História I Promise - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli, Sou Luna
Personagens Luna Valente, Matteo, Simón
Tags Lutteo, Romance, Ruggarol, Sou Luna
Exibições 255
Palavras 4.034
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Festa, Ficção, Romance e Novela, Violência

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Antes de tudo
COMO ASSIM 79 FAVORITOS NO JÁ PRIMEIRO CAPÍTULO? 😱😱😱
Gente, muitíssimo obrigada, de coração ❤️❤️❤️
Achei que teria no máximo uns 30 e dou de cara com quase 80. Luaninha aqui agradece pela confiança hahahahaha

Vamos ao que interessa, um novo capítulo
BOA LEITURA!!!

Capítulo 2 - Best Friends


Luna Valente

Eu estava sentada na minha cama lendo um livro, quando escutei a famosa batida na minha janela. Eu sabia quem era.

- Por que insistem em entrar pela janela se meus pais não têm nenhum problema em deixar vocês virem no meu quarto? Vocês sabem que podem entrar pela porta.

- É mais divertido.

- Não sei quem acha divertido ficar escalando uma árvore pra chegar até uma sacada.

- Ei, não queira interferir nos gostos das pessoas. – Simón se fez de ofendido.

- Encontramos Mônica lá em baixo, ela sabe que estamos aqui, mas já é costume subirmos pela arvore. – Matteo se jogou na cama do meu lado – O que vamos assistir hoje?

- Como assim o que vamos assistir? Eu estava pensando em ficar aqui lendo meu livro, que, aliás, tem uma história ótima e eu não consigo terminar porque vocês dois não me deixam em paz.

- Acho que ela ta expulsando a gente. – Matteo disse cutucando Simón.

- Também estou achando isso. – ele assentiu – Mas tudo bem, tem uma vizinha nova ruiva... – encarei os dois.

- O primeiro que se atrever a ir falar com essa ruiva, não coloca mais os pés aqui.

- Você sabe que a gente não te trocaria por nada. – Matteo se jogou em cima de mim.

- Não mesmo. – Simón se jogou em cima de Matteo.

- Seus gordos, vocês estão me amassando. – falei tentando sair de baixo deles – Da pra tirar essa sua barriga gordurosa de cima de mim, Balsano?

- Barriga gordurosa? – Matteo empurrou Simón para o lado e levantou – Chama isso aqui de barriga gordurosa? – ele levantou a blusa e deixou a barriga perfeitamente definida à mostra. Porque ele sempre faz isso? Parece que quer me ver ficando maluca.

- Vou tirar uma foto e mandar pras meninas do colégio com a legenda “o tanquinho mais cobiçado do Blake”. – Simón tirou o celular do bolso e Matteo jogou uma almofada nele. – Cara, isso vai aumentar sua popularidade.

- Isso, manda a foto que todas aquelas menininhas assanhadas e ridículas vão ficar se jogando em cima dele, e depois acaba sobrando pra mim, que tenho que fazer uma operação de resgate e salvar ele do ataque delas.

- Acho que alguém está com ciúmes. – Matteo falou e revirei os olhos.

- Meus melhores amigos. Elas que vão ficar de conversinha com outras pessoas, não com vocês.

- Ela realmente esta com ciúmes. – quando os dois se juntavam para me irritar, eu não tinha chances.

- Vieram aqui pra tirar a minha paciência? Porque se foi isso, podem sair janela a fora.

- A TPM adiantou esse mês? – Simón olhou para Matteo.

- Pelas minhas contas, era pra ser semana que vem. – Matteo respondeu fingindo pensar e eu mais uma vez revirei os olhos – Calma, pequena. Sabe que nós fazemos isso de brincadeira.

- O que vieram fazer aqui? Que eu lembre não tínhamos combinado nada.

- E desde quando nós precisamos combinar de vir aqui? – Simón questionou e ele tinha razão. Os dois tinham passe livre na minha casa, assim como eu tinha na casa deles. A verdade é que nossas famílias eram muito amigas, e como nos conhecíamos há muito tempo, eles já eram de casa.

- Eu proponho uma noite de comédia. – Matteo falou indo até a TV.

- Acho ótimo. Vocês sempre escolhem terror. Se for pra ver algo na minha televisão, no meu quarto, eu espero que seja algo que eu goste.

