História I Knew You Were Trouble - Asas Da Noite - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Amizade, Aventura, Comedia, Drama, Fantasia, Ficção, Horror, Luta, Mistério, Misticismo, Novela, Policial, Romance, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror, Universo Alternativo, Violencia
Visualizações 392
Palavras 11.203
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - O dia destinado chegou.


Capítulo nove: O dia destinado chegou.

Ponto de Vista de Sophia Emmy Hummel

Abri meus olhos lentamente, de imediato voltando a fecha-los, incomodada com a iluminação do local. Lentamente voltei a mover minhas pálpebras, aos poucos me acostumando com a claridade.

Minha cabeça pulsa intensamente com uma dor a me incomodar.

—Tome esse medicamento, Sho. ― a voz de Ryan, chamou-me a atenção. Ele está sentado ao meu lado na cama. Uma de suas mãos tem um comprimido, e a outra segura um copo de água.

Olhei ao meu redor, identificando estar no mesmo quarto que fico na mansão de Nicholas. Cautelosamente, sentei-me lentamente na cama, suspirando incomodada com a forte tontura.

Peguei o comprimido juntamente com o copo que Ryan me entregava, logo o tomando. 

—Isso é um progresso! ― Ryan disse ao dar uma leve risada, pegando o copo agora seco de minha mão e o colando no criado-mudo. ―Tomando remédio sem fazer careta ou contrariar. Muito bem.

—Odeio remédios, mas tomo quantos for preciso para essa dor de cabeça infernal ir embora. ― disse desconfortável.

—O medicamento irá ajudar. Logo você estará melhor. ― Ryan disse compreensivo.

Suspirei cansada. Franzi o cenho ao lembrar-me de pequenas recordações sobre a noite anterior.

—Ryan, o que exatamente aconteceu ontem?

Ryan adotou uma postura sério pelo assunto adentrado.

—Lembro de algumas coisas. ― continuei pensativa. — me lembro do homem que me perseguia, ele me fazia perguntas e queria que eu respondesse corretamente. Lembro-me do momento em que estava completamente fora de meus movimentos e raciocínio. Tudo parecia sem sentido até minha visão escurecer.

—Desculpe ter lhe deixado sozinha. ― O remorso se fazia presente não somente em sua fala mas como também em sua expressão. ―Eu não deveria ter saído de perto de você. Eu sabia que poderia ser perigoso.

―Não se culpe Ry. Fui eu quem pediu para que você ajudasse aos outros. ― Dei uma pausa. ― E como está Charlie?

―Ele está bem.

Sorri levemente, satisfeita com a resposta. Meus olhos se guiam na janela transmitindo o céu escuro, gerando-me confusão.

―Ryan, nós ainda estamos na noite do ocorrido?

—Não. Já estamos na noite posterior à do ocorrido. ― Ryan respondeu, causando-me espanto. —Você ficou bastante tempo desacordada.. Você desmaiou e te trouxemos para cá, logo chamamos um médico confiável. O doutor disse que desmaiar foi a melhor opção que seu organismo achou optar para passar por uma situação que te causava extremo medo. Pelo que ele disse você sofreu com uma crise de pânico, seu corpo não estava reagindo aos seus comandos. 

—Eu me lembro de você gritando com Nicholas, antes da minha visão ficar completamente preta. ― Disse pensativa.

—Eu pensei que.. na verdade todos nós pensávamos que ele tinha.. ― Ryan deu uma pausa, engolindo em seco. ― Acertado a bala em você. Só depois a gente veio perceber que você só tinha desmaiado. Você me deu um susto gigante.

—Ela já acordou? — Uma voz conhecida chamou nossas atenções. —Fiquei preocupado.

Charlie dizia ao se aproximar. Sua fala causou-me surpresa, sem reações.

―Ryan me contou que você foi quem insistiu para que ele me ajudasse. ― Charlie explicou. ― Fico grato Sophia.

Apenas direcionei um leve sorriso, surpresa por não esperar seu agradecimento.

—Querida! —A voz de Margarete exclamou. Guio meu olhar à porta, vendo-a se aproximar. ―Você está bem? Está sentindo alguma coisa? Quer que eu pegue algo? Está com fome? Está com sede? 

Margarete me fazia tantas perguntas ao mesmo tempo em que me analisava com uma verdadeira preocupação de mãe. Lembrar-me de minha mãe faz meu coração apertar.

Essa preocupação por parte de Charlie e Margarete é algo que eu nem em um milhão de anos poderia imaginar. Eles são as almas boas que ainda existem nesse lugar.

—Não se preocupe, eu estou bem. Obrigada. ― sorri levemente agradecida.

―Você ficou tanto tempo desacordada. — Margarete disse. —Vou já atrás de algo para você comer.

―Não precisa Margarete. Eu estou bem.

―Eu insisto minha querida. ― Ela disse guiando-se a porta do quarto. ― Farei algo bem delicioso.

Logo ela se retirou do quarto. Ela realmente me lembra minha mãe. A gentileza com todos a sua volta cativava qualquer um. Seu jeito tão meigo encantava todos os olhares.

―Por que ficou triste de repente? ― Ryan perguntou preocupado.

―Lembrei-me de minha mãe.

Engoli em seco, sentindo o nó de choro entalado em minha garganta. Já posso sentir meus olhos marejarem. Ryan aproximou-se mais, me puxando a um forte abraço confortador.

―Vou dar privacidade aos dois. ― Charlie chamou-nos a atenção. ―Mais uma vez, obrigado Sophia.

Ele logo sumiu de nossas vistas ao passar pela porta, retirando-se do quarto.

―Minha pequena.. ― Ryan apertou-me confortavelmente em seus braços. ―Não gosto de te ver triste assim.

―Meu prazo se esgotou Ryan. ― sussurrei trêmula. ― Hoje é o último dia com os medicamentos e despesas pagas. A partir de amanhã, eles podem.. desligar os equipamentos.

―Não vão.

―Era o que eles queriam desde o início. ― fechei fortemente meus olhos. ― Para eles, ela é apenas um problema. Eles só a mantem por causa do pagamento que os dou. Mas eu não sei mais o que eu faço. Não tenho como conseguir esse dinheiro. Nem ao menos tenho como tentar, Nicholas não me deixa ir embora.

Por fim soltei as lágrimas que tanto insistiam em descer. Pensar no estado que minha mãe se encontra sempre é algo de minha extrema agonia e desespero. Eu queria tanto poder mudar sua realidade.

―Não pense assim. A esperança é a última que morre.

Ryan tentava limpar o rio de lágrimas que desciam dolorosamente por meu rosto.

―A esperança morreu para mim. Não tenho mais o que fazer. Está tudo acabado. Eu não quero perdê-la.

Desabei no desespero. Ryan abraçou mais fortemente, ao máximo tentando confortar-me.

―Eu vou te falar uma coisa. ― a hesitação é muito evidente em sua fala. ―Mas não quero que pense que só por isso ele é bom. Não se deixe enganar.

Franzi o cenho, encarando-o confusa.

―Ele não queria que ninguém soubesse. Mas eu acabei descobrindo.

―Ele quem? ― questionei.

―Nicholas.. ― Ryan respondeu. ―Ele.. Nicholas está pagando o tratamento e despesas médicas de sua mãe.

A  surpresa atingiu-me tão intensamente que posso jurar arregalar meus olhos em grandes petecas a quase pular para fora. Isso não pode ser verdade.

―Como você sabe disso? ― perguntei em extrema confusão.

―Achei os recibos em cima da mesa de seu escritório.

Engoli em seco. Um bilhão de pensamentos me atingem. Diversas perguntas gritam estridente, quase que ensurdecendo minha mente. Eu não consigo acreditar em uma informação desta, não nesta possível ação tão gentil partindo de Nicholas.

Mas a expressão de Ryan é tão séria que me faz ter a certeza que ele não brincaria com esse assunto.

Então, Por que Nicholas fez isso? Diante de mim ele apenas a ameaçou, mas por trás estava escondendo sua proteção.

Estou tão confusa, não encontro coerência à esta descoberta. Atos gentis não combinam com a tão perturbada personalidade de Nicholas.

De repente um alto pigarreio se fez presente no ambiente, chamando nossas atenções. Guiei meu olhar em direção ao som.

—Vejo que ela já acordou.

Nicholas está parado, apoiando-se na porta. Ele foca seu olhar fixamente em mim. Olha-lo faz meus pensamentos gritarem a informação anteriormente descoberta. Eu preciso de respostas.

Nicholas guiou seu olhar a Ryan, de uma forma que aparentasse passar algum recado.

—Não espera que eu a deixe sozinha na sua companhia, não é mesmo? — Ryan adotou seu tom ríspido, direcionando-se rigidamente a Nicholas.

—Acha que vou machuca-la? ― Nicholas rosnou insatisfeito com o seu contrariar. ― Você sabe que eu não sou de reprimir minhas vontades. Se eu a quisesse fazer mal, já teria feito.

―Você já a fez mal. ― Ryan rebateu. ― o que você mais fez foi fazê-la sofrer. Não espera agora que eu caia no seu papinho furado.

Nicholas trincou seu maxilar, adotando uma expressão um tanto raivosa.

―E sei também que você é impulsivo. ―Ryan continuou. ― Quem me garante que não vai mudar de ideia?

