História I Hate You - Capítulo 16


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Sexo, Sobrenatural, Suga, Taehyung, Vampiros
Exibições 51
Palavras 8.598
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Survival, Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Annyeonghaseyo! Eu sei que demorei bastante. Esse mês foi complicado, eu diria que o pior do ano pra mim, mas eu consegui escrever e é isso. Não é o melhor que ja fiz, mas está razoável, espero que gostem ^^ perdoem o tamanho, ficou grande demais ...

~망리
~Xoxo

Capítulo 16 - Capítulo 16


Fanfic / Fanfiction I Hate You - Capítulo 16 - Capítulo 16

• Joyce Parkson •

Treze de Maio de 2016

Coreia do Sul, Quarta-feira

Seoul, 12:34 PM


De qualquer forma era meu dever decidir logo. Talvez Jimin fosse mesmo uma pessoa intocável e minhas chances com ele eram bem poucas, partir para outra era uma alternativa no mínimo aceitável.

Me levantei e peguei minha blusa pendurada em um dos cabides do closet. Existiam coisas mais interessantes a serem feitas do que pensar e esperar por algo que talvez não fosse acontecer nunca. Não precisei mesmo me intrigar demais com pensamentos daquele tipo.

Os corredores pareciam mais iluminados naquela tarde. Andei até o elevador e pressionei um dos botões para que subisse até meu andar. Demorou pouco, mas chegou. Estava vazio. Sorte minha. Não que o elevador fosse pequeno, mas não gosto de ficar em lugares como aquele rodeada de estranhos.

Me hospedei no décimo andar, e para cima haviam mais cinco. Todos os andares, mais os do subsolo, totalizavam em vinte. Nunca tive interesse nos espaços abaixo da terra. Quando cheguei ao térreo consegui avistar alguns carros parados ao lado de fora. Mais pessoas passariam alguns dias no hotel.

Meus objetivos consistiam em um período de distrações. Eu precisava me divertir um pouco. Saí do edifício, tendo total visão da avenida e dos carros que circulavam nela. Por um instante pensei que ir para Hongdae estava mais em conta, mas haviam muitas lojas em Gangnam, com certeza uma delas era o suficiente para me distrair.

Andei um pouco até achar alguns comércios. Eu não costumava frequentar lugares como aqueles, mas meu quarto parecia vazio demais apenas comigo dentro dele. Talvez devesse ligar para Seulyeong e pedir para me fazer companhia. Mas depois dela não ter marcado presença na escola, talvez estivesse ocupada e eu não queria incomodar.

Entrei em uma loja de doces. O recinto estava quase vazio, se não fossem por algumas pessoas mais à frente. Eu procurava qualquer coisa que conseguisse acalmar minha ansiedade. Chocolate talvez.

– Oh! Joyce? – Uma voz um pouco distante chamou minha tenção. Olhei para frente e vi uma mulher ruiva, ela era um pouco alta, magra e o que mais marcou sua aparência foram os olhos azuis.

Passei um tempo olhando pra ela até me aproximar um pouco. Eu já havia visto ela em algum lugar, me lembrava muito a tal recepcionista do dormitório dos meninos. Só que naquela ocasião suas roupas eram mais comportadas.

– Sim? – Eu respondi parando de frente pra ela. – Sabe meu nome?

– Longa história. Posso te acompanhar?

Eu a olhei um pouco sem jeito, não soube o que responder. Não é todo dia que uma semiestranha te para numa loja de conveniência. De qualquer forma eu não tinha nada de melhor para fazer.

– Por mim, tudo bem.

Eu peguei um pacote de salgadinhos e levei até o caixa. Queria lembrar o nome daquela mulher. No dia que a vi eu estava com o Jimin, ele a chamou de Lore, mas com certeza deve ser apenas um apelidinho carinhoso.

Ela me seguiu para fora da loja depois de eu ter pago. Não imaginei que estava falando sério ao perguntar sobre me acompanhar.

– Eu vou para uma cafeteria aqui perto, você vem? – Perguntei e a moça balançou a cabeça enquanto terminava de olhar-se no reflexo do visor apagado do celular.

Minha curiosidade estava incomodando. Eu precisava saber quem ela era. Acredito que tenha falado comigo por um motivo bom. Ou talvez fosse só interesse.

– Bom, talvez não me conheça tão bem. Pode me chamar de Loren. Por enquanto – E como se estivesse lendo meus pensamentos, a ruiva se apresentou finalmente.

Eu balancei a cabeça e fiquei pensando o quanto o apelido por qual Jimin a chamava fazia sentido.

Acima de tudo, Loren era uma mulher bonita. Mesmo eu querendo não admitir. Ela aparecia ser bem inteligente também, só o motivo de estar falando comigo era meio suspeito. Eu estava contando os segundos para ela desistir e ir embora.

Na cafeteria escolhemos uma das mesas afastadas. Ela se sentou primeiro e eu a acompanhei.

– E então, você conhece o Jimin, certo? – Não que aquele fosse o melhor assunto, mas foi o que eu quis perguntar.

Loren balançou a cabeça animadamente, mas o olhar que me lançou, como se eu acabasse de falar algo extremamente absurdo me deixou intrigada. Foi ai que eu percebi meu erro, me referir a Park Jimin daquela forma não era exatamente apropriado.

– Eu trabalho como recepcionista no edifício aonde ele tem um apartamento. Conheço o Senhor Park há muitos anos ... eu diria que temos uma amizade de séculos! – Loren falou entusiasmada. Pelo jeito os dois se conheciam bem...não que isso me incomode.

Eu olhei as horas no celular, esperando que por algum ótimo acaso elas passassem mais de pressa. Algo naquela moça estava me incomodando, ela era até que legal...bem sociável.

– Você já completou dezoito anos não é mesmo? – Ela perguntou, desviando o foco do assunto – Se sim, eu preciso ter uma conversinha com você, Parkson...espero que não se importe – Ela enfatizou meu nome por algum motivo pelo qual não quis arriscar perguntar. Após dizer isso, procurou por algo em sua bolsa. Loren tirou de lá um pedaço de papel e o estendeu para mim.

– O que é isso? – Analisei o pedaço de papel em minhas mãos, havia um número de telefone nele. Encarei Loren sem entender muito bem – É...eu já tenho dezoito.

– Prazer, meu nome é Lohany Parkson – Disse com ela como se acabássemos de nos conhecer. Eu a encarei um pouco confusa até conseguir entender o que se passava – Eu estava esperando que você fizesse seus dezoito anos. Apesar de ter lhe dado meu nome verdadeiro, quero que me chame de Loren, assim eu consigo manter o disfarce – Explicara com uma pequena piscadela no final.

Eu engoli a seco.

Não queria que fosse o que estava pensando. Eu não suportaria a ideia de que aquela mulher fosse alguma prima minha de décimo quarto grau.

