História I Remember - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Monsta X
Personagens I'M, Joo Heon
Tags Changkyun, Jooheon, Jookyun, Monsta X
Exibições 54
Palavras 4.490
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Shoujo (Romântico)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oláaa <3 Olha eu aparecendo com outra fic do Monsta X kekeke
<3 não vou mentir não... adoro Jookyun e um draminha também KKKK
Eu queria dedicar essa fic pra @JinPrincesa e pra @GbbsGZ que me apoiaraam muitoo com as fics, e que eu tava devendo uma pra vcs <3 Obrigada meninas ^^ Espero que todas vocês gostem.
Vamos lá?

Capítulo 1 - My heart beats for you (Capítulo Único)


Fanfic / Fanfiction I Remember - Capítulo 1 - My heart beats for you (Capítulo Único)

– Ei, você vai mesmo lá? Hoje é sábado, vamos sair um pouco hm? Nós nunca saímos nos fins de semana.

– Chame o Shownu para sair Minhyuk, você sabe que eu não posso faltar dia nenhum.

– Poder você pode, só não quer – Minhyuk disse bufando enquanto ligava para Shownu e via seu amigo saindo pela porta enquanto murmurava que nunca iria deixaria de ir lá.

Ao chegar no centro de ajudas Jooheon encaminhou-se para o balcão com um livro embaixo do braço e um sorriso no rosto, que realçava suas covinhas. Mesmo estando perto de seus 40 anos, sua aparecia ainda era boa, tirando pelas olheiras e a tristeza do dia a dia.

– Ah, Senhor Lee. Que bom que você veio, pensei que hoje iria nos deixar.

– Minjun, você sabe que estou sempre aqui! Hoje eu peguei um trânsito, por isso atrasei... ele já almoçou? – perguntou olhando o relógio e vendo que era quase meio dia.

– O senhor Lim está recebendo o almoço agora. Você irá ler para ele de novo? – apontou para o livro que o rapaz segurava.

– Se ele permitir, sim.. bom da última vez foi meio complicado – a expressão de Jooheon ficou triste quando ele se lembrou – Ele pensou que eu estava lá para machucá-lo e não me quis por perto.

– Ah, eu sinto muito por isso, mas.. sem querer ser indiscreta, qual sua relação com o paciente? Desde que ele entrou aqui você vem vê-lo, mas na ficha dele, diz que ele não tem nenhum parente...

– Eu sou apenas alguém que gosta de ler para ele – Sorriu e abraçou o livro – Será que posso vê-lo?

– Ahn, claro... claro, vamos. – os dois começaram a andar até chegarem em um pátio imenso que parecia um parque, pela quantidade de árvores, bancos e mesas e até mesmo um lago um pouco mais afastado.

Quando chegaram aos alojamentos Minjun colocou a cabeça para dentro da porta 207 e falou.

– Com licença, Senhor Lim? Você tem visitas.

O coração de Jooheon começou a acelerar como todas as outras vezes, não importava o quanto ele tivesse acostumado com o menor, pois ele nunca estaria acostumado consigo. Ele prendeu a respiração quando ouviu a voz vinda de dentro do quarto pedindo para entrar, e apenas soltou quando se colocou dentro do quarto.

Lá estava ele, exatamente como se lembrava, como havia visto da última vez. Ficou por um bom tempo olhando o rosto do menor que o encarava enquanto Minjun explicava quem ele era e que ele estava lá para ler um livro para si.

– Um livro? Porque ele vai fazer isso? – Cruzou os braços na frente do corpo como se tentasse se proteger.

– Ele veio aqui da última vez, vocês leram um livro juntos. Toda semana ele vem. É para você não ficar sozinho.

– Não te conheço. – Disse olhando direto para Jooheon que suspirou e se adiantou antes que Minjun falasse por ele.

– Eu também não te conheço, mas preciso de alguém que me escute e você precisa de alguém para falar com você, eu suponho, certo Changkyun?

O paciente olhou para a enfermeira se perguntando do que ele estava falando. E ela disse com um sorriso no rosto.

– Changkyun é você Sr. Lim. Agora vou deixá-los à sós. – Virou-se para o maior. – já sabe, não force ele à nada...