―Ryan! ― Nicholas irritou-se. ― Preciso conversar com ela sobre os acontecidos. Você sabe que ela deve estar muito confusa. Sou a melhor pessoa para explicar o que realmente aconteceu. E na medida do campeonato, ela já deve saber a verdade, não acha?

―Eu posso ficar aqui enquanto conversam.

―Quero privacidade. ―Nicholas insistiu.

―Então deixe que eu mesmo explico os assuntos.

―Sou eu quem sabe todas as respostas das perguntas dela. ―Nicholas rebateu. ―Tentarei explicar pelo menos o que ela precisa saber no momento. Você só atrapalharia por colocar sua preocupação no meio.

―Mas se você ousar machuca-la... ―Nicholas o interrompeu.

―Não ouse me ameaçar. Farei o que eu bem entender, porém não a machucarei. Terá minha palavra.

Ryan parece hesitante.

―Ry.. ― chamei-o. ― Por favor, deixe. Preciso de respostas sobre muita coisa.

—Está de acordo com a situação, Sophia? ― Ryan direcionou sua fala a mim. Apenas assenti em afirmação à sua resposta. ― Tem certeza?

―Tenho sim.

―Se acontecer qualquer coisa, grite! Estarei por perto.

Novamente limitei-me a assentir. Ryan deu um beijo em meu rosto. Antes de hesitantemente guiar-se até a porta, direcionou um olhar ameaçador a Nicholas, assim se  retirando do quarto.

Ajeitei-me, cautelosa na cama, sentando-me mais confortavelmente. 

—Como você está? ― Nicholas perguntou. Apesar de sua pergunta, nenhum sentimento de preocupação parecia presente. Simplesmente pergunta por perguntar.

—Poupe sua voz com perguntas sem intuito.

—Que bom! Isso significa que não preciso bancar o idiota para tentar diminuir a tensão no clima. Podemos pular diretamente ao assunto sem que isso te deixe extremamente assustada. ―Nicholas disse ríspido.

Ele girou a chave na porta a trancá-la, fazendo-me franzir o cenho confusa e desconfiada de seu ato. Assim que eu o contrairia, fui interrompida pela voz do outro lado da porta.

―Por que está trancando a porta? ― Ryan dizia enquanto girava diversas vezes a maçaneta, deferindo alguns socos na madeira escura.

Nicholas soltou um palavrão, irritado.

―Você pretendia ficar atrás da porta só escutando?

―Todo cuidado é pouco quando se trata de você Nicholas! ―Ryan disse, continuando com  suas tentativas. ―Abra logo essa porta. Não há necessidade disso.

Nicholas suspirou, voltando a guiar sua atenção a mim.

―Pelo jeito não vou conseguir ter um momento com mais privacidade na minha própria casa. Vamos sair Sophia, para bem longe do teu carrapato aí.

Estreitei os olhos. Não gosto disto. Sair apenas na companhia de Nicholas não é uma das coisas mais seguras do mundo.

—Então vamos? ― Nicholas disse impaciente, retirando a chave de seu carro do bolso. ―Por que ainda está ai? Levanta.

—Agora? Mas eu mal acordei.

―Vou te dar dez minutos para resolver isso.

―Preciso de mais tempo. Meu corpo precisa urgentemente de um banho.

―Vinte minutos apenas. ― Nicholas disse, destrancando a porta do quarto. De imediato foi aberta bruscamente por Ryan.

―Entre caso queira vê-la ir tomar banho e se arrumar. ― Nicholas direcionou sua fala a Ryan e logo se retirou. Ryan olhou-me, me guiando a mim sua atenção.

―Tem certeza que quer sair sozinha com ele?

―Não tenho certeza sobre isso. ―suspirei. ― apenas sei que preciso de respostas sobre muitas coisas.

―E como está se sentindo? ― ele voltou a questionar. ―Você mal acabou de acordar. Há uns minutos atrás você tinha ficado quase um dia inteiro apagada.

―Não estou perfeitamente bem, ainda sinto certa fraqueza. Mas nada tão sério.

―Você tem mesmo certeza disto?

―Eu preciso das respostas. Não se preocupe, eu vou ficar bem.

―Tudo bem..― Ryan pareceu hesitar. ― Então vou te dar privacidade para que se arrume.

Apenas assenti e Ryan hesitante retirou-se do quarto. E assim caminhei em direção ao banheiro, intencionando que a boa água leve embora todos os pensamentos e lembranças ruins da noite anterior.

...

Optei por um conjunto mais confortável. E para acompanhar uma sapatilha bege.

Saí do quarto, e caminhei em direção à sala, intencionando ir de encontro a Nicholas. Como sempre, ele me espera sentado no grande sofá branco de sua sala, entretido em seu celular.

Pigarrei, intencionando chamar sua atenção. Nicholas guiou seu olhar a mim. Ele bloqueou seu celular e levantou do sofá, guardando-o em seu bolso. Logo caminhamos à garagem.

...
 

Nicholas estacionou na frente de um lindo parque. Uma bela paisagem ambiental. Com árvores e plantas bem cuidadas, um caminho entre elas bem limpo, e cada parte bem organizada. Porém apesar de sua beleza, o local está vazio.

Nicholas saiu do carro, e logo o acompanhei. Sigo seus passos no caminho de pedras modernas e coloridas, passando por entre as árvores e flores.

Nicholas sentou em um banco afastado e escondido. Pelo caminho que passamos arrisco a dizer que estamos no centro do imenso parque. Apesar de ser uma ótima vista, confesso que minha atenção se aflora.

―Senta. ― Nicholas disse apontando para o seu lado no banco. Hesitante, sentei-me cautelosa. ―Agora temos privacidade. Diga-me o que aconteceu ontem. Achei que Ryan tivesse te deixado escondida.

―Ele me deixou escondida sim. ― comecei. ― mas um homem suspeito se aproximou. Ele estava a minha procura, dizendo que tudo tinha sido planejado justamente para que nas circunstancias eu ficasse sozinha. Eu tentei fugir, e assim apareceu outro homem, a quem me questionou muitas coisas. Recordo-me que ele era o mesmo homem que tinha invadido sua casa.

Nicholas parece prestar atenção em cada palavra dita, pensativo.

―O que ele perguntou?

―Ele queria saber que ligação eu tinha com Juliana por tanto parecer com ela.

―Jared era amigo dela. E me culpava a todo instante por sua morte.

―E você tem alguma coisa a ver com a morte dela?

A pergunta que o fiz talvez não tenha sido muito adequada. Nicholas trincou o maxilar desconfortável. Esse é um assunto delicado para ele, preciso tomar mais cuidado.

―Desculpe.. eu não quis insinuar nada.. só quero tentar compreender.

Nicholas fixou seu olhar em uma árvore ao longe, a qual tinha sua folhagem levemente balançada na lenta dança que o vento riscava no ar. Seus pensamentos parecem tão distante, seu olhar é tão vazio.

―Você está bem?

Nicholas parece engolir em seco, tentando recuperar seu foco.

―Você não precisa saber sobre ela agora. ― ele pronunciou. ― O que mais ele questionou?

―Nada de mais. ― desviei o olhar.

―O que mais ele questionou? ― Nicholas voltou a perguntar.

―Sobre você.. ele queria saber a importância que eu tinha na sua vida. Não se preocupe que eu o informei que não há nada que possa te atingir.

―Jared está morto. ― Nicholas disse, fazendo-me voltar a guiar meu olhar a ele. ―Quando eu atirei, você caiu com tudo no chão, dando a falsa compreensão que a bala te atingiu. Mas logo percebi o corpo morto de Jared estendido ao asfalto. Então o que ele pensa ou pensou da conversa que teve com você não é importante, levando em conta que ele não poderá mais passar as informações a Bryan.

―Bryan? ― Estreitei os olhos. ― Ele contaria tudo a Bryan?

―Sim, pelo que sei tudo não passou de uma armadilha. ―Nicholas bufou descontente. ―Fomos para negociar uns assuntos. Porém, o traíra do Cameron era um aliado de Bryan, e toda a negociação não passava de um disfarce. Por sorte percebemos a tempo, mas não imaginávamos que o real objetivo daquilo era te sequestrar.

―Você me fez de isca.

―Quem não tem cão caça com gato. Você conhece o ditado.

Balancei a cabeça negativamente insatisfeita com sua opinião.

―Bryan quer saber sobre você pessoalmente. ―Nicholas retornou sua fala. ―Ele quer ver se o que falam de você é verdade.

―Mas ele já sabe que eu não sou Juliana. ―disse agoniada. ― Não há necessidades de ele querer me sequestrar.

―E como você o convence disso? ― Nicholas ironizou. ― entregando sua carteira de identidade?

―Isso é muito confuso. Alguém tem que explicar melhor a situação para ele. Eu não sou a Juliana, nem nunca me meti em nada do que ela poderia fazer ou fez. Sou apenas uma garota normal. Eu nunca me meti em nada fora da lei, pelo contrário, eu sempre fui certinha demais. Sempre tive medo de decepcionar minha família e amigos. Sempre procurei fazer o considerado correto pela sociedade. ― suspirei frustrada com meu desabafo. ― Agora eu simplesmente estou sendo ameaçada por ambos lados da moeda. Caçada por um maníaco e refém de um louco.

―A vida sempre foi injusta. ― Nicholas rebateu. ― Basta pegar o rumo e aprender a seguir.

