História I Bet You All In - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias Monsta X
Tags All In, Hyungwon, Im(changkyun), Jooheon, Kihyun, Minhyuk, Minwon, Monsta X, Shownu, Wonho
Exibições 161
Palavras 4.848
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


ESTOU DE VOLTA, EU SENTI TANTA FALTA DE VOCES <3
então vamos as já conhecidas desculpas, dessa vez eu tive dois motivos para demorar tanto a atualizar:
1- Essas semanas era fim de bimestre, eu estava atolada de trabalho e tambem em semana de provas, e logo apos entrei em semana de recuperação
2- eu devia ter postado esse capitulo a dois dias, no entanto, a idiota aqui havia perdido a senha do spirit

CHEGA DE DESCULPAS, APROVEITEM O CAPÍTULO <3

Capítulo 17 - Capítulo 16


 

CAPÍTULO 16

 


"Se for por você
Eu poderia aguentar tudo facilmente
Estou pronto então
(Apenas acredite)
Eu quero ser mais forte
Que o eu de ontem
Me observe
Eu consigo"
- FIGHTER (Monsta X)

 

 

Ouvi a risada do homem a minha frente soar alto após as palavras de Minhyuk.

 O que estava ocorrendo ali? Aquele homem era pai do Minhyuk? Mas Minhyuk havia me contado uma vez que não chegou a conhecer seu pai e que fora abandonado por sua mãe aos nove anos e então foi achado e criado por Yoongi.

Minhyuk mentiu para mim?

Com isso, retirei a minha mão que segurava a blusa dele , e olhei novamente em direção ao chamado pai de Minhyuk, o qual, logo após parar de rir, falou:

– Não foi essa educação que lhe dei, garoto. Por que se nega a me apresentar esse rapaz, sendo que a garota que você dizia amar mais do que tudo, você me apresentou com um sorriso orgulhoso no rosto? Qual era o nome dela mesmo? SeeHya? Oh! Não... lembrei, ela se chamava Suya, ela era realmente bonita.

Eu estava confuso. Minhyuk amara outra pessoa antes de mim? Uma mulher? Por que ele nunca havia me contado sobre isso?

Direcionei meu olhar para ele, e fui surpreendido com o seu olhar sobre mim, “O que mais você escondeu de mim?” pensei. Como se soubesse o que eu estava pensando naquele momento, sua mão veio ao encontro da minha, no entanto, eu fechei minha palma, e assim dei um passo para trás. Eu não estava acreditando no que estava saindo da boca daquele homem, eu pouco me importava com o passado do Minhyuk, ele poderia ser até um psicopata assassino, porém era importante para mim que ele nunca escondesse nada.

 Mas foi exatamente isso que ele fez.

O quanto do que eu sabia era verdade? E quanto era mentira?

– Sinto muito, filho. Mas parece que você não havia contado sobre a sua noiva para o rapazinho? Ele parece um pouco surpreso. Suya ficaria tão decepcionada com você... se estivesse viva, claro.

– CALA A MERDA DESSA BOCA. – Minhyuk gritou enfurecido, já levantando o punho em direção ao seu pai, no entanto fora rapidamente impedido por Wonho e Changkyun, que o seguraram antes que atacasse.

Observado a cena, logo senti Kihyun se aproximar de mim e segurar protetoramente minha mão, a qual apertei.

Eu estava assustado. A aura do homem ainda era ameaçadora, e seu olhar não negava: ele não hesitaria um passo se quer ao atacar Minhyuk ou os garotos do Clan.

Meu único desejo era que saíssemos logo da presença dele, o mais rápido possível.  

Após a ameaça de confronto, Shownu, parecendo menos atordoado, se colocou na frente de Minhyuk, e falou direcionado ao homem. Sua voz soou calma como sempre:

– Senhor ShinHyuk, não queremos problemas, sabe que evitamos isso a mais de 5 anos, não sabe? O clan X e os rebeldes negros possuem uma promessa de não atrapalhar ou atacar um ao outro, somente em casos extremos. Espero que sua memória ainda esteja boa, apesar da idade.