– “E qualquer mudança dele me chame” eu sei disso. Obrigado. – Se curvou esperando que Minjun saísse do quarto.

Depois que ela saiu Jooheon andou calmamente até a beirada da cama e sentou-se em uma cadeira que repousava lá.

– Ahn, bem... Jooheon.. que livro é esse? – Por mais que negasse, estava sozinho desde manhã e queria mesmo uma companhia.

– Vamos começá-lo? Ele conta a história de duas pessoas que se conheciam desde pequenos... você verá.

– A enfermeira... ela.. disse que você já veio aqui ler para mim antes, por que eu não me lembro de você?

– Ah, tem tempo desde a última vez que eu vim você não deve lembrar por isso – Viu que o menor estava tentando forçar sua mente para se lembrar de algo, mas sabia que tudo que ele via era uma imensa tela preta em seu passado.

– Enfim, o que você achar de caminharmos um pouco no lago? O dia está bonito! Eu posso ler para você lá fora. – Changkyun ainda olhava desconfiado para o outro, mas resolveu sair mesmo assim.

Por dentro Jooheon agradecia, pois Changkyun estava com a sanidade muito boa se comparado às outras vezes em que ele fora visitá-lo. Estava tudo sendo mais fácil hoje.

Caminharam lado a lado, até uma mesa que havia de frente ao lago, com os dois em silêncio. Changkyun não sabia o que falar e Jooheon estava apenas aproveitando a presença do outro.

– Uau, aqui é lindo! Como você sabia desse lugar? Nós podemos mesmo ficar aqui? – Perguntou tudo de uma vez e Lee pode ver o brilho no olhar do outro.

– Podemos sim! Eu já vim aqui antes, e pensei que seria perfeito te trazer, misturar sua beleza com a beleza do lugar... é a melhor combinação. – Terminou de falar percebendo que estava indo longe demais, Changkyun o olhava meio assustado meio admirado e envergonhado.  – Me desculpe, vamos começar?

– Claro. – Sorriu fazendo com que o coração de Jooheon escapasse uma batida.

– Bom.. – Limpou a garganta e começou a ler. Para Changkyun a estória estava meio sem graça, ele passou um tempo apenas descrevendo as casas em que dois garotos, Johnny e Daniel, moravam, um ao lado do outro e sobre as brincadeiras favoritas deles.

 “Os garotos sempre foram muito próximos, nem mesmo uma briga entre as famílias deles poderia separá-los. Quando Johnny finalmente entrou na escola, Daniel ficou muito triste, pois era um ano mais novo e os garotos mal se viam, pois ele ainda não ia para a escola. Foi difícil fazer com que o mais novo falasse com Johnny de novo, pois ele ficou muito magoado, falando que o outro tinha feito mais amigos e logo se esqueceria dele.”

– Eu também ficaria com raiva, aposto que esse Johnny era o único amigo que Daniel tinha, estou certo?

– Ah era sim, e antes de entrar na escola Daniel era o único amigo de Johnny.

“Johnny ficou muito triste quando viu que seu amigo estava se sentindo deixado de lado, e prometeu que nunca o abandonaria, e assim fez, Daniel também entrou na escola, fez amigos novos, mas um nunca largava do outro.”

– Eles se gostavam? – Changkyun interrompeu mais uma vez a leitura

– Aish, não estrague a surpresa, me deixe ler. – olhou fazendo uma careta para Changkyun que sorriu e se desculpou.

“Quando ambos começaram a passar pela puberdade, a relação dos dois começou a mudar, eles ficavam cada vez mais próximos, e às vezes tinham reações diferentes que ainda não entendiam o que era, algo em seus corpos mudava e eles saíam um de perto do outro por vergonha, nunca chegaram a falar sobre isso.”

– Eles ficavam excitados?? – Perguntou com certo espanto fazendo Jooheon rir.

– Estavam passando pela puberdade, e um ficava vendo o outro andando pela casa só de cueca, e às vezes eles até dormiam juntos, o que você esperava? – Ainda ria enquanto o outro ficava tentado imaginar com uma expressão assustada.