―Não da forma errada.. ― suspirei. ― eu não quero e não vou me meter com coisas erradas. Por favor Nicholas, me deixe ir. Não vê que sou inútil para você e seus planos?

―Cada um segue sua vida da forma que julgar adequada. ― Nicholas disse. ― Eu não poderia imaginar quanta repercussão te sequestrar daria. Ao início minha única intenção ao ter feito isso, era ameaçar Ryan para que ele continue trabalhando para mim. Eu sabia que ele pretendia ter uma viagem para longe, e eu não estava disposto a perder seus ótimos serviços. Achei que te sequestrando, te faria como objeto de contrato para apenas segurar os serviços dele, pois eu tinha a certeza que ele nunca seria capaz de te prejudicar. Mas por coincidência você possui o sangue puro e ainda para complemento tem semelhanças a Juliana.

Ele suspirou.

―Confesso que na minha intenção, assim que eu não precisasse mais dos serviços de Ryan, eu o liberaria, mas te mataria, claro faz parte do sacrifício. Mas agora, isso tudo tomou outras proporções. Bryan está atrás de você. As coisas estão fugindo do meu controle. Bryan não deveria saber de sua existência, pois agora que sabe quer a todo custo botar as mãos em você. E não vá achando que ele te colocará no luxo como eu fiz. Bryan é conhecido pelas torturas extremas que ele gosta de realizar em suas vitimas. Você tem a mesma aparência de Juliana, ele se aproveitaria disso para usa-la. Ele está furioso por achar que ela se escondeu dele durante esses anos. E mesmo que comprove que você não é ela, ele obtinha uma paixão doentia por ela, só pelo fato de você parecer, não duvido de que ele queira te ter em mãos para ao menos tentar diminuir a saudade que sente. Mas não duvide do que ele poderá fazer com você. Não te esqueças do que presenciou com sua prima. Você se auto condenou por simplesmente ter nascido.

―Você está me dizendo que mesmo se eu conseguir comprovar que não sou Juliana, ele ainda sim estaria a me perseguir?

―Exatamente.

―É só eu recusar ir com ele.

―Você conseguiu recusar quando eu te sequestrei? ― Nicholas ironizou. ― Sua prima conseguiu recusar? Pense Sophia, você não é tão burra assim.

―Mas se ele sente um amor, seja lá o que for, por Juliana, tentará ter algo a mais comigo, certo? ― Nicholas assentiu. ― Então é nisso que eu vou recusar. Sempre farei de tudo para demonstrar meu desgosto em relação a ele. E talvez assim ele não goste da rejeição e me largue.

―Juliana também pensou da mesma forma.. ― Nicholas suspirou, desviando seu olhar. ― Mas Bryan abusou sexualmente dela.

Assustei-me com sua fala. Bryan pode ser mais perigoso do que parece.

―Bryan não irá se importar se você o rejeitar, ele simplesmente fará o que quiser. —Nicholas continuou. — Não se importará se tiver que te violar.

―Então eu fujo. Ele não terá nada que possa me prender por lá.

―E seus pais podem ser considerados como nada? ― Nicholas disse, fazendo-me arregalar meus olhos. ―Ele tentará sequestra-los para usar de ameaça.

―Não é muito diferente de você. ― não consegui evitar minha indignação. ― Também me sequestrou e me faz de prisioneira. E também me ameaça a não fugir senão machucará pessoas que eu amo.

―Eu não te deixo como prisioneira. ―Nicholas exaltou-se. ― Você tem todo luxo e conforto que precisa. Se eu fosse igual a Bryan, você viveria em meu porão, o lugar onde você seria torturada todos os dias, e quando eu quisesse me satisfazer você seria minha escrava sexual.

―Então por que está se importando de Bryan por as mãos em mim? ― questionei. —Como sou só um objeto de contrato.. então pra que você se preocupa?

Nicholas desviou rapidamente seu olhar, fixando-o a uma pequena flor vermelha a nossa frente.

Suspirei. Guiei meu olhar para as flores margaridas, que acompanhavam o vento ema dança calma. Meus pensamentos estão altos. Tento pensar em soluções para meus problemas. Mas quanto mais penso mais problemas surgem. Não sei como posso enfrentar todas essas situações. Não sei como posso continuar a tornar essa a minha nova vida. Preciso de soluções que não botem nem a mim nem as pessoas que eu amo em perigo. Mas tudo parece tão sem sentido, minha vida tomou um rumo desorganizado e extremamente desastroso.

―Isso me faz pensar em Daniel.. ― dei uma pausa. ― Antes de morrer, ele me pediu para encontrar Bryan. Por que ele faria isso? Meu amigo de infância, a quem eu tinha tanto carinho, me mandaria para minha desgraça?

―Você não conhecia o verdadeiro Daniel. ― guiei meu olhar a Nicholas. ―Sua imagem era mais negra do que pensas. Eu não o matei porque eu queria te ameaçar, seu pavor foi apenas um bônus que consegui. Na verdade eu nem sabia que vocês se conheciam.

―Como assim? ― questionei. Nicholas por fim parecia se arrepender sobre sua confissão. ―Você não está cumprindo com suas ameaças sobre mim, não é mesmo?

Nicholas levantou-se rapidamente. Seu desconforto pelo meu questionamento é muito evidente.

―Vamos embora. ― ele guiou-se para o caminho de pedras coloridas.

―Nicholas.. eu sei o que você fez pra minha mãe.

Seus passos pararam.

―Você disse que a destruiria. ― Aproximei-me lentamente. ― Mas a verdade é que você foi quem a salvou. Você está pagando o tratamento e as despesas hospitalares.

Me coloquei de frente para ele. Nicholas engole em seco.

―Eu não te conheço.. Achei que você era ruim, um louco. ― dei uma pausa, analisando-o. Sua expressão é desconhecida. ―Mas no fundo tem algo em você muito bom. Não esconda isso. Não é feio ter sentimentos, isso só te faz humano.

―Eu não sou humano Sophia. ― Nicholas sussurrou. Seu olhar se foca intensamente ao meu. ―Você já presenciou muita coisa estranha desde que eu te sequestrei. Nada foi coisa da sua imaginação. É tudo real. E eu também não sou o que aparento, eu não sou um humano. Minha natureza nunca me permitiria agir como um.

―Eu não entendo muito bem do que você fala. É verdade, eu presenciei muita coisa estranha, mas o que estou passando a descobrir sobre você, me diz que você não é uma dessas coisas. Você tem sentimentos que te fazem humano.

―Isso é apenas uma fraqueza. ― Nicholas desviou o olhar, passando de forma exasperado suas mãos por seu cabelo. ― Não posso permitir.

―Sim, você pode. ―segurei seu rosto em minhas mãos, voltando a guia-lo a mim. ―Não é feio ser humano. Permita-se sentir o quão bom pode ser o mundo, apesar de toda dor e sofrimento. O que percebo em você é que se importa muito com o que vão pensar ou falar a seu respeito. Você está mais preocupado em agradar ao seu pai do que a si mesmo. Eu ouvi a conversa com aquela criatura. Não sei quem é seu pai, mas de uma coisa tenho certeza. Você não precisa ser igual a ele. Permita-se ser você mesmo, apenas o que você tem de melhor.

O tom claro de seus olhos castanhos brilhava intensamente. Seu olhar é profundo. Sinto uma arrepio como se eu pudesse estudar sua alma. Em uma viagem em seus olhos, percebo uma escura constelação, mas lá no fundo há um brilho a renascer. A escuridão luta contra o brilho, mas não consegue vencê-lo.

Nicholas engoliu em seco, afastando-se. Balançou sua cabeça, piscando seus olhos diversas vezes, como se acordasse de um transe.

―Não leia minha essência.

Sua fala me deixou confusa. Nicholas guiou-se em direção ao seu carro, rapidamente adentrando-o. Suspirei, antes de o acompanhar.

Nicholas logo ligou o carro, guiando-nos a estrada. Guiei meu olhar para o estrelado céu, pensativa sobre todas as informações.

―Por que me trouxe naquele parque? ― questionei sem desviar meu olhar da paisagem em minha janela.

―Porque achei um ótimo lugar para que pudéssemos ter a conversa à sós, sem que ninguém interrompa. ―Nicholas respondeu sem desviar seu olhar da estrada.

―É um belo parque. Eu amo o meio ambiente.

―Temos um jardim lá em casa. ― Nicholas disse. Guiei meu olhar a ele, estranhando que ele dá continuidade ao assunto. ― É bem cuidado. Contrato os melhores jardineiros da cidade.

―Então também gosta? ― perguntei curiosa.

―Não. Só para agradar minha mãe. Louca por jardinagem.

Estreitei meu olhar ao ouvir pela primeira vez ele falando de sua família. Curiosa, insisti na conversa.

―E quais são as flores favoritas de sua mãe?

―Orquídeas. ― Nicholas respondeu. Posso perceber um esbouço de um leve sorriso em seu rosto.

―Eu gosto de todas. ― suspirei encantada. ― Mas tenho um amor secreto pela Tulipa Semper Augustus. Sempre tive o sonho de poder vê-la pessoalmente um dia.

―Você sonha em conhecer flores? ― Nicholas fez uma careta em desgosto. ― Deveria sonhar com algo maior.

―Flores são ótimas para me fazerem felizes. Possuem um aroma maravilhoso, e uma beleza tão encantadora.

