História Ice Heart - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~Metamorfose_

Postado
Categorias EXO, SHINee
Personagens Baekhyun, Chen, Kai, KiBum "Key" Kim, Lay, Personagens Originais, Taemin Lee
Tags Biografia, Drama, Exo, Iniciativanarnianos, Jongin Patinador De Gelo, Kaibaek, Metamorfose, Perfeccionismo, Projetometamorfose, Songfic, Yaoi
Visualizações 80
Palavras 9.575
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, Musical (Songfic), Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Isso que dá assistir Yuri on Ice, que a inspiração veio com tudo, por isso os 9k rsrs

Postando atrasada por N fatores, mas cá estou eu postando essa delicia de fanfic <3
Deixei alguns links que me inspiraram nas notas finais. Escrevi essa fanfic ouvindo Baby dont cry do EXO e, mesmo que esta que caiu perfeitamente com o enrendo da fic.

Capa por: @AloneBarbosa
Betada por: @_laressa

Meninas obrigada por tudo <33 Lare você é uma guerreira por ter betado esses 9k, cê arrasou na betagem xuxu *3*


Esperem que gostem <33

Capítulo 1 - Capítulo Único


 

 

— Eu disse que iria ganhar o mundial, por que você não me esperou? — Funguei. — Eu te disse que voltaria com a medalha em meu pescoço! — E as lágrimas não paravam de cair. Por quê? Por que fizeste isso comigo...

 

 

(...)

 

 

Quando eu era pequeno, sempre ia com as minhas irmãs mais velhas nas pistas de gelo em Londres. Eu não tinha equilíbrio para ficar de pé naquele gelo escorregadio por isso caia, muitas vezes ficando emburrado por não saber patinar. Não, eu não morava na Inglaterra, minhas irmãs estavam estudando o ensino médio por lá, então nas minhas férias sempre que eu podia ia visitá-las.

O ruim de ir para Inglaterra é que eu odiava tempo chuvoso e em Londres chovia toda hora, por incrível que pareça. Não podíamos sair de casa sem guarda-chuva senão nos molhávamos, fora isso, a Inglaterra era maravilhosa. Lembro exatamente da última vez que fui era a formatura das minhas irmãs e na época eu tinha doze anos. A festa foi linda e teve várias atrações, contudo uma chamou a minha atenção: O ballet; encantou-me estupendamente nos movimentos delicados e cheios de sentimentos.

 

Para ter a minha primeira aula de ballet foi um sufoco, meu pai e seu conceito ignorante — para não dizer preconceituoso —, não queria me deixar ir, portanto foi uma confusão tremenda naquela tarde de primavera em Daegu. Ouvir a palavra bichinha saindo de sua boca foi um choque, ele cuspia aquelas palavras com escárnio sem se importar com os meus sentimentos.

Sabe aquele arrependimento que bate depois de dizermos coisas horrendas para aqueles que amamos muito no momento da raiva? Então... meu pai naquela noite me pediu desculpas enquanto chorava e fazia carinho na minha cabeça, e eu fingia que estava dormindo só para ouvir as coisas que ele tinha que falar, porque se eu tivesse acordado, nunca ouviria aquelas palavras de conforto.

Meu pai tornou-se um homem amargo depois que a minha mãe o traiu, sendo assim, eu fui fruto de uma traição.

Eu sentia que meu pai queria me odiar, porém não conseguia. Ele se apegou tanto a mim e quando soube que eu não era filho dele, apenas não acreditou ou fingia não acreditar, mas no fundo ele sabia da verdade.

Cresci sem minha mãe por perto, pois ela morava em Londres junto de minhas irmãs.

Naquela primavera — ainda com doze anos — eu pedi para ser bailarino. Primeiramente houve um silêncio, logo após uma risada e então ouvi palavras que nunca vou esquecer, por que ser xingado pelas pessoas que mais prezamos dói tanto e podem passar anos, podem ter mil perdões, mas continua sendo uma coisa que sempre vai estar aqui no meu peito, como uma ferida de anos e que depois de curada, vira um queloide, uma marca para toda vida.

E uma das coisas que disse ao meu pai aos prantos foi que eu preferia a minha mãe. Que ela havia o abandonado, por ser um homem egoísta, machista e preconceituoso, por isso ninguém o queria por perto. Acho que minhas palavras foram rudes, porém, foram necessárias. Ainda havíamos nós naquela casa e se eu fosse embora, seria apenas ele, solitário nela.

A matricula demorou uma semana para ser realizada, por que meu pai queria fazer uma surpresa para mim.

— Nini, venha cá com o papai. — Pediu.

— Sim?

— Pega. — Entregou-me um carnê, junto com uma lista de coisas que precisavam ser compradas. — Vamos sair.

Olhei aquele carnê e a lista em minhas mãos com uma sobrancelha erguida, sem entender nada. Então ele pediu para que eu lesse a lista.

— Inscrição aceita na Companhia de Ballet de Daegu (CBC). — O olhei de olhos arregalados. — Mas pai... O senhor não quer que eu faça essas coisas.

— Papai se enganou. — Sorriu. — Agora vamos, temos que comprar tudo na lista, tuas aulas começam na próxima segunda.

 

 

(...)

 

As aulas de ballet eram a noite, pois era o único horário em que meu pai podia me levar. Minha professora, uma ex-bailarina muito competente no passado, tornou-se uma senhora perfeccionista. Sua história foi contada no meu primeiro dia de aula e intrigou-me com veemência, sendo um modelo a ser seguido.

— Jongin, faça mais uma vez, seu Plié está péssimo!

 

Segurei a barra, concertei a minha postura para em seguida para fazer os Pliés.

 

— Muito bem Jongin! Agora faça Rond de jambé.

As minhas aulas eram maçantes, não podia negar isso. Passei quase sete meses no ballet, minha professora pegava muito no meu pé e cheguei até mesmo a pensar que ela não gostava de mim, por que eu nunca era escalado para participar de eventos e tampouco de apresentação da Companhia.

Era frustrante, mas continuei treinando sem parar, se eu errava um simples Jaté, fazia dez Jatés para compensar o meu erro. Porém aquilo tudo estava me cansando, então eu saí do ballet.

 

(...)

 

Aos quatorze anos de idade eu já estava vindo da escola sozinho, como eu era um “homenzinho”, meu pai não precisava mais me buscar.

Eu andava sem ânimo enquanto chutava umas pedrinhas pelo caminho, quando vi um panfleto no chão. Peguei e li vendo que era sobre uma pista de gelo que teria no shopping de Daegu. Achei fascinante e mesmo não sabendo patinar, eu queria ir com meu pai.

 

 

— Vem Jongin. —Gritava no meio da pista de gelo. — Olha como eu arraso!

Meu pai deu um giro e caiu de bunda, me fazendo rir junto com as outras famílias que estavam presentes.

 

— Droga, eu não consigo andar sem cair. — Resmunguei ao me levantar depois de cair umas três vezes.

— Vem, segura a minha mão que eu vou te guiar.

 

Olhei e era um garotinho quase do meu tamanho, um pouco mais baixo.

 

— Não, obrigado.

— Tudo bem então. — Sorriu. O garoto saiu de perto de mim patinando.

Era incrível! Todos ali pararam para observá-lo, pois ele patinava como um profissional. Abriu os braços e deu três giros no chão, e eu podia ouvir as pessoas ao meu redor dizendo “uau”.

Eu fiquei embasbacado com aquilo e meu pai do outro lado da pista estava de boca aberta. Virei de costa e tentei andar sozinho novamente, mas era difícil de se equilibrar.

 

— Deixa eu te guiar? — E mais uma vez aquele garoto veio se oferecer para me ajudar.

— Não, eu aprendo sozinho. — Proferi emburrado.

— Como tu é teimoso. — Sorriu. — Vem logo.