- Vou pedir pra Amanda preparar pipoca, já volto. – Simón disse e saiu. Pode parecer estranho mais aqui era assim, sempre foi.

- Pronto, já coloquei. – Matteo voltou e deitou do meu lado – O que foi?

- O que foi, o que?

- Você está estranha.

- Estranha como?

- Não sei. Está estranha. Simón também acha que está. Desde que começou a sair com o Noah, você está estranha. – ficamos em silêncio por alguns segundos – Sabe que pode me dizer se estiver gostando dele.

- Não gosto dele, já disse isso mil vezes pra vocês dois. Por que a insistência nesse assunto?

- Porque você está estranha. É só isso.

- Isso é coisa da cabeça de vocês, eu estou normal. – eu sabia onde ele queria chegar com essa conversa.

- Lu, sabe que pode me contar qualquer coisa, qualquer coisa mesmo.

- Matteo eu não transei com o Noah se é isso que você quer saber. – bufei e me virei de costas para ele – Sabe que eu tenho medo disso e que não vou fazer com qualquer cara, pode, por favor, parar de perguntar isso toda vez que começo a sair com alguém novo?

- Desculpa. – ele me abraçou – Desculpa por me intrometer na sua vida. Sei que você se sente mais confortável falando desses assuntos com as meninas. Eu fui incisivo demais. Perdão.

Esse era o único assunto que eu não conversava com os meninos. Não me sentia confortável para falar dessas coisas com eles, era estranho. Não tinha nenhuma outra coisa que não estivesse nas nossas conversas, apenas sexo era um assunto que não entrava. Na verdade nem sei se eles são virgens ou não. Eu acredito que não. Os dois são muito populares na escola e tem milhares de meninas em cima deles todos os dias, e me sinto mal por isso. Sim, tenho ciúmes deles. E não, não me importo com o que eles fazem ou deixam de fazer com elas.

Ou eu queria acreditar que não me importava com o que Matteo fazia com essas garotas. Eu não queria pensar que ele as chama de pequena, de princesa e que diz eu te amo para elas como diz para mim.

- Ele quer. – falei me virando lentamente de frente para Matteo – Mas eu não quero. Não estou pronta.

- É só não fazer. Se ele te obrigar, eu estilhaço ele com as mãos.

- Ele não vai me obrigar a nada, já me disse. Ele sabe que correria sérios riscos de vida se isso chegasse aos seus ouvidos. – ele sorriu vitorioso.

- É bom mesmo que todos os meninos da escola saibam que se te fizerem sofrer, eu farei eles sofrerem três vezes pior. – ele era a pessoa com quem eu mais me sentia protegida no mundo.

- Por favor, não comenta nada disso com o Simón.

- Claro, princesa. É um segredo nosso. – se afastou para que Simón não perguntasse por que estávamos daquela maneira.

- Pipoquinha na mão. – Simón entrou e apagou a luz.

- Que filme escolheu?

- Não escolhi um filme. Vamos assistir episódios da sua séria favorita. – minha série favorita no mundo era Friends.

- Acho que eu estou precisando mesmo de uma maratona de Friends junto com vocês.

- Seu pedido é uma ordem, princesa. – Simón deitou do outro lado da cama e Matteo deu play na série.

Quando tínhamos oito anos, eu, Matteo e Simón fizemos um contrato de amizade e uma promessa de que não importa o que acontecesse, não deixaríamos nada abalar nossa amizade e desde aquele dia nós nunca brigamos. O máximo que já aconteceu foi que um de nós não gostou de algo que o outro disse, mas acertamos as coisas e tudo acabou ficando bem.

Os dois já me salvaram de muitas coisas. Separando minhas brigas no colégio, me acobertando quando tomei meu primeiro porre, mentindo pra me livrar de suspensões, me levando pra casa depois de festas e jurando aos meus pais que eu acabei adormecendo na casa de um deles e por isso cheguei tarde. Eu devia muito a eles. Principalmente a Matteo.

Existem muitas coisas entre eu e ele guardadas a sete chaves. Ninguém sabe. Nem Simón. Apenas eu e ele. E isso tudo faz com que minha relação com ele seja de extrema confiança e cumplicidade. Nunca menti pra ele, porque sei que ele nunca mentiria para mim. Não que eu faça isso com o Simón, mas é diferente. Já vivi coisas com o Matteo que nos aproximaram de outras formas.