– Bem, teremos uma ótima conversa, melhor eu pedir um café...

Lohany acenou para uma moça que rapidamente se prontificou a atender seu pedido, anotou-o em um bloquinho de notas e se retirou logo em seguida.

Voltou sua atenção à mim e arreganhou um enorme sorriso.

– Comecemos pelas partes principais. Eu sei que é totalmente incomum uma pessoa aparecer do nada assim como eu – Ela começou, um pouco ansiosa – Joyce, eu conheci sua mãe, muito bem até. Posso dizer que ela te criou muito bem, nunca imaginei que teria uma sobrinha tão bonita.

Eu com toda certeza achei aquela mulher maluca. Ou aquilo tudo era verdade, ou Lohany tinha alguns neurônios a menos.

– O que? Não estou te entendo, Sobrinha? – Eu questionei, indignada. Não era possível. Minha mãe me diria algo sobre aquilo.

– Oh, sua mãe não falou de mim? Bem, eu estou aqui para falar.

Comecei a cogitar a ideia de que aquela mulher era realmente maluca. Eu teria ouvido algo sobre ela durante minha infância. Comecei a desconfiar, talvez fosse algo relacionado ao Jimin, com certeza havia dedo dele nisso.

– Com todo respeito, você tem certeza de que não está me confundindo com ninguém? – Perguntei, tentando achar alguma semelhança entre ela e algum dos meus pais. Ninguém da minha família era ruivo.

– Joyce, eu não costumo me confundir. Você já vai entender o porquê de eu ter aparecido agora. Conheço você há anos – Os pedidos dela chegaram bem na hora, Lohany interrompeu sua fala e se concentrou no café por um segundo – Digamos que eu seja a “Ovelha Negra” da família, sua mãe nunca gostou de mim.

Eu preferi dar atenção ao que estava comendo, esperava a hora em que ela viraria pra mim e diria ser tudo uma mentira.

– Continue. – Pedi.

– Nunca achou estranho vir para a Coreia do Sul? Sua mãe já lhe contou o motivo? – Realmente, minha mãe não gostava de tocar nesse assunto, sempre achei que tinha a ver com nossa família nos Estados Unidos. De qualquer forma, ainda não consegui entender muito bem aonde ela queria chegar.

– Não consigo acreditar em você.

Lohany olhou para mim com um sorriso debochado. Aquela mulher não se parecia com ninguém próximo a mim e com certeza não tinha grau de parentesco comigo. Me recusei a acreditar que aquela fosse a verdade.

– Eu não perderia meu tempo com você se não fosse importante. Sei que sou uma péssima tia...mas você vai gostar de mim. Siga o exemplo de Park Jimin, deixe eu te mostrar as coisas de um jeito diferente. A partir de hoje, esqueça tudo que sabe sobre sua identidade...

Talvez fizesse sentido, Lohany não aparentava ser muito amável, minha mãe era totalmente diferente, ela jamais seria próxima de alguém como aquela ruiva. Respirei fundo e tomei coragem para sair, estava quase me levantando quando ela voltou a falar.

– Joyce, sua mãe sabe sobre você é Park Jimin – Eu a olhei incrédula, não sabia identificar sua expressão, ela não me olhava nos olhos.

– O que?

– Se você sair por aquela porta, creio que vou esquecer como guardar um segredo. E conhecendo Evelyn como eu conheço, não vai ser nada agradável pra ela saber que a preciosa filhinha...

– Não vou sair – Interrompi antes dela terminar. Não era possível que Jimin falou daquilo com ela. E não disse para ele guardar segredo, mas não é coisa que se faça. Ele é do tipo que guarda segredos tatuando a coisa na testa.

Lohany sorriu.

– Okay, vamos falar de mim...

                                                                                                                                              


• Min Seul Yeong •

Treze de Maio de 2016

Coreia do Sul, Quarta-feira

Seoul, 12:35 PM


Quando entrei pela porta da frente percebi que as chaves não estavam penduradas no porta-chaves, o que indicava minha mãe, e possivelmente meu pai, terem saído para algum lugar. Talvez fosse sorte minha. Os dois não receberiam a notícia da minha irresponsabilidade tão cedo. Era melhor assim. Subi diretamente as escadas para o meu quarto. O silêncio dominava as outras partes da casa, onde nada de interessante podia ser feito, não que meu quarto fosse o centro de todo o meu interesse, porém, lá eu poderia me lamentar por ter perdido o horário.

Com toda a certeza do mundo eu tinha de ter dormido mais cedo noite passada, entretanto, adormeci às duas da manhã conversando com Jungkook. Nossa conversa não fora lá tão empolgante, mas naquele instante eu não tinha sono e desejei que ele também não sentisse vontade de dormir.

Claro que usar isso tudo como desculpa nunca seria certo, Jungkook não era o culpado por eu não ter o bom senso de não pensar no dia seguinte. Mas a grande questão é “Porque Jeon Jungkook, um dos melhores alunos do Colégio em relação à histórico e notas escolares, estava me perguntando sobre provas mensais?” Não fazia sentido, mas eu acabei gostando de por apenas um tempo, ser a pessoa com quem ele trocava mensagens de madrugada.

Deitei na minha cama, antes impecavelmente bem arrumada. Seria mais correto ligar para Joyce e pedir ajuda com as matérias do dia. Mas eu não tive interesse nisso quando peguei meu celular. Já no visor pude ver um ícone de notificação. Era alguém me mandando mensagens. Respirei fundo e desbloqueei para saber quem era o indivíduo. Sarah. Ela falava de como estava ansiosa para voltar. Mas eu não tive tanto ânimo ao ler as mensagens dela.

Deixei o celular debaixo do travesseiro e sem saber o que fazer comecei a pensar sobre tudo que acontecera até ali. O ano não estava perto de acabar, o que era um dos meus desejos. Ainda sentia-me um pouco sonolenta, e o melhor jeito de esquecer meu deslize hoje e pequenos flashes de cenas do mesmo sonho que tive naquela manhã, era dormir. Dormir e por sorte não ter outro pesadelo.

Passei alguns minutos refletindo, mas depois consegui pegar no sono.


                            [...]


Ainda era tarde quando acordei, contudo, o céu já tinha uma tonalidade alaranjada lá fora. A noite estava chegando. Me encontrei confusa quanto às horas. Aquele sono me fez bem, depois de me espreguiçar e sentar sobre o colchão, percebi que me sentia mais disposta. O clima no meu quarto era ótimo, um meio termo entre frio e calor, as luzes do por do sol deixaram o ambiente acolhedor, mas eu sabia que logo-logo aquilo acabaria.