“Quando Daniel fez 16 anos, ele começou a andar com algumas meninas, fazendo com que Johnny sentisse muito ciúmes e começasse a andar com outras pessoas, se afastando amigo.”

“Johnny sabia que não deveria se sentir assim, mas não conseguia evitar, sentia-se traído, provavelmente o menor arranjaria uma namorada e se esqueceria dele, e o pior é que Johnny descobriu certos interesses pelo menor, não devia, mas já tinha consciência suficiente para saber que seu coração batia mais rápido por causa de Daniel.”

– Aposto que o Daniel começou a namorar e depois percebeu que gostava do outro. Essas estórias de romance são meio clichês, mas continue, gosto de clichês – Changkyun saiu do seu lugar se espreguiçando e sentou-se de frente para o lago na grama, Jooheon se levantou e sentou-se ao lado do menor.

“Certo dia os dois estavam no quarto do menor e Daniel começou com uma conversa estranha, sobre namoros e nunca ter beijado ninguém, mas então o mais velho percebeu. O amigo estava gostando de uma garota e tinha medo de pedi-la em namoro, pois nem mesmo sabia como beijar, foi então que tudo começou. Ele pediu para que Johnny o beijasse.”

– Mas por quê? Se ele gostava do Daniel ele não devia ter beijado para que ele ficasse com a menina, ele devia ter se confessado! Se ele beijar ele vai só sofrer!

– Mas como ele se confessaria, sem saber da sexualidade do amigo, e sabendo que ele gostava de uma menina? Era difícil, e Daniel também não sabia que Johnny gostava de garotos.

– Eles se beijaram? – Perguntou ansioso olhando para Jooheon que tinha abaixado o livro e encarava o horizonte.

– Sim... Johnny sentiu-se como se estivesse no paraíso, mas ao mesmo tempo seu peito doía, ele estava tão arrasado que depois do beijo ele disse que precisava voltar para casa. Bom, vamos ler...

“Quando separaram o beijo Daniel abaixou a cabeça, envergonhado e agradeceu, depois de um tempo em silêncio o mais novo perguntou se o amigo achava que ele conseguiria ficar com a garota. Johnny riu fraco, limpou o canto da boca e concordou apenas com um manear da cabeça, na mesma hora ele levantou e disse que precisava ir para casa.”

“Depois de alguns dias Daniel apareceu namorando a tal menina, o que realmente foi o fim para Johnny, ele se distanciou do amigo e até mesmo tiveram uma briga feia, ficaram dois meses sem se falar, até que o mais velho percebeu que o que importava era a felicidade de Daniel, e estar ao seu lado. E mesmo sentindo-se envergonhado foi atrás do amigo e pediu para que eles conversassem, antes que o mais novo dissesse algo. Johnny perguntou ‘Daniel, para você, o que é o amor?’ ele esperou que o amigo respondesse algo tipo ‘É o que eu sinto por Minhee’, mas sua resposta foi”

“ ‘O amor para mim, é quando sua maior vontade é ver quem você gosta bem, é quando você faz qualquer coisa por que ela gosta, mesmo que você não goste disso. É quando você fala o nome de alguém e sai de uma maneira diferente, que só você percebe, por que ama e se sente amado entre outros significados muito filósofos... mas por que?’ ”

– Ah, que coisa mais linda, eu penso da mesma forma que ele. – Sorriu e Jooheon suspirou continuando a leitura.

“Johnny sorriu quando o outro falou e disse ‘então eu acho que te amo’, Daniel o olhou assustado e o maior continuou, ‘olha eu sei que fui um idiota e me afastei de você por motivos idiotas, que no caso você nem deva entender, mas me perdoe, sua amizade é o que eu tenho de mais importante em minha vida. Não me peça para explicar... só me perdoe? Amigos ainda?’ Daniel não podia recusar, sentia falta de seu amigo mais do que qualquer outra coisa.”

“Depois disso a amizade deles voltou a ser como antes, com uma pequena diferença, Johnny tinha que aguentar ver seu amado com outra garota, mas ele continuou levando isso, afinal estar ao lado dele era o que mais importava.”