Sai dos meus pensamentos que ouvi a musica da abertura da série indicando que outro episódio estava começando. Me ajeitei no meio dos meus dois melhores amigos e me distrai, deixando meus pensamentos de lado.

 

(...)

- Luna Valente, Matteo Balsano e Simón Alvarez, por favor, me acompanhem até a sala da diretoria. – a diretora interrompeu nossa aula de artes, a única em conseguíamos fazer algo produtivo, para chamar a mim e aos meus dois féis companheiros. E o pior é que dessa vez eu não faço a menor ideia do porque estamos sendo levados.

- Margot, o que fizemos dessa vez? – Matteo perguntou enquanto andava ao lado da nossa antiga amiga Margot, a diretora do Blake.

- Não sei, Matteo. Vocês é que deveriam me contar o que andaram aprontando. Marcelo apareceu furioso na minha sala pedindo que eu chamasse vocês três por alguma coisa que aconteceu no treino de semana passada.

- Eu juro que nós não fizemos nada, Marg. – falei olhando diretamente para ela.

- Você sabe que seu histórico não te ajuda em nada, Luna. – respondeu me olhando com negação.

- Dessa vez eu não fiz nada. É sério mesmo, não sei do que o treinador vai me acusar, mas posso te dizer com certeza que não foi culpa minha.

- Mesmo que eu acredite em você, já te livrei de muitas coisas sabendo que tinham sido culpa sua. Dessa vez se você realmente fez alguma coisa, não vou ter como te proteger. – revirei os olhos e continuei andando.

 

- Muito bem, aqui estamos todos. – eu, Margot e os meninos entramos na sala onde já estavam Marcelo, o treinador, e Tomás, o bacaca do filho dele. Agora estava bem obvio o porquê de estarmos aqui – Marcelo, pode me dizer porque mandou chamar os três alunos sem nem ao menos me informar o que aconteceu?

- Margot, sabe que eu sou uma pessoa que segue as regras de forma exemplar e que tento fazer meu trabalho com a maior perfeição para que esses meninos consigam honrar o nome do colégio. – ela assentiu – Mas não posso fazer isso quando nem todos os presentes cooperam. – olhou para mim – Na semana passada, pedi que os garotos ficassem mais um tempo treinando, devido ao jogo que perdemos e apenas sai para buscar uma água. Quando voltei, dei por falta do Balsano e perguntei ao Alvarez, onde ele estava. Alvarez me disse que ele tinha se sentido mal e saído para respirar um pouco, o que não me agradou, pois eu não tinha dado permissão, mas que era compreensível se tratando de uma questão de saúde. Mas meu filho me contou que o motivo do desfalque no treino, foi a senhorita Valente. – Tomás tinha um sorriso sínico no rosto enquanto o pai falava – E as regras são claras, nenhuma menina pode adentrar a quadra ou a academia enquanto eu estiver treinando meu time. A senhorita Luna Valente teve o descaso de ir até lá e tirar um dos meus jogadores.

- O horário do treino já tinha terminado, pra começo de conversa. E eu precisava falar urgentemente com Matteo, Margot. Era muito sério mesmo.

- Margot, Luna causou a maior confusão no treino. Quando cheguei lá todos os meus jogadores estavam alterados.

- Talvez estivessem alterados porque estavam cansados de ficar dando voltas pela quadra e fazendo flexões só porque perderam um jogo.

- E eu realmente saí porque estava passando mal, diretora. – Matteo disse.

- Deixa de ser mentiroso, Balsano. Saiu agarrado com a Valente e acha que pode enganar alguém. – Tomás se pronunciou.

- Eu confiou na palavra do meu filho, Margot. E quero uma punição para Luna Valente e Matteo Balsano.

- As coisas não funcionam assim. Ainda tenho que ouvir Simón e Tomás para chegar a alguma conclusão sobre o assunto. – ela disse com calma – Simón, fale por favor.

- Luna foi até a quadra falar comigo e com o Matteo. Matteo estava se sentindo mal e aproveitou para sair junto com ela. Pediu que eu avisasse ao treinador que ele não estava bem e assim eu fiz. Não achei necessário comentar que a Luna tinha ido até lá. – Simón confirmou a história que ele mesmo inventou.

