História I Hate Loving You - Capítulo 56


Escrita por: ~

Postado
Categorias Les Twins
Personagens Larry Bourgeois
Tags Larry Bourgeois, Laurent Bourgeois, Les Twins
Exibições 69
Palavras 8.979
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi gente, como estão? Espero que bem.
Mais um capitulo e espero muito que vocês gostem.
Guardem ele no coração, ele será lembrado daqui a um tempo.
Vamos ler.

Capítulo 56 - Na vida, e na morte


Fanfic / Fanfiction I Hate Loving You - Capítulo 56 - Na vida, e na morte

“É difícil criar coragem

Num mundo cheio de pessoas

Você pode perder tudo de vista

E a escuridão dentro de você

Pode te fazer sentir tão insignificante”

— True Colors – Anna Kedrick

 

Ao abrir os olhos, a primeira visão que tive foi bem confusa. Não reconheci o lugar de inicio. Fiquei nervosa. Permaneci parada por alguns segundos olhando para aquele imenso salão cercado de espelhos. Logo, ao olhar os lados, minha memória foi voltando a tona e eu pude ir vendo que aquele ambiente era mais familiar do que eu poderia imaginar.

Um salão de dança. Um antigo salão de dança.

O meu... salão de dança.

Um imenso aperto no peito me dominou em instantes. Uma forte angustia me tomou.

Por um longo tempo eu permaneci parada, estável, sem reação. Aquele lugar ainda me causava calafrios.

Então, sinto as mãos de Larry circularem minha cintura por trás e logo ele apoia seu queixo no meu ombro, junta suas mãos com as minhas e as aperta. Aquele gesto me fez voltar mais um pouco pra mim, e só então percebi que uma musica já pairava o lugar.

True Colors, da Anna Kedrick.

Ele me apertou mais ao seu corpo, e então em um leve balançar começou a me guiar. Eu ainda estava sem reação.

— Amor.... — sua suave voz ao pé da minha orelha me chama. — Ta tudo bem? — Ele dá um beijinho em meu pescoço.

Demoro segundos pra processar sua pergunta.

— Larry, eu não entendo... — Comecei a olhar ao redor. — Porque me trouxe aqui?

Ele antes de me responder, segurou minha mão e me fez girar, meio desengonçada. Depois me puxou novamente pra ele, só que dessa vez de frente.

— Achei que gostaria de vir aqui. Esse lugar é tão importante pra você, não é mesmo?

—Eu...” — Fechei os olhos e dei um longo suspiro, tentando voltar a minha naturalidade.— Eu só não esperava por isso. Eu precisava me preparar pra... Essa atmosfera. Desculpa.

— Não — me interrompeu. — Não precisava de nada. Apenas aproveite.

Como aproveitar esse lugar?

Ele me largou e então, ainda um pouco lerda, voltei a observar o lugar.


 

Passei longos e longos minutos andando por ali sem rumo nem porquê, olhando pro meu reflexo nos espelhos, prestando atenção na tinta descascada das paredes, chutando o chão... Angustiada.

— Ainda não entendo, Larry — me virei pra ele novamente. — Desculpe.

Dei de ombros, um pouco sem jeito. Um dos momentos mais marcantes da minha vida havia se passado naquele lugar. O momento que me impediu de ter a vida que eu sempre quis. O momento que destruiu meus sonhos. Eu passei anos tendo pesadelos com esse lugar. E agora, ele me traz aqui?

— Bom... — ele veio se aproximando. — Em Fevereiro, nós completamos 1 ano que nos conhecemos. — Ele sorriu, tocando em meu rosto.

Parei espantada e tentei voltar ao tempo pra ver o porque eu não me lembrava disso.

— Fez 1 ano que eu esbarrei com você naquele corredor. — Ele estava com um enorme sorriso bobo nos lábios.

Passei mais alguns segundos pra processar.

— Mas... Como assim? Estamos em praticamente em Novembro. Isso foi há... 9 meses atrás? Não faz sentido. Por que só estou dando conta disso agora? Em que mundo nós estávamos que não comemoramos isso? Por que você...

— Porque sou um idiota. — Ele deu de ombros. — Eu estava em turnê na época, esqueci completamente dessa data e não queria confessar que fui estúpido. Mas hoje, senti vontade de te pedir desculpas por isso. Só agora tomei coragem.

— Caramba, mas eu também errei né. Eu também esqueci. Me desculpe. Eu...

— Não, não... — Ele pôs um dedo nos meus lábios, me impedindo de continuar falando. — Não se desculpe. Você não errou em nada. Fui eu.

Ele ficou me olhando nos olhos, bem próximo ao meu rosto. Suas palavras soaram com muita convicção, como ainda tivesse algo que eu não sabia.

— Como assim? O que quer dizer? Larry, eu esqueci! Como eu pude esquecer de uma data dessas! Foi algo importante e eu vacilei.... Eu...

Não Claire! — Ele suspirou. — Você estava doente! Você não teve culpa. — Ele deu mais uma pausa, como se tocar naquele assunto incomodasse muito ele. — Não foi nada demais. Eu deixei você em Janeiro, acredito que naquela altura você já não queria se lembrar de mais nada que tivesse haver com nós dois. Você não errou. Eu que fui o pior namorado dessa Terra. Eu que tenho que me desculpar.

Assenti com a cabeça, sem saber muito o que dizer em um assunto como aquele. Assunto que ainda mexia muito com nossas lembranças.

— Okay. Tudo bem. Mas ainda não entendo por que hoje? E por que aqui?

— Eu também não sei — ele me segurou pela mão e me fez girar, mais uma vez. — Não sei porquê hoje, não sei porquê aqui. Acho que você não devia ter me levado pra ver um casal feliz com uma vida feliz em um bairro feliz com um lindo filho feliz. Posso dizer que senti uma invejinha? — Ele concluiu baixinho, cochichando de um jeito engraçado.

— Idiota — empurrei ele pelo peito fazendo ele dar 2 passos pra trás, rindo.

— Tá, estou brincando. Acho que só quis mesmo enfeitar o cenário pra poder te dizer algo que você já sabe.

— Dizer o que? — Circulei meus braços em suas costas e o puxei pra perto.

Ele levantou a ponta do dedo e começou a contornar meu rosto suavemente. Fechei os olhos e me permiti apenas sentir o calor que seu toque me causava. Apenas quando seu dedo deslizou pelo meu lábio que abri os olhos novamente e encarei o olhar apertadinho que estava sobre o meu.

— Dizer que não sou nada sem você. — Foi a primeira coisa que ele falou, já me arrancando um sorriso torto. — Cada momento que vivo, gosto de viver ao seu lado. Não sei o que será de nós dois depois de amanhã. Não sei qual o rumo nós vamos tomar. Não sei o que a vida nos espera. Então quero aproveitar cada segundo ao seu lado, pra poder dizer o quanto eu te amo. E o quanto eu ter te conhecido fez minha vida ter sentido. O quanto esse 1 ano e 10 meses valeu tudo pra mim. Se voltarmos naquela noite, a mais de um ano atrás, quando você se levantou e me disse adeus, e alguém pudesse ler meus pensamentos, saberia que eu estava desesperado.” — Ele encostou sua testa na minha e deu um riso preguiçoso. — Eu fiquei com medo daquela menina tão adorável realmente desaparecer da minha vida. Fiquei com medo do seu adeus ser verdadeiro.