Shownu como você cresceu, rapaz. O chefe ainda está vivo? Soube por alguns informantes que ele estava entre a vida e a morte. – respondeu ShinHyuk, ao dar tapinhas no braço de Shownu de forma descontraída.

A cada palavra das pessoas ao meu redor tudo parecia mais confuso para mim. Aquele homem era um inimigo? Ou se não, o que ele era?

De repente, pontadas em minha cabeça começaram, e leves tremores em minha mão se iniciaram, respirei fundo e apertei ainda mais a mão de Kihyun, o qual me olhou preocupado, e em resposta, apenas sorri, não queria o deixar preocupado, não precisávamos de mais um problema. O que estava ocorrendo ali na nossa frente já era o bastante.

– Ele está bem, obrigado pela preocupação. – disse ao retirar discretamente a mão do senhor de seu ombro – Então, como você já viu Minhyuk novamente e já conheceu Hyungwon, pode nos deixar partir agora? Temos coisas para resolver em nosso distrito, e sei que o senhor também não possui tempo para perder – nosso líder pediu ao sorrir.

A expressão de ShinHyuk tornou-se séria novamente ao falar:

– Claro, acabamos as coisas aqui, garotos. Vamos recuar, podem sair.

Assim que ele ordenou, cinco rapazes com capuzes negros saíram do meio das árvores, e mais outros quatro de cima delas, todos portavam uma arma em suas mãos. Ao ver as armas e o corpo daqueles homens, tive a certeza de que se Minhyuk tivesse atacado, claramente não teríamos nenhuma chance contra todos eles.

 A cabeça quente de Minhyuk um dia ainda iria causar problemas, esse idiota. Aish.

 Eu ainda me mantinha afastado dele, a ideia de que Minhyuk havia mentido sobre sua história, me machucava. Eu havia aberto meu coração para ele, havia lhe contado sobre meus problemas, sobre meu passado, sobre meus monstros, sobre minhas crises, coisas que eu jamais havia contado para ninguém.

 Eu contara a Minhyuk soube tudo sobre mim nesse tempo que estávamos juntos, desde qual era minha cor favorita até qual o motivo de cada uma das minhas lágrimas.

 Minhyuk me transformara em um livro aberto do qual ele foi capaz de ler cada pedacinho.

 Mas por que ele não permitiu que eu fizesse o mesmo com ele? Será que ele não percebeu o quanto eu desejava saber sobre ele? O quanto era importante para mim conhecer quem ele era?

Cada vez mais as coisas que Minhyuk havia me falado sobre ele apareciam em minha mente e eu tentava separar o que era mentira do que era verdade.

Será que ele gostava mesmo de livros? O nome da mãe dele era mesmo Mina? Cada vez que eu pensava mais sobre essas coisas, mais meu peito doía, e eu já podia sentir as malditas lágrimas surgindo em meus olhos.

            – Hyungwon? Você está bem? – a voz de Kihyun ao meu lado me puxou de meus pensamentos e com isso, olhei em sua direção, seu semblante era como o de uma mãe preocupada com o filho. Eu não pude evitar sorrir, seu olhar de alguma forma fora capaz de me acalmar um pouco.

Eu era mesmo merecedor de todo aquele carinho?

– Estou sim, hyung. Já podemos ir embora? – perguntei ao passar minha mãos sobre meus olhos, enxugando as lágrimas que ainda se atreveram a cair. E antes que Kihyun pudesse me responder, ouvi meu nome ser pronunciado, por uma voz que não pertencia a nenhum membro do clã:

Hyungwon? – ouvi meu nome sair dos lábios do pai de Minhyuk, o que fez com que eu olhasse em sua direção, ainda surpreso por ele está me dirigindo a palavra. E continuou:

Acho que a partir de hoje, vamos nos encontrar mais vezes, Chae Hyungwon.  Ou devo chamá-lo de Soo Hyungwon, já que desertou de seu distrito também?