- Procede, Luna? – Margot perguntou antenta.

- Sim, acompanhei Matteo quando ele estava passando mal.

- Isso é mentira. – Tomás começou – Diretora, Matteo fez o maior escândalo porque estava com ciumes da amiguinha e depois saiu agarrado com ela. Isso é tudo culpa da Valente que apareceu lá. – eu queria muito levantar e dar um soco da cara dele.

- Matteo? – Matteo respirou antes de responder Margot.

- Tomás e grupo dele estavam assediando Luna. Olhavam para ela como se ela fosse um objeto e eu apenas a defendi. Quer a verdade diretora? A verdade é que eu sai do treino sem avisar porque não queria deixar a Luna sozinha me esperando lá fora com esse idiota e os amigos dele por perto. Se quiser me mandar pra detenção, pode me mandar.

- Isso não aconteceria se ela não aparecesse lá com aquela roupa provocativa. Toda perfeitinha, toda deliciosa. – Tomás falou como se estivesse pensando alto e arregalou os olhos quando viu que todos ouviram.

- LAVA SUA MALTIDA BOCA PRA FALAR DELA. – Matteo voou da cadeira onde estava para o pescoço de Tomás. E Simón tentou impedir que Matteo piorasse a situação.

- Calma, irmão. – Simón separou os dois – E você, NUNCA MAIS, ouse falar assim dela, porque eu poderia estar em um dia nada bom e ter acabado com a sua cara também. – ele disse ainda segurando Matteo, que respirava rápido por causa da raiva.

- Os três, parem. – Margot disse.

- É por isso que não gosto que as meninas atrapalhem meu trabalho.

- Chega. Isso passou dos limites. – Margot estava muito irritada – Eu acabo de ouvir que uma aluna sofreu assedio e a única coisa que você me diz é que elas atrapalham seu trabalho? Ela estava errada em ir lá, sim, porque tem uma regra que proíbe isso. Mas isso não dá o direito do seu filho dizer o que disse. Luna, o que Matteo falou é verdade?

- Sim. – falei receosa – Ninguém encostou em mim nem nada, porque Matteo e Simón estavam lá, mas ficaram olhando e falando coisas obscenas enquanto eu passava. – me encolhi na cadeira.

- Por que não veio me contar isso? – Margot me olhava de uma forma protetora.

- Não queria prejudicar meus amigos. – olhei para os dois.

- Está tudo bem querida. – ela veio até mim e me abraçou – Marcelo, nós vamos ter uma conversa com a psicopedagoga sobre essa situação toda. Simón, pode voltar pra sala. Tomás, cinco dias de suspensão por assédio sexual, irá pedir desculpas publicamente a Luna e fazer serviço comunitário na escola.

- Cinco dias? Isso é um exagero. Nem fiz nada tão grave assim. – minha vontade era gritar e despejar todo o nojo que sinto por Tomás, mas Matteo entrelaçou nossas mãos como forma de me acalmar.

- Não me interrompa, a palavra maior aqui não é a do seu pai, é a minha. Não adianta chorar. O que decidi, está decidido. – nunca vi Margot com tanta raiva – Matteo, dois dias de suspensão ajudando na biblioteca, por comportamento violento leve. Luna, um dia de suspensão por quebrar regras da instituição, também ajudando na biblioteca. E fim da história. Se eu souber que prejudicou Matteo porque ele defendeu Luna do seu filho, teremos sérios problemas Marcelo. – Margot foi bem clara. Marcelo e Tomás saíram da sala ainda reclamando

- Obrigada por acreditar em mim dessa vez, Marg. – agradeci – Prometo que vamos deixar a biblioteca brilhando.

- Vocês dois sempre juntos. Dessa vez Simón se salvou. E não me agradeça Luna, estou me sentindo em debito com você sabendo o que aconteceu aqui dentro da escola.

- Imagina, Marg. Você não tem culpa de nada. Respeito se aprende em casa e não na escola.

- Sabe que o treinador vai me odiar pra sempre agora, não é? – Matteo falou.

- E se eu te disser que um tal de Miguel Valente é nosso próximo alvo para treinador do time de futebol do Blake? – o que?