— Você tinha me conhecido a apenas umas horas, Larry — dei um sorriso implicante. — Não acha isso exagero?

— Não e não importa. Eu não me importo. Que toda a minha vida se consuma naquelas miseráveis horas! Para que eu te prove o quanto elas foram especiais pra mim! — Em seus olhos transpareceram lágrimas, como uma fonte de amor inesgotável. — Vamos voltar 9 meses atrás, fingir que nada daquilo aconteceu, e hoje, dia 2 de Fevereiro, eu estou te levando pra sair, pra comemorar 1 ano que nos conhecemos.

Eu ri, sentindo uma sensação indescritível tomar conta do meu peito. Algo parecido com vontade de chorar mas ao mesmo tempo saltitar de alegria.

Eu queria naquele momento, conseguir dizer algo maravilhoso, algo belo que demonstrasse a ele que aquele momento valeu pra mim o quanto valeu pra ele, queria poder mostrar que sou grata por ele não ter desistido de mim quando tudo foi difícil. Mas não consegui, não soube dizer algo maravilhoso, algo belo a qual fizesse fogos de artifício iluminarem o lugar. Mas me permiti falar a única coisa que eu sabia: a única coisa que me mantinha de pé.

— Eu te amo, Larry Bourgeois. — Pronunciei com toda a certeza que havia dentro de mim, e senti um forte impulso de chorar, mas o sorriso dele ali, perto aos meus lábios me confortou.

Ele acariciou meu rosto, com toda leveza e amor.

— Eu também te amo, Claire Morgan. — Ele me deu um rápido beijo. —Te amo muito.

Então eu abracei ele, e assim terminamos de dançar a musica.
 

E a escuridão dentro de você

Pode te fazer sentir tão insignificante

Mas eu vejo suas verdadeiras cores

Não fique infeliz, não me lembro

A última vez que vi você sorrindo

Este mundo te deixa louca

E você já aguentou tudo o que tinha que suportar

Me chame

Porque você sabe que eu estarei ao seu lado”

[...]

 

Algumas horas se passaram naquele lugar. Eu e Larry performamos minha playlist inteira. E após muito tempo, nos enfadamos e precisei comer algo.

— Você ainda não me respondeu, o porquê daqui. — Falei, enquanto devorava um hambúrguer que ele tinha ido comprar pra mim.

Nós estávamos sentados no chão, em cima de uma toalha, e eu estava toda suja de farelo de pão.

— Havia um milhão de lugares no mundo onde nós poderíamos ter comemorado nosso 1 ano que nos conhecemos. Mas você me trouxe pro lugar que mais me causa calafrios?

— Você se lembra bem do dia em que te encontrei aqui? — Perguntou rápido.

— Não — respondi. — Ainda não me lembro de como vim parar aqui. Nem do porquê.

— Mas pelo menos lembra do que aconteceu aqui, entre nós dois? — Ele tentou olhar nos meus olhos, mas permaneci com o rosto virado pra frente. — Aqui?

Após um momento de silencio da minha parte, onde tentava lembrar dos detalhes, levantei o olhar e sorri pra ele.

— Sim — respondi. — E alguma vez eu já te agradeci por aquilo?

Ele sorriu, parecendo aliviado por eu ainda lembrar. E balançou a cabeça positivamente.

— Aqui, você me ajudou. Me ajudou bastante. — Senti como se uma luz se acendesse na minha cabeça. E todas as respostas vieram me dar um oi. Pude entender o real sentido daquele lugar. — Naquela noite você me ajudou a findar a minha dança... Findar a dança a qual eu tinha iniciado aqui aos 16 anos e nunca terminei. Você enterrou aqui comigo, aquela antiga Claire. Aquela menina cheia de cicatrizes abertas. Você dançou comigo... Me fez sorrir e esquecer que aquele momento era um momento delicado pra mim. Você me deu carinho, me disse palavras lindas, você disse que sou o amor da sua vida, você disse que nunca iria me esquecer... Ah... Você... Obrigado, Larry!

Parei pra tomar fôlego, sentindo um turbilhão de sentimentos se apossarem do meu peito naquele momento. Ele também deu um suspiro e veio pra minha frente, se pôs sentado em cima das pernas e segurou meu rosto.

— Obrigado, Larry — fui obrigada a repetir.

— Sabe... — Ele segurou em minhas mãos. — Esse lugar continua sendo especial pra você... E não importa o tempo que passe, aqui sempre, sempre haverá uma parte de você. Mais não uma parte ruim! Esqueça tudo aquilo. Okay? Como você mesmo disse, aquela Claire que estava naquele chão naquela noite, não existe mais. Não há porquê sentir arrepios ao entrar aqui. Lembre-se apenas dos momentos bons de teve aqui. E aquele, de nós dois, foi um deles. Me promete que vai tentar?

Ele puxou minhas mãos e deu um delicado beijinho em cada uma.

— Sim — suspirei, segurando as lágrimas que forçavam descer. — Prometo amar esse lugar tão especial pra mim, esquecendo de todos os momentos ruins que tive aqui.

Ele abriu um sorriso que reconfortou toda a minha alma, como se naquele momento ele sentisse orgulho de mim. Não pude mais segurar as lágrimas, então ele veio e me abraçou, bem apertado.

— E o que pretende fazer com esse lugar tão especial pra você? — Me perguntou, se sentando ao meu lado novamente.

— Nunca pensei nisso. — Dei de ombros. — Pra falar a verdade, nunca fui muito de pensar no futuro. Um dia que meu futuro foi escrito aqui e foi interrompido, deixei de pensar nele.

— Mas você precisa, Clai. Precisa voltar a pensar nesse lugar... Pensar no futuro daqui. A cada dia ele se desintegra mais um pouco, fica mais velho, mais acabado... Já faz 5 anos desde a ultima vez que esse lugar foi visto sem poeira. — Ele passou a ponta do dedo no espelho atrás de nós e fez uma careta engraçada. — Vai mesmo deixar uma coisa linda dessas que um dia foi o seu sonho, se acabar aos poucos? Sem dar mais nenhuma chance pra...

— Não dá, Larry. — Interrompi ele. — Okay? Não dá. Você sabe que eu não posso mais.

— Não... Não é isso que eu quero dizer. Não ia falar de dar uma chance pra você aqui, mas sim, pra um futuro aqui. Só não deixe esse lugar ser esquecido.

— Falando assim até parece que tem algo em mente.

— Talvez eu tenha. — Ele deu uma erguidinha com os ombros.

Fiquei ansiosa esperando ele prosseguir, mas ele nada disse.

— E então...? — Mostrei minha impaciência.