Ouvi ele dar um entonação ao pronuncia aquele sobrenome, e logo após observei o sorriso amedrontador surgir em seu lábios, e então se virou, partindo sem espera uma resposta minha.

Senti as pontadas em minha cabeça aumentar, e as coisas ao meu redor começaram a girar lentamente. Eu sabia a quem pertencia aquele sobrenome... Soo era o sobrenome de minha mãe.  

Coloquei a mão sobre meu coração que batia aceleradamente, eu precisava me acalmar.

Era coisa demais para conseguir compreender, já não bastava a mentira de Minhyuk, e agora, de alguma forma o pai dele sabia o nome de minha mãe, e quando vi aquele sorriso surgir em seu rosto, senti todos os meus pelos se arrepiarem e meu instinto apitara para que eu mantivesse a maior distância possível dele.

 E o que mais me assustara... eu já havia visto aquele sorriso antes.

 

 

 

Após o encontro nada agradável, continuamos o nosso trajeto, mas diferente de antes, Kihyun ficara ao meu lado, e Minhyuk se colocou na posição que antes era de Kihyun.

Vez ou outra eu podia sentir o olhar de Minhyuk sobre mim, mas apenas ignorava. Se eu dissesse que eu não desejava contar tudo que eu estava sentindo a ele e receber seu abraço apertado, eu estaria mentindo, porém, o orgulho e a decepção que eu sentia dele, era maior.

E assim continuamos andando até chegarmos no fim a floresta, onde ao longe, já podíamos enxergar uma placa enferrujada, e ao nos aproximar mais já se tornava possível ver o que estava escrito apesar da ferrugem: “12 - Distrito de Ferro” o distrito doze antes da guerra de Cronos era o responsável por produzir metais, como o ferro. Daí o seu nome, distrito de ferro.

Atrás da placa, a nossa vista, se encontravam as ruínas do que um dia fora um distritos mais ricos de todo o nosso continente, nas escolas havíamos aprendido que se o distrito de ferro ainda existisse, cerca de 60% da pobreza nos outros distritos não iria existir.

Mas aqueles que vieram antes de nós pouco pensaram nisso. A guerra revela o pior lado do ser humano. Nossos ancestrais apenas deixaram o orgulho e a ânsia pelo poder subir a suas cabeças.

Eu me pergunto, quantas pessoas inocentes morreram? Quantas crianças ficaram órfãs? Quantas mulheres perderam seus amados? Quantos pais perderam seus filhos? E tudo isso para que? Para suprir a necessidade de pessoas acima, que nem foram ao campo de batalha, que apenas comandavam tudo, deixando que pessoas que possuíam famílias e sonhos se matassem por ideais que talvez nem fossem deles.

Ideais que talvez nem fosse os bons.

 Ao olhar aquelas ruínas, me perguntei se algum dia o ser humano seria capaz de viver perfeitamente em sociedade e se eu estaria vivo para ver esse dia chegar.

 

 

Enquanto caminhávamos, a ideia de que estávamos caminhando em um cemitério não saia de minha mente, eu sentia pelas aquelas pessoas que ali um dia viveram, pensava se elas tiveram mortes rápidas, ou se sofreram.

Eu desejava que pelo menos, elas tivessem sido um pouco felizes em suas vidas. 

 

Após mais alguns minutos caminhando, as estrelas iluminavam a escuridão de uma noite sem lua,a madrugada já estava no seu ápice. De repente,Jooheon e Shownu que estavam na nossa linha de frente, pararam e viraram em nossa direção.

Rapazes, estamos de volta. E Hyungwon... bem-vindo ao nosso refúgio. – Shownu falou e em seus lábios surgiu um enorme sorriso, e consequentemente os já conhecidos eyes smiles.

As luzes das casas eram vistas a mais ou menos uns vinte metros de onde estávamos. Havíamos chegado...meu coração estava batendo aceleradamente, eu era o único que as pessoas daquele lugar não conheciam, o que eles iriam achar de mim?