Olhei a mão dele estendida em minha direção e virei a cara.

— Vai Jongin, não perde essa oportunidade de aprender com um mini profissional. — Ouvi meu pai dizer ao chegar perto de nós, com uma certa dificuldade.

— Não querendo me gabar, mas eu patino muito bem. Jongin, não é? — Balancei a minha cabeça confirmando. — Vou te ajudar... e à proposito, me chamo Byun Baekhyun.

E em seguida me puxou para pista.

 

(...)

 

Baekhyun era mais velho que eu — um ano de diferença apenas.

Caí algumas vezes, fazendo o mesmo cair comigo e ele sempre sorria depois das quedas, enquanto eu ficava com raiva. Mas com ajuda dele, aprendi a me equilibrar naquela noite.

Baekhyun era muito paciente comigo — mesmo resmungando — ele continuava ao meu lado.

Era incrível como eu não lembrava de Baekhyun já que ele estudava na mesma escola que eu e descobri isso durante o nosso lanche. Enquanto meu pai conversava com o pai dele, eu e o Baek conversamos de tudo um pouco e à partir daquele dia nos tornamos melhores amigos.

 

 

Aos quinze anos, eu, Baekhyun e Jongdae andávamos juntos, pois estávamos indo para casa do Yixing. No meio do caminho, vimos em um outdoor que haveria uma competição de patinação de gelo, com entrada gratuita. Olhei para Baekhyun e ele me olhou de volta, e então já sabíamos o que iriamos fazer no próximo final de semana.

 

 

Eu não sei, mas sou daquele tipo de pessoa que fica nervosa por tudo. Não era eu competindo ali, mas mesmo assim me sentia nervoso apenas “sendo o público”.

Esplêndido! Foi o que eu vi quando o primeiro patinador deu o seu primeiro giro triplo no ar e mesmo que em seguida ele tivesse caído, nada me fazia tirar os olhos dele. Saltos, giros, coreografia de acordo com o tema e principalmente movimentos exercidos com exatidão. Aquilo tudo me deixou maravilhado.

Quem me via, podia jurar que meus olhos estavam com estrelas, pois foi amor à primeira vista.

 

 

(...)

 

— Pai, quero ser um patinador de gelo. — Falei depois da janta. Meu velho sorriu.

— Nini, você mal consegue ficar em pé no gelo, imagina patinar. — Riu com ironia.

— Mas eu vou conseguir pai, quero ser um profissional que nem o Evgeni Plushenko! — Exclamei.

— O patinador russo?! Esse que é o melhor do mundo na atualidade?

— Esse mesmo.

Meu pai parecia pensar um pouco e me propôs algo.

— Se você conseguir pelo menos patinar correndo no gelo, nós vamos para Seul e eu te matriculo em alguma aula.

— Isso é uma aposta?

— Se você achar que é.

— Eu vou mostrar para você o quanto sou capaz!

 

Saí da sala de jantar para fazer uma ligação.

 

— Alô, Baekhyun? Eu preciso de sua ajuda...

 

 

Não foi fácil cair diversas vezes, mas Baekhyun tinha muita paciência. Eu tinha que mostrar para o meu pai que eu conseguia, isso era uma questão de orgulho.

Quando finalmente consegui correr e até fazer uns giros com os pés no chão, olhei de longe e Baekhyun parecia cansado. Parei de treinar pois a pista artificial de gelo do Shopping ia fechar por estar tarde da noite.

 

— Então vocês vão embora mesmo? — Baekhyun perguntou antes de tirar seus patins.

— Graças a você, nós vamos. — Sorri brincalhão e tirei meus patins.

— Você realmente vai me deixar, Jongin?

— Nós podemos nos ver nas férias!

— Não é a mesma coisa. — Baekhyun ficou irritado, guardou os seus patins e foi embora me deixando sozinho.

 

Eu fiquei para trás e confuso.

 

(...)

 

Baekhyun estava estranho. Ele sabia que a patinação acabou sendo meu sonho e mesmo que eu me mudasse para Seul, podíamos nos ver nas férias ou até mesmo nos feriados, e além do mais, podíamos ligar um para o outro todos os dias.

Jongdae meteu na cabeça que Baekhyun estava apaixonado por mim e é claro que eu não concordei, por que isso estava longe de ser verdade e no meu ver, Baekhyun se apegou a mim muito rápido por sempre fazermos as coisas juntos depois das aulas ou nos finais de semana. A única coisa que vinha a minha mente era que o Baek tinha medo de me perder e isso de certa forma também me assustava porque eu não queria perder o meu melhor amigo.

 

 

A mudança estava quase toda pronta, eu estava encaixotando algumas louças que ainda estavam faltando quando a campainha de casa tocou. Quando abri a porta, vi que era Baekhyun e sua feição era um misto de raiva e tristeza.

Ele tinha ficado na platéia quando fiz a corrida de patinação para mostrar ao meu pai o que eu era capaz, porém o baixinho me ignorou quando fui até ele para abraçá-lo e agradecê-lo por ter me ensinado, entretanto recebi de si um resmungo baixo, um empurrão e logo em seguida ele saiu do recinto praticamente correndo.

E isso me deixava agoniado.

 

Quando recebi Baekhyun na minha casa, ele me abraçou bem forte, enquanto ainda estávamos na porta de casa. Lembro que o puxei para dentro, tentei confortá-lo dizendo que ia ficar por muito tempo em Seul, mas haveria muitas oportunidades para nos vermos novamente.

Baekhyun me abraçava forte quando eu ouvi seus soluços. E naquele momento o meu coração falhou algumas batidas.

Baek, não faz isso comigo. Falei ainda sentindo o seu calor.

Você que está fazendo isso comigo Jongin. Seu rosto estava enterrado no meu peito, enquanto suas mãos apertavam a minha camisa.

Mas eu vou voltar, eu prometo!

Promete mesmo? Olhou para mim com os olhos transbordando tristeza.

Prometo. E ainda vou te dar a minha medalha de ouro olímpico quando eu ganhar.

Baekhyun pareceu ficar feliz quando falei aquilo.

— Promessa é dívida hein!

 

Concordei e coloquei em mente que aquela medalha já tinha dono, então eu faria a promessa acontecer.

Baekhyun me ajudou a terminar de encaixotar as últimas louças.

Olhei em minha volta pude ver o passado cheio de lembranças que eu iria deixar para trás e isso me dava certa tristeza, porém mudar os ares me faria bem, e principalmente ao meu pai.

Antes de Baekhyun ir embora, ele disse algo que me deixou com os sentimentos embaralhados em meu âmago.

Não esqueça de me ligar todos os dias Jongin, por que eu não vou suportar passar dias sem falar com você. Sussurrou no meu ouvido. Hoje irei deixar o meu primeiro amor ir embora, então por favor, faça o que tenha que fazer, mas de jeito nenhum vá esquecer de mim. Selou os meus lábios e saiu do meu quarto.

Eu tinha ficado paralisado com aquela confissão.

Depois daquele selar, Baekhyun despertou em mim sentimentos que eu jamais imaginaria ter sentindo antes, não por ele.  E naquele momento foi a felicidade misturada com euforia.

 

Aquele selar fora o nosso primeiro, foi a declaração mais bonita que eu já recebi e a coisa mais bonita que eu amo recordar. 

 

Naquela noite eu dormi cedo, pois no dia seguinte eu estaria botando os pés na estrada, me mudando para outra cidade. Contudo, eu adormeci pensando naquele pequeno ousado

 

 

(...)

 

Seul era um espetáculo de cidade! Eu amei de cara tudo por lá. As oportunidades por ali eram mais fácies.

Eu e meu pai fomos morar num bairro bem tranquilo. A casa era pequena, porém bem ajustada. Gostei do meu quarto e principalmente do espaço no quintal, talvez ali eu pudesse criar cachorros.