“A amizade continuou e o amor de Johnny aumentava cada vez mais, mas de repente tudo começou a desmoronar quando Daniel ganhou uma bolsa na maior faculdade dos Estados Unidos. Johnny entrou em desespero, eles haviam prometido que nunca se separariam, e em menos de um mês o garoto estaria indo para o outro lado do mundo.”

“O maior queria gritar com o amigo, falar que ele não podia ir, mas era sobre o futuro dele que estavam falando, aquela era uma oportunidade única além de que ele não tinha nenhum direito de impor se ele iria ou não. Johnny prometeu que não choraria na despedida e aproveitaria cada momento com o menor. E ele realmente faria isso, se a namorada não tivesse o roubado por todo o tempo, sempre que tentava sair com o amigo ele se desculpava e falava que já tinha programas com Minhee.”

– Por que ele faria isso? O que essa garota tinha de tão especial?

– Bem, ela era bonita e fazia aegyos fofos, acho que eles dormiram juntos também. E bem...Johnny era homem, e eu acho que não teria motivos para Daniel gostar dele.

– Como você sabe de tanto? – Changkyun o olhava desconfiado.

– Ah, eu já li tantas vezes esse livro, que eu acho que consigo imaginar tudo sabe? Como se eu mesma tivesse vivido. – Riu nervoso e olhou para o livro.

– Hm, acho que te entendo, de certa forma eu sinto como se conhecesse essa estória, ao mesmo tempo que não conheço, sinto uma coisa estranha. – Jooheon riu e perguntou se ele queria descansar.

– Ah não, por favor continue lendo. – Ele concordou e continuou.

“No dia da despedida, Johnny pensou bastante se deveria ir ou não, afinal, seu amigo já tinha a Minhee ao seu lado não precisaria de mais gente atrasando sua partida, mas quando chegou no aeroporto viu que estava errado, Daniel se jogou em seus braços chorando e dizendo que sentiria saudades, que eles deviam manter contato e que quatro anos passavam rápido.”

“Mas não passaram, todos os dias Johnny, desde a partida do outro, se sentiu magoado ele mandava mensagens para o amigo, mas por conta dos estudos ele mal respondia, além de que o horário era completamente diferente em Seul e Cambridge”

“Nos primeiros dois anos, Johnny praticamente não se permitiu fazer novo amigos, ou até mesmo namorar, ele não se sentia capaz disso, até que apareceu Gunhee, um novato que entrou em seu curso e começou a sofrer bullying, Johnny não suportava ver outra pessoa sofrendo assim, até porque já havia passado por isso, por esse motivo o ajudou e ambos viraram amigos, o que depois de alguns meses virou namoro.”

“Era o primeiro relacionamento do mais velho, e ele estava muito inseguro, ninguém ao seu redor, nem mesmo sua família sabia sobre a sexualidade deles, mas Gun sempre o apoiou e o incentivou a se abrir quando estivesse pronto para as críticas da sociedade, afinal, ele sabia que não seriam poucas.

– Woah, eu não acredito que o Johnny arranjou alguém mesmo gostando do Daniel!

– Ah, mas ele não podia ficar sozinho para sempre certo?

– Espera, os dois não vão ficar juntos? Que tipo de livro é esse? – Ficou irritado franzindo a testa para o menor que sorriu e colocou o dedo nas marcas entre sua sobrancelha.

– Calma Chang, ainda tem muita coisa para acontecer. Bem...

“Depois de um ano juntos, Johnny finalmente decidiu falar para a família, e diferente do que ele achava, eles reagiram muito bem, falaram que já haviam reparado que Johnny sempre agia diferente perto de Daniel por isso desconfiaram. Esse assunto rendeu bastantes interrogações sobre quem era Daniel e por que nunca tinha escutado sobre ele. Claro que Johnny não contou sobre o beijo, muito menos sobre até hoje ter sentimentos por ele, mas Gunhee desconfiava de que essa amizade seria estranha quando o outro voltasse de viagem.”