— Ta, eu conto... — Falou como se estivesse tramando algo. — Mas antes... — Fez suspense e veio aproximando o rosto do meu.

Me deu o primeiro selinho, me fazendo rir, depois outro, outro, outro...

— Não, Larry... — Tentei desviar meu rosto do seu. Ele estava fazendo cosquinhas no meu pescoço! — Conta logo. Assim não vale.

Eu queria logo minha resposta, mas ele não me dava ouvidos e continuava a me dar inúmeros selinhos me fazendo cócegas, tirando meu restinho de paciência.

— Se for pra ficar assim então beija direito — disse séria puxando os seus cabelos e afastando seus lábios de mim.

— Ah! Agora é assim é? — Perguntou apertando os olhinhos pra mim, e ao mesmo tempo puxou minha cintura com as duas mãos e se jogou pra trás, fazendo eu cair por cima dele aos risos.

Começou a subir suas mãos geladas por dentro da minha blusa enquanto eu ainda estava desequilibrada em cima dele.

— Para Larry!

Conseguimos finalmente nos equilibrar no chão, aos risos. Ele se deitou de costas e eu fiquei por cima dele, com meu rosto bem próximo ao dele.

Meus cabelos caíram pelos meus ombros, fazendo-me perceber o quão grandes eles já estavam novamente. Larry riu e começou a contornar meu rosto, tirando os fios de cabelos intrometidos que atrapalhavam nossos rostos de se tocarem. Os risos se acalmaram aos poucos, até que entre nós só restou suspiros cansados. Seus olhos estavam detalhistas e intensos, sucumbindo os meus.

— Eu tenho tanta sorte em ter você, garota.

Então ele me beijou, com muita pressa e nenhum cuidado nem delicadeza. Se ergueu, levando-me a ficar sentada em seu colo e abraçou minhas costas me apertando em seu corpo. Nosso beijo ficou muito rápido e aos poucos foi perdendo o controle de ambas as partes. Logo fomos obrigados a parar para respirar.

Ele permaneceu com sua testa encostada na minha, sentindo minha respiração acelerada. Abri meus olhos e olhei dentro dos deles, ele deu um apertão em minhas costelas com objetivo de me trazer pra mais perto dele, como se fosse possível. Minhas mãos correram pra dentro de sua camisa e me apertei mais contra seu quadril, dessa vez mordendo seu lábio, sentindo todo o seu corpo ficar rígido em fração de segundos. Logo seus dedos escorregaram dentro da minha blusa e ele desabotoou meu sutiã.

— Não, não...

— Mas por quê? — Perguntou próximo a minha boca e me deu mais um apertão.

Tive forças pra me afastar, e mais forças ainda para ignorar a sensação maravilhosa que seus apertões por baixo da minha blusa estavam me proporcionando. Me arrastei até seus joelhos e respirei fundo.

—Vai me contar qual a sua ideia para o futuro desse lugar ou não?

—Você não pode antes transar comigo? — Perguntou de um jeito decepcionado. Como se eu tivesse negando doce pra criança.

—Não. Suponho uma troca então! Você me diz o que tem em mente e eu te dou o que você quiser.

Ele analisou minha proposta por um tempo, de um jeito bem desconfiado.

—Não. Não confio em você.

—Sério isso cara?

Ele me olhou cismado e negou, mas mesmo assim, após muita insistência ele aceitou a proposta, e me contou suas ideias. […] Eu nunca tinha visto ideias tão lindas saírem da boca daquele homem antes como aquelas! Nunca!

O assunto rendeu muito tempo de conversa, e esquecemos de tudo mais.


 

“Escolha, entre todas as escolhas que tiveres, aquela que seu coração mais gostar, e persiga-a até o fim do mundo. Mesmo que ninguém compreenda, como se fosse um combate. Um bom combate, o melhor de todos, o único que vale a pena. O resto é engano, minha filha, é perdição.”

— Caio Fernando Abreu.


 

Após sairmos de Little Italy, passamos em uma lanchonete pra comprar alguma coisa pra comer e Larry veio me trazer em casa.

Estava chovendo muito, muito, muito. Então permaneci por muito tempo dentro de seu carro esperando a chuva diminuir pra mim poder entrar em casa.

— Esse de chocolate é verdadeiramente muito bom também! — Larry me deu mais um bombom pra mim provar. Ele sempre me enganava com os ruins, por isso não confiei dessa vez.

Compramos uma caixa de bombons sortidos e estávamos no carro devorando tudo.

— Gostei mais desse de limão. — Mordi e dei um pedaço pra ele. — Olha, esse aqui é tão bonitinho.

— Parece uma galinha! — Ele caiu na risada, ao ver a forma estranha docinho que eu estava mostrando.

— Idiota — não parecia uma galinha, só tinha uma forma engraçada.

O clima ali dentro estava tão maravilhoso: suas risadas e sua conversa me distraíam e me faziam sorrir. O carro estava uma bagunça, cheio de papelzinho de doces e de caixas de salgadinho fazias. Nós estávamos praticamente deitados nos bancos, eu apenas de meias com os pés em seu colo, enrolada com seu casaco, e ele com as pernas cruzadas em baixo dele, de frente pra mim. Estávamos confortáveis, sorridentes, leves... Sabe aquele sentimento de “assim ta bom, ta ótimo, não tem que estar nada diferente, se melhorar estraga”? Então, era isso que eu sentia ali. Eu não queria sair daquele carro nunca na minha vida. Eu não queria que a chuva lá fora parasse nunca. Eu queria continuar ali, deitada, recebendo seu carinho e sorrindo pra sempre. Pra sempre.

Em todo momento que nossos olhares se cruzavam sem querer, era como se um choque de sentimentos mútuos tomasse conta do ambiente de repente. Ele desviava com um sorriso sem graça, e eu também fazia o mesmo. Como é possível isso acontecer, mesmo depois de tanto tempo?

— Larry... — chamo ele, após um tempo de silêncio dentro do carro. — Você lembra do nosso primeiro encontro?

— É sério que você ta me perguntando isso? É claro que lembro. Foi na escola, no corredor e...

— Não. — Interrompi cuidadosamente. — Estou dizendo, o primeiro encontro formal, aquele que todo casal marca, que as pessoas normais fazem...

— Hum... Deixe-me ver... — Ele colocou a mão no queixo como se estivesse pensando.

— É sério isso? — Perguntei, inconformada que ele ainda tivesse que parar pra se lembrar. Ele continuou com a mão no queixo pensativo. — Larry! — Dei um chute em sua barriga.

— Calma! Calma, to brincando... É claro que eu lembro. — Ele riu, esfregando a barriga.— Eu te dei um baita susto logo de inicio, na sua casa, quando fui te buscar às 7 horas.... Você desceu as escadas com uma raquete na mão pra me bater, e...

— Meu Deus, você ainda lembra disso? — Ri, ao ver que ele se lembrou de um detalhe tão mínimo.

— Claro que eu lembro! Como esquecer? Nunca me senti tão ameaçado na minha vida! Meu Deus! Uma raquete! — Ele colocou a mão no peito e fingiu delicadeza de uma forma engraçada.— Mas por que você tocou nesse assunto?