A minha nova escola era imensa e bem diferente da antiga. E o novo trabalho do meu pai era bem pertinho de casa.

 

Entrar para equipe amadora de patinação no gelo foi um pouco difícil, pois era por seleção.

Se eu fiquei nervoso? Claro que fiquei! Fiz tanta promessa caso eu conseguisse entrar, e com certeza iria cumprir todas.

 

Para entrar na equipe era dividido por duas etapas: Na primeira, eu tinha que fazer movimentos do ballet, mas como tinha anos que não praticava, fiquei nervoso por não lembrar direito os passos, porém como víamos todos se apresentarem — porque estávamos numa imensa sala — eu pude relembrar apenas os observando.

Os jurados não tinham expressão nenhuma, apenas nos observavam com seus olhos de águia, deixando de nos olhar por breves segundos para anotar algo no papel.

 

— Pronto Jongin? — Um dos jurados perguntou.

Concordei e fiz os movimentos básicos, colocando alguns graus de dificuldade.

— Ok Kim Jongin, pode retornar ao seu lugar. — Uma senhora de meia idade proferiu assim que terminei de me apresentar.

 

Depois que todos os candidatos se apresentaram, os jurados saíram da sala para fazer a contagem de notas. Nesse meio tempo meu coração queria sair pela boca.

 

— De todos os cinquenta e seis, apenas vinte cinco passaram para a segunda etapa.

 

Eu era uma pessoa muito pessimista, então quando o jurado mais novo dentre os outros disse que menos da metade tinha passado, a minha mente estava dizendo que eu estava incluído naqueles que não haviam conseguido.

Enquanto estavam falando os nomes dos aprovados na primeira fase, meu coração batia rápido, eu estava sentado, segurava minhas canelas com a minha cabeça apoiada nos joelhos e na minha mente, eu rezava, porque nós não havíamos nos mudado à toa, então eu tinha que passar, se não ficaria muito decepcionado, principalmente por ser eliminado do ballet.

 

— Lee Taemin, Ku Neon, Kim Jongin… — Abri os meus olhos, totalmente surpresos.  

Eu tinha passado?

Algumas pessoas ao meu redor estavam parabenizando-me e então a minha ficha caiu. Foi um alivio tão grande, por que dessa vez o ballet não me derrubou.

— Amanhã, às sete e meia, daremos a continuidade. Peço que cheguem com antecedência, pois do atraso também serão descontados pontos. Boa sorte a todos.

 

Não perdi tempo, fui praticamente correndo para casa para contar que tinha passado na primeira fase para os meus amigos, minha mãe e minhas irmãs, para o meu pai e por último contaria para Baekhyun.

Desde quando Baekhyun contara que gostava de mim, eu não tive a coragem de falar com ele, pois só de pensar nessa possibilidade eu ficava nervoso. Já fazia um mês que eu tinha me mudado e nesse tempo não falei nenhuma vez sequer com o pequeno.

Minhas mãos suavam e toda vez que eu discava o número do Byun, meu coração acelerava. Quando Baekhyun atendeu parecia eufórico, além de ter me chamado de irresponsável por eu tê-lo “esquecido”. Era incrível a forma que conversávamos, era uma mistura de saudade com irritação e ao mesmo tempo carinho.

Eu nunca pensei no Baekhyun de outras formas. Ele era muito carinhoso comigo sempre, as vezes me chamava de Nini na escola e bem, eu queria espancá-lo por isso. Nini é um apelido que meu pai me deu quando eu era criança e isso era meio vergonhoso para mim. Baekhyun apesar de ser carinhoso, muitas vezes era teimoso e também muito travesso. Quando queria implicar com alguém, ele extrapolava o limite da paciência de todos.

Nunca pensei que o pequeno estivesse nutrindo sentimentos fortes por mim, pois bem... era Baekhyun, um cara que se dava bem com todos, com suas notas médias na escola, mas que eram o suficiente para que passasse de ano.

Baekhyun era o positivismo em pessoa e eu o negativismo. Totalmente opostos.

Eu tive sim minhas paixões e até cheguei a ficar com alguns garotos, na época do ballet quando dei o meu primeiro beijo, mas nunca pensei em namorar sério. Ah, como eu tinha vontade de ficar com Baekhyun, porém não queria estragar a nossa amizade, eu não podia fazer isso com ele, por que de jeito nenhum iria querer brincar com os seus sentimentos. Além de tudo, Baekhyun era o meu melhor amigo e eu seria eternamente grato a ele por ter dado o primeiro passo na nossa amizade. Quem diria que naquela pista de gelo nasceria uma amizade tão linda como a nossa.

Por mais que eu quisesse evitar certos pensamentos, eu não podia negá-los. Baekhyun sofria, mesmo não demonstrando, ele sofria por eu vê-lo apenas como amigo. Ele sentia ciúmes calado, por que de muitas vezes eu abraçava os meus amigos, brincava de querer beijá-los, mas se eu soubesse do sentimento dele por mim antes, não faria nenhuma dessas brincadeiras.

 

Sofrer por amor é uma das coisas que não queremos para ninguém.

 

Passei a tarde toda falando com Baekhyun. A sua voz me acalmava por inteiro, no geral, o Byun é confortador, pois ao abraçá-lo não queremos mais sair dos seus braços quentinhos.

Só de pensar que no dia seguinte teria outra prova deixava-me nervoso, eu não sabia qual era..., mas quando descobri que a primeira seria ballet, me deu certo pânico. Para confortar-me Baekhyun cantou, era sempre assim, ele cantava para dar-me ânimo.

 

No dia seguinte, às seis e meia da manhã eu já estava em frente ao local combinado para a avaliação da segunda etapa.  

Quando cheguei em frente ao local, já haviam cinco candidatos esperando. Um carinha veio avisar-me que na segunda prova seria a patinação, o que me deixou preocupado. Eu já imaginava que seria no gelo, mas não fazia ideia de como seria aplicada.

E o pior: A apresentação seria conforme a ordem de chegada. Eu seria o sexto. Lee Taemin estava em pânico, pois ele seria o primeiro.

 

Os minutos iam passando e mais candidatos chegavam. Todos estavam nervosos antes que abrissem os portões. Taemin me chamou e pediu que o ajudasse a se alongar, assim ele faria o mesmo comigo. Me senti aliviado pois eu continuava alongando mesmo depois de três anos longe do ballet.

A arena era grande por dentro, — apesar de parecer uma quadra por fora —havia uma pista enorme de gelo com uma pequena arquibancada. O ambiente era bem frio, devido a refrigeração para que mantivesse o gelo intacto.

Nos mandaram sentar na arquibancada quando os avaliadores vieram até nós.

 

— Aqui consta que temos vinte candidatos que estão presentes, portanto os outros cinco que estão atrasados irão perder pontos na média final. — Proferia a senhora ajustando seus óculos ao nos olhar. — Vocês trouxeram os patins de vocês?

Nesse momento, todos se olharam assustados porque ninguém havia trazido os patins.

— Eu estou brincando. — Sorriu diabolicamente. — Como vocês podem ver, quem passar irá praticar aqui todos os dias. Temos as melhores equipes de patinadores da Coreia do Sul, desde crianças à adultos. — Ela olhou nos meus olhos e eu congelei. — Você.

— Eu? — Falei apontado para mim.

— Você mesmo querido. — Fez uma cara séria. — O que significa patinar para você?

 

Eu nunca pensei que aquela pergunta tão simples me deixaria tão nervoso. A resposta não vinha e a minha mente ficou em branco naquele momento.