Pelos barulhos vindos lá debaixo, meus pais já estavam em casa. Eu me levantei com preguiça e calcei as pantufas antes de descer. Por algum motivo as escadas de madeira estavam mais escorregadias do que o normal. Quando cheguei à sala, Weung me encarou, largado no sofá com um copo do que aprecia ser suco nas mãos. Era bom ver ele tão tranquilo, na maioria das vezes estava com alguma roupa social, pronto para sair de casa ou exausto por ter tido um longo dia.

Minha mãe fazia alguma coisa na cozinha e meu pai eu não encontrei. Aquela casa parecia tão completa com todos presentes. O cheiro do óleo de gergelim torrado impregnava por toda parte. Supus que mamãe estivesse fazendo kimbap. Prefiro o kimbap tradicional com cenoura, pepino e atum. Mas desta vez, algo em dizia que era de carne. Não que esse fosse ruim ou eu tivesse álibi para opinar sobre comida.

Peguei um livro sobre a mesinha de centro ao me aproximar e me acomodei no sofá. Deixei meu celular sobre a superfície de vidro da mesa e decidi dar atenção ao livro. A página 45 estava marcada, alguém leu aquele livro antes de mim. Mas nada assim era importante.

– Mãe, me trás um copo com água por favor? – Sook berrou do sofá. E aquela fora uma atitude cômica. Ele não era folgado ou coisa do tipo, mas em minha opinião, mamãe tinha mais o que fazer do que trazer-lhe água.

Aquele dia em potencial tinha tudo para continuar afundando. Não consegui ir à aula e falar desse assunto não me ajudaria muito e, por ora, eu precisava aliviar o tédio. Olhei a capa do livro que segurava e não em surpreendi, era um romance idiota “O Encontro”, minha mãe já o leu e ela diz ter chorado muito com ele. Um livro de drama e amor, a mistura perfeita de duas coisas que fazem chorar.

Eu o devolvi para o lugar de antes. Não estava com pique pra ler.

– Como foi seu dia? – Minha mãe pareceu na sala com um copo de água e um belo sorriso. Ela perguntou pra mim, enquanto o copo ela dava para Weung. Pensei um pouco e cheguei à conclusão de que mentir só estaria adiando um assunto que eu de qualquer forma iria conversar depois. Então respirei fundo e dei um dos meus melhores sorrisos.

Eu sabia o que um dia de falta poderia causar no meu histórico escolar, mas não consegui evitar. Meus pais não eram rígidos com isso, mas admitir que errei era demais pra mim.

– Eu ... bem, não consegui chegar à tempo na escola, os portões já estavam fechados – Mamãe sorriu pra mim e respirou fundo. Eu sabia que por mais que sua expressão fosse dócil, receberia um belo castigo – Não foi culpa minha, mas tirando isso, tudo ocorreu bem.

– Ah é? Eu não vou perguntar se você foi dormir tarde ou não; não vou gritar com você, nem dar lição de moral. Porém, quero o seu celular quando der oito horas da noite e sem “Mas” – Disse de uma forma tão autoritária que me senti obrigada a obedecer. – Só quero saber aonde passou a manhã, já que não foi na escola.

Eu balancei a cabeça concordando e apanhei o celular da mesinha de centro. Dizer que fiquei andando por aí só aumentaria a má impressão, eu precisava mentir, somente aquela resposta seria falsa.

– Sobre isso, eu voltei pra casa o mais rápido que pude – Disse eu, evitando olhar para ela. Talvez tivesse voltado pouco depois dela ter saído de casa.

Mamãe acenou com a cabeça e voltou andando para a cozinha. Talvez ela estivesse um pouco mais tolerante naquele final de tarde. Meu castigo era até que leve, só não soube por quanto tempo ficaria sem meu celular. Uma semana, provavelmente.

Enquanto me distraí pensando sobre aquele assunto, o celular começou a vibrar. Eu não esperei por isso. Olhei para o aparelho em minhas mãos e vi que era uma chamada do Jungkook. Minha primeira reação foi achar aquilo extremamente estranho, mas então me veio o medo de atender. O que ele queria comigo justamente naquele dia específico? Esse interesse repentino era suspeito. Passamos semanas sem nos falar e do nada ele me aparece com ligações e mensagens. Eu decidi atender, mesmo sabendo que podia ser algo relacionado ao assunto de ontem.

– Seul Yeong? – Ouvi sua voz calma me chamar do outro lado da linha. Pelo pequeno entusiasmo, Jungkook estava contente com algo e eu me senti um pouco menos convencida de que atender àchamada fora uma ideia boa. Eu não conseguiria controlar meu nervosismo, era sempre uma idiota quando falava com ele.

– Está me ligando por que? – Perguntei me levantando do sofá. Olhei para Weung e percebi que ter aquela conversa na frente dele não era muito adequado, ainda mais por ele não suportar Jeon Jungkook.

– Estou sem coisas boas para fazer, posso passar na tua casa? – Jeon perguntou como se fosse algo simples. Eu ainda tentei pensar um pouco, mas estava começando a ficar assustada só de ouvi-lo, sua voz me fizera recordar de outras coisas como o modo com que se aproximara de mim há algumas semanas, eu ainda podia sentir meu corpo reagir àqueles pensamentos.

– Não, porque você quer vir aqui? – Eu devia suspeitar de alguma coisa. Não era normal que Jungkook me ligasse, aquela fora a primeira ligação que recebi dele. Nem éramos próximos...nossa relação voltou a ser a mesma depois do que aconteceu, muita frieza e ignorância de sua parte, passou a me esquecer novamente, como se eu nunca estivesse lá. No colégio nem nos falávamos diariamente. Eu não sabia o que pensar sobre aquele contato repentino que ele queria ter comigo, era ótimo ter sua atenção pra mim, sentir que ele estava dedicando uma parte do seu tempo para falar comigo, mas ia acabar de novo.

Me aconcheguei em uma das poltronas do hall de entrada da casa, elas eram as melhores poltronas que já vi na vida. Enquanto esperava a resposta dele, eu puxei o elástico que prendia meus cabelos e os ajeitei com os dedos, organizando aqueles fios ondulados que aprendi a gostar com o tempo. Sempre fui extremamente insegura com minha aparência, nunca consegui aceitar meus cabelos do modo que eram.

Enfim pude escutar sua doce e rouca voz novamente, cortando uma onda de pensamentos meus.

– Meus amigos estão ocupados e estou precisando mesmo sair de casa – Jeon Jungkook tendo seus pedidos rejeitados pelos amigos, isso de alguma forma não me convenceu, Jimin praticamente aceitaria qualquer pedido dele. – Se você não quiser tudo bem, eu só iria passear um pouco. Pensei que gostasse da minha companhia...vejo que não.

Senti que Jeon fez um leve drama no final, a voz repleta de decepção, mas nada que fosse tão perceptível. Eu não soube responder aquilo. Não parecia uma péssima ideia. Estar a sós com ele de novo era tentador.