Demorei um tempo pra responder, pensando bem se eu queria mesmo responder aqui. Ele voltou a fazer carinho na minha perna, aguardando minha resposta.

— Bom... Eu queria te chamar pra sair, Larry. — Engoli seco, e por um momento eu senti medo da sua reação, da sua resposta, e acabei me sentindo boba por aquilo. Me arrependi tão imediatamente de ter dito aquilo que quis puxar minhas palavras de volta.

— Como?

Ele pareceu surpreso, mas ao mesmo tempo foi como se estivesse querendo rir, o que fez eu me sentir mais idiota ainda.

— Eu... Bom... — Me ajeitei no banco e fingi uma tosse, pra limpar a garganta. Não sei porque eu estava nervosa. — Sei lá... Eu só queria te chamar pra sair, ir a algum lugar, fazer alguma...

Eu mesma me interrompi, não prossegui. Olhei pela janela atrás dele e tentei me distrair com qualquer coisa que não fosse seu olhar em mim. Olhei pra fora e meus dedos ficaram se batendo nos meus joelhos, fazendo eu me odiar por aquilo.

— Porque você ta nervosa, Clai? — Ele perguntou com um sorriso no rosto e pegou minha mão.

Olhei pra ele e engoli seco disfarçadamente.

— Você por algum momento achou eu recusaria seu convite? — Ele beijou minha mão, achando graça do meu estado.

— Sei lá, mais ou menos isso... Eu acho...” — Dei um sorrisinho sem graça. — Esquece. Isso é bobeira. Deixa pra lá.

— Você é a garota mais boba do mundo, sabia? — Ele se inclinou pra frente e me deu um beijinho.

Afastei meus lábios dos seus e permaneci de olhos fechados por um tempo, tentando lidar com as sensações que seus beijos repentinos me davam. Abri meus olhos e seu rosto se encontrava bem em frente ao meu, e em seus lábios havia um sorriso idiota.

—Eu adoraria sair com você, Claire Morgan.

Eu quis comemorar o grande alivio e alegria que senti, mas me contive, pois isso seria muito estranho.

— Ta. Mas para com esse olhar... Assim ta fazendo eu me sentir mais idiota ainda. — Falei, empurrando seu rosto com a mão.

— Não, você não é idiota... Eu só não esperava por isso. — Deu de ombros. — Mas posso saber o que deu na senhorita pra me fazer esse convite tão ilustre, a essa etapa do campeonato?

— Cara, eu não sei. — Dei de ombros e mordi os lábios bem apertado, tentando encontrar palavras certas. — Eu acabei lembrando de como foi bom o nosso começo, lembrei do sentimento, do frio na barriga... Mas nós passamos por tantas coisas, tanta pressão, tudo aconteceu tão rápido que nem tivemos tempo de aproveitar... Tempo pra viver certas coisas que deveríamos ter vivido. Sei que pode parecer a maior imbecilidade do mundo te chamar pra sair, já estando nessa etapa do campeonato com você, como você gostou de dizer.... — dei um riso —, mas é que... Quero fazer certo, dessa vez. Fazer coisas simples com você, fazer coisas que não fazemos, refazer as que foram boas, concluir as etapas que pulamos. Quero te chamar pra sair, beber um sorvete , senta no banco da praça pra conversar a tarde, ir pra sua casa final de semana, ir ao cinema com você, te dar um presente de 1 mês de namoro, 2 meses, 3 meses, 4 anos... Te fazer um carinho enquanto assistimos um filme no sofá, te ajudar a cozinhar, fazer brigadeiro pra comer de madrugada com você, dizer que te amo mais vezes e com mais certeza, sentir aquele friozinho na barriga de que vou te ver, quero que as borboletas voltem só de saber que você ta vindo me buscar pra sair... Quero mais conversas durante a madrugada, mais mensagens, mais "boa-noites", quero briguinhas que no final sejam resolvidas com sexo, quero um pedido de namoro com direito a beijos e mais beijos... Quero viajar com você... Quero um jantar romântico onde eu seja obrigada a calçar um salto, por mais que eu odeio e reclame o caminho todo... Eu quero... Eu quero você. Quero você intensamente pro resto da minha vida. Eu quero te namorar pra sempre. Eu não quero que isso que ta aqui dentro suma. — Parei pra tomar fôlego, sentindo como se meu peito fosse explodir. — Mas sim, por um momento eu tive medo, medo de acabar sendo me negado tudo isso... Eu sei que ainda há certas coisas que nos atrapalham a ter essa vida. Eu sei que...

—Não — sua voz suave me interrompe. — O que me atrapalharia de viver tudo isso com você, nunca mais vai atrapalhar. — Disse firme, de um jeito certo e confiante. — Claire, eu quero que saiba que você nunca mais vai ser a minha segunda opção, okay? O que aconteceu com você 6 meses atrás mudou toda a minha maneira de pensar... Eu poderia sim ter dado mais atenção a você, porque caramba!... Eram só alguns workshops por semana, algumas festas, em alguns países... Eu poderia sim ter te ligado mais, ter me esforçado pra estar mais aqui com você, mas me privei disso achando que não faria diferença na nossa relação, achando que você ficaria bem, e me enganei... Olha como terminou... Eu achei que iria te perder Claire! Eu achei que nunca mais beijaria você. Então agora, agora que tenho essa chance, chance de te fazer feliz, chance de te ter comigo... Não há nada que me faça deixar de aproveitar essa nova oportunidade. Eu descobri que você é minha dança, então por mais que eu tenha que ir trabalhar, passar dias longe, como aconteceu nesse tempo. Saiba que mesmo assim, eu vou estar com você o máximo que eu puder, pra te levar pra sair, ir ao cinema, te dar flores e te entupir de chocolates! — Ele deu um beijinho no meu queixo me fazendo rir.

Abaixei meu olhar e respirei fundo, sentindo um nó se formar em minha garganta. Sentindo como se todo esse sonho de um futuro com ele estivesse sobre um linha fina que pudesse a qualquer momento se romper.

— Sei o que está pensando. — Ele levanta meu rosto com as pontas do dedo. — Acha que não vamos conseguir, não é mesmo? Acha que depois de amanhã cada um vai pra um lado e você tem medo de acabar como acabou da primeira vez, não é? Mas Claire, escute bem: Nós vamos dar um jeito. Eu tenho pensado nisso toda noite quando deito minha cabeça no travesseiro. Fico pensando no que fazer pra não deixar a distancia ser fatal novamente. E a única coisa que tenho em mente é que vamos dar um jeito! Eu te prometo isso, okay? Não tenha medo, por favor.

— É amanhã, Larry. Temos 16 horas, a partir de agora, para eu me formar. Nossa história de amor pode ser resolvida em apenas 16 horas?

— Eu faço nossa história de amor ser resolvida em até 1 segundo, Anjo. Eu faço o impossível quando se trata de você. Acredite.