 

— Er... patinação para mim é.... — Eu me embolava nas palavras, até que encontrei uma resposta certa para tal pergunta. — Patinação é a forma de expressar os sentimentos quentes num ambiente frio. Como por exemplo, o mundo pode ser sombrio às vezes, um preto e branco absurdo, porém aquele que patina é um vermelho escarlate, dá vida, dá calor, transborda sentimento. Mesmo na imensidão daquele frio mórbido, o patinador é a vida daquele ambiente, mesmo que seja solitário. Ele se movimenta para acalmar seus ânimos, não importa no que for, ele estará sempre demonstrando sua leveza e devoção.

— Nossa... — Taemin proferiu ao meu lado.

A senhora riu, anotou algumas coisas na sua prancheta e continuou.

— Muito bem Jongin! Taemin, agora você responda a mesma pergunta que fiz ao seu colega.

 

A senhora continuou com suas perguntas repetindo a mesma à cada dois participantes e depois trocando. Após ter terminado, ela mandou que todos pegassem os patins que tinham nos armários da arena.

A jurada mandou todos os candidatos calçarem e irem para a pista de gelo, enquanto os outros jurados ficaram do lado de fora observando tudo.

— Agora vocês podem patinar como quiserem. — Assim que proferido, fizemos o que foi mandado.

Primeiro eu fiz uma pequena corrida olímpica, depois fiz algumas aberturas, porém não completas e em seguida dei giros com os pés juntos no gelo, do mesmo jeito que Baekhyun havia me ensinado. Devemos ter ficado naquela pista por uns dez minutos. Taemin sussurrava para que eu não ficasse parado, e sim patinando, talvez eles estivessem testando a nossa resistência. Confesso que eu estava quase morrendo ali.

 

— Atenção, todos. — Um dos jurados que estava na ponta da pista de gelo, mas do lado de fora, gritou tendo a nossa atenção. — Vocês já podem sair e deixar os patins onde estavam antes de pegá-los. Fiquem sentados na arquibancada, daqui a meia hora vamos dar o resultado final.

Eu estava cansado.

Alguns dos candidatos estavam bem confiantes de que iriam passar, porque a prova foi bem fácil, mas eu sempre fui de desconfiar das coisas; quando estava fácil demais, algo ruim poderia acontecer.

 

Bebi água e senti que minhas mãos estavam congelando mesmo que eu estivesse todo suado. Os trintas minutos passaram arrastadamente e me senti aliviado quando eles vieram com os resultados em mãos.

 

— Agradeço a todos por estarem aqui e percebi que todos se esforçaram bastante. — O jurado mais novo deu uma pequena pausa na fala. — Porém, iremos ficar apenas com cinco de vocês.

Ninguém esperava por isso. Foi um choque para todos.

— Continuando. Houveram duas desistências e três atrasos. Vocês foram avaliados desde ontem e a nota é acumulativa. Mas o que vocês não sabiam é que a avaliação começou desde a chegada do primeiro candidato. — À cada palavra, me sentia mais apreensivo. — As perguntas feitas pela senhora Eun, também foram parte da avaliação. — Suspirou. — E a principal avaliação de hoje era patinar. Patinar sem cair, com elementos que sabiam e por último patinar com emoção. Apenas cinco de vocês conseguiram isso. Eles são...

Eu não sabia se tinha passado, porque todos ali eram bons demais. Eu só tinha uma certeza: Eu não havia caído uma vez sequer. Mesmo se eu não tivesse passado, estaria feliz pelo meu grande feito.

— Kim Tony, Lee Taemin, Park San, Kim Jongin e Seun Jong.

Arregalei os olhos incrédulo.

— E-eu passei? —Perguntei não acreditando. Taemin virou para mim todo feliz.

— Nós passamos cara! — Disse me abraçando.

— Parabéns aos que passaram, e para os que não conseguiram, ano que vem abrirão novas vagas, então não percam a esperança de fazer parte da equipe. As notas de todos estão ali naquele mural, vocês podem ir ver suas pontuações.

Eu tinha ficado na quarta posição com dezessete pontos e meio, pois a máxima era vinte, entretanto ninguém conseguiu obtê-la.

 

No dia seguinte começamos para valer. Nos disseram as regras e deixaram claro que deveríamos cumpri-las. As aulas eram todas as tardes depois da escola e se estendiam até as onze da noite. Não ficaríamos ali apenas para saber patinar, mas sim para nos tornarmos campões juniores. Contudo, nem todos iriam participar dos campeonatos. Haveria uma batalha na equipe para conseguir uma vaga, podendo assim nos representar nas Estaduais.

Eu saí espalhando a novidade para todos os meus parentes e amigos. Baekhyun deu muitos gritos pelo telefone, dizendo que sabia que eu iria passar. Dizia ao meu Hyung que queria abraçá-lo naquele momento, pois foi por sua causa que eu havia conseguido tudo aquilo e se não fosse sua paciência comigo, eu não teria aprendido nem a me equilibrar nos patins.

Eu devia isso tudo ao pequeno, Byun Baekhyun.

 

 

As aulas começaram com o ballet. Na patinação artística, o patinador deverá saber todos os movimentos do ballet e terá de ser incluído movimentos da dança contemporânea, por hora, ficaríamos um mês reciclando o ballet, depois passaríamos para a patinação. Eu era um dos juniores que deveria perder alguns quilinhos antes de tudo, deveria trabalhar com os meus hábitos alimentares juntamente com as aulas.

Todos os dias repetíamos os mesmos passos de ballet. Um erro era fatal, pois refazíamos desde o começo todos os movimentos e só íamos para casa se acertássemos tudo.

Meus pés estavam cheios de calos devido às aulas pesadas, mas como os melhores bailarinos, aquilo fazia parte do nosso dia a dia. Era terrível de manhã ao calçar meus sapatos para ir à escola, meu hálux doía muito, então eu fazia compressa gelada ou quente, e também fazia massagens para aliviar a dor. 

Quando reclamávamos de dor ou algo do tipo, a professora perguntava se queríamos desistir, pois havia uma fila lá fora querendo o nosso lugar. Eles trabalhavam o nosso psicólogo, devíamos parecer robôs. E aquilo era penas o início de muitas coisas que viriam a seguir.

O treinamento era de segunda a segunda, por isso eu mal via meu pai em casa, mal conversava com meus amigos por telefone e não tinha tempo para nada. Além dos treinamentos maçantes, éramos submetidos a pressão, tínhamos que ser o melhor dos juniores amadores e assim poderíamos ganhar uma vaga no sub juniores da equipe Olímpica que representaria a Coreia.

Isso ativou o lado competidor de todos e com certeza iriam batalhar arduamente para conseguir a vaga tão almejada. Além disso, eu tinha de manter boas notas na escola, pois até isso influenciava no rendimento para continuar na competição. Era meu sonho, então eu iria batalhar muito para conseguir, nem que eu perdesse a minha adolescência toda ali naquela pista de gelo, por que eu faria acontecer e bem, isso também era uma promessa.

O mês do ballet passou e então entramos no mês da dança contemporânea.

A dança contemporânea era mais solta e ainda nos livramos das sapatilhas do ballet, o que era um máximo na minha opinião.

Todo dia trabalhávamos com as nossas expressões faciais e corporais. Aos domingos éramos submetidos à improvisação — ninguém escapava dela — pois era essencial para qualquer descuido durante apresentação. Nos domingos, o professor Kibum nos dava um tema, então devíamos incorporá-los nos movimentos para deixá-los mais sentimentais. Era uma arte corporal, então devíamos abraçá-la, como se a nossa vida dependesse dela. E dependia, no final das contas. 

Por incrível que pareça, eu consegui me destacar nas aulas de dança contemporânea.

O mês de dança contemporânea passou e logo veio o mais esperado. Meu pai gastou uma nota com os meus patins, com as proteções individuas e principalmente, com a roupa para os treinos.

Tudo que aprendemos nas aulas de dois meses, colocaríamos em prática no gelo.