―Vou te mostrar o jardim que tem lá casa qualquer dia. 

Por fim, não tive reações a sua fala. A surpresa me atinge muito intensamente. Pisco diversas vezes tentando raciocinar melhor. Mas minha surpresa é tão grande que não encontro palavras para continuar o assunto.

Assim que chegamos em casa, Nicholas caminhou em direção à cozinha, e eu em direção ao quarto. Logo me deparo com Ryan deitado na cama, pouco adormecido. Suspira pesado, com um de seus braços cobrindo seu rosto. Nem sequer percebeu minha presença.

Aproximei-me lentamente. Ryan por fim guiou seu olhar a mim, percebendo-me, e sorriu levemente. Sentei-me ao seu lado na cama.

―Demoraram. ― ele disse.

―Conversamos sobre algumas coisas. Mais especificamente sobre Bryan. Tentei entrar no assunto de minha mãe mas ele não fluiu a conversa. Nicholas parecia diferente..

―Lembre-se de não se deixar levar. ― Ryan alertou.

―Você tem razão. ― suspirei.

Observei-o mais atentamente, analisando-o. Ryan veste uma roupa que eu não julgaria casual. Franzi o cenho.

―Parece que eu não fui a única que saí..

―Eu.. ― Ryan pigarreou. ― vou só visitar uma amiga. Eu só estava esperando você chegar para ter a certeza que está bem.

―Uma amiga? ―estreitei meus olhos. ―Qual o nome dela?

―Deixa isso pra lá. ― Ryan tentou encerrar o assunto.

―Vamos Ry. ― insisti. ― Me conte.

Ryan suspirou vencido.

―Eu vou ver como sua prima Ashley está. ― a surpresa atingiu-me. ― Desde o acontecido com Bryan, eu e ela nos aproximamos muito. Mas é só para ajuda-la.

―E você acabou se apaixonando? ― ri.

―Lógico que não.

―Sei.. ―soltei um sorriso irônico.

Ryan sorriu.

―Vai lá com ela. ― disse. ― cuide dela para mim, por favor.

―Você vai ficar bem?

―Vou sim, não se preocupe.

Ryan deu um beijo em minha testa e logo se retirou do quarto.

Suspirei cansada antes de caminhar ao banheiro, realizando minha higiene e colocando um confortável pijama no mesmo tom de sempre, cinza. Deitei-me, pensativa nos acontecidos.

(...)

Lentamente abri meus olhos. O quarto está iluminado apenas pela luz que emana do abajur. O silêncio reina sobre o calmo ambiente. Guiei meu olhar ao pequeno relógio digital no criado-mudo. São exatas três horas da madrugada.

—Ainda está acordada?

Meus olhos se arregalaram assustada ao ouvir essa desconhecida voz masculina. Sentei-me rapidamente na cama e olhei em direção ao som da voz. O quarto tanto escuro me impossibilita de ver a pessoa com precisão. Porém percebo uma silhueta masculina a frente da porta, fechando-a. Meu coração disparou, um tanto assustada com o estranho a se aproximar.

—Quem é? ―Perguntei nervosa. Seu rosto está parcialmente na pequena claridade do abajur. Confirmo que não é alguém conhecido.

—Você não precisa saber quem eu sou. ― O homem sussurrou. ― Só precisa saber do que eu sou capaz de fazer com você por ter me feito esperar todo esse tempo, Juliana.

Não tive nem tempo de raciocinar sua frase direito, pois em um rápido movimento senti mãos fortes se fecharem bruscamente sobre meu pescoço. O susto atingiu-me com desespero e pavor. Debati-me diversas vezes, tentando soltar-me de seu aperto fatal, e por sorte uma de minhas tentativas me fizeram conseguir soltar-me apenas um tempo necessário para que em um grito de desespero clamasse por ajudar.

―Nicholas!

Não sei o porquê de eu ter clamado logo pela ajuda de Nicholas, nem ao menos sei o motivo de seu nome ter sido o primeiro a me vir em minha mente. Só me sinto desesperada para fugir desta assustadora situação.

O homem já fechava suas mãos novamente contra meu pescoço. A intensidade do aperto era bem mais forte que o anterior. Sinto-me aos poucos perdendo o sentido.

―Eu vou te matar hoje.

 

 

De repente, abri meus olhos assustada. O quarto estava um intenso breu, completamente escuro. Assustada tentei procurar pelo homem, mas não o encontrei.

Engoli em seco. Aquele meu sufocamento não passou de um pesadelo. Suspirei. Minha respiração é ofegante com o susto sofrido.

Guiei meu olhar para a única pequena luz que emana no quarto, o relógio digital no criado-mudo ao lado esquerdo da cama. Forcei minha vista, descobrindo ser 3 horas da manhã. Franzi o cenho, confusa ao ser o mesmo horário de meu pesadelo.

Logo assusto-me com a forte trovoada. Mal tinha percebido a forte chuva. Preciso acalmar-me.

Sentei-me cautelosa. Sinto-me tão nervosa com o pesadelo que minha garganta parece o deserto mais sedento pela sede, preciso de um copo d’água. Lentamente levantei-me, guiando meus passos à porta.

Assim que toquei a maçaneta, assusto-me com um barulho vindo do corredor, algo parecia cair ao chão. Franzo o cenho.

Logo ouvi a voz de Nicholas pronunciando um palavrão. Confusa, abri lentamente a porta. Pela pequena brecha, vejo Nicholas se abaixar no corredor ao juntar diversos papéis espalhados ao chão. Com a janela aberta ao final do corredor, entra uma forte corrente de vento, fazendo os papéis voarem sem ordem.

Pensei duas vezes antes de dar um passo a fora do quarto, intencionando ajuda-lo. Cautelosamente aproximei-me. O céu vermelho possui nuvens carregadas, e um forte temporal caí.

Guiei-me apressada a janela, com dificuldade fechando-a. guiei-me a Nicholas, a quem ainda junta seus papéis. Abaixei-me ao seu lado para ajudá-lo.

―Não precisa. ― ele recusou minha ajuda. ―Pode voltar a dormir.

―Deixe-me te ajudar.

Nicholas nada disse. Rapidamente recolhemos todos os papéis e pôr-nos a nos levantar.

―Aqui está. ― entreguei os papéis. Nicholas pegou-os.

―Por que estava acordada? ― ele questionou.

―Não sei ao certo. Pretendia beber um copo d’água.

―Parece um pouco assustada. ― ele analisou-me.

―Foi um pesadelo.. nada de mais. Temporais sempre me fazem mal.

Nicholas estreitou os olhos, fixando seu olhar em meu pescoço.

―O que é isso no seu pescoço?

A pergunta de Nicholas me fez de imediato guiar minhas mãos ao pescoço.

―O que tem meu pescoço?

Nicholas fez um gesto com a cabeça, guiando a atenção para a parede ao meu lado. Guiei meu olhar, vendo um espelho. Aproximei-me.

Assustei-me extremamente ao ver meu reflexo. Marcas avermelhadas estão presentes em volta de meu pescoço como um forte aperto. Lentamente passei minhas mãos pelas marcas, lembrando-me do pesadelo.

―Tem alguém no seu quarto com você? ― Nicholas perguntou.

―Não. ―Respondi à sua pergunta sem desviar minha atenção das marcas. ―Isso é estranho.. Se assemelha ao meu pesadelo.

―Com o que sonhou?

―Um homem desconhecido tentando me enforcar. Parecia tão real.

―Provavelmente porque foi real, as marcas são provas disso.

Franzi o cenho.

―Não, não.. não tinha ninguém no quarto além de mim. Tinha sido apenas um pesadelo.

―Você ainda tem muito a aprender. ― Nicholas bufou. ― Nunca ouviu falar em bruxaria?

Por fim guiei meu olhar em sua direção, estreitando meus olhos com sua fala.

―Alguém está querendo te ver morta.

Engoli em seco com sua fala.

―Ele estava irritado porque dizia que eu tinha me escondido dele e chamou-me de Juliana. ― expliquei.

―Não mais obvio que Bryan. ― Nicholas disse. ― Imaginei que ele optaria por isso. Tem uma grande bruxa ao lado dele.

―E como eu me livro disso?

Nicholas encarou o chão fixamente. Seus pensamentos pareciam voar mais altos que um foguete. Logo guiou-se à porta de seu quarto, adentrando e ignorando minha pergunta.

Novamente engoli em seco, voltando a guiar meu olhar ao meu reflexo no espelho. Encontro-me totalmente confusa. Eu posso jurar que se tratava apenas de um pesadelo, como as marcas daquele aperto podem estar presentes?

Pisquei meus olhos diversas vezes, tentando acalmar-me. Agora tenho medo de voltar a dormir. Balancei minha cabeça e voltei com meu caminho à cozinha. Após beber um gelado copo d’água, voltei ao quarto.

Liguei o abajur, clareando o quarto. Estou agora deitada na cama, encarando o teto branco com detalhes em gesso. Como uma ilusão, via letras se formarem em várias frases no espaço branco do teto. Os pensamentos giram sobre todos os acontecidos. Tenho medo de voltar a fechar meus olhos, mas o cansaço não me ajuda.

Tenho alguns pestanejos antes de fechar enfim meus olhos sendo carregada novamente pelas pesadas pálpebras.

(...)

