me olha com um olhar nada agradável, e fecha a porta com força em seguida.

Volto pelo mesmo caminho que fiz com Cellbit, mas desta vez sozinho com a cabeça na lua. Ouço passos rápidos atrás de mim e sinto uma pancada em minha cabeça, e logo caiu no chão. Tento me virar e vejo Coelho, Caneda e mais uns quatro caras todos eles começam a me chutar. Sinto logo minha coluna doer e uma dor forte na cabeça. Coelho se abaixa perto do meu ouvido e diz:

— Você não vai estar com ele para sempre!

(...)

No dia seguinte Cellbit apareceu no meu trabalho novamente, nós conversamos por poucos minutos para evitar broncas do meu chefe. Não contei a ele sobre o que aconteceu depois que o deixei em casa. Disse a ele que cai de uma escada e acabei me machucando. Ele acreditou, é inocente demais para questionar.

Ele teve que sair cedo porque sua mãe se preocupa muito com ele, mas no pouco tempo que conversamos descobri que ele tem dezesseis anos e seus pais são divorciados, e ele vive com a mãe. Também contei algumas coisas sobre mim para ele, que ficou surpreso em saber que estudamos no mesmo colégio há dois anos (No qual eu era bolsista, já que meus pais não tinham condições de pagar). Ele também me contou um pouco sobre sua doença, e que vai frequentemente ao médico, mas nada está conseguindo conter a doença.

Cellbit passou a ir me ver todos os dias no meu trabalho, ele ia, a gente conversava um pouco e ele ia embora cedo. A cada dia que nos falávamos me sentia mais apaixonado por ele, sentia mais vontade de beijá-lo, abraçá-lo e nunca mais soltá-lo.

— Admite que esteja apaixonado? — Tayr me pergunta.

— Admito. — Falo, e ele faz aquela cara de “EU JÁ SABIA”. — Mas não espalha, Mané!

Depois de algumas semanas repetindo a mesma rotina, ele aparece mais sorridente, quase saltitando de alegria.

— O que foi? — Pergunto.

— Bom, depois de muita insistência da minha parte, consegui que minha mãe deixasse a gente sair junto, mas primeiro ela quer te conhecer. — Ele diz. — Vai fazer algo depois do trabalho?

— Não. — Digo, rindo de felicidade.

— Pode ir lá em casa me buscar e aproveita pra conversar com ela... — Ele diz.

— Ótimo...

— Bom, agora eu tenho que ir, tenho um monte de trabalho da escola pra fazer. — Ele diz. — Tchau.

Ele sopra um beijo para mim antes de sair.

(...)

Sai do trabalho 16:00, quando chego em casa, me arrumo o mais rápido possível. Visto uma calça jeans escura e uma camisa branca sem estampa. Calço meu tênis preto e vou para a casa de Cellbit. Chegando lá, toco a campainha e a mãe. do loiro abre a porta. Ela é alta, cabelo preto, pelo rosto bonito dá para ver que foi mãe muito cedo.

— Filho, o seu amigo está aqui. — Ela grita. — Pode entrar, fica à vontade.

Entro e me sento no sofá, cruzo as pernas e ela se senta no sofá na minha frente.

— Já estou quase pronto, espera só mais uns minutos. — Ele grita do andar de cima.

A casa é bem grande e confortável, mas percebo que eles não têm empregados como os outros moradores que têm suas casas em volta.

— Meu filho falou de você. — Ela fala, ainda séria. — Ele gosta bastante de você.

— Ah... Eu também gosto bastante dele.

— Isso é bom, meu filho é frágil e eu me preocupo muito com ele. — Ela diz. — Eu odiaria se algo ruim acontecesse a ele.

— Não se preocupe quanto a isso. — Digo. — Eu não vou sair do lado dele, prometo que vou defendê-lo a qualquer custo...

Ela olha além de mim, e eu olho para trás de mim, no sofá, na mesma direção dela. Cellbit me aguarda com um brilho nos olhos, usando uma camisa com estampa de rosas coloridas, uma calça branca e tênis vermelho.