Na patinação trabalhamos a nossa postura, o que foi meio difícil para mim, mas nada que um bom treino não me ajudasse. Tive que trabalhar mais os meus músculos — principalmente das pernas — para suportar meu peso na aterrissagem dos saltos. Entrei na academia e comecei a treinar meu equilíbrio com as bolas de pilates.

Eu andava estressado, pois não tinha tempo para dormir, nem retornar os telefonemas dos meus amigos de Daegu como eu fazia. Todos os dias eu conversava com minha mãe e minhas irmãs, porém depois que meus treinos passaram a ser na pista de gelo, meu tempo livre ficou escasso. Então passei a conversar com elas no domingo à noite.  

Diferente de um adolescente normal, eu nem aproveitava essa fase da vida. Eu não saia com os meus amigos da nova escola, que na verdade, nem amigos eu considerava, e sim colegas de classe. Nas aulas livres do colégio, eu praticava meus movimentos de ballet ou dança contemporânea em alguma sala vazia.  

 

Meu intuito era os sub juniores, então para isso, eu não poderia ficar parado. Esse era o meu novo eu: Um jovem perfeccionista e ganancioso.

 

Eu me sentia pressionado, não só pelos professores, mas também por mim mesmo, era muita coisa em jogo.

As proteções individuais não estavam ajudando tanto assim. Eu tinha vários calos e meus braços e pernas mal tinham descanso.

 

Piruetas, saltos Salschow, Toe Loop, Loop, Flip e Axel... foram exatamente quase sete meses para aprender tudo. Cai muito, houveram horas que não aguentava mais, adoeci, fiquei quase um mês sem patinar devido ao edema nas pernas..., mas quando melhorava, lá estava eu levando o meu corpo ao limite naquele gelo.

Baekhyun veio me visitar quando eu adoeci, ele faltou uma semana de aula para cuidar de mim. Eu estava mais emotivo do que nunca. E nessa semana em que ele veio, era o meu aniversário, por isso ganhei presentes, doces e muitos beijos escondidos a noite antes de dormir — aquilo era o nosso segredinho.

Nós nunca falamos em namorar ou coisas do tipo. Eu estava com dezesseis anos e ele com dezessete, Baekhyun estava se preparando para entrar na faculdade e prestar vestibular para música. De certa forma, eu estava feliz pelo meu Hyung, de todos os amigos de Daegu ele era o único que eu ainda mantinha contato.

 

As competições amadoras dos juniores chegaram e então foi o momento em que corremos contra o tempo. Tive que montar sozinho uma coreografia para a minha apresentação. Escolhi um tema que abordava algo sobre mim: O Egocentrismo.

A competição seria de programação curta, então cada competidor teria dois minutos e meio para apresentar.

Ao mostrar meu tema para o meu treinador, ele refez alguns movimentos e disse que eu deveria melhorar os meus saltos, principalmente na aterrissagem das minhas piruetas.

 

Então passei por meses de treinamento constante....

 

Os portões da Arena abriram-se para o público e eu estava um poço de nervosismo. Minhas irmãs e minha mãe vieram assistir a minha apresentação, por isso estavam na arquibancada ao lado de meu pai. Quando estava nos alongamentos avisaram-me que Baekhyun estava na arquibancada com Yixing e Jongdae, então foi aí que meu nervosismo aumentou.

Todos estavam sob pressão naquele momento, além dos conhecidos na arquibancada, havia uma equipe da Confederação da Coreia do Sul de patinação no gelo, então era a hora de brilhar, mostrar os resultados dos treinamentos.

Os três primeiros que passassem iriam conseguir entrar para equipe Sub Juniores e poderiam defender as Estaduais e se ganhassem, garantiria uma vaga nos profissionais — estes que competiam as mundiais.     

 

Eu estava nervoso enquanto fazia meus alongamentos e repassava meus passos mentalmente. Quando meu nome foi chamado pelos staffs, dizendo que eu seria o próximo, tentei controlar os meus ânimos.

Tirei a minha jaqueta e expus meu figurino azul com alguns cristais no peito, e logo após calcei as minhas luvas. Minha treinadora veio até a mim, dando o mesmo discurso que deu para os outros dois que haviam apresentado anteriormente. Eu nem prestei atenção no que ela falava direito por que eu estava procurando o meu pessoal naquela multidão, mas foi totalmente fail. Tirei os protetores das minhas lâminas dos patins e pisei no gelo.

Patinei um pouco para me familiarizar melhor na pista e posicionei-me bem no centro desta. Respirei, levantei as minhas mãos e posicionei os meus pés cruzados, e então o sinal tocou e minha música se iniciou. 

 

A minha apresentação teria sido perfeita se eu não tivesse quase caído na minha última pirueta, porém, eu fui bem dali em diante.

A minha pontuação foi boa, fiquei na frente dos dois que tinham apresentado anteriormente, porém ainda haviam mais dois para apresentar.

Taemin foi o último e foi perfeito.

No resultado, ele ficou em primeiro e eu, segundo.

Subi no pódio com lágrimas nos olhos. Não era o primeiro lugar, mas era o suficiente para que eu entrasse na Sub Juniores.

Minha primeira medalha foi conquistada com muito suor. Enquanto subiam a bandeira e cantavam o Hino Coreano, eu pude ver meus pais orgulhosos de mim, minhas irmãs que não paravam de chorar e meus amigos que estavam registrando tudo com suas câmeras. Baekhyun sorria lindamente. Era um dos sorrisos que eu mais gostava, um sorriso de orgulho.

Quando terminou a cerimonia dos ganhadores e eu pude ir até eles, fui carregado e jogado no alto. Foi um dos dias mais felizes da minha vida.

O natal estava chegando, então eu pude tirar férias de um mês, para depois retornar aos treinos na nova equipe com Taemin.

Naquela noite, fomos comemorar numa pizzaria, onde me acabei comendo pizza de frango.

 

Meus amigos ficaram por uma semana na minha casa, mas Baekhyun ficou por duas. Minhas irmãs e minha mãe também ficaram por uma semana na Coreia, elas estavam hospedadas em um hotel. Nessa semana me diverti bastante com todos, fomos ao cinema, a praia e parques de diversões.

Quando fui deixar minhas irmãs e minha mãe no aeroporto, elas choravam muito, pois acreditavam que o bebê chorão —  vulgo Kim Jongin —  estava sendo o orgulho da família. Minha mãe me beijou tanto na bochecha que chegou a doer.

 

Na rodoviária fiquei ouvindo piadinhas dos meninos, eles falavam que eu e Baekhyun deveríamos logo assumir o namoro. O Byun sempre batia neles quando falavam aquelas coisas, pois ficava com vergonha, mas eu levava tudo na brincadeira.

— É sério, até os teus pais shippam vocês. — Proferiu Yixing sorrindo.

— Todos sabem que vocês se pegam na calada da noite. — Jongdae brincou.

— Mentira! — Baekhyun se defendeu. — Eu e o Jongin nunca fazemos nada do que vocês estão falando ou pensando, sei lá o que.

— Vou fingir que acredito. Jongin fica calado porque é verdade. — Yixing implicou.

— Estou calado porque o Baek está certo. — Falei sorrindo.

— Nossa, como vocês são devagar hein. — Alfinetou Jongdae.

Baekhyun ia bater neles, mas no mesmo instante fizeram a chamada para os passageiros que iam para Daegu, então os meninos tinham que se despedir da gente.

— Dê o seu melhor por nós cara! — Jongdae me abraçou.

— Arrasa campeão. — Yixing me abraçou logo depois. — Ah, Baekhyun... pega o Jongin de jeito na madrugada.

Os dois saíram correndo, pois, um Baekhyun muito aborrecido correu atrás deles.

 

 

(...)

 

— Boa noite meninos!

Meu pai foi ao meu quarto para nos dizer boa noite e avisar que amanhã ficaria o dia todo na casa da namorada pois estava de folga. Eu e Baekhyun ficamos bagunçando com ele, por isso o mesmo saiu do quarto morrendo de vergonha, parecia um adolescente apaixonado.