“Semanas depois Daniel ligou para o amigo, sua mãe havia lhe contado sobre o relacionamento dele e ele se sentiu indignado por não saber de nada, segundo o mais novo, aquilo não era uma coisa que ele devia esconder de si, principalmente pela amizade que os dois tinham, não importa a sexualidade dele, claro que eles continuariam sendo amigos. Para o mais novo era como se ele tivesse sido traído”

“Dois anos então se passaram, e Johnny ainda estava com Gunhee, mas seu coração não era totalmente dele, Daniel foi seu primeiro amor, e continuaria na sua vida para sempre não importando o que aconteceria. Como pensava todos os dias: Seu coração batia por ele.”

“E quando menos esperava, Johnny estava lá, mais uma vez no aeroporto esperando seu amigo, a diferença é que Minhee não estava esperando o garoto e o mais velho estava acompanhado de seu namorado, por isso quando Daniel chegou todo animado para matar saudades do amigo, ele se limitou apenas em dar um abraço e afastá-lo para apresentar formalmente os dois.”

– Aish, o que esse Gun foi fazer no aeroporto? Ele não tinha direito de atrapalhar o momento.

– Mas você tem que ver que os dois estavam namorando...

– Aish. – Jooheon riu e continuou.

“Daniel ficou chateado no começo, mas depois de um tempo essa chateação toda se transformou em ciúmes, ele não estava mais com Minhee, e agora que via a proximidade que o amigo tinha com o namorado, sentia raiva, dele e de si mesmo por querer ele mesmo ter essa proximidade, e sem que Johnny percebesse, Daniel começou a amá-lo também, em silêncio.”

– Ah, mas agora também ele tá querendo demais se quiser que o outro largue o Gunhee por ele, ele devia ter percebido isso antes.

– Ya, não seja assim, ele só não entendia que os sentimentos que ele tinha pelo outro era mais que amizade. – Jooheon falou meio irritado.

– Sr. Lim? Está na hora de seu medicamento.

Uma enfermeira apareceu atrás dos dois com uma bandeja com algumas frutas e alguns comprimidos em um copinho?

– Que medicamento? Eu não preciso disso. Continue a estória, por favor. – Se virou para o maior ignorando a mulher e Jooheon abaixou a cabeça triste.

– Tome seu remédio, é para seu bem, eu continuo lendo assim que você tomar.

– Mas para que é isso? Eu estou bem, não estou passando mal! Eu não quero tomar!

– Chang! – Quando Jooheon chamou seu nome, ele sentiu-se como se devesse fazer qualquer coisa por aquele homem estranho. – Apenas tome, você não está mal agora, mas se não tomar ficará.

O menor suspirou e concordou com a cabeça depois de ficar um tempo encarando o mais velho. Rapidamente tomou os comprimidos ainda ouviu a enfermeira dizer que Jooheon não demorasse muito. Olhou para o outro mais uma vez, como se algo prendesse seu olhar nele e soube que podia confiar, alguma coisa em seu olhar dizia isso.

– Bom, vou ter que resumir um pouco a história, mas não vou pular nada importante. Coma um pouco enquanto eu falo.

– Você decorou tudo mesmo? – Jooheon riu e balançou a cabeça.

– Então vamos lá. Depois que Daniel descobriu que ele realmente amava Johnny, ele se desesperou e começou a agir muito estranho perto dele. Quando Gunhee estava com o namorado, Daniel dava um jeito de aparecer e tentar roubar a atenção do mais velho, e ele realmente conseguia, porque o mais velho nunca deixou de amá-lo na verdade. Qualquer “A” que o menor falasse ele estava escutando atentamente...

– E o Gunhee?                                         

– Bem, claro que ele percebia, não era bobo. Desde que Daniel voltou da viagem, seu namorado não era mais o mesmo e ele sabia que estava apenas atrapalhando os amigos a serem realmente felizes.

Até que um dia ele chegou para Johnny e falou que ele não precisava mais fingir, ele podia sentir que o namorado ainda gostava do amigo, não duvidava que também era amado, mas o amor pelo outro era maior, e ele até estava bem com isso, apenas queria que fossem felizes, o que não aconteceria se continuassem juntos.