Abri meus olhos sonolenta. A luminosidade do dia radiante invade o quarto. Percebo que as longas cortinas de cetim estão abertas organizadamente, dando-me a visão da bela manhã.

Espreguicei-me antes de levantar da cama, caminhando ao banheiro. Após realizar minha higiene matinal, vesti-me confortavelmente.

Guiei meu olhar ao relógio digital, conferindo o horário de nove e meia da manhã. Minha barriga ronca com a fome. Por este motivo, guiei meus passos em direção à cozinha. Ainda no corredor ouvi a voz de Nicholas em tom ameaçador.

―Quais são os equipamentos que estão faltando?

Sua voz parecia vir de seu quarto. Procurei não prestar atenção em sua conversa e apenas seguir em frente com meus passos, mas sua próxima fala me fez paralisar meus movimentos.

―Quero a máquina pronta hoje mesmo. ―Nicholas disse. ― Amanhã será o sacrifício dela.

Engoli em seco com sua fala. Meu tempo esgotou. Preciso de uma solução urgente.

Percebi que a maçaneta da porta do quarto de Nicholas se mexeu, apressei meus passos pelo corredor, descendo rapidamente a imensa escada. Logo guiei-me à cozinha.

―Bom dia querida, venha tomar café da manhã. ― Margarete disse apontando para o prato em cima da bancada.

―Bom dia. ― respondi gentilmente. Sentei-me em um dos bancos próximos a bancada.

Guiei minha atenção às panquecas no prato. A fala de Nicholas não saí da minha cabeça. O meu tempo realmente se esgotou, o temporal aumentou e meu caminho chegou na reta final. Tento pensar em uma solução mas não se vem muitas coisas em minha mente.

Suspirei, voltando a concentrar-me nas panquecas ao dar a primeira garfada. Assim que terminei de me alimentar, levei meu prato a pia.

―Ai filha não vai dar tempo. ―Guiei meu olhar ao som da voz de Margarete, ela estava pouco afastada conversando ao celular. ―Eu sei.. tentarei ao máximo terminar de arrumar rapidamente as coisas aqui. Mas não lhe garanto.

Guiei minha atenção ao lavar o prato. A pia está lotada de louça. Margarete logo se aproximou.

―Querida, não precisa lavar seu prato. Deixe que eu lavo.

―Não, está tudo bem. Deixe que eu lavo a louça.

―Oh minha querida, não quero que se incomode com isso.

―Não é incomodo nenhum. Não se preocupe. ―Guiei minha atenção a ela. ―Não que eu goste de ouvir conversas mas por coincidência fiquei sabendo que você tem algum compromisso com sua filha.

―Ela está doente e teve que ser internada. Nicholas me dispensou hoje. Mas não posso deixar as coisas tudo bagunçada.

Ela guiou seu olhar insatisfeito para a pilha de louças sujas na pia.

―Deixe que eu lavo. ― ofereci-lhe ajuda. ― Pode ir cuidar da sua filha.

―Não minha querida, não quero lhe incomodar.

―Não há incomodo. Pode ir não se preocupe.

―Então eu vou aceitar sua ajuda. Sinto-me muito preocupada com minha filha. Obrigada.

Margarete me deu um abraço, e logo se retirou apressada. Voltei minha atenção à pia. Os minutos passavam e a louça parecia não acabava, mas apesar disto meus pensamentos estão loucos a voar. O medo sobre o dia de amanhã se aproxima. Preciso encontrar-me com Ryan, talvez ele saiba o que fazer nessa situação.

Após terminar de lavar toda louça suja, sequei-a e guardei-a em seus respectivos lugares nos diversos armários.

Assim que terminei, retirei-me da cozinha. Ao passar pela sala, o som estridente do telefone na mesa de canto ao meu lado toca. Inconscientemente guiei rapidamente meu olhar ao visor, logo desviando-o e voltando a seguir meus passos.

Por um momento, paralisei meus passos. Posso ter imaginado ser o número do hospital que minha mãe se encontra. De imediato voltei a guiar meu olhar ao visor do telefone que continua a tocar.

Franzi o cenho ao constatar minha dúvida. Por qual motivo o hospital estaria ligando para a casa de Nicholas? Talvez ele tenha alguém lá, ou seria relacionado a minha própria mãe, afinal ele é quem está pagando suas despesas hospitalares.

Engoli em seco, nervosa. Será que algo aconteceu com ela? Eu preciso saber. É a única chance que tenho para me comunicar com o hospital, e talvez seja a última oportunidade que eu tenha.

Hesitante, levei minha mão ao telefone. Respirei fundo ao tomar coragem e o retirei do gancho. Ao leva-lo ao meu ouvido, esperei para que os funcionários do hospital se apresentem. Mas tudo o que recebi foi um silêncio.

―Olá?

Procurei por qualquer sinal mas nada escutei. Acho melhor desligar, talvez seja apenas engano. Porém assim que iria retirar do meu ouvido uma grave voz se fez presente.

―A moça gentil deixou que eu usasse o telefone. ― a voz não me parece tão desconhecida, tenho a pequena impressão que já a escutei antes. ―A segurança por aqui não é lá uma das melhores. Seria uma pena caso uma das pacientes magicamente sumisse.

Arregalei meus olhos, assustada com sua fala.  Senti o ar faltar.

―Quem tá falando? ― Minha voz fraquejou.

―Não seja apresada, nos conheceremos em breve! ― ele disse. ― mas creio que já tem uma ideia.

O meu redor parece girar, meu coração dispara dolorosamente. Por algum motivo temo ser Bryan.

―Pelo bem de sua mãe, é bom que preste atenção no que vou te falar. ― engoli em seco. ―Hoje exatamente às dez e meia da manhã vá para o jardim. Logo ao fundo estará lhe esperando Jason, siga-o e o obedeça. Hoje teremos um jantarzinho, precisamos nos conhecer. E não pense em avisar a ninguém sobre isto, ou sua mãe irá sofrer suas consequências. Espero que seus pais tenham lhe ensinado a ser obediente. Iremos finalmente nos conhecer. Você querendo ou não. Não esqueça, você tem apenas meia hora. Eu prometo que farei tudo para nos conhecermos ainda hoje.

Não consegui formular nenhuma resposta, o homem ao outro lado logo finalizou a chamada, deixando-me aos prantos do desespero. Minha cabeça gira. As fortes batidas de meu coração doem intensamente, causando-me uma falta de ar. Meus pensamentos estão em desordem. Não sei como reagir a esta ameaça. 

Em movimentos trêmulos, devolvi o telefone ao gancho. Tento puxar o ar fortemente mas tem dificuldade em chegar em meus pulmões. Guiei meus passos desordenados em direção ao quarto, adentrando-o rapidamente.

Levei minhas mãos exasperadas ao meu cabelo, não aguentando meu peso corporal ao permitir-me ir ao chão. As lágrimas descem sem controle, o desespero me consome descontrolado.

Tragam quantas ameaças quiserem a mim, mas não mexam com minha mãe. Ela não tem nada a ver com esse assunto desastroso.

Mas sei de uma coisa. Eu nunca botaria em risco a vida de minha mãe. Levantei-me determinada em minha decisão.

Só depois que me acalmei enfim percebi a zorra que meu quarto se encontra, assustando-me com as diversas coisas reviradas.

Engoli em seco. Se eu não for, da mesma forma o tal homem conseguirá chegar a mim. Este é o aviso. Afinal conseguiram entrar novamente na casa e revirar o quarto. Só uma prova de que não conseguiria fugir, essa imensa mansão não tem nenhuma proteção. Os seguranças de Nicholas não são confiáveis.

Guiei meu olhar ao relógio digital no criado-mudo. Já são 10:30. Não tenho tempo para pensar em um plano, o momento chegou e meu nervosismo e medo não me deixam raciocinar.

Caminhei pelo quarto agoniada ao observar a bagunça. Meu coração está tão disparado. O horário que ele me deu ainda nem se expirou, e eu já vejo as consequências disto.

Tentei acalmar-me antes de sair do quarto novamente. Preciso encontrar-me com tal de Jason aos fundos do jardim da casa. Engulo em seco, meus movimentos são tão desordenados. Minha mente grita a urgência que preciso em salvar minha mãe.

 Ainda estava caminhando pelo corredor, quando de repente ouvi barulhos de tiros, assustando-me mais ainda, paralisando-me. O som assustador pareciam vir do lado de fora.

Engoli em seco vendo Nicholas subir rapidamente as escadas. Sinto-me tão avoada. Não sei como reagir, meu corpo não quer me obedecer, consumida por sensações ruins.

―Shhh.. ― Nicholas fez sinal de silêncio. ― Entra no quarto agora.

Seu sussurro era acompanhado de uma feição muito preocupada. Nicholas rapidamente puxou-me para o quarto. Percebo que ele arregala os olhos surpreso ao ver o quarto revirado.

―Não fui eu. ― sussurrei simplesmente. Nicholas apenas fechou a porta, trancando-a.

Ele guiou-se à janela, fechando rapidamente as cortinas. Só agora percebi que ele carrega seu revolver dourado em sua mão direita. O que está acontecendo?

Nicholas murmurou um palavrão, socando fortemente a parede, demonstrando sua raiva e insatisfação.

O tiroteio por fim parou e por um momento um silêncio  agonizante tomou conta do ambiente. Não demorou muito para que um grande barulho de coisas sendo arrombadas e derrubadas se fizessem presentes.