— Estou pronto. — Ele fala, sorrindo.

— Ah, ok, vamos.

                  
Levanto e caminho com ele até a porta.


— Hey, não vai dar o beijo da sua mamãe. — Ela se levanta e vai até Cellbit.

Dou um sorriso baixo.

— Ah mãe... — Cellbit cora, mas abraça a mãe.

Minha mãe não era tão preocupada comigo, não culpo ela, crescemos em um bairro onde todas as crianças acabavam tendo que aprender a se virar sozinhas, ela apenas fez o que todas as mães daquele ambiente faziam. Mas sei que ela me ama. Sei que meu pai me ama também.

— Voltem antes das oito. — Ela fala. — Sei que é cedo, mas é a primeira vez que te deixo sair à noite, então não vai começar com exageros.

— Tudo bem, mãe.

Saímos da casa e caminhamos até a minha moto. Entrego o meu capacete para ele, já que só tenho um prefiro que ele fique protegido. Subo na moto e ele senta atrás de mim, seus braços me apertam em um abraço de urso, e seu rosto afunda em minhas costas. O combinado foi ir ver o pôr do sol em um lugar que eu costumo ir, já estava bem perto da hora do sol se pôr, então fui bem rápido. Chegando lá, paro a moto na calçada e caminhamos pelo gramado, subindo uma espécie de morro, mas vale a pena pela vista lá de cima. Sentamos na grama junto com algumas outras pessoas. Cellbit senta bem perto de mim, ele encosta sua cabeça em meu ombro e nós esperamos juntos o sol se pôr. Aos poucos o sol vai se escondendo no horizonte, e algo que parece tão simples se torna lindo e maravilhoso.


— É lindo... Eu nunca tinha vindo aqui antes. — Cellbit diz. — Ver o sol de pôr do meu quarto não é nada comparado a isso.

Ele sorri. Ele me abraça. Eu retribuo o abraço.

— Muito obrigado, Mike. — Ele diz. — Sem você eu não sei se estaria aqui hoje.

— Faço qualquer coisa para te ver sorrir.

Ele olha para mim sorrindo, seu rosto bem perto do meu. Seus olhos encarando os meus. Assim de tão perto dá pra ver que seus olhos azuis claros tem muito pouco de azul claro, os cantos de sua íris já estão sendo tomadas por uma branquidão quase cinza.

Vejo-o corar, aproximo meu rosto do dele, nossas respirações se unem aos poucos e nossos olhos se fecham, nossos lábios se tocam. Aos poucos nossas línguas também começam a se mover juntas. O beijo não demora muito, sei que foi o primeiro beijo do Cellbit, então não quero fazer nada depressa demais.

— Vamos, já são seis horas. — Digo. — Temos que aproveitar o resto do tempo.

Seguro a mão dele e nós corremos até a moto. Chegando lá, ele coloca o capacete e subimos na moto. Vamos até uma sorveteria ali perto, onde ficamos comendo e conversando. Depois continuamos passeando na rua e conversando, até Cellbit ficar sério de uma hora para a outra, e pede para que eu o leve para casa.

(...)


— Até que enfim, eu falei oito horas, sabem que horas são agora? — A mãe dele pergunta assim que chegamos.

— Oito e quinze mãe. — Cellbit responde.

— Poderiam ter acontecido mil tragédias nesses quinze minutos.

— Mas não aconteceu. — Cellbit retruca.

— Mas poderia! — Ela insiste. — Agora se despede do Mike e sobe pro seu quarto.

— Tchau Mike... — Ele fala, vindo até mim e me abraçando. — Obrigado por hoje.

— De nada.

Ele entra e a mãe me olha parecendo irritada.

— Não foi culpa dele, nós estávamos conversando e nem vimos à hora passar. — Digo.

— Eu sei que não foi culpa dele. Boa noite. — Ela bate a porta.