Para esconder as lágrimas em meus olhos puxei ele pelo pescoço e o abracei bem apertado. Mostrando que eu confiava nele. Tentei fazer daquelas palavras o meu porto seguro. Coloquei nelas a minha esperança e estava disposta a arriscar tudo também, por ele.

— Só deixa eu ver se entendi direito... Você quer recomeçar, é isso? Mesmo depois de quase 2 anos comigo? — Ele me perguntou, se soltando do meu abraço.

Demorei alguns segundos pra ver o que eu realmente queria.

— Não. Não porque como você me disse um dia... Nossos momentos ruins também nos trouxeram lindas histórias, e eu não quero apaga-las. Tudo foi valido. Eu apenas quero fazer certas coisas com você que eu não fiz. Que não fizemos esse tempo todo, sei lá porquê. Eu quero acertar mais, sabe?. Quero te dar um presente de 2 anos de namoro, já que não dei de 1 ano... — Dei um riso, fazendo ele rir.

— 2 anos de namoro? — Perguntou, fazendo uma cara estranha. — Você ta dizendo que eu sou seu namorado desde o dia que me conheceu?

— Bom, isso é bem louco. — Eu ri. — Mas é a única data que ficou marcada, então é a única que eu sei. Em quase 2 anos, nós não temos datas comemorativas. Temos apenas o dia em que nos conhecemos, e isso é deprimente.

Dei de ombros, vendo o quão embaraçosa era a nossa história. Não havia uma data de pedido de namoro, porque ele não pediu. Não havia uma data para o primeiro encontro, pois nós não lembramos o dia. Não havia uma data em que ele foi pedir permissão ao meu pai, porque ele nunca foi. Não havia a data de quando transamos pela primeira vez, porque eu também não me lembro. Toda a nossa história se resume no momento em que nos conhecemos, e isso sim, é louco.

— Então... — ele aproximou seu rosto e segurou minha mãos bem juntinhas. — Que tal deixarmos a data de hoje marcada?

Demorei uns segundos pra raciocinar aquilo. Segundos que pareceram voar.

— Espera. Como assim?

Minha pergunta pareceu não ser ouvida por ele, seus olhos paralisaram nos meus e seus dedos continuaram a acariciar meu rosto. Acabei parando no tempo também, junto com ele. Só após um tempo percebi que eu estava prendendo a respiração de tão nervosa que fiquei. Seu rosto bem próximo ao meu me intimidava... Seus olhos eram como um mar de perdição, que me faziam chegar até o mais fundo abismo, mas ao mesmo tempo me resgatava até o mais alto dos céus. Ele me causa aquele efeito.... Efeito de me deixar muda, trêmula, paralisada, apenas com esse maldito olhar a qual tanto venero.

— Larry...? — Voltei a chama-lo, ao ver que os segundos iam se passando e mais apreensiva eu ficava. — Como assim?

Ele estremeceu o olhar por alguns segundos e sua boca tentou dizer algo, mas não consegui ouvir nada. Ele também parecia nervoso. Ele gaguejou por alguns segundos mas seus olhos não se desviavam dos meus. Agora eu sabia o que ele ia pedir e meus corpo todo entrou em uma pilha de nervos. Senti tantas borboletas em minha barriga que jurava que elas poderiam encher uma piscina. Ele apertou minhas mãos bem fortes, e então balançou a cabeça, soltando um sorriso preguiçoso.

— Pensando bem... — Ele diz de cabeça baixa, olhando pras minhas mãos nas suas. — Gostei da ideia de que já namoro você a quase 2 anos. — Ele sorri de um jeito convencido. — Uma data a mais, ou outra a menos não mudaria nada na nossa história não é mesmo? Não chegamos até aqui assim? Sem tudo isso?

Ele tinha razão, a ideia de que já pertenço a ele desde que nos conhecemos é ótima, e uma data a mais não mudaria isso.

—Mas se quer mesmo um pedido de namoro com direito a beijos e uma data marcada... — Ele volta a dizer. — Que tal isso? Eu prometo te pedir em namoro todos os dias das nossas vidas. — Sua voz era suave e bem segura. — Não necessariamente com palavras, mas sim, prometo te mostrar que quero ser seu namorado todos os dias. Prometo te namorar como se fosse a primeira vez todos os dias, para que esse sentimento nunca esfrie. Para que você nunca deixe de sentir essas borboletas na barriga e sempre haja beijos e mais beijos...

Ele tocou em meu rosto e abriu um sorriso, me levanto junto para um momento de sentimentos misturados e agitados.

— Só há uma condição.

— Qual? — Perguntei agitada, muito entusiasmada com a ideia.

— Você nunca poderá dizer não. — Ele sorriu.

— Ai meu Deus. Sim! Sim! Sim! — Comecei a rir, animada com tudo aquilo. — É claro que sim! — Segurei seu rosto e demonstrei toda a minha alegria com um beijo. Aqueles lábios tão doces.... Parecia que nunca perdiam a graça, independente de quantas vezes eu provasse deles... Eu sabia que nunca me cansaria.

Após beija-lo o abracei com todas as minhas forças, e ele permaneceu rindo igual bobo de toda a minha alegria.

O barulho da chuva nos vidros do carro acabou diminuindo de repente, e tirou totalmente o nosso foco um do outro. Ao olharmos pra fora vimos que ela realmente já estava passando. Ele me olhou fazendo uma carinha de triste pois sabia que eu só estava esperando aquilo para ir entrar em casa. Então sabíamos que aquela era a minha deixa.

— Até uma outra hora, Larry. — Sorri, ainda muito alegre, dei um rápido beijo nele e abri a porta do carro.

— Ainda está chovendo, não quer ficar mais um pouco? — Perguntou, assim que desci do carro.

Ainda estava chovendo, então preferi não responde-lo e correr logo pra minha casa, porque já estava ficando toda molhada com a chuva voltando a apertar.

Corri igual uma destrambelhada pela minha rua, tentando chegar até minha casa. Mas bom... é claro que não iria acabar em boa coisa aquilo ali: Claire Morgan correndo na chuva, descalça, e cheia de sacola. Não era uma boa combinação. Então logo o resultado daquela arte toda foi um belo tombo de bunda no chão.

Primeiro eu paralisei como toda pessoa assim que cai paralisa, para sentir a dor chegando, logo que senti a dor na minha bunda e no meu braço, a qual tentei me apoiar assim que caí, minha segunda reação foi claro, digno de uma pessoa idiota: Começar a rir sozinha.

Enquanto ainda ria igual uma idiota, tentando me erguer do chão, ouço os passos de Larry na água, correndo até mim.

— Clai, você ta bem? — Ele grita chegando perto.

Mas antes que eu pudesse avisar da pedra a qual eu tinha escorregado, ele também pisa nela, e o resultado foi ainda pior que o meu. Ele caiu de frente! Sua sorte foi que seu rosto bateu na grama do quintal.

Isso foi motivo pra mim rir ainda mais, mas mesmo com as risadas não deixei de ir ajuda-lo.