―É tudo culpa minha! ― sussurrei levando minhas mãos a cabeça.

―Do que está falando? ― Nicholas questionou. Sua expressão é séria.

―Eu não deveria ter atendido aquele telefonema. Mas era o número do hospital, achei que eram notícias sobre minha mãe. ― Nicholas me encara confuso. ― Eu sofri uma ameaça, um homem disse pra hoje às dez e meia eu estar no jardim, onde alguém estaria me esperando para levar-me para conhecê-lo.

―Você é burra? ― Nicholas exaltou-se. ― Como acredita nisso?

―Eu não acreditei em sua palavra. Mas ele me ameaçou. Ele estava no hospital com minha mãe.  Eu não posso deixar que ele a machuque.

―E porque você não me contou? ― Nicholas voltou a se exaltar. ― Você tem noção da gravidade disto?

―Eu fiquei assustada. Não sabia como reagir, só quero que minha mãe esteja bem.

―Poderia pelo menos ter me contado. Eu teria dado um jeito.

―Desculpa mas você sabe que você não é a pessoa mais confiável a mim.

Assim que Nicholas me responderia, um alto estrondo se fez presente. Encaro ao meu lado a porta do quarto no chão.

―Ora, ora, os dois pombinhos já estão aqui. ― Um homem desconhecido entrou ao quarto, acompanhado de outro. ―Assim facilita nosso trabalho.

Nicholas rapidamente apontou a arma pra eles mas antes que ele pudesse atirar, o homem de imediato se jogou pra perto de mim, em um movimento tão rápido que mal deu de raciocinar, eu já estava em seus braços com seu revolver apontado na minha cabeça. Engoli em seco, completamente nervosa.

―Abaixa a arma Schmutz! ― O outro homem presente, já direcionava seu revolver a Nicholas. ― Abaixe pois tratam-se de balas sagradas. Você não se recuperará. Jogue-a no chão.

O barulho de destrave do revolver apontado a minha cabeça, fez-me o ar faltar. Nicholas permanecia com um olhar fixo ao homem que me segura.

Assustei-me com o estridente barulho inesperado, Nicholas de repente estava ao chão, o homem atirou em uma de suas pernas. Seu revolver dourado voou pouco longe.

―Muito bem, deve-me obediência. ― um dos homens disse e os dois acompanharam um riso debochado.

Nicholas parecia engolir em seco, pressionava sua perna, tentando estancar o sangue que já encharcava sua calça. Sua feição demostrava que apesar da cara de durão dava de perceber que no fundo aquilo estava doendo muito.

O outro homem se aproximou cauteloso de Nicholas, sem desviar a mira de seu revolver, e empurrou a arma no chão para longe. Nicholas guiou-me seu olhar fixamente. Sua expressão é indescritível.

Em um rápido movimento, Nicholas levantou-se voando ao homem e conseguiu retirar seu revolver preto, realizando um golpe tão habilidoso em atirar perfeitamente em sua mira. Assustei-me novamente, o homem caiu morto ao chão.

De imediato Nicholas já apontava a mira do revolver preto em direção ao homem que me segura. Nicholas tem dificuldade de estar em pé, devido à sua perna baleada.

―Não faça besteiras Nicholas, caso contrário a mato! ― o homem disse apressado.

―Você não pode mata-la. ― Nicholas rebateu. ―Precisa levá-la viva até Bryan.

O homem engoliu em seco.

―Abaixa a arma agora Nicholas! ― Ele novamente ameaçou. ―Não tenho medo de atirar!

Nicholas hesitantemente abaixou seu revolver. Sua expressão é séria. Ele está pensativo. Espero que ele saiba o que está fazendo. O homem riu debochado ao ver Nicholas render-se.

Nicholas continuava com seu olhar fixo a mim, a quem piscou seu olho direito como uma forma de comunicação. Pouco consigo compreender seu sinal.

Num movimento rápido dei uma cotovelada no estômago do homem, a quem apenas olhou-me seriamente, meu golpe não lhe causou danos, porém causou a distração perfeita para que Nicholas agisse. Foi só o tempo de eu desviar-me, e a bala atravessou a testa do homem, a quem agora caiu morto ao chão.

―Você está bem Sophia? ― Nicholas direcionou-me sua pergunta enquanto apressadamente pegava seu revolver dourado ao chão.

―Eu que deveria te fazer essa pergunta! ― respondi guiando meu olhar à sua perna baleada.

Nicholas sentou-se na cama, tentando remover a bala. Porém parece que a cada toque a bala o queimava intensamente. Aproximei-me, intencionando ajuda-lo. A carne viva de seu ferimento quase me faz ter vertigem.

Respirei fundo controlando-me. Guiei minha mão a bala presa entre seu musculo, retirando-a cautelosamente. Engoli em seco ao ver minha mão suja de sangue segurando a pequena bala. Pequena porém com diversos símbolos desenhados.

―Bala sagrada. ― Nicholas disse.

De repente estridentes barulhos de tiros novamente dominavam o ambiente. Mal me recupero de uma, e lá vem outra situação desastrosa.

―Rápido! ― Nicholas disse apressado, guiando-nos para fora do quarto. ―Precisamos sair daqui.

Nicholas anda com dificuldade. Ajudei-o a descer a escada, dando-lhe apoio, caminhamos até porta que dá acesso à garagem, assim que a abrimos mais homens entraram pela porta caída ao chão de entrada da sala. Apressamo-nos fechando e trancando a porta. Não demorou para que o estrondo na porta começasse. Temos pouco tempo para que derrubem-na.

Nicholas abriu o portão e adentrou rapidamente em seu carro pelo lado do motorista. Ele encarou-me confuso por eu parar ao seu lado da porta.

―Nicholas, vai pro outro lado. ― disse ao me aproximar. ―Eu vou dirigir.

―Que? ― ele encarou-me perplexo. ― Nada disso! Entra logo na porra desse carro Sophia!

Sua irritação era bem evidente.

―Você não tem condições de dirigir. ― rebati. ― sua perna não pode fazer esse esforço.

―Não temos tempo pra discutir. Entra logo no carro! 

―Concordo! Não temos tempo pra discutir. Então afasta logo!

Os barulhos na porta eram ensurdecedores. Nicholas bufou e cedendo ao meu pedido, passou para o banco do passageiro. O tempo que entrei rapidamente no carro foi suficiente para a porta de acesso à sala ser arrombada. Entrei em nervosismo e meti o pé no acelerador batendo o carro contra a parede de frente, derrubando umas prateleiras e coisas presente nelas. 

―Tá louca? ― Nicholas gritou.

―Desculpe.. fiquei nervosa.

Assustei-me quando os diversos homens avançaram em cima do carro, tentando abri-lo. De imediato engatei a marcha ré. Assim que já estava fora da garagem direcionei corretamente o carro e ao colocar na primeira marcha acelerei com tudo em direção ao pequeno caminho até o grande portão final.

Por onde passamos, há muitos seguranças mortos. Engoli em seco. Pareço estar em um assustador filme de terror em que a atração principal seria um mar de sangue. Meu estômago revira.

A minha frente o grande portão abria lentamente.

―Espera o portão abrir! ―Nicholas disse apreensivo.

―Vai dar da gente passar! ― insisti.

―Você é louca garota? Não tem como passar! ― Nicholas exaltou-se, tentando recuperar o controle do carro ao segurar o volante. Porém permiti-me forte na direção.

Após desenvolver as marchas, afundei meu pé no acelerador, fazendo Nicholas soltar um palavrão. Eu sei que não calculei errado. Vai abrir completamente no exato momento.

O barulho de pintura de carro arranhando se fez presente. Por fim conseguimos atravessar a tempo. Logo guiei-nos à estrada.

―Você me deve um carro novo. ―Nicholas murmurou.

―Pelo menos nos livramos deles.

Mal acabei de falar, e o retrovisor se encheu de carros pretos em alta velocidade a se aproximar. Nicholas soltou um palavrão. Segurei-me firme na direção, aumentando a velocidade do carro. 

De imediato, virei o carro com tudo em uma estrada de terra. Suspirei ao olhar no retrovisor que ao menos metade dos carros passaram reto. Porém ainda possuem quatro carros na nossa cola.

Após um tempo, arregalei meus olhos ao ver que os carros que passaram reto agora encontravam-se na nossa frente, posicionados como uma barreira. Sem ter escolhas adentrei rapidamente em uma estrada contra mão.

Os carros buzinavam enquanto eu ao máximo tentava desviar. Rapidamente guiei meu olhar ao retrovisor, não constatando mais nenhum carro na nossa cola.

De imediato entrei na próxima rua à direita, pegando a mão certa.

―Nada mal. ― Nicholas disse.

Assim que Nicholas se certificou de que ninguém mais nos seguia, pediu para que eu entrasse em uma determinada estrada de barro. O tempo passava e a paisagem ia ganhando características mais rurais. Árvores estão presentes ao redor do caminho. Apenas sigo suas instruções.

Após um determinado tempo, finalmente cheguei ao destino trajado por Nicholas. Em um lugar que eu diria ser bem escondido. Nunca imaginaria que existiria algo por essas bandas.

Logo a frente tinha um galpão que pela aparência parecia abandonado. Sua pintura queimada evidenciava que há muito tempo aconteceu um antigo incêndio. Nicholas saiu do carro e eu apenas o acompanhei.