O nervosismo me consumia, porém eu não tive tempo para me acalmar, pois Kihyun já me empurrava em frente, enquanto os outros também já iam em direção a vila. Ao andarmos, logo ouvimos o badalar de um sino, simultaneamente, gritos comemorando e vozes avisando “Os guardiões retornaram” eram ouvidas apesar de nossa distância.

Senti a presença dele se aproximar em minhas costas, e acelerei meus passos, eu não desejava brigar com Minhyuk ali no meio dos outros, eu sabia que se ele dirigisse a palavra a mim, não iria conseguir me controlar.

Percebendo que eu não cederia, ouvi seus passos diminuírem, e suspirei aliviado. “Me desculpe, Senhor Cabelos de Neve”.

Doía-me ter Minhyuk longe de mim. Talvez eu estivesse fazendo uma tempestade em copo d’água, no entanto, quando se é criado no meio de um monte de ilusões e mentiras, você se torna alguém que desconfia de todos. Raramente abre seu coração e confia em alguém, e consequentemente, pessoas que possuem dificuldade em confiar, e mesmo assim decidem acreditar fortemente em uma pessoa, quando descobrem que essa pessoa mentiu, a dor se torna mil vezes pior.

– Você está nervoso? HEY! CUIDADO!

 A voz de Jooheon soou, me surpreendendo, e o que fez com que eu quase tropeçasse em uma rocha, quando sua mão segurou meu braço. “Você é tão desligado, idiota” pensei.

Após me recuperar, dei um risinho envergonhado, tentando disfarçar, e lhe respondi:

Um pouco, eu nunca sai do distrito 9, ou mesmo conheci pessoas de outros distritos. Será que elas irão me aceitar se souberem de quem eu sou filho?

Sabe Hyungwon, acho melhor mantermos isso em segredo. Você não é mais o filho do comandante, agora você é um guardião e pertence ao Clan X,é isso que importa, entendeu?

Acenei em resposta. Sim, eu pertencia ao X clan. A tatuagem nas costas de minha mão estava ali para me lembrar quem eu me tornara.

Uma nova fase de minha vida começava. Chegara a hora de deixar o passado para trás e focar no futuro que iríamos conquistar juntos.           

Eu podia sentir o olhar de Minhyuk em mim e Jooheon, porém continuei a ignorá-lo e olhei a nossa frente, avistando que havia pessoas com tochas acesas nos esperando na entrada.

Com isso observei aquele local, a vila era cercada por dois muros altos, com uma espécie de portal em seu meio, os muros eram escondidos por várias plantas que cresciam neles, e por enormes arvores. O caminho em que estávamos parecia ter sido recentemente construído, pois o cimento ainda se encontrava um pouco úmido. Levei a minha mão a qual tremia até o meu peito e sussurrei o mais baixo possível para que os outros não ouvissem: “Mais vinte passos e estaremos entrando no distrito fantasma, por favor, coração, se acalme.”

– Não se preocupe, eu estou bem atrás de você, Chae. Eles vão gostar de você.

Ouvi a voz do rapaz que eu estava ignorado soar bem próximo aos meus ouvidos, fazendo com que meus pelos da nunca se arrepiassem.

Maldito Minhyuk e o efeito que ele me causava.

Mas Minhyuk também sabia de como suas palavras possuíam poder de me acalmar e foi exatamente o que acontecera. Meu nervosismo diminuíra ao ouvir seu incentivo e só por sentir sua presença logo atrás de mim, a coragem surgira novamente e voltei a andar. Eu sabia que ele estava sorrindo atrás de mim, e foi inevitável um sorriso surgir em meus lábios também.

O amor, com certeza, é algo confuso e estranho.

O meu foco fora tirado da presença de Minhyuk ao avistar uma garotinha de cabelos loiros e pele branca, talvez mais branca do que a de Minhyuk,vindo em nossa direção.

A pequena parecia um anjo, seu vestido era branco e seus pés corriam no cimento descalços. Lágrimas pareciam escorrer de seus olhos enquanto corria cada vez mais desesperada em nossa direção

– HOSEOK- OPPA! OPPA!

