História Icógnitas - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Ficção, Originais, Suspense
Exibições 14
Palavras 1.113
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Sci-Fi, Survival, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Canibalismo, Incesto
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Desculpem-me o atraso!! Tive problema eletrônicos!

Capítulo 2 - Desordem


Fanfic / Fanfiction Icógnitas - Capítulo 2 - Desordem

Capítulo 02
"Desordem”

Sem que percebesse, uma luz irritou meus olhos, no momento, ainda fechados. Meu corpo estava exausto, e uma enxaqueca fazia meus pensamentos sem revirarem em agonia. Quando comecei a voltar a mim, esquecendo a dor e o cansaço, finalmente despertando, senti algo em minha perna. Como se um caco de vidro roçasse minha coxa. Mas não era vidro.
As pressas abri os olhos, mas o que eu encontrei estava longe de qualquer sonho, estava mais para um pesadelo.
As ruas, a pouco lotadas de pessoas se refugiando da chuva, se encontravam completamente vazias. Não havia ninguém. Conforme comecei a me mexer, levantando-me, o que ainda tocava minha perna parou de repente, e quando enfim olhei para ver o que era só pude avistar um vulto negro correndo para a escuridão de uma loja em ruínas. Um velho petshop, com os vidros estilhaçados e um ar sombrio circulando em seu interior.
- Onde... estou? - perguntei ao vento, observando a cidade imersa no caos.
Prédios, casas, lojas, tudo estava em ruínas. Com inúmeras rachaduras e tanta poeira que me fez tocir. Mesmo que eu tivesse indagado sobre onde estava, eu sabia a resposta. Estava no mesmo lugar de antes.
Os monumentos podiam estar muito danificados, mas ainda sim os reconheci. Do meu lado estava uma linha de trem, cortando a cidade em dois para transportar suas cargas, ou melhor era isso que ela fazia. As vigas de ferro haviam enferrujado completamente. Me sentei e sem me importar comigo mesma, olhei para trás e lá estava a ponte onde eu me abrigava da chuva com Sônia. A ponte estava tombada, com blocos de concreto espalhados pelo asfalto gasto e quebradiço.
"Mas que merda é essa?" Comecei a pensar, encarando o local onde havia deixado minha melhor amiga, boquiaberta "Oque aconteceu aqui? Uma bomba? Será que uma bomba caiu e matou todos?"
Antes que pudesse continuar com a minha especulação de que uma bomba havia atingido a cidade, o que era claramente improvável considerando que não havia cratera ou mesmo sinal de fumaça, além do fato deu ainda estar viva, algo chamou a minha atenção. Minha calça estava toda rasgada, muito mais que a de um rockeiro, mal restava tecido.
- Seja lá quem fez isso vai me pagar! - resmunguei, tocando os rasgados grotescos de minha ex-calça, com as pernas expostas ao calor do sol - Eu tinha comprado em promoção...!
Subitamente me lembrei de quando acordava. A sensação de algo tocando minhas pernas. Algo como... garras. E o vulto de alguém correndo para as trevas.
- Aquilo... foi uma pessoa, né? - murmurei, assustada, percebendo que aqueles rasgos não era nada normais.
Me levantei do chão da rua, e retirei os fiapos do que um dia foi uma peça de roupa. Olhei para o céu e reparei que as nuvens carregadas não me atormentavam mais. Em vez de um cenário chuvoso e escuro, eu estava de frente para uma paisagem desértica com a cidade em seus últimos suspiros e o sol surgindo por trás dos escombros no horizonte.
Tudo mudara, mas ao mesmo tempo não.
Com a minha velha mania de olhar para o meu celular, sempre checando a caixa de mensagens a espera de uma notificação, que me recordei de algo pra lá de importante.
- Mãe!! - gritei, desesperada.
Procurei meu celular feito louca. O maldito aparelho de ligações a distância não estava no bolso da minha blusa e nem do da minha calça, até porque eu nem tinha mais uma. "Ele deve ter caído da minha mão quando desmaiei na chuva" pensei. Com esta idéia na cabeça e a preocupação com minha mãe em meus pensamentos, comecei a buscar desenfreadamente o celular por onde havia caído.
- Não deve estar muito longe.
De fato, em dois minutos achei o objeto entre uma das linhas do trêm, mas...
- Tá de brincadeira! - meu belo smartphone, presente de meu último aniversário, estava todo arranhado e úmido por dentro, "estragado" não era nem de perto um adjetivo para descrever o estado do coitado.
Pensei em guardar aquele monte de placas, com a carcaça solta, no bolso de minha blusa mas de utilidade nenhuma mais ele me serviria. Foi uma sensação idiota, mas fiquei triste ao ter de me livrar dele. E mesmo que, desde que despertei estivesse sem calça, com apenas uma jaqueta, uma blusa longa e uma calcinha, somente naquele momento me senti estranha, sentindo a falta de algo.
Deixando minhas emoções infantis de lado, ao me lembrar da ligação repentina de minha mãe e do ruído do outro lado da linha, me pus a correr.
O mundo podia ter desmoronado. As pessoas desaparecido. As trevas reinado. Mas ainda assim eu precisava encontrar minha mãe, como se mais um de seus abraçis carinhosos pudessem abafar o som desesperador do fim de tudo.
Passos e mais passos eu dava pela cidade demolida, pulando por destroços e desviando de algumas cenas sombrias. Corpos ainda se decompondo em um terminal rodoviário, paredes manchadas de sangue, ratos roendo um cadáver em um beco. Cenas saídas de locais mórbidos e sangrentos. Meu olhar era instintivamente atraído e minhas pernas vacilavam, quase chegava a cair com os tropeços na rua esburacada, mas ignorei tudo e voltei para o que um dia chamei de casa.
Tentei destrancar o cadeado enferrujado da varanda, mas a chave ficou presa. Sem medo das consequências, quaisquer que fossem, pulei o muro. O que foi bem fácil devido a mobilidade que ganhara, apesar de ser um ato despudorado, não usar calças era algo vantajoso. Quando meus sapatos tocaram o chão vi que a casa ainda se mantinha de pé, apesar do estado.
Em um passe de mágica minha casa havia sido transformada em uma daquelas atrações assustadoras de parque de diversões. Janelas arranhadas, paredes mofadas e madeira apodrecida. Logo reparei na marca de garras em um dos muros da varanda, e então assimilei com a abertura brutal feita na porta da entrada da frente.
"Alguém ou alguma coisa entrou aqui"
Queria fugir, mas isso não levaria à nada, eu precisava entrar e descobrir sobre o paradeiro de minha mãe nos escombros daquela casa violada. Não havia escolha, muito menos para onde fugir.
- É como dizem, se está no inferno abrace o Diabo... - pensei em voz alta.
Eu poderia ter chamado por minha mãe do lado de fora, mas se houvesse alguém perigoso lá dentro meu grito o avisaria. Sorrateiramente caminhei até a porta, ainda observando as grandes farpas de madeira expostas, como dentes de um tubarão faminto. E ao tocar levemente na maçaneta empoeirada a porta se abriu sozinha, com um rangido medonho, revelando um mundo melancólico e apavorante.



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