— Ta bem, Larry? — Perguntei, tentando me acalmar. — A pedra... A maldita pedra.

Ele virou de barriga pra cima com uma cara de dor, colocou o braço sobre os olhos e esperou alguns segundos até não se aguentar também e cair na gargalhada junto comigo.

— Esse tempo todo dentro do carro se privando da chuva pra acabar nisso? — Me perguntou incrédulo, sentando no chão.

— Idiota, quem mandou vim atrás de mim? — Perguntei, ainda rindo.

Eu sentia os pingos de agua correndo por dentro da minha blusa, me causando arrepios.

— Eu achei que você tinha se machucado! De nada.

— Okay, vem, vamos sair dessa chuva. — Chamei ele, e estendi minha mão para ajuda-lo, quando ele fez força pra levantar nós caímos novamente na gargalhada.

Acabei perdendo as minhas forças e caindo sentada de novo, só que dessa vez não hesitei e me deixei levar mesmo. Sabe quanto você rir até a barriga começar a doer e a risada te sufocar? Então, foi isso que acabou acontecendo com nós dois.

Só consegui me acalmar quando afundei meu rosto na sua camisa, e comecei a respirar fundo, várias e várias vezes.

Então já calma, deito minha cabeça em seu peito e ele circula seus braços em meus ombros, me apertando forte. Acabamos ficando deitados ali na chuva por alguns minutos.

Ergui meu rosto em frente do seu, e os pingos de agua que escorriam por meu nariz, molhavam seu rosto. Dei um longo beijo nele, bem de vagar e molhado. As gotas de chuva atrapalhavam nossas bocas de ter um perfeita sincronia, deixando um gosto doce em nossas línguas. Ele chupou a agua do meu lábio inferior, e logo após mordiscou bem demorado, fazendo eu me derreter como a agua da chuva que unia nossos corpos no chão.

— É melhor nós entramos antes que comesse a chover forte de novo... — Falei, me apoiando no chão para levantar.

— E que diferença faria agora? — Brincou, esticando a mão para que eu ajudasse ele a levantar.

— Tem razão... — Olhei para o nosso estado e puxando ele pra cima. — Mas há vários outros males... Vai que a gente pega uma gripe e um de nós fica muito doente? Vai que cai granizo na nossa cabeça e nos machuca? Vai que um raio me atinge e me mata? Vai que...

— Nada disso importa... — Me interrompeu delicadamente.

Olhei pra ele de um jeito curioso e feliz. Ele pegou minhas mão e me trouxe pra bem perto de seu corpo.

— Claire Sofia Morgan, nada disso importa, pois seremos fiel um ao outro, nos amaremos e nos respeitaremos, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza... Na vida e na morte. — Ele sorriu e fechou o punho para que eu desse um toquinho. — Na vida e na morte, fechado?

Olhei dentro dos seus olhos, e via um brilho que me encantava. A gotas de chuva desfilavam pelo seu rosto e pingavam do seu queixo em união. Aquele seu sorriso descontraído me tirava de mim.

Eu ainda tinha a proeza de conseguir ficar sem graça com o seu olhar... Na maioria das vezes até abaixava a cabeça com as bochechas vermelhas. Mesmo depois de tanto tempo, era incrível como ele ainda causava certos efeitos em mim. Era incrível como ele ainda tinha o mesmo sorriso que iluminava cada cantinho do meu coração. Era incrível a sensação de poder beija-lo. Incrível o fato de nossas mãos se encaixarem perfeitamente bem. Incrível eu ser tão submissa ao seu amor e ao seu toque. Incrível eu ainda ama-lo na mesma intensidade, como se fosse a 2 anos. Então realmente não importava o que acontecesse com a gente. Não importava o rumo que nossa vida tomaria depois de amanhã. Nós realmente não sabemos se tudo vai ficar mais fácil, ou mais difícil. Mas será na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na vida e na morte... E nem importa o também o fato dele ter pronunciado o juramento errado, pois esse era o nosso juramento!

— Na vida, e nada morte. — Dei um toquinho em sua mão no melhor jeito melhor amigo. — Fechado!

Ele beijou-me com gosto de alegria. Um beijo intenso e puro. Selando um juramento que jamais seria quebrado. Ele me suspendei no ar e me rodou, tirando risadas da minha alma. Alma lavada pela chuva. Seus risos em meus ouvidos era como poesias. Que quando se juntava com os meus, se tornavam risadas de crianças , crianças que acreditam em super-herói, crianças que acreditam que a vida sempre é bela.

Crianças apaixonadas.

[...]

 

"A felicidade está nas pequenas coisas da vida, como o cheiro de café de manhã cedo, pequenos sorrisos ao longo do dia, ou simplesmente o fato de acordar e perceber que há mais uma página da vida para se escrever, que há mais uma chance de fazer diferente.” — Telegramas.

 

Após tomar um banho, orar para eu não ficar gripada e fazer meu cabelo para o dia seguinte, coloquei meu pijama e fui me deitar.

Não sabia se conseguiria dormir, pois por incrível que pareça, eu estava muito muito ansiosa. Era um sentimento que eu não sabia explicar bem. Uma mistura de medo, felicidade, ansiedade, recusação, nervosismo.... Muita coisa junta pra mim dar conta.

Deito e fico olhando pro teto por um tempo. A imagem de Larry indo embora todo molhado me arranca um sorriso e eu acabo perdendo a noção do tempo ali. Após longos minutos pego meu celular e checo minha caixa de mensagens, com esperança de encontrar uma nova mensagem.

“MIGUEL, VOCÊ VAI VIM?” — ultima mensagem, 6 horas atrás.

Resolvi fazer login em todas as minhas redes sociais – o que quase nunca faço porque não tenho paciência para as notificações acumuladas – mas acreditei que ele podia ter tentado se comunicar comigo por qualquer uma delas. Mas não. Nada. Nenhum sinal de vida.

— Você não colabora cara... — Joguei meu celular de lado, ficando muito desanimada.

Eu queria ele aqui, comigo, nesse momento importante, mas nada dele confirmar... Nada dele querer tocar no assunto durante as nossas conversas. Nada de nada. Eu sabia que quando Miguel não comenta sobre tal assunto, quer dizer que ele não vai participar ou ainda não tem opinião formada. Até porque, ele estava trabalhando no restaurante a noite, e durante o dia no Centro Social a qual tinha montado a tempos atrás e cuidava da parte da dança, - qual eu obriguei ele a voltar - então sei que andava muito ocupado. Mas enfim... Era isso que ele queria de mim o tempo todo, foi pra esse momento que ele se afastou de mim e então eu estou cumprindo, cumprindo o que prometi. A promessa foi eu me formar e voltar pra ele, voltar pra nossa vida juntos. A primeira parte já estava pronta... Vamos ver o restante... As coisas fugiram um pouco do que eu tinha planejado. Em outras palavras: eu me apaixonei. Mas dependendo de como for as coisas daqui em diante, posso até voltar para o Brasil e continuar minha vida lá.
 