Ao ouvi por quem a criança chamava, olhei em direção a Wonho, o qual também parecia ter sido surpreendido, mas já corria em direção a garota. Olhei para os outros membros, os quais gargalhavam e também sorriam a observar a cena.

De repente, lembrei de que Minhyuk me contara uma vez que Wonho possuía uma irmã mais nova e que ela era a única família que ele possuía... Luna, isso.

Luna era o nome dela.  Wonho e sua irmã não se viam a mais de dois anos, segundo Minhyuk.

 Quando os dois se abraçaram não pude evitar de sorrir. Wonho que às vezes parecia ser mais duro do que a maioria de nós, chorava igual um bebê a nossa frente ao tomar a irmã em seus braços.

– Estamos de volta, senhora. – Shownu e Jooheon disseram em uni som a se curvar em frente a uma mulher que estava em frente ao portal, ela devia estar na casa dos seus sessenta anos. Seus cabelos estavam totalmente brancos e ela vestia uma bata longa de cor branca também. Ao ouvi a saudação dos dois rapazes, sorriu alegremente em direção a eles, e disse em reposta:

– Sejam bem vindos de volta, minhas crianças.

Kihyun que estava ao meu lado também se curvou, e consequentemente me curvei também. Ao voltarmos à posição normal, puxei a blusa de Kihyun para chamar sua atenção, e quando ele virou para me olhar, perguntei:

– Quem é ela?

– Ora, temos um novo membro? – a voz da mulher soara, e percebi que o novo membro a quem ela se referia era eu, e então, rapidamente, virei em sua direção e me curvei novamente:

Me chamo Chae Hyungwon, senhora, sou o sétimo guardião.

Ainda com a cabeça baixa, senti a mulher se aproximar de mim, e sua mão veio em direção a minha cabeça, involuntariamente me encolhi um pouco, ainda não me acostumara com o toque pessoas que eu não conhecia, a idosa percebendo que me assustara afastou sua mão e disse:

– Seja bem-vindo ao nosso distrito, querido, sou a esposa do chefe daqui, podem me chamar de Elis. Mas agora vamos rapazes, vocês devem estar cansados e famintos, todos aqui estão à espera de vocês, rápido entrem.

Assim que terminou de falar, a mulher se virou e adentrou o portal, Jooheon e Shownu a seguiram e logo me puseram a andar também.

Ao andar eu ainda podia sentir o olhar de Minhyuk e sua presença logo atrás de mim, e era como se eu pudesse ouvir a sua voz em minha mente dizendo “Eu estou aqui, não tenha medo”, e assim como Minhyuk pedira, eu não tive medo e adentrei o portal da cidade também.

Ao entrar me deparei logo com várias tochas em espécies de suporte iluminando a rua onde estávamos, eles não possuíam luz ali?

As casa não eram muito diferente das do estorvo, talvez um pouco melhores por algumas serem decentemente construídas de madeira, apesar do clima meio sombrio do local, causado talvez pela iluminação precária e pelas árvores ao redor, risadas e um som de algo batendo em um certo ritmo podia ser ouvido.

Wonho ainda tinha a garotinha ao seu lado segurando uma de suas mãos. Vendo-a de perto, ela parecia um pouco maior, talvez tivesse em média uns 11 a 12 anos. Já os outros membros conversavam com as pessoas que surgiam, quanto mais andávamos mais indivíduos saiam das barracas e vinham nos saudar, até me esforcei e sorri para algumas pessoas que me davam tchau nas portas das casas.

Era mais do que claro que éramos respeitados por aquelas pessoas, eu me sentia feliz. Aquele lugar era acolhedor.

Paramos em frente a algo que parecia um galpão, apesar das inúmeras janelas que possuía. O cheiro de comida vindo de trás daquelas portas logo invadiram meu nariz, e consequentemente, minha barriga roncara em resposta. Desde que havíamos saído do distrito 9, não havíamos comido nada além de algumas barras de cereais e tomado água. O aroma de comida de verdade fazia minha boca salivar, aquele era o cheiro mais maravilhoso que eu já havia sentido em minha vida.