– Acho que não vai ser um problema você vir aqui – Por fim eu falei. E pude ouvir um risinho vitoriosos de sua parte, fora algo que realmente teria causado em mim um pouco de nervosismo, mas minha pele não era tão clara ao ponto de eu conseguir ficar corada facilmente – Agora eu preciso ir, Jungkook.

Desliguei o telefone segundos depois. Minha mãe estava na cozinha, provavelmente me ouvira falar no celular. Seria mais fácil convencê-la de que eu apenas sairia em alguns minutos para dar uma volta. Ela não gosta de me ver saindo com Jungkook para qualquer lugar que seja, mesmo que eu dissesse que ele é apenas um amigo, o que é uma enorme mentira, não somos nada um do outro.

De qualquer forma, ninguém da minha família simpatiza com o Jeon, meu pai não liga muito, já meu irmão realmente não vai com a cara do Jungkook, e desde que mamãe o encontrou antes de sua viagem, ela o detesta. Diz que seu jeito é metido e que ele é um menino insolente.

Até que eu entendo o lado dela. Jungkook sempre olha para os outros com um ar de superioridade e quase sempre com desprezo. Aprendi a me acostumar com seu jeito arrogante, para mim, não existia coisa mais sexy no mundo do que seu modo de observar as coisa e julgar fortemente as ações alheias, claramente convencido e com um pensamento narcisista em mente “Eu posso fazer melhor que Isso, porque sou melhor que você”.

Me levantei da poltrona, chateada por ter que sair de lá, mas com aquela aparência eu não iria à lugar nenhum. Voltei para o meu quarto, passando o mais rápido possível pela sala. Tudo estava em seu devido lugar, menos os lençóis e cobertas sobre a cama e eu não perderia meu tempo arrumando aquilo.

Aproximei-me do espelho da penteadeira e vi o desastre em que meu cabelo se encontrava. Mas nada que um creme e um bom penteado não resolvesse. Minhas roupas estavam normais, não teria trabalho com elas, apenas uma blusa de moletom cinza, uma calça jeans preta e um tênis.

Estava ótima daquele jeito. Não irei impressionar ninguém.


[...]


Minutos depois de eu ter voltado à sala recebi uma mensagem do Jungkook, dizendo já estar me esperando do lado de fora. Eu estava desconfiada, algo estava errado naquilo tudo. Mas resolvi deixar de lado, pois mesmo o vendo todos os dias eu senti saudades. Andei até a cozinha e minha mãe estava ao lado do balcão com kimbaps prontos, ela estava cortando-os em fatias. Aproximei-me lentamente e parei ao seu lado, observando aquela obra de arte comestível.

– Mãe, estou saindo Agora, volto em uma hora – Eu avisei receosa por medo de ela me impedir de dar qualquer passo para fora de casa, mas apenas balançou a cabeça e continuou trabalhando na comida.

Eu saí da cozinha e andei até a porta, peguei minhas Chaves, celular e saí de casa. Jungkook realmente me esperava, escorado em meu portão, foi assim que o vi. Ele olhou pra mim assim que percebeu minha presença. Dei graças a deus por ele não ter feito aquela expressão novamente.

– Olá, Min Seul – Inacreditavelmente eu fui cumprimentada com uma curta e breve reverência. Não que isso não fosse comum, mas vindo de Jeon Jungkook era um milagre. Mesmo que fosse um ato respeitoso, me senti como se com aquilo, uma barreira estivesse sendo construída entre nós.

Eu não hesitei em cumprimentá-lo igualmente. Afinal, educação nunca é demais.

– Oi, Jungkook – Preferi ficar há dois passos de distância dele. Jungkook estava tranquilo e inofensivo, mas ainda era amigo de Park Jimin e mesmo que eu adorasse seu jeito intimidador, não saberia como agir caso ele tentasse algo comigo.

Nos afastamos aos poucos da minha casa. Andamos lado a lado. Durante o percurso Jungkook não quis falar nada e eu não estava com paciência para ser a pessoa que conduz a conversa. Comecei com passos lentos e despreocupados, não me importei realmente com as horas. Já estava escuro, as luzes da avenida e das lojas eram toda a iluminação das ruas. O céu, infelizmente não estaria estrelado como de costume.

Comecei a pensar aleatoriamente em como eu estava tendo azar em tudo. Andava muito distraída e eu sabia reconhecer este erro. Meus problemas nunca foram falta de atenção, eu tinha foco, até demais. Porém, eu não estava progredindo muito.

Minhas mãos balançaram inquietas ao lado do corpo. Olhei para Jungkook, andando ao meu lado com as mãos no bolso, ele sempre fora muito sério. Eu andei observando seus atos, não entendia como alguém tão popular conseguia ser um poço cheio de calma. Sempre admirei aquilo.

Eu mesmo com todas as coisas que me incomodavam, sabia ser paciente, mas Jungkook sempre conseguia ser ainda mais pacífico. Nunca o vi gritar, ou levantar o tom de voz com alguém. Realmente era o tipo de pessoa que conseguia amenizar qualquer clima alarmante. Eu me sentia contagiada por sua leveza, sempre que me senti nervosa, bastou olhar ou pensar em seu jeito sereno de fazer as coisas e eu me sentia mais calma.

Me distraí, admirando suas feições. Nossos passos seguiam o mesmo ritmo e eu não fazia ideia de onde estava indo. Por algum motivo eu preferi que aquela caminhada não acabasse nunca, mesmo que eu ficasse em silêncio apenas olhando para seu rosto feito uma idiota.

– Está pensando no que? – Jeon me perguntou, acabando com toda a minha distração. Percebi que eu já estava o olhando por muito tempo e para o meu azar ele notou.

Pela primeira vez eu decidi não disfarçar quando seus olhos começaram a analisar meu rosto. Jungkook estava mais tranquilo, não me lembro de vê-lo assim há muito tempo. Ele estava feliz com alguma coisa e isso me deixou um pouco...aliviada. Sempre gostei de parar para observá-lo e consequentemente acabava submergida no meu próprio mar de devaneios.

– Coisas – Ponderei alguns segundos maneando a cabeça levemente. Um sorriso moldou os lábios dele e eu senti uma ponta de felicidade quando vi que não tentou esconder, ele estava sorrindo e eu não sabia ao certo o porquê, mas sabia que quando alguém o via sorrindo ele acabava com aquela linda visão num passe de mágica.

– Coisas é? Interessante.

Jeon esperou que eu afirmasse estar pensando nele? Uma coisa bem insensata de se fazer. Não queria ser óbvia demais. Apesar de que meus atos já me denunciaram. Ele certamente estava acostumado a ver dezenas de garotas se declarando para ele mensalmente. Nunca achei a ideia válida, se eu tentasse dizer algo, ou seria cortada, ou não me levaria a sério, ou eu seria vista por seus olhos como apenas mais uma vadiazinha interesseira. Eu não desejava isso pra mim.