 

O silencio pairou quando meu pai saiu do recinto.

Baekhyun estava dormindo na cama de baixo pois a minha cama era embutida.

 

— Baek? — Falei baixo.

— Vai dormir Jongin!

— Vai ficar me ignorando? O que eu te fiz? — Tive que perguntar. Baekhyun me ignorou na ida para casa depois que deixamos os meninos na rodoviária.

— Eu estou com sono Nini, vai dormir vai. — Falou fingindo um bocejo.

Baekhyun é péssimo em fingir algo.

— Você está com raiva porque ainda não transamos, né? — Perguntei sem cerimônias.

— Quê? — Baekhyun tossiu. — Não, não é isso!

— Então é o que?

— Eu.... Eu queria ser o seu namorado. Porra Jongin, eu sei que você sente algo por mim!

— Você é muito convencido cara. — Sorri.

 

Silencio.

 

— Baekhyun? — Chamei-o.

— Oi.

— Você quer namorar comigo? — Meu coração estava disparado por que eu sempre quis fazer aquele pedido.

— Não. — Respondeu seco.

— Quê? — Sentei na cama.

— Me peça isso de forma romântica Jongin, assim não vale. — Riu alto. — Eu falo sério!

 

Escorreguei até sua cama e sussurrei no seu ouvido:

 

— Você quer namorar comigo, Byun Baekhyun? — Pude ouvir sua respiração ficar mais tensa.

— Aceito.

 

Baekhyun dedilhou meu rosto e mesmo no escuro, ele encontrou os meus lábios e os beijou calmamente logo me puxando para que o meu corpo caísse por cima do seu.

— Eu estava com saudade dos teus lábios. — Falei e em seguida voltei a beijá-lo.

Os ósculos foram ficando tensos, então Baekhyun resolveu interrompê-los pois as coisas estavam começando a ficar sérias demais, mas confesso que eu estava gostando daquilo. Foi uma luta, mas Baekhyun deixou que eu dormisse com ele e no final, dormiu abraçado comigo — em um abraço de urso.

 

No dia seguinte fizemos o almoço juntos. Eu e o Byun parecíamos duas crianças correndo pela casa, fugíamos um do outro, mas no final parávamos para nos beijar. Naquela noite, meu pai ligou dizendo que não dormiria em casa, pois ficaria na casa da namorada. Então eu e Baekhyun pedimos uma pizza e comemos ela enquanto jogávamos The King of Fighters.

Jogamos até duas da manhã.

Na hora de dormir, eu pedi para que o pequeno dormisse comigo na minha cama e assim ele fez. Deitou ao meu lado e ficou quieto.

— Nini? — Me chamou.

— Oi amor. — Abracei-o por trás.

— Daqui a dois dias eu vou embora. — Silêncio. — Eu queria te pedir algo.

 

Eu beijei sua nuca.

 

— Pode falar, os seus desejos são uma ordem. — Proferi segurando a risada.

— Jongin, eu quero ser seu por completo. Eu quero que você seja o meu primeiro e eu quero ser o seu primeiro.

 

Baekhyun não precisou que eu o respondesse verbalmente, pois eu já tinha entendido muito bem. Então eu o virei para ficar de frente para mim e por fim, o beijei intensamente.

Parecia que o pequeno sempre esperou por isso, mas eu também não poderia negar que estava afim desde quando ele veio aqui para cuidar de mim na primeira vez. Ele beijava meus lábios com desejo, como se sua vida dependesse deles. Retirou sua camisa e depois a minha. Estávamos quentes, seria a nossa primeira vez, ali que perderíamos a nossa virgindade. Ele beijava meu peitoral todo e suas mãos travessas faziam massagens no meu membro por cima da bermuda. Eu arfava com aqueles movimentos ousados. Em um momento Baekhyun sentou em meu colo, apenas de cueca, rebolando lentamente e isso era uma tortura para mim, então o mudei de posição.

Comecei a beijar seu peitoral branquinho, passando a língua nos seus mamilos e percebendo que Baekhyun era muito sensível, pois só com esse ato ele estremecia. Deixei beijos estalados nos seus lábios e depois fui descendo.

Tirei sua cueca de uma vez, fazendo movimentos de masturbação em seu membro ereto, lambi a base, chupei a glande e fiz uma deliciosa sucção. Baekhyun gemia deliciosamente, proferindo meu nome arrastado e como era gostoso ouvi-lo. Ele se desfez em minha boca. Enquanto ele recuperava seu fôlego, eu me masturbava para aliviar-me, porém logo Baekhyun tomou o lugar de minhas mãos e pegou meu pênis o colocando em seu orifício bucal. Gemi e proferi seu nome pois o Byun me levou aos céus naquele boquete. Não demorou muito e me desfiz em sua boca pequena. Depois de recuperar meu folego pedi para o mesmo ficar de quatro. Foi difícil penetra-lo, porém quando ele se acostumou comigo dentro dele, pude fazer os movimentos. O som que fazíamos naquela madruga, foi do nosso amor em um completo pecado carnal. E naqueles dois dias restantes, parecia que Baekhyun e eu estávamos em uma lua de mel, pois o amor transbordava no meu quarto.

 

(...)

 

Baekhyun voltou para Daegu e eu voltei com os meus treinos, por que naquelas férias me tornei uma nova pessoa. Não sei se Baekhyun lembrava da promessa que eu havia feito a ele, mas eu daria o meu sangue para conseguir aquele ouro Olímpico.

 

(...)

 

Passei o Natal e o Ano Novo patinando. Meu novo treinador, Choi, era muito rígido, ele pegava muito no pé, principalmente comigo e Taemin, pois éramos novos na equipe.

No Sub Juniores, os patinadores eram muitos egocêntricos, eles amavam os erros dos outros, pois para eles aquilo era uma oportunidade para que passassem na nossa frente. Eu ganhei patrocinadores, então eu recebia uma pequena quantia e meu técnico dissera que na equipe Olímpica eu receberia o dobro, principalmente se eu ganhasse o ouro.

 

No meu décimo sétimo aniversário, ganhei um bolo da equipe e a noite, ganhei alguns nudes em uma sexting com meu namorado.

 

Em fevereiro recebi uma mensagem de Baekhyun na pausa do meu treino. Meu pequeno tinha passado na faculdade de música, então ao ler aquela mensagem eu prontamente liguei, parabenizando-o pela conquista.

 

Comecei a procurar músicas para encaixar com a minha nova coreografia... e para o tema dessa vez escolhi euforia, então a quinta Sinfonia de Beethoven, combinaria muito bem com a minha coreografia. Nas Estaduais, eu iria participar da programação livre, então seriam quatro minutos e meio de apresentação. Passei dias, semanas e meses treinando sem parar.

A escola estava me atrasando um pouco. Eu tinha apenas a tarde e à noite para treinar enquanto o resto da equipe treinava dezesseis horas por dia.

 

As Estaduais chegaram e a competição foi realizada em Daejeon. Baekhyun tirou um tempo da faculdade para me ver e na plateia só havia ele e meu pai.

Tinham muitos patinadores competindo então eu fui o decimo quarto a apresentar.

 

Eu estava no centro, concentrado quando a sinfonia começou a tocar. Fazia os gestos com maestria e exatidão. Eram quatros minutos e meio por isso acabava sendo muito cansativo. Nas três últimas piruetas, minhas pernas já davam sinais de cansaço.

Quando minha apresentação terminou, curvei-me para plateia e várias pelúcias e buquês foram jogados pela pista. Patinei até a portinha de saída e meu técnico me deu as proteções das laminas dos patins, me abraçou e apontou-me alguns erros que cometi durante a apresentação. Fomos para a cadeira esperarmos para recebermos a minha nota. Eu estava cansado, ansioso e nervoso, tudo ao mesmo tempo.