Quando voltei meu olhar para o celular, 1 hora já tinha passado e eu ainda me encontrava parada na cama, pensando no futuro, apreensiva. Então quis fazer o que sempre fazia nessa situação de insonia: ler. Fui até minha estante e revirei um pouco ela. Enquanto mexia pra lá e pra cá, um livro cai no chão e de dentro, cai uma folha que de começo não dou muita importância. Peguei ele e notei que era bem velho, muito velho, e estava empoeirado. Ao passar a mão na cama e limpar, vejo que era “A menina que roubava livros”, e calafrios tomam conta de mim, sei lá porquê.
 

Flashback.

Então...” — Larry prosseguiu dizendo, enquanto voltávamos pra casa. — “Você não me respondeu o porque aquele livro é marcante pra você.”

Hum... Coisa minha. Esquece.” — Tento cortar o assunto.

Ah, fala.”

Bom, pode parecer idiotice... Mas é porque foi o primeiro livro da minha vida, e o primeiro e único livro que meu pai leu pra mim em todos os meus anos de vida.” — Respondi, tentando não deixar os sentimentos me dominarem. — “Claro que foi uma versão mais antiga dele. Mas era ele... A linda história de Liesel, uma menininha que não sabia ler, então o pai todos os dias lia pra ela um livro que ela roubou. E eu me sentia a Liesel. Porém eu não tinha roubado nenhum livro...” — Abri um sorrizinho fraco. — “Eu não sabia ler ainda, pois era muito nova, então meu pai lia ele pra mim todas as noites quando chegava do trabalho. Foi uma etapa muito longa, e eu não entendia quase nada, pois isso não é um livro de crianças e tinha palavras e cenas muito difíceis, mas era prazeroso ter meu pai ali. Eu sinto saudades de casa noite, cada segundo que ele passava ao meu lado sentado naquela cadeirinha.” — Respirei fundo, sentindo meus olhos arderem. —“Porém, quando meu pai entrou no ultimo capitulo, ele nunca mais voltou pra ler pra mim. Eu esperava ele com o livro, deitada na cama, mas ele passou a se atrasar e quando chegava eu já estava dormindo. Ele diz que fazia o possível, mas não conseguia sair mais cedo.”

Você nunca leu o final?”

Meu irmão leu pra mim, certa noite. Mas não foi não teve emoção alguma. Não era meu pai. Não tinha a voz do meu pai. Não dava as pausas que meu pai dava. Não me explicava as palavras como meu pai me explicava. Então não fez sentindo o final desse livro. Nunca, fez sentindo. Até hoje, ele não faz muito sentido. Pois nada nunca conseguiu substituir a emoção que eu sentiria se fosse o meu pai ali, lendo pra mim. Nada.”

Me desculpe por perguntar...” — Larry diz, parecendo estar arrependido.

É que bate saudade desse tempo... Tempo em que eu era apenas uma filhinha querida. Essa é uma das poucas lembranças felizes que eu tenho com o meu pai. Depois disso, ele mudou...”

*

Sentei na cama com o livro em mãos. Fiquei olhando pra capa, e parece que era exatamente aquele o livro que meu pai lia pra mim. Não outro, não uma nova versão, não um mais novo, mas aquele... Eu sabia.

Ao abrir o livro, a confirmação vem, ao ver escrito na capa interna o alfabeto inteiro. Meu pai fazia eu ler as letrinhas que eu mesmo tinha escrito com a ajuda dele, todas as noites depois de ler mais um capitulo do livro pra mim. Sorri sozinha olhando pra aquilo, ao ver o quão minha letra era horrível... Mas vamos levar em conta que eu só tinha 5 anos.

Folheei um pouco ele, e lembro-me do papel que caiu de dentro quando eu peguei o livro e levanto-me pra busca-lo. Eu não sabia que eu tinha aquele livro na minha instante... Sabia do que Larry tinha me dado, um livro novinho, que era a que eu tinha lido na noite que sai com Larry. Mas esse não... Fiquei me perguntando se ela sempre esteve ali e eu que não sabia, ou se alguém tinha colocado recentemente. Porém, pensando bem, isso não era importante.

Desdobrei a folha de oficio branca, e nela havia um desenho mal feito. 4 bonequinhos pintado a lápis, em um lugar verde, com apenas uma árvore no fundo e um lugar azulzinho no chão, que devia significar um lago, sei lá. Em baixo da árvore havia um balanço.

Naquele momento, no meu peito se formou um mar de angustia... Angustia e alegria. Sem nem perceber a primeira lágrima já salgava a minha boca, e meu corpo já reagia com um certo peso nas costas. Uma dor no meu ser, me despertava algo chamado saudade. Não me lembro de quando fiz aquilo, não me lembro do que se passava na minha cabeça, não me lembro se alguém me acompanhou na construção daquele desenho, não me lembro se foi por espontânea vontade ou a pedido de alguém... Só sei que ele me passava alguma coisa boa. Me passava um tempo bom, a qual eu não me lembrava, mas sabia que eu tinha vivido.

O primeiro bonequinho, o mais alto, que estava na ponta, vestia um terninho azul, e tinha o nome “papai” escrito logo encima da sua cabeça, com um lápis vermelho e as mesmas letras feias que tinham na capa do livro. O bonequinho tinha um enorme sorriso nos lábios, o sorriso estava tão grande que tornou o rosto dele feio.

O segundo, segurado na mão do primeiro, era uma mulher... Ela vestia um vestido azul, e calçava sapatilhas rosas, com um lacinho estranho. Seu cabelo era loiro, até o ombro, e seu sorriso era mais reservado do que o do primeiro bonequinho. Em sua cabeça estava escrito “mamãe”. Aquela bonequinha de forma meio torna, me fez refletir um pouco... Fez eu lembrar que eu só tinha descoberto que minha mãe já fora loira um ano atrás, na conversa que tive com meu pai naquela madrugada.... E que nessa conversa, meu pai só descrevia a minha mãe como “menina do vestido azul”, foi assim que ele a conheceu. Aquilo fez eu chorar tanto.... Meu corpo se estremeceu, senti um forte arrepio na espinha, como se um vento bem gelado passasse pelas minhas costas. Com aquele humilde desenho eu soube que um dia eu já tinha ouvido falar daquela menina. Eu já tinha ouvido falar da “menina Enô”, de vestido azul, cabelos dourados e curvas bonitas. Ali eu desenhei a mamãe que um dia eu tivera... Mas depois de um tempo, eu a esqueci. Aquilo me fez pensar, se algum dia, da mesma forma que meu pai me contou sobre a mamãe de vestido azul e cabelos dourados, ele também me contou sobre meu avô... Me contou sobre uma irmãzinha que um dia eu teria. Ou sobre sua dor da adolescência... Sobre qualquer outra coisa que eu não me lembrava mais, pois a vida fez eu esquecer. Acredito que tudo aquilo era uma história muito pesada pra contar pra uma criança, mas a única coisa que eu sabia, era que de alguma forma eu já tinha ouvido falar de uma mulher de vestido azul e cabelos dourados, que o nome dela era “mamãe”... Isso era certo. Eu não podia ter tirado aquela imagem dos meus pensamentos, sem antes ter escutado não é, ou podia? Eu julguei meu pai por me esconder tanta coisa, por mentir pra mim sobre diversas coisas, e por me proteger tanto sem eu entender o porquê, e agora eu vejo que ele já poderia ter me contado algumas coisas, o longo tempo da vida arrancou de mim as verdades que eu sabia.