– Ahh, agora sim eu gostei desse cara – Bocejou colocando a mão na frente da boca, sentindo o remédio fazer efeito.

 – Vamos andando para o quarto? Eu continuo no caminho.

– Ah, mas aqui está tão bonito, eu gosto do jeito que seu cabelo fica bagunçado com o vento. – Disse sem pensar e quanto percebeu abaixou a cabeça, envergonhado.

Jooheon limpou a garganta e prendeu a respiração para se impedir de chorar, não faria aquilo, pelo menos não na frente dele.

– Mas você precisa descansar, o dia foi longo, eu não vou embora, não se preocupe. – Changkyun sorriu e concordou, quando começaram a caminhar o menor se aproximou e passou seu braço pelo braço do outro. – Posso?

– Claro. – Jooheon falou sorrindo fazendo as covinhas aparecerem.

– Então, depois que o casal teve essa conversa, Johnny agradeceu e falou que Gunhee realmente tinha sido importante em sua vida e que nunca o esqueceria, mas que Daniel sempre estaria em seu coração, mesmo que eles não continuassem juntos. E dando um último beijo na boca de Johnny, Gunhee desejou que ele fosse muito feliz e tivesse o amor que merecia.

Então Johnny correu, foi até a casa de seu amigo e por mais estranho que pareça ele não precisou dizer nada, era como se eles pudessem sentir. Daniel abriu a porta de sua casa, seus braços e seu coração para o amigo. Ainda sem dizer uma palavra eles se beijaram.

– Wahhhh isso foi tão lindo. – Changkyun disse abrindo a porta do quarto e sentando na cama. Jooheon sentou-se na sua frente e pegou suas mãos.

– Bom, depois disso, eles começaram a namorar, e você deve imaginar o resto, eles estavam realmente felizes juntos.

O mais novo entrelaçou os dedos com os do outro, sem se sentir envergonhado por isso, estava apenas desfrutando das sensações.

– Depois de alguns anos juntos, foi Daniel quem deu o primeiro passo e pediu Johnny em casamento. E claro, ele aceitou, como se precisasse disso para sobreviver.

Changkyun sorriu e notou uma aliança no dedo de Jooheon, no mesmo instante ele passou o dedão por cima dela e começou a respirar mais rápido. O mais velho ficou preocupado, achando que ele estava passando mal e estava pronto para chamar a enfermeira.

Até que Changkyun levantou sua cabeça mostrando o rosto todo manchado pelas lágrimas que ainda escorriam.

– E-eu.. Joo.. Eu me lembro... Meu deus Joo!! É claro que eu me lembro – Seu choro se intensificou e ele ficou olhando para o rosto do marido como se tivesse ficado décadas sem vê-lo e finalmente abraçou Jooheon, que também começou a chorar e ali eles ficaram sabe-se lá por quanto tempo. Quando finalmente se afastaram o menor se pronunciou.

– Me desculpe, por favor eu te amo tanto, eu não.. me desculpe honey!.. por que eu não lembrava?? – Seus soluços faziam com que as palavras saíssem cortadas.

– Shhh.. Está tudo bem, não chore, por favor! Limpou as lágrimas do outro enquanto limpava suas próprias. Eu também te amo meu pequeno, meu Daniel.

Então se beijaram. Um beijo que matava a saudade de anos esquecidos por conta do Alzheimer que Changkyun herdou quando estava bem novo. Que fez com que dois amantes tivessem sua vida separada.

No início Jooheon tentou lutar com todas suas forças para que Changkyun não se esquecesse de si, mas foi em vão, com o passar do tempo o menor não sabia nem mesmo quem ele era. Toda vez ficava assustado e não sabia o que fazer, por ver um homem desconhecido ao seu lado tentando o segurar e acalmar falando que estava tudo bem. Ele sentia-se ameaçado.

Desde que Jooheon foi atrás de ajuda ele começou a escrever um diário sobre a vida dos dois, no início ele contava com seus nomes reais, mas Changkyun estranhava e falava que não queria conversar com um louco. Por isso ele decidiu colocar outros nomes. E todo final de semana ele ia atrás do menor para ler o tal “livro”, e hoje pela primeira vez, Changkyun havia se lembrado. Não sabia se essa seria a única vez que aconteceria isso, mas já bastava.