Enfiei as mãos no bolso da blusa e dei atenção às vitrines ao nosso lado esquerdo. Andávamos por uma rua repleta de boas lojas de roupas. Eram lojas femininas, mas nada me chamou tanta atenção. Eram vestidos, saias e looks comuns.

– Porque decidiu me procurar? – Indaguei ainda com medo da resposta.

Desde a última vez em que conversamos decentemente, nunca mais nos falamos, não via motivos para ele querer minha companhia em plena noite de quarta-feira. Não que eu ache ruim, só não consegui compreender. De tantas pessoas, porque eu? Jungkook se mostrava cada vez mais complicado. Quando achei que conheci sua personalidade ele começou a agir diferente. Eu juro que tentei entendê-lo, mas durante os anos em que estudamos juntos eu nunca consegui decifrá-lo completamente. Algumas pessoas não são um livro aberto e Jeon Jungkook definitivamente era uma delas. Eu devia ser louca o suficiente para desejar alguém como ele.

– Já expliquei isso, eu estava entediado e ninguém mais quis sair comigo – Sua frieza nunca me incomodou tanto, mas era chato ver ele sendo tão frio comigo. Tentei ignorar aquela resposta. – Não que eu te veja como segunda opção...

Talvez tenha melhorado um pouco as coisas com as últimas palavras, mas ainda assim me aborrecia ouvi-lo ser tão rude. Andávamos um ao lado do outro, porém, eu quis ficar um pouco afastada. Via algumas peças nas vitrines, mas elas me pareciam tão sem-graça. Eu resolvi parar por um segundo quando avistei uma coisa que prendeu minha atenção por um tempo. Era um vestido.

Deixei JungKook e me aproximei da vitrine. Por coincidência aquela era a loja que eu mais frequentava. O vestido em si não era algo extravagante e muito chamativo, tinha um toque de transparência e sua cor era totalmente preta. Era justo na cintura e a saia era rodada, pouco abaixo das coxas. Eu gostava de coisas simples, apesar daquela não ser tão simples assim, a parte menos simples era o preço. Aquela peça de roupa parecia perfeita para uma comemoração pós-formatura. Eu já estava pensando no fim do ano.

Mantinha-me distraída, admirando aquele lindo vestido, pensando se deveria comprá-lo ou não. Nem ao menos me toquei de que Jungkook estava plantado bem ao meu lado, ele pelo jeito analisava o vestido e pensara no meu mal gosto para roupas, julgando pela sua cara de desgosto.

– Você gostou desse? – Perguntara num tom desanimado, as palavras saindo com um mínimo ar debochado. Eu respirei fundo e continuei olhando para o vestido, imaginando como eu ficaria usando ele. Nunca fui de comprar roupas caras, pensei que talvez eu podia agradá-lo com aquele vestido, embora Jungkook não tenha parecido gostar.

Era uma linda peça de roupa. Jeon passou seu braço ao redor da minha cintura bem devagar, não quis perder meu tempo ficando eufórica com isso. Soltei um pesado suspiro e procurei meios de não demonstrar o quanto ele mexia comigo ao fazer aquele tipo de coisa. Até demorou para ele fazer alguma coisa do tipo. Era ainda mais difícil admitir que eu adorava.

– Sim...eu gostei do vestido – Pigarreei, quase que implorando com os olhos para que ele saísse de perto de mim. Com certeza Jungkook vira minha expressão através do reflexo dos vidros da vitrine.

Pensei que não pudesse piorar, mas então, como se fosse a coisa mais normal do mundo, Jeon transformou aquele pequeno apoiou com sua mão na lateral do meu corpo, em um abraço não muito apertado por trás. Senti minhas costas baterem contra seu peito e automaticamente meu coração aumentou gradativamente as batidas por segundo. Senti o calor dele, mesmo estando frio nas ruas. Jungkook me passou a sensação de segurança. Mas não queria que me vissem com ele daquele modo.

– Jungkook...estamos em público – Reclamei, vendo-o piscar para mim através do seu reflexo nos vidros – Pare com isso, pode atrair a atenção das pessoas. – Aquela não era a minha maior preocupação, eu só não consegui lidar com ele tão perto, ainda mais depois do maldito sonho que tive. Não achei que pudesse fazer nada contra minha vontade, até porque não seria contra minha vontade e também, quando disse que ainda não estava pronta para avançar, ele respeitou.

Jeon olhou em volta e com um súbito movimento apertou meu corpo ainda mais contra o seu, como se o que eu disse fosse totalmente ignorado por ele.

– E daí? As pessoas não têm de se importar com nada amais que suas próprias vidas – Encarei aquela resposta como algo rude, mas vindo dele eu já não esperava por algo diferente. Talvez Jungkook em alguns momentos fosse antipático por conviver com Yoongi, se é que ainda moravam sob o mesmo teto – A propósito, esse vestido ficaria lindo em você.

Me acalmei mais quando suas mãos deixaram de apertar minha cintura, por mais que eu quisesse seu corpo colado ao meu. Eu amava seus elogios, mas aquilo deixava-me constrangida e olhar em seus olhos escuros e, na maioria das vezes, indecifráveis, enquanto ele tocava meu corpo, não era uma das melhores sensações a serem sentidas em um lugar movimentado.

– Por favor, saia – Posicionei minhas mãos sobre as suas, extremamente geladas, e afastei-as do meu corpo. Jungkook olhou pra mim com o cenho franzido e uma careta de reprovação, mas não era problema meu se ele curtia contato físico com pessoas olhando, eu não gostava nem um pouco – Não olhe assim pra mim.

Voltei a andar na direção que seguíamos antes. Jungkook me alcançou e passou a caminhar novamente ao meu lado. Podia não parecer, mas eu me sentia minimamente incomodada com as atitudes dele em determinados momentos. Era tão parecido com Park Jimin, eu não me sentia bem vendo-o agir daquela forma...porque sempre soube que fazia o mesmo com outras.

– Aonde estamos indo? – Questionei, observando meus passos na calçada. Eu não fazia a mínima ideia do lugar. Voltaria para casa em alguns minutos, minha mãe não tinha todo o tempo do mundo.

Jeon ficou quieto e continuou andando, estava me ignorando, definitivamente. Ele fazia isso às vezes. Tive essa certeza depois de o ver erguer a cabeça de uma maneira completamente convencida.

Tinha o total direito de ficar confusa. Jeon Jungkook me deixava completamente desentendida, perdida e desorientada. Eu praticamente o seguia sem saber para onde e ao mesmo tempo que sentia-me desconfiada, estava certa de que era totalmente seguro andar com ele no meio da noite. Apesar de eu gostar de tê-lo em minha companhia, nunca gostei de não entender o que se passava em sua cabeça.