- Ta brincando né? Meu pai vai voltar a trabalhar aqui? Como? Quando? O que? – falei ainda sem acreditar que depois de tanto tempo meu pai iria querer voltar a dar aulas aqui no Blake. Ele foi professor aqui a alguns anos atrás, mas foi demitido porque o time não estava rendendo e o Marcelo tinha um “método melhor de ensino”.

- O Miguel vai voltar? Isso significa que tudo vai voltar a ser como antes? – Matteo perguntou animado.

- Calma, ainda não temos nada decidido. Seu pai ainda não respondeu nossa proposta.

- Pode deixar que hoje mesmo eu convenço ele. – Matteo não podia estar mais feliz com a volta do meu pai como treinador.

- Hoje mesmo o senhor vai estar na biblioteca arrumando livros. Agora pra sala os dois. Já me deram muito trabalho por hoje. – ela falou nos colocando pra fora da sala.

- Nos vemos semana que vem, Marg. – falei e dei um abraço nela.

 

(...)

- Ainda não acredito que o Miguel vai voltar. – Simón disse enquanto caminhávamos de volta para casa. Eu e Matteo teríamos que voltar na parte da tarde e cumprir com nossa detenção – Isso significa carona depois do treino e não ter mais que carregar a preguiçosa da Luna quando ela cansa.

- Ei, eu não sou preguiçosa. – me defendi – Você que é fracote e não me aguenta.

- Não aguento é? – Simón me pegou no colo e saiu correndo.

- Matteo me ajuda. – pedi tentando parar de rir.

- Você chamou ele de fracote, não tenho como te ajudar, princesa. E você é preguiçosa sim. Temos até uma escala de quem vai te carregar em cada semana.

- É sério? – perguntei ajeitando minha saia quando Simón colocou no chão.

- É claro que não. – Matteo me abraçou – Geralmente sou eu, porque realmente sou mais forte e mais lindo e mais incrível.

- Começou... – Simón fez uma careta sabendo que a lista de qualidades que Matteo se auto dava era imensa.

- Você é chato Matteo.

- Não sou.

- É claro que é.

E assim nós continuamos nosso caminho até o condomínio onde morávamos.

Todos os nossos dias eram assim.

Mas eu sabia que alguma coisa tinha mudado.

Não éramos mais os três amigos de antes.

Agora existia algo diferente entre nós, e eu tinha medo de descobrir o que era.

 

(...)

A biblioteca do colégio estava vazia. Apenas dois ou três alunos, concentrados em algum livro, habitavam o ambiente. Caia uma forte chuva lá fora, aumentando mais ainda o meu tédio e o meu sono. A bibliotecária, Helena, deveria concordar comigo, já que estava se esforçando para não dormir em cima da mesa.

Matteo estava arrumando uma pilha de livros em uma prateleira e eu organizando os livros que estavam fora do lugar. Não era novidade para nenhum de nós ser suspenso e ter que arrumar a biblioteca, tanto que a Helena nem se dava ao trabalho de ficar nos olhando, porque sabia que nós cumpriríamos com o que nos foi dado como castigo.

- Eu queria estar em casa dormindo. – falei entrando no corredor que Matteo estava.

- Somos dois. Não aguento mais ver a capa desse livro e ainda falta terminar de encher uma prateleira com ele.

- É muito tedioso ter que ficar aqui em silêncio, sem fazer nada, com a chuva que está lá fora.

- Podemos conversar. Do jeito que isso aqui está movimentado. – ele apontou para o vazio do ambiente – Ninguém vai se importar. Fora que nunca ficamos em silêncio aqui.

- Eu perdi meu treino. – falei chegando mais perto dele – Sérgio disse que hoje escolheria de quem seria o solo da apresentação do próximo jogo de vocês. Desde que a Katie foi embora, ele nunca arriscou fazer um solo desses. Ela era a única boa o suficiente para isso. – falei com um sorriso de admiração. Ela se formou há uns dois anos, e desde lá, o treinador nunca deixou mais ninguém fazer um solo. Eram sempre duplas ou trios, mas nunca uma só.

- Vai ser seu com certeza. É a melhor bailarina e líder de torcida, ele seria maluco de escolher outra pessoa para substituir a Katie. – ele sorriu – Você vai ser a grande estrela do jogo.