Secando as lágrimas e tentando controlar o soluço, voltei minha atenção para o desenho. O terceiro bonequinho, segurado na mão do segundo, era um garotinho de cabelo preto. Seus cabelos pareciam com penas, plumas que tampavam a sua testa... Isso fez eu lembrar que o melhor amigo da Lisel, Max. A menina que roubava livros, descrevia seu melhor amigo com penas no lugar de cabelos... Talvez tenha sido daí que eu tive a ideia de desenhar plumas na cabeça do meu irmão. Influencia do livro. Saiu meio estranho, pois umas estavam pra cima, arrepiadas, e o giz de cera deu a parecer que eram tufos de pelo preto.... Aquilo tirou sorrisos tortos de mim. Enzo estava mais gordinho, e não sei porque, mas ele estava pintado de verde... Um verde clarinho. O rosto dele estava verdade, meu Deus! O que eu achei mais engraçado, é que seu olhar não estava reto como o dos outros, mas sim, estava para o lado, pra baixo, na direção do quarto bonequinho. Aquilo me transmitiu uma certa segurança. Achei fofo. Como se ele olhasse pra mim pra me proteger. Como se eu confiasse nele, e na época, acreditasse que ele sempre estava olhando pra mim, pra me guardar.

E por fim, segurada na mão do terceiro bonequinho, a menor dos bonequinhos. Tinha “Sofia Morgan” escrito logo acima de seu rabo de cavalo de lado, no topo da cabeça. Eu me encontrava com um sorriso, até maior que o do primeiro bonequinho... Mas era um sorriso fechado. Minha cabeça estava oval, e minha pele pintada de rosa... O interessante, é que eu não me encontrava de saias, vestidos, ou sapatilhas, mas sim... Uma bermudinha e um tênis... Cada tênis tinha uma cor e minha camisa chegava até o meio da barriga, deixando amostra minha barriguinha, que por certo erro, não tinha umbigo. O que me fez dar um risada por baixo das lágrimas.

No fim, eram apenas 4 bonequinhos de mãos dadas, mal feitos, felizes e estranhos... Em um cenário simples, onde só tinha uma árvore e um balanço, com um espaço azul no chão, que é difícil acreditar que seja um lago, de tão mal feito que está. Mas pra mim, aquilo significou o mundo. Não havia como eu conseguir decifrar a alegria que eu tinha dentro de mim naquele momento. Aquele desenho, me fez apagar todos os momentos ruins que vieram depois daquilo, e a única coisa que importou pra mim foi saber que um dia eu fui feliz com minha família, e que hoje eu voltei a ser feliz com ela. Não importava o que tinha acontecido pra ela se quebrar... Não importava onde meus pais tinham errado no meio do caminho.... Não importava todos os choros... Todos os dramas, todos os desapontamentos, toda a desunião... No final, não restou rancor. A única coisa que importou, foram 4 bonequinhos de mão dadas, felizes em uma campina. Isso, era o que mais valia. Isso, era o que eu queria levar dessa vida... Os momentos bons. Levar, o que um dia me fez sentar em algum lugar da minha casa, e desenhar uma família feliz em um papel. Isso que eu queria levar. Era disso que eu queria me lembrar quando envelhecer. Apenas isso. Momentos... nada de choros. Apenas aquilo. Apenas.

Me levantei da cama, e caminhei até o quarto do meu pai. Bati na porta, mas não responderam. Entrei mesmo assim. Ele e minha mãe se encontravam dormindo, meu pai tinha uma máscara de ar presa em seu rosto. Eu sabia que ele estava tendo dificuldades pra respirar enquanto dormia, e isso ajudava muito ele. “Não era nada demais... Apenas uma ajuda”, foi o que me falaram. Mas eu sempre tinha a sensação de que meu pai estava muito pior do que me falavam. Sempre tinha a sensação de estar sendo enganada. Mas não me importo, com tanto que ele tenha paz.

— Papai... — Me sentei na beira da cama, e balancei seu braço. Papai?

Ele resistiu aos meus chamados por mais um tempo, mas depois foi despertando aos poucos. Minha sorte era que minha mãe tinha um sono pesado e meu pai o leve. Puxei uma poltrona e me sentei do lado de sua cama.

— Pai, você pode ler pra mim? — Estiquei o livro pra ele, que ainda estava sonolento. Pai?

— Claire? — Ele tirou sua máscara e se virou pra me ver melhor. O que quer?

— Você pode ler pra mim? — Perguntei mais uma vez, entregando-lhe o livro.

Ele se sentou recostado na cama, segurou o livro nas mãos com firmeza, parecendo ainda não entender bem o que acontecia, estranhando a minha atitude. Mas após ler o título do livro, aconteceu a mesma coisa que tinha acontecido comigo uns momentos antes. Seu rosto mudou, ele segurou em minhas mãos e a apertou forte, levantou o olhar até o meu e riu, uma risada breve, mas que vinha do fundo, juntamente com a lágrima que acabara de escorrer dos seus olhos, enquanto olhava pra mim. Então, pela terceira vez em toda a minha vida... Eu vi meu pai chorar.
 

O dia seguinte seria um grande dia, o dia que mudaria toda a minha vida e eu sabia disso. Mas nada no mundo inteiro iria se comparar àquele momento. Nada que acontecesse chegaria aos pés daquilo. Por isso não me importei com mais nada, a única coisa que eu queria era guardar aquele sentimento no meu coração, e cultiva-lo para o resto da minha vida.

Naquela noite, acabei adormecendo na poltrona, com a cabeça em sua cama, segurada em sua mão, com a sua baixa voz lendo o ultimo capitulo do livro. E tudo se tornou perfeito. O livro estava completo. Eu não me lembrava da ultima vez que me senti tão bem daquela maneira... Não me lembrava da ultima vez que tive um sono tão reconfortante e tão bons sonhos como naquela noite. Sonhei com um jardim verde, com uma árvore e um balanço... Nele, passeavam um homem de sorriso grande, uma mulher loira de vestido azul, um menino com cabelos de plumas, e uma menina com os tênis coloridos.


Notas Finais


ENTÃO? O que acharam? Me contem por favor. Torço muito para terem gostado.

Quero pedir desculpas porque ainda não respondi todos os comentários do capitulo anterior: Desculpas mesmo! Devo responder tudo amanhã! É por falta de tempo.

Enfim, obrigado por tudo. Eu amo vocês e encontro-os no próximo. CONTAGEM REGRESSIVA: 3...



PS: O capitulo final está dividido em 3 partes, pois ficou enormemente grande. Então, o próximo capitulo já é a primeira parte do fim </3 Beijos!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...