– Porque você é assim? – Decidi perguntar já que não aguentei aquela confusão toda que ele estava causando comigo, eu realmente queria pelo menos entender o fato dele se aproximar e sumir e, do nada, querer falar comigo de novo. Claramente eu amava tudo nele, só não o fato de ser mais uma idiota que Jungkook usava como distração

– Como é? – Jeon virou-se pra mim, com aquela expressão sem-vergonha completamente transformada em uma expressão confusa.

– Porque resolveu falar comigo um mês depois da primeira vez em que olhou nos meus olhos verdadeiramente? – Talvez eu estivesse exagerando, mas não pude mais ficar pensando e repensando naquilo o tempo inteiro.

Ele riu e essa foi sua única reação. Olhou pra mim como se não entendesse uma palavra do que acabei de dizer. Eu não quis continuar andando, fiquei parada em sua frente esperando minha resposta. Certo que há segundos atrás me encontrava pensando em quanto o desejava, porém, decidi falar o que me incomodava.

– Pode ser mais específica? – Jungkook passou os dedos entre seus fios negros de cabelo, jogando para trás e as mechas voltaram à posição original. Meus instintos diziam que algo estava começando a dar errado, para variar – Seul Yeong, está se referindo ao nosso primeiro encontro?

Não devia ser aquela a minha reação, mas eu senti meu corpo inteiro congelar de um segundo para o outro. Jeon percebeu meu espanto e sorriu ainda mais. Era terrível ter que admitir para mim mesma, mas eu achava ele muito mais bonito quando sorria, não importava as intenções por trás daqueles lábios. É, eu era patética. Nem imaginei que aquilo fosse um encontro, me senti atônita.

– Foi um...encontro? – Ou eu fui lerda demais para perceber, ou Jeon quem não deixou muito óbvio.

Eu senti minhas orelhas, bochechas e praticamente meu rosto inteiro ficar razoavelmente quente. Ótimo, estava com vergonha. Era incrível como eu conseguia me superar, mas realmente nunca foi fácil manter a calma quando estávamos próximos. Geralmente eu já me encontrava nervosa apenas por olhar em seus lindos olhos escuros, isso era complicado.

– Depois daquele dia eu apenas não senti que deveria falar com você novamente – As palavras saíram de sua boca como uma simples frase, mas pra mim aquilo foi triste – Acho que começamos de um jeito errado, Seul Yeong. Quero marcar um encontro de verdade com você, e não ouse me responder um não. Mas vamos continuar andando, não gosto quando fazem perguntas demais.

Eu fiquei sem saber como reagir àquilo. Eu realmente estava sendo apenas mais uma pra ele. Eu não esperava que depois de sairmos ele viesse me falar mais alguma coisa, mas se passou um mês inteiro com a situação sendo a mesma de antes, eu não consegui suportar. Talvez aquelas outras garotas com quem ele costumava falar diariamente, se contentassem apenas com sorrisos e gestos, eu não era uma delas.

– Ah, então você apenas me procura quando precisa se distrair ou quando lhe convém? – Eu estava disposta a falar como eu me sentia irritada com aquilo tudo, não que ele tivesse a obrigação de me ligar no dia seguinte, mas eu não admitia ser apenas uma opção – Porque? Eu não consigo compreender você, eu juro que tento.

Permaneci parada e ali ficaria até Jungkook responder o que eu precisava ouvir, meus pés não iriam se mover tão cedo para acompanhá-lo aonde quer que fosse.

Jeon deu um suspiro longo como se eu fosse a causa de sua impaciência. Tentei não me intimidar quando se aproximou tão de repente. Comecei a me alterar, meu corpo inteiro tenso e não tinha mais capacidade para suportar ouvi-lo dizer algo que não me agradaria nem um pouco. Esperei que fosse falar, me responder ou até mesmo dar as costas e ir embora, porém não sabia que era tão cara-de-pau ao ponto de chegar tão perto de novo.

– Venha comigo e pare de reclamar. – Jeon segurou minha mão delicadamente, o que pra mim foi o ato mais estranho dele naquela noite, e então, me guiou por entre as pessoas que acabavam de desembarcar num metrô próximo e agora voltavam para suas casas em um aglomerado de gente.

Após virarmos uma esquina, Jungkook parou e virou-se pra mim. Estava procurando um lugar mais calmo para poder ter algum tipo de conversa comigo. Acontece que aquele lugar se encontrava deserto.

– Olha, eu tenho que ir embora. – Disse eu.

Naquele instante decidi que por mais que estivesse certa de que amava ele, não era, nunca fui e não iria ser uma idiota. Jeon não podia brincar mais comigo. Até aquele dia eu nunca revelei o que senti durante alguns anos, e também, não faria diferença alguma pra ele.

– Espere, ainda não terminei – Jungkook se prontificou a tocar meu braço, para me impedir de avançar, mesmo que eu não tenha me movido, mas eu me esquivei a tempo de não sentir seus dedos no tecido do moletom que eu usava.

Não pareci agradá-lo fazendo aquilo.

– Minha mãe esta me esperando – Insisti, tentando, em vão, passar por ele. Jungkook umedeceu os lábios com a língua e olhou-me pelo canto dos olhos. Eu precisava ir embora e se possível manter-me afastada dele pelo resto do ano, pois já que eu era vista apenas como fonte de distração, ele não teria dificuldade para se distrair com outra garotinha burra.

– Você está chateada comigo? – Perguntou ele.

Pensei um pouco antes de balançar afirmativamente a cabeça. Não estava realmente chateada, só queria deixar claro que eu não era como as outras. Jungkook não faria o que bem entendesse comigo.

– Não é porque você é popular e tem todos ao se dispor que pode simplesmente chegar e ocupar o meu tempo, como se eu não tivesse nada de melhor para fazer – Falei olhando em seus olhos, pela primeira vez sem sentir a necessidade de quebrar o contato visual – Sugiro que se depois de hoje você for sumir de novo, se afastar e fingir que eu não existo, nem precisa mais continuar aqui na minha frente agora.

Pode não ter parecido, mas aquele mês inteiro que passei observando-o de longe me deixou realmente brava. Eu estava cética dos meus sentimentos, mas não permitiria ser feita de idiota. Estava sendo muito exagerada com aquilo, mas se fosse me decepcionar mais pra frente, era melhor cortar laços no presente do que aguentar o que estava por vir.

Não soube nem de onde tirei tanta coragem para enfrentá-lo daquele jeito, visto que há um tempo atrás, apenas ficar perto de Jungkook já era uma tarefa que exigia muita força psicológica minha.