Vamos, rapazes, entrem. Senhora Kim e senhor Yang cozinharam especialmente para vocês.– a senhora Elis falou ao abrir as portas para que entrássemos.

Diferente do que aparecia no seu exterior, o refeitório era repleto de mesas, havia alguns jarros de plantas espalhados pelos cantos e mais ao fundo havia a cozinha, onde um senhor com a barba bem branca cantarolava uma melodia animadamente.

– Hyungwon, assim que terminarmos de comer, precisamos conversar. – Minhyuk falou ao se colocar ao meu lado.

Acenei em concordância. E me sentei em uma das mesas, sem lhe dirigir a palavra e foquei simplesmente na carne assada que estava em nossa frente. Ao olhar ao redor, percebi que várias pessoas também haviam entrado no refeitório e faziam um fila para comer. Que horas deveriam ser naquele momento? Talvez umas duas ou três da manhã.  

– Por favor, se sirvam, é bom ter nossos guardiões em casa novamente após esse longo período. – a senhora que anteriormente Elis falara que se chamava Kim, falou ao colocar os acompanhamentos em nossa mesa. Ela não precisou falar duas vezes, eu e os outros seis rapazes já atacávamos a comida, não somente o cheiro era maravilhoso, mas o gosto também.

 

 

Após três rodadas de churrasco, já estávamos satisfeitos, aquela com certeza era a melhor comida que eu já experimentara em minha vida.

Enquanto eu ria de uma piada que Jooheon contara, meu olhar acabou se encontrando com o de Minhyuk, e não foi preciso palavras para entender o que ele estava pensando. Estava na hora de conversamos. Com isso, balancei minha cabeça em um aceno para ele, com isso, Minhyuk se levantou e disse, ao se curvar:

– Eu e Hyungwon temos algumas coisas para resolver, se vocês nos derem licença. Ah! E senhora Kim, sua comida continua maravilhosa como sempre.

            – Me desculpe, e obrigada pelo churrasco, estava ótimo. – falei ao me curvar também.

            – Vamos – Minhyuk falou e puxou minha mão, apesar de estarmos brigados, era bom sentir o calor de sua mão sobre a minha e inconscientemente a apertei.

Minhyuk respondeu o meu aperto e segurou fortemente minha mão e continuou:

 – Vamos para minha casa, não é longe daqui.

Não lhe respondi, mas deixei que nossas mãos continuassem unidas.

Como Minhyuk disse, sua casa não era muito distante do refeitório. Logo estávamos em frente a uma casa também de madeira, mas que aparentava estar mais bem conservada do que as outras. Havia algumas plantas na frente, no entanto, estavam prestes a morrer, talvez não cuidassem delas a um bom tempo.

 Assim que Minhyuk destrancou a porta, adentramos o local, e logo as luzes foram ligadas, e observei o lugar a minha frente. Apesar da poeira, estava arrumado. As paredes mesmo sendo de madeira, estavam pintadas de branco, a minha esquerda havia uma estante repleta de livros das mais diversas cores, pelo menos Minhyuk não mentira sobre isso. Espera, havia luz ali? Minhyuk como se lesse meus pensamentos respondeu tentando controlar sua risada:

– Temos luz apenas por algumas horas aqui na superfície, para ser mais especifico: durante a madrugada, já que é mais fácil identificar alguma invasão com luz elétrica do que com luz de tochas. Mas durante o dia ficamos a base da luz solar.

Continuei a explorar o local, ao olhar para o lado direito me deparei com outra estante, no entanto, ao invés de livros, havia diversos objetos, os quais eu nunca vira antes.

 Minha curiosidade ordenava que eu chegasse mais perto e tocasse cada um daquelas coisas, porém, ainda havia algo a se discuti com o rapaz em minha frente. Aquela era a hora, eu não poderia ser fraco e ceder, e então, suspirei chamado a atenção de Minhyuk, e falei com o tom mais sério que eu possuía:

Por que você mentiu para mim?

– Eu não mentir para você, apenas omiti algumas coisas. – respondeu Minhyuk sem olhar em meus olhos.