Subo na moto e piloto de volta. Mas em determinado local, um carro para na frente da minha moro e freio bruscamente. Desço da moto e tiro o capacete. Coelho e os outros grandões saem do carro.

— A gente te viu se beijando com o viado cego em público hoje! — Ele fala. — Quem vocês pensam que são para ficar se agarrando na frente das pessoas!

— Você não tem o direito de... — Antes que eu termine de falar ele acerta um soco no meu rosto.

Caiu no chão e tento engatinhar até a calçada, mas ele chuta as minhas costas e eu caio deitado no chão novamente. Então todos eles juntos se abaixam perto de mim e começam a me dar socos. Ouço uma sirene e os grandões se levantam e correm para o carro, menos Coelho, que continua me batendo. Os outros dirigem para longe e uma viatura para ao nosso lado. Só então Coelho, que antes estava cegado pelo ódio, para de me bater e percebe o que está acontecendo. Dois policiais descem do carro.

— O que acabou de acontecer aqui? — Um dos policiais pergunta.

— Esse doente mental ai tava me espancando juntos dos amigos dele.

— Eu fiz o que devia ser feito! Viados como você merecem coisa pior!

O policial acerta um tapa no pescoço de Coelho, o tapa foi tão forte que ele cai no chão.

— Não devia dizer isso perto de um policial homossexual, idiota! — O policial fala.

— Temos um caso de homofobia aqui, e isso é crime. — O outro policial fala. — Vamos ter que levar o senhor para a delegacia...

— Por bater em um viado? Isso é injusto! Ele devia ser punido! — Coelho grita feito um louco.

No final, Coelho foi preso por agressão e pelos comentários homofóbicos. Eu queria dar a notícia ao Cellbit, mas ele não apareceu no meu trabalho no dia seguinte, nem na semana seguinte. Já estava começando a me preocupar, até que recebo uma ligação em uma noite.

— Alô?

— A-alô... Mike? — A voz no outro lado parecia triste ou até desesperada. — Sou eu, a mãe do Cellbit... P-preciso de você aqui... É o Rafael, e-ele está desesperado... Já não sei mais o que fazer...

— O que aconteceu com ele? — Pergunto preocupado.

— Vem rápido, por favor... — Ela pede, já chorando. — Não aguento ver meu filho nesse estado.

— Tudo bem. Estou indo para ai o mais rápido que posso. — Digo.

Calço um sapato e visto uma camisa qualquer e corro para fora do meu apartamento, desço até a garagem e subo na minha moto, pilotando rápido até a casa do Cellbit. Chegando lá, corro até a porta e toco a campainha, e a mãe de Cellbit me atende.

— O que houve? Onde ele está? — Pergunto.

— Ele está lá em cima. — Ela fala. — Nós acabamos de voltar do hospital, a doença dele piorou, e desta vez não tem mais volta...

Ela começa a chorar depois de falar.

— Do que está falando? O que aconteceu?

— Ele perdeu 100% a visão... — Ela diz. — Fala com ele, por favor... Só você pode acalmar ele.

— Tudo bem, eu vou falar com ele.

Subo as escadas correndo e entro no quarto. Chegando lá, vejo Cellbit escondido nas cobertas e em prantos. Suas lágrimas corriam pela sua face e ele chorava triste. Seus olhos estavam totalmente brancos.

— Cellbit, eu estou aqui, sou eu o Mike. — Digo.

Ele pula em cima de mim, me abraçando. Ele ainda chora e suas lágrimas mancham minha camisa. Deito ao lado dele, e deixo-o me abraçar. Ele acaba deitando em cima de mim, sobre meu peito e adormecendo depois de muito chorar. Eu acabo dormindo também. No dia seguinte, quando eu acordo, vejo Cellbit sentado na cama.

— Bom dia. — Digo.

— Você acordou... — Ele fala. — Estava te esperando para descer.

— Por que não chamou sua mãe?

— Eu não queria te deixar sozinho. — Ele fala. — Vamos, eu já estou com fome.

— Você já está melhor?