– Aonde você quer chegar? Tenho a impressão de que este não é o ponto – Um sorriso apareceu no lugar de sua anterior seriedade. Eu, por mais que fosse difícil, não abaixei a cabeça, nem os olhos.

Não soube se devia ser aquele o momento de dizer para ele o porque de aquilo ter me incomodado. Mas talvez devesse arriscar.

– Não há ponto nenhum, só preciso que entenda que eu não quero você perto de mim se não for para algo útil – Disse respirando fundo. Comecei a sentir que estava ficando nervosa, nervosa com ele – Jungkook não sou...

Ele me interrompeu, foi tão rápido que não consegui assimilar. Puxou-me pelo antebraço e em consequência acabei com o corpo rente ao seu. Abraçou minha cintura com um braço e com o indicador e polegar da mão oposta, ergueu meu queixo até nossos narizes de encontrarem, mesmo com a diferença de tamanho. Aquele ato me desarmou por completo. Toda a postura confiante que assumi nos últimos segundos. Meus olhos pareceram mais abertos do que o normal.

Naquele mesmo instante, meu estado de vergonha dobrou. Jungkook encarou-me firmemente por um tempo e mesmo eu tentando, não permitiu que eu deixasse de olhá-lo, segurando meu queixo mais forte.

– Pare de falar assim, não me faça parecer um insensível desgraçado – Falou, encostando sua testa suavemente na minha. Eu estava ficando confusa, irritada e de jeito nenhum queria acreditar que estávamos tão perto um do outro no meio de uma rua mal-iluminada e deserta – Você reclama demais, outras garotas não costumam ser tão chatas.

Respirei fundo e com muito esforço mantive a calma, não era possível que aquelas palavras realmente haviam sido ditas por ele. Com as mãos apoiadas em seus ombros, eu tentei afastá-lo, mas ao fazer isso não contava com seu próximo ato. Jeon passou sua mão que segurava meu queixo até minha nuca e sem minha permissão, ou consentimento, aproximou seus lábios dos meus, dando início a um beijo que nos primeiros segundos eu não soube corresponder, não estava acostumada com aquilo.

Foi extremamente lento, não consegui acreditar que eram os lábios de Jeon Jungkook que me beijavam daquela forma. Mesmo com relutância, minhas pálpebras se fecharam aos poucos. Como uma pessoa forte, eu não devia dar continuidade àquilo, mas a tentação muitas vezes é maior, e neste caso foi. Por um tempo estranhei aquilo, foi diferente de todas as outras vezes.

Deixei de forçar minhas mãos em seus ombros para empurrá-lo, decidindo que não fugiria daquele momento, mesmo que eu me arrependesse depois por ser fácil. Algo estava errado, Jungkook nunca foi tão tranquilo, todos os outros beijos, forçados ou não, foram quentes, intensos e rápidos. Pela primeira vez aquele era o oposto de tudo.

Quando nossas línguas se tocaram eu percebi que não me afastaria. Obviamente aquele era mais um jogo, eu tinha de manter a concentração e resistir, mas aceitei a derrota nos primeiros minutos depois de ver o quão bom era não ter meu ar arrancado de mim em segundos, eu amava o jeito árduo como me beijou da última vez, mas ali era diferente, era melhor.

Tive a impressão de estar correndo algum tipo de perigo à cada segundo que se passava. Após pressionar minha cabeça contra a sua, da maneira mais calma o possível, Jungkook aprofundou ainda mais sua boca na minha. Seu braço, que prendia minha cintura, foi a única coisa que não me deixou realmente relaxada. Meu quadril era forçado contra o seu, ele temia que eu fugisse como aconteceu da última vez, mesmo que meus atos indicassem que tudo que eu menos queria era estar longe.

A todo momento Jungkook deixou claro que estava no controle da situação. Nem por um segundo deixou eu me afastar, sua boca buscava estar colada à minha e mesmo aquele beijo sendo lento, eu conseguia sentir o quanto ele queria deixar a delicadeza de lado.

Meu coração martelava contra o peito, aquela era uma das reações que eu mais gostava em mim mesma, sempre achei incrível a capacidade que Jeon tinha de me tirar do sério. Antes de sair de casa eu pensei se deveria me declarar para dele, finalmente dizer tudo que tinha entalado na garganta há muito tempo e nunca tive coragem de dizer, mesmo que nada fosse mudar para nenhum de nós. Minhas pernas estavam bambas pelo nervosismo de apenas pensar naquilo.

Sua mão, a qual segurava meus cabelos, despencou para a minha cintura juntamente com a outra que já estava lá. Tentei conter o sorriso que dei em meio ao nosso beijo, mas foi em vão. Seus lábios se moveram com calma. Não quis quebrar nosso momento.

Passei os braços ao redor do seu pescoço, puxando-o para ainda mais perto. Eu queria muito demonstrar tudo que eu sentia através daquele beijo. Eu já não era a garota que estava reclamando antes, mas isso não significava que aquela discussão não iria voltar depois de um de nós se cansar.

Abri um pouco os olhos, o suficiente para enxergar seu rosto, e pude ver que ele mantinha os olhos fechados. Geralmente eu era quem fechava os olhos e recebia seu olhar autoritário e satisfeito. Pensei que talvez aquele beijo significasse algo. Mas eu com certeza estava errada, para variar.

Quando achei que já era hora de parar, empurrei-o lentamente, até que entendesse o sinal. Nosso lábios se separaram e sem que eu me afastasse muito, Jungkook manteve nossas testas juntas, enquanto seus olhos não se abriram, também preferi não olhá-lo. Percebi como estava ofegante, não havia me dado conta do tempo. Pensei que não perderia o fôlego tão facilmente naquela lentidão.

Por mais que eu me convencesse do contrário, aquilo não era certo.

– Por deus ... eu sou muito burra – Sussurrei comigo mesma, sabendo que obtive sua atenção.

A culpa começou a pesar.

– O que? – Ele disse.

Eu abri meus olhos e com um pouco de força, dei alguns passos para trás. Minha respiração ainda estava um pouco agitada, e pouco me importava se ele iria notar. Aquele pode ter sido nosso último beijo.

– Nunca mais se aproxime de mim – Passei as costas das mãos nos lábios, virando-me para seguir outro caminho. Talvez estivesse sendo infantil, mas eu não permitiria ser usada por ele.

Comecei a andar e dois passos depois Jeon segurou em meu ombro, impedindo-me de continuar. Eu não virei para trás para saber como estava seu rosto, mas tinha certeza de que ele não sorria.

– Achou que com você ia ser diferente? – Ele perguntou como se fosse a coisa mais simples de se falar na vida. É, eu realmente achei que ia ser e, por Isso, sou burra.