―Quer que eu te ajude? ― perguntei ao observa-lo ter dificuldade para andar.

―Não preciso de ajuda! ― Nicholas disse ríspido.

―Tanto faz então. ― o olhei com desdém por sua brusca resposta.

Apenas observei Nicholas em dificuldade a cada passo. Bufei e me aproximei, o ajudando mesmo contra sua vontade. No início Nicholas desviou de meus movimentos mas logo se deu por vencido e aceitou minha ajuda.

―Por aqui. ― ele apontou para uma porta nos fundos. Seguimos em direção.  O estado de Nicholas está ruim, ele perdeu muito sangue.

Empurrei a grande porta, causando um barulho incomodante por sua ferrugem. O lugar é meio sujo e com a iluminação fraca.

―Temos mesmo que entrar aí? ― questionei nervosa.

Nicholas revirou os olhos demonstrando seu desgosto por minha pergunta, em seguida apenas assentiu. Respirei fundo e entrei no galpão. Assim que passamos pela porta, Nicholas fez um sinal para que eu a fechasse e assim fiz. 

Andamos pelo sombrio corredor, iluminado apenas por uma fraca luminosidade de lâmpadas a piscar, mas logo me deparei com uma outra porta. Abri-a, revelava-se uma sala bem iluminada e bem organizada, nem parece que ainda estamos no mesmo galpão.

Ryan, Charlie, Christian, e um outro homem desconhecido por mim, se levantaram rapidamente dos sofás ao nós encarar apreensivos. O que eles fazem em um lugar como este?

―Você está bem?

Ryan se aproximou de imediato. Apenas assenti, meio confusa.

―O que houve? ― Chris foi o primeiro a se pronunciar. ― O que fazem aqui?

―Invadiram minha casa. ― Nicholas disse irritado. Todos o encaram surpresos.

―Tem ideia de quem seja? ― Charlie se pronunciou após soltar um palavrão.

―E você ainda pergunta? ― Nicholas ironizou. ― Bryan, é claro.

Todos na sala enrijeceram, parecem ter ódio quando o tal nome é pronunciado. 

―O que aconteceu com sua perna? ― Ryan direcionou-se a Ryan. ―Tem que cuidar disso aí.

―Cuida dela. Já volto. ― Nicholas disse deixando-me ao lado de Ryan, logo guiando-se a uma porta, adentrando-a.

―Tem certeza que está bem? ― Ryan voltou a questionar.

―Acho que sim. ―sussurrei.

Charlie está mexendo em um computador, Christian e o outro homem desconhecido estão lendo uns documentos.

Não demorou muito para que Nicholas voltasse a passar pela porta, indo em direção ao Christian e ao homem. Ele agora possui um curativo na perna. Sua aparência está ótima, como se nunca tivesse sido baleado.

―O que conseguiram achar? ―  ele perguntou.

O homem desconhecido lhe entregou um papel. Ao analisa-lo, um sorriso convencido contagiou o rosto de Nicholas.

―Ótimo trabalho Lil!

Após sua fala, Nicholas caminhou a Charlie, entregando-lhe o papel. Charlie o pegou, analisando-o, e logo começou a digitar algo em seu computador, enquanto Nicholas apenas o observava atentamente.

De repente o alto barulho da porta dos fundos abrindo nos assustou. Todos encararam a porta de acesso ao pequeno e sombrio corredor. Seus revolveres já estavam posicionados em mira certa.

Um murmuro conhecido logo se fez presente, e a porta logo se abriu. Elizabeth adentra o local com o braço baleado, a qual ela pressiona com um pano que já está encharcado com seu sangue. Todos abaixaram seus revolveres ao vê-la.

―O que aconteceu? ― Nicholas perguntou.

―Ele me achou! ― Elizabeth dizia apressada passando pela mesma porta que Nicholas tinha passado um tempo atrás, deixando a porta aberta. Nicholas a acompanhou adentrando também ao ambiente, o qual parece uma sala de enfermagem.

Elizabeth procura desesperadamente algo em uma caixa, enquanto Nicholas a encara.

―Quem te achou? ―Nicholas questionou.

―O pai da Sophia! ― Estreitei meus olhos, confusa. ―Eu estava na minha casa quando eles chegaram! Eu consegui fugir mas ele me acertou com uma bala que eu diria ser sagrada.

Meu pai? O que o meu pai tem a ver com isso?

Elizabeth pronunciou um palavrão ao colocar o líquido transparente no profundo machucado em seu braço.

―Mas como ele sabe do efeito que os objetos sagrados causam na... ― Nicholas se auto interrompeu ao perceber minha atenção focada a eles. Seu olhar descontente guiou-se a mim.

Nicholas rapidamente caminhou até a porta, fechando-a bruscamente. Guiei meu olhar confuso a Ryan. 

―Por que eles estavam falando do meu pai? ― questionei.

―É melhor que você não saiba agora. ― Ryan desviou seu olhar, sem exatamente saber o que dizer.

―Como não? Estão falando do meu pai. ― rebati. ― Me diz o que está acontecendo.

Ryan olhou-me. Sua expressão é tão séria.

―Seu pai é...

Ryan foi interrompido com fortes barulhos de tiros. Arregalei meus olhos, assustada. Tudo novamente? Quando teremos paz? Faz-me lembrar da promessa de Bryan que faria de tudo para ainda hoje nos conhecermos. Sinto um calafrio amedrontado ao pensar nesta possibilidade. Ele não desistiria até que consiga o que quer.

―O que está acontecendo aqui?

Nicholas abriu a porta da sala tão rapidamente quanto um raio.

―Não sabemos. ― o homem denominado Lil respondeu.

Nicholas abriu um armário, no qual estão presentes várias armas. Imediatamente cada um na sala, pegavam uma e a carregavam. Com uma agilidade tão grande, todos presentes na sala já posicionaram seus respectivos revolveres. 

―Anda, vem! ― Ryan direcionou sua fala  a mim, apressado ao guiar-me a uma outra porta, a qual possuía um grande corredor, muito pouco iluminado e com a presença  muito forte e cheiro de esgoto.

―O que acham que estão fazendo? ― Nicholas questionou irritado.

―Vou tirar Sophia daqui. ― Ryan disse firmemente.

Nicholas nos encarou por um momento, logo bufou.  

―Só não fuja. Obedeça às instruções corretamente.

Um alto barulho se fez presente, aquela grande porta da entrada parece sofrer diversos fortes empurrões. Estão tentando derrubá-la, o barulho é ensurdecedor.

―Sophia, preste atenção! ― Ryan chamou-me a atenção. ― Quero que você siga esse corredor até o final. Vai ter uma porta preta, a abra e você estará fora do galpão. Tenha cuidado para não ser vista! Corra até uma trilha que tem na mata, você logo a achará. Siga-a até o final e logo você vai ver uma rua, siga por ela até encontrar uma casa da cor verde claro entre nela e procure por Alfredo, ele lhe ajudará!

Engoli em seco. Tento assimilar as rápidas palavras de Ryan.

―Você não vem? ― perguntei preocupada.

―Eu tenho que ajudar aqui. Mas logo estarei com você.

Arregalei meus olhos.

―Não! Por favor! Vem comigo. ― desesperei-me. ―Eu não consigo ir sem você Ryan. Você não pode ficar aqui. Eu não posso te perder.

Senti meus olhos marejarem com medo de algo acontecer a ele.

―So vai ficar tudo bem. ― Ryan disse. ― Não chore e nem se preocupe, eu já estarei com você. O caminho não há erro. Você vai conseguir!

As primeiras lágrimas já desciam, o medo se apossa de meus sentimentos. 

De repente um alto estrondo se fez presente, os tiros aumentaram e Nicholas correu para ajuda-los. Bem evidente que a porta se arrombou.

―Ryan eu não vou te deixar.

―Vai ficar tudo bem.

Ryan puxou-me a um forte abraço, beijando minha testa. Ele olhou-me por um momento.

―Lembra que te amo.

Estreitei os olhos com o tom melancólico de sua fala. Tão rapidamente Ryan soltou-me e correu ao passar rapidamente pela porta, fechando-a. Corri apressada em direção a porta.

―Ryan! ― gritei desesperada com a possibilidade de algo ruim o acontecer. Mas a porta não se abriu.

Engoli em seco, passando as mãos exasperada por meu cabelo. Guiei meu olhar para o escuro corredor estreito. Forço minha vista a enxergar, a única luminosidade do local é de uma pequena brecha em uma janela.

Cautelosa dei alguns passos. Mas o longo corredor dá a impressão que quanto mais eu ando mais longe eu fico da saída. O único som que se escuta é o eco de goteiras e de meus passos. Abracei meu corpo tentando de alguma forma me sentir protegida, tentativa falha. O ambiente é totalmente sombrio.

Meu estômago embrulha com o fedor podre de esgoto. O ambiente está molhado, com poças de água suja. As paredes são de ferro, sujas com algum tipo de graxa e ferrugem.

Após um longo tempo, finalmente avistei uma grande porta de metal sujo e enferrujado. Apressei-me ao me aproximar. Rapidamente tentei abri-la, fazendo um grande esforço para puxa-la.

A claridade do sol invadiu meus olhos com uma intensidade que me fez fecha-los de imediato. Parecia que eu não via a luz há anos. Lentamente voltei a abri-los, me acostumando com a claridade. 