– Minhyuk fala sério, você me contou que foi achado por Yoongi aos seus nove anos, e que não possuía nem pai e nem mãe, que nunca chegou ao menos a conhece-los. Isso não é mentir? Se você não considera isso a merda de uma mentira, então acho que você deve rever seus conceitos – a raiva que eu tentava controlar, começava a escapar da grade em meu peito em que eu a prendera, minha vontade era de socar a cara daquele garoto, por que ele não olhava pelo menos em meus olhos? Por que continuava com aquela maldita cabeça abaixada?

 – Eu não queria que você soubesse sobre a existência deles, se pudesse não gostaria de tê-los conhecido, preferia ser um mero garoto que fora achado por Yoongi. Sem pais. Não acho que eu tenha errado, Hyungwon.

Okay, eu ia perder minha paciência. Eu passei aquele caminho inteiro me controlando, mas agora não dava mais, ele achava que não estava errado? Então estava tudo bem mentir para o idiota aqui?

Você acha que não está errado? Minhyuk, eu te contei todos os meus segredos, eu confiei em você como nunca confiei em ninguém, eu abri a merda do meu coração e dos meus pensamentos para você. Ainda tem a coragem de dizer para mim que não estava errado?

– Hyungwon, essa é uma parte da minha vida que eu prefiro esquecer, por favor, não fique com raiva de mim. – A voz de Minhyuk soou mais baixa que o normal e eu podia jurar, que havia visto uma lágrima descer de seus olhos.

Eu te contei coisas que preferia esquecer também, eu deixei que você visse as minhas cicatrizes, DEIXEI QUE VOCÊ CONHECESSE O MONSTRO QUE HABITA EM MIM, E MESMO ASSIM VOCÊ NÃO CONFIOU EM MIM E PREFERIU MENTIR SOBRE SEU PASSADO? – eu havia chegado ao meu limite, e antes que eu percebesse, minha fala já havia se tornado um grito. Não havia mais como impedir, e deixei escapar aquilo que mais havia me perturbado:

– POR QUE VOCE NÃO ME CONTOU SOBRE SUYA? NÃO FOI VOCÊ QUE DISSE PARA NÃO TEMOS SEGREDO ENTRE NÓS? – eu já sentia as lágrimas escaparem de meus olhos e deslizarem pelo meu rosto.

Parecia que ele havia chegado ao seu limite também, e logo após meus gritos, Minhyuk se levantara, e ao ver a expressão em seu rosto, eu me arrependera de todas as palavras que eu havia dito, os olhos de Minhyuk estavam vermelhos por causa das lágrimas, havia dor em seu olhar, e vê-lo sofrer era o meu ponto fraco.

– SABE POR QUE EU NÃO CONTEI SOBRE SUYA? POR QUE EU FINALMENTE TINHA VOCÊ AO MEU LADO. EU AMEI VOCÊ DESDE QUE EU ERA UMA MALDITA CRIANÇA – seu grito fora interrompido por um soluço que havia escapado de seus lábios, mas logo continuou: – EU SOFRI TANTO AO ACHAR QUE NUNCA SERIA CAPAZ DE LHE ABRAÇAR. O QUE ESPERAVA QUE EU FIZESSE AO TER VOCÊ FINALMENTE EM MEUS BRAÇOS? QUE TE CONTASSE QUE ESTÁ AO MEU LADO PODERIA MATAR VOCÊ? Droga.  

Aquele fora o golpe final. Naquele momento eu me senti o pior monstro do mundo, as lágrimas de Minhyuk eram como facas sendo enfiadas em meu coração.

 Seus soluços aumentaram, e ele acabou indo em direção ao chão, novamente eu machucara a pessoa que mais amava nesse mundo. Eu precisava me desculpar.

– Minhyuk, me desculpa. – Falei ao me abaixar para ficar mais perto dele.