Respirei pesadamente e cruzei os braços ainda sem ter a coragem de me virar, pois caso o fizesse, estaria cometendo um erro grande. Queria dizer que ele era um idiota e eu era outra por estar gostando tanto de uma pessoa assim, mas não adiantaria de nada. Jungkook me via como só mais uma garota no meio das outras dezenas.

– Isso não importa – Disse, tirando sua mão de cima do meu ombro. Talvez aquele fosse o momento da minha vida aonde eu realmente me sentia estúpida. Aguentei tudo aquilo por três anos, três consecutivos anos, devia me sentir feliz por finalmente ter um décimo de sua atenção pra mim, mas não era assim que eu me sentia – Você não faz ideia do tamanho da raiva que estou sentindo. Eu não sou vadia de ninguém, Jungkook, muito menos sua.

Eis o tempo em que me decepcionava com garotos. Yoongi não fora o primeiro, e Jungkook não seria o último. Os dois realmente se pareciam, mas erravam de formas diferentes. Continuei andando com meus braços cruzados e a cabeça no beijo que acabamos de dar.

Quando faltava pouco para mim virar a esquina, Jungkook havia me alcançado de novo. Dessa vez, me virou pra ele e pela primeira vez pude ver que estava sem palavras. Objetivo concluído.

– Eu não acho eu você seja a minha vadia, agora pare de reclamar – Eu podia muito bem ter virado as costas e ido embora, mas fiquei parada aonde estava, encarando fortemente seus olhos.

Eu estava prestes a respondê-lo, jogar na cara tudo que eu havia guardado há muito tempo. Seria a minha primeira vez falando aquilo abertamente. E teria dito, mas novamente Jeon resolveu me silenciar com outro beijo. Botou-me contra a parede mais próxima, pela primeira vez sem usar a força.

Eu provei ser realmente burra ali, tive a chance de dar-lhe um tapa bem dado no rosto, mas não o fiz e também poderia gritar, mas não gritei. Diferente do primeiro, aquele beijo foi rápido, Jungkook nem se quer esperou eu me acostumar com sua velocidade para invadir minha boca com a sua língua. Digamos que realmente me assustei.

Quando pensei que me botar contra uma parede e tecnicamente me surpreender com um beijo era suficiente, Jeon me ergueu em seus braços, fazendo-me enlaçar seu quadril com minhas pernas, mais um ato pelo qual eu não esperava. Não fiquei nem minimamente constrangida. Era estranho como eu estava confiante de que não iria ceder novamente e em um piscar de olhos deixei que ele me dominasse de novo, mas claro, não reclamaria.

Estava ainda um pouco surpresa. Jungkook pressionava seu corpo contra o meu. Fiquei com vergonha, mas ainda assim não desejei que parasse. Seus lábios atacavam os meus com tanta ferocidade que talvez ele esquecera que aquele lugar ainda era uma rua pública e, mais uma vez, Jeon deixou claro que estava controlando a situação.

Apertou minhas coxas com força, não exatamente uma força normal, doeu, nada insuportável, mesmo assim não pude evitar gemer contra seus lábios em forma de repreensão. Quis entender o porquê de eu não saber me controlar. Dizia para mim mesma que seria diferente, que não deixaria ele encostar em mim de novo, bem contraditória.

Tive medo de alguém nos ver. Jeon, por sua vez, não pareceu se importar. Vez ou outra prendia meu lábio inferior entre os dentes, mas não parou de me beijar. Me senti estranhamente bem. Pela primeira vez Jungkook demonstrou que realmente era aquilo que ele queria, não foi como uma brincadeira, deduzi isto pelo fervor em que estava. Fiquei pensando que se não estivéssemos naquele lugar, acabaria de outro modo.

Deixei minhas mãos, involuntariamente, desalinharem seus cabelos ao passo que me entreguei ao momento sem me preocupar com o que aconteceria ao abrir os olhos. Só pude pensar em como seus lábios estavam macios.

Suas mãos ainda em minhas coxas, eram o que me impedia de cair, o que provavelmente aconteceria se me soltasse, uma vez que nem me manter de pé eu conseguia. Estava com o coração totalmente acelerado e quase sem respirar, mas pelo desejo que eu estava sentindo, nada daquilo era problema. Jungkook brincava com sua língua na minha boca. Eu já sentia um pouco de cansaço, porém era uma ótima ideia ficar ali por mais tempo.

Ele deixou meus lábios e deslizou os seus pela minha mandíbula, iniciando ali uma série de pequenos beijos molhados, enquanto eu respirava fundo, tentando manter a calma. Minha respiração estava fora de ordem. Não quis abrir os olhos e meus dedos permaneceram emaranhados em seu cabelo.

Jungkook tinha a facilidade de me deixar indecisa. Antes daquilo tudo queria dar um fim em tudo, agora não sabia o que fazer ou dizer para ele. Seus lábios eram quentes e pararam no meus pescoço, onde os beijinhos ser transformaram em leves mordidas, com seus dentes puxando minha pele de forma mais delicada possível. Eu ainda tentei normalizar a respiração.

Uma parte do meu cérebro estava com raiva, a outra metade um pouco confusa. Enquanto Jungkook não parava de mordiscar meu pescoço eu quis achar meios de dizer que ainda não queria ele por perto, a questão é “Como afastar uma pessoa se você não tem forças para se manter longe?”

– Jung...kook – Chamei por ele, com a voz na altura de um sussurro, mesmo aquela não sendo minha intensão. Senti novamente ele apertar minhas coxas com a mesma força de antes, comprimi os lábios o máximo que pude, por mais que tivesse doído bastante – Eu...Jeon, eu...

Como se já previsse o que estava prestes a dizer, Jungkook parou de beijar aquela parte do meu corpo e esperou que eu continuasse. Não quis mais dizer, mas já não havia saída e eu sabia que depois daquilo as coisas seriam diferentes.

– Jungkook, eu...gosto de você – Me senti a garota mais clichê do mundo, mas o que de ruim poderia acontecer? – Faz três anos, Jeon...eu...eu te amo. – Pensei que fosse impressão, mas Jungkook ficou tenso. Comecei a me arrepender de ter falado, mas já era tarde. Queria que ele entendesse, eu o amava e admitir foi a parte mais difícil.


CONTINUA...


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Obrigada pelos favoritos :3 se realmente gostaram do capítulo, comentem embaixo por favor. Eu só queria dizer que estou com alguns problemas, não acho que essa história estaja ficando boa, não vou pedir para vocês falarem o que acham dela, mas talvez futuramente eu pare porque não to mais aguentando ver fanfics tão melhores que as minhas, fazem mais de cinco meses que comecei essa história...e ela ainda está nos 160 favoritos. Desculpem gente, mas eu me esforço para trazer um conteúdo bom e não é legal não ter reconhecimento por isso.

Amo vocês ;)

~망리
~Xoxo


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