— Vou ficar. — Ele diz.

Ele passa seu braço entro o meu e o ajudo a descer as escadas. Chegamos na cozinha e nos sentamos na mesa, a mãe dele senta na nossa frente.

— Bom dia garotos. — Ela fala.

— Bom dia mãe.

— Bom dia. — Digo.

Eu quase não como direito, ajudo Cellbit a tomar café e a mãe dele nos observa. Depois de comermos, a mãe dele me chama para conversar.

— Obrigado. — Ela diz.

— De nada, a senhora sabe que faria de tudo por ele.

— Agora eu sei. — Ela diz. — Você é carinhoso e atencioso com ele, sinto que posso confiar em você. — Ela continua. — Sei que você e meu filho... Se gostam... Isso é um pouco claro... Olha, só quero que você saiba que, contanto que o faça feliz, vocês podem namorar...

— M-muito obrigado... Eu farei seu filho muito feliz. — Sorrio para ela.

(...)

Os dias seguintes minha rotina se tornou outra. Eu passei a sair do trabalho e ir para a casa do Cellbit, ficar lá até tarde e ir para casa depois. A mãe dele ainda não confiava em mim o suficiente para me deixar dormir com ele, mas eu não me importo com isso, não tenho muita pressa quanto a isso.

Até que uma noite ela precisou sair para resolver algo do trabalho e deixou que eu dormisse na casa dele, para que ele não ficasse sozinho. Ela mesma deixou camisinha para nós, segundo ela era melhor que fizéssemos com ela sabendo e com segurança do que escondido e sem. Eu não forcei nada com o Cellbit, ele também queria, então fiz no ritmo dele. Foi calmo e com carinho, tomamos banho depois e fomos dormir.

(...)

Meu namoro com o Cellbit estava sendo agradável, a cada dia me apaixonava mais por ele e a mãe já me tratava como se eu fosse de casa. As coisas estavam indo bem, até que um dia no meu trabalho recebo uma mensagem no celular.

“Hoje é o dia! Agora é a hora! Coelho foi preso por sua culpa, tá na hora de tirar algo seu também!”

Logo penso em Cellbit, estam tramando algo para ele.

— Eu tenho que ir! — Falo, caminhando para fora da loja.

— O que houve? — Tayr pergunta.

— Sinto que algo muito ruim vai acontecer. — Digo.

Corri para o estacionamento do shopping, subi na minha moto e fui direto para a casa do Cellbit. Toquei a campainha e a mãe de Cellbit me atendeu.

— O Cellbit está?

— Um amigo seu veio aqui e levou ele... Ele disse que você tinha pedido pra ele vir buscar o Cellbit...

— Que amigo?

— Ele disse que se chamava Tayr, e o Cellbit confirmou. — Ela fala.

— Droga! Droga! Droga! — Digo. — O Tayr trabalha comigo, ele tava comigo o tempo todo, não tem como ter sido ele… E o Cellbit não pôde ver então por isso achou que fosse ele.

— Oh meu Deus... — Ela fica desesperada. — Vou ligar para a polícia.

— Faça isso... Eu vou procurar ele! — Digo.

Recebo mais uma mensagem no celular, indicando o nome de um parque da cidade e uma foto do lugar. Logo sei que foi o Caneda que mandou. Subo na moto e piloto depressa até o lugar. Corro até encontrar o lugar da foto. Depois de muito procurar eu o encontro, e junto dele vem o desespero e a tristeza. Vejo de longe o corpo de Cellbit no chão, ele está imóvel. Os cinco brutamontes estão em volta dele, o chutando e batendo.

— DESGRAÇADOS! — Corro até eles.

Eles estão todos usando máscaras de caveira. Quando chego perto deles, todos fogem correndo. Ajoelho-me ao lado do Cellbit. Minhas lágrimas jorram dos meus olhos, o desespero toma conta de mim. Tenho vontade de chorar e gritar de ódio ao mesmo tempo. Chacoalho o corpo de Cellbit esperando que ele abrisse os olhos. Nada.