            De repente, fui surpreendido por seus braços ao meu redor, os quais me envolveram em um abraço, eu não conseguia mais segurar que as lágrimas caíssem, e acabei apertando fortemente a região do pescoço de Minhyuk, inúmeras desculpas eram sussurradas por mim. Em meio aos soluços, porém, Minhyuk nada dizia, apenas continuava a me abraçar. Após algum tempo, senti sua mão acariciar meus cabelos, e finalmente ouvi sua voz:

Está tudo bem, Chae. Eu deveria ter lhe contado antes. Não precisa se desculpar, está tudo bem.

Afrouxei um pouco o aperto, e levantei meu rosto para olhar nos olhos de Minhyuk, e pedi novamente:

– Você me perdoa?

Minhyuk sorriu em resposta e deixou um selar em meus lábios, e disse logo após:

– Não importa quantas vezes você me machuque eu vou perdoar você, mesmo que exista horas que você cause dor em mim, existem mais horas ainda que você é minha cura. Você é o único que me faz escapar dessa loucura que esse mundo me causa.

Ao ouvir aquelas palavras saírem de sua boca, não hesitei e rapidamente colei nossos lábios, e logo nos envolvemos em um delicado beijo.

 Eu amava Minhyuk mais do que tudo.

 

 

Após nossa discussão, Minhyuk fora tomar banho, e eu fui logo após. E depois disso, nos deitamos na cama, e o senhor cabelos de neve me envolvera novamente em seus braços, eu nunca me cansaria de sentir o calor de seu corpo em contato com o meu, também nunca cansaria do seu cheiro.

– Minhyuk? – falei ao cutucar sua bochecha com meu dedo indicador.

Hm? – respondeu ao se arrumar para que pudesse olhar para mim.

Você sabe cantar? Changkyun um dia disse que você vivia cantando quando vocês acampavam durante as missões. – eu realmente estava curioso sobre a voz de Minhyuk. Kihyun também havia dito que ele era um excelente cantor, no entanto, eu nunca havia o visto cantar em minha frente.

Sei sim. Por que? – perguntou ao beliscar uma de minhas bochechas.

– Porque você nunca cantou para mim? – assim que terminei de falar, um beicinho surgiu em meus lados, eu sabia que Minhyuk não resistia as minhas tentativas de ser fofo, no entanto, eu estava realmente chateado por nunca tê-lo ouvido cantar. 

– Você fica adorável com esse beicinho, sabia? Quer que eu cante para você? – disse e me trouxe para mais próximo do seu peito, e eu acenei em resposta. – Okay, vamos pensar... Ah! Já sei. 

 E então ele começou:

“O calor do amor continua
Ainda há tempo para tudo
Avançando lentamente mais perto de seu coração
Lendo o seu mais profundo segredo

Amor precisa de tempo,
A fim de ser comprovado
Por favor,
Tenham fé em mim
Eu prometo a você

Você diz
Você está com medo de perder o verão, antes que aconteça
O que você não sabe
Meu verão chegou por causa de você

Meu coração doeu quando suas lágrimas caíram ontem
Como você sussurrou que me ama
Quando eu segurei você em meus braços tive a certeza do que é amar.."

Meus olhos começaram a pesar, e logo adormeci nos braços de Minhyuk, ao som de sua canção, e embalado pelo subir e descer da sua respiração.

Uma nova vida e um novo mundo me esperavam, e contando que Minhyuk continuasse ao meu lado e segurando as minhas mãos, eu não teria medo.


Notas Finais


EITA EITA, ESTÃO SENTINDO CHEIRO DE TRETA SE APROXIMANDO? QUAL SERÁ A RELAÇÃO DO PAI DO MINHYUK COM A MÃE DO CHAE? E O QUE SERÁ QUE ACONTECEU COM A AMADA DO MINHYUK?
Continuem acompanhando a fic para saber o que irar acontecer, até o proximo capitulo, se sentirem confusos, fiquem calmos, algumas coisas irão se reveladas no capitulo 18
<3
obs: sobre a continuação baseada em fighter: será em uma fic nova, quando essa chegar ao fim, sabe?
NÃO ESQUEÇAM DE COMENTAR, UNNIE AMA VOCES <3


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