- É muita responsabilidade. – olhei para o nada, imaginando como seria - Não sei se estou pronta. Fora que faltei o treino mais importante, o de hoje. Acho que isso eliminou minhas possibilidades.

- O Sérgio te ama. Ele mesmo já disse que sem você a equipe não iria para frente.

- Seria um sonho fazer o solo que era da Katie. Sempre a admirei. O foco e a dedicação que ela tinha eram inspiradores.

Eu estava lá sonhando com algo que acreditava ser quase impossível, quando ouvi passos se aproximarem de onde estávamos e dei de cara com a minha nem um pouco agradável companheira de equipe, Sofia.

- Matt. – ela pulou no colo de Matteo com a voz chorosa. Odiava quando ela achava que tinha intimidade com ele só porque o beijou algumas vezes. Acho um desaforo total.

- Você está bem? – Matteo perguntou preocupado.

- Eu achei o treinador fosse me dar o solo. – como a voz dela era irritante – Mas ele não fez isso. – ela se agarrou ainda mais a ele – Estou carente, Matt. – ela disse isso e deu um selinho nele. “Matt” só pessoas próximas a Matteo podiam chamar ele assim, ela não.

- Tenho certeza que ele fez o melhor para a equipe. – Matteo disse e piscou para mim sem que ela percebesse.

- E quem ele escolheu? – perguntei e ela me encarou com um olhar de raiva.

- Parabéns, Valente. O solo é seu. – não podia ser sério. Levei minhas mãos a boca, sem acreditar.

- Meu? – perguntei ainda incrédula.

- Sim. – por mais que eu não fosse com a cara da Sofia, eu tinha que admitir que ela também tinha competência para fazer o solo.

- Matteo, o solo é meu. – ignorei o fato dela estar agarrada nele e pulei no colo do meu melhor amigo – É o meu sonho. – ele soltou Sofia e me abraçou.

- Parabéns princesa. – ele me tirou do chão e me girou – E Sof, não fica assim. – ele coçou a nuca, percebendo que tinha ignorado ela, que agora tinha um olhar de ódio pior ainda, também – Quem sabe da próxima vez.

- Não sei. – ela fez uma cara de vitima e ele a abraçou – Era meu sonho também.

- Não desiste Sofia. Sei que nós temos as nossas diferenças, mas você é muito boa também. – tentei fazer meu sorriso mais amigável.

- Obrigada Luna. – ela também tentou forçar um sorriso – Será que pode ficar um pouco comigo, Matt? – revirei o olho – Seu abraço é meu premio de consolação.

- Parabéns gatinha! – senti meu corpo ser girado e tirado do chão. Era Noah. Ele não poderia ter chegado em melhor hora – Fiquei sabendo do seu solo.

- Obrigada Noah. Ainda estou processando a informação. – falei sem sair do abraço dele.

- Quer comemorar? – ele disse e levantou uma das sobrancelhas.

- Não posso sair daqui.

- E quem disse que precisa? – ele me puxou para o final do corredor e me beijou na frente de Matteo e Sofia – Podem nos dar licença? – Noah pediu aos dois quando parou o beijo.

- Claro. Vamos estar no corredor ao lado. – Sofia disse puxando Matteo.

- Só tomem cuidado. – Matteo falou – Não façam nenhum ruído ou coisa do tipo.

- O mesmo vale para vocês. – falei convencida, quando vi a mão dele na cintura dela. Os dois saíram do meu campo de visão

Eu até poderia estar com ciumes de Matteo, mas a minha felicidade pela notícia do solo era tão grande que eu apenas me deixei levar pelos beijos de comemoração de Noah. Depois eu e Matteo conversaríamos. Ele reclamaria do Noah, eu reclamaria da Sofia. Essa cena não é nenhuma novidade. A diferença é que aqui corríamos sérios riscos de sermos pegos beijando nossos “colegas” em plena detenção, e isso não seria nada bom.


Notas Finais


E ai?
O que me dizem?
Opiniões são sempre bem vindas
Espero que vocês não tenham problemas com a fic ter personagens originais, ao invés de apenas os de Sou Luna
Nos vemos
Beijinhos ♥


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