História I Guess I'm Damaged - Capítulo 5


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Poesias, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Solidão a dois.


Cinco minutos. Esse é o tempo mínimo que eu demoro pra fumar um bom cigarro.

A madrugada estava mais melancólica que o normal. Quer dizer: Era pr’eu estar estudando nesse exato instante, mas acho que a vida não queria isso de mim.

Argh... Dá trabalho demais ser um escritor. As inspirações aparecem do nada, assim como a melancolia.

É verdade: Às vezes eu fico melancólico do nada, e isso não é ruim. Não pra mim. Quando isso acontece eu gosto de ficar só, de ouvir músicas depressivas (normalmente alguma dos Engenheiros do Hawaii) e fumar um bom cigarro.

O cigarro, de uns tempos pra cá, está sendo indispensável na minha vida.

Sabe aquela coisa que d’eu acender um cigarro logo depois de cada beijo nosso?

Então. Eu não sei se isso é um hábito bom ou ruim (claro que se levarmos em conta o cigarro, seria um mau-hábito).
Mas acho que toda vez que acendo um cigarro é pra suportar; Suportar muita tristeza, muita raiva, muita felicidade, muita paixão, muita angústia...
Eu ainda não descobri o que eu suporto depois dos nossos beijos e, sinceramente, eu não quero descobrir. Quer dizer: Se eu descobrisse iria perder a graça e o mistério do acender do cigarro.

Sabe aquela música dos Engenheiros, “Até o Fim”?
Eu adoro aquele maldita música, se eu pudesse usava ela como filosofia de vida, mas não posso. Não posso porque em qualquer momento é como se eu fosse mudar de ideia do nada, e simplesmente fosse sumir. Mas calma, é um risco à correr.

Às vezes acho que a música deles que mais combina com a gente é “Nada a ver”. Por quê? Bem...
Porque “de dia eu não te vejo nem desejo, eu vejo que não dá (A gente não tem nada a ver)”.
Mas “Toda a noite, a noite inteira, eu penso em ti, eu penso em te encontrar (A gente não tem nada a perder)”.

É muito louco pensar que, pela primeira vez eu tenho algo pelo o que arriscar? Nunca fui de correr riscos, até porque sou de capricórnio.

Eu acabei de sorrir porque lembrei que você também é de capricórnio. E eu só consigo pensar num mapa astral todo zoado pra você ter essa de arriscar, sabe?

“Estamos sós e nenhum de nós sabe exatamente onde vai parar.”

Eu sou um adolescente beat. E não posso fazer nada sobre isso porque, apesar de tudo, eu amo ser assim; Eu amo ver a verdade do subúrbio que vivo, amo escrever sobre a verdade que vivo, amo me sentir triste o tempo todo porque nada muda de verdade e amo muita coisas simples.
Eu sei que ler isso pode doer, mas é o fardo que você tem que carregar. É tão doloroso pra mim quanto seria pra você, mas acho que nunca irei ouvir um “eu te amo” de você, nem você de mim.

Okay, agora eu tô rindo porque... Bem, primeiro tô rindo porque tô sendo muito exagerado e apressado. E em segundo lugar tô rindo porque eu sei que as coisas mudam.

Mas sei que uma coisa nunca vai mudar: O meu eu de agora. E o eu de agora não diria um “eu te amo” nem pra própria mãe.

Acabei de suspirar. Às vezes eu faço isso, essa coisa de suspirar. Me ajuda tanto quanto o cigarro. Só tem uma coisa melhor do que suspirar e fumar: Suspirar fumando.

Eu sou adolescente que vive esperando a porra de uma tragédia.

“Afinal de contas, o que nos trouxe até aqui: Medo ou coragem? Talvez nenhum dos dois.”

Talvez – mas só talvez – a indecisão me trouxe até aqui.

“Aonde leva essa loucura?”

Sinceramente? Eu não sei.

“O que diziam os poemas?”

Tanta coisa!

“O tempo nos faz esquecer o que nos trouxe até aqui...”

Eu nunca soube o que me trouxe até aqui, e se soube, eu realmente esqueci.

Argh...

Tudo tem algo pra ser compensado sabe?

Muita felicidade se compensa com uma dose de tristeza. Muita sorte se compensa com uma dose de azar. Muito amor se compensa com uma dose de dor.
E eu uso muita melancolia, só que ainda tô esperando minha dose de contentamento.

Você não acha que a gente se engana muito por aí? Não acha que a gente tem muita certeza de tudo, e quando essa certeza desaba, nossa alma desaba junto?
Quer dizer... A gente confia muito em alguém e, certo tempo depois essa pessoa nos decepciona. Isso faz um pedacinho da alma desmoronar.
Claro que isso foi só um exemplo! Mas é o que eu acho: Quem me garante que todos ao meu redor não estão esperando a oportunidade certa pra me decepcionar, pra me foder?

Eu juro que tento confiar nas pessoas, mas acho que algo meu essa coisa de “confiar sempre desconfiando”. Confio em apenas 4 pessoas, e não, nenhuma delas é da minha família. Mas considero como pessoas tão especiais que eu me importo com elas, e não daria uma de escritor-egoísta-sádico pra cima delas.

Acho que estou aqui na vida simplesmente pra esperar; Pra esperar ser fodido, pra esperar a felicidade, pra esperar a tristeza, pra esperar o amor... Apenas esperar algo que nunca vai se concretizar. A eterna espera.

Acho que é por isso que eu fico bêbado pra caralho de vez em quando. Porque quando eu bebo, ao menos três coisas concretas acontecem: Eu fico bêbado, digo verdades e fico de ressaca no dia seguinte.

Eu lembro de ter falado com você enquanto bêbado. Lembro mesmo. E acho que você tem uma puta sorte sabe? Tem uma puta sorte porque eu te disse algo bom. Há quem possa reclamar por aí por ter recebido mensagens irritantes e idiotas minhas, e como há!

“Se eu tivesse a força que você pensa que eu tenho eu gravaria no metal da minha pele o teu desenho”.

Eu não sei qual a sua visão de mim, mas seja ela qual for desconstrua agora!
Eu sou só eu: Um adolescente melancólico, fumante, escritor, que gosta de músicas e que é beat. Nada além do comum.

Acabei de suspirar, de novo.

Acho que quando o inevitável fim chegar vai doer mais em você do que em mim. Pelo menos no início, porque é sempre assim: Não sofro nada no começo do fim, e no fim do fim eu estou me afogando em melancolia.

Eu queria poder ser que nem você sabe? Não ligar pro futuro.

“Agora eu me arrependo, roendo as unhas, frágeis testemunhas de um crime sem perdão, mas eu falei sem pensar! Coração na mão como o refrão de um bolero. Eu fui sincero...”

Todas as citações daqui são dos Engenheiros do Hawaii.

Eu queria tanto que as músicas deles não me descrevessem tanto. A madrugada tá perto de acabar, e eu acho que isso aqui também tem que ter um fim. Aliás, é o fim deste capítulo, okay?

Então acho que vou deixar uma citação de uma música que agora me define; Define meus caóticos sentimentos e define o meu eu.

“Não quero ter o que eu não tenho, não tenho medo de errar.”

- Surfando Karmas & DNA.

Nunca é algo ruim estar melancólico. Logo vai ter aula e eu vou aparecer lá no portão, com um cigarro na boca, uma melancolia na alma e um sono na cabeça. Não fique braba, fique em silêncio ao meu lado. Porque é isso: a solidão à dois.



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