Olhei em volta, logo percebendo alguns homens armados, um pouco afastados. Engoli em seco. Não parecem nada amigáveis. Como eu saio daqui? 

Os homens conversam distraidamente, julgando essa distração favorável a mim, dei pequenos passos cautelosos, guiando-me escondida pelos arbustos que se encontravam na lateral do galpão.

Logo pude perceber, pouco escondida por grandes folhas, a trilha na qual Ryan tinha me dito. Mas a questão é: como chegarei lá? Encontra-se um pouco afastada, temo que assim que eu sair de trás desses arbustos esses homens me vejam.

Novamente guiei meu olhar em suas direções. Os homens estão tão distraídos. Respirei fundo, tentando encorajar-me. Cautelosamente levante-me, saindo lentamente dos arbustos.

Andei em passos longos e cautelosos em direção à trilha, em nenhum momento tirando meu atento olhar dos homens. Mas como eu previa, acabei chamando a atenção de um deles. Não existiam tentativas com a possibilidade de passar despercebida.

Sem pensar duas vezes, corri até a trilha, adentrando-a na gigante mata. Meus apressados passos contém desespero. Posso ouvir os passos e vozes dos homens correndo atrás de mim. Isso deixa-me apavorada. 

Logo avistei o final da trilha, apressei meus passos para alcança-la mais rapidamente. Mas de repente sinto uma forte dor com meu cabelo sendo puxado bruscamente, em um bruto golpe arremessando-me à terra molhada com algumas folhas.

Gemi dolorosa assim que meu braço foi puxado bruscamente, fazendo com que eu me levante. Meu olhar rapidamente se encontrou com o olhar frio de um homem desconhecido. Ele se limitou a encarar-me sério. Logo começou a me arrastar para o lado oposto de meu destino.

―Me solta! ―debati-me, tentando soltar-me de seus braços.

O homem bufou irritado, e em um movimento rápido me colocou em seu ombro. Debatia-me de todas as formas e gritava por ajuda mas nada adiantava.

Saímos da mata, aproximando-nos de um grupo de outros homens. O homem me colocou no chão, ainda me imobilizando para que eu não escape. Ele abriu a porta de um carro preto.

―Entra no carro. ― ordenou. Ele lentamente soltou-me.

Engoli em seco, pensativa. Guiei meus movimentos como se fosse apenas obedecê-lo porém logo empurrei-o e tentei correr. Tentativa falha. O homem mais uma vez alcançou-me. Sua paciência parece ter se esgotado. Os outros homens apenas nos olhavam com expressões de divertimento.

O homem tentou me jogar dentro do carro mas eu me agarrei na porta, impedindo-o. Senti mais uma vez um forte puxão nos fios do meu cabelo, causando-me dor. Fortemente arremessou-me ao asfalto gelado. 

―Seria uma bela posição pra te foder agora! ― o homem maliciou, arrecadando risadas debochadas dos outros.

Levantei rapidamente. Tentaria novamente correr, porém em um movimento rápido meu corpo foi de encontro ao material ríspido do carro. O homem me imprensa. Tentei empurrá-lo mas a intensidade de sua força me surpreende. Isso não é normal.

―Socorro! ―gritei, desesperando-me.

O grupo de homens soltavam piadinhas e risadas. O homem fez um sinal com a cabeça pra um garoto que se encontrava entre eles, sua expressão é séria e até mesmo de desgosto. O menino aparentava ter minha idade, talvez até mais novo. Ele, entendendo o recado lhe dado, molhou um pequeno pano com uma substância suspeita, jogando-o em nossas direções.

Não entendi muito bem até que o homem tentou coloca-lo em meu rosto. Tentei de todas as formas desviar. Minha visão encontra-se tão embaçada com as lágrimas insistindo, mas não permito deixa-las cair. Tento demonstrar coragem, mas a verdade é que tão amedrontada estou.

Debati-me, desviando-me diversas vezes do pano molhado. O homem pronunciou um palavrão, irritando-se. Ele segurou fortemente em meu cabelo, arremessando fortemente minha cabeça contra o vidro do carro, espatifando-o. Os cacos de vidro se espalharam.

Minha visão rodou e meu equilíbrio bambaleou ao ser atingida pela intensa dor. O homem se afastou, encarando-me. Tento permanecer-me firme, mas meus movimentos são trêmulos. Tudo ao meu redor gira.

Tento segurar-me na superfície do carro, mas não possuo equilíbrio algum, caindo ao chão. A intensa dor causa uma sensação de explosão em minha cabeça. Meu corpo treme muito, sinto-me quase a perder os sentidos.

O homem rapidamente se aproximou, dessa vez conseguindo colocar o pano molhado da suspeita substância em meu rosto. Inalar esse forte cheiro, faz minhas pálpebras implorarem a querer se fechar.

―Tenha belos sonhos. ― o homem disse satisfeito com minha indisposição.

De repente assustei-me com altos sons de tiros, fazendo com que o homem caia morto ao meu lado, logo percebi que todos estavam mortos.  Minha visão aos poucos se apagava, mas antes de se apagar por completo vi uma silhueta grande e máscula a se aproximar. Antes que eu conseguisse identificar a pessoa, meus sentidos foram bruscamente levados pela escuridão.

 

Ponto de vista: Nicholas Schmutz.

            Como se eu não soubesse acabar com a farra desses marmanjos. Depois da situação posta sobre mim, fica mais que evidente que possuo um traidor entre nós. Terei que resolver este problema rapidamente, antes que me custe mais caro.

            Dei o último tiro no corpo sem vida sobre meus pés. Isso são apenas paus mandados de Bryan. Sua determinação chama minha atenção. Ele quer muito algo.

            Faz lembrar-me que a garotinha foi para casa de Alfredo. Logo estarei por lá também. Um velho amigo, talvez saberá como ajudar-me nesta situação.

Joguei meu revolver dourado em cima da mesa, e tateei o bolso de minha calça, pegando meu celular. Disquei o número do Alfredo, não demorou muito para que ele atendesse.

―Fala cara. ― a voz de Alfredo soou no outro lado da linha.

―Diga para Sophia se comportar que já estamos chegando. ― disse enquanto pegava a chave do meu carro.

―Quem é Sophia? ―Seu questionamento fez-me paralisar meus passos, desconfiando. ― Ah sim, a garota!

Aliviei minha expressão.

―Sim. Diga a ela.

―Mas cara, não sei se entendi bem.

Estreitei meus olhos com sua fala.

―Apenas dê o recado.

―Mas ela não está aqui!

Arregalei meus olhos, descrente de sua fala. Trinco meu maxilar em fúria. Eu sabia que não deveria confiar naquela pirralha. Ela aproveitou a situação para fugir. Fechei meus olhos com força, tentando controlar-me.

―Estou indo para aí! ― apenas disse finalizando a chamada.

―O que houve? ― Ryan questionou confuso.

―Sua bonequinha idiota fugiu.

Soquei a parede raivoso. De imediato, guiei meus passos apressados para a saída do galpão. Rapidamente entrei no meu carro e em velocidade extremamente grande fui em direção à casa de Alfredo.

Não demorou muito até eu estar na frente da pequena casa verde clara. Rapidamente saí do carro, e em passos apressados entrei na casa.

―Não me diz que ela realmente não está aqui!

 Adentrei o local raivosamente. A informação me dada não pode ser real.

―Não. Ela não veio. ― Alfredo disse, levantando-se do sofá. 

Bufei irritado, socando fortemente a parede ao meu lado.

Eu sabia que isto aconteceria caso colocasse algum mínimo sentido de confiança. Quando eu achá-la, ela descobrirá o meu pior lado. Tentei pegar leve em tantas coisas.. eu poderia ter a tratado como uma verdadeira prisioneira.. poderia ter feito ela sofrer.. Mas ao contrário disto, apenas deixei-a no luxo. Ajudei até mesmo com as despesas hospitalares de sua mãe. Quando eu digo que sentimentos só atrapalham estava completamente certo. É melhor ser temido do que viver nas expectativas de outros.

Sophia acha que é esperta, mas não comigo. Eu vou achá-la e quando esse momento chegar eu vou ser o pior pesadelo dela. Muitas ideias maldosas já rondam minha mente. Eu sei exatamente o que fazer. Sophia mal espera o que vai acontecer com ela.

 

 

 

 

 

 

Amparado pela Lei 9.610/98 (Lei de Direito Autorais) em combinação com o Código Penal Brasileiro. Para melhor compreensão, vide o artigo 184 do Código Penal (Pena de Detenção: 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa). Nos casos previstos nos parágrafos §1° e §3° deste mesmo artigo: (Pena de Reclusão: 2 (dois) anos a 4 (quatro) anos, e multa). Não queira ficar atrás das grades por um comportamento inadequado. Converse com o(a) autor(a), peça autorização antes de copiar total ou parcialmente sua obra ! **


Notas Finais


**Aos meus verdadeiros leitores, peço que desconsiderem o aviso no final, destina-se apenas aos plagiadores em potencial.
.........................................................................................................................


Desculpem pela demora, precisei me ausentar por problemas pessoais.
Mas aqui está o capítulo. Obrigada a todos(as) que acompanham. <3
Estou muito feliz por todos os comentários e favoritos. Muito Obrigada de coração.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...