Fiquei em terceiro lugar.   

 

Depois da competição tivemos mais uma semana de folga então aproveitei esses dias para ficar na casa de Baekhyun em Daegu, até mesmo por que os pais do meu namorado queriam conhecer-me melhor.

Era estranho, quando voltei para a minha cidade natal e andava na rua com Baekhyun, as pessoas me reconheciam e isso era novo para mim. Meu rosto estava estampado nas revistas e jornais, um medalhista de bronze da cidade de Daegu.

 

Eu amei e fui amado naquela semana, meu pequeno Byun sabia muito bem me desestressar.

 

A folga passou e mais uma vez voltei a treinar, recebendo mais pressão do que antes. Taemin conseguiu entrar para a equipe dos Olímpicos e o meu técnico fazia questão de jogar isso na minha cara.

O ano foi passando e assim vieram os últimos dias de aula, o que me deixou melhor, pois eu não aguentava mais. Nem fui para a aula da saudade e tampouco para a formatura.

Passei a cobrar mais de mim. Trabalhei mais a minha velocidade, meus giros triplos no ar e principalmente as minhas aterrissagens, por que nas competições eu perdia um pouco de força nas pernas e assim perdia a velocidade para fazer duas ou três piruetas seguidas no ar.

 

No total, participei de três Estaduais, sempre ficando em segunda ou terceira colocação, enquanto Taemin tinha conseguindo duas pratas nas Olímpicas.

Aos vinte anos, tentava pela quarta vez as Estaduais e dessa vez eu deveria conseguir o ouro, senão eu perderia a minha vaga nos Sub Juniores, por que era o meu último ano nos Juniores — eu estava de maior.

Com essa pressão toda, eu pude fazer a minha apresentação. E aos meus vinte anos de idade, ganhei a minha almejada vaga na equipe Olímpica.

O ouro que estava em meu pescoço dei ao meu pai de presente, por que naquele dia em especial meu velho completava cinquenta anos. Baekhyun não tinha ido, pois estava em semana de provas na faculdade. Entretanto resolvi ligar para o meu namorado assim que fui para o vestuário trocar de roupa.

 

— Então você está indo para Alemanha?

 

Baekhyun falava comigo pelo celular.

 

— Eu vou receber aulas de profissionais renomeados amor.

— Mas e eu... onde fico nessa história?

 

Pensei um pouco, tinha que escolher boas palavras para não o deixar chateado.

 

— É necessário meu amor.... Você pode ir comigo se quiser.

— Eu estudo Jongin, dou aulas para crianças carentes, não tem como eu ir com você.

 

Eu podia sentir que o Baekhyun estava cansado da nossa relação à distância. Quem conseguia viver em um relacionamento que podiam se ver uma única vez no ano?  A cada novo dia, eu podia sentir que estava deixando Baekhyun escapar de minhas mãos.

 

— Você não pode me esperar?

— Não é questão de esperar Jongin, por que eu já espero demais. Esse ano você vai para Alemanha, ano que vem vai competir o mundial na Rússia e depois de dois anos você pode ir para o outro lado do mundo.

 

Ouvi apenas o silencio no outro lado da linha.

 

 — Baek? Você... quer... terminar comigo?

 

Minha voz estava ficando falha.

 

— Eu não sei, mas preciso de um tempo.

 

Tampei a minha boca, pois meus soluços não podiam ser ouvidos.

 

— Jongin, você está chorando?

— Vou ficar bem, se cuida então. Desculpa por ter ocupado o seu tempo por todos esses anos.

—  Eu não queria dizer- — O interrompi.

— Baekhyun me desculpa, mas agora eu tenho que ir, meu treinador está me chamando. — Menti.

 

Desliguei na cara dele e no mesmo momento me deitei no chão e comecei a chorar.

 

 

(...)

 

A Alemanha era muito fria.

Nas primeiras semanas eu conheci os pontos turísticos de Berlim. Lá serviam licor quente no inverno.

Conheci muitos atletas de todas as modalidades das olimpíadas de inverno e todos eram de países diferentes.

Minha nova professora de ballet era da Turquia. Eu e Taemin tínhamos aulas todos os dias com ela, que extrapolava os níveis de rigidez.

A minha nova coreografia foi montada por ótimos profissionais e a única coisa que faltava era a música. Eu precisava de uma nova composição, queria trabalhar com algo novo.

 

Naquela tarde, depois de treinar, eu recebi uma ligação. Era Baekhyun — depois de três meses — me ligando.

 

E naquele dia reatamos o nosso namoro, depois de lágrimas e palavras de amor e arrependimento.

 

Baekhyun me dissera que estava indo à Berlim a trabalho com Jongdae, pois ambos faziam a mesma faculdade. Ele não me disse do que seria, mas eu estava ansioso para encontra-lo novamente.

Continuei com os treinos, mas naquela semana recebi outra ligação e dessa vez era a namorada de meu pai, avisando-me que o mesmo estava internado.

Baekhyun estava indo a Berlim e eu estava voltando para Coreia às pressas para saber da saúde do meu pai.

 

(...)

 

Largar os treinos naquela altura estava sendo um perigo sobre a minha permanência na equipe. Mas era meu pai, o cara que fez de tudo para eu estar na Alemanha, que trabalhava honestamente na feira vendendo seus legumes, era o cara que com toda certeza do mundo daria a vida por mim. Eu não podia abandoná-lo no hospital daquela maneira, ele precisava de mim.

 

Contrariei a todos e peguei um voo para a Coreia do Sul.

Meu pai teve um AVC.

 

 

Quando cheguei no hospital, ele estava internado em estado grave. Chorei e ignorei ligações da Confederação. Eu tinha meu sonho em jogo, mas a vida dele estava em primeiro lugar. Minhas irmãs chegaram dois dias depois de mim.

Transferimos meu pai para um hospital particular para que ele tivesse cuidados especiais. Os cuidados eram caros demais e eu não era rico, mas ainda tinha o dinheiro que eu havia ganhado fazendo propagandas e dos campeonatos vencidos. Juntei tudo com minhas irmãs, minha “madrasta” e minha mãe para pagar as despesas do hospital.  Os médicos disseram que se meu pai saísse dessa ele teria sequelas para o resto da vida. Fiz as contas, mas o dinheiro não cobriria todas as despesas até o final do tratamento. Então recorri aos meus patrocinadores. 

Eles estavam aborrecidos comigo, pois eu tinha abandonado os treinos e mesmo que eu explicasse que era por uma causa de vida e morte, eles não ligavam. Entramos em um acordo: Eles pagariam todas as despesas, porém eu iria participar de todos os eventos publicitários e deveria retornar aos treinos na Alemanha.

Sem pensar duas vezes, fui para Alemanha, pois assim o dinheiro da saúde do meu pai estaria à salvo.

 

Voltar a treinar mesmo com ele em coma. Não foi fácil, perdi a minha concentração e até nos treinos eu caia sem parar. Meu técnico disse que se eu continuasse assim, não iria para o Mundial e podia dizer adeus ao ouro. 

 

Pressão.

O que eu mais sentia era pressão. Era pressão por continuar a patinar e não lagar tudo para ficar com meu pai no hospital, pressão para ganhar o ouro, a pressão de ter bons resultados para continuar na equipe... E naquele momento eu duvidava até mesmo do meu amor por patinação e aquilo tudo se tornou uma obrigação exacerbada.

 

Baekhyun e Jongdae chegaram a Alemanha um mês depois que meu pai entrou em coma. Quando vi o meu namorado do lado de fora da pista de gelo, com o Jongdae ao seu lado, eu patinei o mais depressa até a saída da pista e pus rápido as capas das laminas. Praticamente me joguei nos braços deles. Chorei, mas chorei muito.