— CELLBIT! CELLBIT! — Eu grito. — Você não pode me deixar... NÃO PODE! NÃO AGORA!

Meu coração começa a bater cada vez mais rápido, e mal consigo respirar. O corpo imóvel dele não mente. Seu coração imóvel não mente. Não é possível nem sentir seu pulso. Ele está cheio de hematomas e o rosto pálido, menos em volta do olho, que está em um tom roxo avermelhado.

Minha cabeça parece que vai explodir de tanta dor, digo o mesmo do meu coração. Neste momento, eu acabei de perder a única coisa que importava para mim. Cellbit foi sem dúvidas a pessoas que mais amei, tudo nele me deixava cada vez mais apaixonado, seu jeito fofo, seu rosto infantil, suas brincadeiras bobas, suas lágrimas que me faziam querer chorar também, seu sorriso que me fazia querer sorrir também. Tudo isso foi tirado de mim.

Eu só queria poder beijá-lo uma última vez. Poder dizer a ele que o amo. Tem isso eu pude fazer. Como viver daqui para frente? Como sobreviver sem Cellbit? Como sobreviver sem o meu amor. Contínuo abraçado a Cellbit aos prantos por alguns minutos, até ter condições de pegar o celular. Olhando rápido no reflexo do meu celular, posso ver que meu rosto está todo vermelho, assim como meus olhos, que estão cheios de lágrimas ainda. Ligo primeiro para a polícia, e ainda com a voz rouca falo o que aconteceu.

A polícia não demora a chegar, e junto dele chega o carro que levará o corpo de Cellbit. A mãe dele foi comunicada e vai fazer o reconhecimento do corpo. Não quis ir com ela, já estava arrasado demais, vê-la chorar só pioraria ainda mais as coisas.


Fui chamado à delegacia para depor, contei toda a história aos policiais. Mas infelizmente, eles não vão poder prender o Caneda por falta de provas. Eles estavam usando máscaras e nem mesmo eu pude ver os rostos deles. A mãe de Cellbit deu a aparência da pessoa que foi buscar o Cellbit na casa dele, mas não batia com nenhum dos caras do grupo. Não havia nada a ser feito.

(...)


Não fiquei muito no enterro de Cellbit, falei para a mãe que não estava bem e ela me entendeu, então subi na minha moto e fui para o meu prédio, especificamente para o terraço. Devo admitir que passou pela minha cabeça a opção de me jogar, mas hesitei.


Sento no terraço, bem na ponta com os pés pendurados, onde fica bem visível o sol se pondo no horizonte. Cellbit disse uma vez que o sol não era tão bonito se pondo do seu quarto, foi quando eu o levei para ver o pôr do sol em outro lugar, mal sabíamos nós que aquela seria a única vez que ele veria o sol se pôr de outro lugar. Eu devia ter levado-o para mais lugares, devia ter feito-o mais feliz. As lágrimas voltam a tomar conta dos meus olhos, vendo o sol se esconder no horizonte e lamentando o fato de que Cellbit nunca mais poderá ver algo tão lindo como isso, do mesmo jeito que não podemos mais tomar sorvete juntos, e do meus jeito que ele não irá terminar aquele livro, “Na Companhia das Estrelas”, que eu passei a ler para ele depois de perder a visão, ele nunca saberá o que acontece com Hig e seu fiel amigo Jasper.

É como andar de moto, ver as coisas chegando rapidamente no seu campo de visão e ver elas saindo dele mais rápido ainda. Mas por que a vida nos dá algo e nos deixa felizes para depois tirar isso de nós? Essas perguntas me amaldiçoam.


Talvez ela só queira que a gente aproveite mais coisas simples, como um pôr do sol ou um amor adolescente.

E o sol finalmente se põe no horizonte, e eu seco as lágrimas no meu rosto.


Notas Finais


Espero que tenham gostado
Não me matem kkaksks
Comentem dizendo o que acharam
Bjos e até <3


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