Jooheon não precisava de mais nada em sua vida, apenas o amor do menor, e isso daria forças para que ele continuasse vivendo.

Quando o beijo acabou eles ficaram muito tempo apenas se olhando sem dizer nenhuma palavra. Como se quisessem ver a alma do outro através de seus olhos.

– Joo, eu quero me lembrar, por favor, me faça lembrar sempre, eu não quero me esquecer de você... de nós.

– Não se preocupe meu pequeno, eu voltarei aqui, todos os dias, e todos os dias eu contarei nossa história para que você sempre se lembre.

– Mas eu não quero esquecer Joo, eu não quero ficar sozinho! – os dois ainda choravam como nunca choraram antes.

– Você nunca estará sozinho, eu vou estar com você para sempre, e todos os dias você estará em meu coração, porque ele bate apenas por você.

Eles soluçavam, choravam felizes pelo reencontro, não desgrudavam por nenhum segundo, até que Jooheon sentiu o corpo de Changkyun ficando mole.

– Ei Chang, você precisa descansar, deite aqui.

– Não!! Se eu dormir eu vou me esquecer! Eu não posso! – se agarrou nos braços do maior.

– Você precisa. Daqui a pouco o remédio faz efeito, e você cai dormindo aqui na minha frente. Por favor, deite – Jooheon pedia, mas sua verdadeira vontade era de que o menor continuasse ali com ele, para sempre se lembrando de tudo.

– Então deite comigo, durma aqui comigo, eu preciso de você!

– Eu também preciso de você meu anjo.

Eles deitaram um agarrado ao outro, da forma que era possível, e Jooheon escutou Changkyun pegar no sono, e aos poucos se esquecer de tudo. Ele tentava dormir, mas não conseguia, suas lágrimas molhavam o travesseiro e o cabelo de Changkyun que estava colado a seu rosto.

Não sabe quantas horas passou assim, ele queria continuar, mas se o menor acordasse seria um problema, e assim que começou a se levantar o menor acordou com o movimento e o pesadelo começou.

Changkyun gritava socorro, pedia ajuda a qualquer pessoa que estivesse por perto, pois tinha um estranho em seu quarto, e como ele estava em sua cama para Changkyun ele estava tentando abusar dele.

Jooheon olhou em desespero para Changkyun e estava virando para sair do quarto quando os enfermeiros entraram correndo. Minjun veio logo atrás e puxou Jooheon para fora.

– Eu sinto muito Sr. Lee, nós ficamos sabendo que mais cedo ele se recordo de algumas coisas.

O mais velho encostou-se na parede ainda escutando os gritos de seu amado no quarto e escorreu para o chão, assim como suas lágrimas que saíam em um choro compulsivo, seu corpo inteiro tremia e seu coração se apertava. Ele escutava a enfermeira dizendo algo, mas não conseguia distinguir nenhuma palavra, e tudo que estava em sua cabeça ele falou.

– Ele se lembra... ele ainda se lembra..

Minjun sentou-se ao lado do homem deixando também com que algumas lágrimas escapassem e falou.

– Claro que se lembra! Eu nunca imaginei que a história que você sempre lia fosse de vocês dois.

– É nossa história Min.. é nossa... ele ainda me ama. – As lágrimas não paravam, assim como a certeza de que seu amor pelo menor nunca pararia.

– Não importa que eu tenha que vir aqui pelo resto de minha vida, ele ainda se lembra e isso é o que importa.

Sorriu e jurou para si mesmo, que não importaria as dificuldades, para sempre seu coração pertenceria ao menor. Levantou secando as lágrimas e ditou: “Amanhã estarei aqui”

Minjun viu o outro sair sorrindo enquanto os gritos no quarto cessavam e pensou que realmente o amor ultrapassava qualquer barreira, e que aqueles dois realmente tinham sido felizes um dia.


Notas Finais


Alguém chegou aqui?? O que vocês acharam? Muito ruim? Mais ou menos kkkkk.
Espero que tenham gostado ^^.
Kissus pra vcs :*


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