Baekhyun tentava me acalmar de todos os jeitos, enquanto Jongdae tentava me fazer beber água. Depois de me expor daquele jeito, contei tudo para eles sobre a pressão que eu estava passando. Baekhyun chorou junto comigo e Jongdae tentou nos acalmar.

O estado de saúde do meu pai era grave e as quatros mulheres se revezavam para ficar com ele no hospital. Eu só queria ficar perto dele de qualquer jeito. Se a minha ambição não fosse tanta eu teria passado mais tempo com ele e não teria gastado a minha adolescência toda em uma pista de gelo. Se arrependimento matasse, eu já estava morto.

 

Depois que os ânimos foram acalmando, eu percebi que não tinha falado onde ficava a pista em que eu treinava para Baekhyun... mas então ele revelou que foi contratado pelo Comitê para compor a música que eu precisava para a minha nova coreografia.

Foi a melhor notícia que tive naqueles últimos dias.

 

De todos os instrumentos, eu escolhi o piano, pois meu pai amava as notas do mesmo.

O meu tema era coração partido, então meus movimentos no gelo eram melancólicos e Jongdae e Baekhyun trabalhavam nisso. Eles viram meus passos duas vezes e então foram embora para um estúdio de música. Depois de quatro dias, com ajuda de alguns cantores, a minha música estava pronta. Ouvi a melodia com as vozes e depois só as notas do piano. Em cada nota, eu podia me imaginar dançando.

 

Não perdi tempo e pus o meu corpo para trabalhar. Em cada expressão, cada movimento, cada salto e giro, eles conseguiam observar a minha dor. Era um coração partido...

 

Toda vez que chegava nas notas do refrão eu chorava, elas diziam “baby don’t cry, tonight” e meus olhos transbordavam de pura tristeza.

Baekhyun temia que eu fizesse alguma besteira, então trancou a faculdade e Jongdae retornou sozinho para a Coreia. Eu falava que ele não devia fazer isso, porém meu baixinho era muito teimoso e não me deu ouvidos.

Continuei a trenar arduamente e todos os dias Baekhyun me acompanhava nos treinos.

 

Três meses depois tive a notícia de que meu pai havia acordado do coma, mas o lado direito de seu corpo estava paralisado.

 

 

(...)

 

Eu continuava sendo pressionado, principalmente quando faltava dois meses para o mundial.

Eu sentia cansaço, insônia e pressão psicológica e se não fosse Baekhyun me ajudando todos os dias, sabe-se lá o que tinha acontecido comigo.

 

 

(...)

 

A Rússia era muito mais fria que a Alemanha. Baekhyun ficava muito mais pequeno naqueles casacos grossos que vestia para o proteger-se do frio.

 

No dia do Mundial de patinação eu estava muito nervoso, haviam repórteres do mundo todo. Eu e Taemin sempre fazíamos coletivas de impressa. Era agoniante todas aquelas câmeras apontadas para nós. Os flashes faziam os meus olhos doerem.

As apresentações haviam começado e nós podíamos assistir tudo em uma salinha, onde havia uma pequena televisão.

Taemin me chamou em um canto, nós oramos e em seguida nos alongamos silenciosamente, pois estávamos com fones de ouvido.

Taemin foi o sexto se apresentar. Eu soube que ele caiu na aterrissagem depois de fazer quatros giros no ar.

 

Eu fui o décimo a entrar na pista.

 

O meu figurino era uma típica roupa social. Era toda de lycra, a parte inferior era preta com alguns cristais nas laterais, e na parte superior tinha o formato de uma camisa social. Meus cabelos estavam penteados para trás.

Me posicionei no centro da pista e esvaziei a minha mente quando as primeiras notas foram tocadas. Fiz todos os movimentos que foram ensaiados e deixei as notas do piano me levarem.

Assim terminei a primeira etapa na segunda posição com o Programa Curto de dois minutos e meio.

Na segunda etapa da apresentação era o Programa Livre de quatro minutos e meio. Esse era o mais esperado pelo público, pois os elementos eram mais difíceis e fazíamos as piruetas exigidas. Os saltos eram executados nas rotações tripla ou quádrupla, dando voltas no ar.

Dessa vez arriscaria-me a executar dois saltos e rodar quatro vezes no ar.

As notas de Baby don’t cry foram tocadas, então eu comecei a fazer os movimentos. Saltei, girei e executei os elementos com maestria. Expressava de todas as formas possíveis a dor que estava em meu âmago.

A cada salto que eu dava com perfeição, arrancava palmas do público.  Fiz o último movimento, encerrando a minha apresentação.

 

Olhei para o público e todos estavam me aplaudindo de pé. Fiquei em êxtase com aquilo.

 

Quando a minha nota saiu, eu chorei em frente às câmeras. Eu tinha ganhado o ouro para a Coréia do Sul.

 Subir ao pódio me deu um alivio, senti meus ombros mais leves.

 

Naquela noite ao invés de ir para o bar comemorar, eu corri para o hotel e liguei para a minha família. E então eu e Baekhyun fizemos amor loucamente. O pedi em casamento, e bem... eu dei a minha medalha como prometido.

 

No dia seguinte enquanto arrumávamos nossas malas para irmos para casa, quando eu recebi uma ligação.

Meu pai havia sofrido uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. E faleceu.

 

 

(...)

 

A notícia da morte de meu pai correu o mundo inteiro.

 

Cheguei ao velório e vi que minhas irmãs estavam debruçadas no caixão chorando. Cheguei do mesmo e falei:

— Eu disse que iria ganhar o mundial, por que você não me esperou? — Funguei. — Eu te disse que voltaria com a medalha em meu pescoço! — E a lágrimas não paravam de cair. — Por que? Por que fizeste isso comigo pai?

 

Toquei sua face sem vida e mais lágrimas começaram a cair.

 

Naquele momento eu estava sem chão. Meu velho não estaria mais ou entre nós...

 

 

O enterro foi feito em Daegu.

 

 

 

(...)

 

Os patrocinadores cobriram as minhas dividas e então eu desisti da patinação.

 

Com o meu sonho eu acabei deixando de viver uma vida normal. Perdi minha adolescência por estar cego em busca da perfeição. Me submeti à pressão para conseguir o que queria, mas no final eu consegui abrir meus olhos para a realidade.

Eu podia viver uma vida tranquila e só percebi isso depois que meu pai se foi. 

 

Um ano depois me casei com Baekhyun e adotamos três cachorros. Ele terminou sua faculdade de música.

Eu resolvi sumir, pois a mídia queria saber o que me fez realmente sair do mundo da patinação e no momento, eu queria apenas paz.

Mudei para Daejeon com o meu marido e os três cachorros. Com o dinheiro que ganhei fazendo publicidades, abri uma Companhia de dança para pessoas de baixa renda.

 

A felicidade estava nas pequenas coisas.

 

Hoje aos sessenta anos, escrevi minha biografia e talvez o Ice Heart possa abrir os olhos de muitos jovens, por que há outros meios para sermos felizes e espero que minha história continue sendo contada, de pai para filho.

 

Viva a vida sem pressa e sem pressão, essas são as receitas essências para nos mantermos saudáveis e termos um bom psicólogo. Não se force a nada e deixe com que a vida aconteça naturalmente.

 

Assinado: Kim Jongin.

 

 


Notas Finais


Sobre o PROJETO METAMORFOSE: https://spiritfanfics.com/perfil/metamorfose_

Inspirações Links:
Exo Baby don't cry https://www.youtube.com/watch?v=ckGayMT4BBg
Patinador japonês Yuzuru Hanyu: https://www.youtube.com/watch?v=Bk6qrBrqAqo
E o anime Yuri on ice AAAAAA EU AMO TANTO ESSE ANIME AAAAAAAAAAAAAAAA

Espero que tenham gostados <3


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